Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Mais um capítulo novinho para vocês. Eu quero agradecer demais a Samantha, AndreaNeves e a thais oliveira pelos doces e divertidos comentários no capítulo passado. É muito bom saber que estão gostando tanto da história. Espero não decepcionar com esse. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XI – PLANO

Freddie havia se machucado. Ainda que eu soubesse que não tinha sido nada grave, naquele momento, a ficha do perigo que ele está correndo para me ajudar finalmente caiu. Não que eu não tivesse ciência antes do quanto ele estava se arriscando para me ajudar a sair desse hospital psiquiátrico, mas ver o grande hematoma em sua costela foi o gatilho que eu precisava para entender que não era apenas o emprego dele que estava sendo colocado a prova.

Hugh matou meu pai e me enviou para um hospital psiquiátrico sem qualquer hesitação para apenas conseguir assumir o controle de uma empresa. Matar mais uma pessoa apenas para garantir permanecer no controle não seria nada demais para ele. E com o diretor do Troubled Waters Mental Hospital ao seu lado, pronto para relatar nossas ações ao meu cruel tio materno, nossa situação se tornava ainda mais perigosa.

Observo Freddie recolher alguns cacos dos objetos quebrados que caíram da mesa de Carly ou se quebraram com o choque da grade de ferro que protegia o duto de ventilação da sala. Enquanto isso, a psicóloga examina Gibby, que também havia sofrido alguns ferimentos com a queda. Sentindo a culpa me atingir brutalmente, abaixo-me e começo a ajudar Freddie.

— Não precisa fazer isso. Você vai acabar se cortando. – Responde o rapaz ao me ver ao seu lado.

— Eu não sou uma garotinha indefesa, nerd... au. – Sussurro a última parte ao sentir um caco de vidro cortar meu dedo.

— O que foi que eu disse? – Freddie me repreende, mas se aproxima para verificar o pequeno corte, que sangrava mais do que o necessário. Ele pega meu dedo com cuidado e o examina.

— Isso não é nada demais, nerd. Foi apenas um corte idiota. – Resmungo, puxando minha mão de volta. Coloco meu dedo na boca e ele me encara com repreensão, antes de se levantar e ir até Carly, que mexia na maleta de primeiros-socorros em busca de curativos para os machucados de Gibby.

— O que houve? – Questiona a psicóloga, quando Freddie pega algodão, antisséptico e um curativo adesivo. – Vocês se machucaram? Eu falei que não precisava arrumar, que eu ia limpar depois que terminasse aqui.

— Está tudo bem. A Sam apenas cortou superficialmente o dedo. Eu já estou terminando a limpeza. É melhor ganharmos tempo. Claude logo vai desconfiar da demora dessa consulta. — Responde Freddie, voltando a se sentar de frente para mim. Ele estende a mão. – Deixa eu ver.

— Não precisa disso tudo. –Resmungo e Freddie continua a me encarar com repreensão. Suspiro e estendo minha mão para que ele limpasse o corte e colocasse o curativo.

Com delicadeza, Freddie limpa o pequeno corte e coloca o curativo em meu dedo. Ao fim, ele me encara e dá um pequeno sorriso. Nossos olhos se encontram e sinto minha pele se arrepiar diante da intensidade com a qual eu era observada por Freddie. E novamente sinto as malditas palpitações e a boca seca. Estávamos perto demais e ao mesmo tempo eu sentia o desejo de encerrar aquele espaço que ainda havia entre nós.

Tudo intenso e insano demais. De repente, não perecia assim tão errado eu ter sido internada em um manicômio. No entanto, por mais que eu tentasse ignorar ou exterminar esses sentimentos malucos, eles continuavam a tomar cada vez mais espaço dentro de meu coração. E o pior disso tudo é que, por mais que eu tenha uma leve suspeita do que estar acontecendo comigo, eu sei que não posso jamais me envolver com Freddie. Não por causa dele em si, mas por mim.

Todos os traumas dos meus antigos relacionamentos só me faziam ter a certeza de que o amor não foi feito para mim. Com exceção de Damon, todos os meus outros namorados me traíram e usaram a mesma desculpa de que eu nunca dava atenção para eles. E sendo sincera, eu sabia que era verdade. Por mais que eu tentasse, eu nunca me entreguei completamente a eles. O trabalho sempre veio em primeiro lugar. Minha família sempre era prioridade. E meu temperamento difícil também não ajudava em nada.

E agora, seguindo a tradição da família Barton, eu estava em perigo. Eu tive sorte de ter encontrado Freddie, Carly e Gibby. Mas isso não significava que tudo acabaria bem para mim no final. Ainda que eu consiga sair do Troubled Waters Mental Hospital, não há garantias que eu conseguirei voltar para Hawkins. Tampouco significava que eu conseguiria chegar viva. E enquanto eu permaneço no hospital psiquiátrico, sem qualquer notícia de minha família, Beth também está diante de nosso maior e mais perverso inimigo.

Eu não poderia colocar Freddie e seus amigos em ainda mais perigo. Se envolver comigo só traria mais problemas a essas pessoas que tanto me ajudaram. E é por isso, reunindo toda a minha quase inexistente força de vontade daquele momento, que eu desvio o olhar e me afasto, voltando a limpar a sala.

Freddie permanece imóvel por alguns instantes. Eu não sabia o que se passava em sua mente, mas após um longo e cansado suspiro, ele também volta a juntar as peças quebradas. E o silêncio se fez presente no ambiente até que terminamos de limpar tudo. Carly também finaliza os curativos de Gibby e não demoramos a nos reunir para conversar sobre o plano. Segundo Carly, nós só tínhamos mais vinte minutos até que a nossa suposta sessão de terapia terminasse.

— Como eu te disse antes, Sam, a sua fuga ocorrerá no mesmo dia em que estaremos realizando o festival beneficente anual do Troubled Waters Mental Hospital, que será em dez dias. – Começa Freddie e eu assinto, concordando.

— O que acontece nesse festival? – Pergunto, pensativa.

— Esse é um dos poucos dias em que os portões do hospital são abertos e temos a presença do público externo e a mídia. Ocorrem algumas apresentações de cantores e dançarinos famosos. Os pacientes seus trabalhos como quadros de pintura ou esculturas feitas por eles são leiloados. Segundo os patrocinadores do evento, todo o dinheiro arrecadado é convertido em doações de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social. Mas na minha opinião, essa é só uma forma do diretor arrecadar dinheiro para ele mesmo. – Responde Carly e seus olhos exibem um brilho de quem tinha certeza do que dizia.

— De qualquer forma, ao mesmo tempo em que nesse dia é redobrada a segurança, também é o dia em que mais encontramos aberturas. As atenções que eram totalmente focadas nos pacientes passam a se dividir com as celebridades que participam do evento. – Explica Freddie, jogando a cabeça para trás, enquanto relaxa o corpo no pequeno sofá de Carly. – O diretor Leblanc já informou que você ficará longe das festividades, porque aparentemente sua família não permitiu que você fosse exposta.

— É claro que não permitiu. No exato momento em que eu aparecer, tio Clint ou tia Tasha apareceriam para me resgatar. – Respondo, irritada.

— Mas isso também é uma vantagem para nós, Sam. – Afirma Gibby e eu o encaro, tentando entender seu raciocínio. – O diretor Leblanc estará muito ocupado recebendo os convidados especiais do evento e puxando o saco de políticos para ficar vigiando você pelas câmeras de segurança. Como teoricamente você estará isolada dos outros pacientes em seu quarto, tudo o que precisamos fazer é nos livrarmos de Claude para conseguir te tirar daqui sem ser vista.

— O que não vai ser uma tarefa fácil, porque ele só abandona o posto dele quando Adrien assume a função de te vigiar. – Comenta Carly e eu assinto, concordando. Ele realmente nunca sai de perto de mim além de quando o outro segurança assume o posto, para a minha infelicidade. – Mas tivemos a ideia de sabotar o carro dele e os seguranças o informarem sobre o problema. Claude é apaixonado pelo carro dele. Nós temos quase certeza de que ele vai correr imediatamente para ver o que está acontecendo e esse é o momento em que vamos te tirar do quarto e seguir para a próxima etapa do plano.

— Que seria? – Questiono, curiosa.

— Distração. – Responde Freddie com seriedade. – Eu irei invadir e causar algumas falhas no sistema do Troubled Waters. Isso deve gerar caos suficiente para que você consiga sair sem ser vista pelos seguranças ou enfermeiros. Spencer estará te esperando para te levar até um esconderijo seguro, onde você deve permanecer até conseguirmos garantir que você não voltará a ser internada novamente.

— E quanto tempo isso seria? – Pergunto, preocupada.

— Uma semana mais ou menos. – Responde Carly e eu nego, apreensiva.

— Não. Eu não tenho tanto tempo assim. Beth pode estar em perigo. Eu preciso voltar o mais rápido possível para Hawkins e entrar em contato com tia Tasha ou tio Clint. Eles com certeza vão me ajudar a provar que Hugh está envolvido na morte de meu pai. – Justifico minha pressa e eles parecem não saber nem como reagir.

— O grande problema é que a equipe de busca do diretor Leblanc é muito habilidosa e perigosa. Seria muito arriscado tentar te tirar de Paris antes de uma semana. Eles poderiam facilmente te encontrar no aeroporto já que eles com certeza saberiam que seu desejo é retornar para Hawkins. – Explica Gibby, pensativo. – A única forma de te tirar daqui antes disso seria por trem ou de carro. Ainda assim, existe a possibilidade de preverem isso e você acabar sendo procurada pelas rodovias nas estações de trem.

— Podemos pensar em uma solução mais para frente quanto à forma como vamos te tirar de Paris. E sobre sua irmã, eu vou conversar com Elena e rondar sobre como Beth está ou damos um jeito de entrar em contato com Natasha Romanoff ou Clint Barton. Eu acho que ainda tenho o número deles. Mas se realmente deseja voltar em segurança para Hawkins, precisa ter paciência. – Freddie se aproxima de mim e se abaixa, pegando em minhas mãos. – Eu entendo que esteja preocupada com sua família, mas precisa confiar em nós. Se nos apressarmos demais, não só você vai acabar ficando em perigo. Nós e a família Barton também podemos nos tornar alvos de Hugh Greene.

— Família Barton? – Ouço Gibby questionar, mas nem me dou ao trabalho de o encarar, presa demais nos olhos doces de Freddie, que acaba desviando o olhar para responder o amigo.

— Uma família que vive se envolvendo em problemas. – Responde Freddie, voltando a se sentar onde estava antes. – Minha prima Elena faz parte junto com Sam e outros dez jovens de idades semelhantes.

— Eu não sei se eu entendi. – Comenta Gibby, tentando assimilar a breve explicação de Freddie. Ele então se vira para Carly. – Você sabe sobre eles?

— Tanto quanto você. – Responde Carly, rindo. – Tudo o que sei é que extremamente inteligentes, bonitos, ricos e talentosos. Por onde quer que passem, eles sempre chamam a atenção de todos.

— Não somos ricos. Possuem as exceções como Austin, Aaron, Damon, Oliver e Thea, que realmente possuem muito dinheiro, mas não é isso que nos define. – Esclareço, suspirando. – Não é tão simples assim explicar.

— Clint Barton é o motivo de tudo e é por isso que essa família é tão complexa. – Conta Freddie e eu assinto, concordando.

Carly e Gibby me encaram com curiosidade. Estava claro que eles estavam ansiosos para saber mais sobre essa família. Apesar de saber bastante sobre nós, já que Elena e ele eram grudados quando crianças, Freddie também parecia ansioso para ouvir a história da família Barton.

— De forma resumida, Clint Barton é um homem muito rico e influente hoje em dia. Seu poder no submundo pode ser equiparado ao do presidente dos Estados Unidos. Mas nem sempre foi assim. Ele foi abandonado ainda recém-nascido em uma igreja e passou a viver em um orfanato católico. Até os doze anos de idade, ele passou por inúmeros lares adotivos até que foi adotado pela família Hopper, que já possuíam um filho já adolescente, Jim Hopper, que tinha quatro melhores amigos, Robert Queen,Henry Allen, Adam Florian e o meu pai, Kyle Puckett. Por causa da personalidade excêntrica e da inteligência acima da média, ao mesmo tempo que ele atraía as famílias para o adotarem, as pessoas pareciam ter medo dele e sempre acabavam o devolvendo para o orfanato. Isso o fez passar por cerca de quinze lares adotivos.

— Pobrezinho. – Comenta Carly, comovida pela história de tio Clint.

— Por sempre acabar sendo devolvido, por mais que tentasse se dar bem com sua nova família, ele se sentia solitário e seu desejo de ter uma família se tornava ainda mais forte. Ele queria se sentir amado. Queria uma família que o entendesse e pudesse ser o seu abrigo nos momentos mais difíceis da vida. Mesmo aprendendo mais sobre novas culturas e idiomas, as pessoas não conseguiam aceitar sua personalidade brilhante. Então, tio Clint prometeu a si mesmo que assim que ele crescesse, formaria uma família única, onde as pessoas se apoiariam e ficariam juntas não por compartilharem o mesmo sangue e sim porque seus corações se completariam. 

— Isso é bem legal. – Fala Gibby e eu assinto, concordando com um sorriso nostálgico ao me lembrar das inúmeras vezes em que ouvi essa história de tio Clint na hora de dormir, quando participava de seus acampamentos.

— E então ele escolheu as crianças que são filhos dos amigos do irmão dele para formarem a família? – Deduz Carly, pensativa.

— Sim. Apesar de serem mais velhos, tio Jim e seus amigos se tornaram muito próximos de tio Clint, quando ele foi adotado pela família Hopper. A forma como o aceitaram fez com que ele sentisse que finalmente pertencia a uma família. Depois que todos os seus melhores amigos se casaram e tiveram filhos, tio Clint resolveu cuidar dos sobrinhos de consideração, Austin e Aaron Moon, Oliver e Thea Queen, Ben Florian, Barry Allen, Elena Gilbert, Damon Salvatore, Nancy Wheeler, Sara Hopper, Beth Greene e eu. E assim, nós nos tornamos oficialmente a família Barton, como gostamos de nos chamar.O mesmo número da idade que ele tinha quando foi adotado pela família Hopper. Tudo bem que alguns não são filhos de seus melhores amigos, como Damon, Elena, Nancy, Austin, Aaron e Beth, mas ele dizia que todos nós carregávamos o mesmo olha que ele quando criança. O olhar de quem estava à procura de um lar. Como Sara morreu dez anos atrás, atualmente nossa família é composta por onze sobrinhos, tio Clint e tia Tasha, a ex-namorada dele que também é agente da CIA.  — Conto surpreendendo Carly e Gibby.

— Elena me contou que Clint Barton parecia saber que seus sobrinhos de consideração se envolveriam em diversos problemas quando crescessem, então todos passaram por treinamentos ainda crianças para sobreviver a qualquer perigo que enfrentassem. – Complementa Freddie, deixando os amigos confusos.

— Treinamento? Que tipo de treinamento? – Pergunta Carly com curiosidade.

— Luta, manejo de armas, raciocínio lógico, formas de escapar de sequestros ou ganhar uma luta quando estamos em desvantagem. – Respondo, dando de ombros.

— Mas... isso não é demais para crianças aprenderem? – Questiona Gibby, chocado com a informação.

— De certa forma, agora faz sentido o comportamento agressivo de Sam quando criança. – Carly comenta, parecendo preocupada comigo. Rio de seu comentário.

— Não éramos torturados, se vocês querem saber. Todo o treinamento era feito como forma de brincadeira. Nós participávamos de acampamentos de férias e aprendíamos tudo com tio Clint. O meu comportamento não era por causa disso. Eu apenas achava divertido provocar e me arriscar. Gostava da sensação de adrenalina. Obviamente, eu acabava sempre de castigo por aprontar demais. – Respondo e Freddie me encara com um sorriso irônico. – Eu sempre acabava exagerando antes que eu percebesse.

— Eu que o diga. –Murmura Freddie, lançando um olhar divertido.

— Enfim, isso. Por mais estranha e complicada que seja a família Barton, nós somos ligados por uma conexão muito mais forte que laços sanguíneos. Uma vez que você se torna um Barton, sempre será um Barton. É uma ligação inexplicável e que nos une de uma forma incapaz de sermos separados. Porque não importa o que aconteça, nós sempre teremos uns aos outros. – Digo, sentindo meu coração se apertar pela saudade que eu sentia de meus primos e minha irmã. Eu não via a hora de estar novamente com aquelas pessoas malucas que tanto amo. Até mesmo Aaron me fazia falta. E sendo sincera, ninguém gosta do Aaron.

— É melhor nós voltarmos, Gibby. Eu preciso medicar alguns pacientes e Claude já deve estar ficando impaciente. Além disso, não será fácil subirmos. – Freddie encara o amigo, que suspira e assente. – Sam, a partir de agora iremos observar o padrão de segurança do hospital. Como Clint ou Natasha devem ter ensinado a você para escapar de locais perigosos, suponho que tenha idéias de rotas que podemos adotar para você sair do Troubled Waters. Pense bem nisso e nos informe na próxima consulta com Carly. E para evitar que aconteça o mesmo que aconteceu hoje, eu vou dar um jeito de fazer escutas para que Gibby não precise estar aqui para saber o que estamos conversando.

— Sinto muito, pessoal. – Lamenta o enfermeiro mais uma vez, com os ombros encolhidos.

— Não foi culpa sua, amor. Está tudo bem. – Afirma Carly, acariciando o rosto de Gibby e em seguida deixa um selinho em seus lábios. Encaro a cena, surpresa e me viro para Freddie, esperando alguma explicação.

— Eles começaram a namorar essa semana. – Responde Freddie, dando um sorriso divertido. – Aos poucos você se acostuma.

— Eu não tenho tanta certeza. – Sussurro em resposta. Freddie ri, divertindo com minha careta.

— Como vamos voltar? – Questiona Gibby, encarando a entrada do duto de ventilação.

— Vamos usar a cadeira de Carly que é mais alta. Eu subo primeiro e depois te puxo. Assim que estivermos lá em cima, Sam me passa a grade proteção e eu dou um jeito de encaixar. Da próxima vez eu trago as ferramentas para parafusar novamente. – Orienta Freddie e mais uma vez tenho a sensação que aquela era uma péssima ideia.

— Freddie... – Começo, mas ele sorri e balança a cabeça, negando.

— Pode não parecer, mas eu estou bem mais forte do que costumava ser, Sam. E esse machucadinho aqui não foi nada demais. Não se preocupe. — Responde o rapaz, parecendo saber exatamente o que se passava em minha cabeça.

Freddie então pega a cadeira de rodinhas de Carly e a puxa até abaixo do duto. Temendo que ele acabasse caindo e se machucasse ainda mais, seguro a cadeira. Ele então se impulsiona e pula, alcançando as bordas da entrada do duto. Em questão de segundos, Freddie consegue subir e entrar no duto de ventilação.

— Cara, você não é normal. – Comenta Gibby, encarando o amigo, embasbacado.

— Sua vez. – Responde Freddie, estendendo as duas mãos para baixo. Gibby o encara, preocupado. – Confia em mim. Eu prometo que não vou deixar você cair.

— Eu sou pesado, Freddie. Você vai acabar se machucando, cara. – Gibby parece ainda mais preocupado que eu.

— Não vou. Agora vem logo, antes que o Claude apareça mais uma vez. – Insiste Freddie e o outro enfermeiro suspira, dando-se por vencido.

Gibby se despede de Carly com um rápido beijo e sobe na cadeira que eu segurava, assim como Freddie havia feito. Receoso, ele pula e alcança as bordas do duto. Freddie o puxa para cima e felizmente não demora muito para que os dois estivessem a salvo. Aliviada, suspiro e pego a grade de proteção e entrego para o enfermeiro, que a encaixa no duto, como estava antes de ser derrubada por Gibby.

— Tenha cuidado. – Peço e ele sorri, assentindo.

— Você também. – Fala Freddie, encarando-me com intensidade. – Nós nos vemos daqui a pouco.

Desço da cadeira e Carly a puxa de volta para o lugar dela, enquanto ouço os dois enfermeiros irem embora. Volto a me sentar na cadeira de frente para a mesa da psicóloga, que também se senta e me encara como se estivesse me encarando. Ergo a sobrancelha, esperando que ela me dissesse qual era o problema.

— Quando vai dizer para ele que está apaixonada por ele? – Questiona Carly e eu a encaro, assustada.

— Do que você está falando? Eu não estou apaixonada por ninguém. – Resmungo e Carly ri, como se não acreditasse em minhas palavras. – Primeiro você me aparece namorando o Gibby e agora fala que eu estou apaixonada pelo Freddie. Você definitivamente deveria se internar.

— Ei! Gibby é fofo. – Retruca Carly e dessa vez sou eu que começo a rir, sem acreditar em minhas palavras. – É sério.

— Desculpa, Carly, mas é que eu nunca imaginei que homens como Gibby fizessem seu tipo. – Respondo e ela bufa. – Pensei que gostasse de homens mais másculos e populares, tipo...

— Tipo o Freddie? – Sugere Carly, sorrindo maliciosa.

— Eu ia dizer tipo atletas e modelos, mas o Freddie serve. – Digo e ela ri ainda mais. – O quê? Ele pode ser um nerd idiota, mas não posso negar que ele é bonito. Eu também não sou cega.

— Você nem consegue disfarçar, sua falsa. Está louquinha por ele e fica se fazendo de sonsa. – Carly bate palminhas e gargalha, enquanto me sinto um pouco envergonhada. – Primeiro você diz que foi uma transa em um micro banheiro de avião foi o melhor sexo de sua vida, depois fala que ele é bonito e ainda elogia o porte físico dele. Agora quer me dizer que não está apaixonada? Não mente para mim, Puckett. Você está caidinha pelo Freddie. Admite logo.

— Não é justo você ficar jogando na minha cara as coisas que eu disse em um momento de loucura. – Murmuro, envergonhada.

— Admite logo, Sam. – Insiste Carly, pegando minhas mãos com animação. – Admite que você ama o Freddie.

— Eu amo presunto. – Declaro, nervosa. Não estava gostando de como aquela conversa estava andando.

— O presunto não vai te beijar com uma pegada que te faz perder o ar e fazer suas pernas ficarem bambas. – Acusa Carly e eu reviro os olhos. – E o presunto também não vai te dar o melhor sexo da sua vida.

— Cala a boca, Shay. – Resmungo, sentindo meu rosto esquentar com os comentários de Carly. Eu realmente estava começando a me arrepender de ter contado para ela sobre como foi a transa no banheiro.

Felizmente, antes que Carly continuasse a jogar na minha cara todos os comentários que compartilhei ao relatar sobre como aquele sexo com Freddie havia sido incrível, as batidas impacientes de Claude, falando alguma coisa em francês que eu sabia que significava que o meu tempo de consulta com Carly havia terminado.

— Você não vai fugir dessa conversa para sempre. – Avisa Carly e eu dou meu sorriso vitorioso, enquanto me levanto.

Au revoir, Dra. Carly Shay. — Despeço-me, acenando calmamente.

— Nessas horas você sabe francês, não é, mocinha? – Ironiza Carly, rindo de minha fuga descarada. Claude abre a porta e nos encara, desconfiado. – Até a próxima consulta, Samantha.

— Vamos, brutamontes. – Resmungo para Claude, quando passo por ele. Aceno mais uma vez em despedida para Carly e sigo para o quarto com a versão maligna e muito mal feita do The Rock.

Minha mente estava tão perdida em pensamentos, que eu nem mesmo me incomodava com os empurrões e xingamentos do segurança carrasco. A verdade é que eu sabia que Carly estava certa. Estava difícil continuar a negar a mim mesma isso. Ainda assim, eu permaneceria firme com a minha decisão. Depois de minha fuga do hospital, eu desaparecerei definitivamente da vida de Freddie e viverei a minha, com as lembranças ardentes e apaixonantes de nossos momentos tatuadas em minha mente e em meu coração.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara