Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como vocês estão? Espero que bem. Aqui estamos com mais um capítulo. Espero que estejam gostam da história. Quero agradecer demais a Mari, AndreaNeves e a thais oliveira pelos lindos e maravilhosos comentários no capítulo passado. Obrigada mesmo! Agora vamos ao que realmente interessa. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XII — INTERESSE

Uma semana havia se passado desde que começamos a colocar o plano de observar o sistema de segurança do hospital em prática. Faltava apenas três dias para o festival beneficente anual do Troubled Waters Mental Hospital e nossas emoções não poderiam estar mais a flor da pele. No entanto, aos poucos começávamos a notar o padrão de comportamento dos seguranças e os pontos de vulnerabilidade.

— O que você tanto olha? – Questiona Claude, aproximando-se mais de mim com um olhar desconfiado ao notar que eu observava a troca de seguranças da porta de entrada do hospital. Suspiro e me viro para encará-lo, exibindo a minha expressão mais entediada possível.

— Trabalhando, obviamente. Ao contrário de você que parece que não ainda entendeu que seu trabalho é vigiar e proteger Sam, eu estou cuidando e observando tudo o que os meus pacientes fazem. – Respondo, dando um sorriso irônico. Ele me encara com indignação e posso ver a veia de seu pescoço estufar de tanto que ele se segurava para não avançar contra mim. Volto minha atenção para Sam, que nos encara confusa. Provavelmente tinha ouvido seu nome e se perguntava o que falávamos. – Terminou o seu quadro, Sam?

— Quase. – Responde, abaixando a paleta de tintas e o pincel que usava, enquanto encarava o quadro no cavalete que estava pintando.

— É uma mão bem realista. – Comento, observando o desenho da mão fechada com um dedo erguido de Sam. Era estranhamente bom. Eu não fazia ideia do que se passava na mente um pouco fora do comum de Sam, mas era inegável seu talento para arte. – É um belo dedo.

— Obrigada. – Sam agradece, dando um lindo sorriso. – Até que enfim uma atividade que eu realmente sou boa.

— Seu desenho está muito bonito, Sam. – Elogia Jujuba, batendo palmas ao encarar o desenho da amiga. – Muito bonito.

— Bonito! Bonito! Bonito! – Concorda Caleb, sorrindo animado.

— Obrigada, pessoal. – Sam realmente parecia animada com os elogios que recebia dos amigos que acabou fazendo no Troubled Waters.

Sorrio ao notar as mudanças pelas quais Sam passou nas últimas três semanas. Ela estava muito mais calma e sociável. Já sorria com frequência e parecia ter se acostumado com as particularidades dos outros pacientes. Sam até mesmo aprendeu a lidar com as múltiplas personalidades de Caleb e com as crises de Jujuba.

Ela em nada se parecia com a garota assustada que chegou ao Troubled Waters e enviou três dos mais experientes enfermeiros para o hospital e traumatizou mais três, quando tentavam contê-la. Claro que os enfermeiros e seguranças ainda evitavam a loira ao máximo, temendo sua força sobre-humana, mas aos poucos começavam a confiar em sua transformação, acreditando serem os efeitos dos supostos medicamentos que ela tem tomado.

Afasto-me um pouco do trio que tinha iniciado uma conversa animada sobre suas pinturas e passo a observar os outros pacientes a nossa volta. Estávamos próximos a entrada principal do hospital, realizando a aula de pintura. Os pacientes se divertiam com as tintas e outros materiais de confecção. Essa era uma das atividades favoritas deles e era impressionante como a grande maioria parecia ter um grande dom para a arte, fosse abstrata ou de alguma paisagem.

Enquanto ajudava Richard a pinta o oceano, como ele havia pedido, noto a presença de uma garota magra e alta, aproximando-se com um grande sorriso em seus lábios carnudos. Os olhos grandes e negros recaem sobre mim e não demoro a reconhecer a linda garota que se aproximava a passos largos. Correspondo ao sorriso, feliz por ver a modelo que havia passado tanto tempo fora.

— Freddie Benson! – Cumprimenta a jovem de longos cabelos negros.

— Hillary! – Claude se aproxima da modelo, fazendo questão de me empurrar para longe, antes que eu dissesse qualquer coisa.

— Para você é srta. Leblanc, sr. Dupont. – Responde Hillary, esboçando uma expressão intimidadora, que faz o segurança se encolher. A modelo nem mesmo fazia questão de esconder como não gostava de Claude. Por outro lado, o homem parecia possuir sentimentos fortes pela garota. Ela então passa por ele e seu sorriso se abre novamente ao parar de frente para mim. – Freddie Benson!

— Olá, srta. Leblanc. Seja bem-vinda de volta. – Cumprimento com um sorriso educado e ela revira os olhos, puxando-me para um forte abraço.

— Para você é Hillary, seu chato. – Resmunga com um tom divertido e eu posso ver os olhos de Claude se estreitarem para mim. Ele estava furioso. Ignoro sua reação e correspondo ao abraço de na filha do diretor. – Eu estava com tanta saudade.

— Srta. Leblanc... – Inicio, enquanto nos afastamos, mas sou interrompido pela modelo que faz careta ao ouvir seu nome.

— Hillary, Freddie. Nós logo nos tornaremos marido e mulher. Tem que aprender a deixar a formalidade de lado. – Hillary me lança um olhar malicioso. Rio e balanço a cabeça, negando. – O quê? Continua a recusar meus pedidos de casamento? Será que eu não sou bonita e inteligente o suficiente para o grande Fredward Karl Benson?

— Esqueceu do oferecida e ridícula. – Ouço Sam sussurrar e eu acabo arregalando os olhos ao perceber que o comentário não passou despercebido por Hillary.

— O quê...? – Balbucia a filha do diretor do hospital, surpresa.

— Sam! – Repreendo a garota, que me encara com tédio.

— Hillary! – Jujuba então parece notar a presença da modelo e dar o seu típico abraço apertado. – Hillary! Hillary!

— Jujuba, não! Suas mãos estão sujas de tinta. Você vai manchar a roupa da Hillary. – Tento impedir a garota, que arregala os olhos e tenta se afastar, mas é impedida pelos braços de Hillary, que a puxa de volta e intensifica ainda mais o abraço.

— Jujuba, sim. Não liga para o que esse chato diz, Jujuba. Eu também senti muito a sua falta, princesinha. – Afirma a modelo, deixando um beijo estalado na testa de Juliana, que sorri ainda mais. As duas então se afastam e ela se vira para Caleb, que a encarava ansioso. – Vem aqui, Caleb. Eu também quero um abraço seu.

— Hillary! – Grita o rapaz alto, correndo um pouco desengonçado para dar um abraço apertado na linda garota. – Belac também sentiu a sua falta.

— É mesmo? Eu fico muito feliz por isso. – Responde Hillary, assim que os dois se afastam. Ela se vira para Richard e lança um olhar divertido. O homem sorri envergonhado e se esconde atrás de mim. – Ah, não, Rick. Você continua se escondendo de mim. Vem cá! Eu quero te dar um beijo.

— Não! – Ele grita, rindo, enquanto me abraça pelas costas, tentando se esconder de Hillary, que o persegue fazendo sons de beijo.

— Peguei você. – Ela responde, finalmente o pega e deixa um beijo estralado na bochecha do homem que gargalha como uma criança. – Agora sim. Estou satisfeita. Oi Rick.

— Oi Hillary. – Ele responde, dando um sorriso amável.

Com um pai viciado em trabalho e uma mãe que estava sempre muito ocupada cuidando de gêmeos agitados e da mãe idosa, Hillary era bastante solitária quando criança. A solução encontrada por Louis Leblanc para controlar a filha de personalidade forte foi levá-la para o Troubled Waters Mental Hospital durante as férias, que era a única época em que ele tinha algum contato com ela.

Ao conviver com os pacientes como uma forma de passar o tempo, ela acabou se apegando e passou a vê-los como amigos. Por isso, todas as vezes que Hillary visitava o hospital, diferente da relação do pai com os pacientes, ela fazia questão de cumprimentar a todos com abraços e grandes sorrisos.

— E quem é essa nova paciente? Pela forma que fala e age, aposto que é dos Estados Unidos. – Hillary encara Sam com curiosidade. Felizmente, não parecia ofendida com o recente ataque. Ela então estende a mão e dá um sorriso gentil. – Muito prazer, eu me chamo Hillary Leblanc. E qual é o seu nome?

Sam encara a mão estendida de Hillary e a observa por um tempo. Era nítido que ela ainda não estava à vontade para conversar com Hillary, mas depois de ver os amigos receberem a garota com tanto carinho, eu tinha quase certeza de que Sam travava uma batalha interna sobre como deveria responder Hillary.

— Samantha Puckett. – A loira responde por fim, apertando a mão de Hillary.

— Samantha Puckett? Seu nome e seu rosto são bastante familiares. – Comenta Hillary, pensativa. Sam me encara com preocupação. – Ah, claro! Eu lembrei. Você é a filha do empresário Kyle Puckett. Seu pai era um homem incrível. Eu sinto muito pela morte precoce dele.

— Você conheceu o meu pai? – Questiona Sam, interessada.

— Sim. Não era tão próxima dele, mas tínhamos muitos amigos em comum. Eu o conheci através do meu amigo Steve Rogers, presidente da The Avangers. Você o conhece? – Pergunta Hillary e Sam assente, surpresa. – Além dele, eu também sou próxima de Natasha Romanoff. Mesmo sem o visitar há algum tempo, eu também considero Clint Barton um amigo muito querido.

— Você é amiga da tia Tasha e do tio Clint? – Sam parecia cada vez mais embasbacada com as informações dadas por Hillary.

— Tia Tasha e tio Clint? Então você é mesmo uma Barton. – Questiona Hillary com curiosidade. Sam estava prestes a responder, mas sinto que não era seguro ter essa conversa em meio ao hospital. Ainda mais tendo Claude ao nosso lado. Aperto levemente o pulso de Hillary e a encaro, esperando que ela entendesse o que eu gostaria de dizer. – Entendo.

— Bem que eu achei que aqui estava bastante agitado. — O comentário de Carly faz Hillary abrir um grande sorriso. — Hillary Leblanc.

— Bem-vinda de volta, Hillary. — Saúda Gibby, sorrindo para a modelo, que abraça os dois com intensidade.

— Carly! Gibby! Como eu senti a falta de vocês. — Comenta Hillary, afastando-se do casal. Ela os analisa com atenção e lança um olhar desconfiado para eles. — Vocês estão diferentes desde a última vez que os vi. O que aconteceu?

— Eles finalmente estão namorando, Hillary. — Respondo e ela os encara com espanto e um sorriso animado no rosto.

— Mentira! Ah! Meus parabéns! Eu estou tão feliz por vocês! — Hillary abraça o casal de maneira eufórica mais uma vez. Assim que eles se separam, Hillary se vira para mim e esboça uma expressão divertida. — Agora só falta o Freddie aceitar meus sentimentos e seremos casais lindos.

Sorrio envergonhado e desvio o olhar, sem saber como responder a seu olhar intenso e repleto de expectativas. Carly e Gibby me observavam com curiosidade, provavelmente esperando que eu dissesse alguma coisa. Instintivamente, eu me viro na direção de Sam e nossos olhares se chocam. Ela também me encarava com seriedade e eu via certo incômodo no brilho de seus lindos olhos azuis. E por algum motivo estranho, eu queria que ela entendesse que aquela conversa com Hillary não passava de uma brincadeira e que somos apenas amigos.

— Tudo bem. Eu entendi. – Comenta Hillary, dando um suspiro cansado. – Bom, eu preciso conversar com o meu pai agora. Depois eu volto para conversar com vocês. Até mais tarde, pessoal.

— Até logo, Hillary. – Despeço-me e ela sorri, acenando para todos, sendo prontamente correspondida com largos sorrisos pedidos para que não demorasse a aparecer novamente.

— Ei, Puckett. Não se preocupe. Apesar de tudo, você continua sendo a escolhida. – Comenta Carly de repente, sorrindo com diversão. Encaro-a, sem entender o que ela queria dizer com isso. – Não importa quem seja você sempre será a preferida e única para ele.

— Cala a boca, Shay. –Resmunga Sam, voltando a prestar atenção no quadro que estava pintando.

Observo a expressão raivosa de Sam e me questiono o que eu havia perdido nesse curto período de tempo em que as duas trocaram olhares. No entanto, Sam não era a única mal-humorada presente. Claude também parecia estar bem próximo de descontar sua raiva em mim. Dando de ombros, vejo Annemarie começando a discutir com Petra e decido ignorar os olhares ameaçadores e os punhos cerrados do homem. Estava na hora de voltar ao trabalho.

[...]

Observo o céu se pondo e suspiro aliviado ao relaxar meu corpo no banco, após passar horas em pé. Inspiro o ar fresco que fazia naquele momento e fecho os olhos, apreciando a brisa que amenizava um pouco do calor sufocante da capital francesa. O silêncio que me cercava também era confortável. Eu sentia o cansaço aos poucos se esvaindo de meu corpo.

— Horário de descanso? – A voz suave de Hillary me faz abrir os olhos e encarar seu sorriso doce. Correspondo ao sorriso e assinto, concordando. – Posso me sentar com você?

— Claro. – Concordo, afastando-me um pouco mais para dar espaço para a garota se sentar. Permanecemos em um silêncio confortável por alguns instantes. Observo-a pelo canto do olho e ela também parecia um pouco cansada. – Como foi em Londres? Vi as fotos e vídeos de seus desfiles. Você se saiu muito bem.

— Obrigada. – Hillary agradece, dando um sorriso gentil, mas logo suspira cansada. – Mas foi bastante desgastante. Sabe, eu estava pensando em como seria se eu me aposentasse das passarelas. Acho que seria realmente incrível e libertador.

— Mesmo? Por quê? Pensei que amasse desfilar. – Respondo e ela me encara pensativa. – Aconteceu alguma coisa?

— Não. Quer dizer, todo o desgaste e as constantes exigências de minha agência contribuem e muito para eu pensar em deixar a carreira de modelo para trás, mas não é isso. Eu só... não sei se eu realmente amo isso. Eu comecei a desfilar, porque minha mãe simplesmente me fez ser modelo desde criança. Mas sendo sincera, eu não tenho mais ânimo para todas as dietas, toda a falsidade desse universo e a pressão e invasão de privacidade da mídia. – Explica Hillary, encarando o bonito céu alaranjado.

— Entendo. Sinto muito por toda a pressão que está passando. Imagino que não seja fácil lidar com tudo isso. Eu sei bem o que é ser obrigado pela família a seguir uma profissão que nunca foi realmente o seu sonho. Mas espero de verdade que encontre o caminho que te leve a encontrar a sua verdadeira felicidade. – Digo com sinceridade e ela sorri compreensiva.

— Apesar disso, eu provavelmente não abandonarei a profissão tão cedo. – Responde, suspirando conformada. Encaro-a com preocupação e ela ri. – Não se preocupe. Mesmo não sendo meus sonhos e que não seja exatamente o que eu ame fazer, eu tenho meus motivos para continuar a desfilar, assim como você tem os seus motivos para continuar trabalhando como enfermeiro, quando seu sonho sempre foi trabalhar com tecnologia.

O silêncio volta a recair sobre nós. Observo o jardim a nossa frente, pensando sobre todas as minhas escolhas de vida e em como minha mãe sempre interferiu em minha vida. Eu sabia bem que estava longe de ser um filho presente, mas todas as vezes em que conversamos, nós sempre acabamos discutindo. De maneira única, com poucos minutos de conversa, a mulher conseguia me deixar próximo da insanidade com toda a sua superproteção. Ainda assim, eu sentia falta dela. Talvez, eu devesse ligar para ela e saber como ela está.

— Você realmente gosta dela, não gosta? – Comenta Hillary, quebrando o silêncio. Encaro-a, confuso. Eu não fazia ideia de quem ela estava falando. – Samantha Puckett.

— O quê? Sobre o que você está falando, Hillary? – Questiono, sentindo meu coração bater fortemente em meu peito, assustado com o comentário repentino da modelo.

— Na verdade, vendo a sua reação ao falar o nome dela, acho que o que sente por ela é mais forte do que apenas um simples gostar. Você realmente a ama. – Insiste Hillary, dando um fraco sorriso.

— Não diga besteiras. – Repreendo a garota, um pouco nervoso. Eu sabia que não tinha motivos para me sentir tão atordoado com comentários como aquele. Ainda assim, todas as vezes que alguém insinua sobre meus sentimentos pela loira, mais eu me sinto exposto e vulnerável.

— Você nem mesmo é capaz de negar. – Comenta a modelo, rindo um pouco amargurada. – Acho que eu realmente perdi essa batalha.

— Hillary... – Sussurro, preocupado com a garota. Ela me encara com seriedade e eu não faço ideia do que se passa em sua mente. – Eu...

— Você é cruelmente gentil, Freddie Benson. – Responde Hillary, voltando a encarar o céu que já começava a dar seus primeiros sinais do anoitecer. – Desde que nos conhecemos, eu sempre deixei claro meus sentimentos e o interesse que eu tenho por você. Eu tenho certeza de que você sabe que eu sou apaixonada por você. Ainda assim, você evitou falar sobre o assuntou ou finge que tudo não passa de uma brincadeira apenas para não magoar meus sentimentos, mesmo que o efeito seja o contrário do que você imagina. Mas eu mantive as esperanças. Imaginei que em algum momento, você acabaria me dando uma chance. No entanto, vejo que isso nunca aconteceria. Seu coração sempre teve uma dona e não era eu. Só que eu tenho que confessar que é um pouco frustrante ver que mesmo a conhecendo há tanto tempo, você ainda não foi capaz de aceitar seus sentimentos por ela.

— O quê...? – Balbucio, surpreso. – Eu... eu não conheço Sam há tanto tempo assim. – Minto, nervoso. Hillary ri e balança a cabeça, negando.

— Você é um péssimo mentiroso, Freddie. – Afirma Hillary, com um semblante divertido. Um novo suspiro escapa de seus lábios e ela me encara como uma mãe que não sabe o que fazer com o filho. – Ela é uma Barton assim como sua prima Elena. Vocês são da mesma cidade natal e se eu fosse aposta, diria que até mesmo estudaram juntos. É óbvio que vocês se conhecem desde que eram crianças.

— Nós não...

— Está tudo bem, Freddie. Sabe que não precisa mentir para mim. Eu não sou o meu pai. Ao contrário dele, eu estou ao seu lado, mesmo que eu esteja com o coração partido. – Hillary me interrompe e me lança um fraco e doloroso sorriso. Sinto-me culpado por não ser capaz de corresponder aos seus sentimentos. – Confie em mim.

Suspiro e coço minha nuca, incomodado com aquele conflito interno em minha mente que me fazia hesitar em contar tudo a Hillary. Mesmo acreditando em suas palavras, ainda havia uma parte de mim que queria evitar falar no assunto, porque eu sabia que no instante em que externasse tudo que tenho guardado dentro de mim, a Caixa de Pandora se abriria e eu não conseguiria mais fingir ou ignorar os motivos que me levavam a fazer tudo o que tenho feito por Sam.

— Tudo bem. Eu não vou te forçar a me contar sobre o seu passado com Samantha e nem os seus sentimentos por ela. Posso ver que ainda é difícil para você aceitar. – Fala Hillary, encarando-me com compreensão. Provavelmente conseguia ver o quanto o assunto era difícil para mim. – Mas precisa tomar cuidado com o meu pai.

— Seu pai? – Pergunto, preocupado com o que o diretor Leblanc poderia estar aprontando dessa vez.

— Ele sabe que vocês se conhecem e também parece estar disposto a fazer de tudo para desmascarar vocês dois. Eu também tenho quase certeza de que ele sabe que vocês estão planejando uma fuga. – Afirma a morena, encarando-me com seriedade.

— Como...

— Como eu sei que estão planejando uma fuga? – Hillary completa a minha fala e me encara com um sorriso divertido. – Você subestima demais a minha inteligência, Freddie.

— Desculpa. – Sussurro, encolhendo-me levemente.

— Mas, respondendo a sua pergunta. É bem simples, na verdade. – Afirma a garota, sorrindo como se estivesse acabado de desvendar uma charada. – Não é preciso muito tempo para saber que Samantha não possui nenhum problema psicológico. Pelo menos, não um que a levaria a ser internada. Eu também conheço sobre os feitos dela. Quando nos conhecemos, Kyle me contou como a filha era habilidosa para os negócios e como estava se preparando para assumir a presidência das Corporações Puckett. Com a morte dele, seria quase certo que Sam se tornaria a responsável pelos negócios da família, como era o desejo de Kyle. No entanto, eu pesquisei um pouco na internet sobre o destino da empresa e vi que atualmente há uma briga entre Beth Greene, a filha adotiva de Kyle, e o cunhado dele, que também é vice-presidente das Corporações Puckett, Hugh Greene para saber quem assumirá a presidência.

“Kyle me disse que Samantha e Beth eram melhoras amigas, sendo a última também uma Barton, então duvido que a irmã mais velha faria alguma coisa para machucar a mais nova. Outro ponto que não fazia o menor sentido era o fato de Samantha estar internada tão longe da família. A família Barton nunca se separa. Naty me explicou que os sobrinhos são praticamente grudados uns nos outros e temos o ponto de que alguns membros da família Barton são médicos e trabalharem no maior hospital de Hawkins, então não fazia sentido Samantha ser internada em Paris. Eles poderiam muito bem ter a levado para uma clínica na cidade deles, se ela realmente precisasse de internação. Isso me levou a pensar que Hugh poderia estar por trás do motivo de Samantha estar internada aqui no Troubled Waters. E eu cheguei a conclusão que ela está em perigo.

E então chegamos à parte interessante. Se eu conheço os métodos do meu pai, ele provavelmente receitou que você dopasse Samantha para que não tivesse riscos de descobrirem que ela não precisava ser internada e que tudo não passava de uma jogada de Hugh para assumir a presidência das Corporações Puckett. Mas, por que Samantha não está drogada com os medicamentos fortes que provavelmente receitaram para ela? E por que ela está convivendo com os outros pacientes e parece ter aceitado tão bem essa realidade?

Quando conversei com meu pai e descobri que você era o enfermeiro responsável por ela, tudo fez sentido. Vocês provavelmente estão trabalhando em uma forma de tirar Sam desse hospital e você arrumou uma forma de simular que ela está tomando os medicamentos, quando na verdade não está. Confesso que estou bem curiosa para saber a solução que você encontrou.” – Explica Hillary e não consigo disfarçar a minha surpresa ao ver como ela desvendou tudo com tão poucas informações. – Eu sei. Eu sou uma detetive brilhante. Não precisa dizer.

— Você... vai contar alguma coisa para seu pai? – Pergunto, preocupado. A essa altura, eu já nem me importava mais em esconder a verdade. Sendo sincero, eu nem tinha argumentos para refutar sua conclusão brilhante sobre o que estava acontecendo com Sam. Então eu sabia que seria inútil tentar mentir para Hillary.

— Claro que não. Eu não menti quando disse que estou do seu lado. – Responde Hillary com sinceridade. – Eu não concordo nenhum pouco com o que meu pai está fazendo. E é por isso que eu vou entrar em contato com Naty e contar para ela que Sam está aqui e que deveria começar a investigar Hugh Greene. Não tenho dúvidas de que ela vai encontrar uma forma de tirar Samantha daqui. Por isso, não façam nenhuma besteira. Fugir daqui pode ser muito perigoso. Meu pai não vai parar até conseguir trazer Samantha de volta. Você sabe os métodos dele.

— A fuga ocorrerá em três dias. – Conto e ela me encara surpresa.

— A fuga será durante o festival? – Questiona Hillary, preocupada. – Freddie...

— Eu sei o que vai dizer. Mas essa é a nossa melhor chance de sair daqui. Como você mesma disse, seu pai está muito próximo de descobrir a verdade. Ele apenas quer um motivo para colocar Sam no quarto branco. E nós dois conhecemos o diretor Leblanc muito bem para saber que não será fácil para Natasha conseguir tirar Sam daqui, mesmo ela sendo uma agente incrível. – Respondo, suspirando frustrado.

— Você não conhece a Naty, Freddie. Ela protege os sobrinhos como ninguém. Além disso, se Clint ao menos desconfiar que Samantha está aqui, é capaz dele derrubar as portas desse hospital com um tanque de guerra e resgatar Samantha ele mesmo e em questão de segundos. – Insiste Hillary e eu sabia que ela não exagerava quando falava da agente da CIA e do excêntrico responsável pela família Barton.

— Já tentamos entrar em contato com Clint. Ninguém sabe onde ele está e muito menos consegue conversar com ele. – Conto, suspirando. – De qualquer forma, eu vou aceitar que entre em contato com Natasha, mas seguiremos em frente com o plano.

— Freddie... – Choraminga Hillary, insatisfeita com a minha decisão. Mas ao ver que eu não mudaria de ideia, ela suspira, dando-se por vencida. – Tudo bem. Mas me prometa que tomará cuidado e que se alguma coisa acontecer, você vai me avisar.

— Hillary...

— Prometa, Freddie. – Insiste a modelo com seriedade.

— Está bem. Eu prometo. – Concordo, sorrindo para a garota. Ela bufa e me abraça apertado. Correspondo, acariciando os cabelos macios de Hillary. – Não se preocupe. Eu vou ficar bem. Prometo que tirarei Sam desse lugar em segurança, não importa o que aconteça.

— Eu realmente espero que você esteja certo. – Sussurra Hillary, soando pesarosa. Ela se afasta e me encara com preocupação, mas abre um sorriso encorajador. – Boa sorte.

— Obrigado. Eu com certeza vou precisar se quiser sair vivo dessa. – Brinco e ela me dá um tapa de leve no ombro, encarando-me com repreensão.

No entanto, acho que tanto eu quanto ela sabíamos que minhas palavras eram verdadeiras. Eu estava diante de um perigo que nunca enfrentei antes. Ainda assim, esse é aquele momento da história que lemos nos livros de contos de fadas em que os personagens precisam agir se quiserem ter o seu final feliz. Então, por mais receoso e com medo que eu esteja, eu estou pronto para fazer o que for necessário para garantir que Sam encontre o seu final feliz.

Notas finais
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