Loucuras de Agosto
19 Medo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO
CAPÍTULO XVIII – MEDO
A paisagem interiorana ia sendo deixada para trás e dando lugar as grandes e detalhadas construções conforme nos aproximávamos do centro de Paris. Como de costume, o trânsito caótico do fim de semana não ajudava em nada a acalmar nossos nervos que ainda estavam bastante alterados após deixar o Troubled Waters Mental Hospital.
Agora que eu finalmente havia me sentado e tido a chance de descansar, sinto as dores dos golpes que recebi de Claude se intensificarem. E enquanto encarava a janela do carro, tentando não expor como até mesmo respirar estava se tornando uma ação torturante, minha mente ainda trabalhava mais relembrando tudo o que aconteceu nas últimas semanas até chegarmos aqui.
Nada saiu como o planejado e eu sabia que a grande culpa disso era minha. Mesmo sem nenhuma prova, eu sempre desconfiei que os olhos do diretor do hospital viam muito mais do que tínhamos ciência. Ainda assim, eu arrisquei a vida de Sam, Carly e Gibby, acreditando que poderia protegê-los de qualquer perigo. Mas como era de se esperar, eu estava errado. Estupidamente errado.
Se não fosse por Hillary, eu e meus amigos jamais conseguiríamos ter fugido do Troubled Waters e Sam estaria em um perigo ainda maior. Por causa de minha presunção em achar que tinha tudo sob controle e que era capaz de tirar Sam do hospital psiquiátrico sozinho que Sam acabou indo parar no quarto branco, Carly e Gibby estão correndo perigo e Hillary acabou matando o próprio pai para me proteger.
Respiro fundo, procurando me acalmar. Eu sabia que não adiantava em nada ficar me martirizando agora que tudo aconteceu. Mesmo que nós tenhamos conseguido fugir do Troubled Waters, Hugh Greene continua determinado a matar a própria sobrinha ou usá-la de alguma forma para se livrar de sua situação. A prova disso foi ter enviado tantos homens perigosos atrás dela no hospital psiquiátrico, mesmo depois de ordenar a Louis Leblanc que a eliminasse.
Com a forte presença da CIA nesse caso e as ações indiscretas de Hugh, algo me dizia que a situação em Hawkins tem saído de seu controle e ele está desesperado para encontrar alguma forma de escapar. Se eu estivesse certo, era só uma questão de tempo até que os capangas de Hugh voltassem a aparecer. Com Sam em suas mãos, ele poderia usá-la de alguma forma como moeda de troca ou algo assim. Por isso, precisávamos pensar em uma forma de sair de Paris o mais rápido possível.
E enquanto eu buscava alguma solução para os nossos problemas, sinto a um aperto em minha mão. Ao olhar para o lado, encontro o azul intensos de seus olhos exibindo transmitido toda a preocupação que sentia naquele momento. Entrelaço nossas mãos e dou um fraco sorriso, tentando convencer a ela e a mim mesmo que tudo ficaria bem.
— Por causa de toda a confusão, nós não conseguimos nos apresentar, mas eu me chamo Spencer Shay. Eu sou o irmão mais velho da Carly e de consideração do Freddie. É um prazer finalmente te conhecer, Samantha Puckett. Freddie me falou muito sobre você desde que era criança. Era demônio loiro para lá, demônio loiro para cá. Era uma graça o quanto ele ficava fofo com raiva, enquanto falava sobre como você era má. – Comenta Spencer, deixando-me sem graça.
— Spencer! – Repreendo o mais velho, fazendo Carly prender o riso e Gibby me lança um olhar malicioso.
— É mesmo? – Sam me encara, abrindo um sorriso divertido. Bufo e tento puxar minha mão, voltando a encarar a paisagem pela janela do carro, mas Sam puxa minha mão de volta, virando-se para Spencer. – É um prazer te conhecer, Spencer. Pode me chamar de Sam. Obrigada por nos ajudar.
— O que eu não faço pelos meus irmãozinhos? Além disso, essa é a primeira vez que Freddie me pede ajuda. É claro que eu não poderia recusar. Eu não sei se você sabe, mas ele é muito cabeça dura e orgulhoso. Sempre tenta resolver tudo sozinho. Então imagina a minha surpresa quando ele apareceu pedindo para que eu ajudasse Samantha Puckett a fugir do Troubled Waters. – Conta Spencer, observando-nos pelo retrovisor do carro com um pequeno sorriso em seu rosto.
— Freddie é mesmo péssimo em pedir ajuda. – Comenta Carly, suspirando. – A nossa sorte é que ele é tão certinho, que nunca se envolveu em problemas a ponto de nos deixar preocupados.
— Até agora. – Complementa Gibby com o tom de voz divertido. Ele então se vira para trás mais uma vez e encara Sam. – Foi tão surpreendente quando ele me pediu para contar os detalhes de quando ajudei Nicole a fugir do hospital e mais ainda quando ele concordou em nos contar o que planejava fazer, que nós não pensamos duas vezes em ajudar.
— Sinto muito por envolver vocês. Eu realmente não queria trazer problemas para vocês. – Lamento e vejo Sam exibir uma expressão de culpa em seu rosto. Aperto mais nossas mãos, tentando mostrar que ela não tinha culpa alguma.
— Quantas vezes terei que dizer que iríamos ajudar você, querendo ou não? – Resmunga Carly, lançando-me um olhar repreendedor. – Então vocês dois parem de ficar se culpando pelo que aconteceu.
— É, gente. Se tem algum culpado aqui, definitivamente são Hugh Greene e Louis Leblanc. – Afirma Gibby, dando um fraco sorriso.
— Falando nisso, Hillary disse que você tinha sido preso pelo diretor Leblanc. Como isso aconteceu e como conseguiu escapar? – Pergunta Spencer com curiosidade.
— Hillary. – Respondo, suspirando. – Muita coisa aconteceu, na verdade. Eles me imobilizaram com uma arma de eletrochoque e depois me levaram para um quarto com vários objetos de tortura no subsolo. Por mais que eu deteste admitir, de uma forma muito estranha, o sr. Leblanc parecia gostar de mim e não permitiu que Claude exagerasse. Depois disso, ele me deu duas escolhas. Felizmente, Hillary apareceu para o impedir.
— Quais escolhas ele te deu? – Pergunta Sam, analisando-me com atenção.
— Isso não importa mais. – Desconverso, mas minha resposta não parece agradar a Sam, que continuava a me observar intensamente.
— O que ele disse? – Questiona a loira com seriedade.
— Não se preocupe com isso. Não vai fazer nenhuma diferença agora. – Respondo com sinceridade.
— Freddie. – Sam aperta meu queixo e me obriga a encará-la. – Quais foram as escolhas?
— Esquecer que tudo aconteceu e ajudá-lo com seus negócios como sócio ou homens enviados por Hugh entrariam no quarto e te esfaqueariam até a morte. – Revelo, contrariado.
— Deus! Como ele pode ser tão cruel? Ainda bem que a Hillary apareceu. – Comenta Carly, assustada.
— Sócio? – Sussurra Sam, pensativa. – Por quê?
— Ele disse que eu tenho um excelente poder de argumentação e esperava que convencesse mais pessoas a fazerem com seus familiares o que Hugh fez com você. – Respondo e ela parece estranhar, mas não diz nada. – Como eu disse, isso não importa mais. Louis Leblanc está morto e nós conseguimos escapar do Troubled Waters. Agora precisamos pensar no que vamos fazer de agora em diante. Isso é muito mais urgente agora.
— Qual o problema? – Pergunta Gibby, preocupado.
— Hillary me disse alguns dias atrás que entrou em contato com a agente Natasha Romanoff para informar do paradeiro de Sam. Hugh está sendo investigado desde que Sam desapareceu. Imagino que tenha sido um pedido da irmã mais velha de Sam. Apesar de não ter provas, eu tenho quase certeza de que Hugh se viu em um beco sem sair e pretende usar Sam para escapar. – Encaro meus amigos, que pareciam um pouco preocupados com essa possibilidade.
— Por que acha isso? – Questiona Carly, remexendo-se nervosa no banco.
— Um pouco antes de Hillary aparecer, o Louis me contou que informou a Hugh sobre nosso plano de fuga e ele pagou o dobro do que ia pagar apenas para garantir que Sam fosse morta. Mas, estranhamente, algumas horas depois, inúmeros homens de Hugh apareceram. Por que ele mandaria seus capangas para o Troubled Waters se tinha pago tão caro a Louis Leblanc para realizar esse serviço? Ou ele não confiava em Leblanc ou...
— Ele provavelmente planeja me usar para ter algum poder sobre minha irmã e tia Tasha. – Sam interrompe minha linha de raciocínio, pensativa. Ela suspira e balança a cabeça de forma negativa. – Não. Ele está tentando escapar de tio Clint. Hugh sempre teve medo dele. Hillary me contou que não conseguiram entrar em contato com tio Clint, mas se ele estiver de volta, esse pode ser o fim de Hugh.
— Por quê? – Pergunta Spencer, parecendo um pouco confuso com as informações. Ele sabia muito pouco sobre a família Barton, então provavelmente ainda estava perdido com nossas suspeitas.
— Meu pai era um dos melhores amigos de tio Clint. Ele não aceitaria a morte dele tão fácil assim. Então, conhecendo-o como eu conheço, com certeza tio Clint descobriu que Hugh está por trás de seu assassinato e do meu desaparecimento. E ele deve estar muito furioso. Acredite em mim, ninguém quer ver Clint Barton e Natasha Romanoff furiosos. Eles podem ser bastante assustadores. – Responde Sam, sorrindo presunçosa. – A única carta que Hugh tem nas mangas sou eu. Ele sabe que tio Clint, tia Tasha e Beth jamais colocariam minha vida em risco, então fariam de tudo para garantir que eu sairia viva. Hugh deve estar planejando me usar de alguma forma para fugir.
— Entendi. – Sussurra Carly, surpresa. – Se isso for mesmo verdade, então Hugh não deve parar até ter você nas mãos deles.
— Exatamente. As chances de mais homens de Hugh virem atrás de nós é muito alta. – Concordo, suspirando frustrado. – E eu acho que não podemos contar muito com a CIA no momento.
— Hillary me contou que a CIA demoraria um pouco para aparecer, então eles devem estar ocupados com outros casos. Até que eles consigam assumir esse caso, nós provavelmente estamos por conta própria ou Hillary não teria feito Spencer nos levar e nem agido sozinha como aconteceu. – Conta Sam, preocupada.
— O que nós vamos fazer? – Pergunta Gibby, encarando-nos com ansiedade.
— Por enquanto, vamos continuar com nosso plano inicial. – Responde Spencer, quando todos permanecem em silêncio, sem saber como responder a sua pergunta. – Eu consegui um novo carro com Meião e Stephanie preparou uma casa segura para vocês ficarem até voltarem para Hawkins. Ela já está abastecida com muitos alimentos e fica há umas sete horas de carro de Paris. Lá vocês estarão seguros e possuem um aeroporto próximo que vocês podem usar para voltarem a Hawkins.
— Acho melhor nós nos livrarmos de todos os celulares, assim as chances de sermos rastreados diminui. – Afirma Sam, encarando-nos com seriedade. – Hugh é esperto. Ele deve estar de olho em nós. Não seria difícil para ele descobrir nossa localização com o GPS dos celulares de vocês ou no momento em que tentarmos entrar em contato com o pessoal de Hawkins.
— Tem razão. – Concordo, desligando meu celular. — Carly, Gibby e Spencer, vocês também devem vir conosco. Não sabemos até que ponto Hugh sabe sobre nós e o envolvimento de vocês com a fuga de Sam.
— Não. Nós não iremos com vocês. – Nega Carly, dando um fraco sorriso. Encaro-a com insatisfação. – Não se preocupem. Nós vamos ficar bem.
— O quê? Por que não vão com a gente? – Pergunta Sam, tão inconformada quanto eu.
— Nós não podemos deixar o Troubled Waters para trás, Sam. – Responde Gibby, sorrindo com tranquilidade. – Muita coisa vai mudar de agora em diante. Nós simplesmente não podemos deixar nossos pacientes sozinhos em um momento tão assustador como esse para eles. Já será muito difícil para eles ficarem sem o Freddie. Mas não se preocupe com a gente. Nós definitivamente vamos ficar bem.
— Eu também não vou com vocês, mas é como Carly e Gibby disse. Nós podemos ser tão habilidosos quanto Sam que foi treinada por uma agente da CIA e nem tão inteligentes quanto Freddie, mas somos filhos do Coronel Shay. Nós vamos acabar com qualquer um que tentar machucar a gente. – Garante Spencer, estacionando o carro em uma rua sem saída. Ele se vira para nós e dá um sorriso gentil. – E chegamos ao nosso destino.
— Que lugar é esse? – Pergunta Sam, encarando o local, enquanto Carly, Spencer e Gibby descem do carro.
— Meião preparou tudo para que vocês possam chegar aos seus destinos sem grandes problemas. – Responde Spencer, abrindo a porta do meu lado. – Venham. Eu vou mostrar para vocês.
— Quem é Meião? – Questiona Sam, enquanto descíamos do carro.
— O melhor amigo do Spencer. Ele vende de tudo um pouco e tem muitos contatos. – Respondo, seguindo Spencer, que abre o portão que havia a nossa frente.
Ele faz sinal para que entrássemos e volta para o carro dele, entrando no que parecia ser uma oficina mecânica abandonada. Gibby volta a fechar o portão e Carly acende as luzes da loja, revelando mais dois veículos no local, algumas peças de carro. Apesar de ouvir falar no local, essa era a primeira vez que eu vinha aqui.
— Aqui está a chave do carro em que vocês vão seguir viagem. – Spencer destrava o Sandero preto estacionado próximo a nós e me entrega a chave dele. Ele então se aproxima do carro e abre o porta mala. – Aqui estão as suas malas. Carly escolheu roupas para que possam usar até chegarem em Hawkins. Tanto para Sam quanto para Freddie.
— Para mim também? – Questiono, surpreso. – Mas como...
— Eu sabia que você não conseguiria deixar a Sam ir sozinha. – Confessa Carly, enquanto Gibby a abraçava por trás. Ela encosta a cabeça na do namorado e sorri para nós. – Então resolvi preparar suas coisas também. Roupas e algumas coisas que imaginei que vocês podem precisar.
— Coisas que podemos precisar? – Pergunto, estranhando o sorriso nos lábios de Gibby.
— Sim. Tipo celulares, documentos, dinheiro, seu notebook e camisinhas. – Responde meu melhor amigo e eu o encaro envergonhado ao ouvir o final de sua explicação.
— Camisinhas? – Repete Sam com o rosto um pouco corado. Spencer, Gibby e Carly riem ao ver o quanto estávamos sem graça. – Nós não... não precisamos de camisinhas. Não... vamos fazer nada demais.
— Ah, eu tenho certeza que vão. Sozinhos durante alguns dias em uma casa afastada da cidade? Eu tenho certeza de que vocês vão usar. – Afirma Carly, separando-se do namorado para vir em nossa direção.
— É. Vai que rola um flashback e...
— Cala a boca, Gibby. – Resmungo e isso só faz meu melhor amigo rir ainda mais junto com Spencer, que pega uma bolsa menor que havia no porta mala e me entrega. – O que é isso?
— Aqui estão os documentos, dinheiro e os celulares. Também tem uma muda de roupas para você e Sam usarem. Usem também as perucas por precaução. Se vocês forem parados, seus nomes são Nathan Kress e Jennette Mccurdy. Vocês são um casal de namorados apaixonado de Seattle e estão a passeio pelas cidades da França.
— Como já está ficando tarde e ainda precisamos cuidar dos ferimentos de vocês para não levantar tantas suspeitas, será bom vocês pararem em algum hotel pela estrada e descansarem. Amanhã de manhã vocês seguem para a casa que fica um pouco depois de Périgueux. – Explica Carly, pegando a mochila que eu segurava. Ela então puxa Sam pela mão e sorri levemente. – Enquanto Gibby cuida dos ferimentos, eu vou arrumar o visual da Sam. Spencer, procure alguma coisa para nós comermos. Com toda essa confusão, todos nós estamos famintos.
— Tudo bem. – Concorda Spencer, sorrindo. – Querem alguma coisa em especial?
— Pode ser frango frito? – Pergunta Sam e eu acabo sorrindo discretamente ao lembrar como a loira era apaixonada por frango frito desde criança. – Faz tanto tempo que eu não como, que tenho sonhado algumas desejando comer.
— Excelente escolha. – Afirma Spencer, seguindo para saída da oficina. – Eu volto daqui a pouco.
— Cuidado, Spencer. – Peço e ele assente, abrindo o portão. – Não sabemos se alguém nos seguiu.
— Eu vou ter cuidado. Não se preocupe. – Responde o homem que tenho como um irmão mais velho. Ele acena em despedida e abaixa o portão da oficina abandonada.
— Bom, Sam e eu vamos para o fundo da loja, onde tem um banheiro. A caixa de primeiros socorros está no carro do Spencer, querido. – Avisa Carly e Gibby assente, concordando.
Sam e eu nos encaramos pela última vez antes dela desaparecer com Carly para os fundos da loja. Observo o local que ela seguiu por alguns instantes, sentindo todo o peso da preocupação sobre meus ombros. Eu queria estar confiante assim como meus amigos, mas eu não conseguia parar de pensar na possibilidade de algum deles acabar se machucando ao continuar em Paris, enquanto os homens de Hugh continuavam em busca de Sam.
— Tudo bem. – Responde Gibby, virando-se para mim. – Vamos lá, cara. Vamos cuidar desses machucados e deixar você bonitão de novo. Ou quase isso.
Gibby pega a caixa de primeiro-socorros no carro de Spencer e aponta para a cadeira que havia ao meu lado. Suspiro e me sento. Meu melhor amigo pega uma outra cadeira e se senta de frente para mim, enquanto vasculha a caixa em busca de todo o material que precisava para desinfectar meus machucados e fazer os curativos.
— Vocês têm certeza de que não querem ir com a gente? – Pergunto, chamando a atenção de Gibby, que sorri e nega lentamente.
— Eu sei que está com medo do que pode acontecer com a gente, mas você sabe tão bem quanto Carly e eu que não podemos deixar os pacientes do Troubled Waters para trás. Eles não têm ninguém por eles, Freddie. Mesmo que o diretor esteja morto, ainda tem muitos enfermeiros como Gerard, pronto para machucá-los. Eu não posso ir. – Responde Gibby, molhando um algodão com um antisséptico. Ele me encara, levando o algodão ao meu nariz. – Até que tudo se resolva e o futuro do hospital seja decidido, eu não posso abandoná-los.
— Eu... eu também estou preocupado com eles. – Confesso, suspirando. – Na verdade, eu realmente não sei o que fazer. Eu estou com medo que tudo se torne ainda pior para eles. Se o hospital acabar, pode ser que eles sejam enviados para outro lugar. Apesar de tudo, todos os pacientes se sentem parte de uma família no Troubled Waters. Mas eu também não posso deixar Sam sozinha agora.
— É claro que não pode. E é por isso que eu garanto a você que enquanto você estiver levando a sua amada para Hawkins, lutando contra esse tio maligno digno de filme da Disney, Carly e eu vamos garantir que todos fiquem bem e em segurança. Também temos Hillary ao nosso lado. Se ela é uma agente da CIA, eu tenho certeza de que ela vai fazer de tudo para ter certeza de que ninguém irá nos machucar. – Garante meu melhor amigo, sorrindo confiante. – E você precisa me prometer que vocês vão ficar bem e que todo o esforço que estamos fazendo não será em vão.
— Eu prometo. – Digo, sentindo-me um pouco mais calmo. Respiro fundo e abraço meu melhor amigo, que prontamente corresponde. – Obrigado, Gibby. Eu realmente não sei como te agradecer.
— Apenas seja feliz, meu amigo. Isso é o suficiente. – Responde Gibby, afastando-se de mim. – E quando se casar com Sam Puckett, eu exijo ser o padrinho da cerimônia e dos filhos de você.
— Tudo bem. – Concordo, rindo. Ele me encara surpreso com a minha resposta positiva. – Não me questiona. Ainda estou tentando me acostumar com o fato de que estou mesmo apaixonado por Samantha Puckett. Mas prometo que assim que estiver pronto para conversar sobre meus sentimentos, você será o primeiro a saber.
— Vou aceitar isso por enquanto. – Fala o outro, dando uma risada divertida. Ele suspira e observa meus machucados com uma careta. – E vamos ao trabalho de cuidar desses seus ferimentos. Claude fez um belo estrago no seu rosto. Babaca.
— Acredite em mim. Ele ficou bem pior do que eu. Hillary e Sam não tiveram qualquer piedade. – Afirmo, rindo ao me lembrar de como as garotas destruíram o homem. – Acho que ele vai pensar duas vezes antes de tentar atacar alguma mulher depois do que aconteceu.
— Bem-feito. – Responde Gibby, trocando um olhar cúmplice comigo. – Mas me conta com detalhes como foi a surra que ele levou.
E em meio a risadas e dor pelos curativos feitos por Gibby em meu rosto e corpo, conto tudo o que aconteceu com o babaca do Claude. Eu não sabia o que seria de nós de agora em diante, mas de uma coisa eu tinha certeza. Sam e eu não desistiremos até garantir que Hugh Greene pague por todos os crimes que cometeu.
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