Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Nossa contagem regressiva continua, faltando apenas quatro capítulos para o fim. O que vocês esperam para os últimos capítulos da história? Vocês estão se divertindo com a história? Eu espero que sim. Quero agradecer a AndreaNeves e a thais oliveira pelos comentários fantásticos no capítulo passado. Obrigada mesmo. Boa leitura..

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XXVI – EMOÇÕES

Depois de quase dezessete horas de viagem, com uma escala em Amsterdã, nós finalmente conseguimos pousar em Hawkins. Depois de tudo o que passamos para fugir do Troubled Waters e escapar dos homens de Hugh pela França, esperávamos que conseguiríamos nos ver livres de toda a perseguição de Hugh quando desembarcássemos em nossa cidade natal, mas a verdade é que sabíamos que havíamos chegado na fase final de um jogo complicado e que provavelmente não demoraria muito para encontrarmos o chefão.

Então, com as emoções a flor da pele e a incerteza do que nos esperava assim que desembarcássemos do avião, Sam e eu esperamos até que todos os passageiros descessem para seguirmos aos banheiros, assim como orientado por Sara em sua última ligação a Sam. Seguimos com os celulares em mãos e tentando ao máximo não chamarmos atenção, atentos a qualquer sinal suspeito a nossa volta.

Assim que paramos de frente a área dos banheiros, nós nos encaramos, sentindo toda aquela adrenalina percorrer nossas veias. O coração parecia a ponto de sair pela boca e eu sentia todos os meus sentidos em alerta. Após uma rápida troca de olhares, Sam seguiu para o banheiro feminino e eu entrei no masculino, que felizmente só havia uma pessoa.

Sigo para uma das pias do banheiro, esperando o momento certo de procurar pela bolsa com o disfarce preparado pela CIA. Respiro fundo, discretamente, e observo melhor o local. Havia quatro cabines no banheiro, além de cinco mictórios, um chuveiro e um corredor com algumas pias e espelhos. Noto que em uma das cabines havia uma placa indiciando que estava interditado.

Espero o homem que lavava as mãos sair e assim que me encontro sozinho no banheiro, corro para a cabine interditada. Como imaginava, ela estava destrancada e havia uma bolsa preta em cima do vaso. Coloco a mochila que eu carregava em minhas costas no chão e abro a bolsa misteriosa, encontrando uma calça jeans, uma blusa regata preta, jaqueta de couro, coturnos pretos, uma peruca de cabelo cacheado castanho e óculos falsos de grau.

Visto minhas roupas o mais rápido possível e observo a movimentação antes de deixar a cabine. Para a minha sorte, não havia ninguém no banheiro, então consigo ajeitar melhor a minha peruca. Arrumo tudo dentro da bolsa e surpreendo-me ao notar que também havia um barbeador e espuma de barbear em um dos bolsos.

Encaro minha aparência no espero e decido que era melhor eu me barbear. Assim que termino, observo o resultado no espelho e me é realmente absurda a diferença. A falta de pelos no rosto e a peruca me deixavam quase irreconhecível. Respiro fundo tentando me acalmar e sigo para fora do banheiro, onde encontro Sam com uma peruca castanha de cabelos que iam até um pouco abaixo dos ombros.

Ela também usava lentes de contato de cor castanho escuro, calça branca, blusa de manga curta rosa, um tênis branco e brincos longos em formato de boca. Ela também usava um falso óculos de grau vermelho que estranhamente combinava com ela. A maleta rosa completava o seu visual semelhante à de uma patricinha.

— Não fala nada. – Resmunga quando eu ameaço ri de seu disfarce. Eu realmente nunca imaginei que veria Sam usando tanto rosa em toda a minha vida. Definitivamente a CIA havia feito um bom trabalho em montar os nossos disfarces.

— Certo. – Respondo, segurando o riso. Respiro fundo e agarro a sua mão, seguindo para o portão de desembarque com Sam. – E agora? O que faremos? Esperamos aqui até que entrem em contato?

— Sara disse que receberíamos uma mensagem informando o carro que vai nos levar assim que chegássemos aqui no aeroporto de Hawkins. – Responde Sam, pegando o celular de seu bolso. Ela mexe no aparelho e me encara. – Nada ainda. Vê se ela te mandou alguma coisa.

Procuro pelo segundo celular dado por Hillary e Sara dentro da mochila. Assim que encontro, desbloqueio o aparelho e balanço a cabeça negando ao ver que não havia nenhuma mensagem. Suspiro e guardo o celular no bolso da calça.

— É melhor irmos lá para fora. Não deve demorar para que o carro chegue. Quanto mais rápido sairmos daqui melhor. – Respondo e ela assente, concordando. Ajeito a mochila e a bolsa em meus ombros e estendo minha mão a Sam, que a pega dando um sorriso nervoso.

Atentos a qualquer pessoa que pudesse estar nos seguindo, caminhamos calmamente pelo aeroporto em direção ao desembarque. Vez ou outra encarávamos os celulares esperando uma ligação ou mensagem de Sara, Hillary ou a agente Natasha. Como estávamos com fome, decidimos ir em alguma lanchonete do aeroporto para comer alguma coisa enquanto esperávamos pela nossa carona.

— Eu preciso de café. – Comento, sentindo o cansaço da noite mal dormida e a longa viagem me atingir.

— Tem uma cafeteria ali. Podemos ir lá. – Responde Sam, puxando-me de maneira brusca para irmos ao local indicado por ela. No entanto, por não olhar por onde ela ia, a garota acaba esbarrando em um homem alto de cabelos em um topete e barba desenhada. Sam dá dois passos para trás e sorri envergonhada. – Opa. Desculpa.

Noto que ele estava acompanhado de uma mulher loira de cabelos ondulados e olhos azuis. Eles param de andar e encaram Sam, que ajeita os óculos e levanta a cabeça para encarar o casal. O homem a encara por alguns instantes e Sam arregala os olhos, parecendo saber quem era a pessoa. Coloco-me alerta pronto para lutar caso fosse necessário.

— Sam... – Sussurra o homem, parecendo incerto, mas no mesmo instante ele é abraçado com força por Sam.

— Mon-El! Quanto tempo não nos vemos. – Responde a garota, apertando ainda mais o abraço. A loira que acompanhava o homem os encara surpresa, mas não demora a esboçar uma expressão insatisfeita com a demora naquele abraço. Apesar de estarem mais pertos do que eu gostaria, vejo que Sam sussurrava algo para o homem, que correspondia ao abraço. – Você e essa sua brincadeira idiota de trocar meu nome. Pensei que depois de tudo o que vivemos, você se lembraria que eu me chamo Jennette. Eu fui tão insignificante assim para você?

— Claro que não, Jennette. É que a brincadeira nunca perde a graça. – Responde Mon-El, acariciando o rosto de Sam com um olhar gentil. Os dois trocam um sorriso cúmplice e significativo. Isso parece deixar a acompanhante dele ainda mais irritada. – Fico muito feliz em ver que você está bem. Depois de seu sumiço, fiquei bastante preocupado.

— Não vai me apresentar o seu amigo, Jennette? – Pergunto, incomodado com toda aquela troca de carinho entre eles dois.

Por que ela estava agindo de forma tão doce com ele? Qual o motivo desses olhares? E o que eles tanto sussurram um para o outro? Perguntas como essa se faziam presente de maneira intensa em minha mente. A cada minutos que passava mais irritado eu me sentia por ver a mão do tal Mon-El no rosto de Sam.

E parece que eu não era a única a pensar assim, pois a loira que o acompanhava bufa e vai embora batendo o pé e arrastando a mala com pressa. Por estarem tão entretidos um com o outro, Sam e Mon-El parecem não perceber que a moça foi embora furiosa.

— Ah, claro. – Responde Sam, recompondo-se. Encaro-a com as sobrancelhas erguidas. Ela estava animadinha demais com esse cara para o meu gosto. Sam se afasta e volta para o meu lado. – Mon-El, esse é o meu... Hã... ele é o meu...

— Namorado. – Apresento-me, passando um braço por cima do ombro de Sam, enquanto estendo a minha mão livre para ele. A garota me encara surpresa, mas não diz nada. Eu sabia que talvez tivesse passado um pouco do limite, dizendo que eu era o namorado dela, sendo que nem mesmo havíamos conversado sobre isso. Mas a verdade é que naquele momento eu não poderia me importar menos. – E você?

— Podemos dizer que somos amigos de longa data. – Responde o rapaz, parecendo segurar o riso. Ele se vira para Sam e exibe um sorriso amável. – Parece que você conheceu alguém interessante e que quer cuidar de você. Seja boa com ele. Não é todo mundo que é capaz de te aguentar.

— Cala a boca, Mon-El. – Resmunga Sam, dando um soco de leve no peito do homem, que se encolhe e ri. Ela então se vira para mim e sorri com doçura. – Ele é um dos meus amigos de infância. É como um irmão mais velho para mim. Nós nos conhecemos há muito tempo. Ele é o tio da Nancy.

— Entendi. – Respondo, ainda insatisfeito pela recente interação animada dos dois. – Mas acho melhor você correr ou vai acabar perdendo a localização da sua acompanhante.

— Kara? – Questiona Mon-El, confuso. Ele olha em volta e arregala os olhos ao notar que a loira não estava presente. – Droga! Eu esqueci da Kara. Eu... eu preciso ir, pessoal. Foi um prazer te conhecer, namorado da... Jennette. Agora eu preciso ir atrás da minha namorada que deve estar planejando inúmeras formas de me matar.

— Tchau. – Despeço-me, acenando animado. Sam se afasta e me encara com um sorriso provocativo. – O que foi?

— Namorado, é? – Comenta, encarando-me com divertimento.

— Por quê? Não me quer como seu namorado? Por acaso prefere o tal Mon-El? – Questiono, afastando-me. Cruzo os braços e a encaro com intensidade. Sam me encara surpresa e começa a rir. – O quê? Você realmente não quer ser minha namorada?

— Está sentindo esse cheiro? – Pergunta Sam, parecendo tentar reconhecer algum perfume. – Acho que está vindo de você.

— Que cheiro? – Indago, confuso. Tento identificar esse cheiro que ela falava, mas não sentia nada.

— Acho que é ciúmes. – Responde, divertida. Reviro os olhos e ela alarga ainda mais o sorriso em seus lábios. – Você fica adorável com ciúme.

— Eu não estou com ciúme. – Resmungo e isso faz a outra rir ainda mais.

— Ah, não? E o que é tudo isso? – Questiona e eu bufo, afasto-me, indo em direção a cafeteria. Eu sabia que estava sendo infantil, mas não queria confessar que ela estava certa. E também havia ficado um pouco chateado por ela não ter dito se queria ser minha namorada ou não. – Ei. Aonde você pensa que vai?

— Vou tomar café. – Respondo, sem me virar para a garota. Ainda assim, eu conseguia saber exatamente a expressão de satisfação que ela exibia naquele momento.

— Ei, nerd. – Chama Sam, mas eu continuo a andar sem olhar para trás. E de repente, sinto um forte puxar em meu braço. Viro-me assustado para trás e ela exibia um sorriso doce. Seus olhos brilhavam como estrelas. Desvio o olhar, incapaz de encará-la. – Ei, olha para mim.

— O que foi? – Sussurro, quando ela puxa meu queixo, obrigando-me a encará-la. Vejo seu sorriso se tornar ainda maior.

— Você não quer ouvir minha resposta? – Pergunta, acariciando meu rosto.

— Acho que você já deixou claro que...

Antes que eu continuasse, ela puxa meu rosto e nossas bocas se chocam com brutalidade. Um beijo afoito se inicia. E sem que eu tivesse qualquer controle sobre meu corpo, deixo-me ser envolvido por toda aquela magia de Sam que me desarmava e fazia eu me render aos seus encantos. Não importava o quão irritado ou chateado eu estivesse, ela sempre conseguia me seduzir com seus beijos e toque, fazendo com que eu esquecesse até mesmo o meu nome.

— Eu quero. – Responde Sam assim que nos separamos. Encaro-a confuso e ela ri, negando.

— Quer o quê? – Pergunto, ainda atordoado.

— Quero ser sua namorada, nerd. Deixa de ser lerdo! – Exclama, dando um tapa em minha testa.

— Isso é sério? – Questiono, surpreso. Ela ri e me puxa para mais um beijo, mas agora muito mais calmo e doce. Correspondo, ainda mais envolvido. Meu corpo seguia seus comandos, completamente hipnotizado por aqueles sentimentos calorosos que percorria nossos corpos.

— Isso... responde a sua... pergunta? – Indaga Sam, dando vários selinhos em minha boca. Sorrio e assinto, concordando. – Ótimo. Agora vamos pegar um café e dar o fora daqui. Eu senti o celular vibrando em meu bolso e tenho quase certeza de que o carro chegou.

[...]

Dois dias se passaram desde que chegamos a Hawkins e de alguma forma tudo tem estado calmo. Sam ainda não tinha se encontrado com a família, mas só de estar na mesma cidade que eles, a loira parecia se sentir muito mais calma e aliviada. No entanto, eu sabia que não podíamos baixar a guarda. Mesmo sem apresentar qualquer movimento, Hugh deveria estar esperando apenas o momento de aparecermos para agir e era isso que mais me preocupava.

Observando o céu nublado de Hawkins pela varanda do apartamento onde estamos nos escondendo, minha mente não conseguia parar de pensar nas possibilidades. Não podíamos continuar apenas escondidos, esperando que Hugh magicamente decidisse aparecer para que a CIA conseguisse prendê-lo. Com uma enorme organização criminosa ao seu lado, ele não se arriscaria tanto assim no território de Clint e Natasha. Se continuarmos assim, não chegaremos a lugar algum. Permaneceremos nesse impasse, esperando o primeiro lado a desistir.

Por outro lado, eu também tenho ciência de que não estamos prontos para bater de frente com Hugh. Sem um plano ou uma garantia de que a CIA pode nos proteger e agir no momento em que estivemos diante dele, nos expor na esperança de acabar de uma vez por todas com essa perseguição não passava de uma utopia. Ainda que Sam seja uma pessoa com uma força acima da média, nós estamos falando de lidar com um membro de uma organização criminosa de nível mundial. Não sabemos quem mais está do lado dele. Além de que ter um membro da família Barton como um informante não melhorava em nada as nossas chances de Hugh e a organização criminosa com a qual a CIA está lutando.

Suspiro e me afasto da janela, sentindo minha cabeça latejar de tanto pensar no assunto. Sento no sofá do pequeno, mas confortável apartamento que ficava em uma região mais afastada do centro de Hawkins. Nesse instante, Sam aparece na sala usando seu disfarce. Encaro-a, esperando alguma explicação e ela inspira, aproximando-se lentamente de mim. Ela parecia receosa. Seus olhos exibiam um brilho inquieto e eu sabia que havia algo de errado.

— Eu vou visitar o túmulo da minha família. — Avisa Sam com determinação. — E não há nada que você possa fazer para me fazer mudar de ideia.

Em silêncio, analiso a expressão teimosa que ela tinha em seu rosto. Ela tinha tido um sonho com o pai durante a madrugada. Lembro de seus sussurros desesperados chamando pelo homem e como ela se remexia inquieta. Por isso, eu não estava tão surpreso assim com a sua decisão. Sendo sincero, eu sabia que esse momento chegaria. Ainda mais depois da conversa que tivemos antes de retornamos para Hawkins.

— Tudo bem. Apenas espere eu me arrumar que eu irei com você. – Respondo, levantando-me do sofá. Minha resposta parece pegar Sam de surpresa, que pega em meu braço no momento em que eu passo por ela e me lança um olhar desconfiado. – Você não vai me repreender, dizendo que é arriscado demais, e me impedir de sair?

— Isso te impediria de ir? – Pergunto e ela recua, incerta de sua resposta. – Nós dois sabemos que não. Então é melhor eu ir com você para garantir que não irá fazer nenhuma besteira. Além disso, quero visitar o túmulo do meu pai também. Eu não vou desde que fui embora para Seattle.

— Certo. – Concorda Sam, sentando-se no sofá.

Sigo para o quarto e assim como Sam, coloco o disfarce que tenho usado desde que chegamos em Hawkins para sair do esconderijo. Com documentos, dinheiro e celulares em nossos bolsos, pegamos um táxi e seguimos para o cemitério da cidade. Sabíamos que os agentes da CIA não ficariam satisfeitos com as nossas ações, mas tudo o que queríamos naquele momento era tirar aquela angústia e a dolorosa saudade que incomodavam nossos corações.

— Mandei uma mensagem a Sara, informando que viemos ao cemitério. – Comenta Sam, assim que entramos no cemitério. Ela guarda o celular do bolso e abraça um de meus braços, enquanto caminhávamos calmamente pelo local. Nós dois tínhamos buquês de flores brancas em mãos e um semblante ansioso. – Ela provavelmente vai surtar, mas irá nos defender se alguma coisa acontecer.

— Não sabia que ela tinha retornado para Hawkins. – Respondo e ela assente lentamente.

— Voltou hoje de manhã. Ela me mandou uma mensagem, enquanto você se arrumava. Ela apenas vai passar na casa de Cait para se arrumar e depois vai para o apartamento. – Conta a garota, encarando o céu nublado.

Um forte relâmpago rasga o céu e não demora muito para que o majestoso trovão ecoasse pela cidade junto a uma intensa rajada de vento que bagunça nossas roupas e perucas. Sam se encolhe contra mim e sinto aquele peso inexplicável em meu coração ao ver os inúmeros túmulos a nossa frente.

— Cait? – Pergunto, tentando não me focar tanto naquele ambiente que trazia tantas lembranças dolorosas.

— Ela é a namorada de Barry e divide o apartamento com a Sara desde ela voltou para Hawkins. – Explica Sam, apertando mais as flores contra si. – Ela é uma das poucas pessoas que sabem sobre o passado de Sara e também está ajudando na investigação da CIA para encontrar provas que possam prender definitivamente Ted Wheeler.

— Ela também é da polícia assim como Barry? – Questiono, virando em um dos corredores do cemitério. Nós iriamos primeiro o túmulo da família de Sam, que estava mais próximo da entrada e depois seguiríamos para o de meu pai, que era muito mais distante.

— Não. Ela trabalha no Hawkeye, a casa burlesca do tio Clint, onde Mon-El é gerente. Cait é uma das funcionárias mais antigas do lugar, então ela conhece bem a nossa família. Tio Clint já a considera membro da família Barton assim como Mon-El. Ela é uma pessoa extremamente inteligente e divertida. – Responde Sam, dando um sorriso nostálgico. — Assim que tivermos oportunidade, eu quero te apresentar aos novos membros da nossa família.

— Estou ansioso por isso. – Afirmo, encostando a minha cabeça na dela. Sam então me puxa para virar em mais um corredor do cemitério e para de andar. – Chegamos?

— Sim. Ele é logo ali. – Sam aponta para um túmulo bonito de mármore que ficava há uns três metros a nossa frente. Ela respira fundo e me encara com apreensão. – Vamos lá.

— Fique calma. Eu estarei o tempo todo com você. – Garanto a garota, conduzindo-a ao túmulo de sua família.

Com toda aquela tensão e adrenalina em nossos organismos, nós nos aproximamos do lugar. Assim que paramos de frente ao túmulo, Sam ofega e encara as pequenas fotos de um homem e uma mulher, que imaginei serem os pais da garota. Também havia uma outra cruz com o nome de Melanie Audrey Puckett com a data de nascimento igual a de falecimento.

Acaricio o ombro de Sam e a observo com atenção. Ela parecia lutar contra as lágrimas e eu sabia que naquele momento, sua mente trabalhava em inúmeros pensamentos e a dor em seu coração deveria estar ainda mais intensa do que no dia em que recebeu a notícia da morte de seu pai.

Eu entendia aquele sentimento. Descobrir que alguém morreu era doloroso, mas nada se comparava ao sentimento dilacerante de fechar o caixão e enterrar a pessoa que ama. Sam não assistiu esses momentos. Hugh tirou dela a chance dela viver ao lado do pai e a última vez que ela teria para ver o rosto dele pessoalmente, de se despedir.

Sam coloca as flores sobre a lápide de seu pai e se ajoelha, permitindo que as lágrimas caíssem copiosamente. Os primeiros pingos de chuva começam a cair, como se os céus chorassem junto a garota. Permaneço ao seu lado, acariciando seu ombro em uma tentativa de dizer que eu estava ali e de incentivá-la a colocar aquela dor para fora.

— Por que você tinha que ir? – Ouço Sam sussurra, batendo contra a lápide com o nome de seu pai diversas vezes. – Por quê?

A chuva se intensifica. Não nos movemos. Não nos importávamos com o fato de que ficaríamos encharcados. Sentindo aquele nó agonizante em minha garganta, aperto as minhas flores para tentar controlar as minhas emoções. Tudo era muito doloroso e assustador. Eu me via em Sam, sentindo toda aquela raiva, tristeza e desespero, sem saber como seguir minha vida sem os sorrisos, conselhos e carinhos de meu pai.

Ouço som de passos próximos a nós. Desvio minha atenção de Sam, que continuava debruçada sobre a lápide do pai aos prantos. Ao levantar minha cabeça e encarar as pessoas que estavam próximas de nós, surpreendo-me ao reconhecer a irmã mais velha de Sam e Daryl segurando guarda-chuvas e nos encarando com desconfiança.

— Quem são vocês? E o que estão fazendo no túmulo de minha família? – Questiona Beth, trazendo o buquê de flores rosas contra o peito. Sam levanta a cabeça e encara a irmã, que depois de alguns instantes, arregala os olhos e permite que as lágrimas descessem pelo seu rosto. – Samy...

Notas finais
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