Loucuras de Agosto
29 Competição
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO
CAPÍTULO XXVIII – COMPETIÇÃO
Com minha caneca de café em mãos, observo o sol se pondo pela janela do apartamento. Minha mente se perdia em lembranças de minha infância e em tudo o que Sam e eu passamos para chegarmos aonde estamos. Hoje meu pai estaria completando cinquenta e cinco anos se estivesse vivo e mesmo depois de treze anos de sua morte, a saudade continuava esmagadora. Bebo mais um pouco de café e suspiro, procurando acalmar minhas emoções, que desde o amanhecer estavam à flor da pele.
Eu precisava me concentrar. Em algumas horas, iniciaríamos o plano elaborado por Beth e Sam para capturar Hugh. Ainda receoso pela ideia das irmãs, eu sabia que não adiantaria tentar convencer as garotas de pensarmos em outra solução. Teimosas como são, no máximo que aconteceria seria gastar saliva e as duas agirem por conta própria.
Afasto-me da janela e vou para o sofá, pegando o notebook que estava sobre a mesa de centro. Termino meu café e me concentro em invadir o sistema de segurança do Bankers Life Fieldhouse, o local onde o United States Figure Skating Championships seria realizado na cidade. Por ser um simples ginásio, não foi tão difícil ter acesso. No entanto, antes que eu continuasse a recolher as informações que iríamos precisar, o som agudo da campainha ecoa pelo apartamento.
— Freddie, abre a porta. Acho que a Beth chegou. – Grita Sam do quarto e eu suspiro, deixando o notebook de lado para abrir a porta.
E como Sam havia previsto, ao olhar pelo olho mágico da porta, vejo Beth e Daryl parados do outro lado da porta. Destranco a porta e abro, dando espaço para que o casal entrasse. A loira sorri com doçura e me abraça apertado com carinho.
— Oi Freddie. – Cumprimenta Beth, afastando-se de mim.
— Oi Beth. Sam está no quarto. É só seguir pelo corredor e virar na segunda porta a direita. – Oriento a garota, enquanto cumprimento Daryl com um rápido abraço.
— Obrigada. Com licença, então. – Avisa Beth, entrando no apartamento. – Eu vou ajudar a Sam a se arrumar.
— Fique à vontade. – Declaro, fechando a porta. Beth assente e segue pelo caminho que eu havia indicado. Volto minha atenção para Daryl, que parecia tenso e deslocado no meio da sala. Apesar da expressão indiferente, eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava incomodado. – Você aceita um pouco de café, Daryl?
— Se não for muito incomodo. – Responde Daryl, olhando em volta.
— Por que não se senta? Eu já trago uma caneca para você com um pouco de leite e canela, como você gosta. – Digo e ele sorri agradecido, indo em direção ao sofá. Sigo para a cozinha americana, observando discretamente o homem que continuava tenso.
— Estou surpreso por você ainda se lembrar de como gosto do meu café. – Comenta o homem, encarando-me com um sorriso nostálgico.
Preparo o café para o homem e coloco mais para mim, sentindo que precisaria de ainda mais cafeína para lidar com tudo o que ocorreria hoje. Volto para sala e estendo uma caneca para Daryl, que a pega com um sorriso agradecido. Sento-me ao seu lado e o encaro por um momento.
— Você morou comigo e a minha família por quase dez anos. Não tem como eu não lembrar disso. – Respondo, bebericando um pouco de café em seguida. Analiso Daryl por alguns instantes, colocando minha caneca sobre a mesa de centro. Desvio o olhar para pegar meu notebook e voltar a fazer o que precisávamos. — Você parece um pouco insatisfeito. Está tudo bem?
Daryl desvia o olhar de seu café para me encarar. Ele parece ponderar se deveria me contar o que o incomodava ou não. Eu sabia o quanto era difícil para ele expor seus pensamentos, por isso, espero pacientemente pelo momento em que ele se sentiria à vontade para revelar o que se passava em sua mente naquele momento.
— Não concordo com esse plano de Beth e Sam. É perigoso demais. – Conta e eu dou uma risada anasalada, voltando a encarar a tela do notebook. – Nós não deveríamos deixar esse tipo de missão para a CIA, que já está cuidando desse caso? E por que você parece tão calmo? Se elas estiverem certas, sua namorada será sequestrada.
— Você está noivo de uma Barton e ainda não entende como funciona o universo deles? – Pergunto, tentando invadir mais uma vez o sistema do ginásio onde será realizado o campeonato de patinação artística que o primo de Sam e Beth está participando. – Elas não vão mudar de ideia, não importa o que a gente diga. Então, a nossa única opção é ir junto para garantir que elas irão sobreviver.
— Na verdade, nós já nos casamos. – Conta Daryl e eu levanto o olhar para encarar o homem, surpreso com a informação. Ele ergue a mão esquerda, exibindo a aliança no dedo anelar. – Três dias atrás.
— E você vai me contar o que exatamente está acontecendo ou eu vou ter que descobrir por conta própria? – Questiono, vendo-o se remexer desconfortável no sofá. – E então? Qual é o problema? O que te levou a se casar tão repentinamente assim?
— Não há problema algum. Você está imaginando coisas. – Responde o homem, parecendo um pouco nervoso. – Nós nos casamos, porque estamos apaixonados.
— Bom, eu sei que você não estava namorando com Beth antes de agosto e os jornais só estão divulgando esse noivado de vocês há duas semanas. Eu conheço você o suficiente para saber seus princípios e traumas. Você jamais se casaria assim de uma hora para outra. E pelo que lembro de Beth quando criança e pelo que Sam descreve da irmã, ela seria a última pessoa com quem você se envolveria romanticamente, quem dirá se casar em um período tão curto. O que me leva a pensar que algo muito urgente aconteceu que o fez agir de maneira tão suspeita assim. – Argumento, encarando o homem com preocupação. – Confie em mim, Daryl. Você sabe que eu o considero um tio para mim. Eu prometo que não vou contar a ninguém, mas poderia me dizer o que está acontecendo?
Daryl suspira e toma mais de seu café. Ele parecia desconfortável e eu começava a me perguntar se tinha forçado a barra. O homem coloca a caneca sobre a mesa de centro e volta a se acomodar no sofá, cruzando os braços com uma expressão cansada.
— Merle causou problemas que acabou interferindo no meu processo de visto. Por conta disso, acabei correndo risco de ser deportado para o Canadá. Depois da morte de Kyle, eu recebi uma proposta irrecusável, então não podia voltar agora para Montreal. E a minha alternativa foi aceitar a proposta de Beth de um contrato onde os dois lados sairiam beneficiados. – Responde e eu o encaro surpreso.
— Um casamento por contrato? – Indago, surpreso por Daryl ter aceitado algo assim. – Não estou julgando, mas logo você aceitou algo assim?
— Beth também precisava de alguém. Como ela mesma disse, esse casamento seria uma união com data de expiração que me ajudaria a obter meu visto americano permanente e ela teria o marido que precisa para se manter na presidência da empresa da família e conseguir um contrato bilionário com uma empresa que se interessou pelas Corporações Puckett. – Explica Daryl, remexendo as mãos, impaciente. Ele suspira e me encara com um fraco sorriso. – Eu sei que não é certo. Eu tenho idade para ser o pai dela e toda essa situação vai completamente contra os meus princípios, mas Beth estava disposta a se casar com o babaca do Jimmy só para conseguir o que queria. Eu não podia deixar ela cometer uma loucura dessa. Antes de morrer, Kyle pediu que eu cuidasse das filhas dele. Eu já falhei com Sam. Não poderia cometer o mesmo com Beth. Ela é só uma garota frágil, que...
— Garota frágil? – Repito, rindo. O homem me encara desconfiado. – Desculpa, Daryl, mas, mesmo não a conhecendo tão bem, eu já ouvi muitas histórias de Elena e Sam sobre ela para saber que que Beth está longe de ser uma garota frágil. E não aja como se você estivesse cometendo um crime se envolver com ela. Quer dizer, talvez os seus objetivos tenham sido um pouco errado, mas Beth já é uma mulher de quase trinta anos. Eu tenho certeza de que ela sabe muito bem o que está fazendo.
— Eu tenho idade para ser o pai dela! – Exclama Daryl, angustiado.
— Se é isso que está te incomodando em toda essa história, não se preocupe. Ela já é maior de idade e dona do próprio nariz. Você não vai ser preso por isso. – Brinco, voltando minha atenção para a tela do notebook. Sorrio ao conseguir invadir as câmeras de segurança do ginásio. Daryl bufa e eu volto minha atenção para ele. – Você já se casou, Daryl. Além disso, não é um casamento com prazo definido? Por que esse desespero todo?
— Eu era sócio do pai dela. Se Kyle estivesse vivo, eu tenho certeza de que ele jamais permitiria isso. – Comenta, parecendo um pouco frustrado.
— Bom, se o pai dela estivesse vivo, ela não precisaria se casar para assumir a presidência da empresa e nem conseguir um contrato bilionário. Ela e Sam também não estariam correndo risco de vida por causa das armações do próprio tio. Nós tivemos que nos adaptar, Daryl. Ainda que a gente não concorde com as loucuras delas, nós dois temos o mesmo objetivo de Kyle Puckett de manter as filhas felizes, saudáveis e seguras. Então, ao invés de ficar pensando no que o sr. Puckett pensaria dessa situação, apenas se concentre em cumprir com o último desejo dele. – Aconselho e ele suspira, concordando. Sorrio para o homem e nesse instante, Sam e Beth aparecem na sala, prontas para partirmos. – Agora, vamos voltar nossa atenção ao que realmente importa. Capturar Hugh Greene.
[...]
Assim que chegamos ao Bankers Life Fieldhouse, observamos a grande movimentação no ginásio. O público parecia ansioso para a competição que ocorreria em breve. Observo Sam ao meu lado. Ela usava óculos de sol, um boné e seu cabelo estava escovado e preso em um rabo de cavalo. Dessa vez, para não destoar tanto de sua personalidade, a loira usava uma jaqueta preta com as mangas branca, calça jeans escura e tênis preto.
Estendo minha mão e ela entrelaça nossos dedos, dando um sorriso nervoso. Eu a puxo para mais perto e deixo um beijo em sua testa, tentando transmitir a tranquilidade que eu não sentia naquele momento. A verdade é que desde que saímos do apartamento, eu me sentia cada vez mais ansioso com o que estava por vir.
O plano era arriscado. Estávamos fazendo uma aposta alta, onde qualquer erro poderia ser fatal. Principalmente se levarmos em conta tudo o que aconteceu na França. Apesar de estarmos no território da CIA, as ações de Hugh continuavam sendo uma incógnita para mim. Não havia garantia alguma que ele apareceria, por isso, a única coisa que podíamos fazer era confiar na intuição de Beth.
— Você está com o rastreador e a escuta? – Sussurro e ela assente, mostrando o pequeno broche que usava em sua jaqueta e o colar rastreador que ganhamos de Hillary.
— E você? – Pergunta, ansiosa.
— Sim. – Concordo, mostrando discretamente a pulseira e o broche em minha camisa. – Estamos prontos.
— Nossos primos já estão esperando. – Comenta Beth, aproximando-se de braços dados com Daryl. – Eu mandei mensagem para todos, informando que não deveriam fazer perguntas, serem discretos e agir naturalmente.
— E como vocês esperavam, nós fomos seguidos. – Fala Daryl, encarando-nos com preocupação. – Acho que o celular de Beth está mesmo grampeado. Então tomem cuidado a partir de agora.
— Não se preocupe. Hugh não é burro. Ele não vai agir agora, quando teríamos muitas testemunhas. – Responde Sam, com confiança. – No entanto, não deve demorar muito para que os capangas dele apareçam para nos vigiar e nos sigam ao término da competição. Então é bom ficarmos atentos. Felizmente, tia Tasha não perderia uma competição nossa e acho que teremos outros agentes da CIA por aqui, então em caso de algum problema, eles estarão por perto e poderão nos dar apoio.
— Certo. É melhor nós irmos. – Respondo e trocamos sorrisos nervoso, antes de irmos para a arquibancada, onde os membros da família Barton estariam.
Mas é claro que tivemos que fazer uma parada para comprar pipoca para Sam, que afirmava estar com fome, mesmo depois de ter comido dois sanduíches de presunto antes de sairmos de casa. E assim que chegamos ao local onde estavam os primos das garotas, sorrio ao reconhecer Elena abraçada a Damon. No fim, parecia que eles haviam conseguido se resolver.
Ao notarem nossa presença, todos se viram para nós e minha prima é a primeira e se levantar e correr em nossa direção, abraçando-nos com força. Por muito pouco acabo não derrubando o grande balde de pipoca e o refrigerante de Sam.
— Eu não acredito que vocês estão aqui! – Comemora Elena, afastando-se de nós com um largo sorriso.
— Qual parte de ser discreta e agir naturalmente você não entendeu, Elena? – Brinca Beth, encarando a garota com um sorriso irônico.
— Desculpa. É que eu não vejo Freddie pessoalmente já tem uns cinco anos. Eu estava morrendo de saudades dele. E ele também não responde as minhas mensagens já tem dias. – Explica Elena, dando um sorriso envergonhado. Ela então volta a nos encarar com preocupação. – Vocês estão bem?
— Estamos sim. Não se preocupe. – Afirmo, dando um peteleco na testa da garota, que resmunga, mas não demora a abrir um sorriso nostálgico. – Eu senti saudades também, Leninha.
— Você cresceu bastante, Freddie. Nem parece aquele garotinho magrelo de antes. – Comenta Damon, colocando-se ao lado de Elena. – Ficou bonitão.
— Já está me trocando, Damon? – Questiona Oliver em um falso tom de mágoa, enquanto tinha um garotinho dormindo em seu colo. Rio, relembrando como eles gostavam desse tipo de brincadeira. – Depois de tudo que a gente viveu, você vai virar as costas para o nosso amor e se entregar ao primeiro homem bonito que aparece?
— Jamais. Nosso amor é mais forte que tudo e todos. Ele é eterno. – Damon entra na brincadeira do melhor amigo. Ele estende a mão para Oliver, que a segura, fazendo uma expressão exagerada de emoção. Elena revira os olhos, segurando o riso.
— Como é que a gente aguenta esses dois, Felicity? – Questiona Elena, encarando uma mulher loira de óculos que estava ao lado de Oliver.
— Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias. – Comenta a mulher, rindo e sendo acompanhada pelo outro casal que estava ao lado deles.
— Não reclamem. E eu que lido com isso há anos? Não sei como eu ainda não expulsei o Oliver e o Damon lá de casa. – Fala a garota que me surpreendo ao reconhecer como Thea Queen.
— Você nos ama demais para isso, irmãzinha. – Retruca Oliver, bagunçando o cabelo da caçula, que resmunga irritada.
— É bom saber que a idiotice de vocês não mudou enquanto eu estive fora. – Comenta Sam, aproximando-se de mim. Damon, Elena, Oliver e Thea a encaram com sorrisos significativos e eu não fazia ideia do que estava acontecendo naquele momento. – Como vocês sabem, esse é Freddie Benson, meu namorado. Como você já conhece meus primos, vou apresentar os membros novos da família. Essa é a Felicity Smoak, namorada de Oliver e mãe do pequeno Tony, que por mais surpreendente que seja, é filho do Oliver.
— Eu sei. Meu filho é lindo. – Oliver se gaba, dando um sorriso orgulhoso.
— Felizmente puxou a mãe. – Retruca Sam, fazendo Felicity ri e Oliver revirar os olhos, fingindo estar chateado. Rio e entrego o balde de pipoca a Daryl e o refrigerante a Beth para conseguir cumprimentar as pessoas.
— Prazer em te conhecer, Felicity. – Cumprimento a loira com um aperto de mão e um sorriso simpático.
— Seja bem-vindo a essa família maluca, Freddie. – Responde Felicity e eu acabo rindo também.
— Continuando, esse é o Roy Harper, namorado da nossa pequena e fofa Thea. – Sam aponta para o homem ao lado de Thea, que se levanta e estende a mão me cumprimentando.
— Agora que todos nos apresentamos, vamos nos sentar. Não deve demorar para que a competição comece. – Alerta Beth, fazendo sinal para que nos sentássemos nas cadeiras desocupadas. Ela e Daryl me entregam o lanche de Sam e se acomodam em seus lugares. Elena e Damon também voltam a se sentar. – Vocês chegaram tem muito tempo?
— Tem uma hora mais ou menos. Nós ficamos com medo de não conseguir vaga por perto. – Conta Thea, comendo um pouco de pipoca.
— Também precisávamos guardar o lugar para todos, já que são muitas pessoas. – Explica Roy, rindo brevemente.
— Ficamos assistindo as outras apresentações. É incrível como eles conseguem fazer saltos em cima do gelo com tanta perfeição. – Comenta Elena, aconchegando-se contra o peito de Damon.
— Com certeza exige muito treino e talento. – Afirma Beth, pegando o celular em seu bolso. – Acho que eu não conseguiria. Eu sou desengonçada demais para isso. Prefiro deixar esse tipo de atividade para o Ben.
— Será que eles vão conseguir se apresentar depois de tudo o que aconteceu? — Questiona Felicity, preocupada.
— O que aconteceu? — Questiona Sam com curiosidade, colocando mais pipoca do que dava conta de mastigar na boca. Suspiro e entrego o copo de refrigerante a ela.
— Come devagar. A comida não vai fugir. – Repreendo a garota, que dá de ombros, sem se importar, enquanto bebe o refrigerante.
— Enfim, o que foi que aconteceu que nós não estamos sabendo? — Pergunta Daryl com preocupação.
— Bom, a Mal foi sequestrada por aquele ex-namorado dela traficante. Se não fosse pela tia Tasha, ele teria fugido do país com a recompensa de dez mil dólares que ele exigiu de Ben pelo resgate dela. Parece que o Ben quase levou um tiro. — Conta Damon, surpreendendo a todos.
— E quando isso aconteceu que eu só fiquei sabendo disso agora? — Pergunta Beth, guardando celular no bolso para prestar atenção na história.
— Hoje de manhã. — Responde Felicity, mostrando toda a aflição que sentiu. Eu me surpreendo ainda mais com a história. Eu não conhecia a Mal, mas tinha ouvido por Sam de que ela era uma garota bem divertida e que Ben estava completamente apaixonado por ela.
— Hoje de manhã? Uau! Eles devem estar bastante traumatizados. – Comento, imaginando como deve ter sido difícil para eles.
— Eu ainda não consigo acreditar que eles vão competir. — Comenta Elena, sorrindo nervosa. — Espero que eles se saiam bem.
— Não se preocupe. Ben é um membro da família Barton. Seja teimoso e inteligente como um Barton. Ele jamais competiria se não soubesse que eles são capazes de ganhar. – Afirma Oliver, dando um sorriso tranquilizador. Elena assente, parecendo um pouco mais confiante.
— Eu recebi uma mensagem de Austin, perguntando onde nós estamos. Acho que ele e Ally chegaram. — Avisa Thea, encarando o celular. — Vocês conseguem ver os dois em meio a essa multidão?
— Não... — Fala Roy, olhando em volta. Durante a sua busca, ele parece encontra alguém, enquanto exibe uma expressão de surpresa. — Aquele por acaso é o Aaron?
— O quê? – Questiona Oliver, irritado. — É ele mesmo. O que esse maldito está fazendo aqui?
— Parece que ele e Brooke retornaram para Hawkins depois que ele foi acusado de envolvimento em alguma coisa grande. — Comenta Elena, parecendo tensa. — Brooke está na casa da tia Mimi e Aaron deveria estar na delegacia prestando depoimentos.
— De qualquer forma, vamos ignorá-lo por hora. Ele está acompanhado de um dos conhecidos de tia Tasha. — Responde Damon, encarando Aaron. Demoro um tempo para reconhecer o homem que estava algemado e encarava a pista de gelo com uma expressão serena. — Deve haver algum bom motivo por trás dessa presença desagradável.
— Vamos nos concentrar em Ben e Mal. Eles realmente precisam de nosso apoio. — Fala Thea com seriedade. — Além disso, ele parece estar algemado. Então acho que está tudo bem.
— Oi pessoal! — Cumprimenta Barry, surgindo de repente com Austin e mais duas garotas.
Uma das garotas estava com o ombro e braço direito imobilizados, a testa enfaixada e o rosto machucado. Barry também estava bastante ferido com a perna quebrada, o nariz inchado e vários cortes no rosto. Beth havia nos contado que Barry se envolveu em um acidente de carro junto a mais dois amigos e a namorada. Aparentemente, houve um deslizamento de terra em uma pista perigosa e eles acabaram tendo que invadir a pista contrária, onde vinha um caminhão. Eles conseguiram desviar o carro, mas perderam o controle e o veículo capotou.
— Barry? O que você está fazendo aqui? Você e Cait não deveriam estar no hospital? – Pergunta Oliver, encarando o primo surpreso.
— Achou mesmo que perderíamos a competição do Ben e da Mal? — Questiona Barry, sorrindo convencido, enquanto se apoiava em muletas para ficar em pé.
— Ally! Era para você ter garantido que eles ficariam quietos! — Repreende Elena, levantando-se do banco com Damon, Elena, Thea e Roy. Eu não sabia o que dizer, então apenas observo a confusão. — Sentem logo vocês dois!
— Acha que eu não tentei? — Resmunga a garota que imaginei ser a Ally, olhando feio para Austin e Barry. — Esses dois são incrivelmente teimosos.
— Esse é nosso dom. — Afirma Austin, dando um beijo na testa da garota, que o empurra.
— Não me olhe assim. Eu fui obrigada a vir. — Defende-se a garota machucada, levantando o braço livre em sinal de redenção ao ter o olhar intimidador de Elena sobre si.
— Vocês não tinham se envolvido em um acidente de carro e estavam em estado grave no hospital antes de ontem? — Pergunto, encarando o casal se sentar com dificuldade nos bancos do ginásio.
— É, mas isso já ficou no passado. Agora nós estamos bem. — Responde Barry, como se não fosse nada demais.
— Tia Echo sabe que vocês estão aqui? — Questiona Damon, sorrindo divertido.
— É claro que não. — Responde Cait, rindo.
— E é claro que ela não precisa ficar sabendo disso. — Resmunga Barry, olhando feio para cada um de nós. — Se ela souber, eu ficarei muito encrencado.
— E eu também. — Afirma Austin, parecendo preocupado.
— Eu vou pensar no caso de vocês. — Provoca Thea, dando um sorriso diabólico.
— E essa família só continua a ficar mais estranha. – Comento com Daryl, mas todos acabam escutando. Sam ri e o encara com ironia.
— Eu te avisei. — Fala a loira, pegando mais pipoca para comer.
— Essa família tem uma tendência estranha de se envolver em perigo. — Comenta Daryl, suspirando em frustração.
— E de alguma forma nós acabamos nos envolvendo também. – Complemento e consigo ver os cônjuges dos membros da família Barton assentirem, concordando.
— Não sei do que vocês estão falando. – Comenta Oliver, recebendo um olhar confuso da namorada. — Vocês também fazem parte da família Barton.
— E deveriam se sentir gratos por isso. — Afirma Damon, voltando a passar o braço por cima do ombro de Elena, que ri e concorda.
— Eu não me lembro de em momento algum ter concordado em sofrer da síndrome de se meter em confusão que vocês compartilham. — Brinca Felicity, ajeitando a blusa que cobria o filho.
— Seja teimoso e inteligente como um Barton. — Relembra Elena, aconchegando-se nos braços do namorado. — Esse lema não está apenas de enfeite em nossa família. Vocês já deveriam saber que não somos pessoas comuns. É claro que vocês acabariam envolvidos em nossas loucuras.
— E que eu me lembre, o pequeno Tony também tem uma certa tendência a se envolver em problemas. — Conta Austin, dando um sorriso convencido.
— Ele puxou ao pai. – Oliver se gaba mais uma vez, fazendo Felicity revira os olhos e leva a mão ao peito em uma falsa tristeza.
— Uma mini cópia sua, você quis dizer. — Comenta Thea, rindo ao encarar o sobrinho.
— Infelizmente. — Concorda Felicity, rindo.
— Pobre Felicity. Carrega a criança nove meses para ela nascer parecida com o pai. Eu entendo a sua dor, amiga. — Brinca Beth, fazendo todas as garotas rirem.
Encarando o ginásio, noto uma movimentação estranha. Avisto três homens que se pareciam com aqueles que estavam no aeroporto em Paris. Faço sinal para que Sam encarasse e ela sorri, discretamente. A loira dá um tapa na perna da irmã em sinal de que o plano tinha dado certo. Respiro fundo e troco olhares com Daryl, que imediatamente fica tenso. Ele sabia que a partir de agora tínhamos que ficar atentos ao que estava por vir.
De repente, as luzes das arquibancadas se apagam e o apresentador do campeonato anuncia que era vez do último casal da noite se apresentar. Todos voltam sua atenção para o casal que entram na pista de gelo sobre a ovação do público. Faço sinal para que Daryl fique atento e ele assente. A noite estava apenas começando e se tudo desse certo, nosso inferno finalmente chegaria ao fim.
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