Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Chegamos ao penúltimo capítulo de LA. Eu confesso que estou um pouco insegura com esse capítulo, já que eu não sou tão acostumada a escrever cenas de ação, mas espero de verdade que gostem. Quero agradecer a AndreaNeves, thais oliveira e Mari pelos comentários no capítulo passado. Vocês são maravilhosas. Espero que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO XXIX — VINGANÇA

A apresentação de Ben e Mal havia sido fantástica. Ainda que minha mente tivesse processando todos os passos do plano que seria colocado em ação em alguns instantes, foi inevitável não me encantar e me emocionar com o talento e a beleza dos movimentos de meu primo deslizando sobre a pista de gelo com sua namorada de cabelos roxos.

Como era de se esperar, a apresentação do casal conquistou o primeiro lugar da competição e ainda quebrou alguns recordes de pontuação. Eu estava orgulhosa de Ben e me sentia extremamente animada por estar rodeada pelos meus primos mais uma vez. Depois de tantos dias longe de minha família, era confortável estar de volta e rodeada por brincadeiras infantis, risos escandalosos e olhares carinhosos.

— Eles foram incríveis! – Comenta Austin, animado. – Eu sabia que eles iriam se sair bem, mas jamais imaginei que Ben conseguiria fazer patinação artística em um prazo tão curto e ainda fazer movimentos tão incríveis como o que ele e a Mal fizeram.

— Ele é nosso melhor amigo. É claro que ele iria conseguir se superar. – Responde Barry, soando orgulhoso.

— Eu arrepiei com o último salto. – Comenta Elena, exibindo o braço. – Eu achei que eles iriam cair. Foi impressionante.

— Eu sabia que a Mal era talentosa, mas foi uma surpresa ver como Ben também é habilidoso. E o mais surpreendente disso é pensar que eles fizeram tudo isso depois de passarem por uma situação tão caótica quanto um sequestro. – Relembra Felicity do que o casal passou antes de virem para a competição.

Todos começam a falar ao mesmo tempo, comentando sobre como ficaram emocionados com toda a apresentação e o quão orgulhosos estavam de Ben e Mal. Enquanto isso, Freddie, Beth, Daryl e eu permanecíamos atentos ao que ocorria ao nosso redor. Como esperávamos, nenhum dos homens de Hugh nos atacou durante a competição, mas se mantiveram próximos as saídas, esperando o momento certo para agirem.

— E então? Para onde nós vamos para comemorar? – Pergunta Damon, chamando a atenção do grupo que ainda conversava de forma animada. – Depois de tudo o que passaram, eles merecem uma comemoração digna.

— E eu também quero comer alguma coisa que não seja comida de hospital. – Afirma Cait, estremecendo, provavelmente, ao se lembrar das refeições que recebeu no hospital enquanto estava internada.

— Não se esqueçam que vocês precisam voltar para o hospital para tomar a última medicação do dia. – Relembra Ally, preocupada com o casal.

— Nós vamos voltar a tempo. Só precisamos decidir o lugar para irmos. – Afirma Barry, sorrindo para a namorada de Austin, que assente ainda um pouco contrariada.

— Eu diria para a gente ir para o Hawkeye, mas eles devem estar cansados, então é melhor um lugar mais calmo. – Responde Elena, pensativa.

— E a Thea ainda não pode entrar. Ela tem só dez anos. – Provoca Austin, que recebe um olhar repreendedor de Thea.

— Cala a boca. Eu já tenho dezoito anos. – Fala a garota, cruzando os braços. Ela se vira para o irmão mais velho e acaricia o cabelo do sobrinho, que dormia tranquilamente no colo de Oliver. – Mas de qualquer forma, nós não podemos ir. O Tony está com a gente e deve estar com fome. É melhor irmos para o Sense’s.

— Não gosto do Sense’s. Ele me traz memórias ruins. – Resmunga Oliver e Felicity, Damon, Elena e Thea riem.

— Mas foi no estacionamento do Sense’s que a gente começou a namorar. – Responde Felicity, deixando um beijo na bochecha do namorado.

— É verdade. – Concorda Oliver, dando um sorriso apaixonado para a namorada.

— Então está decidido. Nós iremos para o Sense’s. – Fala Damon, levantando-se da arquibancada. Ele então se vira para nós. – E vocês? Vão vir com a gente ou ainda precisam manter a pose?

— Estamos sob a proteção da CIA, então não podemos ir com vocês. – Responde Freddie, dando um sorriso sem graça. Meus primos nos encaram com desanimo. Eu também estava ansiosa para sair com eles, então sabia o que se passava em suas mentes.

— Prometo que compensamos na próxima vez que a gente se ver. – Garanto, trocando sorriso com todos.

— E vocês, Beth e Daryl? – Questiona Elena, encarando minha irmã e o marido. – A gente também precisa comemorar o casamento de vocês, já que com essa loucura, não tivemos tempo.

Beth me encara brevemente, antes de voltar seu olhar para Daryl. Ainda que ela esboçasse uma expressão serena, eu sabia que ela estava nervosa. O homem parece ponderar sobre a situação e assente, concordando. Eu não sabia muitos detalhes do que estava acontecendo, mas tinha certeza de que suas ações tinham a ver com o contrato que assinaram para se casar. Algo como as regras de seu casamento.

— Vamos sim. Mas podem ir na frente. Eu quero ficar mais um tempinho com Sammy antes dela voltar para o esconderijo com Freddie. – Responde Beth, dando um sorriso amável.

— Então é melhor nós irmos. Tenho certeza de que vamos pegar um trânsito terrível. – Comenta Thea, levantando-se com o namorado. – Qualquer coisa é só nos ligar, Beth.

— Claro. Vejo vocês lá. – Concorda Beth, sorrindo docemente.

Aos poucos, despeço-me de todos com abraços apertados e promessas de que não demoraríamos a nos ver novamente. Eu sentia meu coração se apertar mais a cada despedida. Depois de ficar tantos dias longe de minha família e de ter perdido meu pai, eu me tornei ainda mais apegada aos momentos que passo ao lado de cada um dos meus primos.

Quando todos foram embora, restando apenas Beth, Daryl, Freddie e eu, voltamos a nos sentar. Na arquibancada ao lado, consigo ver tia Tasha, Sara disfarçada, Steve Rogers e Tony Stark de olho em nós. O último parece notar meu olhar e acena discretamente. Assinto em cumprimento e volto a dar atenção a Freddie que mexia freneticamente em seu celular.

Beth entrelaça sua mão na minha e me observa com preocupação e nervosismo. A hora de colocar nosso plano em ação estava chegando e de repente nossa confiança começava a se fragilizar e o principal motivo de nossa insegurança era o fato de termos que contar um pouco com a sorte para que tudo saísse como o planejado.

Tudo começava com o fato que para o plano dar certo, precisava que Hugh estivesse mesmo de olho em Beth. Isso, porque ele sabia que eu havia retornado para Hawkins. Era de se esperar que em algum momento eu entraria em contato com minha irmã mais velha e que, sabendo disso, Hugh aproveitaria a chance para nos acurralar.

Pensando nisso, resolvemos usar a competição de Ben para atrair a atenção de Hugh. Ele sabe o quanto os eventos envolvendo a família Barton é importante para mim, então ele não desconfiaria tanto da minha aparição no United States Figure Skating Championships. A segunda parte do plano que contava com a parte da sorte era que os homens de Hugh aparecessem apenas para me levar para o local onde ele deveria estar me esperando.

O plano não era algo complexo, mas o risco era gigantesco, levando em consideração que Hugh realmente deseja a minha morte e a de Freddie. Ao mesmo tempo, era isso que nos levava a acreditar que ele acabaria aparecendo para acabar com essa história com as próprias mãos. Ele estava furioso e provavelmente aproveitaria para descontar sua raiva em nós antes de tentar nos matar realmente.

Com todo o seu talento para a tecnologia, Freddie conseguiu o acesso a todas as câmeras de segurança do Bankers Life Fieldhouse, além de ter listado todas as saídas e possíveis rotas de fuga do ginásio. Sara e tia Tasha também estavam cientes do que iria acontecer, ainda que não concordassem em nada com a nossa decisão de deixarmos os homens de Hugh nos levar, sem nem mesmo termos certeza de que essa seria mesmo a ordem de meu tio.

Ainda assim, essa era a nossa melhor aposta para colocar um ponto final nesse tormento que já durou tempo demais. Então, mesmo contrariada, resolveram nos dar apoio de longe. Os rastreadores e os microfones que estavam comigo e com Freddie serviriam para orientar os melhores agentes de tia Tasha, que agiriam no instante em que achassem que alguma coisa saiu do controle.

— E agora? – Ouço Daryl questiona, quando o ginásio começou a ficar vazio com o público indo embora.

— Os homens de Hugh estão posicionados em todas as saídas do ginásio. – Comenta Freddie, exibindo a tela do celular. – Eles começaram a se comunicar. Provavelmente estão esperando as ordens de Hugh. Acho que nós devemos sair agora para não deixar tão evidente que estamos esperando por eles.

— Freddie tem razão. Se começarmos a esperar demais, eles vão acabar desconfiando. – Afirmo, levantando-me da arquibancada.

— O que será que está acontecendo ali? – Sussurra Beth, olhando desconfiada na direção onde estava tia Tasha e seus agente.

Ao me virar para o local, vejo Aaron se levantando com um sorriso satisfeito, enquanto era levado por um homem que eu não conhecia, mas que imaginei ser algum agente da polícia. Os agentes que estavam presentes parecem tensos e preocupados.

— Se Aaron está tão confortável com a situação, enquanto continua algemado, suponho que nada de bom esteja acontecendo. – Respondo, voltando minha atenção para minha irmã e cunhado. – Agora vocês precisam ir. Freddie, você já passou as informações para o celular de Daryl?

— Sim. Se você acessar aquele aplicativo que eu te mostrei, poderá ver nossa localização e ouvirá as nossas conversas. O aplicativo também irá emitir um sinal de alerta, caso o rastreador ou o microfone seja tirado de nós a força, fique danificado ou entre em algum local onde não seja possível de enviar mais a nossa localização. Isso vai ajudar vocês a saberem onde nós conseguimos contato pela última vez. – Responde Freddie, entregando o celular de forma discreta para Daryl.

— Tudo bem. Ficaremos de olho em vocês. Por favor, tomem muito cuidado. – Pede Daryl, guardando o celular no bolso de seu casaco. Ele se vira para Beth, que continuava a me encarar com preocupação. – Nós temos que ir.

— Eu sei. É só que... – Beth respira fundo e aperta as minhas mãos. – Eu sei que eu dei a ideia, mas estou começando a me arrepender. É arriscado demais, Sammy. E se...

— Nós vamos ficar bem. – Afirmo, encostando minha testa na dela, assim como fazíamos quando éramos criança. – Precisa confiar em mim.

— Eu confio em você. Eu não confio é no babaca que matou o nosso pai e estar nos perseguindo desde então. – Sussurra de volta, acariciando meu rosto. Seus olhos se prendem nos meus, compartilhando toda a sua dor. – Você não pode morrer. Eu não aguentaria perder mais alguém que eu amo e você sabe disso. Não pode me deixar sozinha, Sammy. Eu te proíbo.

— Eu não vou te deixar de novo. Eu prometo. – Afirmo, abraçando minha irmã com intensidade. Ela corresponde, afundando seu rosto na curvatura do meu pescoço. Encontro os olhos de Daryl sobre nós, observando-nos com atenção. – E você não está sozinha. Nunca esteve e nunca estará, Beth. Você tem a mim, a família Barton e agora tem o Daryl.

— Não é bem assim. Estamos envolvidos por interesse mútuo. Ele vai embora assim que o contrato acabar. – Sussurra de volta e consigo sentir a tristeza em sua voz. Ela se afasta e me dá um sorriso fraco, acariciando meu rosto. – Dá uma surra nele por mim.

— Pode deixar. Eu terei certeza de fazer com que ele não se esqueça dessa surra. – Respondo, sorrindo para a garota.

— Vamos. – Fala Beth para Daryl, antes de se virar para Freddie. – Não permita que nada de ruim aconteça com ela.

— Vamos ficar bem. – Afirma Freddie, sorrindo para minha irmã. Ele se vira para Daryl. – E você cuide bem dela.

— Tudo bem. – Concorda Daryl, dando um discreto sorriso para meu namorado.

Beth e Daryl nos encaram pela última vez e seguem para a saída do ginásio. Freddie e eu esperamos mais alguns minutos e seguimos na mesma direção. Não demora muito para que seja possível a gente sentir que estamos sendo seguidos. Troco olhares discretos com Freddie, apertando sua mão com intensidade. A tensão começava a tomar conta de mim, ansiosa para saber quando seríamos abordados.

No entanto, os quatro homens atrás de nós apenas permanecem distantes, como se observassem nossos movimentos. Começo a suar frio, temendo as ações dos capangas de Hugh. Mesmo usando os coletes à prova de bala por debaixo da roupa, ainda poderíamos receber um tiro na cabeça, antes que tivéssemos qualquer reação.

Apressamos nossos passos até o estacionamento. Eles acompanham a velocidade, mas continuam distantes, esperando algo acontecer. O carro que usamos logo entra no nosso campo de visão, mas antes que o alcançássemos, três outros homens aparecem na nossa frente, portando armas. Freddie e eu paramos de andar, observando os sete homens que nos cercavam.

— O que vocês querem? – Pergunto, encolhendo-me mais contra Freddie. Apesar de estar louca para dar uma surra nos babacas, precisávamos manter a pose. – Por que estão nos seguindo?

— Vocês precisam vir conosco, gatinha. – Responde um dos homens a nossa frente, dando um sorriso presunçoso.

— Ir para onde? Quem são vocês? – Questiona Freddie, tentando me proteger. – Nós não temos nada.

— Nós podemos fazer isso do jeito fácil... – Um homem ruivo se aproxima, colocando a arma contra a barriga de Freddie. Ele exibia uma expressão calma e um sorriso singelo. Nem mesmo parecia estar fazendo uma ameaça. – Ou do jeito difícil. Então que tal colaborar?

— Por favor, não nos machuque. – Imploro, puxando Freddie para trás. Se não tivéssemos sete homens apontando armas para nós, eu provavelmente riria do show que eu estava dando. – Nós vamos fazer o que querem. Apenas não nos machuque.

— Coloquem as algemas e os sacos nas cabeças deles. – O ruivo ordena, encarando os companheiros. – Garantam que estejam bem apertadas. Não acreditem no rostinho inocente desses dois. Eles conseguiram derrubar nossos melhores homens na França.

Seguindo as ordens do homem que imaginei ser o líder, Freddie e eu somos algemados. Eles colocam sacos de pano pretos sobre nossas cabeças e posso ouvir a voz de Freddie se afastando de mim, enquanto eu era empurrada para dentro do carro. Isso me faz ficar mais ansiosa. Eu não fazia ideia para onde eles estavam nos levando e nem se iríamos para o mesmo lugar. Temia que eles acabassem machucando Freddie ou o matassem sem que alguém estivesse por perto.

Não faço ideia de quanto tempo seguimos de viagem, mas sinto meu coração bater mais rápido quando o carro para de andar e ouço o som de cinto de segurança sendo desfivelados. Sem qualquer aviso, meu corpo é empurrado para o lado e eu sou forçada a sair do carro. Com brutalidade, eles me puxam, guiando-me para o que eu esperava ser o local onde Hugh estava. Ouço a voz de Freddie ao longe e me sinto aliviada por saber que ele ainda estava vivo. Isso significava que existia uma grande probabilidade de eu estar certa sobre como meu tio paterno reagiria.

De repente, eles param de me puxar e me fazem sentar em uma cadeira. As algemas que antes eu usava são substituídas por outras que pareciam estar presas a cadeira. O pano preto finalmente é retirado do meu rosto, ma sinto uma forte luz atingir meus olhos e preciso mantê-los até me acostumar com a claridade. E quando consigo me acostumar, volto a abri-los, encontro Freddie sentado mais afastado de mim, também com as mãos presas na cadeira. Ele suspira ao me ver.

— Você está bem? – Questiona, preocupado.

— Sim. E você? – Pergunto, analisando o rapaz por alguns instantes. Ele não parecia ferido, o que faz meu coração se aliviar.

— Sim. Eu estou bem. – Garante Freddie, dando um fraco sorriso.

— Por enquanto, você quis dizer. – A ironia contida naquelas palavras faz meu sangue gelar.

E então aquela voz maquiavélica ecoa pelo local onde estávamos. A fúria começa a tomar conta de todo o meu corpo. Olho em volta, buscando encontrar onde Hugh estava, mas tudo o que vejo é a escuridão ao nosso redor, enquanto éramos iluminados por luzes fortes em nossas cabeças. A risada diabólica de Hugh faz meu estômago se revirar.

— Aparece, desgraçado! – Grito, furiosa. – Está com medo? Eu vou matar você, Hugh! Vou fazer você se arrepender de ter nascido! Quando eu colocar minhas mãos em você, eu vou quebrar todos os seus ossos calmamente, enquanto você implora por misericórdia e...

— Isso é jeito de falar com o seu amado tio, querida sobrinha? – Hugh me interrompe, finalmente aparecendo na minha frente. Ele segurava uma faca e esboçava um sorriso irônico. – Há quanto tempo não nos vemos, doce Samantha.

— Você acha que vai conseguir escapar, não é mesmo, maldito? – Ironizo, observando-o se aproximar de mim.

— Eu não acho. Eu tenho certeza de que vou. – Afirma Hugh, colocando-se atrás de mim. Ele pressiona a faca que carregava contra meu pescoço e sinto sua respiração contra minha orelha.

— Sai de perto dela! – Grita Freddie, exaltado.

— Depois que eu matar o seu namoradinho, eu vou te usar como moeda de troca para conseguir que irritante da sua irmã passe as ações de Kyle para o meu nome e então eu finalmente vou me livrar de você. – Responde Hugh, deslizando a faca pelo meu rosto, enquanto Freddie continuava a esbravejar. Hugh suspira e se vira para os seus homens. – Calem a boca desse inseto. Não veem que eu estou ocupado?

— Sim, senhor. – Responde o ruivo que tinha liderado o grupo que nos sequestrou.

— Não! Ele não tem nada a ver com isso, Hugh. – Debato-me contra a cadeira, vendo dois homens se aproximarem de Freddie com barras de ferro. Hugh ri, parecendo se divertir com o meu desespero. – Se você encostar em um fio de cabelo dele, eu juro que vou arrancar a sua cabeça.

— É impressionante como você não consegue ser amável nem quando está implorando pela vida do seu namorado. – Comenta Hugh, voltando a ficar diante de mim. Ele se abaixa e faz sinal para que seus homens esperassem. Freddie nos encara apreensivo e eu apenas balanço a cabeça, esperando que ele entendesse que deveria ficar quieto. – Acontece que eu não estou me importando com o que você quer, Samantha. Então se prepara para ver a linda cena de seu namorado sendo espancado até a morte, enquanto você está de mãos presas a cadeira, sem poder fazer nada.

— Não! – Grito, quando o homem ruivo bate a barra de ferro contra o braço de Freddie, fazendo ele urrar de dor e cair com sua cadeira normal no chão. – Não! Parem! Parem com isso!

Tento soltar minhas mãos, mas as segundas algemas que eles haviam usado para me prender estavam soldadas na cadeira de ferro presa ao chão. Freddie continuava a apanhar e o desespero toma conta de mim. Sem saída, relembro do treinamento que recebi de tia Tasha e tio Clint para escapar de algemas. Respiro fundo e mordo meus lábios, enquanto juntos minhas mãos. Prendendo a minha respiração, desloco o meu dedão.

Sentindo aquela dor dilacerante em meu dedo, remexo minha mão e consigo me livrar da algema. Hugh se parece perceber minha falta de gritos e eu aproveito a minha mão livre para socar o seu rosto com toda a minha força, ignorando a dor que eu sentia. Ele vai chão e eu aproveito esse momento para colocar meu dedo no lugar. Os homens de Hugh param de bater em Freddie e me encaram surpresos.

— O que vocês estão fazendo, seus idiotas? Prendam... – Não dou tempo para que ele respondesse. Aproveito que minhas pernas estão livres para chutar a boca do maldito, fazendo com que ele caísse mais uma vez. Ele tenta se levantar e eu cruzo as pernas em volta de seu pescoço, pressionando com todas as minhas forças.

— Chefe! – O ruivo larga a barra de ferro e corre em direção a Hugh, que continuava a se debater, tentando se soltar. – Solta ele!

O ruivo e seu companheiro passam a me puxar, mas eu estava tão possessa, que com o meu braço livre, consigo dar uma cotovelada no nariz do ruivo e o empurrar contra o segundo homem de cabelos castanhos cacheados. Eu estava completamente fora de controle. Desejava esmagar o pescoço de Hugh, que pouco a pouco começava a ficar mais fraco.

— Sam! Sam! – Os gritos de Freddie começam a entrar em minha mente. – Para, Sam! Não faz isso! Você não quer ser como ele!

— Eu vou fazê-lo pagar por tudo o que ele fez. – Grito, observando o rosto de Hugh começar a ficar roxo. Suas mãos continuavam a tentar afastar minhas pernas de volta de seu pescoço.

— Sam, para com isso! – Freddie exige mais uma vez. Nesse momento, homens aparecem no esconderijo, vindo em nossa direção. – Sam, por favor!

Solto o pescoço de Hugh, quando vejo os homens se aproximarem de Freddie com armas. Eu continuava com uma mão presa e a cadeira de ferro soldada no chão não facilitava em nada a minha fuga. Ainda que eu tentasse deslocar o dedão da mão esquerda, eu levaria muito mais tempo que com a direita, já que ainda sentia as dores do último movimento.

Hugh tossia descontroladamente, tentando recuperar o fôlego. Freddie é levantado da sua cadeira de madeira e noto como ele estava machucado. Os homens de Hugh ainda hesitavam em se aproximar de mim, sabendo que ainda que eu estivesse presa, poderia ser bastante perigoso com as duas pernas e o braço direito livre.

Aproveito o medo dos capangas de Hugh para olhar em volta. Estava escuro demais. Relembro então do rastreador que também servia de sinal de alerta. Talvez aquele fosse o momento certo de acionar a CIA.

— Você e... eu somos... iguais, Samantha. – Comenta Hugh, levantando-se com a ajuda de um de seus homens. O chute que eu havia dado em seu rosto havia feito um grande estrago em seu nariz quebrado. Ele cospe um pouco de sangue me encara um pouco atordoado. – Você está... pronta para matar. Sem hesitação.

— Eu nunca serei igual a você. – Respondo, sentindo meu corpo tremer de raiva. – Eu jamais mataria uma pessoa inocente por ganância. Mas eu realmente não tenho hesitação para te matar. Eu faço o que for preciso para garantir que a minha família fique a salva de psicopatas como você.

De repente, algo é jogado pela janela do lugar onde nós estávamos. Uma fumaça forte se espalha pelo lugar. Os homens de Hugh sacam suas armas e começam a gritar, exigindo que quem tivesse jogado aquela bomba de fumaça aparecesse. E então várias pessoas invadem a sala. Ouço o som de socos, chutes e resmungos, mas com a fumaça, era impossível enxergar o que acontecia.

Em algum momento, sinto alguém atrás de mim. Mesmo sem enxergar, giro o meu corpo, pronta para socar quem quer que tivesse aparecido, mas minha mão é agarrada no ar, antes que eu pudesse terminar o ataque. Tento me soltar, mas a pessoa que me prendia era tão forte quanto eu, o que era realmente surpreendente. Meu coração se acelera. Eu estava com medo. Temia pela minha vida e a de Freddie que estava longe e eu não conseguia ver o que acontecia ao redor dele.

— Calma, Sam. Sou eu. Sara. – Suspiro aliviada ao reconhecer a voz de minha prima. – Eu vou soltar você. Fique quieta.

— Tudo bem. – Concordo e inspiro para tentar me acalmar. Sinto minha mão ser finalmente solta. Viro-me para Sara e a abraço, sorrindo aliviada. – Obrigada.

— De nada. Agora pega. Eu vou ver como Freddie está. – Responde Sara, sorrindo, enquanto me afasta. Ela empurra alguma coisa contra o meu peito e eu pego, desconfiada.

— O que é isso? – Pergunto e sorrio ao ver do que se tratava. – Meia de manteiga.

— Um presente do tio Clint. Ele está voltando para a cidade e está bastante furioso. Como não pôde estar aqui, pediu que você se vingasse dele em seu lugar. – Sara sorri daquela mesma forma que fazia quando íamos aprontar crianças. – Você tem cinco minutos.

— É o suficiente para mim. – Afirmo, sorrindo satisfeita.

— Acaba com ele, priminha. – Sara então bagunça meu cabelo e corre para o meio da confusão que acontecia entre a CIA e os homens de Hugh para ajudar Freddie, assim como havia dito.

Alongo um pouco o meu corpo e vou até Hugh, que tentava fugir do lugar com seus capangas. O ruivo líder vem em minha direção para me derrubar, mas eu o derrubo facilmente com a minha meia. Seu colega também tenta me parar, mas eu estava com pressa, então apenas o golpeio na cabeça.

— Vai... vai para trás. Eu... eu vou te matar. – Hugh gagueja, dando passos para trás. Sorrio, divertindo-me com o seu desespero.

— Você não ia me matar? – Pergunto, aproximando-se lentamente.

— Vai embora. – Pede Hugh, amedrontado. – Por.... favor... não me mata.

— Está implorando agora? – Questiono, rindo. Coloco a mão sobre o ombro dele. Hugh tremia e começava a chorar. Aproximo meu rosto no dele. – É uma pena, mas eu esperei muito tempo para ter a minha vingança e acontece que eu não estou me importando com o que você quer, Hugh.

E sem esperar por respostas, atinjo minha meia contra o rosto de Hugh. Desconto toda a fúria em cada golpe dado naquele desgraçado. Eu não me importava com o que acontecia a minha volta. Tudo o que eu queria era fazer Hugh pagar pela morte do meu pai, por ter me colocado em um manicômio, por ter pagado para me colocarem em coma, por ter perseguido e machucado as pessoas que eu amo.

E quando eu preparava para dar o último golpe, que quebraria mais alguns ossos de Hugh, sinto alguém pegar em meu ombro. Felizmente, antes que eu atacasse a pessoa que interferia em minha luta, vejo Freddie. Ele me puxa para um abraço e posso ver minhas mãos sujas de sangue.

— Está tudo bem agora. Acabou. – Sussurra Freddie, apertando-me ainda mais contra si. – Está tudo bem, Sam.

E de alguma forma, enquanto as lágrimas caiam pelo meu rosto e eu me agarrava ao seu corpo machucado, eu finalmente pude respirar. Mesmo com todo o caos que ocorria ao nosso redor com a luta entre os agentes da CIA e os capangas de Hugh, era como se toda a raiva e angustia que guardei dentro de mim desde a morte de meu pai tivessem evaporado. Hugh estava completamente destruído e sofreria bastante na cadeia se dependesse de tio Clint e tia Tasha. Enquanto isso, Freddie e eu finalmente poderíamos viver o nosso final feliz.

Notas finais
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