Loucuras!
2 Afogamento
Notas iniciais
Em um hospital bem longe de qualquer lugar (onde não existia no mapa ainda), tinha uma senhora, aparentando seus 50 e poucos anos. Cabelos grisalhos, mas bem cuidados, era simpática e fazia amizade com qualquer um. Infelizmente, era uma paciente, sabe-se lá do quê. Era praticamente um sigilo médico, e ninguém queria tirar aquele sorriso bacana do rosto da velha.
Não sabiam de onde vinha, qual era o nome verdadeiro dela (todos chamavam de Cida). Ela sempre dizia que no dia 14 de agosto de 2000 iria morrer afogada. E todos riam...
Por precaução, os médicos decidiram que não deixariam nenhum copo de água, perto dela. Não deixariam ir ao banheiro sozinha, não dariam suco, só podia beber água por uns tubinhos que entravam pelo nariz e tomar banho, só com um pano molhado. Isso tudo pra tira a neurose dela.
O dia chegou. Dona Cida já ia se despedindo de todos, deixando de lembrança uns enfeites de crochê que ela tinha preparado um ano antes para os mais queridos. Foi se deitar em seu leito, e pediu um copo d’água. Não deram. Pediu um banho, e lá se foi com o paninho molhado. E esperou a morte.
Era de noite, e todos foram dormir, exaustos de vigiar a dona Cida. Então, a deixaram, já que estava dormindo profundamente.
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Já era de manhã, e o médico responsável foi zombar dela, avisando que não houve dilúvio. Chegando lá, viu a dona Cida, afogada em sangue. Um pedaço de vidro do copo que estava ao seu lado perfurara seu pumão quando o engoliu.
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