Louca Obsessão
11 Indícios
Notas iniciais
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11. Indícios
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Bocejou uma, duas, três vezes. Já era manhã e Rin ainda não sabia como Sesshoumaru a convencera a passar a noite em sua casa. E lá estava ela! Deitada sobre a cama do youkai enquanto mirava sua figura dentro do banheiro. A porta aberta lhe permitiu apreciar aquela montanha de músculos que no momento fazia sua higiene matinal. Ele não fizera questão de fechar a porta do banheiro, não se incomodava nem um pouco com sua presença. Simplesmente deixou a porta escancarada enquanto uma vez ou outra observava seu reflexo pelo espelho suspenso sobre a pia. Suspirou. A maneira como ele a encarava pelo espelho parecia que estava vigiando-a, e o fato de ter mantido a porta aberta só comprovava isso.
Preguiçosamente, decidiu se levantar. Puxou o lençol para o lado e apoiou o pé no chão. Sentiu uma fisgada no tornozelo e lembrou-se da sua leve torção. Seu pé ainda estava dolorido e latejava conforme se movia. Manteve-se de pé não se importando de estar com suas vestes de dormir, tampouco corou. Lembrou-se da maneira como Sesshoumaru havia limpado-a na noite anterior, o youkai já havia visto mais do que realmente desejava. Não haveria motivos para corar depois do que acontecera, naquele momento não adiantava chorar pelo leite derramado.
Decidiu esticar a cama que momentos atrás havia dividido com aquele másculo homem que agora se ocupava em escovar seus perfeitos dentes alinhados. Pelo espelho, Sesshoumaru seguia seus movimentos com o olhar. Assim que ajeitou os travesseiros e esticou o lençol virou em direção ao banheiro e se manteve diante da porta com os braços cruzados sobre os seios, o que os tornavam mais volumosos do que já eram. Sesshoumaru tivera que soltar um rosnado rouco com a visão que a pequena estava lhe proporcionando.
— Não posso fazer isso! – Rin resmungou. – Me sinto completamente desconfortável ficando aqui, não quero envolver sua família.
Desviou o olhar de seus seios fartos e virou-se para cuspir a pasta de dentes dentro da pia, enxaguou a boca e a secou na primeira toalha de rosto que avistou.
— Já conversamos sobre este assunto, Rin.
O viu passar a mão enorme sobre o queixo sentindo sua barba por fazer, o que tornava aquele homem ainda mais atraente do que já o era. Ele apanhou o creme de barbear que estava a poucos centímetros de si e o espalhou sobre o rosto levemente quadrado.
— Não irei mudar de opinião Sesshoumaru, eu não vou ficar aqui! – Encostou-se no batente da porta e bufou em seguida.
— E para onde pretende ir? – Ele provocou-a.
Por mais que não quisesse admitir, Sesshoumaru tinha razão. Rin não possuía nem um lugar em mente em que poderia se refugiar.
— Se pretende ficar em sua casa, este Sesshoumaru também fica! – Inclinou-se sobre a pia, aproximando seu rosto do dela.
Ela recuou alguns passos para trás. Sesshoumaru era mais autoritário do que imaginara. Estreitou seus lindos olhos castanhos e o encarou com tamanha indignação estampada em seu semblante. Sabia que ele fazia isso apenas para mantê-la segura, mas não queria ficar naquele lugar um só segundo. Suikotsu já tinha consciência de onde estava e provavelmente voltaria, apenas esse pensamento já a fazia tremer. Balançou a cabeça para os lados e negou veementemente.
— Não posso ficar aqui! – Voltou a afirmar. – Ele irá voltar!
Seu desespero começava a dar os primeiros sinais, o que não passou despercebido pelo youkai.
— Se ele voltar, eu o mato! – Rosnou entre dentes. – Rasgo-lhe a garganta antes que possa fazer algo.
A pequena apenas balançou a cabeça para os lados e procurou afastar as lágrimas. Seus olhos começavam a marejar. Escondeu o rosto por entre as mãos e o soluço lhe dominou. Não apreciava mostrar suas fraquezas, principalmente diante de alguém como Sesshoumaru. Ele soltou um fungado para o alto, limpou as mãos na mesma toalha que secara o rosto e inclinou seu corpo sobre o dela. Delicadamente, segurou ambas as mãos em frente ao rosto e as afastou a fim de encará-la.
Rin mirou seus olhos no rosto masculino de expressões tranquilas. De imediato a tranquilidade e a segurança que emanava do corpo daquele homem a consumiu. Sesshoumaru conseguia leva-la de um lugar a outro em poucos segundos.
— Então iremos para outro lugar, Rin. Não vejo problemas algum nisso!
Seu queixo caiu ligeiramente. Havia escutado certo? Sesshoumaru estava disposto em leva-la para outro lugar? Piscou os orbes surpresa, ainda não havia ingerido totalmente aquelas informações. Engoliu em seco e lentamente Sesshoumaru inclinava seu rosto sobre o dela.
— Se formos juntos, as pessoas desconfiarão. Pensarão que temos alguma coisa... – Murmurou baixo. Estavam próximos o bastante para sentirem as respirações batendo-lhe contra a face.
— E desde quando este Sesshoumaru se importa com o que esses vermes pensam? – Inclinou-se mais sobre ela. – Não a deixarei sozinha, Rin.
Sesshoumaru circulou sua cintura com um dos braços e a manteve presa enquanto sua outra mão lhe apertava o bumbum arrebitado e o puxava de encontro a sua rigidez. Quebrou o pouco da distancia que possuíam entre si e ele tocou-lhe os lábios rosados, devorando-a com urgência, com fome. Rin o teria beijado, se a espuma de barbear não lhe sujasse a face e a ponta do nariz fazendo com que recuasse. Curvou os lábios em um sorriso e se permitiu rir da situação. Com um de seus dedos, Sesshoumaru limpou-a, retirando toda a espuma de seu rosto.
— Prefiro vê-la assim! – Confessou o youkai com o rosto a centímetros de distancia.
— Assim como? – Perguntou sem entender.
— Sorrindo. – Sentiu-se desconcertada. Sesshoumaru era capaz de constrangê-la até mesmo com suas palavras.
Delicadamente, deslizou a mão de seu rosto para o seu pescoço. Acariciou a região permitindo que suas garras brincassem com o seu contorno e Rin só se dera conta que ele acariciava os hematomas que Suikotsu deixara em seu pescoço quando Sesshoumaru passou a encarar as marcas com intensidade. Lembrar-se do que acontecera fez seu sorriso morrer. Lentamente, ele afastou-se sem tirar os olhos de si e voltou a fazer o que fazia antes de tê-lo interrompido com sua presença.
— Façamos assim, ficaremos aqui apenas por pouco tempo. Aquele verme não é burro o bastante para voltar tão cedo!
Pensou no que Sesshoumaru dissera, e ele estava certo! Suikotsu não voltaria tão cedo, não depois do que acontecera. Balançou a cabeça, concordando com seu raciocínio. Sabia que em breve Suikotsu mostraria as caras, Rin precisava pensar em um meio de evitar o futuro encontro entre eles. Conhecia perfeitamente o ex-namorado, e desistir estava fora de seu vocabulário.
— Afinal de contas o que pretende fazer? – Ele lhe fitou pelo espelho enquanto passava a lamina sobre a bochecha. A pergunta lhe caiu como uma luva, já que era exatamente sobre isso o que pensava.
— Sobre o que quer dizer com isso? – Franziu o cenho, instigando-o enquanto observava seus movimentos em se barbear.
— Pretende continuar fugindo ou pretende tomar uma atitude? – Apoiou o cotovelo sobre a pia e virou a face em sua direção.
Rin foi capaz de sentir o corpo queimar pela tamanha intensidade com que aqueles olhos estreitos a encaravam. Sua garganta ficou seca, não sabia o que fazer em relação à Suikotsu. Se realmente soubesse, para começo de conversa ela não teria fugido da capital não é mesmo?
— Fugir é a maneira mais fácil! — Murmurou baixo como se estivesse falando consigo mesma, mas a expressão na face de Sesshoumaru apenas denunciou que ele conseguira ouvi-la e que não se agradara do que dissera. – E-Eu não posso passar a vida toda fugindo de um louco obsessivo, mas eu não sei o que fazer! Ah não ser que conseguíssemos provar de tudo o que Suikotsu fizera, para que o mandem para algum tipo de manicômio judicial.
— Dissera que não sabia o que fazer, no entanto vejo que sabe! – Soltou ele enquanto voltou a fazer sua barba.
A pequena enrugou a testa. Havia entendido certo as palavras de Sesshoumaru?
— E-Espere um pouco Sesshoumaru... – Passou a mão por seus cabelos tentando afastar o nervosismo. – Não me diga que esta disposto em fazer isso! – Deixou o queixo cair em sinal de surpresa.
— Eu irei caçá-lo! – Afirmou ele.
Rin não estava acreditando. Já deveria imaginar que seu vizinho de janela fosse tomar uma atitude em relação à Suikotsu, no entanto temia no que poderia acontecer. Sentia a fúria presente em cada palavra que este pronunciava e sabia que dessa vez Sesshoumaru o mataria se o encontrasse novamente.
— Eu não queria envolver mais ninguém nessa história... – Balançou a cabeça em sinal de reprovação.
— Lhe disse que já estou envolvido Rin! Este Sesshoumaru não ficará de braços cruzados e tampouco permitirá que continue a fugir.
Fugir. Ultimamente esta palavra estava presente no vocabulário de seu vizinho de janela. E de certa forma Rin se sentia incomodada por Sesshoumaru sempre lembrá-la sobre isso. A impressão que possuía sobre si mesma era que não passava de uma simples covarde e que encontrava nas suas fugas o meio mais rápido de resolver seus problemas. Por mais que quisesse fugir, Sesshoumaru tinha toda razão! Não poderia fugir para o resto de sua vida, Rin precisava enfrentar esse problema a fim de se ver finalmente livre.
— Só quero que me prometa uma coisa... – Sua voz saiu baixa, tão baixa que despertou a atenção do youkai. – Me prometa que não contará sobre isso a ninguém? Nem mesmo para Izayoi e seu pai, e muito menos á Inuyasha!
A pequena não desviou seu olhar, Sesshoumaru parecia pensar sobre a proposta. Ele compreendia seu medo de envolver as pessoas naquilo tudo, sabia disso pelo fato de ter sido um sacrifício fazê-la contar o motivo de estar fugindo. E só de lembrar de que um dia sua humana foi capaz de criar qualquer tipo de relacionamento com aquele homem, o sangue já lhe subia pela cabeça. Afastou aquele pensamento, mandando-o para longe e meneou a cabeça em concordância, qualquer pedido que Rin lhe fizesse Sesshoumaru prontamente atenderia.
— Sinto-me disposto a fazer qualquer coisa, minha Rin.
Ela mordeu o lábio inferior quando ouviu aquelas palavras. Sesshoumaru lhe dissera aquilo com tamanha veemência, que Rin se permitiu pensar se aquilo era algum tipo de confissão. Lentamente, aproximou seu rosto mais uma vez para perto de sua humana e de maneira proposital passou o cumprido nariz coberto de espuma contra o dela, sujando-a. Instantaneamente Rin encolheu-se, mas não se afastou. Seus lábios se curvaram e um novo sorriso surgiu.
— Está me sujando de novo! – Riu enquanto levava ambas as mãos para os ombros do youkai, depositando-as ali.
Desta vez ele não foi capaz de se conter, capturou-lhe os lábios e beijou-a. Não se importava de estar sujando-a, até mesmo com a ponta do nariz coberto de espuma, aos seus olhos âmbares Rin transbordava beleza e sensualidade. Sentiu a língua de Sesshoumaru pedir passagem por entre seus lábios semiabertos, e prontamente os abriu permitindo que ele invadisse sua boca com sua ávida língua. A língua de Sesshoumaru não foi à única coisa que Rin sentira. Aqueles braços grandes e fortes que a cercavam pela cintura não poderiam ser facilmente ignorados. Em questão de segundos, Sesshoumaru a puxou para cima tirando seus pequeninos pés do chão enquanto a fazia entrelaçar suas grossas pernas em torno de sua cintura larga, para logo a acomodar sentada sobre a pia á sua frente.
Seu bumbum arrebitado em contato com a pedra fria a fez estremecer em seus braços, o que a obrigou a impulsionar seu corpo contra o dele. Contra a sua feminilidade, Rin conseguiu sentir o desejo que aquele youkai possuía sobre si. Seu corpo todo estremeceu e ela apenas agradeceu aos céus por estar sentada, caso contrario teria fraquejado diante daquela montanha de músculos que conseguia lhe tirar a sanidade. Ele beijou-a de maneira sôfrega, ansiando seu sabor, seu gosto. Gosto este que logo mudara. A pequena torceu o afilado nariz quando sentiu o gosto da espuma de barbear em sua boca e afastou-se do youkai enquanto ainda ria da situação.
— Até mesmo em meio à espuma sua beleza não se ofusca, Rin. – Murmurou contra seus lábios inchados e avermelhados.
Sesshoumaru a achava bonita? Sentiu a quentura lhe dominar a face e por mais que não quisesse transparecer seu constrangimento, foi inevitável. E lá estava ela, corada enquanto procurava não o fitar nos olhos.
Antes tivesse sustentado a troca de olhares entre eles, preferia mil vezes encarar aqueles olhos em chamas á sua frente a ter que fixar sua atenção na marca bem diante de seu nariz. Seu sorriso morreu lentamente e com isso a apreensão voltou a lhe tomar. Sesshoumaru virou o rosto para encontrar o que tanto Rin observava e não se surpreendeu com o que avistou. Conhecendo-a bem, sabia o quanto ela estava se martirizando com aquilo. Suikotsu foi capaz de deixar mais uma marca em sua vida!
Com as mãos sobre os ombros do youkai, ela deslizou a ponta de seus dedos sobre a cicatriz do tiro que o pegara de raspão. Por mais que Sesshoumaru fosse um youkai, a marca não havia cicatrizado completamente. Ela estava ali! Visível para qualquer pessoa. Lembrou-se que na noite anterior Sesshoumaru se recusara em procurar um médico, apenas para não levantar suspeitas em cima do ocorrido. Rin queria manter aquilo em sigilo, se ele procurasse um hospital o obrigariam á depor na delegacia contra o seu quase assassinato. Aquilo iria gerar inúmeras notícias e consequentemente todos saberiam, até mesmo sua família. Rin não queria envolver ninguém, tanto que o fizera prometer que deixaria seus familiares de fora; Sesshoumaru tinha consciência do que poderia acontecer caso fosse a um hospital, por ser um youkai ele não precisaria de cuidados especiais. Seu corpo era forte o bastante para aguentar um misero disparo!
— Desculpe-me por isso. – Continuou a acariciar a marca sem tirar os olhos sobre ela.
— Pare de se martirizar. A culpa não foi sua, Rin! – Tranquilizou-a.
Levou uma das sedosas mechas escuras em direção ao seu nariz cumprido e cheirou-a. Céus, o cheiro de sua humana o embriagava.
— Isso não muda o que aconteceu Sesshy, e você sabe disso! – Passou a mão em seu rosto e limpou a espuma de barbear presente em sua face. – Não vou mentir dessa vez e dizer que não me sinto culpada pelo o que aconteceu, porque eu me sinto!
Sesshoumaru a escutou calado.
— Penso que se Suikotsu não houvesse me encontrado, você não teria sido baleado! Eu fui totalmente negligente e por isso, peço desculpas.
— Penso que se isso não houvesse acontecido você jamais contaria a este Sesshoumaru o que se passava. Portanto, não se desculpe e tampouco se culpe.
Sesshoumaru tinha razão em relação aquilo. Jamais teria contato sobre sua vida caso nada houvesse acontecido. Soltou um sorriso fraco e mirou os olhos para baixo. Encarou suas pernas que ainda circulavam a cintura de Sesshoumaru e se permitiu voltar a corar quando percebera a posição em que se encontravam.
— As coisas poderiam ser tão diferentes! – Voltou a falar, sem encará-lo. – Às vezes me pego pensando como seria minha vida sem Suikotsu atrás de mim.
— Pensamentos podem vir a acontecer. – Sentiu o halito quente de Sesshoumaru tocar-lhe o topo da cabeça.
Franziu a testa com aquelas palavras. Ergueu a cabeça devagar e passou a observar a expressão indecifrável no rosto de seu youkai.
— O que isso quer dizer? – Rin possuía certo receio em perguntar.
— Quer dizer que não descansarei enquanto não encontrar esse verme e fazê-lo pagar por tudo que fizera.
Sesshoumaru só faltara rosnar. O ódio ainda presente em sua voz toda vez que se referia em Suikotsu o obrigava a estreitar os olhos e cerrar os punhos de maneira ameaçadora. Diante de suas palavras, ela foi apenas capaz de se manter quieta enquanto mordia o lábio inferior nervosamente. Nada o faria mudar de ideia, Sesshoumaru estava disposto em caçá-lo, como ele próprio já havia lhe dito.
— E como pretende fazer isso? – Curiosa, perguntou. – Suikotsu pode estar em qualquer lugar!
— Não é difícil descobrir! – Afirmou ele, com convicção.
O rumo daquela conversa estava deixando-a cada vez mais intrigada. A maneira como Sesshoumaru falava, parecia que sabia o local exato onde Suikotsu se escondia. A pequena não teve coragem de lhe perguntar mais nada, sua cabeça estava em um turbilhão de pensamentos que a deixavam confusa o bastante para processar as recentes revelações. Então optou deixar Sesshoumaru concluir seus pensamentos:
— Os corpos das garotas mortas foram deixados em locais próximos, o que nos faz pensar que talvez Suikotsu esteja escondido pela região onde ambas foram assassinadas.
Instantaneamente sua boca ficou seca. Rin arregalou os olhos totalmente surpresa com a linha de raciocínio de Sesshoumaru. Mas é claro! Suikotsu não conhecia a cidade, assim como ela. Portanto não se permitiria ir tão longe do local onde se abrigava. Aquilo fazia sentido! Levou uma das mãos aos lábios enquanto ainda tentava assimilar as palavras de seu vizinho.
— Faz sentido! Como não pensei nisso antes? – Perplexa, Rin perguntou-se para si mesma. Seu corpo ainda se encontrava em estado de choque. – Mas ele não seria tão burro de permanecer no mesmo lugar, talvez nem esteja mais por aquela região.
— Talvez! – O youkai concordou consigo. – Mas isso não nos impede de investigarmos.
— Ah não! – Rin balançou a cabeça em desespero. – Não vou naquele lugar para descobrir se Suikotsu está lá! Não vou mesmo! – Olhou para os lados nervosamente em busca de consolo.
Parou de movimentar a cabeça no momento em que duas mãos grandes lhe agarraram a face e manteve-a parada. Deixou-se suspirar quando os castanhos de seus olhos se encontraram com os âmbares do youkai. As batidas frenéticas de seu coração descompassado aos poucos se acalmavam.
— N-Não me faça fazer isso Sesshoumaru... – Murmurou em desespero. Seu corpo tremulou em antecipação.
— Não farei nada que possa vir a ameaçá-la. – Colou sua testa contra a dela e sustentou a troca de olhares.
A pequena procurou normalizar a respiração. Confiava em Sesshoumaru, suas palavras possuíam o dom de tranquilizá-la. O youkai só voltou a comentar sobre o assunto quando notou que ela havia se acalmado:
— Esta região é conhecida por possuir inúmeros hotéis e pensões.
— Está pensando que Suikotsu possa estar em algum deles? – Fungou no meio de suas palavras, a testa ainda colada contra a de Sesshoumaru.
— Não tenho duvidas, basta procurá-lo!
— E-Eu não quero procurá-lo. – Sua voz falhou dando indícios de que seu desespero parecia querer voltar.
Uma batalha interna se apossava de seu corpo, um lado de seus sentimentos desejava que Rin fosse capaz de enfrentar seus medos, o outro se mantinha relutante em seguir em frente. Sinceramente, não sabia o que fazer. Fugir parecia ser tentador demais.
— Deixe sua confiança em minhas mãos e me permita resolver tudo. – Uma lufada de ar quente se chocou contra seu rosto e Rin se dera conta de que se tratava da respiração de seu youkai.
Permitir? Ela perguntou-se de maneira irônica. Mesmo que não o permitisse, sabia que Sesshoumaru iria atrás de Suikotsu de um jeito ou de outro. Entre abriu os lábios para falar, mas um barulho estridente os dispersou, fazendo-os virar quase que ao mesmo tempo a cabeça em direção ao som que vinha do quarto.
— É o meu! – Rin anunciou, reconhecendo o toque de seu celular.
Sesshoumaru se afastou lentamente para que Rin pudesse descer da pia de mármore, e com um impulso a pequena já estava de volta ao chão. Com passos rápidos se dirigiu ao quarto sendo seguida por Sesshoumaru logo atrás. O celular sobre a cômoda vibrava ao mesmo tempo em que cantava. Receosa Rin segurou o aparelho em mãos e franziu o cenho quando constatou de que era uma ligação restrita. Não, ela não iria atender! Tinha medo só de imaginar quem era a pessoa que estava ligando para o seu celular.
Com a recente confusão não havia telefonado para sua família a fim de contar que Suikotsu a encontrara. Sabia que não era Bankotsu quem a ligava e muito menos sua avó Kaede. Se fosse algum de seus familiares, não haveria motivos para ocultar o numero do aparelho, não é mesmo? Esse pensamento apenas a deixou mais perturbada do que já estava.
— Está restrito...— Sussurrou nervosamente sem tirar os olhos do aparelho que tinha em mãos.
As mãos tremeram e seu lábio inferior foi fortemente mordido. A tensão era tamanha que não sentia a intensidade da mordida que seus dentes pressionavam contra seu lábio. O celular insistiu em continuar a tocar e antes que pudesse cair na caixa postal o viu sendo arrancado de suas mãos com brusquidão e em questão de segundos, Sesshoumaru o reduziu a migalhas. A força entre os nos de seus dedos era tamanha que a superfície do celular não aguentara.
Rin observou a cena estupefata. Sesshoumaru acabara de destruir seu celular por entre suas enormes mãos, imagina o que faria se estas mesmas mãos estivessem envolta do pescoço de Suikotsu. Balançou a cabeça afastando aquela imagem rapidamente.
— O-O quê está fazendo? Porque quebrou meu celular? – Tudo o que pode fazer foi agarrar o que restara de seu telefone, agora destruído.
— Não precisará mais dele! – Foi tudo o que Sesshoumaru dissera enquanto lhe dava de ombros pelo o que acabara de fazer.
— Claro que não irei precisar! Você viu o estado que deixou meu celular? – Revirou os olhos ironicamente.
Como usaria o aparelho naquelas condições? Era obvio que naquele momento ele não serviria para mais nada. Então consequentemente era um celular inútil, estava nítido que agora não precisaria mais dele. Só queria entender o motivo de Sesshoumaru ter feito aquilo. Aquele aparelho era o único meio que possuía para se comunicar com os seus familiares, e agora seu vizinho de janela o reduziu a migalhas.
— Esse maldito celular está grampeado! Você seria facilmente rastreada, Rin.
— Isso não faz muito sentido. Suikotsu sabe onde eu estava e nós somos vizinhos! Não faz tanta diferença se formos pensar por esse lado. – Retrucou ela.
— Aquele verme não seria burro o bastante para querer enfrentar-me mais uma vez. – Trincou o maxilar. Suikotsu não seria louco de lhe mostrar as caras. – Receio que ele possa vir atrás de você caso deixe os domínios de minha residência. E caso venha a sair, evite usar seus cartões de créditos.
Respirou fundo. Ponto para Sesshoumaru, mais uma vez. Ele estava coberto de razão! Apenas o pensamento de ser encontrada enquanto estivesse fora de casa, já a amedrontava. Colocou ambas as mãos em frente o rosto e sua vontade era de gritar, na intenção de aliviar toda a tensão presente em seu corpo.
— O que você tem em mente? – Perguntou por entre suas mãos.
— Tentarei rastreá-lo naquela região. – Calmamente, seguiu de volta para o banheiro.
Lentamente, tirou as mãos em frente ao rosto e girou nos calcanhares apenas para observar a montanha de músculos que Sesshoumaru possuía como corpo, parado em frente á pia mais uma vez. Rin o admirava. Sesshoumaru era tão seguro de si, que por um momento pegou-se sentindo inveja do youkai.
Desejava fortemente ser como ele, mas seus medos e receios a impediam de seguir em frente.
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Já trocada, Rin descia as escadas com o coração nas mãos. Segurou fortemente o lenço enrolado em seu pescoço com medo de que suas marcas, até então escondidas viessem a aparecer. Em sua cabeça pensava nas variadas expressões que Izayoi faria quando descobrisse que havia passado a noite junto a Sesshoumaru. Ah céus, o que sua doce vizinha pensaria sobre isso? Provavelmente a julgaria mal sobre o fato de ter acabado de se mudar e já estar com segundas intenções para com o seu enteado. A situação a constrangia, até porque não saberia como iria encará-la.
Estava realmente grata pelo o que Sesshoumaru lhe fizera, mas Rin tinha vergonha na cara. Voltar para o seu refugio sem ser vista seria uma tarefa difícil e Sesshoumaru a repreenderia caso fizesse tal coisa. Se fizesse isso estaria fugindo mais uma vez, não é mesmo? Fugir já havia virado rotina, mas ela estava cansada de viver desse jeito. Sendo assim, respirou fundo tomando coragem e continuou a descer a longa escadaria, mas seu coração deu um salto dentro do peito quando avistou a figura de sua doce vizinha ao pé da escada quando fizera menção de subir o primeiro degrau.
Suas maças do rosto queimaram naquele mesmo instante. Izayoi a encarou sorridente e a cumprimentou com um bom dia de maneira cantada.
— Dormiu bem, querida? – Sorriu enquanto alcançou suas mãos e as segurou com força. – Soube que passara a noite aqui! Estava prestes á chamá-los para tomar café!
— Ãhn... Bom dia! – Tentou cumprimentá-la sem transparecer o desespero na voz.
Espere um momento... Como Izayoi soube que havia dormido em sua casa? A imagem de Sesshoumaru lhe viera em sua cabeça e ela entendera o que acontecia.
— Sesshoumaru contou-me que seu chuveiro ainda não foi concertado. – Izayoi lhe lançou um olhar compreensivo. – Contou-me também que está sofrendo com problemas com ratos, e que por isso irá passar um tempo conosco. O que eu acho maravilhoso ter mais uma companhia feminina nesta casa!
Então fora esta a desculpa que Sesshoumaru dera a sua doce vizinha? Problemas com ratos? Por um lado sentia-se aliviada por Izayoi não saber o que de fato aconteceu e esperava realmente que ela não descobrisse tão cedo.
— Consigo encarar um chuveiro quebrado, mas ratos... Nem pensar! – Entrou na mentira e fez uma careta estranha demonstrando nojo.
A mentira do chuveiro, não era na realidade uma mentira. Seu chuveiro realmente não fora concertado, mas em relação aos ratos...
— Eu imagino, teria feito o mesmo que você. Sairia de casa na mesma hora! – Izayoi pareceu apoiá-la pela decisão. – Faz dias que está com esse problema não é mesmo?
— Sim! – Concordou aparentando falsa frustração. – Peço desculpas por ter passado a noite em sua casa sem o seu consentimento.
— Não há o porquê se desculpar, eu entendo perfeitamente querida! – Izayoi passou a mão em seu rosto e lhe sorriu o que fez Rin se sentir um pouco mais aliviada.
Izayoi era realmente um doce! Não conseguia acreditar que estava envolta de pessoas como ela, mas se sentia mal por lhe contar tantas mentiras.
— Mas não se preocupe porque já estou tomando providencias contra essa invasão em minha casa! – Tentou tranquilizá-la de que sua estadia em sua residência seria por pouco tempo.
Mal se dera conta de que havia feito uma grande indireta em relação à invasão de Suikotsu e seu problema com o mesmo. A comparação que Sesshoumaru fizera com relação aos ratos parecia fazer sentido para Rin agora.
— Fique o tempo que precisar, irei adorar ter sua companhia querida.
— Só espero não ser um incomodo! – A mais nova murmurou baixo.
— De modo algum, Rin! Pelo amor de Deus, o que a faz pensar que é um incomodo? – Izayoi parecia profundamente magoada. – Eu adoro sua presença em minha casa, já a considero como uma filha então não pense desse jeito. – Izayoi a repreendeu. – Agora venha, vamos para a cozinha tomar um belo café da manhã.
Seu desespero aos poucos desaparecia. De inicio se assustara com a aproximação repentina daquela mulher, mas Izayoi se mostrou ser totalmente diferente daquilo que pensara. Como pudera se sentir intimidada com uma mulher tão maravilhosa como ela?
Sorriu. Balançou a cabeça aceitando o convite de maneira silenciosa e em questão de segundos Izayoi já estava arrastando-a para a cozinha. Confessava que a casa de Izayoi se mostrara tão aconchegante e segura quanto ao seu refugio.
Na cozinha, não pode deixar de reparar na quantidade de coisas que estavam sobre a mesa. Rin estava começando a se arrepender de aceitar aquele convite, como já havia pensado anteriormente: Sua doce vizinha desejava desesperadamente que ela engordasse!
— Fique a vontade, a casa é sua! – Izayoi indicou uma das cadeiras para que se sentasse e Rin o fez.
Agradeceu enquanto a viu caminhar até a pia para apanhar alguma coisa e retornar para a mesa onde já se encontrava acomodada.
— Não tenha vergonha, coma o quanto quiser! – Izayoi sentou-se ao seu lado e lhe ofereceu uma xícara vazia.
— Às vezes penso que quer me engordar com tanta quantidade de comida. – Admitiu, o que fez Izayoi rir.
— Este é o resultado por ter três homens na casa! Só Inuyasha é capaz de devorar esse bolo inteiro sozinho, acredite. – Riu ao mesmo tempo em que cortava duas fatias de bolo caseiro.
Sua doce vizinha lhe ofereceu uma das fatias e ela não recusou. Também, como pudera? Ainda mais com um bolo que literalmente clamava para ser experimentado.
— Tenho certeza que sim! – Rin entrou na brincadeira.
Não duvidava nem um pouco de que Inuyasha fosse capaz de devorar aquele bolo, lembrou-se da ultima vez que se sentara naquela mesa e havia perdido a conta de quantos pedaços de bolo Inuyasha comera naquele dia. Compreendia perfeitamente como era o apetite de um homem, tinha seu irmão mais velho como exemplo disso.
— Falar de Inuyasha me lembrou de algo... – Começou sua vizinha. – Kagome ainda não terminou de fazer a lista de presentes para o casamento, estamos combinando de ir até o Shopping. Não gostaria de vir?
O sorriso largo de Izayoi demonstrava o quanto sua presença seria bem vinda naquele passeio. Rin possuía vontade de acompanhá-las, porém seu receio a impedia. Um louco a perseguia! Imagine como seria sair pelas ruas e se deparar com Suikotsu. Estaria envolvendo não apenas Izayoi, mas Kagome e seus amigos também. Era melhor deixar o passeio para outro momento.
— Eu adoraria, porém não me sentiria em paz em sair e abandonar este meu problema! – Referiu-se a mentira que Sesshoumaru contara. – Me sentiria mais aliviada se fossemos em outro momento.
— Te entendo! – Izayoi pareceu compreendê-la. – Então um outro dia, quem sabe. – lhe direcionou uma piscadela.
A pequena escondeu seu remorso em um sorriso fraco. Céus, Izayoi não merecia escutar tantas mentiras!
— Ah sim, você não me disse como foi sua noite. – Izayoi encheu sua xícara de café e antes de bebericá-lo apreciou o cheiro com os olhos fechados. – Dormiram bem?
Rin sentiu o estomago gelar. Izayoi queria saber como havia sido sua noite com Sesshoumaru? Oh céus, ela entendera tudo errado! O que mais possuía receio havia acabado de acontecer, Izayoi agora estava julgando seu comportamento e imaginando que ela não se portava como uma garota de família. Desviou sua atenção do bolo em seu prato e a encarou, o nervosismo começava a dar os primeiros sinais em suas entranhas.
— Bem... – Não sabia por onde começaria a se explicar. – Antes que pense que aconteceu alguma coisa, quero mantê-la informada de que apenas dormi junto com Sesshoumaru. – Izayoi arqueou as sobrancelhas e Rin percebeu que ao invés de se esclarecer estava se afundando ainda mais. – O que quero lhe dizer é que não houve nada! Eu apenas dormi com Sesshoumaru, não nesse sentido que está pensado, claro! A-Apenas dividi a cama com ele, só isso. E-Então... Por favor, não pense coisas erradas ao meu respeito, eu... É-É a ultima coisa que quero no momento.
Alivio. Era o que sentia quando acabava de desabafar. Não acreditava que estava conversando sobre sexo com sua vizinha, ainda mais quando o assunto envolvia Sesshoumaru, que no caso era seu enteado. De inicio sua vizinha corou, mas sua expressão aos poucos se suavizou como se houvesse entendido o que estava acontecendo. Em nenhum momento Izayoi levara aquilo para algo a mais, sabia perfeitamente que Rin era diferente e que não se permitiria ser tocada de uma forma mais intima por alguém que mal o conhecesse. E ver a expressão preocupada em sua face só fez comprovar ainda mais que Rin preservava sua reputação.
— Não acredito que ficou se martirizando com isso! Em nenhum momento me passou pela cabeça que algo do tipo tivesse acontecido Rin. Jamais pensaria coisas erradas ao seu respeito querida. – O alivio lhe tomou mais uma vez quando escutara aquelas palavras.
Izayoi era uma santa! Ou será que apenas Rin levara as coisas para o outro lado?
— Claro, conhecendo Sesshoumaru como bem o conheço posso afirmar que ele a vê com outros olhos querida.
Seu queixo caiu. As palavras de Izayoi pareciam ecoar dentro de sua cabeça. Não diga que... Sua vizinha notara que algo acontecia entre eles? Raios, onde estava o buraco para se jogar dentro dele? Não sabia onde enfiar a cara. Quem mais além de Izayoi havia percebido isso? Kagome? Inuyasha?
— Bom dia querido. – Izayoi o saudou de imediato.
Lentamente virou o rosto em direção à porta e engoliu em seco quando o avistou. O assunto deu-se como encerrado no momento em que o motivo que as levaram a ter aquela conversa adentrou a cozinha em silencio. A figura forte e imponente de Sesshoumaru se fez presente, não desviara os olhos de seu rosto desde que chegara e aquilo só poderia significar uma coisa: Ele escutara a conversa, ah não!
Rin engasgou-se com a própria saliva e instantaneamente seus olhos lacrimejaram. Tossiu algumas vezes e procurou normalizar a respiração. Maldita hora em que fora engasgar, aquilo era tão clichê. Mas é claro que Sesshoumaru a escutaria, precisava levar em consideração de que ele era um youkai e que possuía a audição melhor que qualquer humano. Ele estava provocando-a, sabia disso. E a pobre Izayoi estava tão absorta em tomar seu café que não percebia a maneira como seu enteado a encarava por cima da xícara de café que estava em frente ao seu rosto inexpressivo. Não sabia dizer o que se passava por sua cabeça, Sesshoumaru não permitia transparecer quaisquer emoções humanas.
Desviou a atenção daquele homem e se deixou corar enquanto levava a última garfada de bolo em direção aos lábios.
— Eu ia te perguntar querida... – Izayoi voltou a falar consigo. – Não está com calor com esse lenço no pescoço? – Indicou com o garfo que segurava o lenço que colocara para esconder as marcas que Suikotsu lhe fizera.
Levou a mão instantaneamente em direção ao pescoço e fitou diretamente Sesshoumaru que estava sentado a sua frente, de maneira cúmplice.
— Não! Não estou! – Sorriu á ela de maneira convincente e Izayoi pareceu acreditar.
Dando de ombros, sua vizinha voltou a dar atenção para sua fatia de bolo.
— Terminou de comer? – Sesshoumaru lhe perguntou, procurando mudar de assunto.
— Hãn?— Rin se tocou de que Sesshoumaru se dirigia a palavra a si e voltou à realidade no mesmo instante. – Sim, por quê? – Pegou-se pensando o porquê da urgência em saber sobre o seu desjejum.
— Porque estamos de saída! – Anunciou ele enquanto voltava a se manter de pé.
Rin o acompanhou com o olhar e franziu a testa confusa. Onde diabos Sesshoumaru pretendia levá-la?
— Mas já? Mal tocou em seu café Sesshoumaru! – Izayoi se intrometeu.
— Rin e eu temos assuntos para resolver e creio que quanto antes melhor! – Trocou olhares com sua humana e ela engoliu em seco quando o escutara.
O olhar que ele lhe lançou explicava tudo. Rin sabia quais assuntos Sesshoumaru se referia, mas não esperava que ele fosse tomar alguma atitude tão cedo. Mal havia se recuperado direito da noite passada.
— Em relação aos ratos, não é mesmo? – Izayoi pareceu compreender. – Sesshoumaru tem razão! Quanto antes resolver esse problema, melhor!
— Este Sesshoumaru está ansioso para livrar-se deste rato!— Rosnou levemente quando se referiu á Suikotsu.
Apenas ela foi capaz de compreender sua indireta. Izayoi não pareceu notar seu rosnado e tampouco seu nervosismo por parte de Rin. Com um aceno de cabeça, Sesshoumaru pediu em silencio para que ela se levantasse. Sem tirar os olhos do youkai, Rin procurou ter forças em suas pernas para obedecer a seu pedido.
— O-Obrigada pelo café Izayoi, o bolo estava ótimo! – Agradeceu-a, pediu aos céus para que sua voz não falhasse naquele momento e que Izayoi não desconfiasse de seu visível nervosismo.
Levantou-se da mesa e caminhou até ela para beijar sua bochecha rosada em sinal de uma breve despedida.
— Que bom que gostou, o próximo que farei será de laranja! – Lançou uma piscadela, o que a fez rir. A maneira como ela falara parecia que esperava ansiosamente sua presença para saborear o próximo bolo que faria.
Afastou-se devagar de Izayoi e o remorso lhe voltou com força total. Querendo ou não estava enganando sua vizinha com suas mentiras e isso a dilacerava por dentro. Sentiu o lábio inferior tremer ligeiramente, a última coisa que queria era envolvê-la. Mas tinha a consciência de que ficando em sua casa já estava envolvendo sua vizinha naquela historia mais do que desejava. Com passos não tão firmes, acompanhou Sesshoumaru para fora da casa e deparou-se com sua Audi estacionada no espaçoso quintal. Seguiu seus movimentos e assim como ele entrou no luxuoso carro.
Quieta, Rin se colocou apenas a observar a rapidez com que a rua passava diante de seus olhos pelo vidro fechado. Seja lá para onde Sesshoumaru pretendia levá-la, Rin possuía uma leve suspeita de que sabia para que lugar ele a levaria e esperava estar errada.
O percurso se fez em completo silencio e ela se pronunciou apenas quando Sesshoumaru fez questão de estacionar ao meio fio e desligar o carro em seguida.
— Onde estamos? – O questionou alarmada. – N-Não me diga que... Ah Sesshoumaru, ligue o carro. V-Vamos embora, por favor.
— Esse é apenas o primeiro passo para a sua liberdade, Rin. – Virou-se para olhá-la nos olhos e procurou tranquilizá-la com seu olhar.
Sim, aquele homem estava certo! Por mais que ela estivesse nervosa diante da atual situação, Rin precisava parar de fugir de uma vez por todas e enfrentar seus medos, só assim conseguiria seguir em frente.
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