Lost soul
1 Epilogo
Notas iniciais
Era uma manhã fria de inverno em Maryland, onde eu moro. Tinha acabado de levantar da cama, e estava caminhando em direção ao banheiro. Lavei o rosto, escovei os dentes e coloquei meu uniforme escolar. Desci os degraus de madeira que rangiam de baixo dos meus pés. Ainda um pouco sonolenta.
Esperei minha mãe colocar o café na mesa, mas isso não aconteceu naquele dia. Nunca mais, na verdade. O corpo dela estava sobre o chão da cozinha, o chá que ela bebia na noite anterior caiu no tapete e se misturou com o sangue ainda quente. A ferida no pescoço feita por um facão de carne, totalmente aberta e os ossos da garganta expostos.
A corda da casa de ferramentas atrás do sobrado principal, não repousava mais na caixa velha de metal, e sim enrolada em meu pai. Geralmente quando alguém é enforcado em filmes, o corpo fica reto e balançando sobre um apoio. Lindo e maravilhoso. Só. Errado. Se a corda tem a medida ideal considerando-se a altura e o peso do condenado, pode ocorrer uma ruptura das vértebrascervicais,provocando a parada da função respiratóriae, assim, uma morte rápida. Por outro lado, se é excessivamente longa, poderá causar a decapitaçãodo condenado. E no caso, a cabeça roxa em um lado do quarto, e o corpo repleto de urina e dejetos do outro. A corda pingava um liquido vermelho sobre a cama, e o que estava no chão em madeira, quase coagulado.
O som do quarto de meu irmão ainda estava ligado. A sua morte teve trilha sonora do Nirvana no fundo. Uma bela musica. O machado que encontrei no porão, agora atravessava o peito do meu irmão e o dividia em dois. E sua camisa não estava suja, somente porque ele não usava roupa no momento. Mesmo que seu coração havia parado, os olhos estavam focalizados em mim. De todos os cômodos da casa esse foi o que ficou mais colorido em vermelho. Os tapetes, as paredes, o guarda roupa e até mesmo o teto. Tudo isso porque ele reagiu, e tentou fugir de sua querida irmã. Um garoto tão bonito, de apenas dezessete anos, morto em seu quarto depois do banho, com apenas uma toalha presa em volta da cintura.
E por fim, mas não menos importante. Jenna, minha melhor amiga. Sentada na área de entrada, na frente da porta principal. Varias facadas na área das costas. Treze para se exata. Seus pulsos e braços roxos de lutar para se defender. Mas fazer o que se eu sou forte? A arma do crime que usei para mata-la estava jogada a alguns centímetros de distância. Não me importo. Os livros e apostilas da escola que Jen trazia nas mãos, agora impossíveis de serem lidos, pois as manchas se sangue eram tantas, que bloqueavam a visão. Seus cabelos lisos e loiros nunca mais seriam penteados novamente e o laço branco que ela usava para prender uma mecha voou através da fina neve que caia naquele dia solene.
Abri a porta de casa, pulei o corpo de minha amiga em direção à rua. Ignorei a sirene que tocava atrás de mim. Ele não tem nenhuma prova contra mim. Afinal, não fui eu quem os matou.
A neve havia engrossado, e quanto mais eu andava, mais as pegadas ensanguentadas apareciam. E por um breve momento, tive vontade de parar e voltar correndo. Olhei para trás. Mas voltei ao meu rumo de antes. Uma hora aquelas pegadas iriam sumir certo?
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