Lost in Love

5 CAPÍTULO V - Forever


Notas iniciais
Oi oi! ;-; Desculpinhas adiantadas por uns 8 meses sem postar? Tive contratempos, muitos deles e não conseguia finalizar esse capítulo! Perdoem a tia aqui por favorzinho! T_T Me assusto fácil e sou muito ansiosa e passei por uma situação um pouco traumática e fiquei quase três meses sem vontade nenhuma de escrever e fazer outras coisas que gosto muito. Meu desempenho na faculdade caiu um bocado e o resultado disso foi ter que estudar dobrado além do acumulo de provas/trabalhos até o fim do semestre. Enfim quando entrei de férias, viajei e fiquei sem meu computador quase o mês todo só retornando hoje. Espero que possam compreender e me perdoar por esse atraso imeeeeenso! ç.ç As músicas para esse capítulo são: Misery - Maroon 5 | Link: https://www.youtube.com/watch?v=nvBR_aKU7tc Forever - Kiss | Link: https://www.youtube.com/watch?v=pHnkMlCOl50 Espero que gostem! Boa leitura!

FOREVER

5 da manhã e o despertador tocava alucinado aumentando minha vontade de ensiná-lo a voar pela janela. Levantei-me a contragosto e fiquei o mais apresentável possível para ir trabalhar, já que haveria uma reunião sobre os projetos mais recentes. No meu dicionário, reunião significa "sessão de tortura com Hanabi Hyuuga".

A maldita encrenqueira está cumprindo a promessa de me infernizar sem pestanejar e se era me deixar a beira da insanidade o que ela queria, estava conseguindo. Quase seis meses sem saber onde ela estava se escondendo de mim, ouvindo o quanto ela está se divertindo com seus novos amigos e conhecendo novos caras. Quase seis meses com medo de nunca mais poder vê-la. E o pior de tudo, quase seis meses que ela partira para me esquecer, seis meses de oportunidades para achar alguém para me substituir.

"Ela está deixando você para trás."

A voz de Hanabi repetia debochada e insistente ás vezes em minha imaginação e outras vezes ela vinha me dizer pessoalmente só para se divertir com meu sofrimento e mostrar-me o quão egoísta eu fui com Hinata e seus sentimentos. Eu estava enlouquecendo só com a possibilidade de outro alguém na vida dela fazendo-a feliz no meu lugar nesse momento e me questionava todos os dias enquanto bebia como um louco como ela aceitara um ano inteiro as minhas desculpas estúpidas por estar com outra? Precisei de cinco meses e dezenove dias para entender que quando realmente se ama alguém, se extrapola todos os limites por amor e não deixa seu coração desistir, mesmo que as feridas de amor se tornem cada vez mais fundas e dolorosas.

Como suportar essa dor ainda era uma questão a ser respondida. Descobri há muitos meses que esse tipo de ferida não é do tipo que cicatriza, é do tipo que a bebida ameniza a dor. No entanto, acabar com uma garrafa de uísque inteira e culpar e acusar sua ex-amante na festa de noivado dela com seu amigo não é um ideal de suporte, é apenas pedir para apanhar de um noivo corno e furioso.

* FLASHBACK ON *

– Parabéns aos noivos! — eu disse embriagado — Mas, Sakura por favor não venha querer acordar na minha cama outra vez se ele for embora de novo... não... não... eu só tenho olhos para Hina!

– Do que você está falando Naruto? — Sakura se fez de desentendida em um tom decididamente desesperado.

– Você sabe do que estou falando Sakurinha! — eu soltei um riso sarcástico.

– Naruto! Pare de falar asneiras antes que eu vá até aí quebrar a sua cara! — Sasuke rosnava para mim colocando-se a frente de Sakura.

– Se eu for analisar bem meu velho amigo, a culpa é toda sua de Hinata não estar mais comigo! — Coloquei o dedo no peito de Sasuke enquanto falava.

– O que eu tenho a ver com a sua vida ruim seu perdedor? Se a mulher te deixou é porque você é um imbecil, frouxo e fracassado! — ele me empurrava enquanto gritava furioso.

– Você está confundindo as coisas grande senhor Uchiha, — eu disse com todo sarcasmo que pude — você pode se achar superior porque seu sobrenome vale algum dinheiro por aí, mas o único frouxo em toda a festa é você! — Comecei a rir descontroladamente e olhei para Sakura com o maior desprezo que consegui juntar. Eu estava realmente puto.

– O que você sabe que eu não sei Naruto? — Sasuke ergueu uma sobrancelha em desafio enquanto Sakura ficava visivelmente mais desesperada.

– Eu posso ter sido usado por ela, mas pelo menos não fui corno! — Sorri vitorioso enquanto Sakura quase desmaiava e Sasuke me dava um soco que não pude desviar.

– Você — está — mentindo! — ele dizia enquanto tentava se soltar das mãos do irmão e de um outro convidado que o seguravam com certa dificuldade.

– Faça as contas maldito! — gritei limpando o sangue que escorria em meu supercílio — Nós dois fomos manipulados! Onde você acha que ela estava quando ela não te atendia depois das brigas? Plantão no hospital? — eu ri secamente — eu posso ser um grande imbecil, mas para um Uchiha você é bem estúpido.

– Já chega Naruto. — Itachi me fuzilou com o olhar afastando-me dos noivos enquanto outras pessoas seguravam um Sasuke insano.

– Certo. — dei de ombros e caminhei decidido em direção a saída — Apenas faça seu irmão entender que eu nunca soube que era ele, eu só sabia que havia alguém. No fim das contas ele mereceu os chifres por deixá-la esperando tanto tempo do mesmo jeito que mereci perder Hinata por ser um grande cretino.

* FLASHBACK OFF *

Cada vez que via meu rosto em algum reflexo ou sentia dor eu me recordava do meu pequeno vexame e ficava impressionado por me lembrar de tantos detalhes depois te ter reduzido a vida útil do meu fígado consideravelmente.

Eu não precisava chegar tão baixo a ponto de arruinar o futuro de Sakura com Sasuke, mas ela foi uma completa cretina dissimulada todas as vezes que tentei terminar, inclusive quando fui à sua casa para colocar um ponto final definitivo em toda essa confusão após a fuga de Hinata.

"- Eu queria mesmo ver você outra vez. — ela disse maliciosa — Uma última vez — ela sorriu — para uma despedida. — Completou sedutoramente próxima.

– Despedida? — ergui a sobrancelha em questionamento.

– Vou me casar Naruto. — Ela foi direta.

– Adeus. — Foi tudo que eu disse e essa foi a última vez que nos vimos antes de Sasuke em pessoa ressurgir do além e me convidar para sua festa de noivado com ninguém menos que a dita cuja."

Isso foi como dizer que eu havia sido usado, largado e que a perda de Hinata não representava nada para ninguém além de mim. Eu estava sendo convidado a ver Sakura subindo no altar com o maior babaca do mundo rumo a felicidade enquanto eu estava ali, sozinho e miserável por causa deles. Porque apenas eu era culpado por tudo? Sasuke foi embora sem importar-se com Sakura enquanto ela também sumiu do mapa sem importar-se comigo e quando tudo finalmente ia bem com Hinata, a cabelo de chiclete volta louca por mim e me faz perder o amor da minha vida enquanto o dela está de volta implorando por perdão. Isso me deixava realmente puto e sem nenhum remorso por cada palavra dita. A vingança de alguma forma valeu a pena, mesmo deixando marcas temporárias e a constatação de que mereço o troféu cego do ano sinto que minha alma está lavada e Sakura com suas mentiras estão no passado junto com minhas próprias mentiras.

Olhei meu olho ainda inchado e roxo no espelho uma última vez e parti para o escritório rumo a sessão de tortura e humilhação do dia. Após quase uma hora de espera pelo início da reunião no penúltimo andar decidi perguntar a Moegi no andar superior se a louca havia mudado o local de reunião e para minha surpresa Hinata, ou melhor, o vulto de Hinata acabara de adentrar o infer... o escritório de Hanabi.

– Sr. Uzumaki? — ouvi uma voz feminina chamando-me.

– Aquela era Hinata? — perguntei esquecendo-me de qualquer outro assunto.

– Sim sen... — antes que Moegi pudesse terminar de falar eu já estava girando a maçaneta da porta do escritório e entrando para ver Hinata com meus próprios olhos.

Lá estava ela com os cabelos negros e ainda mais longos, a pele alva, os lábios avermelhados e os olhos cor de pérola contrastando com a aparência similar da irmã que me olhava furiosa ao seu lado. Por um momento seus olhos revelaram surpresa ao me ver e em seguida tudo o que pude ver foi uma parede de gelo sólido se formando entre nós dois. Hinata ainda era a mesma, mas algo estava diferente.

– Você voltou. — Eu disse quase aliviado.

– A reunião será realizada amanhã às oito horas para discussão dos projetos Naruto, os demais assuntos serão tratados após as decisões da diretriz. — Hinata disse gentilmente, mas resoluta e foi minha vez de ficar surpreso já que eu esperava ser expulso de um modo bem menos educado e por Hanabi.

– Eu preciso falar com você. — Respirei fundo ignorando o que ela havia pedido implicitamente.

– Lamentavelmente estamos ocupadas nesse momento Sr. Uzumaki. — Dessa vez quem se pronunciou foi Hanabi. — Talvez em um momento mais oportuno, talvez nunca se não retirar-se dos meus aposentos nesse momento. — Ela sorriu forçadamente.

– Eu só saio daqui quando você disser que vai falar comigo. — Ignorei as ameaças de Hanabi e me aproximei de Hinata que recusou um ou dois passos.

– Do meu ponto de vista não temos o que conversar, mas se é o único jeito de você me deixar em paz... — Ela disse impaciente sentando-se de costas para mim. — No almoço conversamos.

– Vou ficar esperando então. — Fui em direção a porta ouvindo Hanabi fazer algum comentário maldoso e humilhante sobre meu olho roxo quase sorrindo de satisfação e alívio.

Meu cérebro havia parado em um universo chamado Hinata. Eu não consegui trabalhar, pensar, comer ou falar nas quatro horas que faltavam para vê-la novamente e até mesmo respirar estava sendo uma tarefa difícil. Todos os meus pensamentos, ações e emoções estavam voltados nela e eu estava completamente ansioso como um adolescente que vai convidar uma garota para sair pela primeira vez.

Em um momento o tempo também parecia parado e em outro já era hora do almoço e ela estava na porta do meu escritório atrás do muro invisível que construíra esperando e agindo com a mesma arrogância que todos os outros Hyuuga que eu tive o desprazer de conhecer, uma qualidade que na minha opinião não combinava com sua aparência angelical e o jeito doce.

– Prefere almoçar onde? — Perguntei ignorando a insegurança.

– Não faz diferença. Podemos conversar na sua sala mesmo. — Respondeu-me em uma postura defensiva.

– Podemos ir naquele restaurante duas ruas abaixo. — Ela apenas acenou de modo afirmativo com a cabeça e saiu em direção ao elevador comigo logo atrás.

– O que aconteceu com o seu olho? — Ela perguntou casualmente adentrando o elevador vazio.

– Te digo se me contar onde esteve de férias. — Respondi maroto.

– Isso não é um jogo de perguntas e respostas Naruto, foi só uma pergunta à toa. — Ela revirou os olhos e olhou para o lado oposto encontrando meu reflexo no espelho.

– Hinata... — comecei sem saber exatamente o que dizer — você faz tanta falta... eu fui tão... — sem palavras encontrei seus olhos no reflexo encarando-me de um jeito frio e distante.

– Não importa o que você tem a dizer — ela virou-se ainda me encarando friamente — não importa o que você sente ou acha. Deixei claro naquela carta que fugi de você, mas é melhor também esclarecer que não estou de volta por você e tampouco acho que temos algo conversar.

Faltavam apenas dois andares e as portas do elevador se abririam em instantes e tudo o que pude pensar foi em prensá-la em uma das paredes e colar sua testa a minha para tentar demonstrar com gestos o que palavras não poderiam dizer, no entanto, antes que eu pudesse dizer ou fazer algo fui empurrado ganhando um tapa no lado do olho roxo e uma Hinata furiosa comigo que saiu como um furacão do elevador e desapareceu por uma das ruas de Tóquio deixando-me completamente atordoado.

Enquanto eu não sabia onde Hinata estava, pensar em sua volta causava-me ansiedade e fazia-me pensar que de alguma forma ela perdoaria meus erros e então poderíamos recomeçar e seria o fim do meu inferno. Doce engano.

As semanas se passavam, reuniões iam e vinham e tudo o que eu tinha dela era o desprezo e todas as minhas tentativas de conversar eram frustradas ora pela acidez de Hinata, ora por algum infortúnio qualquer.

O que mais me surpreendia em toda a situação é que nada estava como antes. Bem... quase nada, já que Hanabi continuava um inferno como o habitual, mas Hinata era outra. Ela parecia mais segura de si, mais extrovertida com as outras pessoas e, se é que era possível, ainda mais linda.

Já faziam quase outros seis meses desde sua chegada e ela não dirigia a palavra a mim para algo que não fosse profissional e isso estava me deixando louco. No inicio eu preferi dar espaço, esperar que seu muro de frieza para comigo fosse lentamente desfazendo-se, mas não aconteceu e agora tudo o que eu queria era surpreendê-la e não deixar alternativas para que ela escapasse de algum modo, mas eu já não tinha seu telefone pessoal, seu endereço ou sua atenção. Eu não tinha nada, nem chances.

Para me tornar ainda mais miserável, Hanabi obrigou-me a trabalhar no dia do meu aniversário e se as coisas estavam ruins, descobri que elas podiam piorar com um simples cartão de aniversário.

Em cima da mesa um envelope com a caligrafia exageradamente rebuscada do demônio dizendo "De Hyuuga Hanabi para Uzumaki Naruto com cumprimentos do outro".

O que diabos significa isso?

Foi meu único pensamento antes de abrir o envelope e encontrar uma foto de Hinata e um ruivo quase se beijando no meio de uma multidão com o dizer "PARABÉNS!" rabiscado atrás da fotografia e um bilhete que dizia:

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"O melhor presente que eu poderia lhe dar é você descobrir quem é outro e perceber que o amor dela não é mais só seu. Feliz aniversário!

Hanabi"

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Como quando ela se foi, novamente, eu não soube o que fazer. Talvez seja muito sentimentalismo para um homem, mas meu coração acabara de ser reduzido a nada de forma brutal. Fiquei sentando por algum tempo apenas imaginando se o que houve entre eles fora forte o suficiente para apagar o nosso amor. Perguntei-me um milhão de vezes em um minuto — "Será que ela ainda me ama?"

Percebi então que era uma pergunta como essa que ela se fazia todas a noites enquanto eu provavelmente estava com Sakura, mas no caso dela ela algo como "será que ele realmente me ama?" Talvez a presença de Hanabi parecesse o paraíso comparado ao inferno em que eu havia sido jogado nesse momento e eu nem mesmo saberia dizer o que eu estava sentindo.

Raiva? Desilusão? Mágoa? Infelicidade? Tristeza? Dor? Ciúme? Ressentimento?

Eu não saberia dizer se era um ou dois ou todos juntos. Algo como a escuridão me tragava para o fundo de um poço e me sufocava. E agora eu entendia como era querer fugir desesperadamente para longe dessa escuridão e percebi que eu não poderia, nem deveria.

Hinata esteve na escuridão por muito tempo e agora era minha vez. Eu só desistiria se ela dissesse que não me amava mais, que todo o amor sumiu e que eu não significava mais nada em sua vida. Eu só jogaria a toalha se ela disse com todas as letras que eu havia sido de fato substituído.

Respirei fundo tentando deixar todas as coisas ruins em meu escritório, levando comigo apenas o infeliz cartão de aniversário para confrontá-la em seu escritório com a esperança de recuperar seu amor e sua presença em minha vida.

Segui para o escritório de Hinata e pedi para que sua secretária me anunciasse e com sua permissão fui convidado a entrar na sala. Ela abriu a porta, quase um ser celestial de tão linda, e apontou para uma das cadeiras.

– Eu não quero me sentar Hinata, quero conversar com você. — Fui direto.

– Estou ouvindo. — Ela disse indo em direção à sua cadeira atrás da mesa, mas eu a impedi segurando seu pulso.

– Você realmente me esqueceu? — Perguntei forçando seus olhos a encontrarem os meus.

– Se for para isso que você veio, pode se retirar Naruto. — Ela tentou soltar-se. — Até porque aqui não é lugar para discutir o passado.

– Então onde deveríamos discutir o passado? Pelo telefone? — ri sarcástico — Me dê seu número! Ou então na sua casa talvez? Me dê o endereço! — falei alterado. — Apenas pare de fugir!

– Para quê? Você aparecer as três da madrugada quando ela estiver ocupada e você ameaçar derrubar a minha porta? — ela gritou furiosa — Pra você dormir comigo como uma qualquer e no outro dia não estar lá? — ela me empurrou bruscamente até a porta — Não Naruto, obrigado!

– Apenas pare com todo esse orgulho e me responda! — Segurei-a pelos dois braços aproximando nossos corpos no limite — Você me esqueceu? Você achou outro alguém para me substituir? Você está apaixonada por outra pessoa?

– Mesmo que eu diga não, não significa que eu ainda te ame. — Ela respondeu mantendo os olhos fixos nos meus.

– E mesmo assim, também não significa que não me ama. — Eu aproximei nossos rostos quase beijando os lábios carnudos e rosados, mas não queria estragar tudo outra vez.

– Saia daqui por favor. — Ela suplicou num sussurro cansado procurando distanciar-se.

– Eu não vou desistir de você Hina. — Encarei suas orbes peroladas.

– Você teve as suas chances e desperdiçou. Apenas aceite que acabou Naruto... é o melhor para você e para mim. — Ela voltou a erguer suas muralhas.

– Eu vou te provar que mudei Hinata. — Me aproximei abraçando-a — Vou provar que você faz toda diferença em minha vida e vou te provar o meu amor por você. — Sussurrei em seu ouvido e por um mísero segundo senti seu corpo estremecer.

Era tudo o que eu precisava: um sinal.

Resisti à vontade de beijar sua testa e me retirei de seus escritório para o meu. Me joguei atrás da mesa e me perdi em mim mesmo e na minha confusão de sentimentos imaginando uma estratégia para penetrar suas defesas e sair vitorioso da nossa guerra de corações partidos.

Depois de muito refletir cheguei a conclusão de que a foto de Hinata com um desconhecido não significava nada, apenas que Hanabi queria me infernizar como de costume. O homem ruivo nunca deu sinal de sua existência e Hinata nem mesmo chegou a mencioná-lo em nossa conversa, portanto o caminho estava livre para que eu a reconquistasse.

Tudo o que eu precisava era de um momento a sós com Hinata em um lugar que não fosse a empresa e como se uma lâmpada fosse acessa sobre minha cabeça, percebi que esse lugar era a casa dela, que agora era minha casa e em breve se tornaria o nosso lar.

Duas semanas fora o tempo que levei para planejar como eu imploraria por seu perdão, declararia o meu amor e juraria ser para sempre dela e apenas dela.

Meu plano tinha grandes probabilidades de sucesso: eu ligaria para um conhecido na corretora quase no horário de almoço da secretária e diria que o "novo dono" achou alguns pertences pessoais de Hinata em seu antigo apartamento e que gostaria que ela fosse buscá-los com urgência hoje pois iria sair em viagem. Akami não estaria para passar o recado e eu gentilmente iria avisar pessoalmente em seu escritório já que estava a caminho de lá. Hinata não suspeitaria, logo não faria perguntas.

O relógio mal marcava 13:00 horas e eu já havia ligado para a corretora e voado em direção ao elevador para o andar de cima. Akami levantava-se de sua mesa e o telefone tocou fazendo-a sentar-se novamente para anotar o recado.

– Boa tarde Akami, Hinata está? — perguntei com o coração disparado pela adrenalina.

– Está em reunião Sr. Uzumaki. Se quiser pode aguardá-la aqui fora ela não deve demorar muito mais. — Akami pegava sua bolsa para ir em direção aos elevadores.

– Certo. Vou aguardá-la aqui então. — Sorri gentil e acenei quando a porta dos elevadores finalmente fecharam-se levando a secretária para longe.

Sem perder tempo bati na porta do escritório e adentrei o local antes que ela pudesse responder ao chamado, falando sobre o recado urgente que Akami "pedira" para passar.

"Hina, Akami saiu para almoçar e disse que sua corretora ligou pedindo que você fosse a sua antiga casa ainda hoje pois o dono precisa devolver algo que você esqueceu..."

Duas semanas de sonhos destruídas em dois minutos.

Hinata tinha as duas mãos seguras pelas mãos do homem ruivo da foto que Hanabi me mandara e estava radiante com algo que ele falava sorrindo. No mesmo momento em que nos vimos uma onda de raiva percorreu meu corpo e percebi estar sendo analisado pelo homem e que Hinata parecia surpresa e desconcertada.

– Desculpem a interrupção. — Eu disse muito sério.

– Já acabamos aqui. — O ruivo respondeu educadamente em um inglês esquisito e olhou de mim para Hinata de um modo estranho.

– Gaara este é Uzumaki Naruto, meu gerente de projetos. — Ela nos apresentou recompondo-se rapidamente à surpresa de minha presença — Naruto, este é o engenheiro Gaara.

– Como vai? — ele estendeu a mão em cumprimento.

– Eu só vim fazer o favor que Akami pediu e dizer que vou precisar tirar o resto do dia de folga. — Limitei-me a um aceno de cabeça ao homem em minha frente e sem esperar uma resposta por parte de Hinata bati a porta com força.

Eu estava em choque assim como da primeira vez quando ela sei foi deixando apenas um carta. Hinata já não precisava me dizer com todas as letras para que eu desistisse de seu amor, ela me mostrou que eu deveria desistir com um momento que se tornara uma lembrança vívida dela sorrindo para outro alguém repetindo-se incessantemente em minha cabeça.

Depois de alguns minutos percebi estar parado no mesmo lugar desde que fechei a porta completamente perdido sentindo novamente aquela dor.

A dor de perceber que ela já não estava ao meu alcance.

Sem saber exatamente o que fazer segui em passos lentos novamente para o elevador e praticamente soquei o botão. Enquanto eu aguardava as malditas portas se abrirem para eu enfim poder ir encher a cara e apagar Hinata de meus pensamentos por algumas horas a presença silenciosa do engenheiro ruivo fez-se presente ao meu lado.

– Gostaria que você me acompanhasse em uma bebida. — O maldito falou como se me convidasse para uma proposta de negócios enquanto mais uma vez me analisava.

De repente uma batalha apocalíptica travou-se em minha mente obrigando-me a escolher entre quebrar o nariz do tal Gaara com um soco ou ignorar sua petulância. Eu ainda estava sóbrio e optei pela segunda opção.

– Eu insisto na bebida Naruto. — Gaara voltou a falar em seu inglês esquisito. — Gostaria de conversar com você de homem para homem. — Ele olhou-me friamente.

– E eu insisto em recusá-la já que não temos nada a conversar. — Retribuí seu olhar.

– Mesmo que o assunto de nossa conversa seja Hinata? — Ele perguntou sorrindo ao constatar um ponto de pressão.

– Apenas seja direto e diga o que deseja. — Falei rispidamente.

– Se você prefere assim... — Ambos adentramos o elevador e ele apertou o botão com destino ao térreo. — Levando em consideração que Hinata ainda sente algo por você e sua reação ao vê-la comigo hoje, eis minha proposta para você Sr. Uzumaki: resolva sua situação de uma vez por todas com Hinata e na hipótese de ela aceitá-lo de volta, eu serei para ela apenas uma lembrança feliz de sua estadia em Cancun. Do contrário, eu a pedirei em casamento e a lembrança será você.

– E ela simplesmente irá aceitar se casar com você? — Usei meu melhor tom de deboche para aplacar o desespero crescente em minha alma.

– Se você desistir não será difícil convencê-la. — O ruivo esboçou um sorriso vitorioso.

– Por que está fazendo isso? — Perguntei abalado com suas últimas palavras.

– Porque acredito no amor e ela merece acreditar também. — Ele respondeu simplesmente e assim que as portas do elevador se abriram desapareceu silenciosamente por elas.

Segui para subterrâneo e praticamente joguei-me no carro deixando o momento confuso com o estrangeiro no elevador tomar posse de meus pensamentos. Eu esperava provocações que me tirassem do sério assim como Hanabi sempre fazia, mas ganhei um ultimato com uma atitude absurdamente nobre. O desgraçado me fez engolir meu orgulho ao aceitar sua proposta e ainda me faria implorar pelo amor de Hinata uma última vez.

Enquanto eu dirigia sem rumo pela cidade em minha cabeça haviam esperanças de um sentimento que ela jamais alimentou após sua volta de Cancun. E o pensamento que dominava minha mente é que ela já não estava mais sozinha e talvez eu não significasse absolutamente nada para era e a culpa disso era totalmente minha.

Novamente o que me restava eram apenas silêncio, lembranças e bebida em um apartamento repleto de solidão pensando em como não perdê-la para sempre.

"Não há nobreza maior do que a prática do amor."

– Autor desconhecido

Notas finais
Nesse capítulo além da volta da Hina e o reencontro do casal eu também quis retratar muito do que o Naruto estava sentindo com o chá de sumiço que ela deu nele e aproveitar para mostrar o lado negro do loirinho depois de beber um pouco demais. Sasuke é um corno mesmo e não adianta chorar, aqui é universo paralelo! e_e Eu queria deixa implícito que Naruto e Sasuke eram sim amigos, mas o Uchiha foi dar um rolé por aí e desapareceu largando a Sakura (que teve seus sumiços pelo mundo também) pra chorar no ombro do Naruto. Quando finalmente o Naruto se acha com a Hina ele se deixa trair por seus antigos sentimentos colegiais. Clichê? Eu sei, mas de vez em quando é bom! :P Hanabi promete, Hanabi cumpre! ^-^ Ela é mesmo uma diabinha não é? "E como ela arrumou a foto?" Afanando é claro! Essa mão leve da Hana pegou a foto quando a Hina deu mole! u.u E por fim o momento em que eu destruí o coração do pobre loirinho arrependido ao dar de cara com sua amada Hina e o ruivo compartilhando um momento feliz. Queria passar que o impacto dessa visão deu um pouco do que a Hina experimentou quando descobriu sobre a Sakura. Gaara pôs uma saia justinha no Naruto com essa história de casamento para mostrar que do amor da sua vida não se desiste tão fácil! hahah Eu espero que gostem do capítulo! Mais uma vez desculpem o atraso! :/ Até o capítulo final de Lost in Love leitores/leitoras! Obrigado pela paciência!