Lost in Love
3 CAPÍTULO III - Paradise
Notas iniciais
CAPÍTULO III — PARADISE
(Paraíso)
Minhas primeiras semanas em Cancun foram cheias de lembranças, mágoas e apenas caminhando pela praia sendo traída por minha mente que insistia em lembrar-me dos olhos azuis que tanto me atormentavam e foi em um desses devaneios, que deixavam-me muitas vezes absorta do mundo a minha volta, que conheci alguém espetacular.
Esbarrei em um homem que fotografava pessoas a beira mar, seu nome era Sai e ele era um pintor/fotógrafo local que morava com sua noiva nos arredores da Praia de Tortuga. Passamos horas a fio conversando sobres coisas diversas, inclusive sobre sua noiva, a florista Ino. Não tardou para que fossemos apresentadas e quem iria imaginar que um dia eu encontraria a versão feminina de Naruto? Loira, olhos azuis, sorridente e tão extrovertida que contagiava quem estivesse por perto. Mesmo que ela fosse como uma lembrança viva de Naruto, não houve um impacto negativo sobre mim, não só pelas tequilas que tomamos juntas por aí, mas também pelos laços de amizade que criamos com o passar das semanas.
Já Sai era uma pessoa mais reservada, mas muito divertido com suas piadas bobas e pude ver que era fascinado pela noiva cada vez que olhava para eles juntos. Entretanto, foi quando vi algumas das fotografias de Sai que percebi que Ino era mais que seu amor, ela era a sua musa inspiradora, pois todas as fotos que não tinha Ino como modelo lembravam algo sobre ela e algumas pareciam ter vida própria e querer sair do papel para misturarem-se às paisagens e pessoas em Cancún, assim como o jeito único que Ino tinha que conquistava as pessoas.
Passei um bom tempo convivendo com eles aprendendo coisas novas e aprimorando algumas outras que eu não me permitia antes. As novidades começam com Ino ensinando-me a fazer buquês e o nome de várias flores que eu nunca havia visto na vida e seguem-se com Sai me ensinando um de seus ofícios: pintura, algo que foi divertidamente desastroso! Sem perceber eu tinha aprendido com eles a melhorar meu convívio social e durante algum tempo eu só sabia fazer flores, pintar, mergulhar na imensidão azul que era a Praia de Tortuga e algumas vezes sair para me divertir a noite e sentir-me desejada pelos olhares dos homens de Cancun. Eu finalmente dei uma chance a mim mesma e me permiti ser uma pessoa diferente.
Ino fez questão de fazer um guia turístico completo comigo e mostrar-me a infinidade de coisas belas que aquela pequena praia em Cancún possuía e posso dizer que uma das coisas mais bonitas que conheci, se deve à visita que fiz ao irmão e a cunhada de Ino do outro lado da praia alguns meses depois de minha chegada.
Shikamaru e Temari moravam em uma casa de arquitetura moderna no ponto mais alto da praia, de onde dava para ver toda a extensão da área. Quando chegamos eles discutiam por algo que logo foi esquecido pela presença de Ino comigo, a intrusa.
– Vocês nunca param de brigar? — Ino escandalizou entrando sem cerimônias na casa me puxando junto para dentro.
– E você nunca perde essa mania problemática de entrar sem ser convidada não é? — um rapaz moreno de cabelos com cara de sono falou tranquilamente.
– Nunquinha! — ela respondeu dando de ombros — Essa aqui é a Hinata, está de férias em Cancun.
– Muito prazer, eu sou Temari e esse é o imprestável do meu marido Shikamaru! — Eu tô aqui sabia? — Shikamaru disse fingindo revolta e todos riram.
– Muito prazer. — Sorri um pouco desconcertada. — A casa de vocês é muito bonita! — disse olhando mais atentamente para a construção.
– Obrigado. — Temari respondeu com os olhos brilhando — Meu irmão quem a projetou e eu e Ino decoramos.
– Vocês tem muito bom gosto! — sorri e fui convidada a conhecer o resto da casa enquanto Shikamaru foi atender a porta.
Nos poucos minutos que estive em um tour pela casa, apesar de ser uma completa desconhecida fui muito bem tratada por Temari que insistiu para que eu e Ino ficássemos mais tempo e esse convite foi o motivo de eu ter a visão mais bela de toda Cancun até aquele momento.
Ao descer as escadas de volta para o primeiro andar deparei-me com um homem de beleza exótica, com raros cabelos ruivos e olhos muito verdes que deixaram-me vidrada por um segundo inteiro fazendo com que minhas bochechas ruborizassem. Fomos devidamente apresentados por uma Ino um pouco eufórica que fez questão que nos sentássemos juntos para "jogar conversa fora" com Shikamaru fora enquanto ela e Temari preparavam petiscos. Pelo visto um segundo foi o suficiente para que os olhos de Ino captassem algo.
Gaara. Um nome lindo para um homem lindo — Ruborizei com esse pensamento, mas logo minha tenção desviou-se para Shikamaru que falava comigo.
– Então Hinata — Shikamaru iniciou a conversa — de onde conhece minha irmã?
– Nos conhecemos há pouco tempo na floricultura dela.
– Imaginei que você fosse alguma amiga de Ino fazendo turismo por aqui que resolveu visitá-la.
– Acho que podemos colocar dessa forma... — falei divertida — alguém que trombou com um fotógrafo ambulante por acaso e visita a noiva dele todos os dias porque viramos amigas de primeira se encaixa no que você disse.
– Ah! Aposto que Sai tira pelo menos uma fotografia de vocês por dia para poder tentar pintar depois! — Shikamaru gargalhou com minha careta assustada de afirmação.
– De onde você é Hinata? — a voz grave de Gaara pronunciou-se na conversa e desviou completamente minha atenção para seus orbes verdes.
– Vim de Tóquio. — Respondi sentindo-me analisada e um calafrio percorrer meu corpo em resposta.
– Vocês são naturais daqui? — perguntei tentando manter a conversa.
– Qua-se t-odos nós. — Shikamaru respondeu em meio a um bocejo — O Sai é meio japonês e meio francês... Deu para perceber que ele não é daqui né? Branco feito papel! — o moreno riu novamente e dessa vez eu ri junto.
– Você fala como se fossemos muito menos brancos do que ele... — Gaara erguera uma das sobrancelhas* sorrindo em tom de deboche.
– Acho que sou tão branca quanto o Sai. — Disse analisando meus braços e rindo junto dos demais.
– Quem se importa com isso afinal? — Shikamaru disse revirando os olhos encerrando o assunto.
– O que você faz em Tóquio Hinata? — Gaara questionou voltando a sua expressão séria.
– Sou arquiteta de uma grande construtora. — Respondi e uma nota mental para ligar para Hana de duas semanas atrás veio à minha mente. — Droga! — eu disse sem perceber.
– O que foi? É uma informação ultra-secreta? — Ino vinha da porta cozinha estilo americana rindo da minha cara com alguma especiaria mexicana que eu desconhecia.
– Não.. não — respondi completamente vermelha — eu me esqueci de ligar para minha irmã na semana passada e ela vai me matar por eu não ter dado notícias ainda.
– Não seja por isso, pode usar o telefone aqui de casa. — Temari que também se fez presente na sala de estar pegou o telefone gentil.
– Não precisa, muito obrigada! Hana deve estar na empresa agora e vai querer que eu mande um monte de fotos e fofocar por umas duas horas. Vou tentar me lembrar de ligar quando chegar no hotel!
– Falando em fotos... nós deveríamos tirar uma agora! — Ino disse dando pulinhos animados e todos riram. — Pode acabar virando uma ótima pintura!
– Eu tiro a foto! — a voz de Shikamaru foi ouvida e todos riram enquanto ele pegava a câmera.
– Nada disso! — Ino gritou pegando a câmera das mãos do irmão e fez todos apertarem-se no sofá para que ela pudesse tirar, em suas palavras, uma "recordação decente".
Tiramos muitas fotos para que Ino ficasse contente, comemos, conversamos besteiras e a noite chegou voando. Por três horas inteiras aquele dia, nem por um único minuto Naruto passou por minha mente, porque os olhares de Gaara estavam preenchendo-a.
– São quase 21:00. — Ino disse assustada ao olhar o relógio. — Tenho que encontrar o Sai na praia ainda, vamos ter um jantar romântico hoje — ela disse sonhadora — você se importaria de ir sozinha ao hotel hoje Hina?
– Não, claro que não! — respondi despedindo-me de Temari, Shikamaru e Gaara. — Foi um prazer conhecê-los! — disse gentil.
– Se quiser eu posso levá-las. — Gaara disse olhando de Ino para mim. — Deixo Ino na praia e te levo até o hotel, afinal é perigoso andarem sozinhas por aí a noite.
– Tudo bem. — Falei tímida e ouvi um "Então vamos!" de uma Ino animada e pude ver um sorriso de canto de um Gaara envergonhado.
Pude ver um sorrisinho suspeito nos lábios de Ino e Temari e um revirar de olhos de Shikamaru, no entanto apenas segui Gaara e Ino até o carro, onde a loira tratou de sentar-se no banco de trás deixando-me ao lado do ruivo na frente, o que me fez pensar que ou Ino estava praticamente me jogando (outra vez!) em cima de Gaara ou eu havia bebido e estava imaginando coisas... O percurso até a praia fora rápido e logo éramos apenas Gaara e eu e um clima estranho.
– Em qual hotel você está? — o ruivo quebrou o silencio.
– No Hard Rock. — disse tímida e vi Gaara tomar a direção contrária para entrar em um acesso para uma grande avenida.
– Então você é japonesa, arquiteta, rica e está em Cancun de férias quando não está nem perto do período festivo em seu país. — Gaara resumiu suas conclusões sobre mim.
– Só porque não é feriado lá eu não posso estar de férias? — Retruquei suas conclusões olhando pela janela aborrecida.
– Não foi minha intenção te irritar — ele riu por um momento — a questão é, você não parece ser uma mulher superficial que abandona suas responsabilidades por capricho — ele me olhou de soslaio e sorriu por que eu estava corada — Então, de que ou de quem você está de férias?
– Estive muito estressada com o trabalho e precisava de férias. Minha irmã é capaz de lidar com as coisas sem mim por um tempo. — Menti e perguntei-me mentalmente se era tão óbvio que eu estava fugindo de algo.
– Tudo bem, mas eu conheço um coração partido quando vejo um. — Parou em um sinal e me encarou intensamente fazendo-me corar.
– Você quem projetou a casa de Temari e Shikamaru? — Mudei de assunto tentando não transparecer que as ideias de Gaara sobre minha fuga estavam corretas.
– Você gostou? — perguntou e voltou a prestar atenção no trânsito.
– É uma bela construção. — Elogiei e pude ver algo como satisfação preencher sua face por um momento. — Engenharia ou arquitetura?
– Te dou uma chance de adivinhar. — Ele estacionou o carro em frente ao hotel.
– Só olhando a casa da sua irmã eu diria que você é arquiteto, mas você tem mais jeito de engenheiro.
– Sou engenheiro de minas, mas de vez em quando dou consultoria em projetos da civil. É uma longa história... — Ele explicou estacionando o carro.
– Bem... nós já chegamos. — Disse meio sem jeito. — Obrigado pela carona, nos vemos por aí! — Sorri e sai do carro em direção ao hotel eu mal comecei a andar quando ouvi ele me chamar.
– Hinata! — ouvi a voz grave de Gaara e logo estávamos próximos novamente — Você vai ao festival amanhã a noite?
– Festival? — repeti sem entender.
– Amanhã tem um festival gastronômico local — ele explicou — você gostaria de ir comigo?
– Como um encontro? — perguntei surpresa.
– Talvez. — ele sorriu galanteador e senti meu minhas bochechas ruborizarem imediatamente.
– Eu não... — fechei os olhos corada, abrindo-os quase no mesmo instante e suspirei longamente pensando "Divirta-se Hinata, não há nada de mal em um pouco de diversão em boa companhia." — Esta bem... — aceitei seu convite sorrindo ainda envergonhada.
– Te pego as 19:00 então — ele se aproximou e beijou minha bochecha demoradamente e foi embora sorrindo, assim como eu.
Entrei no elevador um pouco abobalhada pelos recentes acontecimentos tentando lembrar-me de algo que tive a sensação de estar esquecendo novamente. Tomei uma ducha e em seguida fui checar meus emails, constatei que haviam alguns de Hana e finalmente lembrei de ligar para ela.
Disquei o número pessoal de Hanabi e fui atendida quase imediatamente.
– É bom você ter um motivo muito bom para passar quase um mês sem me ligar! — ela disse fingindo irritação.
– Não seja exagerada... — eu ri imaginando o provável bico que ela estaria fazendo- foram só algumas semanas.
– Como estão as coisas aí? Tirou as fotos com homens lindos que te pedi para infernizar Naruto? — Hanabi disse maldosa.
– Não seja boba, não vou fazer uma infantilidade dessas! — a repreendi e ouvi Hana falar como era bom torturar Naruto sem minha presença por algum tempo.
– Quando você volta? Estou com saudades! — ouvi um tom dramático e desnecessário na voz de Hanabi e comecei a rir.
– Também estou com saudades, mas ainda vou ficar um tempo aqui... estou gostando. — Eu disse um pouco mais sonhadora do que deveria.
– Você conheceu alguém aí? — pude sentir a curiosidade de Hanabi aumentar.
– Sim, eu já te disse... Ino, Sai e hoje conheci o irmão dela e a cunhada.
– Você conheceu algum cara Hinata? — ela perguntou impaciente e eu gargalhei.
– Talvez. — Fiz suspense.
– Dessa vez é verdade ou é só outra daquelas suas paqueras bobas tipo o biólogo ou o veterinário que não deram em nada? — ela perguntou irritada.
– Eu o conheci hoje Hanabi, tenha calma por favor! — revirei os olhos com tantas perguntas que ela fazia ao mesmo tempo.
– Qual o nome dele?
– Gaara, é engenheiro e tudo o que te digo é que iremos sair amanhã. — Me despedi antes que ela pudesse fazer mais uma hora de perguntas com a promessa que ligaria de volta para contar do encontro.
Pensar em Gaara e sua voz grave e sensual fazia uma sensação nova percorrer meu corpo. Desejo talvez? Eu não tinha uma resposta exata. Tudo o que eu sabia era seu nome, sua profissão e que eu estava sendo empurrada em sua direção por uma Ino muito cara-de-pau. Eu conhecia aquele truque — sorri abrindo a gaveta na cômoda ao lado da cama — peguei as cópias das fotos que Sai tirou de alguns de nossos momentos, deveriam haver dezenas! A maior parte Ino estava junto e havia uma história para contar. Me joguei na cama pensando nos últimos três meses e nas pessoas que havia conhecido... Ino e Sai foram diversão garantida, principalmente a loira que pelo simples fato de saber que eu estava solteira, tentava me fazer sair com alguns "conhecidos", exatamente como estava tentando fazer com Gaara.
Achei uma foto minha junto da primeira pessoa que Ino me apresentou, o adestrador de cães Kiba. Um homem razoavelmente bonito de pele bronzeada e olhares indiscretos que tentava conquistar mulheres usando os cachorrinhos bonitinhos de que cuidava e se dizendo veterinário. Tomamos uns drinques, ouvi cantadas terríveis. — "Como assim ele te dá um filhote para segurar e pergunta se o cachorro te telefone?" Lembrei de Ino gargalhando da tentativa ridícula do adestrador. — Dispensei Kiba o mais rápido possível... De cachorro já me bastava Naruto.
Várias fotografias depois encontrei uma foto minha, de Ino e o barman meio bêbados. Não pude evitar algumas risadas, Sai também devia estar bêbado porque a foto estava toda tremida. No fim das contas, as loucuras de Ino também levaram-me a sair com o barman do clube na praia, Kakashi. Sem dúvida um homem lindo, muito sedutor, de boa conversa e preparador de tequilas fantásticas, era alguém que entendia as mulheres... mas no entanto, sem motivos aparentes, não me despertou real interesse além das tequilas.
As duas fotos seguintes eram ainda mais cômicas do que qualquer foto bêbada. Eu estava mais vermelha do que as pimentas que tinham na comida que Chouji preparou e havia uma Ino que abanava as mãos furiosamente para mim e Chouji vestido de chefe com uma cara de aterrorizado. Ino tentou fazer com que saíssemos, e apesar de Chouji ser muito agradável e gentil, no momento em que nos vimos soubemos que seríamos apenas bons amigos.
A imagem de Sasori — o surfista mais convencido de Cancun — abraçando-me como uma boneca me fez revirar os olhos. Esse Ino não precisou me apresentar, ele fez isso por conta própria e foi muito desagradável. Como alguém poderia falar tanto sobre si mesmo e suas pranchas de surf como obras primas? Ainda evito ir na área de surf ou qualquer lugar próximo só para não ter que ouvir suas baboseiras entediantes sobre ele, arte e perfeição, que levara Sai levantar a hipótese de Sasori se considerar um Deus e eu não pude deixar de acreditar nessa possibilidade.
Muitas e muitas fotos depois achei minha foto com Shino, o biólogo que conheci tentando me livrar de Sasori. Até então esse fora o dia mais divertido que tive em Cancun: nadei com golfinhos, a noite sai para dançar com alguém que era tão terrível quanto eu em danças, bebi um drinque exótico de gosto esquisito, vi Ino cair na piscina abraçada a um garçom e tive um beijo roubado por um biólogo sexy. No dia seguinte recebi um buquê de flores (que veio da floricultura de Ino) com um cartão pedindo desculpas pelo beijo e um "nos vemos por aí" com a explicação de ter que voltar para o seu país a trabalho.
"Estava bom demais para ser verdade"– comentei com Ino enquanto lia o cartão.
Olhei o restante das fotos, constatando mais alguns momentos interessantes e lugares magníficos que fui com o casal de malucos apaixonados. Três meses e minha vida parecia ter mudado completamente!
"Cadê aquela Hinata tímida do colegial? E a garota reservada da faculdade? Ou um típico quem é você e o que fez com a Hinata?"
Era o que todos os meus amigos e conhecidos no Japão perguntariam se soubessem das minhas aventuras em Cancun. Talvez eu dissesse a eles que aquela Hinata que um dia eles conheceram quase não existe mais, mas eles sempre ficariam na dúvida do porquê. Naquele momento, deitada na cama olhando para o teto, lembrei-me de Naruto, percebendo que ele parecia uma memória distante e fiquei feliz por isso. Seus olhos azuis eram substituídos a todo instante pelos olhos de todos os amigos que fiz naquele lugar, mas as vezes ainda voltavam para me assombrar.
Os olhos verdes e intensos do ruivo que eu conheci há algumas horas afastaram os malditos olhos azuis de Naruto e não pude deixar de me perguntar, como seria o encontro de amanhã com Gaara?
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"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver."
– Gandhi
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