Lost Stars

2 Capítulo 1 - A Queda


Notas iniciais
Aqui estamos com o nosso primeiro capítulo, não sei se tem alguém lendo a história mas se tiver espero que goste!

Nunca te arrependas de tua queda, pois a maior tragédia de todas é nunca sentir a luz ardente.

— Anônimo


Quando Rafael caiu foi como um raio abrindo a Terra.

O local de sua queda ficara coberto de cinzas enegrecidas, e nada nunca mais florescera ali, nem mesmo uma erva daninha. Era isso que acontecia com os anjos expulsos do paraíso, deixavam um rastro de destruição por onde passavam. As cicatrizes nas costas onde outrora ficavam as imensas asas brancas, o lembravam constantemente do seu exílio, e que estava condenado a vagar pela terra até o fim dos tempos. Ele não era um anjo e tampouco um ser humano, ele estava no limbo entre uma coisa e outra, sem nunca pender totalmente para um dos lados.

De tempos em tempos ele recebia um convite nada amigável do submundo, para se juntar aqueles anjos que sucumbiram as trevas. Mas Rafael sempre recusava. Apesar de ter sido expulso, ele mantinha sua lealdade aos Céus.

Vinte e um anos se passaram, e ele ainda era capaz de se lembrar com perfeição do anjo mais impetuoso e corajoso que conhecera, sempre disposta a sacrificar tudo pelo o que era certo. E no fim ela realmente sacrificara. Sentia um aperto no peito toda vez que se lembrava daquela noite fatídica. Não pela própria queda, mas por Ariel. Algo dera errado no plano inicial e ela nunca chegou ao local combinado. E Rafael esperou por dias, semanas, meses... Ele odiava se sentir impotente, odiava todas as perguntas sem respostas que o atormentavam “Miguel a havia capturado?”, “Lúcifer a encontrou?”, “Ela estava bem?”.

Precisava se livrar de tais indagações, precisava ainda que fosse, de um encerramento.

Ele já havia recebido seu castigo, mas ainda tinha uma alma o que significava que alguém no Céu ainda podia ouvi-lo. Não custava orar por uma resposta, mas teria que ser cuidadoso e orar apenas para aquele capaz de responder sua pergunta.

Gabe. Ele era o único anjo capaz de saber o que de fato havia acontecido com Ariel. Dotado com o dom da clarividência, ele saberia precisar onde estava cada alma no universo. Inclusive a de Ariel. Ele poderia lhe dizer se ela estava bem.

Rafael subiu no alto de uma colina onde outrora existira uma pequena capela que hoje ostentava apenas ruinas que resistiam ao tempo. Ajoelhou-se, dobrando o corpo para frente até que a testa encontrasse a pedra desgastada do que um dia fora um altar. Ele não oraria ao Criador. O Trono estava vazio há tempo demais, silencioso demais para se importar. Rafael precisava de respostas, não de fé. Precisava da verdade.

— Gabriel... — sussurrou, invocando o único que sabia ser capaz de ver através de todos os véus. — Eu sei que você pode me ouvir. Onde ela está?

Orou uma, duas, centenas de vezes. O sol sangrou no horizonte até desaparecer, e o cansaço fez os joelhos fraquejarem. Estava prestes a desistir, a aceitar o silêncio como resposta, quando a atmosfera mudou. O ar parou. Os grilos calaram. Então, um vento soprou, não vindo do mar, mas de lugar nenhum. O arrepio na nuca de Rafael não foi de frio; foi de reconhecimento. A voz não estava no ouvido, mas dentro da mente, com a clareza dolorosa que apenas o Mensageiro possuía: "Esqueça-a. Ela está morta." A confirmação foi pior do que o silêncio.

Morte.

Esse é o final de tudo. Não havia retorno depois disso. E era nesse ponto que os anjos, os demônios e os humanos se igualavam.

Aquela noite Rafael permaneceu ajoelhado naquela mesma colina. Exausto demais para pensar no que fazer agora. Deprimido demais para continuar sem ela. Pensou em tudo o que eles fizeram, tudo o que eles abdicaram e ele percebeu que Ariel não apareceria com um novo plano, uma ideia inteligente, um meio de consertar tudo. Não havia uma saída para aquela situação.

Finalmente ele se permitiu chorar, como nunca havia chorado antes. Nem mesmo quando centenas de seus irmãos se viraram contra os Céus e se aliaram ao Lúcifer, ou quando chegou tarde demais para evitar o massacre de milhares de almas humanas em 1945. Dessa vez era diferente. As lágrimas que escorriam pelo seu rosto não eram suficientes para aliviar a dor que vinha do fundo do peito e parecia rasgá-lo de dentro para fora.

Mas ela iria querer que ele continuasse. Ariel não se perdoaria se ele simplesmente definhasse. Ele se amaldiçoou por conhecê-la tão bem a ponto de saber qual seria seu desejo para ele.

Apertou bem os olhos que ardiam pelas lágrimas que ele derramara e se concentrou em suas memórias. O belo rosto dela surgiu em sua mente. Aqueles olhos grandes e castanhos brilhavam em sua direção, e ele se lembrou do som da risada dela, da sensação de paz que esse som lhe trazia. E só por isso ele tentou continuar. Por ela. Fechou os olhos por um momento e deixou ser tomado por uma lembrança feliz.

"Eles estavam sentados no topo de um dos mais altos picos do mundo, a neve cobria quase toda a vegetação ali, o sol se punha no horizonte, e o céu tinha aquela cor aconchegante de laranja rosado. Abaixo deles havia apenas quilômetros, e mais quilômetros de nuvens, rochas e árvores. Nenhum humano conseguia chegar ali, seja pelo o ar rarefeito ou a baixa temperatura, ou ainda pela dificuldade que seria escalar até lá. Isso logo o tornava um lugar perfeito para passar um tempo despercebido na Terra. Um refúgio. Ele e Ariel adoravam ficar ali, sentiam-se livres para conversar. Era o lugar deles.

— Não é uma das vistas mais lindas que você já viu? — Ariel perguntou, fechando os olhos e erguendo o rosto em direção ao sol que sumia aos poucos, apreciando despreocupadamente o calor que a estrela emitia.

Ele a olhou, realmente a olhou, e não conseguia pensar em nada mais belo do que Ariel. A forma como os raios de sol iluminavam seu rosto e realçavam o tom avermelhado de seus cabelos. Ah, e o sorriso dela? Era a coisa mais preciosa em todo o mundo. Ele adorava ser o responsável por colocar esse sorriso nos lábios dela.

Ele faria tudo por esse sorriso.

— Sim, é linda. — Concordou, mas Rafael não se referia a vista. Seus olhos não desgrudaram da mulher por nem um segundo, seguiram cada movimento dela, memorizando cada traço de seu rosto. Ele evitava admirá-la na frente dos outros, mas aqui, no lugar deles, isolados do resto ele não conseguia se conter.

— Eu gostaria de poder fugir para a Terra mais vezes. — Ariel confessou abrindo seus olhos e mirando o horizonte com um olhar indecifrável.

— Seríamos punidos se descobrissem que passamos nosso tempo livre aqui, mesmo estando longe de qualquer humano.

Com certeza eles seriam. Essa era terceira regra celestial mais importante: Anjos nunca deixavam os céus sem a devida autorização. As outras eram: Anjos nunca, sob hipótese alguma matam um ser humano, por mais perverso e corrompido que o humano possa ser. E anjos não foram criados para relacionarem entre si, com humanos ou demônios. O descumprimento de tais regras os sujeitavam aos mais variados graus de punição, sendo a mais severa delas a expulsão.

— Verdade, mas o risco vale a pena. É o que torna a experiência muito mais interessante. O perigo eminente de quase sermos pegos. — Ariel revidou, o rosto dela tinha um semblante divertido e seus olhos brilhavam pela pequena travessura. Desobedecer às regras não era algo que Ariel amasse fazer, mas algumas eram tão tolas e desnecessárias que mereciam ser desafiadas. E que mal haviam em um pouco de diversão quando desprovida de uma intenção escusa?

— Me esqueci o quanto você gosta de viver perigosamente. — Rafael a respondeu com um meio sorriso no rosto. Ele adorava esse lado dela, um lado que não se intimidava pelas regras, que achava divertido ignorá-las às vezes.

— Não é isso, é que as vezes eu me sinto tão cansada disso tudo, sabe? Dessas regras estúpidas, de não poder seguir o que o meu coração quer. — Os olhos de Ariel pareceram encarar os dele, mas desviaram tão rapidamente que o anjo não teve certeza se aquilo realmente aconteceu — Só de estar aqui, eu sinto uma liberdade que nunca experimentei antes. Se apenas houvesse um jeito, eu gostaria de viver aqui. — disse sonhadoramente — Desculpa, isso soou um pouco egoísta.

— Não, eu te entendo perfeitamente. Muitas vezes eu gostaria de ser humano. Isso sim é ser egoísta.

Ariel imediatamente virou o rosto em direção a Rafael o encarando com evidente surpresa. O que ele dissera a assustou. Não pelo absurdo da questão, mas pela sinceridade da resposta. Ela amava ser um anjo, a força, a quase imortalidade e principalmente as asas. Nada era melhor do que a sensação de cortar as nuvens e sentir o vento forte em seu rosto. Ela não trocaria isso por nada, exceto talvez por aquele pequeno desejo escondido em seu coração.

— Mas por quê? A vida deles é tão efêmera se comparada a nossa, eles não têm a nossa força ou nossas asas.

— Não vê a beleza da coisa? É a efemeridade que te faz valorizar ainda mais. E eles não precisam seguir as nossas regras. Eles realmente vivem a vida. — disse entusiasmado e Ariel não pode deixar de sorrir para o amigo — Eles não são julgados pelos seus sentimentos, eles possuem uma liberdade tão plena, algo que nós nunca experimentaremos. Eles podem amar e serem amados, sem culpa. — Rafael disse olhando diretamente para Ariel que desviou o rosto para longe dos olhos intimidantes dele — E quanto a nós? Ficamos nessa luta eterna entre Céu e Inferno. Esse é o nosso propósito, a única razão para existimos. Ser mais um soldado numa guerra que nunca terminará. — Finalizou, e sua voz era um misto de tristeza e amargura.

Um silêncio constrangedor pairou sobre eles por um tempo longo demais até Ariel finalmente quebrá-lo.

— Você tem toda a razão, Rafe. — A expressão no rosto de Ariel era pensativa e então ela deu um sorriso travesso e simplesmente pulou de cabeça no precipício, furando as nuvens só para segundos depois emergir com suas asas abertas a sua frente.”

✶✶✶

Durante todos os anos em que passou peregrinando pela Terra, Rafael usou o tempo e a oportunidade para aprender mais sobre os seres humanos. Quando era um anjo quase nunca tinha permissão para descer, somente em casos especiais. Por isso ficara abismado com tudo o que descobrira com aquela convivência. Os humanos eram ambiciosos, mesquinhos, invejosos, egoístas e destrutivos. Mas toda vez que ele começava a perder a fé na humanidade um simples gesto de solidariedade o fazia acreditar que ainda havia esperança. Era o amor, a capacidade de se doar por inteiro, de estender a mão e de se sacrificar por aqueles que você ama e isso sempre o surpreendia.

Quando finalmente aceitara que Ariel estava morta, vagou sem rumo. Rafael estava completamente perdido, não sabia o que fazer, caminhou por dias sem saber aonde ir. Longe da sua casa e de seus irmãos ele se tornara mais fraco. Era estranho como seu corpo agora sentia fome e frio. Ele não estava habituado a qualquer uma dessas sensações. Como um anjo eles eram privados de qualquer tipo de necessidade, mas agora que havia sido destituído do seu posto e Miguel lhe arrancara as asas, ele era quase um humano. Embora ainda mantivesse seu dom: o poder de curar os enfermos.

Em seus tempos mais depressivos Rafael viveu perambulando pelas ruas de Praga, sem uma razão aparente para continuar. Vivia de pequenos trabalhos ocasionais. Toda a luta que tivera, os sofrimentos que passara e as vidas perdidas pelo caminho pareciam ter sido em vão, quando era um anjo ele tinha um propósito para existir, mas agora ele não tinha mais nada.

Não deixava de ser irônico, ele que tanto quisera ser livre como os humanos, agora que era, não sabia o que fazer com tal liberdade e uma vozinha irritante em sua cabeça teimava em lhe dizer que ele apenas não sabia usufruir disso sem ela.

Rafael decidiu que usaria o seu tempo entre os humanos para aprender, usaria o seu dom para ajudá-los a se tornarem pessoas melhores. Ele fez amigos. Dividiu ensinamentos. Aprendeu mais em duas décadas com humanos, do que em toda sua vida angelical.

Aos poucos as emoções humanas foram adentrando e ele se sentia cada vez mais distante do que costumava ser. Ele não era mais um guerreiro celestial. Ele não precisava mais esconder seus sentimentos.

Ele se sentia cada vez mais humano.

Rafael viveu em muitos lugares ao longo desses vinte anos. Estudando sobretudo como as diferentes religiões influenciavam as pessoas, tentando fazer a diferença no mundo. Mas nenhum outro lugar lhe trouxera aquela sensação de estar em casa como a pequena cidade de Paradiso. Era curioso pois se sentira magnetizado para lá desde a primeira vez que ouvira o nome. Como se uma voz dentro da sua cabeça o instigasse a ir até aquela cidade.

Era 23 de novembro, ele se recordava com precisão. Rafael havia acabado de ministrar uma palestra intitulada “Conflitos Religiosos e suas consequências no mundo moderno” para os alunos da Universidade de Praga.

— Professor Rafael. — A voz rouca, arrastada o chamou. Rafael virou-se. Um homem de idade avançada o observava, apoiado em uma bengala de ébano. O homem sorria com um entusiasmo que parecia genuíno.

— Sim? — Respondeu.

— Sua palestra foi iluminadora — O homem estendeu-lhe a mão enluvada. — É um prazer conhecê-lo! Ouvi tanto sobre seu trabalho que precisei vir presenciá-lo pessoalmente. E devo dizer: não me decepcionei. O homem estendeu a mão. Rafael hesitou por uma fração de segundo antes de apertá-la. A pele do desconhecido era fria, seca como pergaminho.

— Eu agradeço a gentileza. O senhor é...? — Rafael respondeu retribuindo o aperto de mão, um pouco acanhado. Não estava acostumado as pessoas o reconhecendo pelo seu trabalho. Na maioria das vezes os jovens apenas assistiam as palestras em busca de preencher suas horas extracurriculares. Raros eram aqueles quem realmente o faziam por real interesse.

— Sou Alaric Abrahám. — O nome não despertou nenhuma memória em Rafael.

— Alaric. Em que posso ajudá-lo?

— Na verdade, eu espero que nós possamos nos ajudar. Sou reitor da Universidade de Paradiso. — Alaric tirou um folheto do bolso do paletó com uma destreza surpreendente para alguém com as mãos trêmulas.

— É uma cidade pequena, um pouco isolada, eu diria. Mas temos um charme... peculiar.

Rafael pegou o folheto. No instante em que seus dedos tocaram o papel, uma sensação estranha percorreu seu braço. Não era choque, nem dor. Era atração. Como a gravidade puxando um corpo em queda livre. Uma voz em sua intuição gritou que ele devia ir.

— Paradiso... — Rafael leu o nome, sentindo o peso da palavra em sua língua. — Nunca ouvi falar.

— Espero mudar isso — Alaric sorriu — Eu gostaria de tê-lo em nosso corpo docente no ano que vem. Temos um excelente programa na área de humanas, sobretudo nos cursos de história e sociologia. Seus conhecimentos poderiam realmente fazer a diferença. Nossos alunos precisam de professores apaixonados como você. — disse, entregando-lhe o folheto da Universidade de Paradiso.

— Eu não sei se esta seria uma boa ideia. — Hesitou — Nunca dei aula antes em uma universidade, normalmente são só palestras... — A verdade era que a ideia de ter uma rotina apavorava Rafael, por isso sua vida atual era de certa forma reconfortante. Sempre viajando, nunca se acomodando tempo suficiente em lugar para criar laços. Sempre fugindo, seria o termo mais adequado.

— Não responda agora — disse o interrompendo — Pense a respeito e me responda até primeiro de fevereiro. Meu telefone e e-mail estão no verso. — o velho olhou para o relógio com deliberada ansiedade — Preciso ir. Foi realmente um prazer conhecê-lo, Rafael.

Deu alguns tapinhas nas costas de Rafael e saiu apoiado em sua bengala, mancando e fechando a porta atrás de si. Rafael sentou-se no pequeno sofá e observou o folheto onde havia uma ilustração da universidade de Paradiso na frente, e no verso os cursos que eram oferecidos pela instituição. Era engraçado, a imagem parecia exercer uma estranha força magnética sobre ele, como se dissesse que ele deveria estar lá. Como se houvesse algo naquele lugar o chamando.

No fim aquela estranha sensação o vencera e ele decidira aceitar a proposta de Alaric. Iniciaria sua função como professor de História da religião na universidade local de Paradiso. Talvez já fosse tempo de colocar sua vida nos eixos e ali parecia o local perfeito para sossegar por um tempo. Quem sabe até mesmo ter uma vida normal?

No primeiro dia Rafael estava inexplicavelmente ansioso, não sabia dizer o porquê, era só uma aula para um grupo de alunos como quaisquer outros. Nada que ele já não tenha feito antes. Ainda assim ele chegou um pouco cedo demais à sala de aula, colocou a pasta sobre a mesa, ajeitou a gravata, quando o sinal finalmente tocou, os alunos adentraram apressadamente na sala, ele fez sua apresentação e iniciou a aula.

Estava de costas anotando no quadro o cronograma de provas e trabalhos, livros que deveriam ser utilizados naquela disciplina, quando ouviu a porta sendo aberta, “atrasados” pensou, detestava esse tipo de aluno sem compromisso. Virou-se pronto para dar uma reprimenda, mas o que viu o deixou momentaneamente sem palavras.

O giz estancou contra o quadro negro. O som da porta se fechando foi abafado pelo ribombar do próprio coração de Rafael — um órgão que ele ainda não sabia controlar. No fundo da sala, uma jovem buscava um lugar para sentar. O cabelo era de um ruivo mais opaco, a postura era menos altiva, mas quando ela ergueu os olhos castanhos para o quadro, o mundo de Rafael inclinou. Não era apenas semelhança. Era a mesma assinatura de luz, agora abafada sob camadas de carne e esquecimento.

— Ariel — o nome escapou em um sopro, uma prece que ele jurou nunca mais repetir..

Ela estava ali bem a frente dele. Não como o anjo que costumava ser. Como uma humana. Ele seria capaz de reconhecer a alma dela em qualquer lugar.

Notas finais
Então... O quê acharam?