Lost Memory.
17 17. Kiss me and make up
Notas iniciais
Shadow suspirou enquanto esperava o retorno de Rouge, a morcega havia o chamado para que pudesse a ajudar com a organização do estoque do clube e dar uma opinião sobre alguns candidatos para se tornarem os novos funcionários da filial que ela pretendia abrir na recém reconstruída Westopólis e Station Square, aproveitando que o novo hotel atraía bastante turistas e o cassino estava fechando as portas.
A morcega parecia insensível por pensar nos negócios depois de tantas tragédias, porém Shadow conhecia a personalidade e, sabia que a principal intenção era expandir não só seus negócios, como abrir oportunidades de emprego para quem fora altamente prejudicado.
A sede era, claro, em Central City e agora o ouriço estava aborrecido, depois de fazer as entrevistas que era obrigação de Rouge e testar os que estavam se candidatando para seguranças.
Já havia se passado mais de quatro horas desde que Rouge tinha dito que iria apenas encontrar com os fornecedores e ainda não tinha retornado.
O ouriço ébano não podia ir atrás dela para contestar, porque indiretamente o clube também era problema dele, desde que ambos abriram a parceria, mesmo que Rouge fosse a imagem do grupo e carregasse o nome dela.
Era unanime que o clube não teria tanto renome que Shadow tivesse qualquer envolvimento público. O ouriço tratava principalmente do setor financeiro, desde que sua mente sempre afiada era bem treinada para realizar cálculos complexos sem a necessidade de uma calculadora.
Quando a morcega voltou, ele já tinha entrevistado todos os que vieram e já havia anotado as informações que precisava para debater os possíveis candidatos.
Apesar do aborrecimento, Shadow não tinha nenhuma intenção de voltar tão cedo para casa, principalmente por se tratar do seu único dia de folga na semana e, mesmo que estivesse mais do que disposto a ignorá-lo e continuar trabalhando, o Comandante Towers parecia ter outras ideias, era claro que sua súbita motivação para trabalhar horas a fio era suspeita para o overlander, dado ser bem repentino.
Então sem outras alternativas, acabou se envolvendo na parte burocrática do clube e, mesmo que apenas seja parceiro na parte financeira e raramente visitava o estabelecimento a qual era sócio, ainda era algo para ocupar a mente. Precisava manter-se concentrado e, todas aquelas horas foram bem gastas em algo produtivo que posteriormente engordaria sua conta bancária já volumosa.
Não tinha muitas preocupações do dinheiro e, por ser imortal, teria todo o tempo do universo para aproveitar suas economias, então não corria atrás de investimentos sem necessidade e só entrou na parceria com Rouge porque a morcega havia insistido. E como não tinha outra coisa melhor para fazer...
— Demorou. — Comentou sem emoção, estendendo as anotações e os currículos todos organizados em pastas, alguns já previamente rabiscados com “aprovado” e “não”.
A morcega deu de ombros enquanto se sentava, seu semblante parecia estranhamente animado e Shadow havia percebido que desde dois dias atrás ela estava estranha, sabia que Rouge estava aprontando algo, mas não se importava o suficiente para procurar saber, principalmente porque tampouco o afetaria.
— Fui pesquisar outros fornecedores. — Disse simplesmente e Shadow por alguma razão não conseguia acreditar em suas palavras. — Foi uma tarefa bem divertida. Você vai amar as novidades. — Ela lhe deu um sorriso largo e bem sensual.
Alarmes soaram na mente de Shadow, lhe alertando que talvez aquela viagem de Rouge ou seja lá o que ela fora fazer não traria nada de bom para ele, principalmente pelo ar que ela emanava, como se tivesse planejando algo divertido e ele fizesse parte da diversão.
Ignorou sua mente desconfiada por enquanto, de qualquer forma no dia seguinte ele estaria ocupado demais trabalhando para que ela tivesse algum tempo para seus planos. Então encarou os papéis.
— Vamos debater sobre o que reuni então? — Decidiu ignora-la, geralmente suas provocações acabam em nada e então se prendeu a possibilidade de ocupar a mente.
Rouge fez uma careta acompanhada de um olhar de desculpas.
— Cansada por hoje. — Colocou para os papéis com desanimo, se sentando pesadamente. — Vou por meu quarto e tomar um banho antes do clube abrir, vou cuidar disso mais tarde. — Suspirou.
— Ainda falta quatro horas para o clube abrir. — Shadow apontou acusatoriamente. — Está fugindo de novo. — Seus olhos carmesins se estreitaram, tentando ler através da expressão de Rouge, embora não conseguisse encontrar muita coisa, ela não seria uma agente especial se fosse tão simples lê-la, até mesmo convenceu Eggman de sua lealdade.
Se tinha alguém que nunca deixaria seus pensamentos tão óbvios esse alguém era Rouge. Shadow a admirava ao mesmo tempo que temia sua capacidade de fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos.
— Essa semana foi puxada. — Abanou a mão. — De nós dois você é quem sabe melhor disso. Então aproveita a folga, vai para casa e melhora essa cara azeda. — Se levantou e deu as costas para a morcega.
Assistiu congelado enquanto ela desaparecia nos fundos, indo para o elevador privativo que a levaria até onde era ‘apartamento’.
Sabendo que, essa era a forma de Rouge deixar mais do que claro que não tinha interesse nenhum de continuar o assunto, suspirou. Se levantou e recolhendo os arquivos, caminhou até o escritório e deixou sobre a mesa, Rouge era quem organizava os armários de registro e como ela não havia compartilhado com ele a forma como organizava a documentação, apenas deixava no escritório.
Se arrependeu por um momento por não ter se envolvido tanto com o clube quanto deveria, poderia até mesmo ter ajudando a expandir bem mais cedo, desde que sua aptidão financeira era invejável e juntos eram imbatíveis.
Saiu pelas portas dos fundos, por mais que quisesse e pudesse usar Chaos Control para ir de um local a outro sem problemas, não queria chegar em sua casa e se vê novamente cercado por aquelas paredes brancas, o apartamento parecia vazio demais sem Sonic, sem a alegria contagiante que o ouriço cobalto transmitia, animando o ambiente.
Se arrependeu de não ter ido atrás dele, jurou para si mesmo que nunca forçaria o ouriço a fazer nada que ele estivesse pronto. Mas a sua definição de pronto seria a mesma de Sonic?
Não sabia dizer, mas Sonic parecia tão assustado... Tão em pânico com a simples ideia de se envolverem sexualmente, não queria que suas vontades sexuais fossem mais importantes que os desejos de Sonic, principalmente porque o ouriço cobalto sempre foi jogado em um mundo destroçado sem nem mesmo ter escolha sobre seu destino.
Fora obrigado a proteger a todos, porque se não o fizesse, quem o faria?
Ele só queria que Sonic entendesse que não precisava tentar agradá-lo, que sua felicidade e conforto eram mais importantes que uma relação sexual e, se tivesse que esperar 50 anos por ele, esperaria tranquilamente.
Tinha certeza de que não iria para lugar nenhum e esperava que o ouriço pegasse a dica e um dia voltasse... Isso é... Se voltasse.
Suas expectativas eram assustadoras.
Então sua mente mudou a linha de pensamento, pensar na possibilidade de perder Sonic era dolorosa, mesmo que pudesse vê-lo a distância, não poder mais tocá-lo como antes, abraça-lo e beijá-lo era praticamente uma tortura.
Então caminhando pelas calçadas quase vazias, por ser domingo e fora de horário de movimento, voltou seus pensamentos para as novas filiais, claro que, Rouge sendo apenas uma, não podia se dar o luxo de estar em vários lugares ao mesmo tempo e precisava de empregados de confiança para que as filiais não saíssem dos eixos, poderia ser a oportunidade perfeita para que pedisse transferência.
Claro que isso poderia atrapalhar tecnicamente a interação do Team Dark, estando distantes, mas isso nunca fora problema para eles, então decidiu que poderia ser o momento ideal de uma mudança de ares. O seu apartamento lembrava-lhe de Sonic para além do saudável e, seu pessimismo o levara a acreditar que definitivamente era um termino.
Pesou as possibilidades, Westopolis fora onde Sonic o reencontrara na invasão dos Black Arms e onde Sonic o reencontrou e desabafou consigo, não sabia se conseguiria encarar aquela cidade sem lembrar daqueles eventos e, mesmo a população o respeitando por ter sido quem salvou Móbius daquela vez, ainda havia muitos cidadãos hostis que não acreditavam em sua inocência ou desejos de proteger o planeta.
Station Square? Como suportar o fato de que a prefeitura tinha uma enorme estatua de Sonic em sua homenagem depois de ter derrotado Chaos em sua forma perfeita e ter sido homenageado de tal forma?
Nunca tinha visitado a cidade, porém, embora tivesse passado perto por uma das bases desativadas para procurar informações, não tinha nem mesmo visto um vislumbre dela.
Talvez um lugar novo, porém com fantasmas do passado poderiam melhorar seu estado.
Sair da cidade parecia ser o certo a fazer, Sonic saberia cuidar dos problemas, ele sempre conseguira, não seria sua transferência que mudaria alguma coisa naquela situação.
Então com a mente focada no que faria, a começar a planejar e procurar lugares que estivessem alugando ou a venda, depois pedir sua transferência, parou em seu prédio, sabia que seria uma mudança drástica, a começar pelo fato de que já havia se acostumado com seu apartamento pequeno e simples, bem minimalista e aconchegante e, se despedir daquele lugar parecia ser muito mais doloroso do que poderia ser.
Principalmente porque estaria deixando uma grande parcela de suas memórias felizes para trás.
Era claro que não se tratava necessariamente de um adeus definitivo, porém, sentia que precisava de uma distância de tudo e, equilibrar seu trabalho na GUN junto com a administração presencial em uma das filiais parecia algo bem atraente para se pensar.
Entrou no elevador com pouco mais de ânimo, não iria se despedir de Sonic, porque o ouriço já o fizera quando lhe deixara naquela noite, não tinha sequer coragem de olhar em seu rosto e dizer as palavras que tornariam oficial a separação.
Deu um longo suspiro quando as portas se abriam, soltando toda a respiração que segurava enquanto os andares passavam rápido demais para seu rosto, era tarde demais para ter escolhido as escadas e, não estava no humor para encontrar com outros inquilinos no meio do caminho, já tinha ganhado a sorte grande que o lobby e o elevador estavam vazios, dado que famílias costumavam sair para aproveitar o tempo ensolarado ou jantar fora.
Caminhou até sua porta, colocando a chave na fechadura e girou, para perceber que, por alguma razão, sua porta já estava destrancada. Franziu a testa, tinha absoluta certeza de que havia girado a chave duas vezes antes de sair. Engoliu em seco e abriu a porta, que fez um rangido longo e demorado enquanto abria totalmente.
Shadow não estava com sua arma, mesmo que sentisse que não precisava dela, seus músculos estavam tensos demais enquanto caminhava através da sala escura e deserta, seus dedos foram até o interruptor, no momento em que a luz acendeu, tudo aconteceu rápido demais.
Sentiu o toque em sua mão e por instinto agarrou o que quer que fosse e o prendeu contra a parede, sua visão ainda não adaptada a nova luminosidade e ouviu o baque de algo contra a parede e um gemido muito, muito, familiar.
— Ouch, bom te ver também.
Piscou e então sua visão voltou ao normal.
Soltou o que segurava em choque, reconhecendo a voz e vendo exatamente o que segurava. Encarou os olhos esmeraldas que estavam arregalados de surpresa e dor.
— Eu, desculpe. — Suspirou olhando para todos os lugares, menos para o ouriço.
— Culpa minha principalmente. — A voz de Sonic era suave, doce e convidativa, tão diferente do tom que costumava usar.
Isso fez com que Shadow levantasse a cabeça e o visse corretamente pela primeira vez.
A visão que teve era... Bem diferente do que ele esperava encontrar e não menos sedutora.
Sonic vestia uma camisa social branca — a sua camisa de trabalho — que chegava um pouco abaixo do quadril, não ocultando completamente suas coxas. Usava uma meia 7/8 de um tom pálido e perolado de rosa, vestido suas pernas de forma tão perfeita que o ouriço ébano entrou em uma luta interna para se lembrar de como respirar.
— Bem vindo de volta! — Sonic cantarolou em quase um sussurro baixo, fazendo com que os pelos de Shadow se arrepiassem ao som daquela voz.
Sentia tanta falta de ouvi-la que por um momento acreditou se tratar de uma ilusão.
Pigarreou tentando encontrar um pouco da dignidade que perdeu encarando de forma idiota Sonic e tentando entender o sentimento de perceber que gostava de ser Sonic usando sua roupa.
— O que faz aqui? — Não queria soar rude, mas sua voz rouca não ajudava.
— Queria te ver e conversar sobre antes. Não era justo com você e conosco que eu nem abri espaço para conversa. — Sonic se aproximou e tocou o peito macio, correndo os dedos lentamente. Os dedos sem luvas brincavam com a musculatura tensa. — Então vim com um pedido e um objetivo.
— Quais? — Perguntou odiando a forma como Sonic mexia consigo e sua voz tremia.
— Que me beije e façamos as pazes.
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