Lost Memory.
18 18. Lento.
Notas iniciais
Seus lábios se moviam com saudade, Sonic soltava suspiros casuais enquanto tentava manter seu cérebro ainda funcionando.
Era isso que ele queria dizer quando pediu para fazerem as pazes e não estava nenhum pouco arrependido da oferta.
Shadow foi o empurrando por seu apartamento, Sonic apenas seguia o ritmo, perdido demais na forma como os dedos firmes agarravam sua cintura, cavando em seus quadris, o ouriço ébano o içou e por instinto suas pernas se prenderam na cintura ébano, suas mãos pêssegos se mexiam inquietas, procurando algum lugar para estar, incerto do que fazer.
E então se sentiu cair com Shadow preso, caindo com força contra o sofá, gemeu com o peso em cima de seu corpo e depois soltou uma gargalhada quando sua boca foi liberada para que sua mandíbula fosse saqueada por mordidas e beijos.
— Você me deixa louco, ouriço! — Shadow rosnou, seus quadris pressionando os de Sonic sem quaisquer cuidados. — Eu odeio você.
— Esse é meu jeito Sonic de ser. — Disse sem fôlego, para logo ofegar enquanto seu corpo esquentava com as investidas.
Seu coração batia acelerado em seus ouvidos, tão alto que Shadow era perfeitamente capaz de ouvir. E o ouriço deixou muito bem claro que havia gostado da ideia, beijando-o com voracidade.
Era como se tivessem estado meses separados, não apenas míseros dias.
Os dedos enluvados de Shadow se adentraram pela camisa branca social, o seu cheiro estava mesclado com o de Sonic, criando uma estranha sinergia aromática que era surpreendentemente agradável ao seu olfato. Não conseguia se conter em esfregar seu nariz no pescoço exposto, assim que havia abandonado os lábios pêssegos, agora ligeiramente rosados de seu ósculo feroz.
O ouriço por sua vez, tentava procurar as palavras que tentava dizer, mas distraído demais pelo ataque de Shadow, não conseguia nem mesmo espaço em seu cérebro nublado para se lembrar do que queria avisar ou se havia algo para ser dito.
Só queria aquela boca em cada pequeno pedaço de seu corpo, lambendo, mordendo, beijando, chupando.
Desistira de tentar conter os avanços, embora em nenhum momento tenha de fato tentado afastá-lo. A culpa de ter sido infantil e inseguro havia aumentado sua insegurança sore seu relacionamento e, vê que Shadow estava tão disposto a prova-lo que ele era muito desejado, havia derretido seu medo inicial, sua insegurança e seus medos.
Ele queria ser dele, queria que Shadow reivindicasse.
Ele já era de Shadow.
Sentiu os dedos passeando por seus pelos, subindo por sua barriga indo em direção ao tórax, procurando e encontrando com êxito um dos pequenos mamilos escondidos na pelagem pêssego.
O nariz sempre roçando em seu pescoço, cheirando algo que parecia agradável ao ouriço ébano, mas Sonic não queria estragar o momento para sanar sua curiosidade.
Só se sentia cada vez mais quente quando um bip irritante soou da cozinha.
Se ele pudesse descrever o momento, chamaria de convenientemente clichê. Demais para seu gosto.
Não conseguiu reprimir o gemido de frustração quando Shadow se afastou quase automaticamente. Como se tivesse recebido um choque, o ouriço ébano endureceu, olhando para a cozinha em um misto de cautela e temor.
Então, assim que começou a farejar, a procura de qualquer odor que pudesse significar mal sinal, como algo queimado ou um início de incêndio, foi surpreendido com o cheiro de algo assado, queijo e orégano. Franziu a testa para os cheiros, depois encarando o ouriço ofegante com dúvida e curiosidade.
Afinal, o que Sonic estava aprontando ali?
— O significa isso tudo? — Shadow finalmente externou seus pensamentos, olhando tanto para sua cozinha quanto para o ouriço cobalto, sua voz ainda mantendo a mesma seriedade característica, não traindo qualquer emoção.
E Sonic odiava todo esse controle vocal de Shadow, como ele dificilmente parecia afetado por qualquer sessão de amassos que tivessem. Enquanto ele tinha que lutar para se manter coerente e focado.
A pergunta apenas foi ouvida parcialmente enquanto tentava se conter, entretanto, dada a estimulação, a última coisa que conseguia realizar no momento era pensar, sequer se lembrava do que planejara antes daquilo tudo acontecer.
Ele só queria mais Shadow, seus lábios em todo seu corpo. Sua língua que sabia conecta-lo no estado de humor certo, sentia-se como uma marionete sendo manipulada por mãos hábeis, ficava sempre surpreso com a forma como eram conectados fisicamente, como se tivessem sempre na mesma sintonia, porém naquele momento, sua cabeça estava girando e seu coração acelerado demais para que soubesse o que passava na cabeça do ouriço ébano.
Gemeu audivelmente, esperando que esse som capturasse novamente a atenção do ouriço ébano para ele, no entanto, para sua decepção, Shadow parecia ter mudado de frequência e não estava tão animado para as pazes como ele estava há poucos minutos.
— O que significa tudo isso, ouriço? — Repetiu, espaçando e frisando cada palavra, voltando seu olhar para os olhos esmeraldas nublados de seu dono que parecia tudo menos focado.
Com pena do estado do pobre ouriço, tocou as bochechas pêssegos, tentando trazer algum foco para aqueles olhos que refletiam todo o desejo e ânsia por avanços.
— Jantar... — Conseguiu um pouco de foco, respirou fundo e fechou os olhos, admitia para si mesmo que estava frustrado.
— O que... — Shadow não conseguiu terminar, seu peito se revirando com um misto de sentimentos repentinos para ele, oscilou em seu controle firme sobre sua voz e expressão.
— Queria me redimir... — Sonic explicou ainda sem fôlego, os olhos ainda fechados. — E te surpreender...
— ... — Shadow não conseguiu pronunciar nada, lutando contra o estranho nó em sua garganta, os olhos ardendo de uma forma que raramente acontecia consigo. Tentou engolir a emoção.
Então olhos esmeraldas se abriram e encontraram os seus, primeiro com choque, depois com surpresa, sua mão pêssego passou pelas bochechas bronzeadas, um sorriso tremulo deslizando em seus lábios, sem saber o que dizer, incerto do que poderia fazer para mudar o estado de espirito entristecido repentino do ouriço ébano.
Quando Shadow não fez nenhum sinal de se mover, deslizou seus braços pelos ombros dele, puxando-o para se deitar em cima dele, deslizando os dedos pelos espinhos ébanos, o ouriço ébano apenas se deixou ser aninhado, enquanto ainda tentava se conter.
— Hey... — Sussurrou gentil nas orelhas caídas pressionadas contra o crânio ébano e carmesim. — Sou eu, se concentre na minha voz e respiração. — Sonic não estava assustado com a reação de Shadow, já acostumado com os ataques de pânico que Tails tinha sempre em noite de tempestade.
Não que o Shadow passava era comparado, mas deduzia que graças a falta de prática com expressões e incerto de como reagir a outras emoções que não fossem fáceis, como tristeza, raiva e alegria, o ouriço acabara entrando em pane com seus próprios sentimentos.
O tempo em que passara com o ouriço ébano lhe ensinara a reagir de acordo com alguma atitude ou sentimento. Para sua sorte, não estava completamente despreparando para quando Shadow retornasse.
Contudo, não era comum que Shadow não soubesse o que dizer ou fazer.
Então ficou alisando seus espinhos até que seu estomago acabara por roncar, mas estava tão confortável aninhando Shadow que havia se esquecido que passara muito tempo sem comer, não que isso fosse importante naquele momento, tendo a prioridade de seus sentimentos focadas no ouriço que aos poucos parecia se acalmar.
— Por quê...? — Sua voz saiu quase inaudível.
— Hm? — Cantarolou distraído, apenas se deixando levar pelo momento de paz.
— Fez tudo isso... — Disse com uma respiração profunda, seu dedo deslizando pela barra da camisa social até a meia longa.
— Ah! — Deu uma pequena risada. — Queria receber meu namorado em casa com estilo e pompa. — Cantarolou baixo, sua voz como uma canção há muito não ouvida por Shadow, acalmando seus medos por mais irracionais que pudessem ser.
— Eu poderia ter te machucado. — Respondeu com a voz tranquila.
— Eu sei, mas você não me faria nada por querer. Eu confio em você. — A convicção que vinha das palavras de Sonic eram não só reconfortantes, como ele acreditava naquelas palavras.
— Eu não sou confiável. — Amargura e uma tristeza antiga envolvia aquelas frases, Sonic entendia de onde tanto remorso vinha.
Um dos seus dedos deslizaram pelo queixo bronzeado, levantando-o o suficiente para que os lábios fizessem contato.
Era um beijo diferente dos habituais, geralmente mais eufóricos, desajeitados ou famintos e de alguma forma era quase cálido.
Sonic guiava Shadow para um mar de sentimentos doces, seguros e puros.
Era mais do que apenas um gesto de conforto, uma tentativa de o fazer esquecer os pensamentos anteriores que lhe causava tanto desconforto, pelo contrário.
— Confio em você. — Enfatizou, dando leves selinhos nos lábios bronzeados, incapaz de se afastar deles, viciantes e gentis eram uma espécie de paraíso particular que somente ele era capaz de desfrutar.
E Shadow não precisava de nada mais do que aquelas palavras para se sentir em total plenitude.
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