Lost Memory.

13 13. Careless Whisper


Notas iniciais
Promessa é dívida. Nunca duvide das minhas palavras. https://www.youtube.com/watch?v=I7imqO-OBVk

Os dias passaram em uma velocidade impressionante. Logo já se formava semanas e quando eles menos esperavam, já havia completado um mês.

Um mês.

E por mais que tentasse manter suas esperanças em taxa alta, não estava com nenhuma confiança de que Sonic voltaria de seu sono.

Preferia pensar assim, que o ouriço apenas estava dormindo demais. Preguiçoso... Manhoso...

Porque a verdade era dolorosa demais, inaceitável. Sonic não poderia estar fora de combate, inconsciente e preso a uma cama de hospital, tendo paradas respiratórias em dias alternados, vivendo com um tubo de oxigênio para prevenir que morresse por seus pulmões falharem.

Não aguentava assistir sua inatividade. Logo o ouriço azul que era sempre tão energético. Seu peito doía. Nenhum sinal de que voltaria a consciência.

Os médicos estavam incertos, teria sido mesmo uma boa ideia induzir o coma em Sonic? Não conseguiam reverter o quadro. Era para ser fácil, mas não foi.

Desistiram de interferir na mente dele. Mas os exames ainda continuavam.

Leituras cerebrais constantes, seus batimentos monitorados dia e noite. Não sabiam até quando seria tarde demais ou se existiria alguma esperança.

Estavam sobre a incerteza do tempo. Não sabiam quando o próximo ataque aconteceria. Nem a razão pela qual Dr.Eggman levava tanto tempo para se recuperar.

— Máquinas não são construídas da noite para o dia, precisa de planejamento primeiro. — Tails argumentou uma noite, em que o grupo estava reunido na pequena casa compartilhada de Sonic e Tails, onde Shadow fazia sua residência temporariamente para cuidar de Tails. — Se tivemos sorte, talvez tenhamos mais um mês ou dois. Até para construir robôs para construir coisas para você leva tempo, é a única certeza que eu tenho.

Mas Shadow sabia que, com Sonic fora, Eggman não demoraria tanto tempo para dar as caras, tinha medo do que isso poderia interferir, não sabiam quanto tempo ainda tinham e quais as chances do coma ser superado. Ninguém estava muito confiante em suas suposições.

Quanto mais? Dias? Meses? Anos? Não era um sonhador. Não era religioso. Estava perdendo a fé.

Claro, ele era o Ultimate Lifeform, poderia lutar para defender a cidade, o mundo, quantas vezes quisesse, mas não era a mesma coisa. Porque ninguém queria ser salvo por Shadow. Queriam que Sonic os salvassem.

Shadow não era o herói que Móbius queria, mas era o que a nação precisava. E era exatamente isso que fazia para ocupar o tempo que não podia estar ao lado de Sonic, verificando se não tinha nada fora do lugar, nenhum problema a ser resolvido e claro, as missões da GUN que, por alguma razão, haviam sido reduzidas para ele, sem nenhuma explicação, apenas porque o Comandante Tower sentiu vontade.

Nenhuma explicação adicional fora lhe dada. Rouge e E123 Ômega ainda eram convocados com frequência, enquanto ele era quase esquecido, mesmo sendo a ponta de lança do Team Dark e o mais poderoso. Queria perguntar a morcega se ela tinha alguma relação com a súbita mudança na direção das ordens da GUN, mas a morcega sempre era evasiva quando o assunto era tocado.

Sem falta, dia após dia, passava todos os horários de visitas disponíveis no quarto de Sonic. Visitando sempre, na expectativa de um dia vê-lo abrir os olhos e fazer qualquer piadinha sem graça, minimizando seu estado e brincando com a preocupação dos meus amigos.

Já se passou um mês. E nem um mínimo sinal de que ele voltaria, a respiração continuava lenta, mínima. Seu peito ainda subia e descia, sem nenhum sinal de alteração.

Seu corpo estava em perfeito estado, as costelas quebradas restauradas. Suas cicatrizes desapareceram não deixando quaisquer resquícios, não havia nenhuma contusão, nenhum ferimento que o sangue do Ultimate Lifeform já não tinha curado. Seu corpo estava apenas perfeito por fora, intimamente, nem os médicos sabiam dizer quais eram as extensões de seus danos.

— Está tudo bem com Tails. — Shadow se sentou na cadeira dobrável de plástico cansado. Seus dedos ansiosos já buscavam os de Sonic, entrelaçando-os, unindo suas mãos, sentindo-o ali. — Ele é um bom garoto, teimoso sim, às vezes. — o ouriço negro revirou os olhos. — Sim, eu sei, é o Tails.

Apertou os dedos juntos enquanto sussurrava carinhosamente perto do rosto dele, de forma com que não escutassem sua voz caso entrassem no quarto.

— Sabe, eu sei que estou fazendo isso há um algum tempo. Os médicos disseram que você seria capaz de ouvir, sentir. — seu polegar deslizava pelos nós dos dedos com calma. — Consegue me sentir, Sonic? — o ouriço ébano apertou seus dedos.

Nenhuma resposta.

Shadow se inclinou e colocou a mão pálida espalmada em seu peito, no lado esquerdo, estremeceu com o toque gélido, mas a manteve ali, onde batia seu coração.

— Eu estou aqui, Sonic. — suspirou as palavras sua voz rouca de cansaço. — Como sempre estive. Consegue sentir meu coração? — fechou os olhos por alguns segundos, apenas sentindo a textura da mão em seu peito.

— Sou seu, Sonic. — continuou seu monólogo. Riu internamente com a irônica da situação.

Agora era ele que mantinha monólogos, Sonic era incapaz de lhe responder, embora implorasse que o ouriço lhe desse algum sinal.

— Vou te atualizar. — deixou a mão dele ali, em seu peito e concentrado, apurou sua audição para lhe alertar de antemão caso alguém se aproximasse da sala. — As coisas continuam normais, Tails continua dormindo tarde, trabalhando na oficina em algo que não deixa ninguém ver, mas eu sei o que ele está tentando fazer. Ele quer manter a mente ocupada, sabe? Não pensar muito na falta que você nos causa.

“Eu deveria fazer a mesma, mas cada minuto do meu dia fico preocupado com você. Fico me perguntando se você reagiu, se está bem... É, eu sei, patético para alguém como eu estar preocupado assim com você, Sonic the Hedgehog não se rende fácil, não é?” Lágrimas começaram a encher as bordas de seus olhos carmesins, o ouriço ébano inspirou fundo, sufocando um soluço que o sufocava por dentro.

“Você tinha razão sobre o garoto, ele é inteligente. Muito mais do que eu esperava.” Deu um sorriso fraco, seus lábios tremendo com a crise de choro que tentava reprimir. Ele não podia perder o controle de suas emoções em um lugar público. Simplesmente não podia... “Não sou tão forte quanto me faço parecer. Eu deveria te odiar, Sonic. Por me deixar tão frágil, tão vulnerável, tão sensível. Eu odeio essa parte de mim que você deixou. É, eu sei que você não teve escolha, tudo aconteceu tão rápido. Não tivemos tempo para nos preparar. Você tentou me proteger mesmo não precisando disso. Você é um idiota, Faker.”

Shadow apertou com carinho a mão que segurava em seu coração, sua mão indo de encontro ao peito do ouriço azul, descansando sua mão suavemente ali, mesmo que o monitor cardíaco estivesse operando e soasse um bipe baixo e regular. Ele não queria ouvir os batimentos cardíacos de Sonic. Era algo mais íntimo, um afago de amantes.

“No fim somos todos iguais, não é? Viramos idiotas quando nos apaixonamos, mesmo que eu seja a pessoa errada para você. Se você não tivesse tentado me proteger... Se não tivesse recebido o golpe por mim, mesmo sabendo que eu aguentaria... Nada disso teria acontecido... E sabe o mais engraçado? Se a situação fosse inversa, eu teria feito a mesma coisa. Somos dois idiotas.”

Shadow balançou a cabeça. Uma lágrima rebelde escorreu de seus olhos, deslizando por sua bochecha amendoada, ele não a limpou, deixou livre para fazer seu caminho.

“É vergonhoso. Saber que tem uma mínima chance de você estar ouvindo tudo o que estou falando, eu sei que você não vai deixar o que aconteceu aqui passar batido, se você estiver ouvindo, claro. Eu te conheço, Sonic, vai me encher a paciência até eu admitir tudo que estou falando para você. O engraçado é que eu não vou relutar, não faz sentido negar algo óbvio, que está estampado na minha testa. Eu te amo, Sonic, te amo mesmo sendo esse ouriço idiota e inconsequente que adora me tirar do sério. Eu apenas queria que essas palavras chegassem até você. Mesmo que ainda não esteja pronto para acordar, só queria que soubesse que vou te esperar.”

Ouviu passos se aproximando e, com extremo cuidado, colocou a mão que estava em seu peito ao lado dele, na cama, enquanto se ajeitava e limpava a lágrima do rosto, tinha alguns segundos, então respirou fundo cinco vezes e tentou se controlar. Se moveu rápido e se sentou no sofá no canto mais afastado do quarto, sem fazer barulhos.

Cruzou os braços no mesmo momento em que o médico entrava, a figura já familiar aos seus olhos, o pato mobian teve um sobressalto ao ver o ouriço ébano ali, seu semblante tenso e cansado, seus olhos vermelhos carregavam uma dor incalculável, embora sua expressão se mantivesse séria e fria. Como sempre fora, impondo medo e respeito embora não fizesse esforço nenhum para tal.

— Ah! Sr. Hedgehog, não precisava vir tão cedo! — Dr. Horácio exclamou enquanto pegava a prancheta ao pé da cama e lia as anotações deixadas por outros médicos com um olhar de profunda concentração. — Hm...

— Me encontro na obrigação de visitar o paciente na qual estou pagando pelos seus cuidados. — Shadow respondeu frio. Mas o médico não estava convencido sobre a fachada indiferente que o ouriço ébano empunha para os outros. Não era tão alheio assim.

— Claro. — não forçou nada além, conhecia a fama de Shadow, conhecia suas várias facetas pelo tempo que estiveram em contato que era como se fosse outro paciente seu. Então preferiu não o provocar, principalmente por causa de seu humor. — Estava mesmo pensando em chama-lo, gostaria de mantê-lo a par do que está acontecendo e dos nossos avanços.

— Não parece ter avançado tanto assim. — Comentou ácido, comentário que o pato ignorou, aprendera que, se não era um certo ouriço azul super veloz, não adiantava retrucar da mesma forma.

— Vai se surpreender com os resultados, nossa equipe está otimista. — Dr. Horácio parecia confiante, então Shadow o encarou por um tempo, procurando falsas esperanças antes de se levantar e caminhar até ele.

— Espero que esteja correto sobre isso, doutor. — Shadow gesticulou para que saíssem da sala, o médico colocou a prancheta de volta e, conforme o seguia, pensava em como iria abordar a verdadeira situação com o ouriço ébano tão imprevisível.

No quarto quase vazio, onde a figura azul adormecida repousava em seu ‘sono’, os batimentos começaram a se acelerar, para dois segundos depois, voltarem ao normal.

Nada mais de diferente fora ouvido.

Nem mesmo um fio de esperança.

Notas finais
Pô, dá aquele incentivo top pra eu, nunca pedi nada. Até uma próxima~