Notas iniciais
Faz muito tempo né... Bem, desculpa a Então, será que me desculpam com esse capítulo? Escrevi no gás ouvindo Enamel. Desculpe quaisquer erros. Sem mais delongas boa leitura.

O ar estava fresco pela manhã, o sol ainda não havia surgido no horizonte.

Acordou mais cedo que o habitual, quase não dormira pela noite devido ansiedade e o pouco que descansara não fora o suficiente para melhorar sua aparência.

Ao descer as escadas de seu quarto, encontrado o seu pequeno irmão já na cozinha se servindo de cereais e leite, notou distraidamente que não fora o único que não tivera as tão merecidas oito horas de sono.

Bocejou, enquanto abria a geladeira e pegava a caixa de leite, seu estômago não estava preparado para algo sólido, então o leite deveria ser o suficiente por enquanto.

— Não deveria ficar tanto tempo acordado, garoto. — Comentou aborrecido.

Tails levantou os olhos azuis e encarou Sonic ironicamente, um olhar levantado como se dissesse “Ah, é?”.

Sonic ignorou, voltando a caixa depois de se servir de um copo generoso, se encostando no balcão. Bebericou.

— Vou ficar o dia fora, consegue se cuidar sozinho? — Perguntou receoso.

— Sim, pai. — O vulpino revirou os olhos, logo enchendo a colher e comendo. — Qual é? Não é como se eu fosse uma criança capaz de incendiar a casa.

— Eu só me preocupo! — Se defendeu, estendendo a mão que não segurava o copo na sua frente como se estivesse se protegendo de um golpe. — Você é meu irmãozinho, não quero que nada te aconteça enquanto não estou perto. — Seu tom se suavizou na última frase, tirando um sorriso mínimo de Tails que também amoleceu com as palavras.

— Eu sei, irmãozão. Mas você precisa ter mais confiança em mim também. — Terminou seu café e foi para a pia, começando a lavar a louça que sujou. — Quais os planos para hoje? — Perguntou casual, tentando minimizar seu interesse, embora não pudesse evitar.

— Correr, espairecer. — Desconversou, terminando o leite e esperando Tails terminar para que pudesse lavar. — Talvez encontrar algo interessante ou algum robô de Eggman para chutar. — Encolheu os ombros inocente.

Tails olhou para Sonic antes de rir de sua expressão.

— O que foi? — O ouriço indagou.

— Espera mesmo que eu acredite que Shadow não tem nada a ver com isso? — Encarou Sonic sério.

— Não sei do que está falando... — Desviou o olhar, evitando que o garoto visse o quanto acertara em cheio, seu rosto quente como prova de sua falsa inocência.

— Sonic, eu sei que vocês estão saindo e quer saber? Estou feliz por você, por ele. É bom que vocês agora sejam bons amigos, não precisa esconder isso de mim. — Tails tocou o braço do ouriço até onde conseguia alcançar, tentando transparecer sinceridade.

— Não somos amigos... — Suspirou, seu rosto ainda mais vermelho.

— Ok. Admito, por essa eu não esperava. — Tails soltou tranquilamente.

— É eu sei... Quem pensaria que eu estaria interessado em caras e—

— Não estou falando disso. — Tails interrompeu impaciente, olhando para o ouriço com leve irritação. — O que eu quero dizer é: “não esperaria que alguém como Shadow seria o tipo de cara que entraria em um relacionamento”.

O ouriço sorriu mais relaxado, olhando para o garoto com carinho antes de dar uma risada.

— Nisso eu não tenho como discordar, ele é todo retraído com as pessoas, quieto em um canto, sozinho. Sinceramente não esperava também. — Encolheu os ombros.

— Ele te faz feliz? Você se sente bem quando está com ele? — Tails fez a pergunta chave, olhando para Sonic com uma maturidade atípica para sua idade, os olhos azuis transparecendo mais do que palavras podiam dizer. Demonstrando toda a confiança e aceitação que o ouriço azul precisava para se sentir confortável.

— Sim. — Suspirou sincero. — Acho que nunca me senti mais como eu quanto agora. — Admitiu. — Sabe, todo esse lance de ser legal e maneiro, herói e mais um tanto de coisa não é tão bom quanto parece, tudo depende de aparências e, esconder o que eu sou estava... Eu não sei explicar.

— Te deixando cansado? Estressado? Uma experiência maçante? — Arriscou.

— De verdade? Sim. Viver com medo é tão assustador. Eu não sabia o que achariam de mim, como reagiriam, não só pelo que sou, mas pelo passado do Shadow, pelo preconceito que muitos demonstram dele, do quanto acham que ele pode de repente querer explodir o planeta de novo e saberem que eu e ele somos algo...

— É, imagino o que quer dizer, o Comandante achou que você estava em associação com ele na invasão dos Black Arms. — Relembrou.

— Naquela época ele estava confuso... Perdido, não sabia quem era, em quem confiar. Eu nem imagino o quão doloroso deve ter sido, o quanto ele teve que suportar. — Se abraçou com força. Esquecendo o copo na pia. — Eu não sei como me sentiria se eu estivesse no lugar dele, não sabendo quem sou, sem certeza do que é verdade...

— Você tem medo do que podem achar dele, não é? — Tails lhe deu um sorriso suave. — Não consegue me enganar irmão, você está muito mais preocupado com o que pode acontecer com ele mais do que a si mesmo.

— Me pegou. — Riu sem humor. — Mas também tenho receio do quanto isso pode fazer com que pensem errado de tudo que eu faço e faça de Egghead o herói de toda a história. Eu não sei se quero um plottwist assim na minha vida, principalmente porque eu sei que sou o mocinho. E que Shadow não fez nada agora que merecesse todo esse tratamento.

— Como ele está com tudo isso? — Sua voz saiu mais curiosa do que pretendia, não queria parecer se intrometer na vida pessoal de Sonic, mesmo podendo usar a desculpa de irmão para justificar sua breve intromissão.

— Sendo ele mesmo. — Deu de ombros. — Dizendo que não se importa com o que pensam dele e que ele traça o próprio caminho. Essas coisas. — Seus lábios se curvaram em um sorriso mínimo. — Ele vive falando que me preocupo demais com coisas pequenas e isso me deixaria grisalho mais cedo, como se eu fosse o velhote aqui.

— Saber que você está feliz, que se sente bem com ele, é o ponto mais importante, não é? — Desviou o assunto levemente, tentando mudar a direção do assunto para o tópico inicial.

— Eu acho que é isso. Rouge disse a mesma coisa, mas acho que é só questão de tempo para que eu me acostume. — Colocou a mão a cabeça do garoto, bagunçando os fios de sua franja com um sorriso característico no rosto. — Obrigado, maninho.

— Não há de quê. — Riu com o tratamento. — Agora mexa essa bunda daqui, não vai querer deixar o Ultimate Lifeform esperando. — Brincou, enquanto dava um tapa de brincadeira no braço em sua cabeça.

— Você é o melhor! — Riu enquanto ia para a porta com um ânimo melhor.

— Diz para ele que mandei um “oi”. — A voz veio abafada da cozinha, enquanto uma torneira era novamente aberta.

— Pode deixar! — Fora a única resposta antes que fechasse a porta atrás de si.

.

A corrida era revigorante, embora quanto mais o sol encaminhava pelo céu, mais a fadiga parecia rastejar por suas costas, se amaldiçoou por não ter dormido o mínimo e agora não tinha como voltar atrás.

Se dirigiu até o ponto de encontro, uma clareira isolada e distante o suficiente para que pudessem chamar de “deles”, era perto de um riacho que lhe dava calafrios cada vez que ouvia o som de água corrente, mas havia aprendido a ignorar o pequeno e irritante barulho.

Shadow já estava lá, claro. Encostado em um tronco largo de árvore e encarando a chegada do ouriço cobalto com olhos rubis analíticos, embora sua expressão não tenha mudado em nada.

Sonic parou alguns passos de Shadow, incerto se deveria ou não invadir seu espaço pessoal, não conseguindo decifrar a expressão enigmática que o ouriço ébano tinha no rosto.

Encarou-o em retorno, embora não tivesse a mesma intensidade no rosto e percebeu que ele parecia estar cogitando algo, enquanto olhava para si.

Antes que pudesse abrir a boca e perguntar, Shadow lhe surpreendeu se aproximando e passando o braço direito ao redor de sua cintura, enquanto a outra mão pousava em seu rosto, o polegar alisando abaixo de seus olhos, os olhos rubis geralmente tão sérios ou enfurecidos, estavam suaves, preocupados.

— Alguém precisa muito de um descanso. — Demorou algum tempo para que Sonic percebesse que Shadow havia notado suas olheiras, assim como sua expressão fadigada.

— Não consegui dormir. — Disse apenas. Dando de ombros como se fosse a coisa mais insignificante.

— Não deveria ter vindo assim. — Repreendeu, a voz rouca e baixa causava arrepios em sua espinha. — Poderia ter dormido mais. Eu não iria embora, eu gosto de ficar aqui.

— Quem aqui está se preocupando demais por coisas pequenas? — Riu sem fôlego. A mão em seu rosto se moveu, um dedo delineando seus lábios pêssego.

— Sua saúde não é uma preocupação pequena para mim. — Respondeu apenas.

Aquelas simples palavras, a forma como seus olhos eram quentes ao mesmo tempo que ternos e suaves, era demais para Sonic suportar, seu coração corria rápido em seu peito, sua respiração irregular, mesmo que ele nem tenha lhe proporcionado toques a mais.

A forma como seus corpos roçavam um no outro pelo curto espaço ocasionado pelo abraço, aquilo fazia seus olhos arderem, tentando segurar a vontade de chorar, junto com o ardor ocasionado da noite mal dormida, fazia com que se sentisse patético.

Não deveria ter se emocionado, nem parecido como uma criança que recebia o abraço de um adulto numa noite de tempestade, mas não conseguiu se segurar. Em um breve segundo, seus braços estavam ao redor do pescoço ébano, sua cabeça escondida em seu peito, os pelos brancos sendo amassados pelo rosto comprimido contra eles, abafando os soluços que vieram repentinamente.

Shadow olhou para baixo confuso, os braços estendidos no ar, antes que desajeitado passou pelas costas de Sonic, seus dedos descendo pela coluna vertebral lentamente, sem presa, enquanto tentava entender o que diabos que fizera para que fizesse seu namorado chorar dessa forma.

— Shhhh, faker. Está tudo bem. — Sussurrou em uma orelha cobalto.

— Shadow... — Sonic fungou contra o peito, sentindo o cheiro forte e almiscarado que o fazia se sentir completamente em casa. — Eu...

— Tudo bem, faker. — Apenas disse.

Alguns minutos se passaram enquanto continuavam assim, até que Sonic tirou seu rosto do peito de Shadow, embora não desfizesse o abraço. Seu rosto estava vermelho, se era do choro ou de constrangimento, não sabia dizer.

— Tudo isso é tão novo para mim. — Confessou. Sua voz rouca do choro, não fez questão de pigarrear. — Eu não sei como reagir, com você eu me sinto tão forte e ao mesmo tempo tão vulnerável. É como se nada pudesse me atingir ao mesmo tempo que sou feito de vidro.

As mãos que lhe acariciaram apertaram o abraço, enquanto Sonic retornava o rosto para o peito de Shadow.

— Está com medo? — Perguntou baixo, o tom sem emoção característico quando não queria demonstrar sua insegurança.

— Não. Não estou. — Sua convicção era firme, clara e cristalina que não abria brechas para dúvidas.

— Então... — Incentivou, mesmo sabendo que talvez que gostasse da resposta.

— Eu me sinto seguro com você, o suficiente para chorar, para ser sincero comigo mesmo. Não tenho medo, mas estou assustado com tudo isso... Talvez seja o sono, talvez seja o fato de que hoje mal começou e já fui surpreendido... — Tagarelou nervoso. — Falando nisso, Tails te mandou um “oi”.

— Então você contou a ele? — Shadow sabia a resposta, mas sabia que se perguntasse, ajudaria Sonic a colocar tudo para fora, para aliviar a tensão que ele sentia sob seus dedos.

— Ele meio que já suspeitava então acabei deixando escapar que não somos só amigos e ele ligou os pontos. — Admitiu. — Eu sabia que ele era inteligente, mas não imaginava que seria descoberto tão cedo.

— Você não é o melhor para guardar segredos, faker. — Provocou, embora não tinha raiva ou ressentimento em seu tom. Apenas uma leve sugestão de diversão. — Nem mesmo os seus.

— Não é verdade! — Estufou as bochechas infantilmente, soltando um bufo logo em seguida. — Há coisas que nem você sabe. — Afirmou presunçoso.

— Ah, é? — Um polegar cutucou o quadril de brincadeira, fazendo Sonic pular com surpresa. — Eu adoraria saber quais são, mas antes eu quero te mostrar um lugar.

— Lugar? — Tirou a cabeça do peito e encarou os olhos rubis com curiosidade. — Qual é?

— Surpresa. — Disse apenas, enquanto tirava um braço para cavar entre seus espinhos e virar uma esmeralda de lá. — Agora feche os olhos e não trapaceie.

Sonic suspirou, resolveu obedecer, fechou os olhos e voltou sua cabeça para a posição anterior. Não que não quisesse, o peito de Shadow era tão macio que era irresistível não desejar ficar ali o dia todo, apenas sentindo seu cheiro e ouvindo as batidas de seu coração.

Chaos control! — Ouviu baixo, mas audível o suficiente para que soubesse quando o comando começou.

Era estranho a sensação de distorção espaço-tempo, como se o ar tremulasse ao seu redor e o chão não existisse, embora estivesse seguro nos braços de Shadow, não parecia que estava acompanhado. Sentiu uma vertigem, embora sempre sentisse, dessa vez foi atenuada por estar de olhos fechados.

— Pode abrir. — Instruiu.

Sonic demorou algum tempo para o fazer. Estava agradecido de ter bebido apenas leite e não tomado seu café da manhã habitual, embora sentisse ainda mais a falta de energia e disposição.

Olhou ao redor confuso, era um quarto amplo, as paredes eram revestidas de papel de parede menta, tinha uma escrivaninha, um armário e dois criados-mudos em cada lado da cama, essa que era grande e parecia confortável, com um dossel que parecia uma nuvem. Era branca e os lençóis da mesma cor.

Olhando ao redor, viu duas portas, uma que ele supôs ser do banheiro e outra para sair, embora não soubesse para onde acabaria indo se saísse.

— Você... Uh... Me levou para um motel? — Perguntou confuso.

— Não, esse é meu quarto. — Respondeu paciente.

— Estamos no clube? — Estranhou. Parecia grande demais para um quarto de hospede, parecia mais com uma suíte presidencial de um hotel cinco estrelas.

— Não. Logo após “nós”, decidi comprar essa casa. Rouge estava já enjoada de ver minha cara e sugeriu que eu adquirisse um lugar para morar, também para ter privacidade. Embora eu suspeito que essa sugestão tenha muitas intenções obscuras. — Revirou os olhos rubis.

Sonic sentiu seu rosto fervendo com a sugestão e acanhamento por isso também.

— Uh... Você quer... Aquilo... Comigo? — Perguntou, seus olhos baixaram para o chão, mordeu o lábio. Se sentia tão inseguro! Tão incerto! Era tudo tão novo, tão recente, sentiu-se atordoado.

— Ainda teremos esse momento. Mas não hoje, não quando você parecesse tão assustado. — Shadow levantou o rosto de Sonic para encarar os olhos esmeraldas.

— Então por que—

— Fazer com que um certo ouriço emotivo tenha algumas horas de sono. — Os lábios de Shadow tocaram as bochechas ardentes, limpando a nova trilha de lágrimas que recomeçaram a escorrer. — Já que alguém é teimoso demais.

— Você vai dormir comigo hoje? — Perguntou tremulo. — Não daquela forma, eu quero dizer.

— Se quiser. — Deu de ombros.

— Eu quero. Me sinto mais calmo assim. — Desviou o olhar.

Shadow puxou Sonic para que se sentasse no colchão macio, se ajoelhando e descalçando os sapatos, tirando também as meias. Um dedo distraidamente deslizou pela sola, tirando uma risada nervosa de Sonic.

— Cócegas? — Perguntou com um brilho maldoso nos olhos rubis.

— Não! — Sua resposta rápida foi o suficiente para que Shadow tivesse sua confirmação.

O ouriço negro se levantou, enquanto se inclinava contra Sonic as mãos em cada de sua cintura, segurando-o e o forçando a se deitar, quando para a surpresa do ouriço azul, os dedos corriam velozmente pelos seus lados, fazendo o gritar em meio a um ataque histérico de risos.

— Não! Para! Ah! PARA! — Gritou em meio aos risos, até que Shadow resolveu ter pena do pobre ouriço e descansou as mãos no colchão, sustentando seu peso.

Não deixou espaço para que Sonic respirasse antes de tomar seus lábios no dele, beijando-o suavemente, antes de se separar com breves selinhos e se afastar.

— Descanse, faker. — Disse tranquilo, se sentando ao lado de um ouriço ofegante que se sentia como uma gelatina.

— Deita comigo. — Pediu baixo, em um fio de voz.

— Tira as luvas. — Instruiu antes de depositar as suas próprias ao seu lado para tirar seus sapatos.

— Uh... — Disse apenas antes de obedecer.

Não queria se sentir completamente desprotegido, exposto assim diante de Shadow. Mas confiava que ele fosse um homem de palavra, acreditava nele.

Tirou-as demoradamente, levando bem mais tempo que o habitual, com medo e receio.

Colocou as luvas no criado mudo mais próximo, enquanto observava Shadow ir para o outro lado para depositar seu sapatos e luvas.

Ele saiu da cama para levantar o lençol para se deixar, se sentindo minúsculo em uma cama tão grande.

— Vem cá, faker. — Shadow chamou com suavidade, ajudando-o a se acomodar com a cabeça no peito dele enquanto um braço rodeava a cintura cobalto e o apertava de encontro ao seu corpo.

Sonic fechou os olhos, um pequeno sorriso nos lábios, satisfeito consigo mesmo.

Se a rotina se repetisse, o que ele sabia que iria, seriam dias felizes.

Notas finais
Comentem ae se quiserem, gostaram do cap e estou perdoado? Até uma próxima~ by: ShadowShirami~