Lost Memory.

12 12. Isso é uma ilusão, abra os olhos para ver.


Notas iniciais
Sheeesz, faz um ano que não tem uma atualização aqui... Bem, primeiramente queria dizer que estou sem teclado, escrevi esse capítulo no computador dos meus irmãos, Windows XP me dá nostalgia. Desculpe pelos erros, Word 2007 ainda usa trema e o corretor automático me trollou diversas vezes. E para completar, um mês sem internet... Então aproveitei a bad para escrever esse capítulo, não acho que vão entender logo de cara, mas fazer o quê? É uma fanfic minha afinal. Está pequeno eu sei, escrevi num momento muito forte de depressão e estou escrevendo essas notas num teclado pequeno e compacto de tablet, sinto falta do som das teclas do meu teclado. Also, estou viciada essa fansing do Infinite. Sem mais delongas, boa leitura...

Era tudo completamente escuro, nenhuma cor, nem mesmo sabia se seus olhos estavam fechados ou abertos, nada parecia fazer sentido para si.

Seu corpo estava insensível a tudo, ao mesmo tempo em que parecia que seu corpo flutuava sobre a água, seguindo uma correnteza inexistente, tinha a estranha sensação de estar preso e amarrado a uma resistente maca de metal.

Seus braços eram membros mortos ao lado de seu corpo, suas pernas estavam esticadas, imóveis. Não sentia dor, não sentia medo ou qualquer outro de sentimento físico ou emocional, era como se tivesse sido envolvido pelo abraço do nada.

O tempo era um detalhe inexistente para si, vago, impreciso, poderia ter se passado segundos, como também podia ter se passado dias. Seus ouvidos estavam surdos, seus lábios pareciam estar colados por cola permanente, não se abriam, tampouco tremeluziam.

De repente, sentiu algo em sua mão, um quente e gentil toque onde deveria estar seus dedos, a sensação era reconfortante, cálida. Trazia uma chama fraca de calor para onde deveria estar seu coração, um órgão tão vital que até então não tinha percebido que ainda lutava para continuar a bater, bombeando sangue e ainda o mantendo vivo.

Mas... Não era a sensação de estar morrendo?

Suas memórias eram vagas, apenas conseguia se lembrar da dor penetrante em seu peito, a visão turva que apreendia apenas vagamente, borrões de cinzas, amarelo, preto, vermelho, rosa e branco. Eram apenas cores desconexas em sua visão que logo desapareceram.

Eram fragmentos de algo importante?

Tentou se agarrar em algum rosto, buscar algo em suas memórias, mas apenas o vazio e o nada lhe receberam em sua busca que até então havia sido completamente infrutífera, inútil, sem sentido.

Apenas um borrão de preto e vermelho aparecia casualmente, preenchendo o vazio, mas era tão aleatório e sem sentido que não havia nenhum sentido se prender a algo assim, parecia se tratar de algo completamente tolo e ineficaz.

Perdeu noção de quantas vezes o toque fantasma aparecia e depois sumia, sentia falta desses toques estranhos, havia se formado um padrão entre eles, sentia sempre o toque gentil e calmo, o calor se alastrando de sua mão até seu peito e depois aquecendo seu corpo insensível por inteiro.

A sensação era tão boa, tão convidativa que não parecia ser totalmente real, como se fosse algo meramente imaginário, no entanto poderia até mesmo jurar que sentia a respiração quente em sua pele, não só no torso de sua mão, como na superfície de sua testa, o toque gentil e macio sobre seu rosto, braços e se não estivesse louco, delineando ao redor de seus lábios.

Aos poucos sentia que podia sentir outras sensações, suas pernas sendo cobertas por algum tecido fino, alguém ou algo as movimentavam, não era um movimento natural e, era tão estranho que chegava a ser desconfortável, estavam mexendo em seu corpo imóvel e fraco sem sua permissão! Queria que a sensação parasse, o desconforto cessasse, mas seus lábios eram incapazes de mexer ou fazer qualquer movimento, a sensação de estar flutuando havia assustadoramente se transformado na sensação de estar sendo preso a alto.

Seu peito ainda descia e subia, seu coração batia com uma lentidão deliberada, nem tão frenético como sentia que deveria estar quando o toque gentil tomava sua mão em um aperto confortador, nem tão lento que colocaria sua existência em risco.

Desconhecia completamente a noção de tempo, mas o tempo passava incrivelmente devagar quando a mão lhe segurava, parecia que seu tato eram fios elétricos desencapados, o choque que começou a sentir depois de um tempo não era doloroso, não o fazia sentir vontade de puxar sua mão e se afastar, pelo contrário, sentia-se cada vez mais atraído e fascinado pelo toque, desde que parecia ser o único toque que seu corpo imóvel e inútil parecia sentir.

Então, muito deliberadamente, as emoções aos poucos pareciam estar surgindo em sua carcaça vazia. Conforto, paz e um calor agradável, a sensação de calor que deveria estar em seu peito e rosto, mas seu corpo inútil era incapaz de reproduzir, mas de alguma estranha forma sabia que deveria ser assim, embora desconhecesse completamente essas ações em seu corpo.

Deliberadamente, seu corpo começou a ter novas e estranhas sensações.

Quando a mão estava na sua, automaticamente era teletransportado para um jardim fresco e florido, como um doce e gentil sonho tranqüilizador, estava deitado confortavelmente em uma cama feita de flores douradas, onde a brisa acariciava seu rosto e as pétalas deslizavam por sua pele com um carinho. O astro rei em seu ápice, lançando ondas aconchegantes de calor e acalmaria. Aquecendo seu corpo frio, fazendo seu sangue correr mais rápido por seu rosto.

Também havia outras paisagens que eram estranhamente familiar, mas sua mente não conseguia assimilar tanto quanto gostaria.

A grande e imperiosa colina verdejante, por exemplo, com sua grama alta exposta, picos de terra alternados, enquanto longas e robustas palmeiras estendiam suas folhas em sua direção, em um cumprimento de boas vindas, às vezes parecia que saudava um velho amigo, embora suas paisagens soassem como novidade aos seus olhos, o cheiro da vegetação preenchia suas narinas, o vento abraçava-o com ternura e apesar de parecer anormal, era quente em sua pele.

Olhar para aquela paisagem lhe trazia um impulso irresistível de correr, sentir a textura da grama na sola dos pés e roçando em sua perna, seus braços se movendo enquanto movia suas pernas o mais rápido que seu corpo permitia. Testando seus limites até onde poderia ir.

Porém, havia um limite para seu mundo colorido vivo e sensorial. Sempre quando o calor sumia, desaparecia como uma chama contra o sopro, as cores desapareciam, os cheiros e as texturas desmoronavam e perdiam suas cores, o intenso breu engolfava sua mente e sua visão tão rapidamente escurecia e o sentido desaparecia.

Esses momentos eram desesperadores, agonizantes e torturantes.

A falta de sentidos e visão era horrível. Não sentir, não ouvir, não poder se mover.

Novamente se sentiu preso por um torno, sua respiração era dolorosa, como se estivesse aspirando chamas, a dor era tanta que queria morrer. Mas como implorar pela morte se nem ao menos conseguia falar?

Como então pedir o alivio para seu sofrimento agonizante? Precisava desesperadamente do toque, era o único momento em que sentia algo, onde se sentia cada vez mais vivo.

Como gritar com lábios colados? Como se contorcer com seu corpo tão preso que não conseguia realizar o mínimo movimento? Como implorar com tantas as forças que o toque voltasse, se tudo parecia tão impossível para ele?

O tempo passou novamente, a dor persistia doentiamente. Zombando de seu estado vulnerável, de sua incapacidade irritante de sair de seu estado lastimável, desesperador.

Seus olhos ardiam, sua garganta se fechou, sua respiração estava travada, doía o mísero ato de inspirar, como se seu corpo inteiro estivesse envolto em chamas, que avançava por seus membros, envolvendo seu corpo e lacerando seus ossos. Estava surpreso de não sentir sua pele derretendo, o fogo era real? Ou uma alucinação?

Não sabia a resposta.

A dor diminuiu de repente, como se tivessem jogado água gelada em seu corpo em chamas. A falta de dor era aterrorizante. Vazio, sombrio e amedrontador.

Uma centelha de luz surgiu em sua visão, envolvendo seu corpo com uma luz acalentadora, a sensação de flutuar retornou, era confortável, o abraço da serenidade lhe envolveu, assim que a luz atingiu sua pele insensível.

Estava diante a uma clareira, novamente.

Mas a sensação de vazio tinha desaparecido, a ânsia, o desespero, todas suas recém aprendidas e sentidas emoções, nenhuma delas podiam ser alcançadas naquele lugar, entretanto, ao invés se sentir mal, deslocado ou aterrorizado, abraçava a ausência de sentimentos como uma tábua de salvação.

Suas pernas se moviam contra sua vontade, caminhando pela vastidão branca, o chão era perfeitamente liso e estável, não havia caminho a ser seguido, nenhuma indicação de onde seguir ou o que fazer.

Seus olhos vagavam pelo lugar, apenas um pequeno e mísero ponto dourado entre um mundo completamente branco e sereno.

Dirigiu-se para ele como se pudesse lhe dar as respostas que procurava, focado em encontrar suas respostas, mesmo que se sentisse cada vez mais perdido, sua mente não lhe ajudava, estando tão confusa.

O ponto dourado se transformou em uma silhueta pequena e magra, tons de azuis se juntaram ao dourado brilhante, quase angelical da pequena forma. Quando deu por si, estava diante de uma garotinha magra e esguia, seus olhos azuis lhe encaravam fervorosamente, intensos.

— Ele te ama muito. — A voz dela era saudosa, carregando um carinho intenso e forte que quase o desequilibrou. — Eu estou feliz. — Ela lhe disse ao mesmo tempo em que parecia estar tendo um monólogo consigo mesma.

Ela olhou diretamente para ele, os profundos olhos azuis pareciam estar olhando diretamente para sua alma, tão profundos.

— Ele precisa de você. — Ela pronunciou com urgência. — Ele precisa de você! — Ela insistiu.

Ele lhe olhou com a expressão franzida em confusão. Ele quem? Do que essa linda e perturbadora garotinha estava falando?

— Ele precisa tanto de você. — A voz dela falhou, em um piscar rápido de olhos, ela estava chorando, seus magros e esqueléticos dedos agarrarão seus braços, ela parecia tão frágil que teve medo de a afastar e a machucar.

— Por favor... Volte... — A voz dela estava retorcida pelo choro, de repente a voz parecia outra, estranha, mas ao mesmo tempo incrivelmente familiar. — Volte Sonic... — A voz distorcida disse novamente, roupa e chorosa.

Seus próprios olhos arderam, havia tanta dor que o que mais desejava era atender ao pedido da voz. Mas como? Voltar de onde? Quem era Sonic? Era esse seu nome então?

— Volte Sonic... — A voz doce feminina retornou, olhando para ele com carinho e uma suavidade. — Ele precisa tanto de sua luz outra vez. — Ela pronunciou tão suavemente e delicadamente que sua voz parecia uma canção. — Ilumine sua escuridão... Sonic... Prometa-me cuidar dele...

— Ele quem? — Perguntou, sua voz não saindo, embora seus lábios formassem as palavras, era como se fosse mudo, embora seus lábios não estivessem mais colados.

— Ele precisa de você. Tanto quanto você precisa dele. — A voz continuou, quase como se estivesse o ignorando ou apenas não o ouvisse, uma comunicação de apenas uma via.

— Você é o único que pode curar sua dor.

Volte!

A voz da garota soou em um grito estridente, cortante como vidro. Seus ouvidos doeram com o som, o lugar onde estava começou a ruim, como se fosse feito de vidro, se partindo, a garota ainda gritando desesperadamente, suas mãos ainda firmes em seus braços, mas até ela também estava ruindo, desaparecendo como aquele mundo.

Então, muito deliberadamente, seus olhos se abriram.

Notas finais
Até uma próxima... by:ShadowShirami