Lost Memory

19 Chapter Nineteen


Notas iniciais
Q bom q não me abandonaram. Resolvi postar logo esse pq talvez só tenha tempo pra postar outro apenas sabado. Espero q gostem.

No dia seguinte Sara contou aos filhos logo no café da manhã, que a família toda iria passar o fim de semana do feriado de 4 de Julho lá na outra casa deles. As crianças adoraram a notícia, pois já fazia um tempinho que não iam a outra casa, a qual ambos gostam tanto.

Após terminar de dar a boa notícia aos filhos, Sara ouviu Jully lhe pedir se poderia convidar Penny, sua melhor amiga que mora na casa ao lado, para ir com eles também. A mulher pensou em negar tal pedido, pois a intenção ali era que fossem só eles da família. Porém, ao vê Jully lhe olhando quase suplicante para que concordasse com a ida da amiga, Sara não teve coragem de negar isso a filha e dessa forma, acabou aceitando que a adolescente convidasse sua amiga inseparável. Entretanto, Sara avisou que ainda não era para Jully dizer a Penny sobre o convite que lhe faria, porque antes ela primeiro falaria com os pais da garota para perguntar se eles a autorizavam a ir com a família de vizinhos. Caso eles concordassem, tudo bem, e aí sim, Jully poderia então dizer a Penny sobre a viagem. A filha adolescente da morena concordou com isso e depois agradeceu a mãe por ter deixado sua melhor amiga ir nessa viagem com eles.

Passado alguns minutos após essa conversa, uma buzina foi ouvida.

— A van já chegou pra buscar vocês.

Sara avisou se levantando da cadeira que estava.

Jully que já havia terminado de tomar seu café naquele instante, levantou-se imediatamente da cadeira e pegou sua mochila e a do irmão que estavam ambas sobre a bancada da cozinha.

— Ei, astronauta, hora de pegarmos a nave e partimos para o planeta escola!

A garota avisou em tom de brincadeira ao irmão menor. Sempre que iam para a escola, Jully falava assim com Matt, pois tudo para o pequeno eram planetas e naves.

O pequeno com a ajuda da mãe desceu de sua cadeira e numa de suas mãozinhas segurava o pequeno foguete que ganhou de seu padrinho Greg. Hoje na escola era o dia de levar algum brinquedo para o lazer e sendo assim, o pequeno Grissom decidiu levar aquele. E logo que ficou de pé, Matt com um jeitinho todo fofo e engraçado disse para a irmã e para mãe.

— Todo dia tenho que ir para esse planeta! — após dizer isso o menino deu um pequeno suspiro e revirou os olhos.

Tanto Jully quanto Sara não puderam deixar de rir do pequeno.

Aquele pingo de gente era sem dúvida alguma, a graça daquela casa com aquele seu jeito de ser e as pérolas que soltava!

Sara acompanhou os filhos até à porta de casa. Despediu-se deles com um beijo em cada um e dali de onde estava, ficou vendo os dois irem em direção ao veículo escolar onde Gina, a motorista da van, já os esperava na porta do veículo.

A moça simpática e de cabelos vermelhos acenou com um sorriso para Sara e a morena retribuiu o gesto. As crianças entrarem na van após uma aceno para à mãe e assim que o veículo partiu, a morena fechou a porta de casa. Ao se virar avistou Grissom descendo as escadas.

— Bom dia! — saudou a mulher se afastando da porta e indo na direção do marido.

— Bom dia! Jully e Matt já foram?

— Nesse instante.

Ela o encarou e percebeu de imediato uma expressão estranha no rosto do esposo, no mesmo instante lhe questionou se ele estava se sentindo bem.

— Acordei sentindo aquela dorzinha chata na cabeça, de novo. — respondeu o homem esfregando a testa com a mão direita.

Aquelas dores vire-mexe apareciam e cada vez mais frequentes agora. Elas ora eram leves como a que o supervisor sentia naquele instante, ora eram mais intensas como a que já teve em outros dias.

— Não é melhor tomar o remédio que o Dr. Mark te receitou? — sugeriu Sara preocupada.

Sempre que seu marido mencionava que sentia essas dores na cabeça, Sara se preocupava e um sinal de alerta piscava para ela.

— Não acho que seja necessário agora, porque é uma dor leve. Se caso aumentar aí, eu tomo. — explicou.

Seu médico tinha lhe alertado a só fazer uso da medicação somente quando a dor não fosse mais suportável para ele, o que não era o caso agora. Dava para aguentar aquele desconforto que sentia, então por hora não tomaria o remédio.

— Tudo bem então. Você que sabe.

Se ele dizia que não precisava agora, Sara não discutiria ou insistiria.

— Já tomou café?

— Ia voltar à cozinha para terminar de tomar o meu.

— Vou com você e tomamos café juntos.

— Claro! — sorriu para o marido. Gostava quando tomavam café juntos. Era agradável tê-lo como companhia naquela refeição. Quando isso acontecia ao longo desses meses, Sara tinha a sensação por uns instantes, que tudo tinha voltado a ser como era antes de Grissom ficar desmemoriado.

O casal seguiu para à cozinha onde a mesa já estava posta por Sara. Enquanto, ela servia o marido, ele a observava e foi inevitável não lembrar de ontem, quando ela apareceu no quarto com aquela camisola bonita. Na ocasião sentiu um desejo por ela. Se fosse mais corajoso teria aberto seu coração naquele momento para ela e talvez a noite deles não acabaria com eles dormindo virados um de costas para o outro.

Era inegável que havia sentimentos por ela. Ontem foi a prova. Só que não se trata só de desejo, é mais que isso. É amor! A cada dia que passava seu coração se apaixonava mais e mais pela esposa. E Grissom já não sabia mais como mascarar isso.

Mas mascarar?

Por quê?

Ele tinha mais era que escancarar isso, ao invés de, mascarar. Tinha que criar coragem e dizer à esposa sobre seus sentimentos. Só que falar a esse respeito parecia ser uma tarefa tão difícil para o homem.

Sempre que estava perto de Sara perdia a voz, a noção e não conseguia falar nada a respeito de sentimentos. Algumas foram as vezes em que quis lhe partilhar àquele respeito ou até mesmo sobre outra coisa, mas no fim acabava por dizer outra completamente diferente, era frustrante isso.

Aquela mulher exercia um poder supremo sobre ele que o deixava confuso, nervoso, abobalhado e um monte de outras coisas mais quando estava perto dela. Era incrível! E Grissom não sabia porquê, mas quase podia apostar com uma certeza inexplicável, que ficou exatamente assim quando se apaixonou a primeira vez por Sara: totalmente sem saber como lhe falar sobre seus sentimentos.

E o homem mal podia imaginar, que não estava tão errado disso. Sua aposta não poderia ser a mais acertada. Foi assim mesmo da primeira vez.

— Gil? — Sara o chamou em um tom mais alto.

O homem se assustou levemente ao ouví-la. Havia se perdido nos pensamentos que esqueceu por breves instantes de que Sara estava ali com ele, lhe servindo café.

— Oi, Sara! Tudo bem?

Ela franziu a testa e o encarou com desconfiança.

— Me diz você? Que houve? Te chamei duas vezes e não ouviu, só agora na terceira vez que atendeu. — ela depositou diante dele a xícara com café que segurava há alguns segundos enquanto o chamava.

— Me desculpe! — ele pediu encarando a xícara. — Eu estava pensando numa coisa.

Sara quis perguntar no que ele pensava, mas Grissom não lhe deu tempo para isso, pois foi logo a questionando se iria trabalhar só à tarde.

— Não, daqui a pouco eu já vou.

— Mas ainda nem está arrumada. — ele comentou vendo que ela ainda estava com um hobby de seda por cima da camisola bonita que ontem colocou para dormir.

— Não costumo demorar pra me arrumar, Gil. — ela explicou, sorrindo levemente para ele que retribuiu o sorriso.

Eles começaram a comer e enquanto comiam Sara contou ao marido sobre já ter dito aos filhos sobre a ida deles à outra casa.

— E eles, o que acharam?

— Adoraram como não podia deixar de ser. Eles adoram aquela casa. Jully por sinal, me pediu para levar a Penny conosco.

— Penny? — repetiu o supervisor com um leve sorriso. — É aquela amiga engraçada dela que fala pelos cotovelos?

— Essa mesma! — confirmou Sara dando um sorriso enquanto seu marido ria junto. — Tem algum problema pra você em ela ir conosco?

Ele deu de ombros.

— Não... Por mim tudo bem!

A garota era engraçada e quase sempre que esteve ali na casa e Grissom se encontrava por perto, ela o fazia rir de suas tiradas engraçadas.

— De verdade? — ele assentiu mastigando um pedaço de pão. — Ok, então!... Vou falar com a Shirley pra saber se ela não gostaria de ir conosco também.

Naquele mesmo instante em que Sara acabou de mencionar o nome de sua empregada, esta adentrou a casa pela porta dos fundos.

— Bom dia! — Shirley cumprimentou os patrões com seu costumeiro sorriso.

Tanto Sara quanto Grissom responderam da mesma forma ao cumprimento de Shirley e logo depois, Sara emendou:

— Acabei de falar no seu nome!

— Posso saber por qual motivo?

Sara assentiu e logo em seguida, contou à Shirley sobre a viagem que a família tinha decidido fazer na semana que vem para à casa da Califórnia, na intenção de aproveitarem o feriado e também o fim de semana por lá.

A morena então perguntou à Shirley se ela também não gostaria de ir com eles. A mulher já era praticamente da família mesmo e Sara não via qualquer problema em ela acompanhá-los, muito pelo contrário, seria até melhor ter Shirley por perto.

A empregada sem demora aceitou o convite. Ela afirmou que adoraria ir, pois seu filho Thomaz, de quinze anos, que mora com ela e é sua única companhia em casa, viajaria um dia antes do feriado com o pai, que por sinal é separado de Shirley há oito anos. Os dois só voltarão na segunda de manhã e com isso, a mulher passaria o fim de semana sozinha em casa, o que nas palavras dela seria um "tédio total". Por conta disso, ela aceitava com todo o prazer ir com a família Grissom para à Califórnia. Sara gostou de saber que Shirley iria, já que das últimas vezes que foram a empregada não pode ir junto por conta de problemas pessoais.

Mais algumas coisas relacionadas à futura viagem foram conversas entre as duas mulheres enquanto Grissom ouvia calado. Na sequência após terminar seu café, Sara subiu para se arrumar, já que daqui a pouco tinha que sair para trabalhar.

À noite, após chegar do trabalho, Sara por insistência de Jully foi logo conversar com os pais de Penny para saber se eles deixavam a garota viajar com a família de vizinhos. Os pais da adolescente deixaram-na ir sem problema algum com a família Grissom. Eles ainda acabaram por confessar à Sara, que ficariam mais tranquilos sabendo que a filha estava com os vizinhos que são amigos deles e pessoas responsáveis, do que sabendo que a garota se encontrava em casa sob a "supervisão" da irmã mais velha, que apesar de ser mais velha, em nada é tão responsável assim.

O casal de vizinhos quis saber quando Sara e a família dela pretendiam viajar para assim eles prepararem as coisas de Penny. A mulher de Grissom avisou que ainda estava se decidindo quanto a isso, mas assim que tivessem tudo acertado, diria à eles com antecedência, o que o casal concordou. Os três adultos ainda trocaram mais algumas palavras e depois Sara foi para casa.

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Os dias literalmente voaram e a semana passou tão rapidamente que logo a quinta-feira, que foi o dia escolhido para viajarem, já que era véspera do feriado, chegou.

No aeroporto bem movimentado, Grissom estava agoniado e já um pouco preocupado, pois passava das cinco e meia da tarde, logo mais o vôo deles seria anunciado e até aquele momento, Sara ainda não estava ali com eles. Ela que tinha ido trabalhar hoje, viria da Universidade direto para o aeroporto encontrar a família. Porem até agora não tinha aparecido, o que era estranho e um pouco preocupante, porque pelo horário já era para estar ali há tempos, dado o fato de que naquele dia ela costuma sair cedo do trabalho e a Universidade não ficava assim tão distante do aeroporto.

— Será que aconteceu alguma coisa séria com ela? — Grissom perguntou em um tom baixo e preocupado a Shirley que estava em pé ao seu lado.

— Não, senhor... Não pense isso... Vai ver foi algum imprevisto na Universidade apenas. — ela tentou tranquilizá-lo, mas assim como ele, a mulher também começava a se preocupar com a demora da patroa em aparecer.

— Jully conseguiu falar com a sua mãe pelo celular pra saber por que ela está demorando?

— Não, pai. O celular dela só dá na caixa postal.

A garota respondeu enquanto encerrava mais uma ligação feita à mãe. Também já começava a se preocupar com a demora de Sara, pois ela não era de atrasos.

— Gente o celular da tia Sara bem deve ter descarregado, e por isso que está caindo na caixa postal. — Penny supôs mexendo em seu celular.

Grissom suspirou mais agoniado com aquilo. Seus olhos sempre observando ao redor para vê quando Sara aparecesse por ali.

— Papai, a mamãe não vem mais?

— Vem sim, campeão!

— Por que ela está demorando?

— Não sei, filho. Mas logo ela chega, certo? — o menino balançou a cabeça afirmativamente para o pai.

Passados uns minutos, Penny avistou Sara cruzando a porta do aeroporto.

— Olha lá a tia Sara! — apontou a garota mostrando aos demais a direção que Sara estava.

Eles viram-na olhar para os lados, certamente os procurando, e antes mesmo que fizessem algo para chamar a atenção dela, Sara os viu e foi em direção a família.

— Mãe já estávamos preocupados! — Jully falou assim que Sara chegou no grupo.

— Me desculpem pela demora!

Matt que estava no colo de Grissom se jogou para o colo de Sara e lhe deu um beijo estalado no rosto que fez a mulher sorrir.

— Ei, que beijo mais gostoso! — ela comentou vendo o filho dar um sorrisinho engraçado.

— O que houve Sara? Por que demorou tanto? — Grissom questionou, tentando disfarçar toda agonia que sentia com o atraso da esposa em chegar.

— Uma sucessão de imprevistos!... Primeiro na saída da aula dois alunos não satisfeitos acharam de querer contestar as notas que dei a eles no trabalho que me entregaram. Levei um bom tempo para fazê-los entender os motivos pelos quais lhes dei determinada nota. Depois, já no táxi a caminho daqui, peguei um engarrafamento enorme na avenida principal. E se não bastasse isso, ainda pego um motorista que fala demais... Eu agoniada por estar presa naquele engarrafamento e também por estar atrasada pra chegar aqui, e ele falando e falando. Já estava quase pra mandá-lo se calar! — ela contou agora esboçando um sorriso e fazendo os demais também rirem do que disse.

Algum tempo depois eles já se encontravam acomodados em suas poltronas no avião que no horário determinado levantou vôo.

A viagem foi tranquila para os outros, mas um tanto incomoda para Sara que sentiu alguns enjôos durante boa parte do vôo. Após três horas de viagem, eles desembarcavam na Califórnia.

Pegaram suas devidas bagagens e seguiram para à saída do aeroporto onde conseguiram sem grandes problemas um táxi apesar do intenso movimento de pessoas por ali.

Em pouco mais de quinze minutos a família já se encontrava em frente à bonita casa de fachada amarela, a cor preferida da mãe de Grissom.

E por falar em Grissom, o supervisor ao ver a frente da casa onde tinha vivido de sua infância até seus vinte e cinco anos que foi quando recebeu o convite para trabalhar em Las Vegas e o aceitou, não sentiu nada ou sequer lembrou de qualquer coisa a respeito da casa. Porém, ao estar na sala do imóvel e ver as muitas fotos que estavam espalhadas por ali, o supervisor sentiu algo.

Uma sensação de Déjàvú o tomou tão fortemente que Grissom chegou a achar que enfim fosse se lembrar de algo, mas não foi o caso. E por mais que ele tentasse se esforçar para lembrar enquanto observava cada canto daquela sala, nada lhe veio à cabeça e isso lhe deixou mais uma vez frustrado por não conseguir trazer uma mínima lembrança que fosse.

— O que achou da casa? — Sara questionou ao vê-lo observar cada canto da sala. Desde que entraram, a mulher estava observando o marido sem que ele notasse. Havia um resquício de esperança nela de que aquela casa despertasse ao menos uma mínima lembrança.

— Bonita!

— Alguma lembrança daqui? — ela arriscou, ansiando por ouvir uma resposta positiva. Mas pela expressão dele algo lhe dizia que aquilo não havia acontecido.

— Não... Mas, só de estar aqui sinto como se fosse um Déjà. E é tão forte isso que pensei por um momento que fosse me lembrar de algo, mas infelizmente isso não foi possível.

O homem deixou um suspiro de decepção escapar. Aquela situação era tão incômoda. Queria saber quando aquilo ia terminar. Quando ia lembrar de tudo. Não aguentava mais aquele branco sobre seu passado.

— O fato de ter tido esse Déjàvú já me parece um bom sinal, Gil. — Sara se encheu de esperanças. Quem sabe, nem tudo estivesse perdido. — Ainda que não tenha se lembrado de nada agora, quem sabe amanhã ou depois isso não aconteça?

— Será?

— Claro! Essa casa é cheia de recordações somente suas e outras nossas.

Ele observou na estante a foto de uma senhora de cabelos bem grisalhos e olhos tão azuis quanto os seus.

— Essa era minha mãe? — apanhou o porta retrato.

— Sim! — afirmou a esposa se aproximando mais dele para olhar a foto que o marido segurava.

— Os mesmos olhos da Jully e do Matt. — ele comentou, observando a foto.

—E os seus também! — ela completou.

O homem olhou para a esposa e sorriu. Ao lado de onde estava o retrato da mãe de Gil, havia outro que trazia a foto do supervisor com os filhos quando as crianças ainda eram menores; e ao deste havia outra só dele com Sara, onde eles estavam abraçados tendo a praia como paisagem de fundo. Também haviam mais outras fotos por ali. Eram várias espalhadas pela estante e em todas elas, Grissom notou que seu sorriso era gigantesco e brilhante. Aquelas fotografias só mostravam o quanto ele era feliz com sua família antes do caos da amnésia vir e roubar esta felicidade deles.

Sara resolveu deixar o marido um pouco a sós enquanto ele "explorava" a casa deles. Talvez fosse melhor e mais cômodo para ele fazer isso sozinho.

Enquanto isso ela se encarregou de organizar as coisas juntamente com Shirley. A morena pediu a Jully que ela e Penny subissem para guardar seus pertences no quarto da filha de Sara, o qual as duas adolescentes dividiriam. Matt dividiria seu quarto com Shirley para não dormir sozinho, já que naquela casa não tinha quem o fizesse dormir só no quarto.

Um bom tempo depois com as coisas arrumadas, eles jantavam uma refeição feita rapidamente por Shirley.

....

Grissom acordou pela manhã e fez sua higiene matinal. Desceu para encontrar Sara que com certeza já devia estar na cozinha com Shirley preparando o café. Ao chegar lá não encontrou ninguém e a mesa nem sequer estava posta. O homem estranhou isso. Saiu da cozinha e chamou pela esposa, pelos filhos e por último por Shirley, mas ninguém respondeu. Preocupou-se.

Será que tinham saído? Mas sem avisá—lo? Achou pouco provável!

Foi então que ele avistou um bilhete sobre a mesinha da sala. Se dirigiu até o móvel e apanhou o papel.

"Gil, cansei dessa situação. Essa foi a minha última tentativa de fazê—lo lembrar de algo, mas ela não foi bem sucedida. Então decidi parar por aqui. Não posso mais suportar o fato de você não se lembrar de mim, dos nossos filhos, da nossa vida e principalmente, do nosso amor. Estou indo embora e levando junto comigo Jully e Matt. A partir de agora é só com você. Espero que se recupere.

Adeus.

Sara."

Ele sentiu como se o chão não existisse sob seus pés. Aquilo não podia estar acontecendo. Sara não pode tê-lo abandonado desse jeito e ainda por cima, ter levado os filhos deles junto.

Não!... Não!... NÃO! — gritou em desespero.

Grissom acordou num sobressalto e assustado. Seu coração parecia querer saltar pela boca e sua respiração estava ofegante pelo sonho horrível que acabara ter. Fechou os olhos e respirou fundo. Aquele pesadelo parecia tão real que por um momento lhe fez acreditar que era real. Tão real que ele sentiu medo e também uma dor profunda na alma de que aquilo pudesse vir a acontecer num futuro não tão distante.

Não fazia idéia de como seria sua vida se um dia, por ventura, Sara se cansasse e resolvesse lhe abandonar como fez no pesadelo que acabou de ter.

Eu acho que morreria se isso acontecesse!, Pensou.

Ele abriu os olhos e só então percebeu a ausência da esposa na cama. Olhou para à porta do banheiro com a intenção de vê se a luz estava acessa, o que denunciaria que Sara estava ali, talvez, vomitando o jantar, mas nada, a luz estava apagada.

"Não pense besteira. Talvez ela tenha ido ao outro banheiro!", Uma voz soprou ao supervisor já que ultimamente para não acordá-lo de madrugada enquanto vomitava, Sara costumava ir a outro banheiro que não fosse o que fica anexo ao quarto em que dormiam.

Grissom se levantou calçou seus chinelos e saiu do quarto.

Por onde ir?

Ele não conhecia aquela casa direito. Mesmo assim se aventurou em procurar a esposa aquela madrugada pela casa desconhecida.

Indo por um corredor, encontrou um banheiro no fim dele só que nada de Sara estar ali. Começou a se preocupar com aquilo. E inevitavelmente pensou no pesadelo.

Não. Ela não faria aquilo. Foi só no pesadelo!, Repetiu a si mesmo enquanto caminhava.

Resolveu ir até a cozinha, quem sabe ela não tenha ido beber água como às vezes fazia. Desceu e ao passar pela sala não resistiu em olhar na mesinha. Nada de bilhete. Graças a Deus! Seguiu pelo corredor que levaria à cozinha, quando já estava se aproximando da porta do cômodo ouviu a voz da esposa e também a da filha do casal.

— Nossa, Jully isso está delicioso. — a garota riu, vendo a mãe "devorar" o brigadeiro que tinha feito para ela momentos atrás. — Só seu pai e você sabem fazer isso divinamente.

— E olha que fiz morta de sono.

Sara olhou com remorso para a filha por tê-la acordado no meio da madrugada para vir lhe preparar aquele doce.

— Desculpa ter te tirado da cama em plena madrugada para fazer isso para mim, meu amor. Se seu pai não estivesse com amnésia, ele mesmo teria vindo satisfazer o meu desejo de grávida. — ela falou com certa tristeza na voz.

— Não fica assim, mãe. — a adolescente deu a volta na mesa e abraçou a mãe pelos ombros, e beijou seu rosto. — O pai vai ficar bom!... E olha, enquanto ele estiver assim sem poder realizar seu desejo por brigadeiro, pode me acordar quantas vezes precisar que eu vou fazer isso pra senhora sem problema algum, certo?

— Obrigada, meu amor... Amo você! — beijou o rosto da filha.

— Eu também amo a senhora, mãe!

Escorado a parede ao lado da porta, Grissom ouviu aquele pequeno diálogo e sentiu-se mal, porque por causa dessa sua maldita amnésia não podia sequer satisfazer o desejo da esposa e pior, ainda havia esquecido toda sua vida.

Notas finais
Assustei vcs com o pesadelo do Grissom? BJs e ate o proximo.