Lost Memories - Snamione
33 Reencontro
Notas iniciais
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Hermione tinha recebido uma carta de Rony, contando como era a Alemanha, ele havia ficado em Londres só para ver os gêmeos embarcarem no Expresso, e de lá ele iria para outro país para um jogo, não passaria semanas fora como das outras vezes, e sim meses.
Hermione agora, precisava ter a certeza de que sua escolha era aquela, e de fato era sim. Precisava pedir a Minerva um emprego em Hogwarts, qualquer cargo, até de zeladora, porquê convenhamos que já estava na hora de Filch se aposentar.
Ela sempre havia trabalhado demais para dar uma boa vida aos seus filhos, para que nunca faltasse nada a eles, e por conta disso acabou sem ficar muito tempo por perto, fazendo seu papel de mãe. Com isso, perdeu os momentos mais importantes e emocionantes de suas vidas, tais como: os primeiros passos, as primeiras palavras e o mais marcante de todos: os primeiros sinais de magia, Ron acabou tendo essa parte. E agora eles já estavam em Hogwarts, passariam sete anos lá e quando voltassem já teriam coisas melhores pra fazer, do que dar atenção à mãe, só que ela não queria que as coisas tomassem esse rumo.
Com o passar dos anos e graças às suas promoções no Ministério, Hermione conseguiu juntar uma ótima quantia em Galeões no seu cofre, em Gringotes, e podia enfim pedir demissão, já tinha cumprido seu objetivo de dar uma vida justa aos elfos, agora poderia se concentrar em sua família.
Trabalhando em Hogwarts conseguiria acompanhar o crescimento de suas crianças de perto, estaria lá para eles, sempre que precisassem. Já não tinha mais o que pensar, iria ter com Minerva hoje.
***
Ao chegar na escola, foi recebida por Filch, que por sua vez levou-a até a Gárgula, disse a senha e Hermione subiu.
Ela já tinha mandado uma carta à diretora, dizendo que iria até lá. Assim que entrou foi cumprimentada animadamente por Dumbledore, e Minerva. Após se sentar, tomar chá e conversar sobre banalidades, resolveu ir direto ao ponto.
Explicou o quê levou-a à visita-los, e o porquê, disse também que aceitaria lecionar qualquer matéria que estivesse disponível.
McGonagall evidentemente iria contratar Granger, sua melhor aluna, no entanto Dumbledore foi mais célere — ou intrometido — respondendo em seu lugar.
– Mas, é claro que temos Srta. Ouvi falar do seu excelente trabalho ao traduzir Os Contos de Beedle o Bardo de suas Runas originais. Creio, que será uma das instrutoras mais brilhantes que Hogwarts já teve o prazer de admitir.- Declamou risonhamente.
– Com toda a certeza, será. — Concordou Minerva, um pouco receosa. Alvo estava tramando, era óbvio.
– Oh! Eu fico muito grata pela oportunidade. — Declarou Hermione, lisonjeada pela série de elogios.
***
Assim que Granger saiu do gabinete, McGonagall se virou para o quadro com a sobrancelha erguida em questionamento.
– O quê pretende, Alvo?
– Creio que chegou a hora de você saber a verdade...- começou o retrato.- Severo está vivo.
– Ser um quadro anda afetando sua massa cinzenta.- pontuou a senhora.- Severo morreu há mais de dez anos.
– Acha que se ele tivesse morto o quadro dele não teria criado vida? Draco Malfoy o salvou naquela noite da batalha...
Rapidamente Dumbledore contou a diretora o que soube sobre Snape. Um quadro na casa do professor o informou o que o jovem Malfoy tinha feito. E a uma semana um dos retratos da mansão Malfoy o informara que o mestre em poções havia retornado.
– Mas isso é maravilhoso, Alvo!
– Agora você só precisa ir atrás dele. Trazê-lo de volta para Hogwarts. Hermione necessita de um pouco de alegria...
***
Severo chegou na casa de seu afiliado ainda desacreditando no que vira. Agora entendia porque Malfoy enrolara tanto para lhe dizer algo sobre Hermione. A verdade era dura demais.
Assim que entrou em seu quarto, se permitiu desabar. O ar era irrespirável. Aquela dor que a muito não sentia, retornara para dentro de seu peito. Ele era um ser fadado a solidão, a sofrer, a amar alguém que no final nunca seria dele.
As lágrimas rolavam silenciosas e contínuas por seu rosto. Sua mente vagava pelas lembranças que agora pareciam que eram de outra vida.
– Sr. Snape? — a voz suave e preocupada da atual Sra. Malfoy veio depois de leves batidas na porta.
– Sim?- respondeu sentado contra a porta.
– Está tudo bem?
"Não"– Está.
– O almoço está servido. O esperamos lá embaixo.- anunciou a loura.
Respirando fundo, o homem se levantou e foi para o banheiro de seu quarto. Jogou água no rosto e se fitou no espelho. O tempo passou, até mesmo pra ele. Já não era um jovem, seus fios brancos em meio ao ébano confirmavam isso.
Tinha se encontrado com a morte e recebido uma vida de volta. Porém, não era a vida que estava esperando.
Severo não queria descer. Não queria ver ninguém. Mas desceu. Precisava das respostas para o porque de seu afiliado omitir a verdade dele.
****
O almoço foi, na medida do possível, agradável. Scorp era uma criança inteligente e sagaz, um pouco aluada, mas nada que não fosse normal entre os Lovegood.
Snape pedira para conversar com Malfoy em particular. Ele exigiria honestidade do loiro.
– Por que não me disse que ela estava casada?- perguntou direto ao ponto, assim que se trancaram no escritório da casa.
– Ela não está casada.- Draco rebateu já sabendo de quem o homem falava.
– Como não?! Eu os vi na estação! Tem filhos até!- esbravejou ficando vermelho.
– Bem, eles apenas moram juntos, e os filhos...bem, depois do artigo que saiu no Profeta Diário, tenho minhas dúvidas quanto a paternidade deles.- Severo estava aturdido, cansado. Queria nunca ter acordado.
– Eu não vou aguentar ficar aqui vendo ela com outro.- murmurou sem ter ouvido os comentários do loiro.- Partirei amanhã para a Austrália.- informou tomando uma máscara de frieza que a muito não usava.
– Por que? Pode ficar conosco padrinho. Luna não se importará, e eu ficarei mais tranquilo em tê-lo por perto.- argentou tentando persuadir o homem.
– Obrigado, Draco. Mas já fizeste muito por esse velho. Preciso de um tempo pra refletir e conhecer esse mundo. Se passaram mais de dez anos...
– Severo, não faça isso. Fugir não mudará as coisas...
– Não estou fugindo, estou vivendo minha vida. Ela seguiu em frente, seguirei também. Tentarei– cruciou indiferente.
Malfoy sabia que o homem estava sofrendo. Não queria ver a mesma cena de depressão e sofrimento novamente. Talvez se ele falasse com a Granger... Não. Seria pior ela intervir.
– Creio que terá de esperar mais alguns dias para partir. Seu núcleo ainda está fraco, uma aparatação causaria danos.- pontuou o loiro.
– Existem meios trouxas de viagem, Draco.
– E tem as poções que tem de tomar...- Draco procurava um meio de fazer seu padrinho ficar.
– Esqueceu que sou um exímio mestre em poções? Não entendo porque quer um assassino como eu vivendo com sua família.
– Você sabe que não é assim Severo. Hoje, graças à muito esforço da minha parte e de mais algumas pessoas, — Malfoy decidiu não mencionar o nome da cabeça por trás do recurso, Hermione Granger, para o antigo professor.- você é considerado Herói da Guerra.
– Grande bosta ser Herói da Guerra. O que isso me trará de bom? Poderei voltar no tempo? Mudar essa porcaria que aconteceu comigo?- vendo o silêncio do loiro, Snape preferiu se acalmar. Malfoy não tinha culpa do que lhe ocorrera. A culpa era toda dele que se juntara a um louco, no extermínio de nascidos-trouxas.- Desculpe. Agradeço por ter me ajudado. Vou esperar até o final de semana para ir, se assim lhe acalma para minha saúde.
***
Snape resolveu enterrar o sentimento que sentia por Hermione. Não adiantaria ficar se lamentando, nada iria mudar o fato de que a mulher estava com outra pessoa e com filhos. Esperava que ela fosse feliz. Ela merecia.
A semana se passou tranquila, Luna era uma mulher incrível. Cuidava muito bem da casa, do filho que tinha, e das criaturas exóticas que mantinham.
Scorpius lembrava muito Draco quando pequeno. Astuto, inteligente, sarcástico. Certamente seria um Sonserino. Ele não tinha aquelas reservas que todas as crianças tinham para com ele.
Draco argumentava para que o homem permanecesse na mansão. No entanto, Snape não queria estar atrapalhando a vida do casal.
Arrumou sua mala. Não levaria muita coisa. Iria começar como uma outra pessoa.
Desceu as escadas silencioso para não alertar os ocupantes da casa. Claro que falhou. Luna chegou ao hall de entrada e estranhou a mala na mão do homem.
– Iria sem se despedir, Severo?- o homem a olhou como uma criança pega fazendo alguma travessura.- Draco e Scorp ficarão triste ao chegarem e não o verem.- pontou. Não queria que o homem fosse embora sem antes falar com Hermione. Tinha prometido ao marido esperar que Snape se recuperasse para comunicar a amiga.
– Não gosto de despedidas. Mas deixei uma breve carta para vocês.- disse retomando seu caminho até a porta.- Obrigado Sra. Malfoy. Nos vemos algum dia.
Antes que a loira pudesse rebater ou impedi-lo de sair, Snape já havia saído e aparatado. E no mesmo instante uma figura aparatava nos jardins da mansão.
– Minerva?- estranhou Luna.
– Oh querida, como está?- perguntou a senhora num abraço.
– Bem. Entre, tome um chá comigo.- pediu levando a professora para dentro da casa.
– Obrigada Luna, mas meus assuntos são com Severo.- o olhar da loira ficou triste.- Eu sei que ele está vivo, e morando aqui. Por favor chame-o para mim, sim?
– Sinto muito Minerva, mas Severo acabou de aparatar.
***
Hermione se despedia de seus amigos no Três vassouras. Ela aparataria nos portões de Hogwarts.
– Ah Mione... precisava mesmo chegar à isso?- Gina se lamentou novamente.
– Sabes que sim. Não vou conseguir ficar tanto tempo longe daqueles dois. Agora que Ron vai ficar fora, não terei mais ninguém pra conversar ou afugentar a cobra da Skeeter, que ainda fica á espreita. Pelo menos em Hogwarts ela não pode fazer nada contra meus filhos. Ainda tem pessoas que me olham torto por conta daquela matéria onde ela contestava a paternidade dos gêmeos.
– Você já decidiu não é? Nada do que fizermos irá mudar...só podemos dizer... "Boa sorte."
– Obrigada, Harry.- agradeceu abraçando o amigo.- Nos vemos no natal. — pontuou abraçando a ruiva e beijando a testa do pequeno James que comia um bolinho.
***
Três anos depois.
Draco e Luna liam ansiosos e orgulhosos a carta enviada por Scorpius que estava em seu primeiro em Hogwarts.
Desde o aniversário, menino ficara ansioso para receber sua carta da escola. E mais ansioso ainda para ir ao castelo.
Draco ficara feliz por sua família continuar sendo Sonserina. Não gostara muito de saber que o menino fizera amizade com os Potters, mas não iria implicar com os novos amigos de seu filho.
Luna estava feliz e triste. Feliz pelo filho estar indo para Hogwarts, triste por não tê-lo mais com ela na casa. Seu companheiro de "aventuras".
– Não fique assim anjo, logo ele vem para as festas de natal, tem as férias, e temos a casa somente para nós...- Draco sugeriu maroto enlaçando a cintura da esposa.
– Mas vou sentir falta do barulho da risada dele, da bagunça que ele fazia...- se lamentou encostando a cabeça no peito do homem.
– Se começarmos agora, em pouco tempo podemos ter outro correndo pela casa...- murmurou beijando o pescoço branco da loira.
– Draco!- ralhou divertida antes de se entregar ao beijo envolvente do marido.
"Queridos papai e mamãe,
O castelo é tudo aquilo mesmo que me disseram. Sinto a magia fluir de todos os lugares.
Fui selecionado para a Sonserina, casa dos astutos e orgulhosos.
A comida daqui é boa, e o pudim é o melhor que já comi.
Conheci alguns Sonserinos e outros alunos de outras Casas, e gostei deles. Estou dando uma chance para todos, como me pedira, mamãe.
Uma garota do quarto ano, muito simpática, apesar de séria. Elizabeth Granger Weasley está na Sonserina, assim como Alvo Severo Potter, mas este está no mesmo ano que eu. E engraçado, ele tem o mesmo nome do seu padrinho, papai.
Prince, é Griffano e irmão da Elizabeth. James é irmão de Alvo e Griffano também. Tem duas meninas da Corvinal, Victoire Weasley e Charlotte Wood. Tem também um garoto de cabelos estranhos, são azuis. Ted Lupin.
Todos se sentam em um canto da mesa da Grifinória. E parece que ninguém se importa muito de misturar as Casas.
Estou ansioso para as aulas. Vou me esforçar o máximo para dar orgulho à vocês.
Preciso ir, Alvo já resmungou para eu apagar a luz.
Estou com saudades. Beijos para todos.
S. M."
*****
Mais um ano havia se passado, e os gêmeos Granger já estavam em seu 5º ano assim como Char e Vic, James no 4º , Ted em seu 6º, Alvo e Scorp no 2º e Lily no 1º. Sim, como vocês podem ver o grupinho ganhou novos integrantes e o mesmo se reunia todos os dias na Mesa da Grifinória para conversar, alguns alunos achavam muito estranho aquela mistura das quatro casas, pois Scorp e Alvo eram Sonserinos, no entanto eles eram a prova da verdadeira amizade.
Prince andava meio atônito, pois desde o segundo ano começou a prestar atenção em uns certos detalhes, tais como a cor de seu cabelo e de seus olhos, ele não era um Weasley, disso tinha certeza, mas como confirmar isso, se sua mãe não lhe dizia nada? Ela nunca lhe afirmou que Ron era seu verdadeiro pai, assim como nunca disse o contrário e isso o deixava nervoso, ninguém, nem mesmo o Tio Harry lhe dava detalhes, nem a Tia Gina. NINGUÉM! Todos pareciam pensar a mesma coisa, até porque ninguém os chamavam de Weasley, sempre de Granger. Procurou nas coisas de sua mãe algo que o ajudasse, mas nunca encontrou nada.
Lizz às vezes tentava lhe ajudar, mas não era muito empenhada, pois passava a maior parte do tempo pensando no quão os garotos poderiam ser idiotas. James era um exemplo vivo. Pegava todas as garotas da escola, era um palerma e às vezes ficava de gracejos pra cima dela, o quê ela achava patético, e o Ted? O quê dizer dele? ele era quase igual ao James, mas não era um idiota, e parecia estar tentando namorar a Vic e isso deixava-a abalada.
Prince achava que sua irmã estava sendo tola por se apaixonar por um idiota que nem ligava para ela. Amor é algo que as pessoas inventaram para as ações possessivas para com alguém. Claro que havia o amor de mãe, que para o moreno era o único plausível.
***
– Não... cara, vocês não entenderam. — Disse Prince, cansado de tentar explicar aos amigos a mesma coisa.
– Entendemos sim, você acha que o Ron não é o seu pai, mas isso é só coisa da sua cabeça. — Afirmou Ted
– Não, não é... Droga! Não tem como conversar com vocês — Reclamou, enquanto se levantava para voltar ao salão Comunal.
– Porque você acha isso? — Inquiriu Lily fazendo-o se sentar novamente.
– É bem óbvio não? Eu não tenho cabelos ruivos e nem a Lizz! — Explicou impaciente.
– Bem, se é assim a Tia Mione também não é a sua mãe, os cabelos dela são de outra cor. — Retrucou James com a boca cheia de bolo.
Lizz, bufou revirando os olhos...
– Você é uma toupeira mesmo, James. Onde está a droga do seu cérebro? — Questionou enervada com a estupidez do garoto.
– Aonde você quiser que esteja. — Respondeu, piscando para a garota e obteve como resposta um olhar mortífero.
– Dá pra parar com essas gracinhas? — Interveio Lupin, olhando feio para James. Lizz escondeu o sorriso que quis brotar em seu rosto.
– Até que faz sentido — Manifestou-se Malfoy — Digo, vocês dois não parecem nada nada com o Rony, vocês me lembram alguém...
– Ok, mas porque você só está se preocupando com isso agora? — Foi a vez de Victoire perguntar.
– Agora? Já faz três anos que bato nessa mesma tecla com vocês. Três anos que vocês não prestam atenção em nada do que eu digo, é claro, não é na família de vocês, por isso que estão pouco se lixando!- bradou enérgico.- Pelo jeito a única que ouve o que eu digo nessa porcaria de grupo é a Charlotte. — resmungou Prince, farto do descaso das pessoas que diziam ser seus 'amigos'.
Ted iria rebater, mas foi interrompido pelas Boas-vindas da Diretora.
Depois do famoso discurso sobre as regras da escola, que não faziam sentido algum...
– ... Esse ano, teremos uma pequena mudança no nosso corpo docente...
Hermione, que agora era Professora de Runas e substituta de DCAT e também diretora da Grifinória, ouvia tudo da Mesa dos Professores mais entediada que os alunos... Até que Mudança de Professores?. Como assim? Ela não tinha visto ninguém diferente no Castelo... estranho – pensou.
– Tenho a honra de receber aqui de volta, alguém que julgamos estar morto. Alguns choraram pela perda. Mas recentemente soube que sobreviveu à segunda guerra bruxa.- um burburinho povoou o Salão. Todos se questionando quem seria a tal pessoa.- Deem as boas-vindas ao Professor Snape...
Severo, entrou pelo salão com sua capa farfalhando, a mesma carranca de sempre. Não entendia o porque daquela babaquice de apresentações.
O Salão Principal explodiu em palmas, apesar de todos estarem se perguntando se ele era real, não podiam negar o grande Herói que era, o herói que todos os jornais diziam. Severo ficou surpreso, nunca haviam feito aquilo com ele... " Puxa-sacos" .
Hermione quase pulou da cadeira. Não acreditava no que seus ouvira e no que enxergava. Severo? Como? Quando? Não... ela devia estar sonhando, não podia ser. Ele estava morto, não é?
Olhou-o assustada, ao mesmo tempo feliz, eram tantas emoções, que ela teve de se controlar para não pular em seu pescoço.
Severo também olhou-a assustado. Ela ali? Não... " Minerva...Grr. Velha maldita." No entanto, por mais surpreso que estivesse não demonstrou, apenas lhe lançou um curto olhar de desdém e se sentou um tanto quanto longe. Se sentasse perto ela poderia ouvir o batimento frenétido daquele estúpido que ele chamava de coração.
***
– Eu não disse... não disse que ele estava vivo! — Alegou Malfoy, feliz por provar aos amigos que não estava louco.
– Mas como? — questionou Alvo — Papai confirmou que ele estava morto.
– Isso meu pai não me disse... — Rebateu Malfoy, pensativo.
***
Antes que o jantar acabasse Severo se dirigiu para os seus aposentos, precisava ficar um tempo sozinho. Pensar em como faria para evitar Hermione, bem... isso não era problema, ela devia amar o cabeça de tocha e portanto não estaria nem aí pra ele... certo?
Errado...
– Severo! — Exclamou, entrando abruptamente nos aposentos e o abraçando tremendo. — É você mesmo... — Começou, com a voz embargada pelo choro.
Não... ele não iria retribuir, apesar de querer bastante. Seu orgulho Sonserino não se submeteria à ela, uma mulher que se entregou a outro e que o destruiu por dentro.
– Granger... — Disse, num murmúrio letal, e foi aí que a mulher percebeu que havia algo errado.
Hermione se sentiu apanhada naqueles cruéis e vazios olhos negros, hipnotizada como um animalzinho indefeso. Totalmente paralisada, sentia que seu corpo lutava para se aproximar dele, tomada por uma espécie de transe compulsivo.

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