Lost Memories - Snamione
27 Cartas
Notas iniciais

Enquanto olhava pela janela do trem a neve cair, Hermione mal ouvia Gina reclamar do namoro com Dino. A ruiva foi bastante compreensiva em ficar com ela naquele vagão. Granger não queria ficar no mesmo compartimento que Rony, que desde que virou goleiro da Grifinória e começou a sair com Lilá, tem sido mais arrogante que o Malfoy.
– Vou falar com a Luna, quer ir Mione?- perguntou e recebendo uma negativa da morena saiu do vagão.
Hermione deixou seus pensamentos voarem até o Sonserino que deixou no castelo. A preocupação com o homem persistia em lhe alertar....
****FLASH BACK ON****
Hermione havia acordado naquela manhã um pouco temerosa por tudo não ter passado de um sonho, chegou até a ter medo de abrir os olhos. Ah, mas era impossível ter sido um simples sonho, ela sentia as mãos dele sobre seu corpo e aquele perfume que ele exalava era inconfundível.
A manhã era fria, nevava. Apesar da falta de sol ainda havia claridade suficiente para iluminar um pouco o quarto.
Olhando para o lado, encontrou um par de iris negras lhe observando.
Sorriu e o beijou, num pedido mudo de Bom Dia.
Espreguiçando-se de leve, ainda deitada perguntou;
– Que dia é hoje?
– Domingo... — respondeu sonolento.
Ótimo. Domingo, não tinha aulas e poderia ficar ali com ele, e também poderia conversar sobre algo que não podia ser mais adiado.
– O quê tanto lhe preocupa? — Não, ele não tinha lido a mente dela. Não era de hoje que a conhecia, sabia e tinha prazer em desvenda-la.
– Severo eu...- começou.- Eu sei um pouco sobre sua vida, da mesma forma que sei sobre sua fama de Comensal.- a moça tentava encontrar uma forma de perguntar aquilo.- Por favor, não me interrompa isso é complicado para mim também.- confessou vendo-o abrir a boca.- Naquela época você pretendia se juntar à você-sabe-quem, e eu sei que você o fez, vi a marca em seu ante-braço... Mas, as pessoas se arrependem de suas escolhas, digo nunca é tarde para voltar atrás. O quê quero saber é se você ainda é um Comensal da Morte? — não sabia bem como perguntar, mas enfim, conseguiu. Ela temia a resposta e tinha a certeza de que ele não diria tão facilmente. Ela esperava no mínimo uma resposta ácida e o inicio de uma discussão.
O homem sabia que mais cedo ou mais tarde aquela pergunta viria à tona, no entanto não era a hora certa para responde-la, não ainda. E talvez não tivesse coragem suficiente para lhe responder honestamente. Como diria que uma vez Comensal, seria para sempre?
– Não quero falar sobre isso. — pediu virando-se de costas pra ela. Deixando exposta as mesmas, cobertas por várias cicatrizes.
Hermione por sua vez acomodou-se mais próxima à ele e começou a traçar cada uma delas com a ponta dos dedos, causando-lhe arrepios.
– Tudo bem — respondeu calmamente — Não me importo com o lado pelo qual você luta. Se você tem motivos, lute. Pelo bem pelo mal, não importa, apenas lute. Eu não lhe amarei menos por nenhuma de suas escolhas.- afirmou.- Só se mantenha vivo...por nós.
Por estar fitando as costas largas de Snape, Hermione não notou, mas os olhos dele estavam cheios de lágrimas. Ela era boa demais, tinha sorte de tê-la para si.
****FLASH BACK OFF****
******************************************
Sozinho, Draco encarava o armário a sua frente. O maldito feitiço que o sr. Burkes lhe enviara para consertar aquela bosta de artefato não estava funcionando. Iria aproveitar que poucos alunos estariam no castelo para consertá-lo.
Desde que teve de se tornar um comensal, sua vida nunca mais foi a mesma. Nem ânimo para zombar dos outros alunos ele tinha mais. Para ele, aquela guerra só teria um resultado, e ele estava do lado perdedor. Não por vontade própria, mas porque não teve escolha alguma.
Enquanto os alunos iam para suas casas ver seus familiares, ele estava ali encarando aquele troço quebrado. Estava exausto, ficou naquela sala por três horas e a maçã ainda se partia na locomoção.
Até iria para seu Salão, mas não havia ninguém além de alguns primeiro-anistas. Iria para a biblioteca, mas já devia estar fechada. Poderia ir ao jardim, porém, não estava com clima para o frio que fazia fora do castelo. Único lugar em que pensou ir foi o banheiro da Murta.
Chegando lá encontrou Murta sentada em um dos sanitários, com os choramingos e chiados. Ela iria sempre se lamentar por morrer?
– Olá, Draco.- saudou chorosa.- Por que não foi passar os feriados em casa?- indagou com sua voz fina.
– Ultimamente, me sinto mais em casa aqui em Hogwarts.- confessou sentando-se no chão se encostando na parede.
Ficou sentado olhando para o teto do banheiro sentindo o cansaço lhe pegar. Por que tinha que ser um Malfoy? Ter de carregar aquele fardo de ser Comensal e ter de cumprir uma missão suicida dada pelo Mestiço psicótico era demais para ele. E nem podia desabafar seus problemas com ninguém sem ser delatado para o diretor que o entregaria ao Ministério. Talvez fosse melhor ir para Azkaban, quem sabe ficaria livre de qualquer merda daquela guerra que pudesse respingar nele. Porém, deixar sua mãe a mercê daqueles malditos que agora não saem da sua casa estava fora de questão.
Ao pensar na mãe, se lembrou que tinha de mandar uma carta pra ela pedindo que comprasse um presente que gostaria de enviar a Lovegood. Pelas tardes que tem passado com ele, sem o julgar nem nada. O tratando como se ele fosse "normal", e não um Malfoy.
Fazia tempos que ele não era tratado daquela forma, como amigo de alguém. Na Sonserina seus únicos amigos verdadeiros eram Blásio e Pansy. Mas, Luna era mais amável e doce. Zabine e Parkinson eram frios, não demonstravam sentimentos. Não que ele o fizesse, mas era bom ter alguém atencioso ao lado. O fazia se sentir menos deprimido.
Conversando com a Corvina sentia vontade de lutar. Se ela, sendo mais nova, queria lutar pelo bem do mundo bruxo, por que ele não podia? Ele queria a paz. Queria que o cara-de-cobra se ferrasse com aquele ideal ridículo que ele pregava.
– Também sinto a falta dela.- disse o fantasma trazendo o loiro de volta pra realidade.
– Dela quem?- estranhou franzindo a testa.
– Luna Lovegood.
Realmente ele sentia falta dela. Dos assuntos banais que conversavam. Dos conselhos que ela lhe dava de forma amável. Era como se ela soubesse o que ele estava passando.
Iria aproveitar que mandaria uma carta para sua mãe, para mandar uma para a loira. Saber como ela está. Já que da última vez que se viram, mal se falaram. Foi no dia do embarque daqueles que iriam para a casa no natal. Nem teve tempo de dizer que o colar que ela usava era divertido e original. Seu padrinho o puxou para um canto escondido e lhe deu um sermão do quanto ele estava sendo descuidado com as tentativas contra a vida de Dumbledore, e blá blá blá blá. É, ele iria lhe escrever.
******************************************
– Voldemort escolheu Draco Malfoy para uma missão? — estranhou Lupin
– Eu sei que parece loucura.- tentou fazer com que o homem visse a razão.
– Passou pela sua cabeça, Harry que Snape estava simplesmente fingindo oferecer ajuda ao Draco para descobrir os planos dele?
– Não era o quê parecia.
– Talvez o Harry esteja certo, Remo. Pra fazer um voto perpétuo é...- Tentou Tonks
– Isso quer dizer que ou você confia ou não confia no julgamento de Dumbledore. Dumbledore confia no Snape, então eu também confio. — Interrompeu-a, já perdendo a paciência.
– Dumbledore pode cometer erros, ele mesmo disse.
– Você está cego de ódio! — Acusou Lupin
– Não estou. — Negou Potter
– Está sim! — afirmou, elevando a voz.- Pessoas estão desaparecendo, Harry, diariamente, só podemos confiar em pouca gente. Se começarmos a brigar entre nós, estamos perdidos. — retomou, após uma breve pausa, num tom mais calmo.
************************************************
Depois do jantar na casa dos Weasley, Harry se preparava para dormir. Ron já tinha ido fazia alguns minutos. Encontrou Gina perto das escadas. Sua garganta ficou seca de repente, e suas mãos suavam. Era sempre assim quando via a ruiva. Mal trocou duas palavras com a garota e ouviu um barulho fora da casa.
– Estava delicioso, Molly.- elogiou Ninfadora na varanda da casa se despedindo dos patriarcas da família de ruivos.
– Não querem mesmo ficar?- indagou a senhora rechonchuda.
– Precisamos ir. A primeira noite do ciclo é sempre a pior.- murmurou a jovem.
Lupin sentia algo diferente no ar. Algo que mexia com seu lobo interior, fazendo-o rugir em alerta.
– Remo?- chamou o sr. Weasley vendo como o homem parecia tenso.
Uma bola de fogo desceu do céu, caindo na frente deles formando um círculo ao redor da casa. Lupin viu um vulto negro pousar em sua frente se transformando em uma mulher. Bellatriz Lestrange com seu sorriso sádico.
Imediatamente Remo e Tonks pegaram suas varinhas para deter a mulher e o fogo. No entanto, antes que pudessem fazer qualquer coisa, Harry, que tinha visto tudo pela janela com Gina, passa correndo por eles seguindo a Comensal.
Remo tentou seguir o menino, mas o fogo não o deixou passar. Ninfadora o ajudava a conter o fogo.
Gina aproveitou a baixa, e ultrapassou a barreira flamejante correndo para a plantação onde Harry havia se enfiado.
Potter corria sendo açoitado pelos ramos de trigo. Sua vontade era de pegar aquela maldita bruxa que matara seu padrinho covardemente pelas costas.
"Eu matei Sirius Black. Eu matei Sirius Black. Vem me pegar Harry..." cantarolava Bellatriz.
Gina seguia a voz da mulher tendo a certeza de que Harry fazia o mesmo. Correu até chegar ao lago. Não viu o garoto ali.
Ao ouvir um barulho na plantação, a ruiva se virou e viu um homem de aparência assustadora. Alto, forte, dentes pontudos como os de um cachorro. Ele rosnou e farejou o ar. A garota ficou estática, com medo do estranho que avançava em sua direção.
– Estupefaça!- bradou uma voz atrás da menina.
Harry chegou ao lago e viu com temor um homem avançar ameaçadoramente contra Gina. Lançou um feitiço no grandalhão, que bloqueou e sumiu no ar.
Começaram a vir feitiços de todas as partes. O moreno e a Weasley bloqueavam tentando saber de onde vinham.
Logo Remo, Tonks e o sr. Weasley se juntaram a eles em posição de defesa.
Os ataques cessaram. Mas o que veio a seguir foi muito rápido. Barulho de vidros se quebrando fizeram o grupo correr em direção a casa.
A Toca estava em chamas. Os Weasley olhavam perdidos para a casa destruída.
******************************************
Um grupo pequeno, de oito pessoas, estava sentado em volta de uma mesa retangular. Na cabeceira se encontrava o Mestre do mesmo. Ninguém se atrevia a olhá-lo nos olhos. Somente duas pessoas o faziam, sem receber uma punição. Severo Snape e Bellatriz Lestrange. Por enquanto, somente o Mestre em Poções estava ali pontual como sempre, já trajava sua máscara de frieza e indiferença, na melhor pose de carrasco, sentado ao lado direito do Lorde, aguardando a chegada do restante dos convidados para que a reunião se iniciasse.
Severo mantinha a mente aberta para a exploração de Voldemort, usando Oclumência para ocultar fatos prejudiciais para seu papel de agente duplo para Ordem.
Estava entediado ali e não era pra menos. Queria ir embora logo, descansar. A noite que teve sonhando com uma certa Grifinória foi longa. Ainda não acreditava que estavam as boas novamente.
– Pensamos que havia se perdido, Bella.- sibilou o ser de rosto ofídico quando uma mulher de negro entrou no recinto e se sentou ao lado esquerdo de Tom, e direito de Lestrange.- Como foi?
– Ele realmente estava lá como previ, Milorde.- informou a bruxa.- Levei Greyback comigo.- disse olhando feio para o marido que alisava sua perna por baixo da mesa.- Aquele fedelho imundo não aguentou me ver e correu atrás de mim.- gargalhou estérica.
Snape tentava acompanhar a conversa. Mantinha o semblante tedioso e indiferente , como se nada daquilo o interessasse. Mas, por dentro seus neurônios trabalhavam para entender sobre o quê aquela demente falava.
– E a namoradinha dele veio defende-lo. Eu teria acabado com ela, se o traidor de sangue; Weasley pai não viesse com o Lobisomem e minha sobrinha mestiça.- o asco empregado pela mulher ao pronunciar os nomes dos defensores de Potter foi notado pelo Mestre em Poções.- Mas, queimamos aquele albergue que eles chamam de casa. Está mais pra toca de coelhos pela forma como aqueles Weasley se reproduzem, poluindo o mundo com sua existência medíocre.
Seu coração disparou ao entender o que Bellatriz dizia.
"Por Salazar! Era Hermione quem estava lá?"
– E o que fizeste com a namoradinha do Potter e os outros?- inquiriu Severo com a voz entediada.
– Ela o defendeu bravamente...tola.- cuspiu as palavras.- Faltou pouco pra eu acabar com aquela vadiazinha. Greyback iria adorar saborear aquela escória.
– Certo, Bella. Se você fez o trabalho direito, Potter não tem mais para onde ir se esconder.- comentou Voldemort.
– Nunca falhei, Milorde!- se defendeu a mulher.
– Não é o que os Longbottons diriam.- ralhou o ser.
– O imprestável do Crouch Jr. foi quem ficou de matá-los, enquanto eu iria pegar o garoto deles...
– Não quero explicações. Falharam e ponto!- rugiu.- Deixemos esses assuntos para lá e jantemos.
Severo tentava pensar em alguma desculpa para sair dali e ver se sua Hermione estava bem. Contudo, nenhuma era forte o suficiente para que o Lorde das Trevas o liberasse sem desconfiar de algo. Teria de aguentar aquela droga de ceia até o final. "Feliz Natal." Pensou irônico.
******************************************
Hermione olhava incrédula para a carta que recebera naquela manhã. Havia recebido logo que acordou, enquanto a lia, outra coruja, a qual ela não reconhecia pousava próximo à ela para entregar-lhe outra. Releu a carta para acreditar no que estava escrito.
"Querida Hermione, como passou o Natal? Aqui as coisas não foram nada boas.
Onde se meteu depois da festa ? Só soube que tinha ido embora pelo McLaggen que estava furioso por ter dado um perdido nele.
Tentei te achar no trem para te contar o que descobri, porém não lhe encontrei.
Antes do horário do embarque para casa, desci para o café, e vi Snape conversando com Malfoy escondidos pela estátua de armadura. Snape oferecia ajuda a Malfoy para a missão...eu te disse Hermione! Malfoy é um Comensal da Morte, tal como o pai dele. E Snape sabe e está ajudando ele no que quer que Voldemort tenha ordenado o doninha fazer.
Eu disse á Dumbledore quando ele passou por aqui, e também á Lupin, mas nenhum deles acreditam que Snape esteja de conluio com Riddle.
Pra piorar meu natal e dos Weasley, recebemos uma visita da Bellatriz e de Greyback. Eles atearam fogo na plantação que cerca a Toca. E por mais que fosse perigoso, não consegui evitar a raiva que sentir em ver a assassina de Sirius ali rindo e zombando. Fui atrás dela e daquele lobisomem. Gina, Lupin, Tonks e o sr. Weasley vieram atrás de mim. Estavamos duelando com eles, mas eles recuaram e atacaram a casa.
Destruíram os andares superiores. Foi tudo culpa minha, Mione. Se eu tivesse ido para a casa dos Dursley, ou até mesmo ter ficado em Hogwarts, nada disso teria acontecido com eles. Eles que são como minha família, que me acolheram como se realmente fizesse parte dali...
Conseguimos conter o fogo antes que se espalhassem pelo resto da casa. Lupin ficou mais furioso por ter sido Greyback quem atacou. Fora ele quem transformou Lupin em lobisomem quando criança. Eu não quis perguntar mais nada, pois sei que é difícil pra ele se lembrar.
Espero que o seu Natal tenha sido menos turbulento que o meu. Estou enviando meu presente para você. Ron me pediu que enviasse o dele junto, então já sabe de quem é o outro pacote.
Fico no aguardo da sua carta.
Harry J. Potter"
Granger deixou a carta de lado para abrir a outra. Ainda lhe custava acreditar que Comensais tinham atacado a Toca.
Assim que abriu reconheceu a letra um tanto garranchada do antigo Professor de Poções.
Hermione, quantas vezes eu lhe pedi para permanecer longe do Potter, pelo menos nas férias?
Aquele garoto é sinônimo de confusão. Você tinha prometido que iria ficar na casa de seus pais, mas eu já devia saber que você não deixaria os amiguinhos cabeças-ocas.
Enfim...você está bem? Algum Comensal lhe feriu? Por favor responda o mais rápido, ou irei te buscar.
Ps: Sinto sua falta. Espero que goste do seu presente.
S.S"
******************************************
"Querido Sev, sempre um poço de delicadeza...
Olá para você também, como está? Eu estou bem, obrigada por perguntar e não, nenhum Comensal me feriu até por quê eu não pus o pé para fora da minha casa, eu costumo cumprir com as minhas promessas ao contrário de outras pessoas...
Harry me contou que foram Bellatriz e Greyback que atearam fogo na casa dos Weasley, mas é claro que você já deve saber, e foi a Gina quem o defendeu, não eu. E se eu estivesse lá não pensaria duas vezes em fazer o mesmo.
Feliz Natal, Severo.
Ps: Também estou com saudades. Adorei o presente, espero que goste do seu.
Com amor,
H.G"
Severo lia a carta resposta de Hermione. Agradeceu por não ter sido ela na casa dos Weasley. Nem queria pensar o que teria feito se Bellatriz a machucasse. Certamente mataria aquela louca.
Foi até sua estante guardar do livro que ela lhe mandou de natal quando bateram á porta. Seria Draco? Mesmo depois de dizer que não precisava vir fazer aquelas bobagens de Natal? Foi abrir a porta e viu o loiro parado ali com um pacote nas mãos estendido para ele.
– Eu disse que não era necessário.- falou com a carranca mal humorada.
– Eu sei que não, mas minha mãe me obrigou.- retrucou com o mesmo mal humor. O loiro estava entediado de ficar naquela escola sem ninguém para conversar. Ficaria trocando cartas com Lovegood, mas não iria atrapalhar o feriado dela prendendo-a numa mesa para ficar lhe respondendo. Apesar dela lhe dizer que não se importaria em fazê-lo.
– Narcisa sempre foi atenciosa. Uma dama.- elogiou pegando o pacote e dando espaço para o afilhado entrar. Queria rir da resposta ácida dele. Certas atitudes bem parecidas, como se fosse ele próprio.
Draco entrou nos aposentos do professor. Estava aquecida pela lareira, então não viu necessidade em ficar de casaco. O tirou e colocou sobre a cadeira. A mesa estava com pergaminhos espalhados. Nem mesmo no natal, seu padrinho deixava de trabalhar? Um pergaminho em especial lhe chamou a atenção. Uma carta, que continha o nome da sabe tudo Granger.
"Por que diabos a Granger iria mandar uma carta para Snape?" Divagou pegando o pergaminho.
Snape saiu do seu quarto onde foi guardar o presente. Ao sair e ver seu afilhado com um pergaminho nas mãos, seu coração parou um instante para depois voltar a bater loucamente. Andou apressado e arrancou o pergaminho das mãos de Malfoy e juntou com os outros de cima da mesa e guardou em uma gaveta da estante.
– Sua mãe não lhe ensinou que não se deve mexer no que não lhe pertence?- ralhou rogando para que Draco não tivesse lido nenhuma linha.
– Por que a Granger lhe mandaria uma carta, padrinho?- perguntou o Sonserino.
– Er...a estúpida está em dúvida de quantos pergaminhos tem de ser entregues...- respondeu rapidamente esperando que o garoto engolisse aquela desculpa.
Malfoy não disse mais nada. Estava na cara que seu padrinho escondia algo. O que ele não entendia era, o que a Granger tinha a ver com isso?
Snape agradeceu de seu afiliado não perguntar mais nada da carta da Hermione. Fora um idiota em deixar a carta assim as vistas. Teria de tomar mais cuidado dali pra frente.
******************************************
Hermione foi para a aula de DCAT nervosa. Harry e Ron haviam sumido, e sempre que isso acontecia, os resultados não eram nada bons.
Entrou na sala, deu um sorriso fraco para Snape que estranhou aquilo. O Professor percebeu que os cabeças-ocas que ela intitulava de amigos não estavam ali. Deveria ser por isso, que ela estava daquele jeito, apreensiva. Depois falaria com ela, já que não a viu na noite anterior quando chegou do feriado, pois estava em uma missão para o Lorde.
– Se já pararam de tagarelar, creio que posso dar inicio a aula.- olhou para os alunos que se calaram imediatamente — Hoje aprenderemos sobre o feitiço Patrono. Ele é um feitiço de energia que pode ser usado contra Dementadores, Bicho-papão e Mortalha-vivas.- explicou o homem afastando as carteiras.- O Patrono corpóreo, é um guardião composto de energia positiva que, quando conjurado corretamente, encarna a forma de um animal prateado, de aspecto único para cada bruxo que o conjura. É feito de energia positiva, e para conjurá-lo é preciso se concentrar em uma lembrança muito feliz.- debochou da palavra feliz.- Pode ocorrer de um patrono ser igual ao de outro bruxo, quando há amor envolvido.- finalizou tomando distância para demonstrar o feitiço.- Se concentre na memória feliz e diga Expecto Patronum.- com um floreio de varinha lançou o feitiço. Um cachorro prateado saiu da ponta de sua varinha correndo pela sala.- Quem gostaria de ser o primeiro a tentar?- indagou sem conter a cara de descrença que tinha nos alunos. Mas, uma agitação em seu peito veio junto com a mão veloz que se ergueu no ar.- Mais ninguém?- indagou olhando para os alunos que baixavam a cabeça ante o olhar do homem. Timidamente e cheio de medo, Neville ergueu sua mão também.- Longbotton e Granger.- murmurou não acreditando que o Griffano era capaz de conjurar tal feitiço.- Sejamos cavalheiros, comece srta. Granger.- pediu indicando onde se posicionar para fazer o feitiço. Snape sabia que ela conjurava o feitiço, lembrando que ela foi membro da Armada Dumbledore.
Hermione pigarreou para pronunciar corretamente o feitiço. Não se lembrava de qual era sua lembrança feliz, quando estava na AD. Puxou pela memória algo que fizesse se sentir em plena felicidade. Olhou para o professor que a fitava com aquele mar escuro, e sentiu seu peito inflar de alegria.
– Expecto...- começou antes da porta da sala ser aberta abruptamente por McGonagall.
– Eu devo estar ficando surdo, pois não a ouvi bater, Minerva.- disse sarcástico.
– Não tenho tempo para seu mal humor, Severo. Dumbledore requisita a presença da srta. Granger e a sua na enfermaria. Urgente!- comunicou a senhora.
Fale com o autor