Notas iniciais
Cheguei, atrasada, mas cheguei. Obrigada pelos comentários anteriores, e vou avisar que esse capítulo reserva fortes emoções. Boa Leitura!

– Como foi exatamente que isso aconteceu?- perguntou Dumbledore quando Snape se pôs ao seu lado com um olhar inquisidor, enquanto Granger olhava chocada para uma das camas hospitalares.

O garoto tornou a contar a história de como Rony havia engerido uma poção do amor fortíssima e depois de ser livrado dos efeitos da tal poção, foi acometido por uma convulsão logo depois de tomar uma taça de Hidromel envelhecido em barril de carvalho que o professor Slughorn tinha.

– ...então enfiei o bezoar na boca de Rony e a respiração dele melhorou dando tempo de buscarmos ajuda.

– Severo.- pediu o diretor entregando a garrafa da bebida ao professor.

– Veneno poderoso das Trevas.- informou espantado pelo fato do ruivo ter sobrevivido.- O sr. Wealey teve sorte do nosso herói, 'O Eleito' estar por perto.- ironizou.

Potter iria retrucar se o barulho da porta se abrindo fortemente não o assustasse.

– Cadê meu Uon Uon?- bradou Lilá estérica ao entrar na enfermaria.- Ele perguntou por mim?- disse olhando para os adultos envolta da cama que se afastaram para ela poder ver o acamado.- O que ela está fazendo aqui?- perguntou sem conter o asco na voz ao ver Hermione ao lado do ruivo.

– Oras, eu sou amiga dele.- rebateu a morena exasperada pela reação da Brown.

– Não me faça rir.- debochou a garota.-Faz meses que não se falam direito, e você só quer estar com ele porquê de repende ele ficou interessante.- pontuou a loira cruzando os braços na frente do corpo.

– Ele foi envenenado, sua destrambelhada!- exclamou Granger irritada.- E fique sabendo que eu sempre achei ele interessante.- afirmou empinando o nariz em forma de desafio.

A loira ficou vermelha em fúria, sua vontade era de arrancar os olhos daquela sabe-tudo irritante, mas não faria aquilo na frente do diretor e professores.

Snape mantinha o olhar frio em Granger. "Que porra ela tinha dito? Que achava o cenoura ambulante interessante?" . O homem rangeu os dentes com o que veio a seguir.

O corpo desacordado na cama se remexeu agitado murmurando coisas desconexas atraindo a atenção de todos que o olhavam com expectativa.

– Her-mi-one...- balbuciou antes de cair em sono profundo chegando a roncar.

Lilá saiu as pressas dali chorando alto pelo fora que levara do garoto.

– Bem, vamos indo.- anunciou Alvo.- Creio que o sr. Weasley está bem acompanhado.

– Com certeza está.- sibilou Severo antes de sair pisando duro para fora da enfermaria.

Hermione percebendo o que acabara de acontecer, saiu as pressas atrás do professor não dando atenção aos chamados de Harry.

Snape sentia falta de ar. Seu coração estava disparado, sua cabeça parecia que ia explodir pela forte dor que estava sentindo. Não conseguia acreditar que Hermione tinha dito aquilo. Fora um tolo por pensar que teriam um futuro juntos. "Que faça bom proveito daquele legume."

Granger conseguiu alcançar o homem já nas Masmorras. A capa dele voava pela rapidez com que ele andava. "Idiota! Por que foi dizer aquilo, Hermione?" Praguejou ofegante.

– Espera, Severo!- chamou.

– Volte para enfermaria srta. Granger. Estão precisando da senhorita por lá.- disse amargo antes de entrar em seus aposentos. A garota entrou rápido batendo a porta para fechar.- Peço que se retire srta.- pediu contendo a raiva.

– Não vou sair, até me ouvir!- bradou cansada pela corrida.

– Já ouvi demais, Granger.- rosnou moendo o queixo.

– Você entendeu tudo errado.- principiou se aproximando.

– Não sou surdo, entendi muito bem.- vociferou alto.- Disse que o Weasley era interessante.- pontuou sorrindo sarcástico.

– E é.- confirmou.- Mas deixei de gostar dele a muito tempo Severo.- confessou.- É você quem eu amo, seu estúpido.- disse batendo no braço dele.

– Sei...- ergueu a sobrancelha descrente do que ela falava. Queria acreditar, porém, não conseguia ver lógica no que ela dizia.- Já falou, agora saia. Tenho coisas mais importantes fazer do quê ficar de papo furado.

Irada pela teimosia do homem, Hermione floreou sua varinha e jogou o professor no sofá e o prendeu ali.

– Você é um cabeça dura, Severo.- comentou andando em sua direção. O Sonserino estava estarrecido pela ousadia da morena.- Desde que eu tinha onze anos, gostei do Ron. Achei que um dia ele me olharia diferente, e que poderíamos ter algo num futuro.- confessou.- Eu pensava assim, até sofrer um acidente e ir parar no passado.- agora a Griffana se sentou no colo do moreno, colocando uma perna de cada lado do corpo masculino.- E me apaixonar por um turrão ciumento.- sussurrou olhando-o nos olhos.- Eu amo você, Severo. Quando vai entender isso?- questionou-lhe segurando seu rosto nas mãos.

– Bonitas palavras, Granger...- desdenhou tentando manter firme sua postura, no entanto, o que ela dissera havia mexido com ele de certa forma. Mas não entregaria os pontos.

A menina viu a ternura que ele transmitia pelo olhar. Pensou em como aquelas órbes a aqueciam trazendo felicidade para ela. Respirando fundo, ela tentaria convencê-lo. Então, maneou novamente sua varinha sem tirar seus olhos dos dele.

– Expecto Patronum.- proclamou calmamente. Um fio luminoso saiu da ponta de sua varinha tomando a forma de um cachorro prateado que deu a volta pelo sofá parando ao lado da garota. — Você é minha lembrança mais feliz, Severo.- murmurou antes de beijá-lo calidamente. O feitiço que o prendia se desfez, e o Patrono Corpóreo sumiu.

O homem não se segurou depois daquela afirmação. Nem mesmo depois de sentir como os corpos se encaixavam perfeitamente. Ou os lábios macios, eram como um molde para os dele. Estremeceu quando ela lhe puxou os cabelos aprofundando o beijo.

Um grunhido baixo escapou de sua garganta, um suave som de posse. Hermione respondeu aproximando-se mais dele, moldando sua pequena forma com a dele.

As mãos que subiam pela pele firme de Hermione, deixavam um rastro de fogo em brasa arrepiando a morena que friccionava seu corpo contra a rigidez do homem.

Havia passado anos sentindo um buraco aberto e vazio em sua alma, a pouca compaixão e gentileza que tinha experimentado evaporou lentamente, perdida para ele. Ela havia trazido de volta suas emoções e a alegria da vida.

Como a amava! Como precisava dela! Hermione o fizera voltar a viver. Ele podia acreditar que sua felicidade duraria, mesmo com a ameaça do Lorde descobrir. Sentia que a qualquer momento, ela poderia escapar entre os dedos. E sabia também que se tornaria perigoso para ambos. Mais do já estava sendo.

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Luna descia para o campo de Quadribol, seu caminhar era como de uma fada, os cabelos loiros dançavam nas suas costas. Sua alegria e leveza eram contagiante para aqueles que a vissem. E não foi diferente com um Sonserino loiro sorridente que estava parado no alpendre de entrada para o pátio do castelo.

– Olá, Draco.- saudou com sua voz doce.- Vai assistir Grifinória x Lufa Lufa? Sabe, vou narrar junto com McGonagall.- comentou sorrindo depois da careta que o menino fez ao ouvir Grifinória.

– Desculpe, mas tenho uns trabalhos para fazer agora.- disse ele realmente chateado por não poder ouvi-la narrar. Mas, tinha de aproveitar que poucas pessoas estariam dentro do castelo para terminar de concertar a tralha velha do Armário Sumidouro. "Mestiço imundo, sempre fodendo com minha vida."– Te vejo depois na Torre da Astronomia?

– Claro! Até depois, Draco.- acenou seguindo para o campo saltitando fazendo os fios loiros dançarem de um lado para o outro.

Malfoy suspirou cansado. Aquela droga de guerra não estava lhe trazendo nada de bom para sua vida. Somente uma coisa boa lhe aconteceu no meio daquela loucura, sua amizade com a Corvina. Um milagre em meio a desgraça que estava vivendo. Falar com ela, estar com ela, o fazia esquecer de quem era e do quê precisava fazer.

Nunca se sentira livre daquela forma antes. Podia agir como ele mesmo, e não um Malfoy sangue puro, apenas um garoto de dezesseis anos, com sonhos medos e reservas.

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Enfim, conseguira consertar o Armário. Depois de meses, noites de insônia, arrumara aquele treco. Agora tinha de avisar seu padrinho de que estava tudo pronto para uma invasão em Hogwarts.

Enquanto ia para os aposentos do antigo professor de Poções, divagava o quanto precisava criar coragem para a outra missão, matar Alvo Dumbledore. Era praticamente suicídio tentar matar o velho diretor. "O Cara-de-cobra não consegue fazer e manda os outros. Patético."

Ao se aproximar do corredor do aposento, viu a porta do mesmo se abrir e ao em vez de seu padrinho sair dali, foi Granger quem saiu. Franzindo a testa se escondeu e ficou para observar ela passar. O que a Griffana estaria fazendo ali? O que Snape estava querendo com a garota. "Primeiro a carta, agora isto. Muito estranho." Pensou quando a moça passou por ele. Ela estava sorrindo feliz? Quem ficaria feliz depois de falar com o Morcegão? O loiro tinha duas opções, ir direto ao homem e perguntar, ou investigar ele mesmo...nenhuma das duas era agradável para o garoto. Girando nos calcanhares desistiu de ir falar com o professor. Pensaria no que fazer. Granger poderia saber que Snape era Comensal e estaria o chantageando..." Não, ela não é desse tipo de pessoa." Descartou tal pensamento.

Estava tão perdido, que acabou trombando em alguém que só não caiu porque ele foi rápido e a segurou pelo braço.

– Uh! Obrigada, Draco. Seria desagradável despencar no chão.- pontuou a loira olhando para os olhos azuis cinzentos do Sonserino.

Malfoy engoliu em seco perdido no azul celeste das órbes da Corvina. Respirava com certa dificuldade. O corpo esguio da menina estava tão perto que por um momento o deixou desnorteado que acabou por fazer pressão nos braços de Lovegood que soltou um gemido de dor acordando Malfoy dos pensamentos.

– Me desculpe, Luna.- pediu soltando-a. Se xingou por machucar a menina. Ela que sempre esteve ao seu lado. Companheira, amiga, amável. E agora ele agia feito um trasgo com ela.

– Estou bem, Draco.- afirmou serena.- Tudo bem com você? Me parece atormentado.- cruciou esfregando o braço onde o loiro segurara. Estava estranhamente formigando e quente. "E por que estou nervosa?" Estranhou o jeito que seu coração disparara.

– Estou, quero dizer, não sei...- bufou cansado.- Minha cabeça está dando voltas numa coisa...- murmurou pensativo.

– Podem ser os zonzóbulos. Eles adoram entrar na cabeça das pessoas e embaralhar tudo.- disse solicita.

Draco sorriu de lado. Zonzóbulos....Tá mais pra rata de biblioteca e morcego, a coisa que embaralhou a cabeça dele.

– Você é amiga da Granger, não é?- indagou pensando que a garota pudesse o ajudar a entender alguma coisa.

– Hermione? Sim, somos amigas. Por que?- estranhou, sabia que o Sonserino e a morena eram inimigos.

– Vamos até a Torre, lá eu te conto o que vi.- falou levando a menina pela mão até o lugar.- No natal, fui até as masmorras ver o professor Snape.- começou assim que chegaram no parapeito da Torre.- Encontrei no meio das coisas dele uma carta da Granger, pra ele.- comentou se lembrando da reação do homem.- Ele ficou todo estranho quando me viu com o pergaminho. E agora a vi sair dos aposentos dele...- pontuou se apoiando na grade e fitando o céu.- O que ela iria querer com meu padrinho?- inquiriu voltando seu olhar para a garota sentada na beirada da sacada.

– Hermione é sensata, e o professor Snape não é o tipo de pessoa que recebe alunos em seus aposentos...- divagou a loira.- Eles devem estar tendo algum tipo de romance...já percebeu o carinho com que se olham durante as refeições?- Draco ergueu a sobrancelha achando aquela afirmação totalmente descabida.- Seja o que for, está fazendo bem pra eles. Hermione me parece feliz, e o professor Snape me parece mais calmo.

O Sonserino refletiu aquela hipótese. Seria possível, Snape e Granger juntos? "Amor é uma coisa estranha." Pensou em como o suposto casal era diferente em todos os sentidos. Sonserino, Grifinória. Frio, Calorosa. Comensal, Heroína...

O loiro ficou pensando que, se seu padrinho, a pessoa mais fria e indiferente que conhecia estava realmente envolvido com uma pessoa diferente dele, por quê ele, Draco Malfoy não poderia estar com alguém que o quisesse do jeito que era?

"Mas e a guerra?" Estranhou. Granger e Snape estavam em lados opostos naquela droga. Como fariam?

– Deveria falar com o professor Snape.- ofereceu Luna.- Só ele pode lhe dizer o que realmente acontece entre ele e a Hermione.- pontuou olhando-o.

– Tem razão, Luna. Falarei com ele amanhã.- se convenceu sentando-se na borda da sacada junto a menina.- Obrigado por me ouvir.- falou sincero.

– Amigos são para isso, não é?- lhe sorriu.

– Claro, 'amigos'.- de alguma forma o loiro não gostou daquela afirmação. Algo se revoltou em seu estômago, porém, deixou para lá.

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Muito antes do café da manhã, Malfoy bateu a porta dos aposentos de Severo. Demorou um pouco até este vir abrir em meio a resmungos e palavrões.

– Malfoy? Quem morreu para vir me acordar a essa hora?- questionou mal humorado sentando-se numa poltrona enquanto seu afiliado se sentava no sofá.

– Eu viria ontem ao fim da tarde, mas percebi que estava cansado depois...da visita da Granger.- rebateu esperando qualquer reação do homem que dissesse que aquilo era loucura.

Snape manteve a expressão inabalada. Por dentro, buscava motivos, explicações para que o loiro soubesse do seu... relacionamento com a Granger.

– Ontem a vi sair daqui.- retomou depois de um longo silêncio do homem.- E juntando isso, com a carta que eu vi no outro dia, cheguei a conclusão de que o senhor está envolvido com ela.- finalizou.- Não me leve a mal, não tenho nada a ver com sua vida pessoal, não me importo com quem andas envolvido, mas me intriga como isso foi acontecer. Durante anos eu o vi a humilhá-la, apelidá-la. O que mudou?

– Me diga você Draco, o que mudou para estar caído pela Di-Lua ?- rebateu recordando das vezes que viu de longe os dois na Torre de Astronomia. Não que ele ligasse para aquilo, mas não deixaria o garoto afrontá-lo.

– Não estou caído pela Luna.- se defendeu.- Somos amigos.

– Certo.- balbuciou.- A srta. Granger e eu, somos amigos também.- ironizou.

Malfoy bufou irritado pela volta que o homem lhe deu.

– Tudo bem. Só fique atento. Nessa guerra, estão em lados opostos padrinho. Um de vocês irá se machucar.- pontuou se levantando para ir.

– Digo o mesmo a você, Draco. Lovegood estará ao lado de Potter nessa 'maravilhosa' guerra. Se achar que estás lutando pelo lado errado, lute pelo certo.- aconselhou.

– Está me dizendo para mudar de lado?- espantou-se o garoto.- O Lorde das Trevas mataria minha mãe, até mesmo a mim se eu fizer isso.

– Eu não disse que era para informar sua decisão ao Lorde.

O loiro fitou o padrinho por um momento. Estaria ele mesmo lutando do outro lado? Um golpe contra o cara-de-cobra?

– Quero fazer o que é certo padrinho, mas temo pelas pessoas que amo.- confessou.

– Faça o que é o certo, Draco. E confie em mim.- pediu.- Nada irá acontecer, nem a você, nem a Narcisa e nem a Lovegood.- determinou.- Só peço que não abra a boca sobre minha 'amizade' com Hermione.

– Nunca pensei que o veria assim, amando.- confessou indo até a porta.- Ah! Mais uma coisa, o Armário está pronto.- informou apreensivo.

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Depois da conversa que teve com o padrinho, Draco foi para o Salão principal tomar seu café. Muitas das coisas que Snape lhe dissera, o fez pensar na decisão que tomaria quando a guerra desse inicio letal. Precisava falar com a Luna para tomar definitivamente sua posição naquela batalha. E agradeceu sua sorte ao ver a loira caminhando para o Salão.

– Bom dia, Luna.- saudou.

– Bom dia, Draco.- lhe deu um sorriso, que na opinião do garoto era adorável.

– Posso falar com você depois do café?- a menina assentiu com a cabeça.- Ótimo! Te vejo depois no banheiro da Murta.- disse entrando no Salão.

O sorriso de Draco murchou ao ver Katia Bell olhando-o enquanto falava com o Potter. "Merda!" Praguejou saindo dali. Teria a garota falado ao "Eleito" que fora ele quem a enfeitiçou? Impossível. Ele se certificara de fazer corretamente a Maldição.

Entrou rápido no banheiro da Murta e a mesma estava ali e se assustou com a chegada repentina do Sonserino.

– Draco?

– Não...preciso ser firme.- murmurou enquanto arfava e jogava água no rosto.

– Precisa de ajuda, Draco?- indagou a fantasma.

– Preciso confiar nele...- resmungou sem perceber que outra pessoa entrara no banheiro. Só se deu conta pelo barulho que fez a estátua caindo.

Malfoy girou nos calcanhares puxando a varinha. Instintivamente, Harry sacou a dele. O feitiço do loiro passou a centímetros do Griffano que se atirou para o outro lado lançando Levicorpus no oponente que bloqueou.

Murta guinchava para que parassem de brigar, mas os garotos não lhe davam ouvidos e continuavam os ataques. Malfoy, de rosto retorcido de raiva exclamou:

– Cruci...

– SECTUMSEMPRA!- bradou o moreno agitando a varinha.

Draco caiu no chão. Sangue saia de seu rosto e peito. Como se tivesse sido cortado por espadas invisíveis.

– Não!- exclamou em choque pelo que tinha feito. Caiu de joelhos ao lado de Malfoy, que tremia em uma poça do próprio sangue.

– CRIME NO BANHEIRO! CRIME NO BANHEIRO!- urrou Murta vendo o amigo agonizar.

Pela porta passou Snape com o rosto lívido pelo que vira. Empurrando Potter com certa violência se pôs ao lado do ferido e passou a varinha pelos cortes murmurando um encantamento que parecia uma canção.

Harry ainda estava horrorizado pelo que fizera, Murta ainda chorava pelo loiro que parou de tremer.

– Vamos para a ala hospitalar.- decretou Snape ajudando Draco se levantar depois de curado.- Talvez fique algumas cicatrizes, mas se tomar ditamno...E você, Potter, me espere aqui!- ordenou olhando para o Griffano assutado.

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Malfoy estava deitado na cama hospitalar. Estava ali há algumas horas, e dormindo, pela poção que tomara. Sentiu um toque em seus cabelos, uma espécie de cafuné carinhoso, gentil. Abriu os olhos para ver quem lhe acariciava. Viu dois olhos azuis celeste lhe encarando.

Luna cessou o afago que dava ao Sonserino quando viu que este estava acordado.

– Como se sente?- questionou a menina corando por ser pega.

– Ótimo.- sussurrou sentindo um certo abandono quando ela parou com o cafuné.- Há quanto tempo está aqui?

– Não sei, quer saber a hora?- indagou olhando pela janela o céu alaranjado.- Pelo jeito, deve ser umas cinco da tarde.- comentou.

Draco a fitou se recordando de que estava querendo lhe dizer algo, antes do Cicatriz o atacar. Vagarosamente pegou a mão da garota.

– Luna, sei que se tiveres de lutar na guerra, estará ao lado do Potter.- começou mexendo na pequena mão da Corvina.

– Sim. Por quê? Você não?

– Por qual motivo lutaria ao lado do Eleito?- devolveu encarando- a os olhos.

– Pela paz. Porque é o certo, Draco.- explicou meigamente.- Você não pretende estar ao nosso lado?

– Gosto desse seu jeito em ver bondade onde não tem.- murmurou mais pra si mesmo.- Se eu te contar uma coisa, promete que não dirá a ninguém?

Com a afirmativa da menina, Malfoy se sentou na cama e lhe contou o que se passou. Desde a ameaça do Lorde das Trevas contra sua mãe que o fez se tornar um Comensal, até o Voto Perpétuo que fez com seu padrinho, onde lhe prometia lealdade em tudo o que o homem pedisse.

– Por que me contou tudo isso, Draco?- questionou entendendo o sofrimento do menino durante aquele ano.

– Porque confio em você.- confessou sincero.- Porque gosto de você...- murmurou se aproximando dela,

Luna sentiu o rosto esquentar, o peito parecia que iria explodir pela forma que o coração batia descontrolado quando os lábios do loiro colou nos seus.

De onde Malfoy tirou a coragem para dizer aquilo, e até para fazer algo inesperado ele não saberia responder.

Era inesperado, mas bom.

O beijo foi calmo, terno, doce, como se quisesse conhecer e guardar a sensação da boca do outro. Draco estava tão feliz, que sorria feito bobo.

– Também gosto de você, Draco.- afirmou baixo como se temesse dizer aquilo em voz alta e quebrasse aquele momento.

O menino sorriu, um sorriso verdadeiro que chegava aos olhos azuis cinzentos. A abraçou colocando a cabeça loira em seu peito, onde ela podia ouvir as aceleradas batidas de seu coração.

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– Olá, Severo. — Saudou, enquanto entrava em seu escritório, indo direito para a sala.

– Pensei que iria passar a tarde cuidando dos seus amiguinhos cabeças-ocas. — disse enquanto a seguia, se sentou em sua escrivaninha, e se pôs a escrever, talvez estivesse corrigindo algo, ou não, Hermione não sabia dizer, mas notou que Severo estava um tanto estranho, talvez fosse impressão sua, isso era outra coisa que ela não sabia responder.

– Eu iria, mas algo me diz que tenho de estar aqui hoje, uma vez que Harry não está no Castelo e Ron está se escondendo de Lilá desde que recebeu alta.- Replicou ignorando a ofensa, enquanto escolhia um livro dentre vários, na estante.

Nada mais foi dito. Hermione folheava o livro, enquanto Severo continuava a escrever nos pergaminhos. O silêncio se estendeu até que...

– Você precisa de ajuda? — ofereceu tentando puxar conversa.

– Não... Acho que você deveria ir atrás dos seus amigos, que só se metem em confusão quando você não está por perto.- cruciou sem olhá-la.

– É isso o quê você quer? Quer eu vá? Certo... — disse, se levantando da poltrona.

–Não! Não é isso, Hermione.- falou alarmado que a morena tivesse ficado magoada.- Você não acha que deveria aproveitar mais o seu tempo livre, do que ficar trancada em uma Masmorra com um homem que possui um mau humor indescritível. Eu sei como sou, e não sou nenhum exemplo de boa companhia. — confessou.

– Ah, Severo.- riu indo se sentar na mesa de frente para o homem.- Eu gosto de sua companhia, você não fala muito e eu não me importo, o seu silêncio é suficiente para mim.- alisou o rosto dele.- E te conheço bem pra saber que alguma coisa está acontecendo, e você não quer, ou não pode me contar, não é.- pontuou.

"Uma vez sabe-tudo sempre sabe-tudo."

– Não, não é. — como ele diria à ela que teria de matar o Diretor?

"Ah, Hermione, não há nada demais para acontecer, só terei que matar o Diretor, nada com que você deva se preocupar" — Francamente.

– Tudo bem, então. — o beijou, e voltou a ler.

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"- Como é que é? — Perguntou o Professor, pra ter certeza de que havia ouvido corretamente.

– Horcrux. Encontrei o termo quando estava lendo, e... eu não entendi muito bem.

– Não sei bem oque você estava lendo, Tom, mas isso é magia das Trevas. Realmente das Trevas. — Afirmou

– Por isso eu procurei o senhor. Achei que uma mente brilhante como a do senhor poderia me esclarecer.

– Uma Horcrux é um objeto onde uma pessoa oculta parte de sua alma. — respondeu resumidamente.

– Mas, eu não entendo como se faz isso, Senhor.

– A pessoa divide a alma e oculta parte dela em algum objeto, fazendo isso você está protegido caso seja atacado e seu corpo destruído.

– Protegido?- os olhos obtiveram um brilho que passou despercebido pelo senhor.

– Esta parte de sua alma que está oculta continua viva. Em outras palavras; você não pode morrer. — Explicou mais claramente.

Riddle se calou por alguns segundos visualizando fazer uma Horcrux.

– E como alguém divide a alma, senhor?

– Acho que você já conhece a resposta, Tom.

– Matando. — concluiu o garoto.

– Sim, matar rompe a alma, é uma violência contra a natureza.

– Só se pode dividir a alma uma vez, ou se pode dividi-la em sete?

– Sete? — Perguntou assustado.- Pelas Barbas de Merlim, Tom! Já não é bastante ruim pensar em matar uma pessoa? Repartir sua alma em sete? Isto é só uma hipótese, não é, Tom? Uma questão acadêmica.- perguntou receoso.

– É claro, senhor. Será o nosso segredinho. — Respondeu, com um meio sorriso."

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Severo não podia hesitar. Havia feito o voto perpétuo e já não tinha mais volta. Se Draco falhasse... — 'se' não, ele falharia, só um tolo duvidaria disso.- ele teria que fazer a tarefa. Como matar um homem que apesar de tudo lhe estendeu a mão? Por mais que fosse à pedido dele. Como poderia? Já não tinha mais volta. Teria que fazer. Faria, mesmo que não quisesse. Lutaria. Continuaria com seu papel ao lado do Lord, tendo como motivação Hermione. Lutaria para que ela vivesse num mundo melhor. Era tudo por ela e para ela, mesmo que morresse a deixaria num mundo melhor, ela merecia, ele não...

O amor realmente é algo estranho; te deixa egoísta a ponto de querer a pessoa só pra você, e generoso a ponto de dar o mundo inteiro pra ela.


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Já era noite, quando Snape pediu para que Granger voltasse para o Dormitório e que não saísse de lá nem por um decreto. Isso tudo era suspeito. Sem duvida alguma algo iria acontecer no Castelo, Harry e Dumbledore estavam fora, será que isso tinha alguma coisa a ver?

Saindo dos aposentos dele, começou a caminhar reto pelo corredor da Masmorra, entretanto algo lhe chamou a atenção, algo não, alguém. Draco Malfoy passou por ela e nem a notou. Isso não poderia ser normal, o quê ele estaria fazendo ali?

Claro, é a Torre da Sonserina.

Ele parecia angustiado, exasperado, parecia até tremer, absorto em seus pensamentos.

Ela deveria ir para sua torre, mas não o fez. Não conseguiria dormir com aquelas duvidas. Draco estava tão distraído que foi fácil segui-lo.

Por incrível que pareça ele estava indo para a Torre de Astronomia, e ao chegar Hermione percebeu que Dumbledore também estava lá.

Assim que entrou na sala sentiu alguém lhe puxar, por pouco não gritou. Era Harry, ele estava de baixo de uma escada, não sabia bem. Hermione não atentou ao lugar, Harry através de sinais pediu para que ela fizesse absoluto silêncio, e ela assim o fez e os dois começaram a observar o quê acontecia.

– Boa Noite, Draco. O quê o traz aqui nesse linda noite de Primavera?

Malfoy adiantou-se, olhando rapidamente ao redor para verificar se ele e o diretor estavam a sós. Parecia não haver mais ninguém ali, entretanto ele havia ouvido vozes.

– Quem mais está aqui? Eu ouvi o senhor falando... — questionou, ignorando a pergunta anterior.

– Ah, eu costumo falar comigo mesmo. Acho extremamente útil. Você tem conversado com você mesmo, Draco?- questionou mantendo seu semblante sereno.- Draco, você não é um assassino. — Disse calmamente.

– Como sabe o quê eu sou? Fiz Coisas muito chocantes.- tremendo, Snape já devia estar ali.

– Ah, como enfeitiçar Katia e esperar que ela me entregasse o cordão amaldiçoado. Como envenenar a garrafa de Hidromel.- pontuou.- Perdoe-me, Draco, mas suas tentativas têm sido ineficazes... tão ineficazes, para ser sincero, que me pergunto se, no fundo, você realmente queria...

– Ele confia em mim.- afirmou. — Eu fui o escolhido.- levantou a manga da camisa, deixando amostra a Marca negra.

Harry olhou para Hermione, como quem queria dizer "eu não disse"

Dumbledore pareceu um pouco surpreso, mas não demonstrou isso através de suas palavras.

– Deixe-me facilitar para você. — fez menção de usar a varinha, entretanto Draco foi mais rápido.

– Expelliarmus. — desarmou-o

– Muito bom. — Elogiou o Diretor, de repente todos ouviram um barulho e ele teve certeza de que Draco não estava sozinho.

– Você não está sozinho, existem outros... como?- inquiriu realmente interessado na resposta.

– Tive de consertar aquele Armário Sumidouro que ninguém usa há anos. Aquele em que Montague sumiu no ano passado.

— Aaaah.

O suspiro de Dumbledore foi quase um lamento. Ele fechou os olhos por um instante. Se sentia exausto, a maldição que o acometeu, junto da poção que tivera de tomar para pegar a Horcrux, estava o debilitando mais.

— Foi uma ideia inteligente... há um par, não é?

— O outro está na Borgin & Burkes — respondeu Malfoy —, e os dois formam uma passagem. Tudo bem de baixo do seu nariz.

— Muito bom .— murmurou Dumbledore. — Então os Comensais da Morte puderam passar da Borgin & Burkes para a escola e ajudá-lo... um plano inteligente, um plano muito inteligente... e, como você disse.... bem debaixo do meu nariz...

— É.— exclamou Malfoy que, bizarramente, parecia extrair coragem e consolo do elogio do diretor. — É, foi!

— Houve vezes, no entanto.— continuou Dumbledore —, em que você perdeu a certeza de que conseguiria consertar o Armário, não é? E então lançou mão de recursos óbvios e mal avaliados como me mandar um colar maldito, que estava fadado a ir parar em mãos erradas... envenenar um hidromel que era pouquíssimo provável eu beber...

— É, mas, nem assim o senhor descobriu quem estava por trás disso, não é? — debochou Malfoy.

— Na verdade, descobri. Eu tinha certeza de que era você.

— Por que não me deteve, então? — quis saber Malfoy.

— Tentei, Draco. O professor Snape tem vigiado você por ordens minhas...- respirou fundo.

— Estou sabendo.- comentou o loiro.- Ele é um agente duplo, ele não está trabalhando para o Lorde...blá blá blá.- ironizou.- Snape me contou o que pretende fazer...

— Devemos concordar em discordar nesse ponto, Draco. Acontece que eu confio no professor Snape...- disse convicto não sabendo que o garoto realmente sabia de tudo.

— Bem, então o senhor não está mais entendendo nem controlando nada! — desdenhou mais uma vez Malfoy.— Ele tem me oferecido muita ajuda....minha mãe soube escolher meu padrinho.

Harry muitas vezes fez menção de ir até lá para atacar Malfoy, mas Hermione o deteve. Tinham Comensais por ali, eles estavam em desvantagem.

– Draco, há alguns anos eu conheci um menino que fez todas as escolhas erradas. Por favor me deixei ajuda-lo.

– Eu não quero sua ajuda! O senhor não entende, eu tenho que fazer isso.- confessava — Tenho que matar o senhor ou morrerei.- ele parecia chorar.

Mas, de repente, passos atroaram escada acima e, um segundo depois, Malfoy foi empurrado para longe quando quatro pessoas de vestes negras irromperam pela porta em direção às ameias. Ainda paralisado, assistindo sem piscar, Harry encarou com terror os quatro estranhos: pelo visto, os Comensais da Morte tinham vencido a luta lá embaixo.

Um homem pesadão, com um estranho sorriso enviesado e malicioso, deu uma risadinha asmática.

– Oh... olha o que temos aqui... — Exclamou, com falsa surpresa. Caminhou até o garoto e sussurrou em seu ouvido. — Muito bem, Draco.

– Boa Noite, Bellatriz. Acho que fará as apresentações, não fará?

– Adoraria, Alvo. Mas, acho que estamos com o horário apertado. Faça! — ordenou, olhando para Draco.

Malfoy hesitava. Tinha de esperar por Snape, como haviam combinado.

– Mate-o, Draco. AGORA! — Gritou a Mulher.

Harry queria ir ajuda-lo, não podia mais ver outra pessoa morrendo em sua frente. Hermione entendia, mas não podia deixar que ele arriscasse sua vida, Dumbledore lançava olhares para os dois como se quisesse dizer para que eles não fizessem nada. Ele sabia o que estava fazendo.

– Não... — Falou uma voz, da qual Hermione conhecia bem.

Severo! Um raio de esperança surgiu, ela estava crente de que ele ajudaria Dumbledore, já que Draco disse que ele era um agente duplo. Mas eram cinco contra um? Quatro e meio, afinal Draco era um paspalho, mas ainda sim, será que ele conseguiria?

Ela olhou pra Harry e os dois pensavam a mesma coisa.

Snape adiantou-se e tirou Malfoy do caminho com um empurrão. Os outros Comensais da Morte recuaram calados.

Snape fitou Dumbledore por um momento, e havia repugnância e ódio gravados nas linhas duras do seu rosto.

— Severo... por favor...

Por que Dumbledore estava... suplicando? Ainda mais para Snape? Talvez, pedindo por ajuda?

Snape ergueu a varinha e apontou diretamente para Dumbledore.

E como se nunca tivesse existido, o raio de esperança se foi mais rápido do que chegou.

— Avada Kedavra!

Um jorro de luz verde disparou da ponta de sua varinha e atingiu Dumbledore no meio no peito. O grito de horror de Harry e Hermione jamais saíram; sem poder fazerem nada eles foram obrigados a presenciar Dumbledore explodir no ar.

Hermione viu o ódio crescendo nos olhos verdes, ela segurou Harry e o abraçou. Ela não queria acreditar, como Severo pode?

Não, não, não! Não podia ser, ele nunca faria isso. Ela queria chorar, mas as lágrimas não saiam. Seu cérebro e seu coração brigavam entre si e nenhum deles chegavam à conclusão alguma. Ela não queria e não podia acreditar.

Dumbledore devia ter uma carta na manga, tinha que ter!

Será que ela havia deixado o amor que sentia lhe cegar a ponto de não ver quem era ele de verdade?

Antes que pudesse responder suas próprias perguntas notou que Harry havia se afastado.

"Droga!"

Ele estava indo atrás do Snape, será que ele sempre tinha que agir por impulso?

E ela correu, correu mais do que seus pés permitiam, não podia deixar que Harry fizesse uma besteira.

Passando pelo Salão Principal avistou alguns alunos e Minerva duelando com Comensais.
Queria ajudar, mas não podia já não tinha mais tempo para perder. Assim que colocou o pé para fora do Castelo viu Greyback se materializar em sua frente.

– Olha o quê temos por aqui... Senti o cheiro do seu sangue-ruim de longe. — Greyback riu, mostrando dentes pontiagudos. Um filete de sangue escorria pelo seu queixo, e ele lambeu os lábios, lenta e obscenamente.

– Vá para o inferno! Estupefaça!- bradou. Pego desprevenido, Fenrir foi atirado para longe, dando chance para Hermione escapar.

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– SNAPE... ELE CONFIOU EM VOCÊ.- vociferava o garoto. — Estupefaça!

Errou; o jorro de luz vermelha passou ao largo da cabeça de Snape; o professor gritou: “Corra, Draco!”, e virou-se; a uns dezoito metros de distância, ele e Harry se encararam antes de erguer simultaneamente as varinhas.

— Cruc...

Snape, porém, aparou o feitiço, derrubando Harry para trás antes que ele pudesse completar a maldição. O garoto rolou para um lado e tornou a se levantar na hora em que um Comensal às suas costas berrou: “Incêndio!”; Harry ouviu uma forte explosão e uma luz laranja se derramou sobre todos: a casa de Hagrid estava pegando fogo.

— Cruc... — berrou Harry pela segunda vez, mirando no vulto iluminado à luz das chamas, mas Snape tornou a bloquear o feitiço; Harry podia ver seu sorriso desdenhoso.

— Suas Maldições Imperdoáveis não me atingem, Potter! — gritou ele, sobrepondo-se ao ruído das chamas. — Você não tem a coragem nem a habilidade...

— Incarc... — urrou Harry, mas Snape desviou o feitiço com um gesto quase indolente.

— Revide! — gritou Harry. — Revide, seu covarde...

— Você me chamou de covarde, Potter? — gritou Snape. — Seu pai nunca me atacava, a não ser que fossem quatro contra um, que nome você daria a ele?

— Stupe...

— Bloqueado outra vez e outra e mais outra, até você aprender a manter a boca e a mente fechadas, Potter! — debochou Snape, desviando mais uma vez o feitiço. — Agora, venha! — gritou o professor para o Comensal da Morte às costas de Harry. — Está na hora de ir, antes que o Ministério apareça.

— Impedi..

Antes, porém, que Harry pudesse terminar o feitiço, sentiu uma dor excruciante; tombou no gramado, alguém estava gritando, ele certamente morreria de tormento, Snape ia torturá-lo até morrer ou enlouquecer...

Era Bellatriz quem lhe apontava a varinha sorrindo alucinada.

— Não! — urrou Snape, e a dor parou tão subitamente quanto começara; Harry ficou enroscado no gramado escuro, apertando a varinha ofegante; em algum lugar no alto, Snape gritava: — Você esqueceu as suas ordens? Potter pertence ao Lorde das Trevas... Agora vá!

Um pouco hesitante ela tomou o rumo dos portões de Hogwarts.

O garoto soltou um grito inarticulado de raiva: naquele instante, não se importava se ia viver ou morrer; pondo-se em pé com esforço, ele cambaleou às cegas em direção a Snape, o homem que agora ele odiava tanto quanto odiava o próprio Voldemort.

— Sectum...

Snape acenou com a varinha, e o feitiço foi de novo repelido; mas Harry agora estava a poucos passos, e finalmente podia ver com clareza o rosto de Snape: ele já não ria desdenhoso nem caçoava; as labaredas mostravam um rosto enfurecido. Reunindo todo o seu poder de concentração, Harry pensou Levi...

— Não, Potter! — gritou Snape. Houve um forte estampido e Harry voou para trás, tornando a bater duramente no chão e, desta vez, a varinha escapou-lhe da mão. Snape se aproximou e contemplou-o ali caído, sem varinha, indefeso como Dumbledore estivera. O rosto pálido do professor, iluminado pela cabana de Hagrid em chamas, estava impregnado de ódio, tal como estivera pouco antes de amaldiçoar Dumbledore.

— Você se atreve a usar os meus feitiços contra mim, Potter? Fui eu quem os inventei: eu, o Príncipe Mestiço! E você viraria as minhas invenções contra mim, como o nojento do seu pai, não é? Eu acho que não... não!

Harry mergulhara para recuperar a varinha; Snape lançou um feitiço na varinha, que voou longe, no escuro, e desapareceu de vista.

— Me mate, então — ofegou Harry, que não sentia o menor medo, apenas raiva e desdém. — Me mate como matou ele, seu covarde...

— NÃO... — gritou Snape, e seu rosto ficou inesperadamente desvairado, desumano, como se sentisse tanta dor quanto o cão que gania e uivava preso na casa incendiada às suas costas — ... ME CHAME DE COVARDE!

E ele golpeou o ar: Harry sentiu uma espécie de chicotada em brasa atingi-lo no rosto e foi atirado de costas no chão. Manchas luminosas explodiram diante de seus olhos e, por um momento, todo o ar pareceu ter fugido do seu corpo, então a ultima coisa que ele viu foi Snape lhe dando as costas.

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Hermione seguiu os gritos de Harry, e o viu caído no chão, ele ainda respirava. Olhando para frente avistou a sombra de Snape quase desaparecendo de suas vistas, mas ela não o deixaria partir assim, sem nenhum explicação, quem ele pensava que era?

Ofegando, juntando a energia que ainda lhe restava ela começou a correr novamente, chamando-o, mas ele a ignorava. Ele não suportaria olhar para os olhos castanhos decepcionados. Mas, ela era Grifinória não desistiria.

– Severo! — chamou-o pela quinta vez.

– Severo!! — ele nem se quer dava ouvidos.

– SEVERO PRINCE SNAPE! — E o atacou com uma azaração que foi bloqueada abruptamente quando ele se virou.


Hermione mesmo ofegando caminhou rapidamente até ele. Ela não sabia o que dizer, sua razão insistia em repassar os fatos, alertando-a, enquanto uma parte de si, o coração talvez insistia em afirmar que em algum ponto daquela história ele era inocente e isso fazia um pouco de sentido, afinal Dumbledore era um grande mago e poderia ter evitado sua morte, mesmo sem a varinha, ou pelo menos tentado. Outra coisa também é que ele não suplicaria para que poupassem sua vida, na opinião dela aquilo pareceu mais um pedido para que o fizessem, entretanto a questão era: porque ele pediria?

E mesmo minutos antes de sua morte, Dumbledore não deixou de confiar em Snape. Ele não se enganaria por tantos anos.

Agora frente à frente com Severo, todas as perguntas que ela precisava fazer se resumiam em apenas uma:

– Porque, Severo?

Ele hesitou por uns instantes...

– Confie em mim. — Pediu, ele só precisava daquilo.

– Como posso? Olhe ao seu redor, há uma parte de mim que acredita na sua inocência, mas não sei se ela deveria.

Ele puxou-a contra seu peito, abraçando-a forte, não sabia quando tornaria a vê-la. Talvez aquele fosse o último abraço que dariam.

Nenhum dos dois percebeu, mas não muito longe dali Draco vigiava para que ninguém visse os dois, nem ele mesmo sabia porque fazia aquilo, mas achava que era certo. E como prometera lealdade ao homem, estava fazendo. Queria ter tido tempo para se despedir de Luna, dizer que ficaria tudo bem.

– Hermione, eu quero que escute, daqui em diante você deverá seguir seu caminho, ao lado do Potter, ele precisará de você mais do que nunca. Apenas tome cuidado.

– Por que está dizendo isso? — perguntou chorosa .Snape não respondeu.- Você vai me deixar, não é?

– Sempre estarei com você, tanto ao seu lado, quanto em suas memórias. — Assegurou-lhe acariciando o rosto da Griffana.

– Não... — abraçou-o forte.- isso é uma despedida, não é? Por que? Por que você não me conta? Eu odeio despedidas... Nós vamos nos separar novamente, por que nós nunca podemos ficar juntos? Sempre há algo nos separando, eu não posso viver sem você. Por que você nunca cumpre com suas promessas? Você prometeu que não me deixaria!- disparou em meio as lágrimas que torturavam o homem.

– E eu não vou...- assegurou firme.

– É claro que vai, você já estava indo... Estão nos separando novamente...

– Não estão, não ainda, não quando você povoa constantemente os meus pensamentos.- confessou.

Granger escondia o rosto no peito dele. Ela chorava por tudo o que estava acontecendo á eles.

– Eu te amo... — sussurrou.

– E eu lutarei por você.

Ele segurou o rosto dela entre as mãos, enxugando suas lágrimas com os polegares e beijou-lhe a testa.

– Você voltará? — indagou com a voz embargada.

Nem ele mesmo sabia se voltaria a vê-la. Não respondeu novamente.

– Tudo bem... Eu lhe esperarei, passe o tempo que passar, eu estarei aqui para você, quando você voltar. — Hermione também beijou a testa dele, como um pedido mudo para que ele se cuidasse.

Ele virou-se para ir embora e se foi, mas não antes de ouvi-la dizer;


– Eu confio em você, por favor não me decepcione.

Desolada, ela voltou sua atenção para Harry.

Notas finais
Epa, o capítulo ficou muito grande, eu sei u..u Foi necessário tudo o que aconteceu, principalmente as partes do livro e filme. Espero que tenham gostado e aguardamos ansiosamente os comentários de vocês. Se gosta da Fic o que custa recomendar? Não cai a mão, sabiam? Beijos ~Naomi