Lost Memories - Snamione
37 Armações
Notas iniciais
Hermione sentiu algo felpudo sobre o seu rosto e resolveu abrir os olhos para espiar; era a cauda alaranjada e extremamente macia de Bichento, já não era tão cedo assim e o gato sentia fome, depois de muito esperar sua dona despertar, impaciente, resolveu fazer do seu jeito.
— Bom Dia, Bichento. — Desejou, acariciando desajeitadamente a bola de pelos, recebendo em troca apenas um ronronar.
Hermione virou-se para o outro lado da cama, se deparando com um Severo dormindo tranquilamente, então Hermione se lembrou do que havia acontecido na noite passada. Ela tinha bebido mais do que devia e... Merda!
Não era pra ter acontecido nada daquilo. Hermione levantou a coberta, para ver seu corpo, que se encontrava com várias marcas. Ela iria matar Severo, ele havia se aproveitado dela, ela sabia que tinha culpa também, mas ele tinha mais, muito mais.
Se levantou abruptamente, enrolada num lençol e rugiu: — SEVERO SNAPE!
O homem acordou meio assustado, se sentando na cama, mau-humorado por ser acordado aos gritos, apenas disse de uma forma letal:
— Granger... Você está de TPM, ou é apenas um hábito anormal de acordar aos gritos?
— Não me venha com suas gracinhas, Snape. O que você fez? — Perguntou a mulher.
— O que NÓS fizemos... — Retornou, grifando bem a palavra 'nós', é claro que ele não iria deixar que ela o culpasse por algo que ele não fizera sozinho.
— Eu estava bêbada... — Alegou.
— Não, Granger, você não estava! Você estava muito consciente do que fazia... até demais... Devo lhe lembrar dos arranhões e das mordidas? — Falou mostrando as marcas em seu corpo.
Ah, mais é claro que ela não iria ouvir calada, num ímpeto de raiva- por lembrar do que ele havia lhe dito horas atrás, ofendendo-a — partiu pra cima dele, aos socos, feroz como uma Leoa. Severo por sua vez, achava graça da irritação dela, era mesmo cômico. Como nunca perdia uma oportunidade, segurando-a pelos pulsos, jogou-a na cama e disse em seu ouvido:
— Se queria começar o dia numa outra rodada, era só falar Granger, não precisava ficar nervosinha...- começou divertido.- Ouvi dizer que sexo é bom para os nervos... Que tal tirarmos a prova?
— Saia de cima de mim — Empurrou-o, se levantando. — Seu cretino! Não podia ter acontecido. Você me ofendeu e nem sequer se desculpou! — Acusou.
— Como também não pretendo. — Retrucou, enquanto se vestia.
— Ora seu... Saia daqui... Saia daqui agora...
— Granger, você costumava ser mais dócil.
— Fora... — Dizia Hermione, enquanto o empurrava em direção à sala.
Granger era mesmo louca, bipolar, uma hora queria e outra não... Vai entender essas mulheres, por isso que às vezes preferia ser solteiro, mal aguentava seu próprio mau-humor matinal, que dirá os dos outros.
— Mentiroso... — cantarolou sua mente.
Ok, iria admitir, pelo menos mentalmente que gostaria de retomar o único relacionamento descente que teve um dia.
Bichento permanecia deitado sobre a cama, observando atentamente a discussão, aquilo de fato, não era um dos seus passatempos preferidos, no entanto era a única coisa que tinha para fazer, já que sua bruxa não havia lhe dado de comer ainda para que ele pudesse começar com a sua rotina; de todas as manhãs fazer um tour pelo castelo. Aquela algazarra finalmente havia acabado, e o gato seguiu com o olhar o homem que saia porta afora.
***
Naquela manhã chuvosa de céu cinzento, alunos e professores desfrutavam de um apetitoso café da manhã, no Salão Principal.
Na mesa dos pedagogos o clima estava tenso, Hermione permanecia sentada na ponta esquerda da mesa, e Snape na direita, nenhum dos dois atreviam-se a desviar o olhar de seus pratos, não era pra menos depois daquela cena no quarto de Granger...
Já na mesa da Grifinória o papo certamente estava muito bom, os jovens tinham muito o quê conversar, falar sobre os acontecimentos da noite passada. Agora os gêmeos tinham um nome para começar a pesquisa e o tal era: Severo Snape.
— Sério? só acredito vendo, a Tia Mione e o Professor Snape? vocês têm certeza? fiquei sabendo que não iria ter bebidas alcoólicas na festa, então aonde vocês arranjaram? — Perguntava Alvo, se recusando a acreditar no que seus amigos diziam sobre a noite passada.
James deu um tapa na cabeça do irmão e disse:
— Acho que quem bebeu foi você, inventaríamos essa estória á troco de quê?
— Pelo menos conseguimos boas informações. — Afirmou Charlotte
— Estranho realmente é, mas não impossível. — Manifestou-se Prince
— Agora que vocês disseram... eu já ouvi meus pais conversando sobre sua mãe e o professor. — Declamou Malfoy, tentando se recordar de mais detalhes.
— Existem ainda muitas lacunas... muitas coisas que não se encaixam... — Falou Elizabeth, imaginando várias possibilidades...
— Muitas coisas mesmo, tipo a idade deles... a Tia Mione deve ter uns 30 e poucos e o Snape talvez... uns 60? — arriscou James, zombeteiro.
— Não vejo problemas com a idade deles, até porque, meus pais tinham uma notável diferença de idade e isso nunca foi problema pra ninguém. — Disse Ted, com um certo desconforto por falar de seus pais.
— Como se você tivesse moral pra falar de alguém, todos sabem que você pega até as alunas do Primeiro Ano, James.- cruciou Lizz.
— Incomodada com isso, Elizabeth? — Questionou o moreno, numa expressão sacana, enquanto se servia demasiadamente de cereal.
— Por que estaria? — Retrucou a garota.
— Responda você.- o garoto deu os ombros.
— Acho que já falamos muito sobre esse assunto, que tal conversarmos sobre outra coisa? — Sugeriu Vick, tentando evitar a discussão entre os amigos.
— Você tem razão... Bem, antes do jantar eu e o Prince iremos pesquisar um pouco sobre o Professor Snape na biblioteca. — Informou Charlotte, enquanto se servia de leite.
— Boa Sorte. — Desejaram todos.
— Cara! Mano... melhor notícia do século... — Dizia James, enquanto lia o Profeta Diário — O Chudley Cannons venceu o ultimo jogo contra o Tutshill Tornados.
— Grande porcaria, do quê adianta ganhar um jogo e perder três? Do quê adianta festejar um dia e passar um mês chorando? — Zombou Lizz. Desde pequena sempre gostou de Quadribol, é uma boa jogadora também, seus tios Fred e George ensinaram-a a jogar, alguns anos atrás, entretanto nunca teve coragem para entrar para o time da Sonserina, assim como não via motivos para tal.
— Chudley Cannons é o melhor time, e o Tio Ron, é o melhor goleiro do século, engula o choro, e aceite.
Elizabeh riu, gargalhou chamando a atenção de todos os presentes, até dos professores, ainda rindo, secando as lágrimas dos olhos disse:
— Ah, Por Salazar, seja um pouco realista, o Ron é um bom goleiro sim, mas nem ele foi capaz de salvar esse timinho aí, se ele estivesse em outro time seria mais valorizado. Todos sabem que os dias de glória do Chudley já terminaram, esse time está tão ruim, tão ruim, mais tão ruim que chegaram até a mudar o lema do clube de " Nós venceremos" para " Vamos fazer figa e esperar o melhor" e cá entre nós, eles podem até trançar os dedos e o clube ainda não sairá do rebaixamento. Bem... o choro é livre.
— Ele pode ser tudo isso aí que você disse, mas é melhor do aqueles morcegos viadões que você curte. — Rebateu James, sem o mesmo tom de zombaria de antes.
— Os Ballycastle Bats? Tem certeza? Acho que você não entende muito de Quadribol não, em. Eles ganharam a Taça da Liga vinte e sete vezes, se isso é ser um time ruim, eu não sei mais o que é ser bom...
— Ah, já que você é a dona sabe-tudo-sobre-quadribol, por que então, não entrou pro Time da Sonserina, não é boa o suficiente?
— É claro que sou! — Afirmou veemente
— Pelo que sei está tendo testes para apanhador, pois o antigo saiu do time, e como a Grifinória ganhou da Lufa-Lufa semana passada...
— Aquele jogo foi roubado! — Interrompeu Ted, que era o artilheiro do time de sua casa
— Vocês que não sabem perder! — retornou James, rindo — Continuando... Grifinória ganhou da Lufa-Lufa semana passada, daqui alguns dias jogaremos contra a Sonserina, e eu quero ver se você joga o mesmo tanto que fala... Tenho certeza que venceremos, puxei ao meu pai!
— Você se acha só porque é o Filho de Harry Potter, não é? Pois bem, eu irei lhe ensinar o quê é um jogo de verdade. — Após dizer isso, pegou seus materiais e seguiu o caminho da sala de DCAT. Hoje à tarde certamente precisaria conversar com sua mãe.
***
Char ajudava Prince a pegar alguns livros para a pesquisa que fariam sobre o professor Snape.
Sentaram se numa mesa afastada e começaram a vasculhar os livros e jornais antigos, em busca de algo que pudesse lhes dizer algo.
— Char, olha aqui!- exclamou o garoto mostrando o livro que tinha pego.- O sobrenome do professor Snape é Prince...- informou aturdido.- Por qual razão minha mãe colocaria meu nome de Prince? Começo a achar que ele é mesmo meu pai...
— Ela pode ter feito como Harry Potter. Alvo leva o nome do professor também.- pontuou a menina.
— É mesmo...droga!- praguejou por não ter resolvido ainda suas questões.
— Uau!- se espantou a Corvina olhando seu livro.
— O que foi?- indagou o moreno se aproximando para ver o que era.
— Nesse livro tem uma foto do professor Snape quando ele era estudante aqui em Hogwarts. Ele fez parte do Clube de duelos.- informou passando o livro aberto para o amigo.
Prince olhou a foto tentando ver o que ela via. Era apenas o professor jovem, com o uniforme da Sonserina ao lado de um professor e o antigo diretor do castelo, Alvo Dumbledore. Ele era até que um jovem que seria considerado bonito.
— E...?- perguntou ainda sem entender.
— Nossa Prince!- bradou a menina.- Vocês são a cara de um focinho do outro!- pontuou fitando o moreno.- Os mesmos olhos, pele pálida, e esses cabelos pretíssimos. Fora a habilidade em poções.
O Griffano analisou a foto e pensou no que a garota falou. Realmente, eram bem parecidos.
— E ele e sua mãe eram membro daquela coisa...- a Corvina estalou os dedos tentando se lembrar.- A Ordem da Fênix!- exclamou.- Podem terem tido algum envolvimento....pra mim, Ele é seu verdadeiro pai.
— Cara, você está certa Char....- disse passando as mãos pelo rosto e olhando um ponto no nada.- O professor Snape é meu pai.- sentenciou ficando abobalhado com a constatação.
Elizabeth entrou na biblioteca atrás do irmão. Tinham que ir falar com a mãe deles e pedir a vassoura nova.
— Já encontraram alguma coisa?- perguntou vendo a cara que o irmão estava.- Prince?
— Achamos...- o Griffano olhou para a irmã. Agora entendia o porque ela fora selecionada para a Sonserina. Era uma descendente dos Prince e todos da família pertenceram a Casa.- Snape é nosso pai.
— O QUE?!- exclamou a morena, recebendo um olhar mortífero de Madame Pince.
Prince e Char contaram e mostraram o que descobriram a Elizabeth. A menina pegou o livro que continha a foto do jovem Severo e fitou. A semelhança era espantosa.
— E agora?- indagou a Sonserina.- Eles mal se falam. Percebeu como eles se olharam no café da manhã? Achei que mamãe lançaria uma Cruciatus nele.
— Lizz, me ajuda a juntar nossos pais?- pediu o jovem sorrindo de lado.
***
Os gêmeos caminhavam em direção a sala de Runas, onde sua Mãe estava sem nenhuma turma para dar aula naquele horário , na ala dos Leões, Lizz precisava pedir algo à ela.
— Você viu o quê ele disse pra mim no café? — Inquiriu a irmã.
— Uhum — respondeu o garoto ainda pensando em como juntaria os pais.
— Ele teve a audácia de me desafiar. — Ela estava irada, estava falando praticamente sozinha pois o irmão, não estava nem ouvindo por estar cansado do mesmo falatório, e ser sobre sempre a mesma pessoa.
— Uhum.
— Como ele pode...
— Uhum
— Potter idiota... Argh...
— Pelo amor de Merlim, chega com esse assunto, parece um CD arranhado, cara. Estou com saudades dos meus fones de ouvido, pelo menos assim não ouvia você falar sobre coisas desinteressantes. — Reclamou Prince, farto de tanto falatório desnecessário.
— Se fosse com a Char, você não estaria assim...- provocou.
— Ah, cala a boca...
Ambos bateram na Porta e entraram, deixando a mãe surpresa pela visita, já que eles mal a visitavam, vinham somente quando precisavam pedir alguma coisa e dessa vez não era diferente.
— Mãe, precisamos de uma vassoura. — Disse Lizz, ao se aproximar da mesa, onde Hermione estava sentada
Hermione olhou para Prince e não acreditou no que seu cérebro havia concluído.
— Prince, você vai entrar para o time de Quadribol? Você quer se matar, meu filho? Se lembra daquele acidente na casa do Harry? Você puxou à mim, não tem esse talento...
— Quê? Eu? Eu odeio esse esporte idiota, quem quer é essa destrambelhada da Lizz, que fica aceitando qualquer desafio que o Potter impõe à ela... — Contou o irmão, balançando a cabeça negativamente.
— Explique-se — Ordenou Granger, olhando para a menina.
— O imbecil do James, disse que eu não era páreo para ele no Quadribol, e me desafiou à fazer os testes para apanhadora...
— Tudo isso só por causa de um desafio? Deus, dai-me paciência... Elizabeth, você tem certeza disso? — Perguntou meio incerta.
— Absoluta, mãe. Eu vou fazer ele se arrepender. Quem ele pensa que é? Só porque é o filho de Harry Potter pensa que é invencível? Ah...Eu vou passar nesse maldito teste, capturar aquele maldito pomo e mostrar a ele que a Sonserina pisa na Grifinória. — Respondeu determinada..
Meu Deus, o que eu vou fazer com essa mini Severo? pensou Granger.
***
Um pouco depois do jantar, os gêmeos espiavam a mãe andar pelo corredor em direção ao dormitório desta. No sentido contrário vinha Snape com a expressão indiferente.
O professor viu a mulher andando distraída pelo corredor, já estava pronto para soltar uma frase que certamente a irritaria, quando a morena tropeçou e quase caiu no meio do corredor. Quase, porque ele se apressou em segurá-la nos braços.
Ao longe Prince e Lizz olhavam a cena sorrindo enquanto a menina guardava a varinha.
— Ainda tropeça nos próprios pés, Granger?- provocou Snape ajudando a mulher se recompor.
— Cale a boca, Snape!- rebateu ajeitando seu cabelo.
— É muito desaforada mesmo...da próxima vez, deixarei que caia.- afirmou divertido, fitando o rubor da morena. Adorava vê-la irritada.
— Não terá próxima vez, Snape. Não pretendo ficar caindo perto de você.- determinou.
— O que vai ser difícil, já que causo esse efeito nas pessoas...- murmurou rouco próximo à ela.
— Que efeito?- quis saber olhando para a escuridão daqueles olhos.
— As pernas bambas...- riu vendo-a ficar envergonhada.- Concordas comigo, 'Hermione'?- pontuou antes de sair. Sabia que tinha tocado num assunto forte, e se não quisesse levar uma azaração, tinha que sair logo de perto dela.
— Oras, ninguém está de pernas bambas aqui, Snape!- bradou furiosa pela arrogância do homem.- Presunçoso!
Severo sorria de lado ouvindo os insultos da Griffana. Ela podia negar o quanto quisesse, mas não era totalmente indiferente a ele.
Virou um corredor e deu de cara com os gêmeos Weasley, com aquelas carinhas de quem aprontaram.
— Eu disse que daria errado...- sussurrou Elizabeth.
— O que fizeram desta vez Sr. e Srta. Weasley?- indagou com a sobrancelha arqueada.
— É...nada senhor. Vamos Lizz?- chamou a irmã.
— Vai você Prince. Preciso falar com o diretor de minha Casa.- o moreno saiu deixando a irmã com o professor.- Sabe professor, o senhor não vai conseguir nada desse jeito. Minha mãe é geniosa, e se irrita fácil...- pontuou.
— Não que isso seja da sua conta, mas sua mãe e eu não temos nada, srta. Weasley.- cruciou o homem.
— É claro que não tem. O senhor age como um trasgo com ela...- retrucou calmamente.- Se ela quisesse um trasgo idiota, ela teria ficado com o tio Ron há muito tempo.
Snape não evitou a careta ao ouvir o nome do projeto de anta. Ela disse que Hermione não está com Weasley?— Pensou contendo o sorriso que queria rasgar em seu rosto.
— O senhor vai estar no jogo da Sonserina versos Griffinória?
— Certamente, srta. Sou o diretor da Casa, tenho que estar presente.- informou.- E meus parabéns por entrar para n time.- congratulou, deixando a moça ali.
Lizz foi em direção ao dormitório da mãe. Encontrou-a em sua mesa corrigindo trabalhos.
— Precisa de alguma coisa, querida?- perguntou sem desviar a atenção dos pergaminhos.
— Só queria saber se vai me ver jogar contra a Sua Casa...
— Oh, meu amor, é claro que vou.- sorriu amável.- Mesmo sabendo que isso começou de forma errada, estou feliz que tenha passado no teste. Estou orgulhosa de você. E Ron vai enlouquecer quando souber.- gargalhou ao pensar na cara do amigo.
— Tio Ron vai pirar quando eu acabar com a sua 'querida' Griffinória.- debochou presunçosa.
— Veremos, Elizabeth.- retrucou divertida a professora.
— Bem, se eu conseguir derrubar Potter da vassoura, tá valendo.- a garota deu os ombros.
— Lizz!- repreendeu lhe.- Não machuque James.- pediu.- Ele é um bom menino...
— Mãe! Ele é uma toupeira sem tamanho! E se acha o bom só porque é filho do menino-que-sobreviveu.- pontuou.- Gosta de me irritar. Já ficou com metade das meninas desse castelo, e ainda quer pagar de bom moço...um ridículo isso sim!
Hermione segurou o riso apertando os lábios, enquanto olhava a filha enumerar os defeitos do Griffano. Lembrou-se da conversa que teve com Evans no passado. A julgar pela atitude da Sonserina, aquilo não era raiva, e sim outra coisa. Poderia abrir os olhos da morena, mas sendo cabeça dura como o pai, nunca veria o óbvio. Deixaria que a própria descobrisse o que sentia pelo Griffano.
— Tudo bem, Lizz. Só não derrube ele.- voltou a pedir.
Enrugando o nariz a menina assentiu, e saiu dos aposentos da mulher. Que graça teria se não pudesse machucar o Potter nesse jogo? Um machucadinho de leve, apenas um braço quebrado. Que mal há? Ele ainda teria o outro. E não teria como manter aquele cabelo bagunçado. Mesmo que ele fique bem daquele jeito...Se obrigou a parar de pensar no idiota do Potter e foi procurar seu irmão para dizer que os "pais" estariam no jogo.
***
Prince e a irmã andavam pelos jardins confabulando formas de juntar os pais. Como aqueles dois eram difíceis. Mau ficavam perto um do outro nas refeições... e tentar juntá-los no corredor foi um fracasso total.
— Temos de colocar eles em um ambiente, onde serão obrigados a se falarem.- comentou Lizz.
— Mas como, se eles ficam soltando farpas um para o outro?- lamentou o menino.
— Eles estarão no jogo. Se eles ficassem no mesmo lugar, teriam de se falar, por educação pelo menos.- divagou a Sonserina.
— Mas eles estarão separados. Cada um na arquibancada de sua Casa...mamãe nunca iria para a arquibancada Verde, e pelo estilo, Snape muito menos iria para a Vermelha....
— Mas tem o camarote.- pontuou parando de andar.
— Boa, Lizz! Colocamos eles no camarote. Serão obrigados a se falarem...
— Bem, se eles não se matarem, já é um começo.- cruciou a moça.
— Não vão se matar. Eles se gostam. Ou se esqueceu do beijaço que ele deu na mamãe?- ambos fizeram careta ao se lembrarem da cena.
— Certo. Se acontecer alguma coisa, coloco toda a culpa em você maninho.- disse dando leves tapinhas no ombro do Griffano.
— Preciso que durante do jogo, veja se eles estão juntos e se falando.- pediu a irmã.
— Ok!
***
Alguns dias depois...
Prince esperava o professor Snape na entrada do campo de Quadribol. Seu plano tinha de dar certo. Se seus pais ficassem à sós um pouco, como estavam naquela vez no aposento da professora, ele tinha certeza de que eles se entenderiam. Enfim, ele teria a família completa.
Encontrou o homem andando rápido para subir na arquibancada da Sonserina.
— Professor Snape.- parou o homem.- A diretora McGonagall disse para que os diretores das Casas ficassem no camarote da ala norte.
Snape fitou o Griffano estreitando os olhos. Mesmo desconfiado foi para o camarote. Iria assistir o jogo e tão logo acabasse, ele sairia dali.
Entrou no local e se acomodou para ver melhor o jogo. Seria o primeiro jogo da nova apanhadora, srta. Weasley, e ele estava ansioso para ver se a menina era realmente boa.
Pouco tempo depois, entrava no camarote, Hermione ofegante. Sentada perto da abertura que o lugar tinha para facilitar a visibilidade dos telespectadores do jogo.
— Espero não ter perdido a entrada dos jogadores...- arfou sentando e olhando para o campo.
— Chegaste a tempo, Granger.- começou Snape.- Vai poder ver a humilhação da Grifinória desde o começo.- zombou.
— Oh, é você quem está ai? — lamuriou. — Se abstenha a guardar seus comentários sem sentidos para você mesmo, Snape.- rebateu a mulher.- Não ligo para quem ganhará essa droga de jogo. Só estou aqui para apoiar minha filha e meu sobrinho...-pontuou olhando desafiadora para ele.- Agora quieto, que já vão entrar.
Severo riu minimamente. Ela estava parecendo uma fera indomável daquele jeito. Como era divertido irritá-la. Ver o rosto rubro, os olhos faiscarem, e os cabelos se tornarem revoltosos. Ficava linda dessa forma.
— Ah! Minha filha!- gritou a professora se inclinando para frente. Snape revirou os olhos para a afobação dela.- Ah, como ela está linda com essa roupa...- comentou ficando emocionada em ver os trajes na menina que voava pelo campo.
— Contenha-se, Granger.- rosnou o homem.- Não precisa dessa algazarra toda. Até parece que nunca viu um jogo.
— Cale a boca, Snape! É minha menina ali.- disse vendo a moça passar rapidamente por eles atrás do pomo junto com James.- Estou tão orgulhosa dela...
Sempre que Sonserina marcava ponto, Snape sorria do desânimo da mulher. Já Hermione ficava atenta ao movimentos da filha na vassoura. Fechou forte os olhos quando a jovem deu uma trombada no Potter quase o derrubando.
— Elizabeth!- gritou.- Pare com isso e vá pegar aquele pomo!- ordenou sem ser ouvida.
— Granger, está torcendo pra Grifinória ou Sonserina?- inquiriu Severo.
— Estou apenas sendo mãe...- informou sorrindo de lado.
Snape fitou a mulher. Ela estava realmente feliz pela filha. Granger era uma boa mãe, apesar de agir como leoa às vezes. A viu por a mão no peito enquanto olhava o jogo. Percebeu uma corrente dourada descer pelo pescoço e esconder o pingente entre os seios. Não tinha reparado nele quando dormiram juntos. Se bem que ele não repararia em nada naquela hora.
Foi tirado de seus pensamentos quando uma ovação tomou conta do campo. Sonserina tinha vencido graças à apanhadora que conseguira pegar o Pomo.
— Bem, está na hora de ir consolar seus gatinhos perdedores, Granger.- debochou se levantando.
— Ah, vá se foder, Snape!- ralhou assustando o professor. Nunca tinha ouvido-a falar daquele jeito, pelo menos não em público.- Grifinória ainda pode vencer se derrotar Corvinal e ir para a final. E estou feliz pela minha filha, e não vai ser essa sua amargura que vai me desestabilizar.
A morena saiu rápido do camarote deixando Severo para trás.
— Abusada...- murmurou contendo o sorriso.
***
Lizz sorria abertamente por ter capturado o Pomo, provando para James que era muito melhor que ele... se bem que não, ele era um ótimo Apanhador.
Assim que os dois times estavam em Terra firme, os Sonserinos festejando a vitória, e alguns Grifinórios dando os parabéns aos adversários, outros apenas discutindo sobre as táticas falhas de ataque a defesa.
Lizz aproximou-se de Jay, com aquela expressão de contentamento que só ela tinha.
— Segura essa — Disse a garota, mostrando-lhe o Pomo capturado.
Como algo impensado, James abraçou a moça, que não retribuiu por estar estática e totalmente vermelha. — Parabéns, srta. sei-tudo-sobre-quadribol. — Sussurrou em seu ouvido. Todos os alunos, que independente das casas observavam a cena fizeram um " HUUMM" em alto e bom som, exceto um certo Lufano, que tratou logo de entrar para o Castelo.
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