Lost In Paradise
15 Suposição

Tsuki e Ryuga caminharam até uma cafeteria por perto, não trocaram uma única palavra até lá, mas Ryuga por hora olhava a garota ao seu lado. Os dois sentaram-se em um local mais afastado, assim sugerido por Raito. Ryuga pediu que o trouxessem um pedaço de bolo de morango, enquanto a menina optou por um café que para ela era indispensável. Quando seus pedidos chegaram ficou observando o garoto comer, seus hábitos alimentares pareciam bem fora do comum. Ao terminar metade de seu bolo, colocou o garfo sobre o prato e levantou sua cabeça encarando Tsuki.
— E então...faz tempo que vocês estão juntos?
— Ahn? Quem? — perguntou alarmada.
— Você e Raito.
— O quê? Eu e Raito...somos só amigos...ele te disse alguma coisa?
É sério que ele achou que eu estava namorando Raito? Não, isso não...— pensava olhando pro Ryuga.
— Não. Notei que vocês dois andam muito juntos, então por um momento imaginei que pudessem ter algo a mais...lamento pela inconveniência.
— N-não tem problema.
— Faz muito tempo que mora no Japão?
— Desde o início do ano...
— Então já deve ter ouvido falar em Kira, estou certo?
— Evidentemente...
— E qual sua posição em relação a isso?
— Sou...neutra.
Ryuga colocou o dedo em sua boca observando a menina se explicar.
— Não apoio o que Kira está fazendo, mas sei que as leis também não são perfeitas. Se for para apoiar alguém, seria o L, seus ideias são mais parecidos com os meus, fora seu trabalho excepcional como detetive em todos esses anos. Sei que nem tudo é perfeito, mas Kira é ambicioso demais, mesmo que suas motivações iniciais fossem boas, ele deve ter sido levado por esse poder que possivelmente possui. Em outras palavras, só quero que chegue a um fim antes que as coisas piorem, seja L ou qualquer outra pessoa a fazer isso...só quero um fim.
Ela é esperta...está sendo cuidadosa com o que fala pois sabe de algo a mais e não quer que eu descubra de jeito nenhum...assim como a vigilância na casa do Yagami, fazer essas perguntas a ela não irá revelar nada.— pensava o detetive.
— Está disposta a ajudar L?
— Se eu tiver uma oportunidade...talvez.
— Talvez?
— É. — disse rindo fraco — Acho que nessa situação eu o ajudo mais continuando onde estou, quieta no meu canto...
— Está o ajudando?
— Indiretamente...sim, dentro do possível. Gostaria muito de o conhecer, acho que poderia ajudar em alguma coisa, não que eu tenha muita experiência mas faria o que estivesse ao meu alcance para o avanço da investigação sobre o Kira. Tenho certeza que não estão divulgando os detalhes da morte, mas sei que algo a mais está acontecendo, até o ritmo de mortes foi alterado...Bom, de qualquer modo seria legal o conhecer, mas nós dois sabemos que isso é improvável não é Ryuga?
— É como se já se conhecessem. — disse dando meio sorriso. — Se suas habilidades forem fortes como eu acho que são, tenho certeza que L não iria pensar duas vezes.
A menina o olhou surpresa, dando um sorriso amigável.
— Obrigada Ryuga.
— Desculpem a demora. — disse Raito se sentando ao lado de Tsuki. — Sobre o que estavam conversando?
— Er...
— Sobre Kira. — cortou Ryuga.
Droga Ryuga, tá querendo que ele me mate ou o que?
Raito parecia surpreso, mas logo voltou a sua expressão calma e aprazível.
— Me parece interessante. — disse fechando seus olhos e abrindo um pequeno sorriso. — Esse café é um dos meus preferidos na área, e sentados aqui nessa mesa ninguém poderá ouvir nossa conversa.
— Obrigado por me mostrar esse lugar, entendi porque você gosta daqui.
— Sem falar que estamos em um lugar tão discreto que ninguém vai perceber o jeito que você se senta.
— Raito... — disse Tsuki desgostando do o que o garoto dissera.
— Eu não sento assim porque eu quero, eu tenho que sentar assim. Se eu me sento normalmente minhas habilidades dedutivas se reduzem imediatamente em 40%. — explicou o moreno. — Então, o que você queria me perguntar?
— Bom, vou deixar isso pra depois...então por favor, vamos falar sobre o que você quiser.
— Você não tem obrigação de fazer isso, mas se importa em se submeter a um teste de habilidade dedutiva racional?
— Claro, por que não? Parece divertido! — disse confiante.
— Muito bem, pode começar dando uma olhada nisso. — disse pegando uns papéis de seu bolso e colocando sobre a mesa à frente de Raito. — Fotografias de três bilhetes escritos por presos enquanto estavam sob controle de Kira antes de suas mortes, nenhuma dessas informações foi divulgada. Leve o tempo que precisar observando e por favor me diga o que você acha.
O quê? As coisas estão ficando ainda mais confusas pro meu lado, então Ryuga realmente trabalha pro L? Mas se for isso...então por que Raito já não o matou? Isso normalmente daria uns furos na teoria de que ele é mesmo o Kira, porém, não é o que parece vendo ele agir desse jeito. Obviamente, se ele matasse Ryuga isso só iria confirmar pro L que ele é o Kira, então ele querendo ou não irá ter que atura-lo por aqui. Mas por que Raito evita ficar sozinho com Ryuga pra ele não entrar em certos assuntos enquanto o mesmo faz de tudo para que eu saiba sobre o que eles estão falando? Eles estão me testando ou o que? Droga, já não basta o Beyond?— pensava Tsuki.
Raito pegou as fotografias analisando-as de perto, não parecia nem um pouco surpreso mas demorara um pouco a responder, pensando bem antes de falar.
— Muito interessante!
Olhava para Raito percebendo sua irritação. Não sabia do que se tratava mas Raito sabia, e pela sua irritação...L também. Ryuga mantendo seus grandes olhos cinzentos sobre o garoto ajudava ainda mais a deixa-lo desconfortável.
— Seria incrível saber que Kira não só pode causar a morte dos outros como controlar os atos de suas vítimas. Eu acho que Kira escreveu isso e tem uma mensagem para L como se fosse um deboche. Se você juntar esses bilhetes lado a lado e der uma olhada na primeira letra de cada linha revela uma mensagem. E arrumando assim te dá: L você sabia? Deuses da morte comem maças. Mas eu também vi números óbvios atrás de todas as fotos, arranjado nessa ordem nós temos: L você sabia? Comem maças deuses da morte. Não me parece certo, e baseado nisso é difícil acreditar que Kira quer que você leia assim...
— Está errado. — disse Ryuga surpreendendo o garoto.
— Ahn?
— O negócio é que havia quatro fotografias, e quando juntamos essa — disse tirando mais uma fotografia de seu bolso — aqui diz: L você sabia? Deuses da morte que só comem maças tem mãos vermelhas.
Incrível! Raito acabou de cair nas mãos dele...como ele irá sair dessa? Ryuga pensou em tudo...se Raito demonstrar qualquer coisa em relação aos bilhetes mostrando que sabe mais do que deveria, ficará ainda mais suspeito.— pensava assistindo a cena.
— Mas como eu só tinha três fotografias pra trabalhar, minha dedução foi perfeita. — gabou-se o garoto.
— Não foi não! — disse Ryuga fazendo Tsuki segurar o riso — A verdade é que eram quatro, se você descobrisse isso é que seria perfeito. Apesar de saber que a mensagem está incompleta você decidiu que só havia três bilhetes, nunca nem considerou um quarto...o que você acha disso?
Raito demorou um pouco pra responder.
— É, você me pegou, eu não pensei nisso! De qualquer jeito a possibilidade dessa mensagem levar L até Kira é muito pouca, além do mais, sabemos que deuses da morte não existem.
Ryuga ia responder quando o celular de Tsuki o interrompeu.
Droga! Na melhor parte da conversa essa porcaria de celular começa a tocar...acho bom ser importante. — pensava zangada.
— M-me desculpem, mas eu tenho que atender.
— Algum problema? — perguntou Ryuga, desconfiado.
— Eu espero que não...eu vejo vocês depois. — disse saindo da cafeteria.
***
— Raito, se você fosse eu diante de uma pessoa que pode ser Kira, como faria pra saber se essa pessoa é culpada ou inocente? Teria que ter certeza absoluta...
— Eu faria ele dizer alguma coisa que nunca foi divulgada de jeito nenhum, algo que só Kira pudesse saber. Como o que você está fazendo agora...
— Inacreditável é que eu fiz a mesma pergunta a inúmeros detetives e a maioria levou minutos para me dar uma resposta. Mas você pensou imediatamente em uma situação em que Kira fala diretamente com o investigador...estou impressionado! Você vai ser um grande detetive Raito!
— Mas é uma faca de dois gumes, quanto mais impressionantes forem minhas respostas, mais suspeito eu me torno.
— É, está em 3% agora. Mas ao mesmo tempo me deixou bem mais determinado a trabalhar com você nessa investigação...sabe, estou em uma posição em que mesmo se você for o Kira, seria lucro meu ter você trabalhando conosco. Sabe porquê eu digo isso?
— Se eu cooperar com você há uma chance de eu ajudar a investigação a avançar, e se eu for Kira eu posso me revelar. Em outras palavras, sendo ou não o Kira você ganha de qualquer jeito. É uma jogada esperta da sua parte! Mas acho que pode ter a ideia errada, é verdade que eu tenho interesse no caso Kira, e sim, o trabalho como detetive é um hobby meu. Mas eu não sou o Kira, e com certeza não quero ser morto por ele. Além do mais, que prova você pode me dar que você não é o Kira? Não parece muito justo só um de nós seja investigado, não acha? A essa altura ninguém pode provar que não é o Kira, mas se você for mesmo o L, não imagino que seja tão difícil assim provar pra mim. Por exemplo, acho que me convenceria se meu pai ou outra pessoa da força tarefa pudesse confirmar sua identidade. Se não puder fazer isso, acho que não vou poder ajuda-los.
Você fala demais, não é Raito? Tipico de alguém que odeia perder...está em 7%. Será ele mesmo?— pensava o hábil detetive.
— Eu não me lembro de dizer que você não podia falar com alguém da força tarefa pra verificar minha identidade, atualmente eu trabalho junto ao seu pai e também a vários outros detetives veteranos da agência nacional. Se eu entendi bem, se eu levar você ao quartel general da força tarefa você vai nos ajudar na investigação, estou certo em imaginar isso?
O celular do detetive tocou antes que pudessem dar continuidade a produtiva conversa.
— Com licença.
— Ah, o meu também. — disse Raito pegando seu aparelho.
— Sim? — atendeu L.
— Ryuzaki, tenho más notícias...— falou Watari.
— Raito é o seu...
— Meu pai...teve um ataque cardíaco...
***
Tsuki ficou irritada em ter que sair assim, em uma condição como essa qualquer um ficaria curioso. Mas ela em particular, estava mais que o normal.
— Alô. — disse atendendo a ligação.
— Vim te buscar.
— Quê? Quem está falando?
— Beyond.
— B...o que está fazendo aqui?
— Como eu disse, vim te buscar. Estou na saída dos fundos perto da garagem, vou te esperar. — disse desligando.
Será possível que todo mundo vai desligar na minha cara hoje?— pensou revoltada.
Como não tinha muito o que fazer, foi até os fundos da universidade procurar por Beyond. Ainda não tinha entendido o motivo dele estar ali, nem sequer sabia como ele descobriu o endereço pois de sua parte ele não tinha informação alguma. O que mais te chamava atenção era a conversa entre Ryuga e Raito, o mais estranho era que enquanto Raito se referia a L, Ryuga em momento algum referia-se a uma terceira pessoa. Não tinha certeza, mas achava que poderia ser uma mensagem de Ryuga, e que ter saído no meio daquela conversa a impediu de descobrir o que ele estava tentando dizer. Isso com certeza não estava nos planos de Raito, e ele não tinha vontade alguma que Ryuga contasse para Tsuki. Algo não se encaixava...julgando pela lógica, faria sentido se Ryuga assim como referia a si mesmo, fosse o próprio detetive L. Mas a menina não conseguia acreditar nisso, mesmo se fosse um dublê ou investigador que L mandou, não havia uma forma de confirmar isso pois ele não vaza informação alguma. Ele pode sim ter usado um dublê como fez quando declarou guerra à Kira, mas se fosse o caso...o que Ryuga tentaria a dizer? Ela estaria sendo suspeita por andar com Raito?
Avistou Beyond de longe, usando uma blusa cinza escura com uma touca que cobria seu rosto. Ele a viu, indo em seu encontro.
— Eu deveria te matar, sabia?
— Oh, pelo visto atrapalhei sua socialização entre os outros universitários...sinto muito.
— Vai se danar! A coisa é séria, você poderia ter ligado a qualquer hora, mas escolheu essa...parabéns.
— Obrigado, foram anos de dedicação mas finalmente consegui...devo fazer um discurso?
— Você é muito sem graça. — falou rindo.
— Mas fiz você rir.
— Que seja. O que faz aqui?
— Vou ter que repetir novamente? Eu vim te buscar.
— Isso ainda não me convenceu.
— Não faz diferença, agora vamos.
— Aonde a gente vai?
— Pra casa, oras.
— Mas por que você veio me...Ah, que saber? Desisto de tentar te entender! Vamos logo antes que eu me arrependa.
— Acompanhe-me, senhorita.
Beyond ofereceu seu braço como forma de cavalheirismo.
— Isso já é demais B! — disse rindo.
Continua...
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