— Tsuki? — chamava Raito.

— Ahn? Ah sim, Raito...

— Está tudo bem?

— Sim...o que dizia?

— Bem, estou esperando sua resposta em relação ao passeio.

— Eu aceito...

— Perfeito, estou ansioso.— disse bem humorado.

— Eu...também...

Ele desligou, enquanto a menina ficou parada perplexa.

— Isso definitivamente me pegou de surpresa...

Se jogou em sua cama tentando buscar por outra alternativa, mas ela sabia que não daria certo...teria que enfrentar e buscar um modo de amenizar o evento tão imediato.

Parece que agora a ligação entre nós dois é oficial...não é L?

—

Misa estava sentada balançando suas pernas enquanto lia uma revista distraída. Avistou Tsuki entrando alvoroçada, logo se animando a puxar assunto.

— Uki, hoje é o grande dia. — falava quase pulando de alegria, enquanto o descontento da morena era visível. — Poxa Uki, por que está tão pra baixo?

— Nada Misa...olha, preciso lhe dizer uma coisa.

— O que é?

— Sei que não preciso lembrar disso mas não quero que estrague seu disfarce ou se arrisque mais que o necessário. Pode me garantir isso?

— Tudo bem, mas por que isso agora?

— Eu terei que ir à Aoyama e Shibuya.

— O quê? Você irá também?! Vamos juntas Uki, podemos passar nas lojas e...

— Misa, não! — interrompeu-a — Não estrague seu disfarce, se me vir por lá terá que agir o mais naturalmente possível, sem demonstrar qualquer reconhecimento. Estamos entendidas?

— Tá legal...mas por que irá nesses lugares?

— Fui convidada pra ir com um grupo de amigos...

— Que legal! Até que enfim você está se enturmando!

Misa estava mais animada que ela sobre a notícia, talvez por não saber a verdade.

— É...me diz, o Beyond saiu por acaso?

— Ele ainda está no quarto, não saiu de lá pra nada hoje.

— Entendo...bem, acho melhor eu ir, tenho que chegar mais cedo pra encontrar o pessoal.

— Tá bem, boa sorte. — falou a abraçando.

— Obrigada Misa... — disse forçando um sorriso.

Saiu de casa andando o mais rápido que podia. Certamente sua intenção não era demonstrar tanto nervosismo, mas era automático, naturalidade não era uma ação adquirida nessas condições. Só esperava que Misa conseguisse ficar serena diante à um plano tão aventuroso, mas apesar de sua empolgação amiudada a menina era capaz de fazer isso. Muitas vezes invejava essa qualidade de Misa, a persistência mesmo que enfadonha causava bons resultados, era algo que Tsuki gostaria de ter...uma positividade que a fazia persistir mesmo quando sabia que poderia acabar morta com tal ousadia. Apesar de todos os defeitos e erros cometidos por Misa, ela sabia usar sua qualidade pra conseguir as coisas que desejava, só lamentava por ela usar isso de modo errado...

Colocou os fones e tentou relaxar seu corpo andando um pouco mais vagarosamente.

"I see the stars through me, tired mechanical heart beats until the song disappears. Somebody shine a light. I'm frozen by the fear in me. Somebody make me feel alive and shatter me...If I break the glass, then I'll have to fly, there's no one to catch me if I take a dive. "

Se distraia com a canção tentando encaixa-la na situação que se deparara, e de alguma forma, sentia-se bem, até mesmo revigorada com a melodia. Por alguns minutos, conseguia esquecer o surgimento de Kira, e toda a dor que estava proporcionando. Para alguns, um alivio. Para outros, uma sentença. O caso Kira se declarava como uma idealidade, mas o ideal que realmente causava o temor era o do próprio culpado pela causa. Ninguém tinha a mesma opinião sobre Kira, cada um preferia encara-lo de uma maneira, parecia mais confortante manter o sigilo.

Depois de um tempo andando divisou Raito junto a um grupo de universitários. Se aproximou mesmo que não gostando da ideia, vendo eles notarem sua presença.

— Tsuki, chegou em ótima hora, estávamos te esperando. — falou Raito, mais simpático que o normal.

— Me desculpem o atraso...

— Quero que conheça meu primo Tarou. — disse a apresentando para o moreno de olhos castanhos e pele clara

— É a primeira visita dele a Tokyo e ele quer ver Aoyama e Roppongi.

— É...um prazer conhecê-la. — disse timidamente.

— O prazer é todo meu. — sorriu.

Ao terminar a apresentação Raito voltou sua atenção ao grupo de amigos.

— Ah, e ele também me disse que está querendo uma namorada então...alguma candidata?

— Cara, eu não disse isso...

Ela não pôde deixar de acha-lo engraçado, ele parecia ser simpático mas possuir um jeito estabanado.

Visitaram alguns lugares, muitas vezes parecendo se divertirem muito. Ao sair de uma lanchonete Tsuki andou um pouco distante do grupo, imaginando que a essa hora Misa já poderia estar ali. Era muito desconfortável conversar com todas aquelas pessoas tão diferentes dela, não conseguia se divertir da mesma forma, principalmente sabendo que L poderia estar a observando pelas câmeras nesse exato momento. Não conseguia imaginar como L seria, mas tinha pensado muito em Hideki recentemente, e ver Beyond que era assustadoramente parecido com ele não ajudava.

Estavam passando frente ao Note Blue quando a menina se assustou com a imagem de Remu ao lado de Misa que estava irreconhecível. Tentou não demonstrar inquietação e olhou pra Raito entendendo o que ele tinha planejado, que pra sua infelicidade, não daria certo. Parece que nem mesmo o próprio Kira conhecia tudo sobre sua arma utilizada.

Poucos minutos depois de passar em frente a boate, Tsuki recebeu uma mensagem de Misa pedindo pra que ela fosse pra casa o quanto antes.

Droga! Ela descobriu...e pelo visto não foi nem um pouco discreta ao mandar a mensagem assim que passei pelo local em que ela estava... — bufou irritada.

— Algum problema, Tsuki?

— Nenhum...obrigada pelo convite Raito, realmente me diverti muito mas surgiu um imprevisto e eu tenho que ir pra casa agora...

— Tudo bem, até a próxima então.

Raito não insistiu pra que ela ficasse, ambos sabiam que já era o suficiente pra L. Se despediu do grupo e foi pro lado oposto.

Já estava exausta quando chegou em sua casa abrindo a porta, não costumava andar tanto, tão pouco com essa pressa toda. Sentiu seu braço sendo puxado pra dentro por Misa.

— Calma Misa...

— Uki, você conhece Kira não é? Raito...é um nome tão diferente! Ele é melhor do que eu pensei. Não imaginei que Kira fosse tão jovem e tão bonito...

— Misa...

— Eu descobri até mesmo o endereço dele...irei mandar outra mensagem e me apresentar o quanto antes, e quero que você vá comigo.

— Não é uma boa ideia Misa...

— Por favor, por favor, por favor!

Tsuki suspirou.

— Tudo bem.

— Obrigada Uki, vai até ser mais fácil com você já que vocês são amigos! — falou empolgada.

— Claro...

Por que eu tenho a sensação de que não será uma visita boa?— pensava desanimada.

***

— Então fomos lá nos dois dias, Aoyama no dia 22 e Shibuya no dia 24. Não observamos nada significativo em nenhuma ocasião. Só nos resta agora o Dome no dia 30. — começou Aizawa.

Antes de se expressarem Watari entrou em contato novamente.

— Ryuzaki, parece que a TV Sakura acabou de receber outra mensagem do segundo Kira. Foi enviada no dia 23.

"Fico feliz em dizer que encontrei o Kira. Eu gostaria de agradecer a todas as pessoas das emissoras de televisão e departamento de polícia."

Se for verdade o único evento possível que corresponderia a essa fita enviada no dia 23, é a anotação sobre Aoyama no dia 22. Os únicos da força tarefa que foram a Aoyama foram Matsuda e Raito Yagami. Raito é realmente o Kira, afinal? Ainda não há provas nem de que isso aconteceu em Aoyama...— raciocinava o detetive em uma velocidade sugestiva.

— Ele o encontrou? Isso é um desastre...

— É. Isso significa que os dois Kiras estão trabalhando juntos agora.
— Nesse ponto acho que não devemos tirar nenhuma conclusão. — disse L — O segundo Kira só disse que achou ele, e nada mais. Ele pode ainda não ter feito contato. Agora que chegamos nisso, não temos escolha senão nos comunicar diretamente com o segundo Kira como polícia.

— Quer enviar uma mensagem?

— É. A polícia precisa chegar ao duplo e oferecer um acordo a ele, precisamos negociar com ele pra ver se podemos ter o nome verdadeiro do Kira.

***

A polícia tinha acabado de noticiar uma mensagem diretamente à Misa, quando Tsuki a viu entrar na sala muito bem arrumada.

— Onde você vai?

— Eu não, nós vamos.

— C-como assim Misa?

— Iremos na casa do Raito. — disse pegando sua bolsa.

Ela não queria ir, mas não sabia o que esperar de Raito, temia pelo o que poderia fazer a Misa.

— Certo, vamos. Só deixe-me falar com B antes.

— Ok, vou te esperar lá fora.

Foi até o quarto de Beyond batendo na porta.

— Sim? — perguntou.

— Vou sair com Misa mas antes disso quis passar pra ver como você estava...

— Estou bem, por que não estaria?

— Não sei, você quase não saiu desse quarto hoje.

— Já disse que estou bem. — disse friamente.

— Pode pelo menos sair aqui pra me responder?

Ele abriu a porta e a encarou com um sorriso cínico no rosto.

— Estou bem. — disse fechando a porta logo em seguida.

— Tá... — bufou saindo ao encontro de Misa.

No caminho tudo o que Misa conseguia falar era a respeito de Raito, isso a deixava impaciente enquanto sua amiga elogiava exageradamente o rapaz. Por sorte, a casa dele não ficara longe e logo chegaram ao seu destino, indo tocar a campainha.

— Eu já vou. — gritou a pequena Sayu abrindo a porta.

— Olá Sayu.

— Tsuki? Ah, oi! — disse confusa olhando pra Misa.

— Oi, tudo bem? Meu nome é Misa Amane, eu só vim dar ao Raito um caderno importante que ele deixou hoje lá na escola.

— Podem esperar um pouquinho? — disse indo chamar o irmão.

— Uki, ela é parente de Raito? — sussurrou.

— Sim, ela é irmã dele.

— Que amável.

Raito apareceu na porta com uma expressão confusa, fechando-a. Ficou as encarando sem saber do que se tratava, enquanto Tsuki olhava pra Misa acenando pra que ela se pronunciasse.

— Ahn...prazer em te conhecer, eu sou Misa Amane. — disse se curvando — Eu achei que você ficaria preocupado se visse a mensagem na tv...eu não aguentava mais então trouxe esse caderno. — falou mostrando seu Death Note.

Ele ficou pasmo, tocando o caderno pra ver o shinigami que a seguia, e logo em seguida demonstrando ódio em seu olhar.

— Entrem, por favor. — falou abrindo a porta.

— Obrigada...

Seguiu ao lado da amiga vendo Raito se justificar com sua mãe e irmã.

— Mãe, elas vieram devolver o meu caderno. Pode fazer um chá pra gente?

— Claro que faço, querido. Faz tempo que não a vejo Tsuki! — disse sorrindo.

— Faz mesmo senhora Yagami, obrigada pela gentiliza. Essa é minha amiga, Misa Amane.

— É um prazer conhecê-la. — cumprimentou.

Seguiram Raito até seu quarto em silêncio, vendo-o fechar a porta.

— Sentem.

— Eu estou bem assim. — disse Tsuki perto da porta.

— Muito obrigada.

Misa se sentou na cadeira giratória frente ao rapaz.

— Como me encontrou?

— Eu sabia! Você não fez o acordo dos olhos com o shinigami como eu fiz, quando você tem os olhos de shinigami como eu pode ver o nome da maioria das pessoas e seu tempo de vida só de olhar. Mas não pode ver o tempo de vida de quem possui um Death Note.

Raito se surpreendeu, olhando pra trás com certa fúria.

— Tá bom, agora você me achou. Mas foi descuidada e se tivesse sido pega pela polícia agora eles saberiam tudo sobre Kira.

— Tudo bem. A polícia não me pegou e se eu fizer o que você quiser de agora em diante eles nunca vão poder me pegar. Então estamos seguros, afinal você não precisa de alguém pra ver o nome do L, se quiser posso ser seus olhos. Então...

— Continue.

— Por favor, deixa eu ser sua namorada?

— Ahn?

Então é isso que Misa queria?

— Namorada...?

— É.

— Seria impossível, no dia em que eu e você estivemos em Aoyama tinha três vezes mais câmeras de vigilância que o habitual. Quem esteve lá no dia 22 certamente foi filmado. Eu me incluo nisso. Se eu e você fôssemos vistos juntos não seria muito bom. Na verdade estar aqui agora já é um problema. Eu queria que você entendesse isso...

— Na verdade Misa tomou cuidado pra se disfarçar, tenho certeza que ficou irreconhecível.

— É isso mesmo. Essas são minhas fotos quando fui em Aoyama aquele dia. — mostrou Misa.

— E quanto às suas digitais? Todas aquelas fitas que foram enviadas a emissora, todas tinham as mesmas digitais.

— É, mas eu juro que não eram minhas. Eu não faria uma coisa dessas sem pensar em tudo primeiro. Até recentemente eu morava na região de Kansai e tinha uma amiga que gostava de ocultismo. Eu sugeri que a gente distribuísse vídeos falsos para vários programas de tv diferentes. Era um trote, ela concordou em me ajudar. Ela cuidou de toda a edição pra que minhas digitais não estivessem nas fitas, então eu peguei com ela, coloquei o nome do Kira e gravei a mensagem com aquele efeito de voz.

— E essa sua amiga com que fez as fitas, onde está?

— Por que tá fazendo isso comigo? Se quer que eu mate ela, eu mato ela agora. Se ainda não confia mesmo em mim, então toma. — disse entregando seu Death Note — Eu vou deixar você pegar meu Death Note, mas você só vai segurar, eu vou continuar sendo a dona isso quer dizer que continuo com meus olhos de shinigami. O que você acha, tá certo Remu?

— É, está certo.

— Olha, não há como eu matar você, e se eu me tornar um fardo pra você, pode me matar. Tá bom?

— Misa!

Não só Tsuki como Raito se assustou com que ela falou.

— Você poderia arrancar várias páginas do seu Death Note, podia esconder em algum lugar que eu não saberia.

— Lhe garanto que ela não faria isso, Raito.

Misa se ajoelhou.

— A exatamente um ano meus pais foram mortos em um assalto, eu estava em casa com eles na hora, aconteceu tudo na minha frente. Eu queria que aquele homem pagasse pelo o que fez, mas o julgamento durou uma vida. Começaram a surgir ideias de que ele estava sendo falsamente acusado, então aconteceu...Kira puniu ele pelo o que fez aos meus pais. E por isso Kira significa tudo...Kira significa tudo pra mim. Eu só queria a chance de encontrar você um dia...pra agradecer pelo o que você fez.

Misa...

Ele se acalmou se levantando em direção a Misa, quando o menos esperado aconteceu: ele a abraçou. Algo que talvez ninguém esperasse vindo de Kira.

— Eu entendo. Não posso ser seu namorado mas posso agir como tal. O ponto que chegou pra me conhecer, pra me ajudar, esse seus olhos que você sacrificou metade da vida pra ter, serão minha arma.

— Muito obrigada, eu vou fazer de tudo pra você me amar. Eu te prometo.

Aquela cena era um sonho tornando-se realidade para Misa, mas Tsuki estava sentindo algo ruim, como se devesse sair dali o quanto antes. Depois de um tempo se abraçando, eles se separaram.

— Seus objetivos já ficaram claros pra mim, mas ainda não justificou a presença de Tsuki. — disse a olhando desconfiado.

— Lembra que eu disse que morava com minha amiga de infância? Era ela, Raito.

Ele se surpreendeu novamente.

— Então era ela? Quer dizer que a ajudou a me encontrar?

— Não, jamais a ajudaria. Não apoio Kira, não apoio você. A última coisa que gostaria é que ela se aliasse ao seu lado, mas pelo visto não há como impedir, então o que me resta é garantir que ela permanecerá em segurança. Eu confiava em Raito, mas em Kira...eu não confio.

A olhou com ódio, sendo cortado por Misa antes de começar a discutir.

— Agora que conversamos sobre isso, pode me mostrar seu shinigami? Eu quero muito ver!

— É claro, poderiam se virar?

— Tá bom.

— Eu não irei me virar. — deu de ombros.

— Por favor, Uki. Sei que está irritada com o que estou fazendo mas não desconte isso no Raito.

— Certo. — disse obedecendo sem o mínimo entusiasmo.

Sentiu um pedaço de papel tocar sua mão e se virou tendo a visão de uma criatura com pele cinza quase em um tom azul, com olhos grandes e redondos amarelados. Pelo o incrível que pareça, não se assustou, talvez por se acostumar com a imagem de Remu diariamente, apesar de serem completamente diferentes.

— Então esse é o famoso Ryuuku?

— E aí?

— Ah, olha isso! Você é um tipo de shinigami completamente diferente do Remu. Prazer te conhecer!

— O prazer é todo meu. — disse acenando de volta.

— Aliás, Raito, querido! Você sabe como matar um shinigami?

Não acredito...como Misa pode entregar Remu dessa maneira? Mesmo sendo um shinigami...ele faria tudo por ela.

Tsuki já não aguentava mais ficar ali, abrindo a porta e saindo antes que Misa a impedisse. Por sorte, não encontrou ninguém no caminho com quem devesse conversar, saindo da casa o mais rápido possível.

Caminhou apressadamente até sua casa, completamente indignada com tudo o que ouviu. O que Misa estava pensando pra agir daquele jeito? Não parecia a mesma Misa que achou um dia conhecer.

Caminhar a noite sozinha não era como esperava acabar o dia, mas a essa altura nem estava reparando nesse detalhe.

— Tsuki! — ouviu a chamar.

Se virou vendo Beyond com uma touca cobrindo seu rosto, como de costume.

— Beyond...o que faz aqui? Estava me seguindo?

— Tenho duas coisas pra te dizer.

— Mas...

— A primeira é: tem câmeras e escutas pela casa inteira.

— O quê?! — se assustou arregalando os olhos — E...a segunda?

— A segunda é que Raito irá tentar te matar, na verdade, está tentando isso agora mesmo.

Continua...