Lost In Paradise
38 Presente
Notas iniciais

— Ryuzaki, por favor! — Misa pedia raivosa, marchando em frente ao detetive. — Qual o problema em me deixar encontrar um amigo?!
— Já falamos sobre isso. — disse calmamente. — Lamento, mas você não pode sair desse prédio até eu levar Kira à justiça. Agora, por favor, poderia sair do meu quarto? — se a garota continuasse a insistir nessa história, provavelmente deixaria de lado a cortesia que sustentou até esse nível da conversa. Não agüentava mais a insistência de Amane.
— UKI! — ela protestou, encarando a amiga que apenas observava a discussão dos dois, que por sinal estava se prolongando demais pro seu gosto.
— Desculpe Misa... Quando ele coloca algo na cabeça, nem eu posso tirar.
Amane bufou rolando os olhos com tudo.
— Conversa com ele!
Tsuki colocou o dedo na boca, pensativa. L a analisou de soslaio, mas logo levou os olhos ao computador. Ponderando, ela deu um sinal para Misa sair. Talvez não adiantasse em nada falar com Ryuzaki, mas era melhor tentar, Misa iria surtar se ficasse mais um tempo naquele lugar.
Amane sorriu empolgada batendo palmas silenciosamente, atravessando a porta e encostando-a.
— Não sei como você aguenta ela. — L comentou em um suspiro aliviado após a saída da mesma.
— Ela é uma boa amiga, mas quando cisma com alguém ela não desiste fácil. — deu de ombros. — L... Eu gostaria que você permitisse a saída dela.
— Você sabe que não posso fazer isso. E por que isso é tão importante assim?
Crispou os lábios, aproximando e explicando em tom cortês:
— Ela conheceu um rapaz pela internet há alguns meses, e acho que está interessada... Talvez veja apenas como amizade, afinal, sua afeição por Raito não é de hoje. Mas acredito que seja bom pra ela tentar esquecê-lo... — desejava mesmo isso. Se não fosse por esse “amor” que Misa adquiriu por Yagami, sequer teria começado a matar com o Death Note. Ela nunca deveria ter ido longe a seu objetivo de se aproximar dele. — E além do mais, você não sairá perdendo.
Ele levantou levemente a sobrancelha direita, duvidoso.
— É mesmo? E que vantagem terei nisso?
Cruzou as pernas.
— O pai de Tatsuo é um dos membros de uma empresa concorrente da Yotsuba, tanto que sua empresa tem uma grande influência na indústria de negócios. Se Misa se aproximar dele, talvez tenhamos a chance de checar a empresa concorrente e verificar as vitimas já feita. Além dos eventos em que os membros dessa empresa podem estar presentes juntamente com o grupo Yotsuba, seria uma fonte de informações.
— Ou seja, ele seria o passaporte para a aproximação real dos membros da Yotsuba. — completou L. Ela assentiu. — Você é bem argumentadora.
— Aprendi com você. — rebateu, sorrindo cinicamente.
Encarou-a calmamente.
— A idéia de Amane sair desse prédio ainda não me agrada. Mas, se acha tão necessário, irei permitir, com algumas regras inclusas: Você irá acompanhá-la, e ambas estarão com as roupas grampeadas, quero me certificar que ela não tentará nada imprudente, portanto, providenciarei que sua roupa esteja com escutas escondidas, e tenha em mente que você também terá que estar de acordo com essa regra. — explicara simplesmente. — Para que não tenha riscos de vocês se comunicarem por aparelhos celulares ou através de bilhetes, o local de encontro será público e monitorado por câmeras, eu — foi interrompido quando ela selou seus lábios inesperadamente, deixando-o um tanto sem jeito. — Eu... — sua voz falhou levemente, mas logo retomou a fala: — Eu sugiro que seja em um parque por perto.
— Já terminou? — perguntou sorrindo de lado, observando-o.
L piscou duas vezes, e assim que deixou de lado a vergonha, beijou delicadamente a ponta de seu nariz, selando novamente, mas dessa vez com anúncio, seus lábios.
— Agora sim. — falou ao terminar de beijá-la, direcionando-se para fora onde iria encontrar com Raito.
❀❀❀
Tsuki terminou de se arrumar, olhando brevemente para o espelho antes de sair. Iria acompanhar Misa ao seu “encontro”, o qual Yagami sequer saberia (se bem, que não tinha certeza se ele iria se importar com isso). Normalmente considerava arriscado conhecer pessoalmente alguém que conheceu pela internet, mas checou tudo sobre Tatsuo, ele era um bom garoto, e tinha amigos em comum com ele. Sentia que iria segurar vela para os dois, mas vendo por outro lado, tinha quase certeza que Misa não o via dessa maneira... Mesmo assim, iria tentar fazer com que eles se aproximassem. A desculpa que usou sobre a empresa do pai dele convenceu L, apesar do mesmo ter consciência sobre sua intenção de juntar os dois.
Passou no quarto da amiga, que como sempre vestia roupas bem femininas com vários acessórios. Ela estava claramente animada, e assim que viu Tsuki deu uma voltinha para que ela falasse sobre sua roupa. Apesar de dizer que havia ficado ótimo, não entendia a diferença entre as vestes de Amane, então pouco importava, ela em si tinha um padrão de vestimenta bem diferente da loira.
Seguiu todas as regras de L, e com isso ele permitiu que passassem pelo sistema de segurança do QG. Misa queria pedir para Mogi a levar, mas Tsuki insistiu para que fossem andando, até porque o parque não ficava tão longe assim.
Chegando ao parque Misa, que não conseguiu parar de falar desde que saíram do prédio, ficou vasculhando o local com o olhar, procurando seu mais novo amigo. Reconheceu, em curta distância, uma cabeleira ondulada e loira. O rapaz alto, que usava uma camisa branca e larga por cima da calça jeans, apoiava seus braços na barra de segurança na ponte que ficava por cima do lago do parque. Misa o reconheceu no mesmo instante.
— Tatsuo! — ela chamou, correndo até ele.
Tsuki acolheu as mãos no bolso de seu casaco, seguindo Misa tranquilamente. Tatsuo se virou, vendo a loira se aproximar e abraçá-lo apesar de estar o vendo pessoalmente pela primeira vez. Ele riu baixo, mexendo em seu cabelo.
— Amane, você veio mesmo. — falou simpaticamente, sorrindo assim que ela desgrudou de sua cintura olhando-o nos olhos.
— Tatsuo! Antes que eu me esqueça: Essa é a Uki, — encarou a amiga que finalmente havia a alcançado. — e Uki, esse é o Tatsuo, meu amigo.
— Tsuki. — corrigiu a morena, com a sobrancelha erguida. — Prazer, Tatsuo. — sorriu.
— Igualmente, Tsuki. — ele riu levemente.
Misa, que não perdia tempo, logo mudou de assunto empolgadamente:
— Tatsuo, eu tenho tanta coisa pra te contar! — começou. — Nós temos muito assunto pra colocar em dia!
Tsuki, que se sentiu deslocada — apesar de simpatizar com o rapaz —, falou:
— Eu vou dar uma volta, fiquem por perto, está bem?
— Pode deixar Uki. — Misa garantiu sorridente.
Passou por Tatsuo, parando ao seu lado e olhando-o de canto. Era bonito, não negaria. Ele tinha uma bondade e tranqüilidade que Yagami sequer conhecia.
— Cuide bem dela. — pediu.
Ele olhou para Misa, que nem percebeu que estavam conversando, pois se distraía no celular procurando vídeos que iria mostrar para ele.
— Eu irei.
❀❀❀
Misa passou a tarde conversando com o garoto. Obviamente, não podia citar nada sobre Kira e a investigação, mas se abriu por completo com ele. Surpreendia-se com o fato de que, diferente de Yagami, ele a ouvia a todo o momento, até mesmo quando dizia algo que ele não concordava e qualquer um consideraria estúpido. A garota havia falado tanto sobre seu namorado, Raito, e mesmo ele não parecendo gostar, ele ouviu e até mesmo formulou uma opinião sobre ele.
— Você deve amá-lo muito. — disse Tatsuo, observando sua expressão de surpresa.
— Amo sim. Por quê?
— Pelo o que me contou, ele não te dá muita atenção, e mesmo assim você é apegada demais a ele. Não acha exagerado ir atrás de alguém que não faria o mesmo por você?
Embora não gostasse de ouvi-lo falar assim sobre Raito, e acreditasse que ele realmente a amava, Misa sabia que, em parte, isso não estava totalmente errado.
— Não se preocupe. — sorriu. — Raito tem seu jeito de demonstrar o que sente por mim, ele só anda estressado...
— Isso não justifica nada, Misa. — retrucou no mesmo instante, fazendo-a soltar uma exclamação de desentendimento. — O fato das coisas não darem certo para ele, não justifica esse comportamento. Meu pai agredia minha mãe desde que eu era pequeno, às vezes ele estava irritado, às vezes não. Não tem justificativa pra tratar uma mulher assim. — passou a mão no cabelo, encostando as costas no banco e erguendo o olhar para o céu. — Quando minha mãe finalmente se recusou a continuar aguentando isso, ela foi embora com minha irmã mais nova e nunca mais as vi. Eu também queria ter ido, mas ela sabia que só aqui, onde meu pai mora, eu conseguiria ter uma boa educação e me formar. — suspirou, fechando os olhos e abrindo um pequeno sorriso. — Desejo ir vê-las assim que terminar tudo o que tenho por aqui. Quero dá-las uma boa casa, uma vida mansa... Por isso trabalho e estudo muito, compreende?
— Tatsuo... — Misa não conseguia esconder sua surpresa e admiração pelo esforço do garoto.
Ele sorriu abertamente.
— Desculpe-me se te incomodei com essa história. — ajeitou sua postura. — Sabe, você lembra muito minha irmã.
— É mesmo? — perguntou curiosa, com o dedo na boca.
— Sim. Tanto na aparência quanto na personalidade. Hina era alegre, empolgada, aventureira... Como você, Amane.
— Você acha mesmo? — tornou a sorrir, lisonjeada.
— Acho sim. — levantou, ajeitando a camisa. — Mas você também tem o azar da minha mãe para escolher homens errados. — riu, coçando a cabeça. Ela cruzou os braços, emburrada. Saindo um pouco do senso de humor, ele aconselhou: — Misa procure alguém que te trate como mereça. Ficar preso a uma pessoa que não te trata bem é ainda pior do que não ter ninguém por perto. Você não precisa de um namorado pra se sentir mais confiante, aposto que tem muitos pretendentes. — piscou para ela, deixando-a vermelha. — E além do mais, também tem Tsuki, ela com certeza estará com você não importa se esteja namorando ou não. E agora, também tem eu. Quando precisar de alguém para levantar sua auto-estima, fale comigo. Não precisa se esforçar tanto para ser aceita. — depositou um beijo em sua bochecha carinhosamente. — Tenho que ir. A gente se fala. — acenou sorridente, afastando-se. — E lembre-se: Permitir que te tratem mal só depende de você.
Yagami jamais havia dito coisas assim, ou sorrido tão abertamente ao vê-la. Era um impacto muito grande para Misa assimilar o que tinha acabado de ouvir, tanto que sequer conseguiu abrir a boca para dizer algo a ele. E se o tudo o que ele falou fosse verdade? Não... Não queria isso. Com certeza ele dizia isso por não conhecer Raito de verdade. Mesmo assim... Por que não conseguia parar de pensar em Tatsuo?
❀❀❀
"— Você tem certeza Tsuki? Tem certeza que quer sacrificar metade de sua expectativa de vida pelos olhos de shinigami? — Remu perguntou apreensivo, na mesma noite em que se encontrou com a garota depois de tantos meses. Ela não o permitiu que saísse, havia um olhar de preocupação que nunca a viu demonstrar antes.
— Tenho, Remu. — respondeu rispidamente, encarando o chão sem nenhum objetivo.
— Mas você...
— É o melhor a se fazer. Poderei prever melhor as coisas, saber o momento certo para agir... Preciso ter esse privilégio que Kira não possui.
O shinigami, com um semblante hediondo, parou para refletir, olhando-a como se achasse sua atitude uma enorme imprudência extremamente perigosa.
— Vamos fazer um acordo. — o shinigami finalmente decidiu, ganhando a atenção da jovem surpresa. — Se você conseguir proteger Misa quando tudo isso chegar ao fim, irei impedir sua morte, o que levará à minha. Se eu morrer, haverá a transferência da expectativa de minha vida de shinigami para a sua como humana. Se Misa estiver em segurança e continuar com sua vida estendida, farei como o combinado. Mas a vida de Ryuzaki estará em suas mãos, não serei eu que irei protegê-lo, e sim você.
Não queria ganhar a vida de Remu... Viveria mais tirando parte da vida de outro ser? Isso é algo que apenas alguém como Kira estaria disposto a aceitar sem problema algum. Mas... Não tinha muita escolha. Talvez tentasse convencer o shinigami do contrário em outra ocasião, mas agora, teria que aceitar antes que Remu mudasse sua oferta.
— Eu aceito."
Não conseguia se esquecer daquela noite. Tinha colocado tanta coisa em jogo. Sua vida, vida de Remu, vida de Misa, vida de Lawliet... Qual o lado certo a se seguir? Desde que adquiriu os olhos de shinigami, passou a ver o mundo como Beyond via: Prevendo a morte de cada ser que cruzava seu caminho. Chegava a ser triste lembrar que quando passou pela rua no passeio com Misa, conseguiu ver jovens apaixonados, crianças e idosos que foram destinados à morte tão cedo. Nada era mais triste do que a certeza de que tudo acabara tão rápido.
Sentindo uma mão acariciar o topo de sua cabeça, olhou para trás, surpresa.
— L?
Tinha que admitir: Adorava quando ele aparecia sem aviso. Até porque, ele era ocupado, quando vinha até seu quarto, quase a fazia pular de alegria igual Amane em determinadas situações.
— Algo te incomodando? — indagou observador, apoiando seu corpo de bruços contra a cama, assim como ela apoiava.
— Não é nada. — sorriu, incomodada.
— Eu sei quando mente pra mim. — continuou mexendo em seu cabelo que caía pro rosto. — Mas se não quer comentar sobre isso, não insistirei. É um direito seu.
Ela suspirou, afundando o rosto no colchão.
— Só estou com sono. — resmungou.
— Sei. — sorriu sutilmente, quase imperceptível. Você acha mesmo que me engana...
Colocou os cabelos longos dela pro lado, deixando sua nuca à mostra, o que a surpreendeu. Encostou o nariz, aspirando seu perfume sem pressa.
— L... — murmurou, arrepiada.
Sem responder, continuou, mordiscando o lóbulo de sua orelha. Já estava abrindo a boca para protestar novamente, mas qualquer palavra que conseguisse pronunciar foi substituída por suspiros quando sentiu os lábios dele entrarem em contato com sua nuca, enquanto as mãos entravam em sua blusa erguendo-a conforme moldava a curvatura de seu corpo. Ryuzaki segurou em seus ombros trazendo seu corpo pra cima. Nesses momentos, ele não era exatamente um exemplo de delicadeza, e sequer percebia isso: Seus atos eram primitivos. Mas ela não se importava, até porque a timidez assumia seu controle e encará-lo nos olhos tão de perto como estava fazendo, tornava-se um desafio muito apuro na hora da ação.
Lawliet parou por um momento, apenas olhando em seus olhos, seguidamente olhando para seus lábios semi-abertos que despertavam instintos naturais e, quase incontroláveis nele. Crispou seus lábios selando aos dela. Ela tentava retribuir com o mesmo fervor que ele, mas de longe L parecia querer aquilo ainda mais que a garota; sua língua alternava entre o lento e o frenético em uma indecisão que só era quebrada quando se separavam para recuperar o fôlego. Mais parecia uma busca pelo controle. Controle; ele realmente adorava fazer as coisas de seu jeito, em todos os sentidos. Estar sob controle era fundamental para ele. Pressionou o corpo contra o dela, acariciando seu pescoço. Seu corpo, no entanto, buscava desviar da contração que recebia nos estímulos do rapaz. Como ele aprendeu, em tão pouco tempo, dominar-lhe tão cegamente?
Após segundos agonizantes, os quais L manteve a respiração pausada sob o pescoço da garota, seus lábios avançaram à garganta de Tsuki, com as mãos sedentas a explorar a pele pálida e adusta ainda velada da morena. Os dedos trêmulos dela enlaçavam em seu cabeço, puxando-o conforme uma onda de arrepios subia por sua espinha como choques elétricos em potencial. Descendo até a base da garganta, iniciou uma lenta série de beijos pela pele exposta de seus seios. Ele gostava daquela mistura de temperaturas; Enquanto seus lábios eram um tanto gélidos, a pele dela queimava de dentro para fora, tornando as caricias ainda mais deleitosas.
Ela não conseguia pensar em como reverter à situação, e possivelmente ninguém em seu lugar se preocuparia com isso. Sua língua estava travada demais para protestos, de modo que a tornasse rendida à Lawliet. Exatamente como ele planejara.
O rosto dela ruborizava, incentivando-o a continuar com ainda mais desejo e voracidade. Suas mãos abaixavam por todo seu corpo, pressionando firmemente suas coxas com os dedos que se afundavam na carne. Tirou a blusa dela sem avisos, notando testa franzia em nervosismo, o que considerava divertido de ver.
Suas mãos pousaram por cima do sutiã branco de renda fina, acariciando suavemente e lentidão, extasiado pelo doce som dos suspiros dela. Era fascinante a reação do corpo a toques tão leves e principiantes. Pressionando com mais intensidade em seus movimentos, desceu para sua barriga roçando os lábios em provocação. Voltando-se para o busto de sua companheira, retirou a peça com avidez; desfrutando com a boca de seu seio esquerdo enquanto sua mão direita massageava a parte interna de sua coxa. Ela sufocou um gemido, sentindo-o sugar a parte sensível com mais intensidade ainda (se é que era possível). Repetiu o processo no seio direito, contornando o mamilo com a língua antes de cobri-lo com a boca por completo. Tsuki já havia perdido a linha de seus pensamentos, nenhum raciocínio lógico se voltara a sua mente. Afagou os dedos nas madeixas negras de Lawliet, puxando-lhe para cima de modo que voltassem a se beijar; apaixonadamente, em ritmo indefinido. Ele arfou baixo, fechando as pálpebras brevemente.
Acariciava-lhe as costas, com a boca próxima à orelha dele. Sua respiração descompassa o arrepiou, juntando ainda mais seus corpos — o que ainda assim, não pareceu suficiente. Desviou as mãos para o abdômen macio do moreno, esfregando as unhas em pequenos arranhões.
As pupilas dele dilataram-se ainda mais, sentindo seus ossos queimarem em desejo. Aquela aproximação lenta era torturante; suas línguas ardentes trabalhavam avidamente, abafando a respiração que tentavam dominar. Suas mãos apertaram com aspereza a cintura dela, enquanto sentia os ombros serem abocanhados por ela, sem muita rispidez. Senti-a puxando sua camisa branca com força, separando o beijo para ajudá-la a se desfazer da peça e voltando a usufruir de seus lábios (o que era uma opção plausível, já que se sentia envergonhado quando ela mantinha os olhos sob seu corpo exposto).
Não era um mero instinto selvagem, cada toque por mais severo que fossem transbordava todos e quaisquer que sejam os sentimentos que sustentavam um pelo outro. O que, no geral, nenhum dos dois saberia reconhecer facilmente. Era mais que algo inovador. Era uma reação que merecia ser dividida.
L segurou em seus pulsos, colocando os braços à cima da cabeça. Mordiscou seu lábio inferior, abaixando-se para se livrar das calças jeans justas ao seu corpo. Checou nos bolsos se estava pronto para o ato, soltando uma exclamação de descontentamento quando percebeu que não tinha nenhum preservativo ao seu alcance. Contudo, não conseguiria se conter e adiar a relação, agradecendo mentalmente pela existência dos métodos de contracepção. A última coisa que iria querer agora era resultar em mais um sucessor (sendo que, os que nem são seus filhos, já que lhe davam trabalho em dobro).
Beijou o queixo dela, voltando-se aos lábios. Agora, tão próximos, conseguia sentir o calor de seu corpo passando para ele. Suas entranhas contorceram-se em resposta. Continuou a alisar aquele corpo que gostava tanto; conhecendo-o por completo, sem que nenhum detalhe passasse despercebido. Sua pele macia era um convite, chamando-lhe para desfrutar dos prazeres carnais. Aquilo era errado? Era certo? Se ele pecou até aqui, mais um pecado não iria condená-lo.
Desfazendo-se das poucas peças que acobertavam seus corpos, juntou-os enquanto tremia por completo, franzindo os lábios fortemente para evitar que qualquer rangido fugisse de si. Pressionou as mãos fortemente no quadril da garota, moldando seus corpos por inteiro. Era incrível como pareciam se encaixar perfeitamente. Mas ainda não era o suficiente, ainda havia o desejo de estímulos por novas sensações. Não era justo o que ela provocava nele. Sequer permitia que ele explorasse seu corpo sem antes impedir e voltar a beijá-lo. Mas agora, nem ela, e muito menos ele, conseguiriam resistir mais.
As pálpebras de Tsuki, um tanto trêmulas, fecharam-se sentindo as bochechas arderem diante do olhar atroz de Lawliet. Amava aquele homem. Mesmo que tentasse afastá-lo ou evitar que momentos assim viessem a acontecer, como poderia ser capaz de interromper se desejava tanto quanto ele?
Puxando fortemente o lençol da cama, sentiu, sem avisos, ele a invadir intimamente. A sensação de ter seu interior preenchido era mais intensa do que qualquer outra que a viesse a sentir um dia. E quanto mais movimentos ele efetuava contra seu corpo, mais prazeres dividiam. Lawliet, respirando com dificuldade, assentara a cabeça na curvatura de seu pescoço, abafando.
Expressavam o amor e desejo um pelo outro através de murmúrios, com os corpos contorcendo a cada movimento concluído, arrepiando-os instantaneamente. O som da atrição frenética que criaram conseguia deixar o rapaz mais pasmo do que nunca. As unhas dela invadiam suas costas; subindo e descendo profundamente em forma de arranhões. As pernas devidamente enlaçadas em volta de seu corpo. A voz abafada e as bochechas avermelhadas... Tudo isso colaborava e muito para chegar à plenitude de tais sensações.
— Eu... Amo-te. — sussurrou contra a pele da garota, sem ao menos notar que havia acabado de deixar que essas palavras escapassem. Droga. Provavelmente seria tomado pelo constrangimento depois disso.
Sua mente só pareceu trabalhar quando o ouviu murmurar tais palavras. Ele estava sendo sincero? Ou apenas disse isso no calor do momento? Independente do que fosse a fez sorrir, sentindo sua cintura ser ainda mais pressionada enquanto as mãos dele soçobravam em suas coxas.
Afastando do pescoço da garota, ofegante, ergueu o rosto olhando-a de perto, abrindo os olhos no exato momento em que ela havia aberto. Selou seus lábios com rudez, enlaçando os dedos enquanto pressionava sua mão contra o colchão. Não aguentaria por tanto tempo, e por mais que o que tivesse feito fosse arriscado ou viesse a se arrepender, aproveitou cada segundo do início ao fim, aumentando os movimentos o máximo que conseguia, escutando o rangido da cama até sentir seu corpo arquear contra o dela, chegando ao clímax mutuamente.
Suspirou, afastando-se, mas não por completo. Praticamente caiu sobre ela, relaxado. O rosto dela se escondia em seu ombro, e seus braços a envolveram em um abraço, permanecendo em um silêncio sossegado.
❀❀❀
Durante a semana, passou boa parte do tempo no quarto de Misa. Estava satisfeita, pois, ao invés de falar constantemente sobre Yagami, ela estava abordando outros assuntos, por mais assustador que parecesse.
Sua aproximação com Tatsuo — embora só tivesse o visto uma única vez pessoalmente — estava mudando seu modo de ver as coisas, mesmo que pouco. Apesar de ainda não achar que ele consiga conquistar ela, levando em conta que apesar de tudo ainda era muito ligada ao Raito, ele não parecia querer ceder. O próprio Tatsuo se mostrou disposto a tentar convencer Misa, e quanto mais conversava com ele, mais impressionada ela ficava. A amiga estava até se lembrando de momentos na infância, juntamente com Tsuki. Ver seu lado mais positivo a alegrava, já que quando Remu surgiu com o Death Note, tudo havia mudado muito e não tinha tantas esperanças da antiga Misa voltar.
Matsuda, por não ter muitos deveres, estava começando a irritá-la. Não saía de seu pé, e fazia o mesmo com Amane. O pobre homem estava entediado, e infelizmente era o único que conseguia verdadeiramente irritar o L ao ponto dele o excluir de seus afazeres.
Wedy havia contatado L pouco tempo atrás, neste dia em questão. Ela conseguiu colocar as câmeras em todo o prédio, e no ponto principal em que Ryuzaki e Raito queriam: Na sala onde ocorriam as reuniões entre os membros da Yotsuba. Também descobriu que a próxima reunião que teriam, seriam no sábado à noite. Aiber, que não ficou de lado, recebeu uma ordem do detetive especificando para que se passasse por Coil e mandasse um relatório para eles com suas pesquisas sobre L (que eram justamente falsas) em troca de cinco milhões de dólares.
Ainda era quarta-feira, e o tempo parecia passar arrastado. Ele voltou a se algemar à Raito em horas de trabalho, liberando-se uma vez ou outra ao decorrer do dia. Ele parecia mais desconfiado ultimamente, por alguma razão não citada. Atualmente, estavam, como de costume, na sala de controle. Matsuda montava um quebra cabeça na mesa mais próxima, a fim de proporcionar algum entretenimento. O coitado realmente estava se sentindo inútil, e L não colaborava para animá-lo, o que deixava Tsuki incomodada.
Estava mal por Tatsuo, inclusive. Sábado teria mais uma reunião decisiva para a Yotsuba, o pai dele como empresário poderia ser eliminado da mesma forma que os outros adversários haviam sido. Mesmo ele não parecendo ter apego nenhum pelo pai, é claro que ficaria bem mais desamparado sem ele.
— Uki? — Misa chamou, sem mais nem menos.
Encarou-a com as sobrancelhas erguidas, em surpresa.
— O que foi Misa?
— Você concorda com o Ryuzaki? — indagou curiosamente, sentando com as pernas cruzadas no sofá.
— Em que assunto?
— Você acha que eu sou o “Segundo Kira”?
Fechou o livro que estava em seu colo logo após marcar a página em que havia parado, colocando-o sobre o encosto do sofá.
— O que você acha? Seria capaz de algo assim?
— Hum... Eu não sei, acho que sim... — respondeu sinceramente. — Mas como eu poderia matar sem me lembrar de nada? Tudo bem que eu gostaria de agradecer Kira, afinal ele é meu herói, mas não tem como uma pessoa começar a matar sem mais nem menos né?
Como era imprudente... Sabia que seu quarto era monitorado, e ainda assim admitia isso. Se bem, que L já havia conseguido a feito admitir bem antes, então isso não chegaria a prejudicar, mesmo ainda sendo um ato inconsequente.
— É. Você deve estar certa... — desviou o olhar, inquieta.
— O que foi? — perguntou levemente preocupada.
— Pensar em todo esse rolo com Kira me incomoda muito. — falou, fazendo com que Amane não encontrasse mais nada a dizer. — Vou para meu quarto, se não se incomoda. — espreguiçou-se, levantando em direção à porta.
— A gente se vê há noite? — sorriu com o ar animado de sempre.
A garota retribuiu o sorriso, mexendo no cabelo.
— Claro Misa. Comporte-se hein?
Saiu em direção ao seu cômodo. Queria descansar um pouco antes de ir ver o andamento da investigação na sala de controle. Seu dias mais pareciam anos, mesmo assim mantinha-se com seu objetivo inicial: Evitar mais mortes, e tentar atrasar o máximo possível a volta do Kira original. Ele seria um adversário muito forte, não sabia se poderia competir. Mas, sua intenção era ganhar, não necessariamente para ter o prazer da vitória, e sim, para estabilizar a situação mundial. Desde que Kira surgiu, muito medo se espalhou; principalmente pelos países com mais alvoroços. Mesmo a taxa de crime diminuindo, não se tornou nula como ele queria, e se o Death Note parasse em suas mãos outra vez, certamente continuaria o que começou. E esse dever agora estava sendo feito por um homem mesquinho de classe alta que faz de tudo para obter mais privilégios do que já tem. Realmente um indivíduo nojento.
Entrou no quarto batendo à porta. Normalmente já se jogaria na cama, mas algo a chamou atenção: Na janela aberta, apoiado no canto do lado direito, estava encostado um urso de pelúcia pequeno, com um laço vermelho em volta do pescoço. Como ele havia parado ali? Com certeza havia aparecido pouco tempo atrás, já que na noite anterior não tinha nem passado perto daquele urso antes. Não deveria ser coisa do L, ele não era do tipo que comprava presentes como um ursinho de pelúcia e, sabia que ela também não fazia questão de ser presenteada.
— Quem deixou você aqui? — pegou o urso, o encarando com curiosidade.
Também não deve ter sido algo dos outros policias, na verdade só de imaginá-los com algo tão “meigo” a fazia rir. Misa, a única que simpatizava com pelúcias, havia passado boa parte de seu tempo ao seu lado, não teria como ter planejado deixar o urso como surpresa em seu quarto.
— Que estranho...
Olhou a parte de trás do urso, abrindo por puro instinto, o zíper que tinha em suas costas. Como já era de se esperar, ele era preenchido por umas espécies de esponja que o deixava fofinho, mas quando aprofundou sua mão dentro dele, percebeu que havia algo a mais. Aquilo era... Papel?
Retirou uma folha dobrada. Talvez a resposta sobre quem houvesse o deixado em seu quarto estivesse escrito ali. Abrindo-a, estranhou. Nenhum nome escrito era de alguém que conhecesse. Até que percebeu... Que se tratava de uma página retirada do Death Note. O urso só foi um disfarce ridículo, quase que cínico. Misa e Raito não haviam recuperado a memória, e Remu certamente não teria se afastado do atual portador do caderno para entregá-la algo assim. Com isso, quem restava...? Quem estaria por trás disso? Ninguém conseguiria invadir o prédio pra deixar isso ainda por cima. E ninguém dentro do prédio sabia do Death Note. Quem? Qual a pessoa que mandaria uma indireta tão grande?
Prestando mais atenção nos nomes anotados na folha, leu um já conhecido:
— Beyond... Birthday. — sussurrou estática. — Se... Ele estiver vivo, e ainda por cima ter deixado isso pra mim, quer dizer que ele é imune às regras do caderno?
Fale com o autor