Notas iniciais
Gente, eu tô demorando demais pra atualizar, credo. PODEM COMEÇAR A ME COBRAR, SÉRIO! Então, muita coisa nesse capítulo só será explicado no próximo e sei que vivo fazendo isso mas é sempre bom avisar e tals q. A música pra esse capítulo é "Daughter - Medicine (Sound Remedy Remix)".

L encontrava-se agachado no piso frio, olhando atentamente para a tela de seu computador enquanto tentava, sem muito sucesso, ignorar o som estridente da chuva que lavava sua vidraça. Diferente daquela memorável noite que teve com Tsuki, ela não estava ali dessa vez, o que não era tão difícil de notar, se ela estivesse provavelmente estaria roubando parte de sua atenção e desviando-o de seus compromissos no momento.

Por mais que admirasse alguém, precisava de um tempo sozinho para refletir e raciocinar melhor, mas o fato dela ter se afastado indiretamente estava fazendo o rapaz se questionar. Ela não era disso, mas nos últimos dias não estava tão focada como normalmente está. Nem mesmo ele tinha uma noção exata do que a estava preocupando, mas, por palpite, deve ser em relação ao perigo que ele corria no avanço de sua investigação. Era uma preocupação aceitável. Um sentimento compreensível, já que cada cor que ele via, cada gosto ou cheiro que fosse capaz de sentir, era como uma despedida a tudo o que viveu até ali. Podia sentir que sua morte estava cada vez mais perto.

— Hã... Ryuzaki? — a voz familiar de Yagami murmurou perto da porta, com a mão sobre a maçaneta esperando um sinal para que pudesse adentrar o cômodo com mais liberdade.

— Raito? — o jovem não estava acostumado há passar muito tempo acordado, já que seus hábitos desde sua época de estudante não mudaram tanto com o tempo, logo Ryuzaki ficou atento ao que ele desejara fazer. — O que faz aqui? Pensei que estivesse dormindo.

— E estava, mas o barulho da chuva e da movimentação no andar de cima me tirara à concentração — confessou despreocupado, analisando o que o detetive praticava. — Ainda está trabalhando? Você se dedica mais do que pensei.

— Como acha que conclui tantos casos?

Raito deu de ombros levemente, cruzando os braços.

— Confesso que pensei que você tivesse uma equipe de profissionais. Até mesmo no caso Kira você prefere ficar com o trabalho duro só pra você.

— Quando necessário, eu trabalho com outros profissionais — retrucou, prestando atenção no computador e no diálogo ao mesmo tempo. — Watari também sempre me ajudou muito, e como você já percebeu, tenho uma tecnologia avançada, com isso sou perfeitamente capaz de resolver qualquer enigma que eu pegue.

— E de onde consegue tanto dinheiro? — perguntou simplesmente.

— Isso é confidencial.

— Que seja — olhava para a janela molhada. — Independente de como consegue esses atributos, não é nada saudável se focar tanto em uma única coisa durante horas. O cérebro não dá conta de estudar tantos assuntos de uma única vez, precisa de no mínimo uma pausa. Sem contar, que seus hábitos estranhos também não colaboram com a saúde de seu corpo.

— O que é isso agora, Yagami? Não me lembro de ter te visto tão interessado com meus meios de trabalho, muito menos com meu porte físico.

Lawliet o estudou com o olhar, Raito franziu o cenho confuso. Poucas coisas já faziam o detetive questionar tudo e há todos, era impressionante.

— São questionamentos naturais, a meu ver. Seu comportamento não é exatamente normal comparado ao das outras pessoas, se me entende.

O moreno contornou o lábio inferior com o dedão, concluindo:

— Oh, então é aí que entra sua preocupação, Raito? Quem está começando a se preocupar agora sou eu, acha que esse tempo todo fui visto como estranho perante as outras pessoas? — indagou com uma calmaria absurda, fazendo com que Raito risse de seu comentário recheado de sarcasmo.

— Eu não estaria tão surpreso se a resposta fosse sim — admitiu, parando de rir aos poucos enquanto tomava seu rumo para fora do quarto. — Vou me deitar. Tente descansar um pouco hein Ryuzaki.

— “O barulho da chuva e da movimentação no andar de cima me tirara à concentração” — L repetiu mentalmente assim que Yagami se retirou para seu aposento. — Como é possível alguém estar na área de cima se boa parte dela está restrita?

❀❀❀

— Uki, acha que Ryuzaki me deixaria ajudar com a investigação? — Misa perguntou inocentemente enquanto fazia o caminho até a sala de controle ao lado da amiga.

— Pra ser sincera, acho difícil que você o convença. Você sabe como ele é — levantou a sobrancelha.

A loira fez bico.

— Mas eu acho que eu poderia fazer alguma coisa, assim Raito teria mais tempo livre e poderíamos ficar juntos. — disse empolgada.

— É... Mas mesmo que isso acontecesse, Ryuzaki não deixaria vocês ficarem sozinhos. E você não entende nada de investigações, não é mesmo?

Misa revirou os olhos, soltando uma exclamação de frustração.

— Não deve ser tão difícil!

— Mas na verdade é — corrigiu, rindo baixo. — Só porque você já assistiu algum romance policial, não quer dizer que entenda tudo sobre essas coisas. E além disso...

— O que foi?

Tsuki parou na frente de Amane, encarando-lhe.

— É só um pedido, não estou te obrigando a nada — garantiu. — Tente reparar mais em Tatsuo, pelo o que vejo, não me resta dúvidas que ele goste de você, mesmo que ainda não tenha se declarado ou algo assim. Tente tirar Raito de foco por um tempo.

Misa pareceu confusa pelos primeiros minutos, mas balançou a cabeça negativamente, abrindo um sorriso amigável, o qual buscava acalmar sua amiga.

— Tatsuo é um ótimo amigo, eu o adoro. Mas você sabe que quem eu amo é o Raito.

— Espero que você possa mudar de opinião um dia. — confessou, voltando a andar acompanhada de Misa.

— Uki, veja! — a loira disse empolgada, olhando para uma caixa de música que estava em uma mesinha próxima a uma das salas de lazer. — Parece com uma que eu tinha na infância, lembra?

— Como eu poderia esquecer? — falou mostrando interesse, apesar de ter achado estranho encontrar um material do tipo no QG. — Foi por causa daquela caixinha que a gente se falou pela primeira vez. — riu baixo.

— É verdade! Lembro que tinha um lugar no parque que eu sempre via você sozinha, nunca ficava com as outras crianças. — Misa relembrava, parecendo contente. — Um dia eu deixei a caixa de música que eu tinha ganhado de minha mãe no banco, e quando voltei você estava lá escutando a música. — sorriu para a amiga.

— Eu me lembro... Eu achava a música linda, mas quando te vi fiquei totalmente sem jeito naquela hora. Da infância até a adolescência eu sempre fui meio isolada — deu de ombros. — Nem sei se isso mudou tanto... — falou encarando o chão, mas Misa que não queria deixar o assunto melancólico, logo voltou a falar:

— Mas foi naquele dia que eu marquei de te ver no parque há tarde, e mesmo a gente sendo super diferentes, nos tornamos amigas. — riu baixo. — E quando nos conhecemos eu te chamei de “Uki” por ter pronunciado seu nome errado, mas eu acabei gostando de te chamar assim, é um apelido único, apesar dos meninos ficarem me copiando sabe? Até o Ryuzaki já te...

— É... — interrompeu, tentando não parecer grosseira. — Eu gosto muito de lembrar como conheci as pessoas, às vezes até avalio as mudanças que ela teve com o passar do tempo, e acho que nossa amizade só fez evoluir, você foi uma ótima amiga Misa, eu provavelmente viveria muito solitária se não tivesse te encontrado. Obrigada por tudo. Mas... Achei estranho ter encontrado isso aqui. É extremamente similar ao que você tinha na época, e não acho que Ryuzaki ou Watari saibam dessa parte da nossa história pra comprar isso. Ou talvez eu só esteja criando novas paranóias e me tornando uma “versão” feminina do Ryuzaki... Caramba!

Misa suspirou, pegando no braço direito da garota e puxando-a pelo corredor.

— Esquece isso, Uki. É só uma coincidência, e se você reparar nem é tão parecido assim vai.

— Você deve ter razão. — sorriu tentando passar calma.

❀❀❀

♫ Daughter — Medicine ♫

— Raito, o que é isso? — Misa perguntava, desorganizando os papeis dos quais Yagami teve tanto trabalho para organizar.

— Misa, eu tive trabalho pra separar isso! — protestou, pegando da mão da loira e colocando em seu devido lugar. — Não fale comigo agora, estou ocupado.

— Mas Raito... — a garota insistia.

— Esses dois não têm jeito. — Tsuki comentou rindo ao lado de L, enquanto observava a “discussão” dos dois do outro lado da sala. Desviou o olhar para Lawliet, ele parecia concentrado, mas não achou que iria atrapalhá-lo se o fizesse uma simples pergunta. — Ryuzaki... O que você diria sobre Beyond Birthday?

Ele parou por um momento, erguendo as sobrancelhas com uma expressão de surpresa e curiosidade. Já fazia tempo que não ouvia aquele nome ser pronunciado.

— Por que essa pergunta agora? — seus olhos fitaram a fundo o rosto de Tsuki, mais precisamente, seu olhar misterioso.

— Nada de mais, apenas curiosidade. Confesso que às vezes me questiono sobre o que o aconteceu com ele — contornou. — E então? Poderia me responder?

— BB... — olhou para o teto por um instante, parecendo recolher algo de suas memórias. — Invejoso, egoísta, nada confiável, manipulador e perspicaz. Após alguns anos o analisando, esse seria o melhor resumo. — afirmou.

Ela pareceu levemente surpresa. Do tempo em que conviveu com Beyond, mesmo sabendo do que ele era capaz, nunca percebeu nada suspeito, então provavelmente tudo correu a favor dele. A época em que ele e Lawliet viveram juntos deve ter sido extremamente difícil.

— Talvez ele não seja tão ruim...

— Não se engane, Beyond é traiçoeiro. Ele será pra você o que você quiser que ele seja, mas apenas para conseguir o que quer. O que ele é de verdade está longe de ser agradável. — olhou para alguns papéis, parando pra ler por um momento antes de voltar a falar: — Não pense muito nele, já tivemos conversas do tipo.

Tsuki assentiu, percebendo o olhar atento do investigador antes dele ir até Raito comentar sobre algo que ela não chegou a ouvir. Sentindo-se um pouco entediada por não ter nenhum papel importante nessa investigação (o que não era favorável pra ela que tentava descobrir mais e mais a todo instante) olhou para a tela do computador de L, que tinha como papel de parede seu próprio pseudônimo. Sem mais nem menos, uma mensagem surgiu na tela de um remetente anônimo, cuja mensagem dizia: “Está na hora de escolher um lado a seguir”.

Seu semblante foi do neutro para o confuso em questões de segundos.

— Ryuzaki — ela o chamou. — Acho que essa mensagem é pra você.

L pareceu surpreso e veio na mesma hora ver do que se tratara, mas a mensagem já havia sido apagada mesmo depois dele checar a entrada.

— Tem certeza que viu algo? — indagou confuso.

— Tenho, apareceu agora e sumiu na mesma velocidade!

— Pode ter sido algum vírus. — Raito entrou no meio. — Ryuzaki, acha possível que algum hacker tenha invadido seu computador?

— É quase impossível, eu diria. Até hoje nem os melhores hackers do mundo conseguiram ter acesso a qualquer tecnologia que tenho ao meu alcance. Mas tomarei algumas medidas de segurança, não se preocupem. Não deve ser nada de mais, irei falar com Watari depois.

— Certo... — disse encolhida.

— Tsuki, Misa, acho melhor vocês irem deitar. Eu e Raito ainda temos um trabalho pra ser pronto, mas logo também estaremos liberados por hoje.

— Em outras palavras está nos expulsando! — Misa protestou com uma cara brava.

— Caso você fizesse algo produtivo eu a deixaria continuar nessa sala, mas como não é o caso, sim Amane. Agora se retire, por favor.

— Escuta aqui seu...

— Misa, não começa! — Raito interrompeu. — Não vê que está nos atrapalhando?

Tsuki não gostava nada do tom que ele usava quando se alterava com Misa, ela deixava óbvio que se sentia rebaixada sempre que ele fazia isso. Colocou a mão sobre o ombro dela, sorrindo de leve para tranqüilizá-la.

— Vem, se eles terminarem, amanhã é possível que tenham um pouco mais de tempo livro.

— É mesmo? — Amane pareceu mais animada. — Então tá! Boa noite Raito. — depositou um beijo na bochecha do garoto, que limpou assim que ela se afastou. Antes de saírem da sala, ela mostrou a língua para L, que pareceu não dar à mínima.

Acompanhou Misa até seu quarto e logo depois tomou rumo para o seu. Mesmo sem ter feito nada cansativo, estava indisposta fisicamente e seu cérebro também necessitava de um descanso, invejava L por ter uma mente tão ativa em boa parte do tempo. O sentimento que tinha sobre isso na verdade era orgulho. Ele era capaz de coisas grandiosas.

Estava adentrando o cômodo quando sentiu seu braço ser puxado e uma mão tapar sua boca. Arregalou os olhos, tentando se virar parar ver algo ou simplesmente se soltar do modo mais rápido que encontrasse.

— Shh... — escutou o sujeito sussurrar próximo ao seu ouvido, e mesmo sem ter a visão de seu rosto, tinha certeza que havia um sorriso em seus lábios na situação atual.

— M-Me solta! — tentava resmungar sem muito sucesso.

— Quanto tempo, não? — apertou firmemente seus braços, virando-a abruptamente e encostando-a contra a porta. Ela estava prestes a exclamar em surpresa, mas ele voltou a tapar sua boca. — Nada de fazer escândalo aqui.

— Você... Como? O que faz aqui? — sussurrou tentando se soltar, mas ele prendia seu pulso fortemente, obrigando-a a encará-lo. Há quanto tempo não via tão de perto aqueles olhos carmesins?

Ele sorriu de lado, extremamente sutil.

— Pelo o que me lembro seu raciocínio já foi mais rápido — falou com seu típico charme desordeiro, apesar de algo nele estar diferente. Extremamente diferente... — Não me agradeceu pelo presente que a deixei — arqueou a sobrancelha, fitando seu rosto com os olhos estreitos e analisadores.

— Então foi você mesmo... — falava ainda incrédula. — Como está vivo? Você é imune ao Death Note, não é? É a única explicação... Mas... Como passou sua expectativa de vida pra mim se não morreu?

— Você faz muitas perguntas — resmungou, parecendo se divertir com a curiosidade da mesma.

— Pare com isso! Veja quanto tempo não nos vemos, eu achei que você estava morto! O que quer que eu faça? Que fique quieta e aja naturalmente como você está fazendo?

— É, pode ser. Isso funciona comigo — parou para ouvir se havia alguma movimentação no corredor na hora em que conversavam. Fitou seus olhos erguendo seu queixo com a mão direita, enquanto com o dedão acariciava sua pele com o sorriso mais venenoso possível. — Quero que venha comigo. Se aceitar de bom grado, responderei todas as perguntas que estão rodeando sua mente. Mas aqui não é o melhor lugar para tratarmos desse assunto.

— Como assim ir com você? — indagou afastando a mão dele.

Tentava disfarçar, mas... Havia algo nesse Beyond que não a agradava. Seria esse o “verdadeiro eu" dele? Era quase impossível saber quando ele estava sendo sincero ou não. E pelo seu cinismo ainda mais forte do que ela se lembrava, era difícil ter uma idéia.

— Tenho tudo pronto para levá-la comigo. Não precisamos do auxílio de L para concluir a investigação, concorda?

O sorriso dele parecia mais brilhante e travesso cada vez que ela prestava atenção em seus lábios. Ele tinha um plano em mente, isso estava claro.

— Ficou louco?! Você deveria sair daqui. Sabe que sou grata pelo o que fez por mim, apesar de você ter me deixado completamente confusa com tudo isso que aconteceu. Mas não posso sair daqui, e se você não sair, o L irá...

— Irá o quê? Matar-me? Prender-me? O que de tão ruim ele é capaz de me fazer? — ironizou. — Você pode falar o que quiser Tsuki. Não muda o fato de que você acabará vindo comigo sem hesitar.

— O que te faz pensar isso? — fechou o cenho.

— Seu amado detetive morrerá mais cedo do que você está pensando. Já vi a expectativa de vida dele, a cada dia que passa está mais baixa e prestes a se esgotar.

— Está tentando me manipular!

Não podia... Não podia dar ouvidos a ele. L falou que ele era mentiroso e manipulador, não podia... Acreditar em nada que saísse por sua boca. Beyond pode ter sido seu amigo, ou fingido se fosse o caso, mas ele ainda preferia jogar sujo, e essa era sua natureza mais irreversível.

— Pode até ser, mas você sabe que não estou mentindo totalmente. Pense bem: Kira pretende voltar ao poder, correto? Para impedir que ele alcance seu objetivo, você precisa chegar ao caderno antes dele. E não será possível fazer isso nesse edifício monitorado tendo como prisioneiros e principais suspeitos sua amiga de infância e o coleguinha de escola que não foi exatamente um amor com você, levando em conta que já tentou tirar sua vida, mas graças ao gentleman aqui, você continua sã e salva — fez uma pausa dramática. Para ele, era apenas teatro, para ela, era preocupação, desespero, e lamentavelmente muitas verdades jogadas em sua cara. — Se você vier comigo, podemos vencê-lo. Podemos ter o caderno antes dele. Ele continuará com a vidinha medíocre dele por aqui.

— Não... Você está interessado no caderno para uso próprio. Sabe-se lá as coisas que você irá fazer se tê-lo em mãos... Pode se tornar tão mortal quanto Kira. Esse seu lado eu já conheço, você quer se sentir superior assim como ele queria.

— Ora, não me compare com um mimado como ele — mordeu o lábio inferior, divertindo-se. — Meus planos vão bem além disso, não se preocupe. Vai mesmo colocar a vida de seu amado em jogo? Quantas coisas que ele investiga não compartilha com você? Ele não confia em você para isso.

— Se eu fugir será ainda pior! Serei vista como culpada, e posso ainda acabar me passando pelo segundo Kira.

— Se o L já a analisou, só irá considerar você ser o segundo Kira por volta dos 5%, por isso você tem que dar uma prova de verdade para ele que você realmente é a culpada.

— Que idéia é essa? — se afastava sem entender nada.

— Tsuki... Não faça com que eu me sinta decepcionado após ter colocado tanta expectativa em seu intelecto. Pense um pouco, vamos!

Suspirou, inquieta.

— Se a equipe de investigação achar que sou o segundo Kira e descobrir que estou como foragida, irão atrás de mim e tirarão todo o foco do grupo Yotsuba...

— Sim. Obviamente, L não é inútil ao ponto de fazer o mesmo. Ele perceberá que você está armando uma tática. O máximo que irá acontecer, é ele sair de coração partido pela mulher em quem ele confiou ser nada mais nada menos do que um dos principais culpados — riu pensando nessa possibilidade. — Mas se estiverem atrás de você, você poderá chegar até a Yotsuba.

— Porque se focarem na Yotsuba qualquer aproximação minha com um dos membros será suspeita, e como o caderno está com um dos membros da Yotsuba, eu jamais poderia me aproximar dele se os agentes continuassem monitorando.

— Exato. O risco será o mesmo se estiverem atrás de você, mas como segundo Kira, você chegará até o “atual” Kira em um estalar de dedos e ganhará a confiança dele.

— E posso conseguir uma confissão de que ele é o Kira e entregar para a polícia.

— Não. Pare de pensar em ajudar a investigação do L. Se quiser salvá-lo, terá que ser do jeito sujo. Você precisa da arma do Kira. Sem ela, ele não matará o L. E mais importante, sem o Death Note, nem Raito Yagami e nem Misa Amane serão assassinos ou se lembrarão disso. Sem o caderno, L jamais irá concluir esse caso, algo que eu sempre quis ver acontecer.

— Então é isso... Quer brincar com L? Com o caderno, irá brincar com a vida das pessoas e fazer quantos “Kiras” você quiser, e pra ele será uma busca sem fim, porque o poder do caderno pode passar de você pra mim ou pra qualquer outra pessoa. Sua intenção é essa?

— Não necessariamente — seu sorriso passou de sedutor para sombrio, estendendo sua mão para ela. — Sua decisão deve ser tomada agora. O que prefere: ser amada pelo L morto ou odiada pelo L vivo? Eu sei que você fará qualquer coisa para impedir a morte dele. Não negue que está disposta a se tornar a inimiga dele se isso for salvar sua vida.

— Não posso... Eu... — gaguejava, tremendo. — Prometi a mim mesma que terminaria isso ao lado dele. Não quero que ele... Mas eu...

— É a única forma.

“Como posso me despedir dele depois de tudo isso? Ele não irá me perdoar...”

— Venha. — segurou sua mão. — Despedidas são sempre muito difíceis, é melhor quando elas não existem.

— Beyond... Isso vai mesmo impedir a morte dele?

— Você pode não confiar em mim, mas sabe que eu jamais iria subestimar sua inteligência a tal ponto, Tsuki. Dou minha palavra que se fizer isso, L viverá e Misa também terá a chance de viver como se nunca tivesse sido o segundo Kira. E então? Você é capaz de tudo pelas pessoas que ama?

— L... Misa... Eu fiz muito por vocês até aqui, e agora não será diferente. Mesmo que seja necessário ser odiada por eles, para poder salvá-los, estou disposta a correr o risco.