Notas iniciais
▲ COLOQUEI ESSA FOTINHA NO CAPÍTULO PORQUE ACHO ESSA FANART UM AMORZINHO ▲ GENTE, SOBRE EU TER FICADO MESES SEM ATUALIZAR ISSO AQUI: UM MONSTRO COMO EU MERECE PERDÃO????????????????????????????///////////////// MEU DEUS SE VOCÊS ME APEDREJAREM EU ATÉ ENTENDO, PORQUE NOOOOOOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSA Olha, acho que foi uma sacanagem tão grande da minha parte ter deixado isso aqui, juro que não foi por querer, então me desculpem de coração, fazia tempo que não tinha inspiração! Se bem que acho que desculpas não adiantam tanto, então é o seguinte: o próximo capítulo será bem grandinho pra compensar o tempo perdido, e não sei se vocês irão gostar, mas deixarei vários flashbacks do L e do Bey (em alguns deles, o Near e o Mello poderão aparecer, já avisando), além de ter bastante ação. VAMOS QUE VAMOS RECUPERAR ESSE TEMPO PERDIDO q. ▲ Eu não sei se esse capítulo ficou tão lixo quanto eu penso que ele ficou porque eu ando muito insegura, nossa senhora. Só sei que tudo irá se esclarecer no próximo (eu sempre faço isso, vamos fazer o quê né, se eu for deixar todas as teorias em um único capítulo fica por volta de 6.000 de tanto que eu falo q). Mas independente de como tenha ficado, comentem, se estiver ruim posso melhorar, se estiver bom, posso tentar melhorar ainda mais QQQQQ. Enfim, espero que gostem beijão E DESCULPA A DEMORA >>>DE NOVO

CINCO ANOS ATRÁS — WAMMY'S HOUSE

Birthday folheava um entre tantos livros de medicina que já absorvera naquela tarde. Mais precisamente, estudando sobre a anatomia, já que na época havia começado a estudar medicina há pouco tempo, e mesmo que seja um tema simples, é o básico para se entrar nesses estudos.

O corpo humano era fascinante. Cada pequena parte do corpo tinha uma função e reagiria de maneira diferente a qualquer toque ou pressão imposta. O olho humano, por exemplo, de sua íris ao músculo ciliar, possui uma dádiva por si só; ser um órgão da visão capaz de presenciar coisas incríveis, e até mesmo assustadoras. Se as pessoas parassem para estudarem a si mesmas, perceberiam o quão fantásticas eram. O detalhe em cada olho humano muda de uma pessoa para a outra, tanto sua anatomia, quanto o lado emocional, visto que cada um esconde por trás do olhar uma grande carga pesada que pode variar de tristeza para alegria, ou raiva para angústia. Não que o resto do corpo não acompanhasse esse envolvimento também, mas os olhos eram os mais notáveis.

Raiva. Provavelmente as orbes vermelhas de Beyond Birthday se encaixavam nessa categoria. Mas quase não era visível. Seu olhar era simplesmente perdido, sem brilho, sem decifração. Até porque, embora seu corpo correspondesse ao mesmo dos livros que estudava, a utilidade de seus olhos não era como dos outros humanos. E ele nunca sequer soube o porquê, até os dias atuais, isto é.

— Ryuzaki, você foi fantástico — Quillsh elogiava, andando ao lado do jovem curvado e de aparência relaxada. — Você foi o melhor no debate de direito penal! Garanto que os demais alunos estão bem impressionados. Mas eu não me surpreendo mais com suas capacidades, você têm se desenvolvido muito bem nos últimos meses, cada vez se destacando mais pelo gênio que és. Meus parabéns.

— Obrigado. Embora não ache que tenha feito grande coisa — respondeu calmamente, como sempre, apenas observando os movimentos faciais do velho senhor.

Ele era modesto, além de tudo.

— Bem, tenho que ir a uma reunião. Você precisa de algo? — o homem perguntou educadamente, ajeitando seu terno em frente ao mais novo.

— Não, eu estou bem. Obrigado de qualquer modo — coçou a nuca. — Quillsh, ainda desejo trabalhar fora daqui usando meu “alter ego”, mas até agora você não me deu uma resposta segura sobre minha sugestão em pegar aqueles casos que citei. Tenho certeza que com minha ajuda a polícia chegaria a um resultado bem mais rápido.

Quillsh suspirou.

— Acho que você ainda é muito jovem para arcar com tantas responsabilidades, Ryuzaki. Mas se quer tanto isso... Está bem, irei programar o quanto antes, se continuar se mostrando um superdotado tão talentoso por aqui.

Ryuzaki abriu um sorriso quase imperceptível.

— Obrigado, senhor. Garanto que não irei decepcioná-lo.

— É o que espero — virou-se, cumprimentando-o. — Estou indo. Cuide-se, Ryuzaki.

— Vejo que já ganhou a confiança do velho, meus parabéns, Ryuzaki-kun — Beyond puxou conversa assim que Quillsh saiu, encostando-se na parede do corredor onde mantinha seus olhos bem fixos ao livro que tinha em mão, que a essa altura estava em suas últimas páginas.

— É, creio que sim — respondeu seco. Estava acostumado com as provocações de BB, mas nem por isso o daria atenção.

— Você é impressionante — ele falou, fazendo Ryuzaki encará-lo por um segundo. — Seu cérebro funciona na velocidade de um raio. Independe da matéria que você comece, independente se você gosta de estudá-la ou não, você se sobressai entre todos da turma. Eu o invejo, sabia? — riu baixo, com um ar sarcástico, embora não fosse necessariamente mentira o que acabara de dizer.

— É mesmo? Diz isso, mas não é um aluno tão ruim quanto aparenta — retrucou. — Na verdade, você teria um futuro promissor, se pensasse em trabalhar ao meu lado, e não contra mim.

— Trabalhar com você não seria tão atrativo — sorriu levemente. — O bom é a disputa, a batalha intelectual. Não acha? Desde que cheguei aqui, estive te observando. É bom ter um inimigo a minha altura.

— Se você diz — falou desinteressado, virando-se de costas para o rapaz, com o intuito de ir até a cozinha e roubar mais um pedaço de bolo, como sempre.

— Mais uma coisa, Ryuzaki: — Beyond continuou, fazendo com que o outro virasse seu rosto para o lado, encarando-o pelo o olho esquerdo. — Daqui a alguns anos você morrerá, aproveite bem seu tempo até lá. Ou na melhor das hipóteses: dure o quanto puder nesse mundo. Seria muito desagradável para mim aceitar que alguém planejou sua morte... Principalmente se esse alguém não for eu.

❀❀❀

Não havia completado sequer uma semana desde que fugiu com Beyond, e assim como pensou, os investigadores a procuravam a todo fervor. L provavelmente deveria estar se questionando quem a fez fugir, logo quando ele estava tendo um bom progresso em sua investigação. Realmente, o lado emocional dele, que ele quase não transmite, deve ter se transformado em uma montanha-russa desde que entrou no caso Kira; quando finalmente parecia ter concluído, despencava sem nenhum aviso prévio.

Tsuki ajeitou o boné em sua cabeça, olhando para as roupas tão diferentes que tinha em seu corpo; enquanto a calça jeans clara era bem apertada, a camisa, a qual era de Beyond, era enorme em seu corpo magro e pequeno. Mas, não esperava que fosse usar as mesmas roupas depois que saiu do edifício, e nem estava tão preocupada com isso, havia muitas outras pendências que a deixariam sem dormir aquela noite. Teria que manter um disfarce, até mesmo seu cabelo chegaria um momento que seria obrigada a cortar, ou até mesmo a modificar a cor.

Quanto à aproximação que gostaria de ter com o grupo Yotsuba: estava lenta. Bem lenta. L havia colocado vários vigias no prédio, câmeras, e todo material que fosse preciso para uma única mosca ser captada por ele. Não era novidade vindo dele, mas claro que pra tudo dar certo com o plano que desenvolveu com Beyond — em quem não confiava plenamente a essa altura — teria que ter uma paciência que não estava encontrando ultimamente.

Beyond queria quase mais que ela encontrar o Death Note, era claro que ele usaria o caderno de maneira egoísta, sabe-se lá o que ele faria se o encontrasse. Era por isso que tinha que tomar cuidado com cada passo em falso que desse, ele era tão argiloso quanto L nesse quesito; quando alguém avançava uma casa, eles avançavam seis adiante.

Tsuki se perguntava o quão intrigado L estava. O quão brava Misa ficou. Como Raito deve estar perdido. E como os outros policias encaminhavam suas investigações pra cima dela...

— Sou péssima... Depois de tudo, só soube trabalhar com o inimigo de L — sussurrou passando a mão por seu rosto.

— Não seja tão negativa — Beyond comentou entrando na sala pouco iluminada, carregando uma sacola com pães do dia anterior e outros suprimentos. — Quero mostrá-la o que encontrei no ponto de ônibus do outro lado da cidade — sorriu de lado.

— Uh?

Beyond tirou um papel da sacola e segurou o cartaz, o qual não só tinha a foto de Tsuki, como a citava como desaparecida.

— “Procura-se” — leu pausadamente. — O que significa isso...?

— Pelo o que parece, seus antigos colegas de faculdade tentaram entrar em contato com você já faz meses. Preocupados, espalharam cartazes de procura. Sinceramente, teremos que tomar ainda mais cuidado pra você não ser reconhecida na rua — suspirou. — Detesto esse tipo de imprevisto, mas acho que não têm muito que fazer.

— Eles ficaram preocupados comigo... — sequer pensava que eles se importavam, muitos deles nem pareciam saber de sua existência. Mas pensando bem, sim, fazia tanto tempo que não teve contato com algum deles, até mesmo antes de ter sido levada por L pra passar por interrogatório. Pensando nisso, sorriu de lado minimamente. — É bom saber que algumas pessoas sentiram minha falta... Mas acho que continuarão sentindo, não posso entrar em contato com nenhum deles — acolheu-se no sofá, abraçando seu corpo.

— Não, não pode mesmo.

— Mas tem uma pessoa que eu gostaria de encontrar... Tenho certeza que ele iria me dar informações sobre Misa e L, mesmo que não saiba nem 1/3 do que acontece naquele edifício. E outra: tenho certeza também, que ele não iria falar que me viu ou que liguei pra ele, se eu pedisse.

— Não gosto nada dessa ideia — falou seriamente. — Independente do quanto ache que pode confiar em alguém, isso não é garantia alguma de que ele não colocará tudo a perder.

— Sei disso. Mas é um risco, não? Um risco entre tantos que estamos correndo aqui. Só de respirarmos já nos tomarmos um perigo, Beyond Birthday. Somos procurados.

BB esticou as mãos, estalando os dedos enquanto a encarava com uma expressão indecifrável e olhar mórbido.

— E quem seria o sujeito?

— Tatsuo. O quase namoradinho de Misa.

— Não. Nada disso. Essa é uma ideia imprudente — constatou, analítico.

— Beyond, sei que não gosta da ideia, mas considere isso uma estratégia minha e não sua.

— Se está trabalhando comigo, um deslize seu torna-se um meu também, e não estou disposto a tolerar isso, deixei claro desde o começo. Tudo ocorrerá como eu planejei, você pode agir por fora, mas não quando isso me envolve.

— Sei que não confia tanto em mim pra isso, mas ao menos tente me deixar cuidar dessa situação — pediu, cruzando os dedos. — Apenas uma tentativa. Se eu falhar, encerrarei esse assunto definitivamente.

— O garoto não está por dentro da investigação, o contato que ele deve ter com Ryuzaki ou Misa é completamente restrito e limitado, o que me leva a crer que você está apenas querendo saber mais sobre o bem estar de ambos, e não sobre as estratégias profissionais — estreitou o olhar.

— Também, não vou negar. Mas isso será benéfico, de alguma maneira... Estou sentindo isso.

O homem de olhos vermelhos passava os dedos por seu queixo, pensativo.

— Você terá apenas UMA chance de fazer isso acontecer. Se for tentar chegar até ele, por ligação ou não, que seja em um lugar deserto, você ainda está sendo procurada, tanto como culpada como desaparecida. E fuja na primeira oportunidade, não quero que isso seja uma oportunidade para L nos rastrear.

— Certo. Obrigada, Beyond!

— Hum... Espero mais do que nunca que isso não seja perda de tempo, e que sua intuição esteja correta.

— Eu também...

❀❀❀

— Chefe, isso é loucura! A Tsuki não é culpada, muito menos o Segundo Kira... Tem que ter uma explicação pra isso. Mas enquanto estamos perdendo tempo procurando ela, a Yotsuba pode estar agindo pelas nossas costas — Matsuda disparava palavras.

— Matsuda, ela não teria fugido se não temesse algo — Soichiro rebateu educadamente, ajeitando os óculos, com uma expressão de desagrado. Não queria estar fazendo isso... Mesmo não sendo tão próximo daquela menina, conseguia vê-la como sua filha as vezes. Porém, ela ainda era suspeita, e ele deveria manter o lado profissional em primeiro lugar. — Ryuzaki, você conseguiu chegar a algum ponto? Tem alguma teoria sobre isso?

L virou seus olhos para o chefe Yagami, com as bochechas infladas com um doce que havia acabado de enfiar em sua boca. Dessa vez comia doce atrás de doce, mais por ansiedade do que por fome.

— Minha investigação quanto a isso é particular, já falei que estamos trabalhando em linhas opostas, senhor Yagami — respondeu com a boca cheia, engolindo o docinho em seguida e lambendo seus dedos freneticamente.

— Eu não consigo entender o motivo dela ter feito isso agora... — Raito começou, ao lado de Ryuzaki. — Ela teve infinitas chances em situações mais simples para elaborar uma fuga, mas justamente agora, no meio do avanço da investigação, ela simplesmente resolveu fugir? Isso não me desce, Ryuzaki — mordeu o lábio inferior. — E como ela passou pelo sistema de segurança? É quase impossível barrar o sistema do lado de dentro do edifício. O que leva a entender...

— Sim, não houve nenhuma quebra de segurança de algum membro aqui de dentro, a invasão foi feita por alguém do lado de fora — concluiu L.

— Foi o que pensei...

— Mas espera aí vocês dois — Matsuda interrompeu, confuso. — Isso quer dizer que a sequestraram, e não que ela fugiu! Não devíamos estar tentando ajudá-las?

— No quarto dela não há nenhum sinal de briga, ela não pareceu recuar em momento algum — Raito continuou. — Duvido bastante que tenha sido um sequestro, e mesmo que não fosse utilizado combate físico e ela fosse ameaçada, ela poderia disparar o alarme que tem em seu quarto como pedido de socorro. Além de que se o invasor tivesse com alguma arma, seja de fogo ou não, teríamos algum sinal em seu quarto. Nem arrombamento é visto.

— É, provavelmente — L concordou. — Já vasculhei o quarto, mas mesmo as pistas que encontrei, não me levam a Tsuki nesse momento. É por isso que não posso tê-la como prioridade agora. Ela ainda será investigada, não tenham dúvida. Mas com certeza a fuga dela foi um meio de tirar a atenção da Yotsuba, o que me faz pensar que, ela ou seu suposto sequestrador, irão tentar se infiltrar na empresa nos próximos dias ou se aproximar dos membros mais propensos a ser o Kira através de festas com os líderes das empresas menos afetadas no mercado desde essa onda de morte.

— Faz sentido, Ryuzaki. A intenção de fazer as suspeitas de Misa ser o Segundo Kira passarem para ela também é algo que a Tsuki faria, já que ela e Misa sempre tiveram um laço forte. Levar a culpa por Misa é algo que não seria impossível, também iria desviar nosso foco.

— Sim. Não descartei isso também, Raito — mordiscou seu dedão levemente. — Contudo, essa atitude não me agrada. Espero entender melhor o que ela planeja, porque até agora, tenho milhares de possibilidades do que ela pode tentar fazer. Eu não gostaria nem um pouco de tê-la como inimiga, e tenho certeza que ela pensa o mesmo sobre mim — falou por fim, fazendo os outros investigadores pararem por um momento, todos perdidos em seus pensamentos, se entreolhando. Embora no fundo, Lawliet fosse quem mais estava sendo desgastado com tudo aquilo.

Enquanto isso, Misa estava em seu quarto, pelo incrível que pareça, desanimada. Não estava com seu ar juvenil, saltitante e animada como sempre. Ela também estava sentindo falta de sua amiga, e irritada ao mesmo tempo por ela ter partido sem avisá-la, ou sem levá-la junto. Não podia aceitar tamanha traição. Esperava Tsuki aparecer e dar uma ótima explicação pra tudo aquilo...

— Senhorita Amane — Watari disse batendo na porta. — Tatsuo veio visitá-la, mais uma vez.

— Ah Watari, não estou animada para visitas... — resmungou colocando o travesseiro em seu rosto, com uma voz dengosa.

— Quer que eu peça para ele deixar recado?

— Diga a ele pra me ligar depois, quero ficar sozinha!

— Perfeitamente, senhorita — falou retirando-se até a portaria do prédio para dar o recado para o garoto. — Lamento meu jovem, Amane não está podendo receber visitas no momento. Ela pediu para que a ligasse mais tarde, se possível.

— Claro, eu entendo — o loiro falou, disfarçando o desapontamento. Já sabia que Misa estava se isolando, sentindo-se mal com os últimos acontecimentos. Gostaria de ficar por perto para ajudá-la, mas iria respeitar seu momento isolado. — Obrigado, Watari. Até logo — acenou, virando-se para atravessar a rua.

Já que não visitaria Misa, tratou de encontrar outra programação para aquele dia, visto que estava em um dia de folga e não teria trabalho ou estudos para se preocupar. Pegou um taxi e chegou até um ponto menos movimentado, perto de uma floresta. Quase ninguém ia até lá, mas ele conhecia ponta à ponta desde pequeno, havia até mesmo um parque na época que passeava por ali, mas foi um ambiente completamente esquecido. Realmente, as pessoas não apreciavam o ar puro da natureza, e sim a tecnologia e outros meios inovadores.

Havia tantas árvores, algumas ele marcava o tronco quando era pequeno, colocando um pequeno número em algarismo romano que em alguns casos estava ali até hoje. Eram marcas que talvez só eram identificadas por ele que sabia exatamente onde estava; em algumas árvores, quase no topo, onde ele escalava, em outras, mais em baixo, onde às vezes era coberto pelo mato e nem visto ao olho nu.

Depois que seu pai, um dos empresários em potencial, foi morto, Tatsuo resolveu recorrer a métodos antigos de conseguir dinheiro (ou nem tão antigos assim). Sua intenção ainda era reencontrar sua mãe e irmã, e há um tempo atrás, quando a morte de seu pai acabou sendo noticiada, sua mãe depois de tanto tempo entrou em contato e o deu ordens explicitas para chegar até o endereço que ela passou e desenterrar um baú que continha jóias valiosas passadas por gerações de sua família. Vendendo-as, seria o suficiente para tirá-lo da crise financeira que estava passando, e até mesmo a encontrá-la. Não era momento para se apegar a bens materiais, mesmo passados por tantos parentes até chegar a sua geração.

Não tinha certeza se era o local certo para cavar, mas encontrou a pá que havia deixado lá um dia antes, quando já quis deixar tudo pronto mas pela falta de tempo não teve como iniciar sua busca.

Começou a cavar, com calma, mas às vezes revezava entre movimentos rápidos e lentos. Estava acostumado a colocar a mão na massa, por assim dizer, mas estava ansioso para encontrar logo. Na verdade não sabia se iria viajar para onde quer que sua mãe esteja, já que não gostaria de deixar a Misa sozinha ali, mas o dinheiro iria ajudar bastante a ter um contato breve com ela.

No testamento de seu pai, não foi citado uma misera vez. E sinceramente, não fazia tanta questão. Aquele homem já havia desgraçado sua vida não era de hoje, e até mesmo depois de morrer ele foi capaz de complicar as coisas. Não queria nada dele, nem mesmo seu dinheiro ganho de maneira tão suja e desleal.

Sentiu a pá pressionar alguma coisa, sorrindo por ter finalmente achado algo, desenterrando um baú por completo e trazendo-o para fora do buraco feito. Estava muito bem fechado, e teve que quebrar a abertura para destrancá-lo. Logo de cara, encontrou algo embrulhado, tirando o embrulho, encontrou uma caixa azul que ficou encarando por alguns segundos por curiosidade. Quando estava prestes a abri-la, seu celular tocou, assustando-o.

Pegou o aparelho, suspirando após o susto feito.

— Alô?

— Tatsuo?

— É, sou eu — respondeu estranhando aquela voz feminina, apesar dela parecer bem familiar... — Quem fala?

— Você está sozinho?

— O quê? — perguntou. O sinal ali estava horrível.

— Perguntei se está sozinho.

— Para alguém que me liga sem revelar a identidade e em um número desconhecido, acho que não pode exigir esse tipo de informação, sabia? — cerrou o olhar, desconfiado.

— Tatsuo... Sou eu, Tsuki. Eu tinha decorado seu número, através da Misa. Precisava te ligar...

— T-Tsuki?! — arregalou os olhos. — Onde você está? O que aconteceu? A Misa está desesperada querendo saber notícias suas! Você está bem? Está correndo perigo?

— Tatsuo... Preciso que me ajude. Por favor, não diga nada a Misa ou Ryuzaki.

— Ao Ryuzaki eu não diria mesmo, não somos próximos e ele nem parece ser tão fã meu — ironizou, sentando-se no chão e se acalmando aos poucos. — Você fugiu, Tsuki? Olhe, se quer minha ajuda, preciso de mais informações — abriu a caixa, enquanto ouvia ela argumentar um tanto sem jeito.

— Eu não posso entrar em detalhes... Eu juro que na hora certa você irá saber...

— Eu já disse. Não posso fazer muito por você se eu não... — parou de falar do nada, fazendo Tsuki fechar o cenho, intrigada.

— Tatsuo? Você está aí?

Depois de alguns minutos em transe, ele voltou para si, mexendo a cabeça.

— Hã? Ah, sim, estou...

— O que houve?

— Eu acho que... Encontrei uma coisa — disse pegando o caderno de capa negra, o qual tinha um título com caligrafia vulgar, escrito “Death Note” com tinta branca.