Lost In Paradise

9 Lembranças


Era muita coisa para absorver. Será que as informações dele eram seguras? Ele até mesmo afirmou que L, o detetive L, estudou com ele em seu antigo orfanato. Primeiro disse que causou aqueles assassinatos em Los Angeles, agora afirma ter estudado com um detetive de fama mundial? Ou ele era muito mentiroso, ou muito burro por estar revelando tudo aquilo. Quais poderiam se suas intenções?

— Isso é tudo é muito absurdo. Você estudou... Com L? O verdadeiro L?

— Sim. É mais delicado que isso — estralou seus dedos, distraído. — Depois que ele começou a trabalhar como detetive e foi reconhecido como o melhor... O orfanato passou a ter o objetivo de criar sucessores a ele. Todos por lá começaram a ter treinamento intensivo, e os superdotados não puderam mais ser adotados, vivendo para o único objetivo egoísta de ser um sucessor ao seu tão admirado, detetive L. — encarou. — Mesmo não se lembrando de A, posso dizer que aquilo foi muita pressão pra ele, que estava em primeiro lugar na lista de possíveis sucessores. Ele se suicidou. — era meio cruel acreditar que L colocaria tanta pressão em crianças assim. Claro que não estava acreditando cegamente no que Beyond dizia, mas... Por que ele inventaria essas coisas? Ele foi até ali pacificamente, não fazia idéia do que isso significava. — Tempo depois da morte de A, eu fugi do orfanato. Foi quando comecei minha série de assassinatos. Excitante, não? — novamente, a sátira estava presente em seu timbre.

— Totalmente — revirou os olhos. A ironia dele só podia ser rebatida com ironia. — Poderia continuar? E sem deboches, por favor.

Ele sorriu, virando seu rosto pra frente.

— Quando A estava vivo, ele foi um colega nosso, como eu já havia dito. No dia que ocorreu seu acidente, você tinha discutido com A... E...

— E?

— Essa é uma parte da história que eu também não cheguei a explicar. Os meus olhos são capazes de ver a expectativa de vida das pessoas, assim como consegui ver aquele shinigami. Eu consigo olhar para alguém e saber quando essa pessoa morrerá — a menina sacudiu os ombros afastando o arrepio que havia sentido ouvindo aquilo. Ele conseguia mesmo ver Remu... Então não tinha como não acreditar no que ele dizia, mesmo com tantas coisas loucas saindo de sua boca. — No dia dessa discussão, eu vi seu tempo de vida diminuir ligeiramente assim que resolveu voltar pra casa sozinha. Você não queria falar comigo, então tive que te seguir de longe, queria ver se iria mesmo acontecer. A rua estava vazia e escura quando um carro desgovernado cruzou a esquina, o motorista estava completamente bêbado, e não parou o carro mesmo quando te viu. Eu consegui empurrá-la antes de acertá-la em cheio, porém, você ainda saiu bem ferida. Naquela hora realmente pensei que estivesse morta.

— Você estava me... Seguindo? Isso me lembra o meu sonh...

— Seu sonho, eu sei. Eu li tudo a respeito. — a cortou, deixando-a ainda mais deslocada. — Não são necessariamente... Sonhos. Acredito que sejam algumas lembranças, as poucas que você se lembrou desde que apagou naquela rua deserta. Eu não imaginei que fosse conseguir evitar sua morte, eu não consegui fazer isso nem mesmo com minha própria mãe quando eu era pequeno.

— Beyond... Eu... Isso tudo é muito difícil de acreditar... Eu preciso pensar nisso.

Levantou-se, caminhando até ela que estava tão perdida em seus pensamentos que não tentou nem se afastar dele dessa vez. Aquilo tudo era tão surreal... O estranho era, que ao ouvi-lo falar, ela conseguia se lembrar de flashbacks rápidos que passavam como filmes em sua mente. Seu cérebro parecia que ia explodir a qualquer hora.

— Isso tudo deve ser demais pra sua cabecinha... — colocou a mão direita no topo da cabeça da garota que por sinal, era bem baixinha comparada a ele. — Acredita em mim agora?

— Depende. — levantou o olhar para ele. — Me explica primeiro como você está vivo. Se você afirma ser o BB, e admite tão facilmente que cometeu assassinatos, como Kira ainda não o puniu? Seu nome já foi noticiado que eu sei. E como me encontrou?

— Ah, Kira... Já tinha até me esquecido desse justiceiro medíocre — riu baixo. — Não se preocupe, sei me cuidar. Julgando pelo seu jeito pacífico, imagino que não queira saber da minha jornada... Sangrenta, para conseguir fugir da minha cela. Mas te darei um palpite útil. Eu cuidei de tudo pessoalmente, apaguei meus dados que poderiam ser publicados para atrasar o trabalho deles, e hackeei os computadores de alguns policiais que trabalharam no meu caso trocando meu nome por de outro preso. Kira precisa de um nome e um rosto para matar, claro que você já deve ter deduzido isso a essa altura — suspirou. — E te encontrar foi a parte mais fácil, querida. Só precisei ligar informações... Reunir informações dos colégios que estudou... Checar suas redes sociais...

— Investigou minha vida inteira, em outras palavras. — se afastou enraivecida. — Não posso dizer que acredito em você... Assim como não posso dizer que não acredito completamente. Eu tenho que pensar muito ainda. Mas não entendo o que possa querer comigo. Por que viria atrás de mim logo agora? Abra o jogo... Você não tem nada a perder, não é? — crispou os lábios, controlando sua ansiedade.

— Tem razão, não tenho nada a perder. — caminhou em volta da sala, como se estivesse olhando cada canto dela. — Preciso de um lugar para ficar, Maruyama.

— Sei... — cruzou os braços. — E com "um lugar", você quer dizer minha casa, estou certo?

— Certíssima.

— Não gostei de sua visita e não tenho motivos para deixá-lo ficar.

Ele voltou a rir baixo.

— Estou de bom humor, não irei obrigá-la a me aceitar aqui, já que mais cedo ou mais tarde, irei arrumar um esconderijo novo. — passou o dedo na mobília, como se estivesse a limpando de alguma sujeita que nem ela havia visto. — Pensei que estivesse contente por... Eu estar te contanto essas coisas — voltou a se aproximar dela, com as mãos nos bolsos laterais de sua blusa preta. A touca que cobria parte de sua cabeça havia caído conforme ele andava, revelando sua pele pálida e seus cabelos até o pescoço totalmente desalinhados. — Eu queria te ver de novo, sabia? — seu dedão passou pela bochecha direita dela, deslizando por seu rosto até chegar em seu queixo, que segurou delicadamente com a mão. O que ele estava querendo agora? — Você e L... Causam uma reação curiosa em mim. Uma reação bem negativa, porém, é interessante... E acredito que eu possa te ajudar a se lembrar de mais algumas coisas de seu passado. Não é lucro para nós dois?

Não era possível que estava considerando deixá-lo ficar... Talvez estivesse mesmo enlouquecendo. Não negaria que queria se lembrar mais sobre, mas talvez ele estivesse inventando tudo aquilo, e as idéias dele se infiltrando em sua mente como um paralisa. Mesmo assim... Ele a fez se recobrar de algumas coisas que fizeram bastante sentido. Principalmente a respeito daquele A... Lembrava-se de discutir com alguém brevemente no dia que sofreu um acidente, mas seria possível ser verdade? Depois de tudo o que ele disse, tinha muito o que se questionar, mas a questão era que nem tudo parecia uma completa ilusão.

Por que... Por que estava envolvida nisso tudo?

— Tudo bem... — sua voz saiu falha, mas não imperceptível para ele. — Mas você terá que se comportar, e não estou lhe deixando ficar aqui porque simpatizei com sua pessoa... Mas porque quero descobrir mais sobre A, sobre L, e... Sobre suas intenções. Sei que não veio aqui só para matar a saudade. — afastou a mão dele de seu rosto, que soltou um som estranho que parecia uma risada... Ou um suspiro cansado, não identificou bem.

— Obrigado. Sabia que você ia entender. — disse baixinho. — Vamos nos divertir tanto...

— Não fique tão entusiasmado. É temporário. — avisou, mas ele pareceu ignorar completamente.

Sua repentina aproximação do garoto fazia ela pensar no beijo de Raito, era difícil pensar no caso Kira enquanto se lembrava que beijou o principal suspeito e agora está deixando Beyond Birthday chegar mais perto de sua vida pessoal. Manter o foco sempre foi a especialidade de Tsuki, mas no meio daquela confusão se perguntava se era mesmo certo o que estava fazendo, e se alguém em seu lugar tomaria um curso diferente. De certa forma, percebia que mesmo se não tivesse se envolvido no caso Kira, iria acabar se aproximando de L quando menos esperara, e que mesmo se não quisesse, acabaria no meio desse jogo. Parecia que dentro dela havia fogos de artifício explodindo um por um em um caos nada harmônico em meio a tantas revelações.

— Tsuki... — Beyond se virou para ela.

— Sim? — o que ele estava querendo agora?

— Tem geleia de morango?

— Acho que sim... Mas não fique tão acostumado, não estou aqui para mimar você. — ele ergueu as sobrancelhas para ela. — Vou pedir para Misa desocupar o quarto de hóspedes pra você. Você vai dizer que é meu primo... Pelo incrível que pareça, ela vai acreditar... Não vou dizer a verdade sobre você, ela vai ficar assustada — e talvez, tentar dar uma de Kira e puni-lo, e mesmo não dando certo, não queria nem pensar na tentativa.

— E o shinigami?

— Ele é confiável, e irá perceber que estou tentando esconder isso de Misa... Ele não me preocupa. Mas quero deixar claro que é pra ficar longe dela, e daqui a alguns dias, você vai dar o fora daqui. — ele ergueu as mãos, como forma de redenção. Parecia mais uma vez, estar zoando com sua cara, fazendo-a bufar. — Esteja avisado, Birthday.

{ ••• }

Os policias chegaram no horário marcado, entrando pela porta daquele quarto de hotel. Avistaram uma figura desleixada, a olhando de baixo à cima vagarosamente, demonstrando surpresa em seus olhares.

— Eu sou o L. — ele disse, tirando algumas exclamações de surpresa dos curiosos que o encaravam tão inquietamente.

Todos os policias pareciam surpresos, e muitos deles estavam em duvida se aquele seria mesmo o famoso detetive. Ele era jovem, magro e alto. Seus cabelos eram negros e seus olhos eram tão escuros quanto, logo abaixo de seus olhos revelava suas notáveis olheiras profundas, o que chamava ainda mais atenção em sua aparência descuidada. Ele trajava roupas confortáveis, usava uma calça jeans e uma camisa branca de mangas longas.

Soichiro, que percebeu seus colegas o encarando, resolveu quebrar o silêncio constrangedor que estavam formando em cima do rapaz.

— Eu sou Yagami, da Agência Nacional. — disse erguendo sua identidade.

— Sou Matsuda — o mais novo pronunciou ao seu lado, incentivando os outros a continuar as apresentações.

— Sou Aizawa.

— Mogi.

— Ukita.

L observava os policiais se apresentando, nenhum deles conseguia imaginar o que estava passando em sua cabeça.

— Lamento muito o atraso — o chefe voltou a dizer. — Atualmente estamos...

— Bang! — L o interrompeu abruptamente, simulando uma arma efetuando seu disparo com sua mão na direção do chefe Yagami.

Os policiais balançaram a cabeça, mais confusos que antes.

— Pera aí, o que foi isso? — perguntou Aizawa.

O estranho relaxou, explicando-se:

— Se eu fosse Kira você estaria morto senhor Soichiro Yagami, Chefe da Agência Nacional. — virou-se de lado. — Kira precisa de um rosto e de um nome pra cometer um assassinato, mas acho que vocês já descobriram isso, não é? Por favor, não deem seus nomes tão displicentemente. Ao invés disso, vamos valorizar nossas vidas.

Foi uma bronca e tanto. Uma bronca... Merecida.

— Sabia que ele precisava de um rosto pra matar mas não lembro de nenhuma evidência que mostre que ele também precise de um nome. — Matsuda comentou perto de seu chefe.

— Não há como verificar se tem relação, mas criminosos cujos nomes nunca foram divulgados ou cujos os nomes foram escritos errados na imprensa não foram atingidos, falamos disso rapidamente em uma de nossas reuniões...

— Chega de conversas por enquanto. — interrompeu L. — Venham por aqui.

— Ah sim, tá bom... — Matsuda concordou, caminhando em direção a onde L estava, observando-o sentado sobre a poltrona de um jeito... Curioso.

— Por favor desliguem seus celulares, palm tops, e outros aparelhos de comunicação e deixem naquela mesa ali. — disse apontando para a mesinha perto da porta que dava pra sala onde se encontrara.

— Está achando que vamos usar nossos celulares durante essa reunião para vazar informação? — Aizawa protestou. Será possível que ele ainda estava desconfiando deles depois de ter os feito o encontrar ali?

— Deixa pra lá, Aizawa — Yagami reclamou. — Faz como ele diz.

O homem se calou imediatamente, dando o braço a torcer. Calmamente, cada um deles deixou seus aparelhos sobre a mesinha que L especificara.

— Ele está sendo cauteloso desde o início... — disse Matsuda. — Mas ainda não sei se confia em nós ou não.

— Não é isso, eu só acho que eles distraem — respondeu, mesmo Matsuda não tendo falado diretamente com ele. — Não suporto quando os celulares das pessoas tocam quando estou tentando falar. — os policiais se aproximaram dos sofás e outros acentos, observando curiosamente a posição estranha em que L se sentava. — Deixa eu começar dizendo que ninguém anota nada do que é dito nessas reuniões, quer dizer que quando deixarmos esse quarto, a informação que precisarmos fica na memória. — vendo que eles ainda estavam o encarando imóveis, ele os tranquilizou: — Por favor, fiquem à vontade.

Dirigiram-se aos acentos sendo seguidos pelos olhos cautelosos de L. O mesmo pegou uma xícara de café enquanto eles se acomodavam e levou até a boca, fazendo uma expressão de desagrado ao provar a bebida. Eles observavam enquanto ele acrescentava alguns cubos de açúcar à xícara ainda perguntando-se se aquele seria mesmo o verdadeiro L.

— Com licença, L... — Matsuda chamou.

— De agora em diante, vou pedir que parem de me chamar de L. Sou Ryuzaki agora, só por segurança.

— Ah, como quiser... Ryuzaki. Se sabemos que ele precisa de um nome e um rosto para matar, não podemos diminuir o número de vítimas retirando os nomes dos criminosos dos noticiários?

— Se fizermos isso só colocaremos o público em geral em risco.

— O público em geral?

Parando de mover a colher na xícara, ergueu seu rosto em direção aos agentes.

— Kira é infantil e odeia perder.

— Mas como... O que quer dizer...? — Soichiro tentou perguntar, mas foi interrompido.

— Bom... Eu também sou infantil, e odeio perder. É assim que eu sei.

— Ryuzaki... Você poderia ser mais especifico conosco?

— No inicio da investigação tentei provocar Kira com aquela transmissão, até aí achamos que Kira só iria atrás de criminosos, mas como testemunhamos, ele não hesitou em matar meu dublê. Também, assim que eu disse que sabia que ele estava na Região Kanto... Ele cuidou para que suas próximas vítimas fossem de outras partes do Japão, como que pra dizer... "O que vai fazer agora?". Ele enfrentou cada desafio meu e nunca perdeu a oportunidade de retribuir o favor... O que você acha que aconteceria se tentássemos usar as restrições e censura da imprensa para esconder criminosos de alguém assim?

— Acho que...

— "Se preferir esconder os nomes de seus piores criminosos, vou matar criminosos menores ou inocentes. Faço o mundo todo de refém, e então, como vai ser? Não sou o mal aqui, mas todos aqueles que se opuserem a mim escondendo criminosos, esses sim são maus." — L continuara a explicar, ocasionalmente brincando com seus dedos do pé. — É exatamente assim que Kira pensa. De qualquer modo, vamos ver outra maneira de usar a imprensa para pegar ele.

— Mas como? — Aizawa perguntou.

— Hum... — levou o dedo a boca. — Que tal alguma coisa assim: "Mortes de agentes da FBI enfurecem os Estados Unidos. As últimas mortes irritaram a comunidade policial internacional. As nações concordaram em enviar 1.500 investigadores para o Japão...". Para Kira, isso vai ser bem mais do que ele encarou com o FBI, ele vai ver todo mundo como ameaça em potencial. Psicologicamente, ele vai se sentir encurralado. Isso vai fazer ele tomar alguma atitude drástica...

— Interessante. — Ukita elogiou com um sorriso.

— Então ele vai achar que é 1.500 quando somos só nós sete, já que nenhum dos investigadores existe, Kira não vai poder matá-los... — Aizawa também comemorou, junto com os outros.

— Antes de comemorar vou contar o resto das minhas idéias sobre o caso Kira...

Levou algumas horas até expor todas as suas opiniões. Era bem mais fácil trabalhar sozinho justamente porque não precisava ficar explicando pista por pista pra outras pessoas, mas o caso Kira exigia a ajuda daqueles homens, e estava se esforçando para ter um bom trabalho em grupo com eles, mesmo não sendo a pessoa mais simpática socialmente. Começou mostrando as evidências de que, provavelmente, Kira trabalhava sozinho; em 14 de dezembro doze investigadores do FBI entraram no Japão, estavam em 19 de dezembro, e usando presos Kira conduziu experimentos manipulando os atos de suas vítimas antes de morrerem. Em outras palavras, durante esse período de 5 dias Kira soube da presença do FBI e obviamente se sentiu ameaçado. Por não saber os nomes e rostos ele estava em desvantagem, ele precisava saber quanto controle tinha sobre suas vítimas antes de poder usá-lo contra os doze agentes. E como já sabiam, em 27 de dezembro durante esse período pelo menos 23 indivíduos morreram de ataque cardíaco. Mas aquelas vítimas foram diferentes dos alvos anteriores do Kira, todos esses homens eram acusados, ex-condenados ou suspeitos com investigações em andamento. Então, legalmente falando, eram inocentes. O que isso indicava é que Kira teve que recorrer a manipulação de criminosos menores para matar aqueles agentes. Ele matou aquela gente toda para que eles não pudessem separar o chamariz daqueles que foram mesmo usados, na verdade, ele só devia precisar de poucos. Depois ele esperou oito dias para que o FBI investigasse vários outros suspeitos e os policiais não tivessem um tempo restrito ligando ele às mortes. Baseado nessa evidência, L suspeita que Kira só podia ser uma das pessoas investigadas pelo FBI entre os dias 14 e 19 de dezembro.

— Estes são os arquivos dados pelo FBI, eles contém informação adicional que vocês podem achar úteis. — avisou passando os papéis para cada um deles, após terminar algumas explicações entre eles. — Por motivos óbvios, não podem tirá-los dessa sala. No entanto...

— Incrível! — Matsuda interrompeu animadamente. — Podemos ser só cinco, mas com todas essas informações podemos cobrir muita coisa.

— Vamos nos dividir em duas equipes: uma rastreia os agentes da FBI e a outra procura as vítimas de ataque cardíaco — Mogi falou ao seu lado.

— Então, alguém tem mais alguma pergunta? — L perguntou, incomodado por ter sido cortado enquanto falava.

— Na verdade Ryuzaki... — Soichiro começou, chamando sua atenção. — Eu tenho uma pergunta pra você. E é referente ao que você disse antes sobre odiar perder. O fato de ter nos mostrado o rosto significa que perdeu? Estando aqui... Admite que perdeu pro Kira?

— Isso mesmo. Mostrando meu rosto a vocês agora, sacrificando a vida de doze agentes do FBI... Eu definitivamente perdi a batalha. Mas vou ganhar a guerra. Essa é a primeira vez que eu ponho minha vida em risco... Eu quero mostrar ao Kira que estamos prontos a arriscarmos nossas vidas se for preciso. — ele abriu um sorriso pela primeira vez naquela noite. — E a justiça irá prevalecer de qualquer modo.

Estavam bem mais motivados depois de vê-lo pessoalmente, e depois de mostrar suas idéias, nenhum entre eles ainda duvidava que ele não fosse o L. Antes de deixá-los ir, conversou com cada um individualmente para ter certeza que nenhum deles é o Kira, afinal, Kira conseguia informações de seus quartéis-generais desde o começo, havia chances de ser um deles, mas por sorte eram homens de confiança, mesmo que a idéia de Kira ter ligação com a polícia ainda estivesse intacta. Voltou diretamente pra sua poltrona quando Ukita, o último entrevistado, acabara de sair. Para alguém que não estava acostumado a fazer interrogatório ao vivo, ele estava um pouco cansado.

— Ryuzaki — escutou Watari o chamando pelo computador.

— O que foi, Watari? — perguntou, esperando uma notícia sobre Kira.

— Fui informado que Beyond e outros dois presos fugiram ontem no período da noite. — avisara lendo alguns papéis. — Os dois foram encontrados mortos por parada cardíaca pela manhã, enquanto o paradeiro de BB continua desconhecido.

— Entendo... Fique atento aos próximos dias, caso o corpo dele não seja encontrado, iremos efetuar uma busca. Me passe também o nome dos presos que foram mortos. Verei o que posso fazer. — será que Beyond tinha fugido por ter conhecimento sobre Kira? Ou deveria acreditar que ele tinha outro objetivo...? — Obrigado pela informação, Watari. — disse desligando. Aquilo não o surpreendia... Beyond sempre foi um completo erro.

{ ••• }

Beyond estava com seu quarto pote de geléia em mãos, comendo-o sem se preocupar com os bons modos, lambendo seus dedos. Parecia até o Ursinho Pooh aproveitando seu pote de mel.

Por sorte, Misa acreditou que B era apenas um primo distante de Tsuki, ela na verdade pareceu meio desconfiada no começo, mas não pareceu dar muita bola. A única coisa que não tinha como esconder dela, é que Beyond conseguia ver Remu, e isso a deixou muito curiosa. Depois de insistir muito que Remu a explicasse, ele falou que Beyond havia nascido com Olhos de Shinigami, e além de ver deuses da morte ele podia ler os nomes e expectativas de vida de outros humanos apenas olhando para eles. Amane, naturalmente, ficou muito surpresa e quis mais informações, principalmente sobre como obter os Olhos de Shinigami, finalmente chegando ao ponto que o proprietário do Death Note podia fazer um acordo com o shinigami para adquirir os olhos, se assim sacrificasse metade de sua expectativa de vida...

Desde que BB se acomodou, Maruyama não tirava os olhos dele. Embora até agora tudo o que ele tivesse feito fosse se deitar e comer sua geleia... Talvez justamente por estar sendo observado. Tentou ignorar o individuo inconveniente, lendo seu livro de história. Sua leitura, no entanto, foi interrompida quando Misa desceu as escadas a chamando.

— Estou indo pro shopping fazer umas comprinhas, quer vir? — perguntou Amane.

— Não, dispenso.

— E você, B?

— Parece tentador... — fez falsa animação. — Mas dispenso.

— Tá legal então... Pelo menos vou com Remu!

— Invejo sua companhia, Misa Amane — B respondeu.

— Mas então Misa... — Tsuki a encarou desconfiada. — Não é meio tarde pra ir ao shopping?

— Vai ser rápido, não se preocupe. — sorriu. — E Remu vai estar por perto pra me ajudar.

A garota deu de ombros.

— Se você diz... Só não demore muito.

— Até daqui a pouco! — correu até o portão, saindo com o shinigami. Enquanto caminhava pela rua, cantarolava uma música qualquer. Remu a seguia preocupado, sabendo de suas intenções. Foi quando finalmente a ouviu falar: — Estou pronta para fazer o acordo, Remu.