Lost In Paradise
10 Acordo

— B. — chamou Tsuki.
— O que é?
— Me fala mais sobre a Wammy's House.
— Por que eu faria isso? — perguntou seriamente.
— Por favor, eu só quero saber mais. Sinto que perdi boa parte da minha vida depois daquele acidente, é como se estivesse faltando alguma coisa...mas você sabe tanto sobre mim, mesmo que eu não lembre de nada, eu quero acreditar nisso, é a única coisa que me resta. Beyond...a essa altura, não estou preocupada em você ser um serial killer, na verdade, outras pessoas me preocupam mais que você no momento, mas isso não vem ao caso. Eu deixei você ficar aqui porque queria descobrir mais, então faça esse favor, não peço nada em troca.
Beyond encarava a menina de forma curiosa, estranhava o fato dela não estar preocupada com sua presença, mas sim com seu próprio passado.
— Você é muito estranha.
— Ahn?
— Você aceita um psicopata dentro de sua casa e sua única preocupação é com o fato dele não estar disposto a contar o que sabe?
— Estou ciente que não foi a coisa mais inteligente que já fiz, mas tenho meus motivos, assim como você tem seus motivos para estar aqui, e nem por isso lhe questiono.
— Certo. — bufou — O que quer saber?
— Quero saber como nos conhecemos, minha relação com A, etc...
— Você é mesmo curiosa menina. — riu levemente — Nos conhecemos em uma de minhas fugas da Wammy's House, naquela época eu passava a maior parte do meu tempo trancado dentro do meu quarto, apesar de ser uma escolha minha, isso não me agradava. No meu aniversário decidi que iria comemorar de uma forma diferente, então realisei minha primeira fuga. Após realisar meu plano e sair daquele inferno, andei até a cidade sem um destino ao certo, acabei ficando meio perdido e foi quando acabamos nos esbarando, e você acabou me dando informação. Depois de começar a sair do orfanato frequentemente, acabamos nos encontrando mais vezes, assim nos tornando colegas. O A estava cansado da rotina na Wammy's House, e então pediu pra me acompanhar em minha próxima saída, e assim fez. Nos conhecemos assim, nos tornando bons amigos, nós três...mas nossas vidas mudaram muito. Depois de um tempo perceberam nossas fugas e nos castigaram, eu e A ficamos um bom tempo sem sair daquele lugar ou ter contato com o mundo lá fora, e nossas personalidades foram mudando, principalmente as minhas, meus comportamentos já não eram mais aceitáveis. Ficamos afastados depois disso, nos encontrávamos raramente, mas não tínhamos muito tempo, passamos de amigos para apenas conhecidos.
— Eu não fazia ideia. Mas...e o L? Você não citou nada sobre ele, por que sente tanta raiva assim?
Suas perguntas sobre o detetive pareciam incomodar excessivamente o garoto.
— Depois que A se suicidou, isso me motivou ainda mais a sair do orfanato e criar um caso que L nunca conseguiria resolver, assim o superando como sempre desejei.
Parece que seu desejo de superar o L não vem só da morte do A...é o que ele quer e pronto, não parece ter motivo ou explicação pra isso. Mas é uma história tão triste, e em pensar que já fiz parte disso...— pensava Tsuki.
— Você parece se orgulhar de ser um psicopata.
— Me diz...por que não me orgulhar?
— Como assim?
— Você sai nas ruas e já vê pessoas mortas, que já não sentem ou amam, que já não estão mais preocupadas com nada. Elas levam suas rotinas infelizes até seus tumulos, tirar a vida de pessoas assim seria mesmo errado? Ou seria um favor? Todos nós temos o mesmo destino, a morte. Inocentes ou não, é isso que irá nos reservar no final, as pessoas não tem mais esperanças, só se preocupam com elas mesmas, matar não faz diferença.
— Você fala sobre sentir, sobre amar...como se soubesse o que é isso.
— Até um psicopata conhece a arte de amar, mesmo que seus amores e desejos mais profundos sejam de ver o sofrimento nos olhares das pessoas. Posso parecer um deserto frio e sem vida com um mundo devastado pelo ódio e dor, mas minha alma ainda não foi morta.
Ele está tão sério, muda seu comportamento tal como Raito... — pensava Tsuki.
— É um jeito diferente de ver o amor...
— E como você veria o amor?
— Veria o amor como a única salvação para a humanidade.
— Então acredita que até mesmo eu possa amar?
— Talvez.
Beyond riu sarcasticamente.
— Você é sonhadora querida, se eu fosse você tomaria cuidado, um dia você pode acabar se derramando sobre seus próprios desejos.
— O que quer dizer com isso?
— Talvez um dia você entenda.
— Beyond...por que escolheu isso pra sua vida? Por que se tornou isso?
— Eu só me tornei o que muitos gostariam de se tornar mas são covardes o suficiente para deixarem seus desejos de lado. Muitos querem sentir apenas o prazer e o ódio e não se apegarem a mais nada, o medo das pessoas as impedem de fazer o que desejam, é por isso que fracassam. As pessoas não tem que fazer o que é politicamente correto, elas se preocupam demais com suas crenças enquanto seus tempos de vidas estão diminuindo, no final, não foram nada diferente do que já vimos.
— Apesar de bizarro, eu tento entender seu ponto de vista...
— Você não sente medo de mim?
— Não, não sinto nada em relação a você...é estranho.
— Não é não.
— Não?
— O que é realmente estranho é sentir, não sentir é algo mútuo entre os seres humanos.
— Mas...
— Tsuki, você pensa demais no que eu falo...isso não faz bem sabia? — falou Beyond, voltando a sorrir sarcasticamente. — Mas mudando de assunto, tenho uma pergunta a lhe fazer.
— O que é?
— Eu ouvi falar em um caderno...sabe me dizer algo a respeito?
Tsuki tentou não demonstrar seu apavoramento.
— U-um caderno?
— Sim, e outra coisa interessante é que eu não vejo a expectativa de vida da sua amiguinha loira. Como você me explica isso? — perguntou sorrindo.
Ah, faz sentido...eu não sei o que ele ouviu falar sobre o caderno, mas é óbvio que suspeitou de Misa já que sempre viu as expectativas de vida de outros humanos e agora não consegue ver a dela por possuir um Death Note. Será que é por isso que ele está aqui? Ele viu o caderno como uma oportunidade de matar usando uma arma diferente? Pode ser mas...ele não parece saber muito sobre o assunto.— pensava a menina.
— Eu não sei explicar, pois não sei do que está falando.
— Não sou tolo, querida. Um shinigami me procurou perguntando sobre o caderno enquanto eu estava preso, naturalmente, estou muito curioso pra saber do que se trata.
— Isso...foi antes ou depois de Kira aparecer?
— Antes, por quê?
Se foi antes pode ter sido Ryuuku, talvez achando que Beyond estava com o Death Note por ter olhos de shinigami e então o procurou...isso não é nada bom, prefiro acreditar que não seja o caso.— pensava Tsuki.
Beyond percebendo o silêncio da garota começou a se irritar, assim se levantando em direção ao sofá que ela estava.
— Não vai me contar o que sabe? — perguntou Beyond, se deitando em cima da menina.
— E-e-eu não sei de nada.
— Não sabe mesmo é?
— N-não.
Beyond riu lambendo a bochecha de Tsuki, o que a deixou impaciente. Ela esticou suas pernas para chutar-lhe o peito fazendo com que ele caísse sobre o chão.
— Desgraçada.
— Tenta fazer alguma coisa comigo de novo que quem vai virar uma psicopata aqui sou eu.
— Que perigosa — gargalhou se levantando.
— Cala a boca.
O sorriso dele se desfez.
— Você realmente não tem medo do perigo não é? Fala logo o que sabe sobre o caderno antes que eu...
— Antes que você o quê? Antes que você me mate?
— Não, ainda não. Mas você deve saber que não irei descansar até descobrir sobre esse caderno, querida.
— Não precisa, eu irei contar. — disse Tsuki, fazendo Beyond a fitar confuso.
— E por que vai fazer isso?
— Pensei que você queria saber, mas já que não...
— Espera, eu quero saber.
— O caderno que o shinigami citou é um Death Note, o nome do humano que for escrito nesse caderno morrerá. É isso.
— Então escreve o nome da pessoa, e ela morre? — perguntou nem um pouco surpreendido.
— Sim.
— Sei que não está mentindo, pois eu perceberia isso, mas por que me contou isso agora?
— Mesmo se eu tentasse esconder de você, uma hora você iria acabar sabendo...
— Então eu não posso ver o tempo de vida da Amane porque ela tem um Death Note?
— É isso mesmo.
— Isso é muito interessante...e onde está o caderno?
— Do que depender de mim, você não saberá.
— Eu imaginei que você diria algo assim.
— Bom pra você, agora vou dormir e vê se não me enche.
***
— Desculpe interrogar vocês dessa maneira, mas não tive outra escolha. Eu comprovei que Kira não está entre nós. — falou L, fazendo os policiais suspirarem aliviados.
— Ryuzaki, como pode ter certeza de que somos inocentes? — perguntou Soichiro.
— Bom, pra ser sincero desde o inicio eu armei várias armadinhas que revelariam se algum de vocês é o Kira, mas depois de falar com cada um, não senti necessidade.
Com licença. — falou L, atendendo seu celular.
Incrível, a gente teve que desligar o celular...— pensava Matsuda, indignado.
— Entendido, estou quase terminando aqui mesmo.— falava L ao celular — Você tem a chave então entre.
— Watari está vindo pra cá. — disse desligando o celular.
Os policias ficaram surpresos ao ver um senhor de cabelos brancos acinzentados a sua frente, ele usava óculos e vestia um smoking preto e um chapéu da mesma cor.
— Senhores, é uma honra conhece-los. — se apresentou Watari, tirando seu chapéu.
— É esse o Watari?
— Pela roupa não parece...
— Se eu me vestisse assim estaria me anunciando como Watari, seria o suficiente para expor a mim e Ryuzaki, e nosso local de encontro.
— Ah, entendi.
— Geralmente eu não mostraria meu rosto a vocês, o fato de estar aqui é que ganharam a confiança de Ryuzaki.
— Já que falou nisso, eu me sinto honrado. — falou Matsuda, rindo sem graça.
— L, eu trouxe o que pediu, está tudo aqui.
— Pode passa-los a todos por favor.
— Sim. — concordou Watari — Senhores, suas novas identidades policiais.
— Mas pra quê? — perguntou Aizawa.
— Nossos nomes e patentes são falsos.
— Por que nos deu identidades falsas?
— Como sabem, Kira precisa de um nome e um rosto para matar. — explicou L, tomando um pouco de seu café — Vamos enfrenta-lo tendo isso em mente, e acho que fica óbvio o porquê.
— Tudo bem, mas eu não acho que a policia deveria usar identidade falsa...
— Chega! Que escolha nós temos com a capacidade de nosso inimigo? Enquanto trabalharmos nesse caso vamos precisar de toda proteção possível, seria burrice se não usa-la.
— É, acho que tem razão.
— Lembrem: quando estiver em uma situação em que tiverem que dar seu nome a um estranho, usem os nomes de suas identidades falsas, entendido? E cuidado para não mostra-las quando estiverem na presença de outros policiais, sei que não preciso dizer isso, mas pode causar problemas para nós.
Os policiais concordaram com a cabeça.
— Muito bem, então eu quero pedir que todos vocês usem isso o tempo todo. — pediu Watari.
— Ahn, cintos?
— Cada um tem um transmissor escondido na fivela, isso vai permitir que Ryuzaki monitore seu paradeiro. Quando apertam a fivela duas vezes assim — demonstrou Watari — meu celular toca mostrando seu nome, e eu ligo imediatamente mas vocês não verão meu número em seu telefone. De manhã todos vocês irão para o trabalho como sempre, depois mais tarde, vamos usar esse metodo para confirmar o nome do hotel do Ryuzaki e seu quarto. Por favor, usem isso também para emergências!
— Gente, isso é muito maneiro, eu me sinto um super agente secreto atrás do Kira. — comemorava Matsuda, brincando com seu cinto.
— Cala essa boca, isso não é hora pra bobagem Matsuda, para com isso!
— Sim senhor.
— Pensando bem...quem está na policia agora? — perguntou L.
— Na verdade não tem ninguém lá agora.
— Isso não é bom, precisamos de alguém lá o tempo todo, trabalhando em turnos se for preciso.
— Positivo. Aizawa você será o responsável por isso hoje.
— Sim senhor, eu estou indo e não vou demorar.
***
Tsuki acordou com o sol que clareava seu rosto, abrindo seus olhos calmamente. Se levantou pegando seu celular para checar se havia recebido algum torpedo, e decepcionamente, não. Ela estava incomodada com as atitudes bipolares de Raito que uma hora a ignorava e na outra a chamava pra sair com direito a um beijo no final do encontro. Não queria acreditar que ele fosse Kira, mas admitia que vi grande semelhança entre Raito e Beyond em alguns aspectos. Ela se despreguiçou saindo de seu quarto, ouvindo Misa e Beyond conversarem na cozinha. Desde ontem Tsuki estava desconfiada de Misa, e sabia que Remu não a diria nada, então teria que descobrir por conta própria. Era evidente que Beyond tentaria fazer com que Misa o dissesse onde está o caderno, assim Tsuki entrou na cozinha para ficar ciente do assunto que conversavam.
— Bom dia.
— Boa tarde você quis dizer, isso é hora de acordar Uki? — falou Misa zangada.
— Concordo, estou decepcionado Uki. — protestou Beyond, lançando um sorriso malicioso a garota.
— Desculpa gente, não sabia que minha companhia era tão importante pra vocês.
— Mas é, agora fique aqui com B porque eu tenho um ensaio e já estou atrasada. — falou Misa beijando a bochecha da amiga.
— Tá bem, cuida dela Remu. — piscou para o shinigami.
— Tchau fofuxos. — despediu Misa.
— Fofuxo? — perguntou Beyond.
— Você se acostuma.
—
Misa saiu andando pela rua alegremente com Remu a observando.
— Misa, por quanto tempo irá esconder de Tsuki que você fez o acordo dos olhos?
— Ela não precisa saber Remu.
— Mas ela contaria pra você...
— Todo mundo tem segredos, até mesmo entre melhores amigas. E agora tenho que fazer outra coisa...
— E o que é?
— Encontrar Kira.
Continua...
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