Lost In Paradise
11 Verdade

— Tsuki. — chamou Beyond.
— O quê?
— Não que isso seja da minha conta, mas não acha nem um pouco estranho sua amiguinha começar a sair desse jeito?
— Bom, eu acho, mas ela não deve estar fazendo nada de mais.
— Tem certeza disso?
— O que está insinuando B?
— Nada, longe de mim querida...
— Claro. — disse revirando os olhos.
— Por que você me odeia tanto querida?
— Não te odeio.
— Não? — perguntou rindo.
— Um pouco talvez. — respondeu rindo.
— É compreensível.
— B...como era o shinigami que você viu?
— Tudo o que você precisa saber é que era bem diferente da Medusa, tanto em sua aparência quanto em sua personalidade.
— Você gosta mesmo de chamar Remu de Medusa né?
— Gosto.
Tsuki observava o garoto sem qualquer tipo de sutileza.
— O que foi querida? Me achou muito bonito?
— Não seja estupido, eu só...acho você bem diferente do que eu imaginei.
— É mesmo? Você me imaginou? — disse sorrindo ironicamente.
— S-sim, afinal você era um psicopata.
— Era não, ainda sou.
— Mas não parece...
— A princípio psicopatas nunca demonstram, você já deveria saber disso antes de confiar em qualquer um.
— Eu não confio em qualquer um.
— Não parece.
— Mas é verdade.
— É mesmo? Então me diga como você vê um psciopata, saberia descrever?
— Eu descreveria como um manipulador, que consegue esconder perfeitamente seus comportamentos diante de outras pessoas. Muito frio, calculista, e consegue simular qualquer sentimento mesmo que não aceite emoções para si mesmo...
— Nossa, assim você acaba me magoando.
— É, você deve estar sofrendo. — ironizou a garota.
Beyond encarou a menina, fazendo-a imaginar o que ele poderia estar pensando a seu respeito. Os dois permaneceram em um silêncio embaraçoso, até que Tsuki recebeu uma ligação.
— Alô.
— Tsuki?
É Raito...— pensou preocupada.
— Oi, aconteceu alguma coisa?
— Não, por quê?
— Ah, nada. É que você não ligou desde o último encontro então...
— Encontro? — perguntou Beyond deixando-a corada.
— Desculpe, é que depois do que aconteceu não sabia como falar com você. Está melhor?
— E-estou, obrigada.
— Tudo bem. Então, quer vir aqui mais tarde para estudarmos?
— Estudar?
— É, algum problema?
— Não, tudo bem...eu vou.
Beyond a encarava desconfiado.
— Ótimo! Agora tenho um compromisso, a gente se fala depois.
— Tá bem, até mais.
— Até.— despediu Raito, fazendo Tsuki desligar seu celular.
— Vai estudar com seu namoradinho é?
— Não sabia que isso te afetava tanto, B.
— E não me afeta.
— Não é o que parece.
— Só achei essa ligação suspeita.
— Ciúmes não é legal, querido.
— É, vou morrer de ciúmes de um nerd que podia te levar pra qualquer lugar mas escolheu te chamar pra estudar.
— Você é tão idiota as vezes, cadê aquele Beyond filósofo de ontem?
— Ele só aparece as vezes para dar um oi. — disse se levantando — Agora, sem querer ser rude, tenho coisa melhor para fazer.
— Aonde você vai?
— Tenho que encontrar alguém.
— Como assim? Você está sendo procurado, não pode sair desse jeito.
— Eu sei me cuidar querida.
— Você é muito teimoso, dá pra parar e me ouvir?
— Não, agora tenho que ir. — disse beijando a bochecha da menina, e logo em seguida sorrindo cinicamente — Tchau fofuxa.
Fofuxa? Ele realmente tem que se afastar da Misa.— pensava irritada.
—
Beyond saiu da casa de Tsuki com o objetivo de encontrar Naomi Misora, dando inicio a sua vingança. Ele tinha estranhado a ligação que Tsuki havia recebido, talvez fosse apenas mais uma de suas ideias insanas, mas estava desconfiado do que ocorrera. De qualquer modo, seu objetivo era outro. Logo após saber da morte de Ray Penbar, Beyond deduziu que Misora após perder seu amado iria se juntar ao seu arqui-inimigo que agora mantinha seu foco na Investigação do Kira. Misora, buscando vingança pela morte de Penbar, iria até a policia depois do enterro de seu noivo, e com isso o moreno ficou escondido em frente ao grande prédio da policia esperando que a circunstâncias lhe fossem favoráveis. Depois de tanto esperar, avistou Naomi se aproximando do prédio acompanhada de um jovem que vinha sendo seguido pelo mesmo shinigami que havia procurado por ele. Isso foi o suficiente para estampar um sorriso triunfante em seu rosto.
Raito Yagami...Pois é detetive L, parece que descobri Kira antes mesmo de você.— pensava glorioso.
Beyond que não podia se aproximar para ouvir a conversa ficou observando de longe. Misora mantinha sua postura determinada diante do rapaz o ouvindo com atenção, enquanto Beyond via sua expectativa de vida diminuir rapidamente. Viu Misora tirar um documento de sua bolça o entregando a Raito, que ao segurar pegou um pedaço de papel anotando as informações da mulher. Ao terminar sua anotação, o garoto fitou seu relógio como se estivesse esperando por algo. E então, o tempo de vida de Misora se esgotou, mas ainda assim a mulher estava andando sem destino, fazendo Raito lhe chamar. Beyond a olhava sem entender, mesmo que seu tempo de vida já tivesse chegado ao fim, ela estava andando. Ela não parecia estar mais ali, como se estivesse sendo controlada ou não tivesse escolha a não ser seguir seu caminho, como se sua alma tivesse abandonado seu corpo...
Não descartei a possibilidade de haver mais de um shinigami por aqui, ou mais de um Death Note. Foi confirmado que Kira se localiza no Japão, poderia ser Amane, mas pode existir mais cadernos em outros lugares. Considerando a existência de dois cadernos atuais no mundo humano, particularmente o de Amane e Kira, então o outro só pode pertencer a Raito, que também é do Japão e coincidentemente se localiza em Kanto. Raito Yagami é Kira, isso é evidente. A grande questão é: como posso usar isso ao meu favor? Tem muitas possibilidades! Mas não posso o seguir e descobrir sua morada, o shinigami notaria e logo iria o contar, preciso saber mais sobre o caderno, só assim saberei como agir. Tsuki. É com Tsuki que preciso falar, se ela for ardilosa como aparenta ser, já deve ter total conhecimento sobre o caderno...mas pela sua personalidade, é perceptível que ela não me passará suas informações tão facilmente. Vamos ter que dividir informações...se seu desejo é mesmo conhecer o L, então está claro que saber quem Kira é lhe dará muita vantagem em seu objetivo, assim Tsuki poderá me contar o que sabe sobre o caderno. Muito bem, é melhor eu voltar pra encontra-la enquanto Amane está por fora. — pensava Beyond, voltando para casa de Tsuki.
—
Tsuki se encontrara sentada no sofá, seu laptop estava em seu colo aberto em uma página de estudos a mantendo concentrada. Beyond abriu a porta rudemente procurando-a com o olhar.
— Nossa, aconteceu alguma coisa? — perguntou confusa.
— Precisamos conversar.
— Posso saber sobre o que é?
— Sobre Kira.
— O que tem o Kira?
— Eu sei quem ele é.
Tsuki ficou assustada, tirou sua atenção de seu laptop e encarou o moreno a sua frente.
— V-você sabe?
— Sei.
— Pera aí, se você soubesse mesmo quem Kira é, não viria até aqui me informar disso. O que está querendo em troca?
Beyond sorriu.
— Você é tão esperta querida, é o que mais gosto em você. Mas sim, tem algo que eu desejo em troca dessa informação... — disse maliciosamente.
— Fale.
— Informações sobre o caderno.
— Informações?
— Exato, preciso que me conte tudo o que sabe sobre o Death Note, e então irei lhe dizer quem é o Kira. Parece uma troca justa, não acha?
— É só uma chantagem barata.
— Que seja, vai aceitar ou não?
Tsuki hesitou, mas acabou cedendo.
— Eu aceito, mas desde que você não queira o caderno...posso lhe dar todas as suas informações sem que você toque nele.
— É aceitável.
— Certo, então conte-me... quem Kira é? — perguntou curiosa.
— Raito Yagami. — respondeu sorridente.
A menina ficou imóvel. Mesmo que já suspeitasse de Raito, ainda tinha esperanças que ele não fosse capaz de fazer algo assim. Ela estava magoada, mesmo que em seu pouco tempo ao lado de Raito, sentia-se manipulada por alguém que pensou um dia ser confiável.
— Você o conhece, não é?
— É, sabe...eu não tenho sentimentos por ele, nem deu tempo pra isso, mas ele me usou, como todas as pessoas a minha volta. Isso me faz odiá-lo ainda mais...eu sinto...
— Ódio.
— Sim, é incrível como as piores decepções vem das melhores pessoas, das que você achou que nunca poderiam se tornar algo assim...acho que não tenho mais controle sobre minha vida.
— Eu não sou psicologo, sabia? — disse Beyond, fazendo a menina rir.
— Desculpa, tinha me esquecido disso. — disse sorrindo.
— É incrível mesmo.
— O quê?
— Está óbvio que você se sentiu afetada ao descobrir que Raito é Kira, mas seus lábios sorriam até mesmo quando seus olhos representam tristeza. Quer um conselho?
— S-sim.
— Continue assim.
— Por que?
— Quando demonstramos o que sentimos nos tornamos vulneráveis, pessoas inteligentes não precisam se sentir insatisfeitas com isso, apenas aceitar.
— Voltou a filosofar?
— Um pouco.
— Como faço pra lidar com Raito agora?
— Faça o que sempre fez, não altere nada entre vocês.
— Tenho que fazer ele confiar em mim...
— Sim, logo você vai acabar encontrando L nesse caso, sei que é o que você quer.
Tsuki estava mais calma, conversar com Beyond estranhamente a fazia bem.
— Tá bom.
— Lembre-se de prestar atenção no jeito dele, assim saberá se ele está mentindo ou não.
— É, eu sei. Alguns sinais ou manias podem o entregar caso ele esteja mentindo, como desviar o olhar ou falar muito pois a maioria dos mentirosos tendem a ser muito falantes e justificar demais as coisas que dizem.
— Correto, mas mentirosos profissionais sabem lidar bem com esses detalhes, então esteja preparada para tudo se quiser confrontar Kira.
— Eu estarei. Preciso fazer isso pelas pessoas que ele enganou, por todas suas vítimas, por sua família que tem sido enganada esse tempo todo...pela justiça. Isso tem que ter chegar ao fim antes que as coisas piorem, mesmo que no final ele acabe me matando, valerá a pena.
— Ele não irá te matar, isso eu prometo. Mudando de assunto, eu já fiz minha parte no trato, agora, se não for muito incomodo, preciso saber sobre o Death Note.
— Tava me testando com essa conversa toda?
— Estava sim.
— Chega a ser ironia você falar sobre mentirosos profissionais, sabia? — disse rindo — Tudo bem, irei lhe contar o que sei.
— Ótimo, vamos começar.
— B...
— O que foi?
— Obrigada.
***
Todos os policiais estavam exaustos, exceto L que não demonstrava nenhum cansaço apesar de suas privações de sono.
— Esses são os vídeos das câmeras de segurança da estação, a morte de um dos agentes do FBI está gravada aqui. — disse Aizawa, afadigado.
— Vamos ver as seguintes cenas de novo. Ray Penbar passando na roleta pra entrar e depois ele entrando no trem, e finalmente, a parte que ele morre na plataforma.
— Tá legal. — disse colocando as fitas na ordem que L pedira — Vamos ver...
— Acho que é depois disso...
— Ah, está aqui.
— Então baseado nesses registros Ray Penbar entra pela entrada oeste da estação Shinjuku às 15:11 da tarde, depois às 15:13 ele embarca em um trem na linha de Yamanote. Mas mesmo que estivesse seguindo alguém, acho que vai ser muito difícil chegarmos a alguma conclusão com esse vídeo ruim. Então exatamente às 16:42... — Watari o interrompeu lhe entregando um sorvete — Ah, muito obrigado Watari! Ahn...às 16:42 ele sai do trem na estação de Tóquio e morre na plataforma.
— É bem estranho, não acham? — perguntou L.
— Desculpe, o que você achou estranho?
— É, o quê? Percebeu alguma coisa?
— Sabemos que Ray Penbar entrou no trem e uma hora e meia depois saiu e morreu na plataforma, mas a linha de Yamanote só leva uma hora pra completar o seu circuíto. E mais importante, tem um envelope.
— Como assim?
L voltou a fita explicando.
— Ele segura o que parece ser um envelope quando passa pela roleta.
— Tem razão. — disse assustado — Está lá de baixo do braço, mas sumiu antes dele morrer. Eu...não acredito que você percebeu isso.
— Bom, eu não vejo o envelope na lista de objetos pessoais dele.
— O que significa que foi deixado no trem, e se olhar bem aqui no finalzinho parece que ele se esforça pra olhar dentro do trem antes da porta fechar, pode ver aqui.
— Se for o caso, acha que significa alguma coisa?
— Não seria interessante se Kira estivesse naquele trem?
— Mas é impossível.
— Admito que acho difícil de acreditar. Não há motivos para Kira ir ao local do próprio crime quando pode matar a distancia. Bom, talvez estivesse contando com nossa suposição e percebeu que podia fazer essa ousadia.
***
Tsuki explicou detalhadamente tudo o que sabia sobre o Death Note a Beyond, que entendeu as regras sem muitos esforços.
— Então, alguma duvida?
— Nenhuma... — respondeu pensativo.
— Ok...
— Escute garota, agora que você me contou tudo o que sabe estou seguro em lhe contar o que presenciei hoje, e talvez com isso você me ajude a esclarecer minha teoria sobre o uso do caderno...
— O que aconteceu?
— Eu contei que descobri quem Kira é, mas não como consegui descobrir isso.
— Então conte.
— Eu fui atrás de uma ex-agente da FBI que trabalhou no caso dos Assassinatos de Los Angeles, Naomi Misora, eu buscava vingança, mas alguém chegou primeiro...
— Chegou primeiro?
— Kira, ele a matou. Eu vi o shinigami que me procurou o seguindo, Raito a acompanhava até a policia, eu não tive a oportunidade de ouvir a conversa mas o que vi foi o suficiente para entrega-lo. Ele fez algumas anotações e depois ela agiu de forma estranha andando sem direção, como se estivesse sendo controlada e não quisesse agir assim. E além disso, seu tempo de vida já tinha se esgotado, e ela ainda estava ali.
— Ele justificou a morte dela em um pedaço do Death Note...
— Foi o que pensei. — sorriu o garoto.
— Se ele carrega um pedaço de papel do caderno, isso pode ser muito útil a ele. Em alguma situação em que não possa matar diretamente ele pode simplesmente sair de casa e matar sutilmente usando o papel que carrega.
— É uma boa observação, mas e quanto a Misora? Acha que foi suicídio?
— É uma possibilidade, mas não tem como ter certeza...de qualquer forma, não irá demorar até que descubram de sua morte ou desaparição.
— Concordo.
— Pois bem, acho que terminamos por aqui, não é B?
— É.
— Certo, então vou a casa de Raito.
— Tá, mas seja cautelosa.
— O-ok, te vejo depois. — se despediu, abrindo a porta e caminhando para fora de sua casa.
—
Não achei que fosse descobrir quem Kira é tão rápido assim, eu deveria estar feliz mas tenho uma sensação estranha sobre isso. Eu tinha feito tantos planos pra Kira, mas agora que descobri que ele é Raito tudo muda, todos meus planos terão que ser modificados...eu fui realmente burra em acreditar que ele não pudesse ser assim. Como será que L está indo na investigação? Agora seria uma ótima hora pra me juntar a ele, mas duas coisas me impedem. Primeiro, eu não sei como entrar em contato com ele, e não sei se agora ele está pessoalmente no Japão, já que poderia usar outro dublê como fez na televisão. Segundo, Raito pode ter alguém que o ajude a cometer os assassinatos...acho improvável já que tudo é muito recente e ele não iria revelar algo assim a qualquer pessoa, mas por outro lado, ele pode já ter feito um plano para que pudesse lidar com essa situação sozinho, caso acabe sendo levado a interrogatório ou algo assim. Droga! Vou ter que me concentrar nos estudos, mesmo que esteja com raiva dele não posso deixar de estudar para os exames de admissão. Ok Tsuki, se concentre...— pensava a menina andando até a casa de Raito.
Tsuki chegou a seu destino tocando a campainha.
— Oi. — uma mulher de cabelos curtos e castanhos como os de Raito a cumprimentou sorrindo de forma simpática.
— Olá, sou Tsuki Maruyama, é um prazer senhora.
— Sou Sachiko Yagami querida. — disse sorrindo — Você deve ser amiga de Raito!
— Sou sim, ele me chamou pra vir estudar com ele...
— Entre por favor, vou chama-lo.
— Obrigada, senhora Yagami.
— Sayu, essa é a Tsuki, amiga de Raito. Tsuki, essa é minha filha Sayu.
— Oi, muito prazer. Você deve ser a namorada do Raito né? — disse Sayu, deixando Tsuki vermelha.
— N-não, somos só amigos...
— Que pena. — falou tristonha.
Raito chegou até a sala cumprimentando Tsuki.
— Que bom que você veio, vamos subir para o meu quarto.
— Tudo bem...foi um prazer conhecer você senhorita Yagami, e você também Sayu. — disse sorrindo.
Raito levou Tsuki a seu quarto, fechando a porta. A menina se sentia observada, talvez por saber que poderia ter um shinigami ali, e isso a deixava desconfortável. Ele pegou alguns livros que continham informações que cairiam nos exames, assim iniciando seus estudos com Tsuki. Eles não puxaram assunto durante suas análises, no máximo trocaram ideias a respeito das matérias. Tsuki não tirou os olhos do garoto nem por um minuto, pensava em como alguém tão jovem e bonito poderia se tornar um assassino, e principalmente fingir tão bem como fazia.
***
L e os policiais continuavam investigando a morte de Ray Penbar e dos outros agentes do FBI, mas deram uma pausa ao notar uma ligação que Watari recebera.
— Sim, pode esperar um pouco por favor? — disse afastando o celular e se virando ao detetive — Ryuzaki é o Ukita da agência nacional, ele diz que está no telefone agora com alguém que tem informações para nós.
— Isso, então dê ao Ukita o número da linha 5 e mande o informante ligar pra ela, acredito que será mais seguro assim. Senhor Matsuda, pode ligar seu celular agora! Na verdade, ligue ele agora, por favor.
— Ah, tá bom... — disse ligando seu celular.
L tomou o celular das mãos de Matsuda atendendo a ligação antes que o mesmo pudesse protestar a respeito.
— Aqui é Suzuki, chefe da divisão de informação pública da investigação do Kira. — falou L — Noiva de Ray Penbar? Naomi Misora...eu já ouvi esse nome.
Watari virou o computador mostrando a foto da agente, fazendo o detetive se surpreender.
Então é ela, ela é do caso BB de assassinatos em série de Los Angeles, é isso, ela tava trabalhando pra mim. Ela deve ter vindo ao Japão com o noivo...— pensava L, desligando o celular e entregando a Matsuda.
— Parece que ela está desaparecida desde o dia em que o noivo morreu.
— Tenho certeza de que qualquer um no lugar dela estaria deprimido, foi... — comentou Matsuda.
— Suicídio. — completou Aizawa.
— Não, a Naomi Misora que eu conheci era forte, sem falar que ela também era uma excelente agente da FBI. Era mais fácil ela estar tentando pegar o Kira...
Parece que ela veio pro Japão com o Penbar, é possível que tenha encontrado uma pista. Se for isso, Kira conseguiu pegar ela primeiro?— pensava o detetive, com o polegar em sua boca.
— Pessoal, a essa altura quero que concentre nossa investigação só nas pessoas que Ray Penbar esteve seguindo. Especificamente, ele investigou dois policiais e os mais próximos deles.
— Tá bom, quem são esses dois indivíduos que ele investigou? — perguntou Soichiro.
— O subdelegado-geral Kitamura e sua família, e também...o detetive superintendente Yagami e sua família.
Soichiro parecia perplexo e tempestuoso com a notícia.
— Nesse estágio da investigação eu planejo por escutas e câmeras de vídeo nas duas casas.
— Câmeras de vídeo? Ryuzaki...
— Não sei como pode pensar nisso, se isso for divulgado teremos um escândalo dos direitos civis nas mãos, perderíamos nossos empregos...
— Disseram que estavam dispostos a arriscar suas vidas por essa investigação, mas não querem arriscar os empregos?
— Ryuzaki, quais as possibilidades de Kira estar em uma dessas casas?
— Talvez 10%...não, é mais perto de 5%.
— É sério? Desculpa mas não vale o risco.
— Não! De todas as pessoas que investigamos até aqui nenhuma delas pareceu minimamente suspeita, mesmo se tiver só 1% de chance simplesmente não podemos ignorar.
— Chefe...
— Não preciso dizer o quanto fico ofendido em saber que minha família está sob suspeita. Dito isso então, vá em frente. — autorizou Soichiro. — E vê se instala em todos os cantos, não quero nenhum ponto cego na casa, e isso inclui o banheiro.
— Muito obrigado, minha intenção era essa. — agradeceu L.
— Ora chefe, não precisa concordar com isso!
— Ele tem razão, pensa em sua família, você tem mulher e filha em casa não é?
— É, eu sei muito bem disso. — gritou Soichiro — Mas não tem porque fazer se não formos minuciosos. Agora calem a boca!
— Me desculpe...
— Não, tudo bem, com licença...
L foi em direção ao sofá se sentando.
— Como cortesia ao chefe e sua família, só ele e eu vamos fazer a vigilância da casa deles. Watari, quanto tempo vai levar para preparar as escutas e as câmeras que precisamos?
— A partir de amanhã, posso ligar a qualquer hora desde que saibamos quando ambas as casas estarão vazias.
***
Depois de passar um bom tempo estudando Tsuki e Raito já estavam ficando com fome.
— Tsuki, quer jantar aqui hoje?
— Não.
— Por que não? — perguntou desconfiado.
— Meu primo está passando um tempo na minha casa e não acho legal deixa-lo sozinho...
Parabéns Tsuki, está começando a mentir tão bem quanto Beyond.— pensava envergonhada de sua atitude.
— Entendo, acho que já estudamos o suficiente por hoje.
— É, falta poucos dias para o exames...
— Acho que estamos preparados. — disse sorrindo de lado.
— Sim, estamos. Agora é melhor eu ir Raito...
— Eu te acompanho.
Raito levou Tsuki até a porta, sendo interrompido por Sayu.
— Você já vai Tsuki? Fica mais um pouco. — pediu a menina.
— Eu adoraria Sayu, mas hoje eu não posso...fica pra próxima.
— Tá legal, mas venha nos visitas mais vezes, Raito irá adorar.
— Ahn...claro. — disse constrangida.
— Ora Sayu, assim você a deixa com vergonha.
— Desculpa.
— Tudo bem...bom, até amanhã Raito. — despediu-se Tsuki.
— Até amanhã.
Tsuki saiu da casa de Raito caminhando de volta ao seu lar, ficou pensando em como a família do garoto era bonita, e como seria pra eles descobrir que ele era o Kira. Era algo delicado, uma família tão feliz deveria ser valorizada, mas por causa do filho aparentemente exemplar ela poderia se desfazer. Tsuki pensou em sua família e em tudo o que perdeu, invejava Raito nesse quesito, nunca o faltou nada, mas ainda assim não parecia ser o suficiente. Quais poderiam ser seus objetivos? Quais suas metas? O que o motivava de verdade? Por fim, Tsuki não tinha uma resposta a respeito, mas sentia pena de Raito, ele e Kira não poderiam ser considerados a mesma pessoa. Raito era o garoto que ela conheceu no colégio, Kira era o assassino que após ter o poder do Death Note em mãos, assumiu o controle do rapaz. Teria como salva-lo disso? Era o que ela mais perguntava a si mesma.
Continua...
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