Lost In Paradise

31 Execução


Notas iniciais
Aproveitei que minha animação ainda não foi pro Acre e escrevi esse capítulo aqui (what??) Obrigada a todos que estão acompanhando, e até o próximo capítulo (aliás, muitas tretas estão por vir qq). Beijão

Fazia tempo que não abraçava Misa, ou que a via tão contente, apesar de ter acabado de passar por uma duradoura tortura. Olhou para Soichiro, que fechou os olhos respirando pesadamente antes de aproximar dela e de Misa. Havia algo estranho em todo aquele mistério, e as duvidas aumentaram ainda mais quando um novo veículo surgiu. Mogi continuou no carro, mas do lado de trás pôde ver Raito saindo apressadamente. Ele estava com uma aparência péssima, seus cabelos estavam grandes e malcuidados, seus olhos cansados, o suor em sua pele escorregava por seu corpo com as mãos ainda algemadas pra trás. Obviamente, o confinamento não foi nada fácil pra ele também.

— Raito! — Gritou Misa, empolgada. Sem dar chances para que ele se aproximasse, ela correu ao seu encontro. — Eu senti tanto a sua falta!

— Pai, você pode me explicar o que é isso? — A interrompeu, olhando para Soichiro.

— Ele é seu pai? — Perguntou Misa, envergonhada. — Ai eu não acredito, eu chamei seu pai de tarado e disse que ele é velho e mais um monte de grosserias!

O policial passou por Tsuki indo até Misa e Raito, aparentando estar sério e objetivo.

— São todos seus, chefe. — Disse Aizawa, o entregando uma chave.

— Andem, entrem no carro! — Ordenou, abrindo a porta.

Estava se aproximando quando Aizawa a segurou pelo braço, mexendo a cabeça negativamente. Por que só iam levar Raito e Misa? Aquilo estava estranho...

— Uki. — Se aproximou, sussurrando. — Para onde nós vamos?

— Pelo visto, só você e Raito irão.

— Entrem no carro. — Pediu novamente, com as mãos apoiadas em cima do carro, impaciente. Tanto Raito quando Misa pareceram confusos, entrando no veículo.

Era tão estranho para a garota vê-los daquele jeito...o olhar dele era tão explorador e ao mesmo tempo ingenuo, Raito era completamente diferente do Kira, e parecia não entender o que estava acontecendo. Seu pai logo deu partida, levando-os para um lugar que se mantinha desconhecido para ela. Mirou Aizawa ao seu lado, com os braços cruzados esperando que alguma coisa acontecesse. Depois de poucos minutos de espera, o celular dele tocou.

— Sim, ela está aqui. — Atendia a ligação, a encarando. — Sim, vou passar. — Estendeu sua mão entregando-a o aparelho. — É pra você.

Suspirou, tirando o celular das mãos dele e levando até seu ouvido.

— Sim?

— Sou eu, L. — Ao perceber o tom sério que usou, manteve-se em silêncio, esperando que ele continuasse. — Mogi te levará para trocar de roupa e se alimentar. Assim que terminar, estarei a esperando no hotel. Tente não demorar, por favor.

— Tudo bem, L. Mas...para onde Misa e Raito estão sendo levados? — Indagou.

— Estarei te esperando no hotel. — Repetiu, a cortando ao terminar a ligação.

Encarou fixamente o celular por alguns segundos, antes de devolvê-lo para Aizawa. Mogi a esperava com o carro já ligado, e a cumprimentou assim que entrou fechando a porta. Quando começou a dirigir não pôde deixar de olhar pro lado oposto onde Misa e Raito haviam sido levados, tentando ter uma ideia do real proposito para todo aquele ocorrido. Assim como Soichiro, Mogi se manteve quieto, apesar de ter sido mais simpático que Yagami em determinado momento.

Ao parar o carro, Mogi a pediu que a seguisse até o quarto onde poderia cuidar de sua higiene enquanto ele buscava algo para alimentá-la. Entrou no cômodo mantendo sua atenção no sofá cinza e macio com um aspecto elegante como a maioria dos móveis nos hotéis que Ryuzaki costumava se hospedar, em cima dele havia uma muda de roupas perfeitamente dobradas e cheirosas. Aquela sensação de estar em um lugar diferente era tão aliviadora. Pegou as peças de roupa e procurou pelo banheiro. Tomar um banho e deixar que a água levasse com si toda aquela exaustidão era tudo o que queria no momento, mesmo sem deixar de se preocupar com sua amiga, e de certa forma, com Raito também, era óbvio que ele estava completamente mudado, e mesmo não simpatizando com ele, não queria que pagasse por algo que nem tem conhecimento. Se fosse para Kira receber sua punição, que seja sabendo o que cometeu.

Encontrando o banheiro, adentrou trancando a porta. Logo se despiu ligando o chuveiro e sentindo a água fria tomar conta de seu corpo, que a inicio estranhou mas logo se acostumou deixando-se ser limpo. O tempo passou tão rápido, parecia ter desejado aquilo por tanto tempo que quando conseguiu durou meros segundos. Seus músculos aos poucos se relaxaram, e mesmo querendo continuar ali, L ainda a esperava então não poderia demorar mais. Desligou o chuveiro cobrindo-se com a toalha, encarando seu reflexo no espelho da pia. Seus olhos pareciam tão mortos, finalmente poderia conseguir ter uma noite tranquila de sono. Além da cama onde estava ser dura e desconfortável, teve pesadelos relacionados a Beyond por algumas vezes, tinha muito o que agradecer por ter ganhado sua liberdade. Passou a mão em seu cabelo, jogando-o pra trás, em seguida se secando e vestindo a roupa costumeira.

Depois de estar limpa e com vestes mais apropriadas, mal conseguia reconhecer a si mesma com tamanha mudança. Saiu do banheiro e foi até a sala. Ao lado, onde ficava a cozinha, avistou um prato de yakisoba a esperando na mesa. O aroma da comida logo invadiu suas narinas, estava muito faminta. Assim que se sentou, começou a comer rapidamente esquecendo de qualquer regra de etiqueta. Já fazia um tempo que não tinha uma boa refeição, e queria aliviar sua fome o quanto antes. Mogi a olhou um pouco surpreso com seus modos, mas entendia que na situação em que esteve sairia de lá com grande apetite. A pediu que comesse sem pressa para não passar mal, e assim fez até limpar o prato.

— Vamos? Ryuzaki está te esperando. — Comentou, dando meio sorriso.

— Claro. Obrigada pela refeição, Mogi. — Sorriu educadamente, o seguindo para fora. — Ryuzaki está nesse hotel?

— Está, mas pediu que te levasse para outro quarto para se sentir mais a vontade quando fosse se aprontar.

— Ele é realmente gentil.

Sem responder, ele continuou caminhando até se aproximar do elevador. Ao entrarem, ficou esperando chegar até o andar onde L estava a aguardando. Quando as portas se abriram, Mogi a olhou sem sair do lugar.

— O quarto onde ele a espera está no final do corredor, se incomoda se eu não acompanhá-la?

— Não, tudo bem. Você tem seus compromissos.

— Obrigada, Tsuki.

Acenou, andando em direção ao quarto de L sem parar pra olhar em volta. Parou em frente à porta antes de bater, tentando imaginar o que estaria a esperando. Quando tomou coragem, bateu, recebendo rapidamente uma resposta do rapaz.

— Está aberta, entre.

Levou a mão à maçaneta, a abrindo. A primeira imagem que teve foi do detetive em pé, curvado à frente enquanto encarava a televisão desligada por algum motivo desconhecido. Ele não saiu do lugar mesmo depois que ela se aproximou, ficando ao lado dele e encarando também a televisão, mesmo sem saber do que se tratava.

— L...

— Há uma coisa que você precisa saber. — Voltou a cortá-la, sem olhar em sua direção.

— O que é? — Cerrou o cenho.

— Raito e Misa estão sendo levados para a execução.

— O que...disse?

Um leve ar de preocupação tomou seu rosto, mas tentou entender melhor o que ele dizia antes de pensar no que fazer.

— Isso mesmo que você ouviu. — Explicou. — Eles estão sendo levados para um lugar subterrâneo, e tudo que acontecerá por lá será mantido em sigilo. Yagami preferiu levar seu filho e executar com suas próprias mãos, então não questionei. Minha decisão de executá-los foi facilmente aceita pelo governo federal e da ONU, eles querem que Kira desapareça sem publicidade.

— Mas...não há evidências, por que decidiu fazer isso agora?!

— Evidências? Vejo que já está claro o suficiente. Desde que eles foram presos nenhum criminoso foi morto, não é mesmo? — A encarou no canto dos olhos.

E novamente L tentou arrancar de si uma resposta. De alguma maneira ele sabia que ela tinha conhecimento de tudo o que estava acontecendo por fora mesmo ainda estando presa. Obviamente, ela tinha uma ideia que o Death Note estaria sob a posse de outra pessoa que começaria a matar ocupando o lugar de Kira, e fazê-la deixar escapar isso era a meta dele. L mentiu dizendo que nenhum criminoso foi morto para ver a reação dela que já sabia que as mortes haviam voltado. Mas não deixaria isso escapar tão facilmente...

— Eu entendo que isso prove muita coisa, e até mesmo eu julgando pela lógica aceitaria a ideia que a morte deles levaria ao fim do caso. Mas tanto progresso no caso e vai simplesmente executá-los dando margem à dúvida depois de tudo o que investigou até aqui?

— A duvida pode passar se isso salvar as vidas que Kira tiraria se continuasse vivo. — Colocou o dedo na boca, pensando por um tempo. — O caso finalmente chegará ao fim. — Se aproximou em passos largos da televisão, a ligando e em seguida voltando até ela que o encarava abismada. — Assista.

Mirou a tela, sem entender a princípio. Teve a visão de Misa e Raito no carro, e Soichiro na frente ainda dirigindo. Ao prestar atenção em suas conversas, o senhor Yagami deixou claro que executaria o filho e depois se mataria. Estava fazendo esforços visíveis para agir pela razão e não começar a entrar em pânico. L observava atentamente a expressão da menina, assistindo a tudo sem tirar seu foco. Sua respiração estava ofegante, e suas pálpebras mal se fechavam. Não podia entrar em pânico...era exatamente isso que L queria. Percebeu que na mesa de centro o microfone para entrar em contato com Yagami permanecia, e ir até lá era o que não deveria fazer. Por que ele deixou as coisas tão fáceis? E se fosse pra executar Misa, por que a deixou assistir? Ele poderia simplesmente informar a morte dela ao invés de criar todo aquele cenário, mas fez questão que Tsuki assistisse a tudo, diante de seus olhos. Não havia como condenarem Raito ou Misa sendo que as mortes haviam voltado mesmo com eles presos. Bingo! Era tudo armado. L provavelmente viu que prendê-los não resultou em nada depois de todo aquele tempo, e que naquele ritmo não resistiriam, mas por não poder libertá-los sem ter certeza de suas inocências, armou uma situação em que Kira ou o segundo Kira tivessem que matar em defesa própria, e a fez assistir para se desequilibrar emocionalmente e assumir se são ou não culpados enquanto estivesse abalada com suas possíveis mortes.

Quando Soichiro parou o carro, tirou uma arma a colocando na testa de Raito, que assim como Misa, tinha lágrimas em seus olhos.

— Não pai, não! — Gritou Raito, e o barulho do tiro foi ouvido, assustando até mesmo ela que apenas assistia.

Continuou assistindo, sem expressão, porém suas pernas estavam um tanto bambas com o susto. A fumaça saía da arma, mas Raito, completamente assustado, não tinha nenhuma marca ou sangramento em seu rosto. Então não errou...era tudo uma representação. Suas pernas se desequilibraram, e se ajoelhou no chão, respirando fundo aliviada.

— A bala não possui projétil... — Murmurou. — Então usou bala de festim...você pensou até mesmo nisso, não é? — Encarou L, por um momento sentindo raiva.

Ryuzaki não respondeu, depois de olhá-la no chão foi direto para sua poltrona, esperando-os terminarem de falar.

— Estava assistindo, Ryuzaki? — Perguntou Soichiro. — Eu fiz exatamente o que disse. Como pode ver, eu ainda estou vivo.

— É, foi uma performasse convincente. Se Amane fosse o segundo Kira, que só precisa de um rosto para matá-lo, não há duvidas que ela teria matado o senhor antes que tivesse a chance de disparar. E se Raito fosse realmente o Kira, o Kira que eu conheço não evitaria matar o próprio pai pra se salvar. Com Raito em particular eu não posso excluir a possibilidade dele ter percebido nossa encenação em algum momento... — Olhou para Tsuki, sabendo que foi exatamente o que fez. — No entanto, como combinado, vou acabar com o confinamento deles hoje. E como discutimos, Amane e Tsuki continuarão sob vigilância até Kira ser capturado. Quanto a sua parte no acordo Raito, eu e você estaremos juntos 24 horas por dia. E assim vamos ficar até levar Kira à justiça.

— Por mim tudo bem. — Sorriu Raito, confiante. — Vamos pegar o Kira juntos, Ryuzaki.

— É, estou ansioso para trabalhar com você. — Desligou o microfone, indo até a menina que ainda não saiu do lugar.

— Tenho que admitir que você descobriu mais rápido que eu gostaria, Tsuki.

— Que seja. — Disse friamente, olhando pro piso. — Eu odeio ser usada assim!

Ele apoiou um de seus joelhos no chão, se agachando na altura em que ela estava.

— Eu lamento, mas também pensei em você quando armei tudo isso.

— Pensou? — Soltou uma risada irônica. — Pensou em como eu gostaria de assistir a execução de minha melhor amiga?!

— Não. Pensei que poderia admirar ainda mais suas habilidades dedutivas, e principalmente, que não correria o risco de ter que ver você assistir a verdadeira execução de Amane.

Por um momento até se arrependeu de ter sido rude com ele, mas em um momento de raiva nem sequer pensou direito no que disse.

— Então...queria ter certeza absoluta que Misa era inocente para eu não sofrer caso ela realmente fosse executada por ser o segundo Kira?

— É, por isso também. Não gostaria de cometer o mesmo erro deixando que um inocente morresse. — Explicou, referindo-se ao pai da menina.

Ela abriu um sorriso no canto de seus lábios, e se levantou o suficiente para aproximar de seu rosto, afastando com a mão delicadamente algumas mechas que insistiam em cobrir sua face e beijando por fim sua testa carinhosamente.

— Tudo bem, L. Apesar do que fez, agradeço por ter pensado em mim.

Continua...