Adentrou o cômodo escuro mais uma vez. A tela do computador era a pouca iluminação que havia no quarto, e a luz realmente natural passava por uma pequena brecha da porta minimamente. A chamada de Watari vibrava na tela, fazendo-o se ajoelhar em frente ao computador ligando o microfone.

— O que é, Watari?

— Mais três vítimas de parada cardíaca — o velho avisou. — Mas as circunstâncias das mortes são diferentes do que vimos até aqui.

Virou levemente o rosto pro lado, desconfiado.

— Como assim diferentes?

— Estou enviando uma cópia de uma carta e também fotos tiradas do local.

— Tá bom.

Sem muita demora, L recebeu três imagens expostas na tela de seu computador, cada uma ocupando um espaço do visor. Uma delas exibia o corpo de um criminoso morto em um banheiro da prisão, a outra tinha um pentagrama, e a última mostrava uma breve anotação, que foi a que mais o chamou a atenção à primeira vista.

Vejo, hoje, que

O escapar é-me já impossível

Cercado, com destino desde já

Executado, em breve

Saborearei o leve cálice da perdição

Aquele que clama pelo meu coração,

Beija a face da morte e

Indica meu caminho, minha sorte.

Assim, percebo. Para Kira, sou,

Literalmente, a mira.

Parece que o criminoso tinha medo de que Kira o encontrasse... Pode ser que a vítima estivesse com medo e escreveu isso, mas sabia que Kira podia controlar a hora da morte. E se também pudesse determinar as ações nos momentos anteriores da morte? Nesse caso...

— Chefe — chamou imediatamente. — Não podemos divulgar detalhes das mortes desses homens para imprensa, para ela foram só paradas cardíacas, nada mais. Tenho motivos para acreditar que Kira estava fazendo algum teste usando esses criminosos. E se for esse o caso, só estaremos dando as respostas a ele divulgando essa informação.

— Sei, entendi. — Soichiro concordou. Ele era um profissional sério, um dos poucos que não reclamava de imediato de uma das ordens que L dava.

— Então ele está experimentando nas vítimas agora? — um dos policias comentou ao lado de seu colega com desagrado.

— Horrível...

— Ele está brincando com a vida das pessoas como se fosse um jogo... Imperdoável! — o chefe reclamava. Seu senso de justiça era bem forte pra fechar os olhos e aceitar que ainda existiam pessoas livres por aí fazendo esse tipo de coisa.

Enquanto os policiais protestavam, L voltara sua atenção a anotação anterior.

Se Kira está mesmo usando criminosos como cobaias, o que ele está tentando conseguir?, se perguntava roendo a unha.

{ ••• }

Conseguiu se arrumar consideravelmente rápido. Diferente da roupa colegial que usava na maioria das vezes — o que a deixava um pouco sem graça pela saia do uniforme expor suas pálidas pernas —, estava usando uma roupa comum que usaria no dia a dia; uma mera calça jeans escura, uma blusa fina por baixo de uma jaqueta marrom de couro e tênis pretos e desgastados. Estava longe de ser um exemplo de elegância como Amane, mas estava acostumada, e não iria se produzir mais só para encontrar com Yagami. Se ele a convidou, deveria saber que não iria se esforçar para agradá-lo.

Desceu até a sala, Misa estava folheando uma revista enquanto bebia um suco que parecia ser de laranja.

— Bom dia, Misa. Bom dia, Remu.

— Bom dia — Misa respondeu sorrindo, abaixando a revista para encará-la. — Onde está indo?

— Preciso me encontrar com uma pessoa.

Foi questão de tempo até Misa levar sua afirmação para outro sentido... Em um sentido malicioso, claro.

— É com um garoto? — o silêncio de Tsuki foi a melhor resposta que poderia obter, levantando-se e indo até ela. Remu observava um tanto deslocado, com certeza não era o trabalho de um shinigami ter que presenciar cenas como aquela. — É um encontro, UkI? — juntou as mãos perto do rosto, dava pra ver a empolgação dela em seus olhos escuros e vibrantes. — Você não pode ir desse jeito! Vem comigo, vou encontrar uma roupa linda pra você — segurou seu braço, pronta para levá-la para uma "transformação" completa.

— Misa, não — se soltou gentilmente. — Já estou atrasada, e além do mais... Gosto dessa roupa, não vou trocá-la. E não seja boba, não é um encontro — deu de ombros.

— Se você gosta dele, e ele gosta de você... Por que não iria ser um encontro?

— Misa... — riu baixo. — Como pode saber que nos gostamos? Você é fantasiosa demais as vezes.

— Ah, para. Você nem pra me falar mais sobre ele né?

Ignorando suas reclamações, olhou para o relógio.

— Tenho que ir, depois a gente fala sobre isso — virou-se para a porta, colocando o celular em seu bolso.

— Mas quando voltar vai me contar tudo sobre o encontro né? — perguntou animadamente.

— Depois a gente fala sobre isso — revirou os olhos, sorrindo de leve. — Até mais.

{ ••• }

Foram alguns minutos de caminhada até encontrar o ponto de ônibus vazio. Estava um pouco frio, o clima era fresco como na maioria dos dias. Gostava do clima assim, era agradável e sempre bom para dormir, o que a fazia se lembrar de que saiu da cama cedo em um dia que poderia dormir um pouco mais agarrada as cobertas, lamentando consigo mesma. Sentou-se no acento do meio no ponto, esperando Raito chegar. Ficou cantarolando uma música mentalmente para passar o tempo até que ele chegasse, não queria mexer muito em seu celular porque não tinha o deixado carregando o suficiente e a bateria estava insuficiente, nesses momentos reservava ele apenas para emergências.

Minutos depois, Raito descendo as escadas entrou em seu campo de visão. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados pelo vento que tomou, suas mãos acolhidas nos bolsos da blusa branca de frio, e seus passos até ela foram lentos e pacientes. Nenhuma preocupação parecia ocupar a mente do garoto.

— Bom dia, Maruyama — abriu um sorriso leve. — Desculpe... Te deixei esperando?

— Eu cheguei quase agora, na verdade. — desviou o olhar. Ela não parecia alguém que saía com muita frequência, estava ansiosa mesmo tentando disfarçar, o que fez Raito parar para observá-la, olhando-a dos sapatos gastados até os cabelos negros e longos que ultrapassavam seu busto. As bochechas dela estavam levemente vermelhas pelo frio, assim como seus lábios rosados um pouco ressecados. Ela era mais simples do que as garotas que costumava sair, não se preocupava tanto com vestidos caros ou maquiagens, e nem disfarçava sua cara de sono. Mas era bem bonita, não sabia porquê não reparou nela antes. Mas ao perceber que o garoto já a encarava por alguns minutos, ela fechou a cara, sem graça. — O que foi?

Ele abaixou a cabeça, rindo baixo.

— Não, nada.

— Se for pra zombar de mim, diga logo, que já dou meia volta e vou embora — se virou, mas ele segurou seu braço calmamente.

Ela não tinha boa autoestima mesmo, mas não imaginou que fosse assim. Provavelmente, ela detestava ser subestimada ou colocada em um nível inferior.

— Calma... — sussurrou perto de seu ouvido esquerdo. — Não queria te deixar sem graça, desculpe. Eu estava apenas... Reparando em você. Não estou zombando, realmente te acho bonita.

Suspirou. Pelo visto havia feito papel de ridícula de novo, mais um motivo para nunca conseguir muitos amigos, nem todos sabem lidar bem quando ela agia por emoção assim. Por que tinha que ser assim?

— Olha, Raito...

— Tá tudo bem, não se preocupe — colocou a mão em seu ombro, vendo-a se virar para ele. — Eu já tinha uma noção que você não era muito de se enturmar, mas estou apenas te convidando pra um passeio inocente, não quero deixá-la tensa com isso. Na verdade, gostaria de ser uma boa companhia pra você.

— Bom... Eu agradeço. Sobre antes, desculpe, eu não...

— Não precisa pedir desculpas. — virou seu pescoço encarando o ônibus que havia acabado de chegar. — É o nosso. Vamos?

— Hã... Vamos. — confirmou, e ele educadamente fez sinal para que ela entrasse antes dele. Caminhou até a penúltima fileira sentando-se perto da janela, como sempre. Não tinha notado isso antes, mas um homem de olhos claros e cabelos negros havia entrado logo depois de Raito, literalmente foi algo seguido. As roupas dele eram peculiares também, mas era melhor deixar isso pra lá, não era de ficar cismada com desconhecidos mesmo, não era como se ele estivesse os seguindo até ali, só foi... Curioso.

— Já foi ao Spaceland, Tsuki? — Raito perguntou, em seguida limpando a garganta e corrigindo: — Posso te chamar de Tsuki, não é?

— Sim, pode. — abriu um limitado sorriso, não queria ser uma companhia tão desagradável quanto sentia que estava sendo. — Eu nunca fui ao Spaceland...

— Acho que você vai gostar, já fui com meus pais quando pequenos.

— Parece divertido...

— Falando nisso, e quanto aos seus pais? Também moram aqui no Japão?

Era raro Raito parecer prestar atenção no que ela dizia, mas não iria mentir, gostava dessa mesma atenção.

— Meus pais já morreram.

— Oh... Sinto muito — lamentou desviando seu olhar. — O que aconteceu? — ergueu as sobrancelhas, parecendo preocupado. — Quer dizer... Se quiser contar, claro.

— Minha mãe tinha um tumor cerebral... Morreu quando eu era pequena ainda. Depois de sua morte meu pai não foi mais o mesmo... Parece até que tinha enlouquecido — riu fraco. — Ele acabou se metendo em problemas... Não teve como escapar disso.

— Lamento. Mas você não tem contato com outros parentes?

Por que ele repentinamente se interessou por sua vida? Não que fosse ruim, mas esperava que ele não estivesse encenando, pois nada a irritava mais do que a falsa empatia.

— Não. E mesmo se tivesse... Não me lembraria de todos. Fui envolvida em um acidente de carro há dois anos, e tive uma perda de memória. Não foi algo muito grave, mas algumas coisas ainda tenho dificuldade em me lembrar.

— É, parece complicado... Então mora sozinha?

— Na verdade não, moro com uma amiga.

— Que bom que não está sozinha — sorriu.

— É mesmo...

Passaram um tempo jogando conversa fora, debateram sobre vários assuntos, até sobre jogos eletrônicos. Ele estava mesmo demonstrando estar aberto a sua amizade. O ônibus levara o total de sete passageiros, e estava até silencioso, muitas conversas estavam abafadas e o barulho do veículo em movimento acabava fazendo mais barulho que os próprios passageiros. Quando parou em outro ponto de ônibus, Raito pareceu ficar um pouco mais calado que antes. Em seguida, um sujeito entrou no ônibus silenciosamente, sua pele era levemente morena, seus dentes um pouco tortos e cabelos rasos, no geral ele parecia mais era um viciado em drogas ou um bêbado qualquer, julgando pelo cheiro que deu pra sentir de longe desde que ele surgiu. Ele tirou as mãos dos bolsos revelando uma arma, apontando-a pro motorista assustado.

— Fiquem onde estão se não quiserem morrer. — anunciou o assalto.

Observou as expressões dos passageiros, assustados. Ela nunca havia presenciado um assalto... Mas por segurança, achou melhor manter sua calma e não opor-se contra.

— Todo mundo calado. Se alguém se mexer, eu meto bala na cabeça! — dizia o assaltante — Olha aqui motorista, está ouvindo? Eu sei que você tem o telefone do escritório do Spaceland, liga pra lá. — ordenou arrogantemente.

O motorista amedrontado o obedeceu, assim fazendo a ligação e explicando a situação em que se encontrara. Sem que ele pudesse terminar, o assaltante pegou o telefone de sua mão.

— Ouviu o que ele disse? — falou com o aparelho em mãos. — Agora escuta, manda uma funcionária trazer todo o dinheiro do caixa de ontem, eu sei que está aí. Manda ela nos encontrar em uma das paradas de ônibus no parque, e não me faça esperar. Se me enrolarem ou tentarem envolver a polícia nisso, eu juro que mato todos esses passageiros. — apontou a arma aos passageiros novamente, e logo em seguida, quebrou o telefone o arremessando no chão e o pisando.

Por que estava tendo um assalto do nada? Não estava tão assustada quanto pensou que estaria, mas foi muito imprevisto. Se aquele cara surtasse e começasse a atirar contra os passageiros...

Antes que pudesse terminar de pensar sobre, sentiu Yagami cutucar sua perna direita, mostrando-lhe um bilhete.

Tsuki, não tenha medo, assim que ele se virar eu tiro a arma da mão dele.

Estava prestes a reclamar daquele plano estúpido quando o homem que estava sentado atrás deles os alertou:

— Não seja idiota, é arriscado. — avisou. — Se chegar a isso, eu cuido de tudo.

O que aquele homem estava falando? Os dois estavam sendo imprudentes. Não era possível que iriam tentar dar uma de heróis logo agora. Raito voltou a escrever no papel, enquanto a garota olhava discretamente o homem que tinha acabado de se pronunciar.

— Calma, não precisa passar bilhete um pro outro — o estranho voltou a falar. — Se a gente falar baixo, ele não vai poder ouvir nossas vozes por conta do barulho do motor.

Raito fechou os punhos com o papel e a caneta entre as mãos, colocando-os no bolso lateral de sua jaqueta novamente.

— Você tem alguma prova de que não é cúmplice dele? — murmurou desconfiadamente. — Eu já li sobre isso. O primeiro cara entra como se estivesse sozinho, enquanto isso o segundo finge que é refém e fica atrás caso alguma coisa dar errado.

O que há com você, Raito?, se perguntava mentalmente. Se ele suspeitasse mesmo que aquele homem fosse cúmplice, não iria falar isso diretamente pois saberia do risco. Isso não era a atitude de um aluno exemplar, e sim de um idiota que não tem medo de colocar sua vida em risco.

— Olha aqui pra você conferir — pegou um de seus documentos entregando para Yagami. — Dá uma olhada.

Estava tão surpresa quanto Raito ao ver que aquele homem era do FBI. O que um agente como ele fazia naquele ônibus? E coincidentemente, no dia em que ele é assaltado? Não parecia mera coincidência. Assim como não era prudente um agente se expor daquele jeito, ele não tinha nada o que provar pra estudantes como eles, mas Raito pareceu satisfeito, abrindo um sorriso sutil antes de devolver o documento ao homem.

— Certo. Eu confio em você, e acho que daqui em diante não vou perguntar o que um agente do FBI está fazendo nesse ônibus... — cruzou os braços, olhando pra frente. — Você tem uma arma?

— Tenho.

— Então se for preciso, podemos confiar em você, né?

— Isso.

Assistia a cena com uma expressão confusa, as coisas estavam acontecendo rápido demais para seu bom grado. Voltou a fitar o assaltante que implicava com dois idosos, quando percebeu que aquele rosto era conhecido. Aquele homem havia saído em um noticiário recentemente, o que estava fazendo naquele ônibus? E naquele horário ainda...

Foi tirada de seus pensamentos quando percebeu Raito se curvando ao lado para pegar algo que deixou cair, percebendo que o papel que havia usado pra se comunicar tinha parado no chão. Ela entrou em um pânico imediato quando notou que o assaltante estava se aproximando.

— Não se mexa, seu moleque.— gritou apontando a arma em direção a Yagami. — O que é isso, espertinho? Estavam planejando alguma coisa aqui atrás não é? — sua voz grosseira soava mais ameaçadora quando ele se aproximava. O assaltante pegou o papel do chão, o desdobrando e lendo. Maruyama congelou ao pensar que ele descobriria os planos de Raito, mas se surpreendeu com a atitude do homem. — Fazendo planos, é? — riu. — Garoto idiota. — zombou, jogando o papel no rosto de Raito.

O que ele tinha lido? Era estranho ele não estar nervoso por Raito ter planejado tirar a arma dele e evitar o assalto. O drogado caminhou no corredor do ônibus em direção ao motorista novamente, quando parou de andar assim que o ônibus pareceu passar por um túnel ou algum lugar escuro, ganhando menos luminosidade. Ele se virou lentamente para trás, e seu rosto passou a ganhar espantado em cada linha de expressão.

— Q-Quem é você? Você aí atrás! O que está fazendo aí? — berrava olhando pro fundo do ônibus, que na verdade não tinha ninguém. — Olha aqui, não brinca comigo! Há quanto tempo está escondido aí? Fica aí! — deu um passo largo pra trás, ainda segurando sua arma pra um ponto cego, apesar de que ele tremia muito e mal conseguia mantê-la em mãos. — Parado! Fica longe de mim... Seu monstro!

— Todo mundo abaixado! — o agente gritou, alertando os outros passageiros assim que percebeu que as coisas estavam ficando perigosas.

Os passageiros se encolheram, e Raito abraçou-a de lado a ajudando a se proteger. O assaltante começou a atirar contra as janelas do fundo, como se estivesse tentando atingir alguma coisa. Quando sua arma finalmente descarregou, correu até o motorista o agarrando pela gola da camisa.

— Para esse ônibus! Eu quero sair. — implorou desesperado.

O motorista assustado parou o ônibus rapidamente, espantando os passageiros. Assim que a porta foi aberta, o assaltante saiu desajeitado, caindo com as mãos sobre o chão, quando um carro desgovernado passou em sua direção o acertando em cheio. O barulho de seu corpo sendo acertado foi a certeza absoluta que o susto havia passado...

Era tanta coisa pra processar... Aquele criminoso havia sido noticiado há poucos dias, já havia assaltado vários lugares... Ele morrer assaltando um mero ônibus?

Tenho que me acalmar... Tenho que me acalmar... Tenho que me acalmar...

Agora menos ainda acreditava que aquele evento tinha ocorrido por acaso, era estranho demais.

Acabou pensando em Kira quando olhou o rosto daquele homem, afinal provavelmente seria uma das vítimas dele em breve se estivesse vivo ainda, já que seus crimes só aumentavam. Em sua última conversa com Remu, ele foi bem claro quanto ao fato de que Kira poderia controlar as ações das vítimas antes de suas mortes detalhando-as no Death Note. Mas seria possível ele estar envolvido naquilo? Se estivesse, não estava matando como em seu padrão, já que o criminoso não morreu de parada cardíaca. Será que ele começou a testar seu poder sobre as vítimas?

— Tsuki? Você está bem? — Raito a abraçou, tentando acalmá-la, mas isso não cortou sua tensão e sua linha de pensamentos.

Será que se aquele suspeito foi um experimento de Kira, existia a possibilidade de ele estar naquele ônibus, ou fora dele observando o resultado de seu teste? Um agente do FBI e um assaltante famoso em um ônibus no mesmo dia, não era comum. Mas quanto ao papel que Raito deixou cair... Era impressão sua, ou as alucinações com um "monstro" só começaram depois que o homem o tocou?