Lost In Paradise
4 Conclusão
Notas iniciais

Conforme os dias se passavam, mortes de criminosos continuavam a serem divulgadas. Porém, depois do pronunciamento de L, a policia japonesa não se manifestou mais publicamente sobre o caso Kira, mesmo que a imprensa fizesse o possível e impossível para tentar descobrir mais sobre a investigação.
Os dias na escola estavam... Normais. Normais até demais, para sua insatisfação. Embora conversasse com poucos alunos, estava preferindo se isolar dessa vez, porque boa parte dos estudantes que não tinham nada a temer, estavam glorificando Kira. Não imaginou que ele fosse conquistar os cidadãos comuns tão rápido, mas pelo visto, são pessoas extremamente manipuláveis. Não queria ficar ouvindo os mesmos discursos, bandidos ou não, eram vidas, não há porquê comemorar tanto por assassinatos em massa.
Raito pelo menos era quem se manifestava contra Kira, dizendo que não aprovava as idéias dele e que estava torcendo por L na investigação. Ele não parecia estar sendo tão sincero com o que dizia, mas por que iria mentir? Pelo menos aquela opinião em comum os fez ter uma aproximação nos últimos dias, mesmo que pequena. Como imaginou, Raito era bom de papo, uma ótima companhia quando queria. Mas sempre parecia entediado com tudo, isso a irritava as vezes. Era como se ele nunca estivesse satisfeito com nada, mas não iria reclamar... Ele era uma das poucas pessoas com quem conseguia conversar atualmente, e as vezes estudavam juntos no intervalo e tinham uma ótima sincronia.
Sentada à mesa da cozinha estudava calmamente, anotando algumas informações retiradas do livro. Suas orbes passeavam por cada linha daquela página, com uma concentração um tanto invejável, nem notou Misa chegando, com Remu ao seu lado como sempre. Ergueu o olhar vendo-a pegar uma maçã em silêncio, mas pelo jeito dela, estava querendo conversar. Ela não sabia disfarçar, e sempre ficava a beirando quando queria conversar mas não puxava assunto pois sentia que iria atrapalhar.
— O que foi Misa?
Ela sorriu ao ver que Tsuki percebera que estava incomodada.
— Estou atrapalhando seu estudo? — perguntou puxando uma das cadeiras e se sentando frente à ela na mesa.
— Não, fique tranquila. O que foi?
— Sabe... Eu estive pensando... Eu não acho que Kira seja mal... — ela ia falar de Kira de novo... Por que não estava surpresa? — Eu acredito no que ele está fazendo. Assim como ele matou o assassino dos meus pais, eu sei que tem muitas pessoas sendo vingadas também. Não gosto que aquele tal de L o trate como um monstro.
Misa não fazia ideia do aperto que sua amiga sentia quando ela falava daquele jeito. Não queria ver ela colocando essas ideias na cabeça, mas sabia que mais cedo ou mais tarde. Misa voltaria a tocar no assunto de Kira.
Soltou a lapiseira que tinha em mãos deixando-a em cima do livro, queria falar com calma, e queria ganhar a atenção da garota.
— É assim que ele quer que você pense, Misa. Na verdade, é assim que ele quer que o mundo inteiro pense — retrucou. Tanto Misa quanto Remu a encaravam fixamente naquele momento. — Matando criminosos ele só quer mostrar que tem seu próprio conceito sobre o que é certo e errado. Ele acha que está sendo um justiceiro, mas se ele é a pessoa que aparentou ser após aquele vexame na televisão, ele não mata só pessoas culpadas. Ele mata quem se colocar em seu caminho e duvidar de que o que ele faz é certo. Qualquer pessoa é descartável pra ele. Eu entendo que você e as outras pessoas estejam confusas... Eu também queria ver a mudança nesse mundo, mas não é assim que ocorrerá. Tenha em sua mente, que por mais que Kira tenha feito algo de bom pra você, o que ele está fazendo não é correto.
Amane ficou em silêncio, refletindo sobre suas palavras. Sabia que podia ter razão sobre Kira, mas não concordava cegamente com o que ela falou. Kira podia ter um lado gentil, ele matava por falta de opção, mas suas intenções só podiam ser boas... Kira tirou dela um peso das costas e uma dor que carregou desde a morte de seus pais. Ninguém tinha sido capaz de fazer isso antes.
— Misa, preciso que me empreste o Death Note — Tsuki pediu, a pegando de surpresa.
— Você... Vai usar o caderno? Pretende matar alguém? — perguntou com os olhos exageradamente abertos.
— Óbvio que não. Eu só quero ler as regras com mais calma... Mas não tenho a menor intenção de usá-lo. E Remu, preciso falar a sós com você.
— Falar a sós com Remu? O que é tão importante que não pode falar na minha frente?
— Misa, Remu te segue por aí o dia inteiro, não acho que tirá-lo de você por alguns minutos fará falta — falou com sarcasmo, encarando o shinigami rapidamente. — E mais... Será mais fácil pra mim estudar o caderno com alguém como Remu, que têm a função natural de usar o Death Note.
— Você tem certeza?
— Está tudo bem, Misa — Remu a acalmou. — Eu entendo a curiosidade dela, e talvez estudar mais sobre o caderno faça Tsuki saber mais sobre Kira, você deve ter interesse nisso.
— Tem razão! Tudo bem, irei buscar o caderno.
{ ••• }
Leu e releu as regras que tinham na capa. Eram bem mais especificas do que imaginara. Remu parado em um canto de seu quarto calmamente esperava o tempo que fosse preciso para ela decorar cada função exposta na capa. Até que finalmente, a estudante resolveu quebrar o silêncio:
— Remu, é estranho perguntar isso pra um shinigami... Mas não vejo más intenções em você, então farei a pergunta mesmo assim: Posso confiar em você?
— Creio que sim. — sua voz como sempre ressoava um pouco cansada, porém séria.
— Escute Remu... Misa está muito interessada em Kira, você sabe que isso é perigoso, então limite-se a contar a ela o que iremos conversar aqui. Prometa-me isso, se possível.
— Tá bem. Eu prometo.
— Obrigada... Antes de tudo, quero que confirme minha ideia. — o shinigami assentiu levemente, a incentivando a continuar: — Aqui diz que se a causa não for especificada, a vitima morrerá de ataque cardíaco, sendo assim, Kira deve escrever os nomes sem mais detalhes quando mata os criminosos. Porém, também diz que após especificar a causa da morte, detalhes dela podem ser escritos em seis minutos e quarenta segundos. Durante o confronto que L tivera com Kira pela tv, ele citou sobre o suspeito em Shinjuku, mas pelo o que eu li ele não morreu de parada cardíaca, e sim em um acidente. Kira especificou a causa de sua morte para fazer um teste e descobrir se realmente pode matar de outros jeitos além do parada cardíaca, certo?
— Sim.
— Se pode escrever a causa das mortes detalhando-as então obviamente ele poderá matar de outros jeitos, mas poderia também controlar as ações da vítima se as detalhar no Death Note?
— Dentro do possível, ele pode controlar as ações da vítima antes de suas mortes. Mas não posso garantir com 100% de certeza como ele usa o caderno... Nós shinigamis trabalhamos diferente.
— Imaginei... Então o suspeito em Shinjuku foi mesmo um teste como L previu — era impressionante L notar esse detalhe... — Mas Kira optou por matar apenas com parada cardíaca, então ele não deve ter testado o caderno o suficiente pra saber o poder que têm sobre as vítimas antes de suas mortes. Ou no caso, ele prefere esperar o momento certo pra testar...
— Momento certo?
— Sim... Por exemplo, pra confundir a polícia. Se começar a matar diferente do padrão, podem ligar esses assassinatos a outro culpado, mas não acho que L se enganará com isso — jogou seu corpo pra trás na cama, encarando o teto, pensativa. Aquilo era bem complicado de se assimilar.
— Faz sentido. Mas o que pretende fazer com essas informações?
— Eu tenho várias ideias sobre o caderno, mas ainda não decidi o que fazer. Talvez precise de mais informações sobre o Death Note, Remu.
— Isso pode ser perigoso, por que está interessada no Kira?
— Se ele chegar perto da Misa... — nem havia terminado de falar, e o shinigami a cortou.
— Entendo... Isso é difícil de acontecer, mas não impossível.
Remu tinha uma preocupação estranha com Misa, mas pelo menos isso a fazia confiar mais nele no que estava fazendo.
— Diferente do L, eu tenho esse caderno em mãos. Eu não posso entrar em contato com ele, então tenho que investigar sozinha. Eu não irei me envolver em nada perigoso, só quero manter isso em segurança, e ainda fico pensando se Kira for alguém que more aqui por perto... Não posso estar despreparada pra tudo isso. O contato dele com Misa seria um grande deslize para ambos.
Era meio assustador o desenrolar de tudo aquilo. Parecia que quando dava um passo para se aproximar de Kira, dava dois em distância ao L, que era a pessoa cujos os ideais tinha em comum. E o mesmo acontecia se fosse colocado ao contrário... Talvez depois de estudar o caderno, se realmente fosse perigoso, devesse deixar de lado e voltar a pensar na escola e nos trabalhos que tinha para completar. Quem sabe procurar um emprego... Mas tudo aquilo era uma atmosfera fascinante. Sentia que era uma das primeiras vezes que podia fazer algo realmente significante, mesmo que a maioria das pessoas não soubesse disso.
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