Lost In Paradise
12 Colisão

Tsuki chegou em sua casa vendo Misa e Remu na sala conversando como sempre, olhou novamente e estranhou o fato de Beyond não estar presente.
— Olá, cheguei. — disse entrando.
— Oi Uki, onde estava?
— Estudando, onde B foi?
— Eu não sei, acho que está no quarto ou no banheiro. — respondeu Misa, dando de ombros.
Misa parecia tristonha, e Tsuki que já a conhecia a muito tempo, não demorou pra perceber.
— Ah sim...
— Uki...
— O que foi Misa? — perguntou se sentando ao lado da amiga.
— Não sei explicar...
— Então tente, não posso te ajudar sem saber. — explicou gentilmente.
— Não me sinto muito bem, ontem sonhei com a morte dos meus pais...mesmo depois de morto, o assassino dos meus pais ainda me causa dor, mas agora sou grata a Kira por feito isso pra mim, sei que você não o apoia, mas promete não me abandonar se eu disser que apoio o que ele está fazendo?
— Misa...você sabe que eu nunca irei apoiar o que Kira está fazendo, mas não quer dizer que não irei apoiar você. Eu estou do seu lado, não do dele. Não quero lhe ver triste, e sei que a morte de seus pais ainda a machuca, mas ainda não posso concordar com o que ele faz. Eu estarei aqui se você precisar de mim, como sempre estive, mas como sua amiga devo lembrar que apesar de você ser grata a ele não deva se meter nessa história, imagina a batalha que ele e L estão travando...não quero que você fique do lado dele e eu do L, estaríamos nos separando depois de anos. Só toma cuidado com o que você está escolhendo pra sua vida, ok?
— Obrigada Uki. — disse abraçando Tsuki — Prometo que nada irá nos separar, nem mesmo Kira.
— Assim espero.
Remu olhava a cena admirando, achava bonito a amizade que elas tinham, mas temia que por elas serem tão diferentes um dia acabassem se separando e desistindo de um afeto tão raro no mundo dos humanos.
— Misa vou ver o B e depois volto pra ficar com você, tudo bem?
— Eu estou bem Uki, vai lá com seu primo, ele parece gostar muito de você.
— Ele...gosta de mim?
— Sim, ele sempre fala sobre você ué.
— Ah...ok, vou lá então.
Tsuki foi até o quarto de hóspedes a procura de Beyond, que ali não se encontrara. Ficou preocupada imaginando onde ele poderia estar, sabia que ele tinha personalidade forte e que era muito imprudente em alguns assuntos. Percebeu que ficar ali não adiantaria em nada, então resolveu ir ao seu quarto até dar a hora do jantar. Abriu a porta calmamente antes de acender a luz, ao fechar iluminou seu quarto avistando Beyond deitado em sua cama. A garota se assustou, soltando um grito.
— Calma querida, só estava te esperando. — disse sorrindo ironicamente.
— Você quase me mata do coração.
— Isso é com Kira, costumo matar de outros jeitos.
— O que você quer?
— Nada, só vim fazer uma visitinha.
— Então você invade meu quarto a essa hora e diz que só está fazendo uma visitinha?
— É isso aí.
— Beyond sai do meu quarto.
Ele não a respondeu, ficou a encarando como já tivera feito outras vezes.
— B...por que tá me olhando?
— Não posso?
— Não é isso...
— Posso ou não posso?
— Pode mas...
— Então vou continuar olhando.
— Tonto. — disse envergonhada.
— É melhor descermos para jantar.
— Tá, eu já vou.
Beyond saiu do quarto de Tsuki a deixando sozinha. Ela ficou pensando no porquê dele estar agindo assim, ele parecia mudar em cada conversa que tinha com a garota. Não podia deixar de pensar em como teria sido de A não tivesse se matado, se B não tivesse se tornado um assassino e se L não tivesse seguido sua carreira de detetive. As coisas poderiam ter tomado outro rumo ou era só mais uma ilusão? Todos já fizeram algo do qual se arrependeram e que agora já era tarde demais para concertar, no caso de Tsuki, ela nem sequer se recordava de algo que pudesse ter feito com A e B, era uma realidade triste, pela qual não queria encarar. Depois de conhecer Beyond, Tsuki passou a sobreviver de suas lembranças, tentando reviver em sua imaginação cada coisa que ele a contou. Estava preocupada com Misa, com suas futuras decisões e consequências que viriam à tona, tinha medo que suas escolhas as separassem. No inicio, seu único objetivo era ajudar na investigação de Kira, mas agora, estava muito além disso. Ela conhecia Kira, conhecia Beyond e futuramente era possível que conhecesse o detetive que tanto admirava, no final, o que a restaria? Mais lembranças ou um sentimento realmente estável?
Depois de um tempo meditando Tsuki saiu de seu quarto indo até a sala para comer alguma coisa, Beyond como já era de se esperar, estava com um pote de geleia nas mãos. Mesmo que o açúcar excessivo que o garoto consumia afetasse sua saúde, Tsuki sabia que avisa-lo a respeito não adiantaria em nada.
— Uki quer ir a um desfile comigo amanhã? Você também está convidado B. — convidou Misa, alegremente.
— Desculpe, tenho compromisso. — disse Beyond.
— Ah é? O que vai fazer? — perguntou curiosa.
— Matar.
Misa riu.
— B você é tão engraçado.
Beyond apenas sorriu para não puxar assunto com Misa.
— E você Uki, vai ir comigo né?
— Lamento Misa, você sabe que essas coisas não são pra mim...e eu ainda tenho que estudar, os exames estão chegando e desejo tirar uma boa nota.
— Ah mas que papo mais brega Uki, deixa esse lado nerd de lago e vem comigo vai.
— Desculpa Misa, mas amanhã não vai dar.
— Tá, mas não pense que eu desisti! — disse cruzando os braços — Ei B...
— Diga Amane.
— O que você acha de Kira?
— Um covarde iludido.
— Ahn?
Não só Misa como Tsuki ficou surpresa com o que o garoto dissera.
— Simples, Kira mata criminosos querendo transformar o mundo, mas não importa quantas pessoas ele mate, o mundo continuará sendo o mesmo.
— Como assim B?
— A natureza humana é má, o que ele faz é um esforço patético e inútil. No fim, ele não é diferente das pessoas que mata.
O resto do jantar foi silencioso, mesmo quando Misa puxava assunto Tsuki e Beyond não pareciam demonstrar interesse, seus assuntos de preferência sempre foram intelectuais, mas Amane parecia viver em um mundo diferente dos deles. Tsuki observava Remu, sentia falta de conversar com o shinigami, desde que Misa começou a sair frequentemente ela não teve mais tempo a sós com Remu, sentia que estava a escondendo algo. Quando terminou de comer, Tsuki subiu ao seu quarto para descansar, tinha sido um dia cansativo, e o que viria a chegar seria ainda mais desafiador.
***
As casas dos Kitamura e dos Yagami já estavam sendo monitoradas, L tomou a iniciativa de vigiar a casa dos Yagami ao lado de Soichiro, e até então ela se encontrava vazia. Para satisfação do detetive, Raito tinha acabado de chegar a sua casa, percebendo que não tinha ninguém por ali.
— Já cheguei.— gritou o garoto tirando seus sapatos.
Raito subiu as escadas indo até seu quarto, ao abrir a porta viu um pedaço de papel cair sobre o chão, mas nada demonstrou. Entrou deixando sua mochila na cama e se deitando folgadamente. Ele que já estava inquieto, não ficou muito tempo naquela posição, se levantando em direção a seu armário. Raito trocou de roupa e foi verificar a porta de seu quarto.
— Não acredito... — dizia Soichiro — Jamais imaginei que ele fosse tão longe, o que ele pode estar escondendo que não quer que ninguém mais veja?
— Para um garoto de 17 anos eu não diria que esse tipo de comportamento é particularmente anormal, quando eu tinha a idade dele fazia coisas estranhas também. Já falou com seu filho sobre a investigação?
— É claro que não, eu nunca revelei informações confidenciais para minha família. Além do mais não os vejo muito ultimamente, geralmente assim que eu chego em casa eu durmo direto.
— Eu entendo. — disse voltando a atenção a Raito.
***
Já estava anoitecendo quando Tsuki voltava para sua casa. Não podia disfarçar o cansaço que estava sentindo após passar boa parte de seu dia na biblioteca estudando, mas não conseguia se concentrar estudando com Raito, então resolveu fazer por conta própria. Estava na rua de sua casa quando se assustou ao sentir uma mão sobre seu ombro.
— B? — perguntou encarando o garoto. — Estava me seguindo?
— Não seja tão vaidosa, eu estava voltando pra casa quando a vi. É perigoso andar sozinha uma hora dessas sabia querida? Poderia encontrar um psicopata louco por aí.
— É, acho que já encontrei.
— É mesmo? E quem ele é? — perguntou sorrindo.
— Muito engraçado.
— Aonde estava?
— Na biblioteca.
— Até agora?
— Sim, eu tenho que estudar pros exames esqueceu?
— Mas você já estudou com Raito ontem, não foi?
— Sim mas...
— Não conseguiu se concentrar...
— Exatamente.
Os dois chegaram até a casa adentrando-a.
— Misa? — chamou Tsuki.
— Ela não estava aqui desde que eu sai.
— Como assim? Ela nunca sai nesse horário.
— Bom, hoje ela saiu.
— Vou ligar pra ela.
Tsuki pegou seu celular discando o número da amiga.
— Só cai na caixa postal.
— Amane tem saído muito ultimamente, deve estar na casa de alguma amiga, não precisa e preocupar.
— Mas...
— Relaxa, ela está com a Medusa.
— Tem razão...não tem porquê eu me preocupar, Misa sabe se cuidar.
— Disso já não tenho muita certeza, mas sabe o que eu acho?
— O quê? — perguntou preocupada.
— Que vou pegar geleia de morango. — disse se retirando até a cozinha.
***
Raito Yagami estava em seu quarto quando se deitou em sua cama abrindo uma revista com mulheres semi-nuas. Soichiro observava as ações de seu filho intimidado ao lado de L.
— Eu não acredito que meu filho veja essas revistas.
— É normal para um garoto de 17 anos, mas parece forçado e muito óbvio...o único motivo dele não querer ninguém no quarto é porque tem essas revistas? É isso que ele quer que a gente pense... — disse L desconfiado das ações do garoto.
— Espera aí, está falando do meu filho. Está me dizendo que suspeita mesmo dele? — perguntou Soichiro começando a se zangar.
— Eu suspeito dele, por isso coloquei escutas e câmeras na sua casa e na do subdelegado. — respondeu calmamente como de costume.
Depois de um tempo Raito se levantou guardando a revista em sua prateleira.
— Ei Raito, anda logo, o jantar tá pronto!— gritou a pequena Sayu.
—
Sachiko e Raito estavam sobre a mesa jantando, enquanto Sayu assistia um filme sentada em frente a TV.
— Hideki Ryuga ele é perfeito demais, por que ninguém da minha sala é igual a ele?
— Sayu, venha jantar.— pediu Sachiko.
— Eu vou comer depois.
L que assistia a tudo pegou seu celular ligando a Aizawa.
— Oi, senhor Aizawa. Os Kitamura estão vendo tv agora?
— Estão. Ele não está em casa mas os outros estão vendo enquanto comem, é o canal 4.
— Watari, por favor contacte as tvs e mande passar nossa mensagem.
— Está bem, entendido.
L voltou a atenção as filmagens.
— Ahn? O que foi? — falou Sayu confusa — Estão dizendo que em resposta aos crimes do Kira a Interpol vai enviar ao Japão 1.500 investigadores, os investigadores foram retirados de agências policiais de suas nações. 1500 investigadores? Nossa!
— A polícia é burra mesmo, não é?— manifestou-se Raito.
— Ahn?
— Não adianta anunciar isso na televisão, se for mandar todas essas pessoas pra investigar seria melhor fazer em segredo. Até os agentes do FBI que foram enviados secretamente foram mortos por Kira, por que agora seria diferente? Se quer saber isso é só uma tentativa desesperada de amedrontar Kira esperando que ele se revele de algum jeito. Francamente eu não ficaria surpreso de Kira percebesse isso.
L colocou o polegar sobre sua boca soltando um riso fraco.
— Seu filho é esperto, não é?
— Ah, é sim...
— O jantar estava ótimo mãe.— elogiou Raito.
— Ahn? Vai comer um saco de batatas? Acabou de jantar sua boa forma vai sair pelo ralo se continuar assim.
— É só um lanchinho pra mais tarde.
Raito voltou ao seu quarto com o saco de batatas e uma caneca em mãos, indo em direção a escrivaninha. Puxou a cadeira sentando-se.
— Tá bom, é hora de encarar os livros. Acho que já estou pegando o jeito dessa questão.— disse levantando os braços preguiçosamente.
L observava o garoto estudar sem qualquer desistência.
— Depois do jantar seu filho volta a estudar sem ligar a tv nem o computador? — perguntou intrigado.
— É porque os exames de admissão são daqui a 5 dias.
— Ryuzaki. — chamou Watari entrando na sala.
— Sim, o que foi Watari?
— A poucos minutos informaram que um caixa de banco suspeito de peculato e um ladrão de bolsas atualmente no centro de detenção morreram de ataque cardíaco repentino e inexplicável.
— É ele de novo. — disse Soichiro.
— Enquanto tudo isso aconteceu, na sua casa sua mulher e filha assistiam novela, quando acabou elas desligaram a tv e não assistiram a mais nada. Desde 19:30 até agora, 23:00, o seu filho só estuda. Kira precisa de um nome e um rosto, sem isso ele não pode matar, então acho que quem não viu o noticiário não pode ser Kira. Certo?
— Você que sabe, significa que minha família está livre.
— Não faz sentido pra mim Kira ter matado dois criminosos inferiores logo depois que suas identidades foram divulgadas.
Eu sei que é só o primeiro dia depois da instalação das câmeras, mas a casa dos Yagami me parece inocente demais...— pensava o detetive.
***
Era noite e Tsuki estava acordada pesquisando informações sobre o caso Kira.
Como eu pensei...eles não estão revelando detalhes das mortes, pra mídia ainda é só parada cardíaca, com isso não há como saber como Kira está matando, pois mesmo se ele optar por outra causa de morte, L e os policiais que comandam o caso não irão revelar publicamente. Aqui diz que estão mandando 1.500 investigadores para o Japão, mas não faz sentido pois nem mesmo os agentes da FBI que vieram secretamente sobreviveram. Mesmo que esses investigadores existam mesmo, acho que o objetivo de L é ver se Kira irá ser descuidado e acabar se revelando, caso contrário não iria publicar nada pela televisão ou internet. Se for isso, então ele já suspeita de alguém? Interessante...essa notícia falsa foi muito bem argumentada, acho que ele já contava que Kira estaria assistindo tv quando publicasse isso, ou até mesmo já tenha certeza sobre isso. L...o que está planejando?— pensava a menina, sorrindo.
Beyond abriu a porta do quarto de Tsuki entrando sem pedir permissão.
— Ei, isso é invasão de privacidade! O que faz aqui?
— Amane estava tentando passar uma chapinha no meu cabelo...
— Ela...estava?
Tsuki gargalhou deixando Beyond com raiva.
— Não tem graça!
— Desculpa, é que...
— Para de rir.
— Ok. — disse controlando o riso — Então veio se esconder no meu quarto?
— Sim, só até ela ir dormir, mas posso ficar mais se você desejar... — sorriu maliciosamente.
— Eu vou lá falar com ela, acho que irá deixar você em paz por um tempo.
— Tsuki... — disse com as mãos sobre os braços da menina.
— O que foi?
Beyond ficou olhando nos olhos da menina por um tempo.
— Esquece...vai lá falar com Misa.
— Mas...
— Vai logo.
— Tudo bem.
Tsuki procurou Misa pela casa, ficou pensando no jeito de Beyond recentemente, algo parecia o incomodar. Viu Misa na cozinha rindo para Remu, por mais animada que Misa fosse, Tsuki gostava de seu jeito doce.
— Misa.
— Uki. — disse abraçando Tsuki.
— Oi Misa. — falou sorrindo.
— Quer um pedaço de bolo? — ofereceu Misa.
— Não, obrigada...eu vim aqui pra falar sobre o B. Misa...é verdade que tentou passar chapinha no cabelo dele?
— Sim, eu tava falando pra ele mudar um pouco seu visual sabe, achei que ele ia gostar...
— Misa, achou mesmo que o B iria gostar que você fizesse isso? Ele tá é fugindo de você.
Não sei como Beyond não jogou a chapinha na cara da Misa depois disso...— pensava Tsuki.
— Mas o cabelo dele é tão bagunçado, ia ficar legal e...
— Por favor Misa, não faça mais isso, coitado. Nem acredito que você tentou mesmo fazer isso, achei que B estava zoando com a minha cara. Se bem que lhe conhecendo...não duvido de mais nada. — disse rindo.
— Tá, tá. — respondeu entediada.
Tsuki voltou para seu quarto ainda rindo, vendo Beyond deitado em sua cama.
— Você ainda tá rindo? — perguntou irritado.
— Desculpa, é que nunca imaginei que isso fosse acontecer...enfim, ela o deixará em paz, pode ir pro seu quarto.
— E se eu quiser ficar aqui?
— Vai logo vai. — pediu suspirando.
— Não.
— Como assim não?
— Vou dormir aqui hoje, se quiser durma no chão.
— Beyond eu não irei repetir...
Ele a puxou pelo braço fazendo se deitar ao lado dele.
— Faz isso de novo que minha mão vai parar na sua cara, entendeu?
— Tsuki. — falou sério.
— O quê?
— Se afaste de Raito.
— Não posso fazer isso, não agora...
— É perigoso.
— Como se você se importasse com o perigo.
— O perigo não me afeta mais, mas a você ele pode afetar.
— Você sabe que eu não posso fazer isso, não é?
— Sim, mas eu tinha que tentar antes de...
— De...?
— Vou pro meu quarto.
— B...
— Boa noite Tsuki.
Beyond se levantou saindo do quarto de Tsuki, deixando apenas com suas duvidas e medos sobre sua atual conversa.
***
— Ryuzaki
— Sim?
— Pensei nos ataques cardíacos do ladrão de bolsas e do fraudador a dois dias...parece que minha família não poderia ter conhecimento deles antes de morrerem. Isso não resolve todas as suas duvidas?
— Você deve ter razão, apesar de Kira controlar o horário das mortes acho que não houve como ele tramar essas mortes sem ter visto a transmissão primeiro. — L olhou para tela vendo que Raito havia chegado — Seu filho chegou em casa.
Desde que L colocou as câmeras não conseguiu presenciar nada minimamente suspeito, embora não estivesse totalmente convencido, as câmeras e escutas não foram exatamente de grande ajuda.
—
L se encontrou com os policiais para discutir a respeito da vigilância.
— Nos últimos dias eu ouvi todas as nossas fitas de gravação e revisei os vídeos que capturamos, vi de novo várias vezes e cheguei a uma conclusão...nossa vigilância dos Kitamura e Yagami não revelou nada. Vamos remover as escutas e as câmeras.
Soichiro suspirava aliviado.
— Droga, tudo isso e ainda não temos nenhum suspeito.
— Calma Matsuda, buscaremos outras pistas mas chegaremos a ele.
— Por favor, não me entendam mal. — continuo L — Eu só disse que não podemos revelar nada suspeito baseado na vigilância.
— O quê?
— Mesmo se Kira estiver entre eles tenho certeza que ele não tornou isso óbvio, não, na verdade isso significa que ele continuou sem fazer nada claramente suspeito.
— Então...você acredita que Kira está entre nossas famílias?
— Como eu disse, há 5% de chance.
Kira não parou de matar mesmo quando as câmeras estavam na casa, ainda não faço ideia de como ele pode cometer esses assassinatos mas digamos que ele pode matar alguém simplesmente desejando sua morte. Imagina-se que qualquer ser humano mostraria alguma emoção, algum sinal de que sabe que está cometendo um assassinato. Então a conclusão óbvia é que Kira não pode ser um deles, no entanto, e se ele é uma dessas pessoas que observamos? Se for, temos que supor que sua psiquía atingiu proporções de deuses. Punir malfeitores sem a mínima mudança de expressão, isso quase me faz acreditar que o Kira não existe, que isso é só a fúria de um deus vingados. Mas essa ideia é completamente absurda, em pensar que deus precisaria do rosto e do nome de uma pessoa para matar. Não, não são atos de um deus. Mas alguém muito infantil e imaturo que quer fingir ser deus, é isso que está acontecendo. Um assassino em massa que se intitula Kira existe em algum lugar, tenho certeza disso e vou observa-lo. Eu não posso contar com os erros dele...não importa quanto tempo observarmos ele não irá se expor pra nós. Então o que eu devo fazer? A melhor maneira seria ver ele dizer que é Kira e testemunhar ele matando alguém...isso seria possível?— raciocinava o detetive.
***
Tsuki acordou empolgada, o dia pelo qual ela esperou tanto havia chegado. Se levantou se arrumando rapidamente, a menina estava inquieta, não conseguia nem ao menos esconder seu nervosismo. Tsuki desceu as escadas de forma ágil sem ao menos puxar assunto com Misa ou Beyond.
— Bom dia apressadinha. — falou Beyond.
— Bom dia B, bom dia Misa, bom dia Remu!
— Nossa Uki, pra que essa pressa?
— Os exames Misa, são hoje.
— Tenta se acalmar eu sei que você irá se sair bem Uki. — falou Misa empolgada.
— Obrigada Misa, mas tenho que ser rápida, a tarde já é a cerimônia de entrada então terei que chegar mais cedo pra me arrumar.
— Ai que legal! Posso escolher uma roupa pra você?
Tsuki queria recusar, mas não tinha uma roupa adequada para um evento desse porte.
— Não acredito que vou dizer isso mas...sim.
— Sério? — disse Misa pulando.
— Sim...não tenho uma roupa legal para ir na cerimônia.
— Deixa comigo Uki, você vai ficar linda em um dos meus vestidos.
— Obrigada, agora tenho que ir.
Tsuki saiu de sua casa praticamente correndo até a casa de Raito que iria acompanha-la, nem mesmo ela sabia o porquê de estar tão empolgada com os exames e a cerimônia, mas sentia algo diferente naquela manhã. Quando chegou a rua de Raito avistou a cabeleira castanha se aproximando, não sabia se sentia-se aliviada ou preocupada com a companhia do garoto.
— Bom dia Tsuki.
— Bom dia Raito, vamos?
— Claro.
Enquanto Tsuki estava empolgada, Raito não demonstrava nada diferente em seu comportamento, para ele era só mais uma prova entre tantas que já fez e tirou nota máxima. Eles pegaram o metrô chegando ao seu destino, caminharam um pouco em silêncio quando avistaram o portão aberto à frente.
— Vocês aí, o teste vai começar em 10 minutos, é melhor correr. — gritou um homem.
— Tudo bem, eu planejei chegar aqui três minutos antes do teste, odeio esperar, cheguei cedo demais! — respondeu Raito, rudemente.
Queria ter essa confiança toda...— pensava Tsuki olhando para Raito.
Ao chegar a grande sala de exames, Raito escolheu seu lugar mais a frente da sala, enquanto Tsuki preferiu ficar algumas fileiras atrás. Se sentou vendo a prova logo à sua frente, estava impaciente para começar a responde-la. Depois de alguns minutos o orientador autorizou o inicio da prova, assim fazendo-a analisar as questões. Ao ver os temas que o exame apresentara sentiu-se mais esperançosa ao achar as perguntas razoavelmente fáceis. Parou por um momento prestando atenção no orientador que se dirigia ao fundo da sala. Tsuki começou a estranhar quando viu ele se aproximar da fileira atrás de onde estava.
— Você aí, estudante 162, senta direito na cadeira!
Tsuki virou seu rosto disfarçadamente para ver de quem se tratava. O garoto de cabelos negros e pele exageradamente branca estava concentrado em sua prova, mas mantinha seus pés sobre a cadeira se equilibrando. Percebeu sua semelhança com Beyond, embora aparentasse ter uma personalidade razoavelmente calma. Tsuki que não tirava os olhos do rapaz, viu ele levantar seu olhar encarando-a inexpressivelmente. Se sentiu inconfortável voltando a atenção a sua prova, conseguia sentir o olhar do garoto em sua direção mas não sabia como agir nesse momento. Fitou Raito que se virou também observando o garoto, mas depois de alguns minutos resolveu terminar a prova ignorando a sua volta.
—
Quando a prova acabou Tsuki sentiu-se aliviada. Voltando pra casa a menina pensou no garoto de expressão desinteressada, havia um sentimento de mistério nele, isso era chamativo para a menina.
— Misa cheguei.
— Ela tá te esperando em seu quarto. — respondeu Beyond.
— Obrigada. — disse indo ao seu quarto.
Chegou a porta de seu quarto abrindo-a, teve a visão de Misa segurando um vestido vermelho. Ele era simples, e por sua simplicidade Tsuki havia o achado bonito. O vestido era acinturado e possuía um rodado mínimo, tinha um tecido fino com forro e um estilo regata com zíper nas costas.
— Misa...é lindo.
— Eu sabia que você ia gostar de algo mais simples então escolhi esse, gostou?
— É claro que eu gostei. — disse sorrindo.
— Pois ele é seu.
— O quê? Mas Misa é seu...
— Agora ele é seu Uki, sei que ficará linda usando ele.
— Não sei como agradecer Misa...
— Uki você é uma fofa, não precisa me agradecer agora vai se arrumar vai.
— Obrigada Misa-Misa.
Misa saiu do quarto de Tsuki, deixando-a a vontade para se arrumar. A menina tomou um banho rápido e saiu para se aprontar, fazia muito tempo que não ia a um evento assim, então estava um pouco desorientada. Fez uma maquiagem leve, coisa que não fazia com muito costume, arrumou seu cabelo deixando-o suavemente jogado em seus ombros e vestiu-se. Se olhou no espelho estranhando sua aparência, porém ficando satisfeita com o resultado. Ao ver que não faltava mais nada, desceu as escadas vendo Misa, Beyond e Remu a encarando.
— Uki você está linda. — gritou Misa.
— Misa, não grita... — disse rindo envergonhada.
— Mas é verdade, não é Remu?
— É, está bonita Tsuki.
— Obrigada Remu.
Beyond a encarava ainda sem dizer nada.
— Você não vai dizer nada B? — disse Misa.
— Oi? — perguntou Beyond saindo do transe.
— A Uki não está linda?
— Ela está...muito bem.
— Viu só Uki, você tá arrasando.
— Muito obrigada gente. — disse indo pegar o laptop.
— O que vai fazer? — perguntou Misa.
— Vou ver a minha nota antes de ir.
Tsuki abriu o site se impressionando com o resultado.
— Uki, o que foi?
— Eu...gabaritei Misa. Eu não posso acreditar que eu... — disse quase chorando de emoção.
— Não borra a maquiagem Uki.
— Desculpa, é que estou tão feliz...
— Por que? Você sempre tirou nota boa mesmo.
— Mas agora é universidade, é bem mais sério...
— Parabéns Uki, eu sabia que você ia se dar bem. — disse Misa a abraçando.
— Obrigada Misa.
— Agora é melhor se apressar, não pode se atrasar pra cerimônia né?
— Tem razão, vou indo.
Depois de comemorar com Misa, Tsuki saiu com um sorriso estampado em seu rosto.
— Tsuki. — gritou Beyond fazendo-a parar sua caminhada.
— B?
— Queria lhe dar os parabéns.
— O-obrigada.
— Estou tão orgulhoso querida, isso é emocionante pra mim, se eu não fosse um psicopata insano até poderia te abraçar e chorar um pouco.
— Que amável. — disse rindo.
— Boa sorte com o discurso.
— Sabe, eu não estava nervosa com o discurso, até você comentar sobre ele...
— Eu sei, tchau.
— Tchau B. — disse revirando os olhos.
Ele não perde a oportunidade de zoar a minha cara...— pensava rindo.
Ao chegar a universidade Tsuki observou as pessoas à sua volta, todas bem vestidas discutindo sobre o resultado de seus exames. Viu Raito de longe esbanjando elegância, ele estava com um terno impecável e por sua expressão era óbvio que havia se saído muito bem nos exames. A menina procurou com o olhar o garoto que tinha visto na central de exames, mas para sua decepção, ele não estava por ali. Resolveu entrar sentando-se na primeira fileira, tendo uma boa visão ao palco a frente. Raito que também se sentava na primeira fileira estava a algumas cadeiras de distância, esperando dar inicio ao evento.
— E agora para falar aos calouros, os representantes dos calouros Raito Yagami e Tsuki Maruyama.
Tsuki e Raito se levantaram.
— E o representante dos calouros Hideki Ryuga.
— Ah, aqui.
Tsuki se surpreendeu ao ouvir o nome de Hideki Ryuga ser chamado, viu o garoto caminhando até o palco atrás de Raito percebendo que era o mesmo que ela havia visto na central de exames, de certa forma alegrou-se ao vê-lo ali presente. Sua vestimenta era a mesma, um tanto desleixada para alguém que iria discursar logo a seguir. Ambos subiram ao palco quando os discursos começaram. Raito foi o primeiro a ler o discurso direcionado aos calouros, Tsuki estava no meio dele e de Ryuga que os encarava ocasionalmente. Depois de ler sua parte no discurso, Tsuki agradeceu os aplausos e se virou esperando Hideki começar a discursar. Além de seu modo de sentar, o garoto tinha outras manias absurdas como segurar o papel do discurso com o polegar e o indicador. Todos ali presentes notavam as diferenças entre os três alunos que haviam gabaritado, e até mesmo os próprios estavam curiosos com isso. Ao terminarem de discursar eles se retiraram do palco indo aos seus acentos.
Esse cara, ele é tão estranho...preciso puxar assunto com ele.— pensava Tsuki.
— Hideki?
Ele se virou fitando a menina.
— Sim?
— Prazer. — cumprimentou.
— Igualmente.
Igualmente...tem alguma palavra mais bela do que essa?— pensava a menina sorrindo.
Continua...
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