Lost In Paradise
13 Decisão

— Parabéns, soube que você tirou nota máxima em tudo.
— Obrigado, devo parabeniza-la também, teve um bom desempenho.
— O-obrigada. — disse Tsuki desviando o olhar.
L sabia qual era seu objetivo, e por mais curioso que estivesse a respeito da menina, não poderia passar seu tempo dialogando. Se virou sem puxar assunto e foi até seu acento ao lado de Raito, imaginou que pudesse ser rude com tal atitude, mas a menina não pareceu se ofender. Tsuki voltou ao seu lugar divisando Hideki ao lado de Raito, daria de tudo para saber o que estavam conversando, mas seja o que for, Raito parecia atordoado.
***
— Raito, Raito Yagami. Seu pai é o detetive superintendente Soichiro Yagami da agência nacional, seu respeito pelo seu pai combina com seu forte senso de justiça. Você planeja entrar para agência de polícia quando se formar, e já tem experiência já que ajudou a polícia a resolver inúmeros casos no passado. Agora você mostra interesse no caso Kira...estou impressionado com suas habilidades e seu senso de justiça. Se prometer não contar a ninguém sobre isso, eu tenho informações importantes relacionadas à investigação de Kira que gostaria de dividir com você.
Raito olhava o garoto ao seu lado de forma hesitante, não sabia o que esperar em relação ao rapaz cujo olhar era acusador.
— Não vou contar a ninguém, o que é?
L se virou encarando Raito.
— Quero que saiba...que eu sou o L. — cochichou o detetive.
Aquelas palavras afetaram Raito instantaneamente, seu fluxo de pensamentos foram convertidos em uma ansiedade desesperadora. Ele tremia tentando controlar sua respiração para não demonstrar nada ao garoto que não tirava os olhos de si. Respirou fundo fechando os olhos, sabia que no momento a única coisa que poderia fazer era agir como o filho do detetive Yagami, sua inquietação o impedia de pensar em algo superficialmente.
— Se você é mesmo quem diz ser, eu tenho muito respeito e admiração por você. — disse Raito, virando seu rosto em frente a L.
— Obrigado! O motivo de eu ter escolhido revelar minha identidade pra você é porque eu acho que você pode nos ajudar na investigação sobre o Kira.
Raito Yagami...você só tem 5% de chances de ser o Kira, mesmo assim...algo me diz que não estou errado em suspeitar. Mas você é perfeito demais, se você for Kira não sei o que poderia causar mais pressão em você do que essa situação.— pensava L.
***
Tsuki passou boa parte da cerimônia olhando pra Raito e Hideki, o nervosismo de Raito a preocupada, seus movimentos estavam robóticos embora sua expressão mostrasse um certo sossego. Evidentemente, suas atitudes desordenadas não eram relacionadas à cerimônia da universidade, Tsuki sabia que algo a mais o afetara.
Raito está nervoso, suas mãos estão tão trêmulas...o que aconteceu? Eu perdi alguma coisa nessa cerimônia? Deixa eu pensar...se ele for mesmo Kira, como Beyond diz, então só pode ser algo relacionado a investigação, caso contrário não teria motivos pra ele se sentir assim em um evento tão oportuno como esse. Tem algum investigador por aqui? Eu não vi nada fora do normal, ou pelo menos nada com que ele precise se preocupar, a não ser...sua conversa com Ryuga. Será que ele está relacionado ao caso Kira? Hideki Ryuga é um nome absurdo mesmo, não surpreende ninguém se for falso, mas o que me chama atenção é porquê alguém escolheria um nome tão óbvio e incomum...Será que é mais um dos investigadores que L mandou? Se sim, então porque ele iria aparecer aqui? Não seria sutil levando em conta que os últimos investigadores que vieram pro Japão morreram ao investigar os suspeitos de serem o Kira. Não acho que L fosse fazer isso, e nem que Raito fosse se aborrecer por um detalhe como esse, afinal, ele se livrou com facilidade dos últimos agentes que estavam por aqui. Tem algo a mais nessa história...e eu vou descobrir.— pensava Tsuki.
Se levantou saindo do pátio, desceu as escadas vendo Raito de longe, resolveu se aproximar o cumprimentando com espontaneidade.
— Olá Raito!
— Ah, oi...
— Está tudo bem?
— Tá, tá sim.
Era óbvio que o garoto estava mentindo, Tsuki analisava cada detalhe nele, a pausa em sua voz, o desviar de seu olhar, a pele pálida...Raito estava diferente, estava frenético e com dificuldade de se controlar em público. Antes que pudessem conversar sobre os discursos e acontecimentos do dia, Tsuki e Raito ouviram alguém os chamando, logo identificando a voz como a de Hideki e se virando para saudá-lo.
— Oi Raito...e Tsuki. — disse o garoto, percebendo Tsuki ao lado de Raito.
— Oi Hideki... — respondeu a menina timidamente.
— Prazer em conhecê-los.
— Como vai? O prazer é todo meu! — disse Raito.
L caminhava até o carro enquanto universitários ali presentes faziam comentários a respeito.
— Bom, eu sei que vou ver vocês no câmpus...
— É, se cuida hein.
Tsuki assentiu olhando o garoto entrar ao carro, sentia-se incomodada com o clima entre eles. Raito parecia não querer a presença de Hideki por ali, enquanto o mesmo não demonstrava absolutamente nada. Tsuki não conseguia ter uma visão sobre o rapaz, seus olhos inexpressivos a atingiam, e naquele momento soube que precisaria descobrir mais sobre o garoto tão enigmático que acabara de conhecer.
Passando um tempo o local foi esvaziando-se, fazendo Tsuki e Raito irem pegar o metrô, ele parecia desinteressado, quanto a ela se perdia em seus pensamentos assimilando cada acontecimento que presenciou no dia.
Hideki Ryuga, você parece ser mais interessante do que eu imaginei...— pensava com um sorriso de lado.
***
L estava sentado no banco de trás esperando que o luxuoso veículo chegasse ao seu destino, deixando-o em mais um dos muitos hotéis que frequentara atualmente. As coisas estavam indo bem para a satisfação do detetive, embora a mudança de ambiente o incomodasse desde que fez sua aparição pública como L, mas isso não o afetara mais, não depois da investigação começar a fluir tão bem e um novo suspeito surgir. Sempre foi muito modesto em suas deduções, mas o caso Kira em particular era mais delicado, deveria se basear em evidências pois só sua intuição não seria convincente. Era um desafio, um jogo pelo qual não aceitara perder. Em meio a tantos pensamentos sobre o avanço da investigação e sua aproximação com Yagami, se recordou da menina que o parabenizou na universidade. Tsuki Maruyama. Sentiu que ela tinha alguma ligação com o caso Kira, ou talvez, abertamente com o próprio Kira. A probabilidade era de 4%, mas isso não o impedia de testa-la indiretamente.
Tsuki Maruyama, você parece ser mais interessante do que eu imaginei...— pensava o detetive colocando o dedo na boca.
***
Tsuki já tinha chegado em casa e estava em seu quarto trocando de roupa, por mais belo que o vestido que o usara fosse, nada se comparava ao conforto que suas simples vestes a proporcionavam. Misa estava no banho e Beyond já tinha saído sem se justificar, a menina não gostava quando o garoto saia sem falar nada, e Misa não tinha nenhuma informação relevante sobre os locais que ele frequentava. Beyond estava saindo pelas noites com frequência, o que era preocupante para Tsuki, embora tivesse uma certa afeição por ele desde que começaram a conviver juntos, sabia de seus atos passados e sua fama não muito amigável. Com o tempo, achou que se acostumaria com isso, mas não sabia o que esperar dele, ele parecia distante.
Se sentou em sua cama vendo algo atravessar a parede de seu quarto, logo tendo a visão completa de Remu.
— Remu? O que faz aqui? Pensei que estivesse com Misa...
— Misa está no banho, não invado a privacidade dela assim...enquanto isso vim ver como estava, e como está indo sua investigação sobre o Kira.
Tsuki sorriu.
— Obrigada por se preocupar Remu, eu estava mesmo sentindo sua falta por aqui. Bom, está tudo bem comigo, e a investigação só avança, não tenho do que me queixar até então...mas...
— O que?
— Já faz uns dias que não conversamos a sós, e só agora você veio me procurar demonstrando interesse em Kira. Embora eu entenda que você tenha que acompanhar Misa, você parece preocupado...é por isso mesmo que me procurou ou tem algo a mais o incomodando?
Ela não demorou nada pra perceber...— pensava Remu, fitando a garota.
— Olha, não posso compartilhar minhas informações com você mas isso realmente me preocupa...
— Por favor, seja direito.
— Bem, eu te aconselho a observar Misa bem de perto, eu não deveria estar aqui falando com você, mas sei que se importa com ela, e não quero que ela sofra.
— Eu entendo, Misa deve ter o colocado em uma situação em que não pudesse se encontrar comigo justamente por saber de algo que ela não compartilhou comigo...
— Isso.
— Eu entendi Remu, mas sendo assim, volte ao quarto da Misa ou ela ira suspeitar que tivemos essa conversa.
— Tudo bem, só se cuide.
— Obrigada, e continue cuidando da Misa. Ah, Remu... — chamou a menina, antes que o shinigami desaparecesse de seu quarto.
— Sim?
— Você é melhor do que muitos humanos por aí.
— Obrigado Tsuki. — agradeceu saindo ao encontro de Misa.
Tsuki achando que ficaria só, se deitou sobre sua cama encarando o teto, minutos depois ouviu alguém entrar em seu quarto. A menina suspirou pesadamente ao ver Beyond à sua frente fechando a porta.
— A porta estava trancada, como você entra assim sem mais nem menos?
— Tenho meus truques, pensei que você já tivesse lido meu currículo. — sorriu ironicamente.
— Acho que pulei a parte em que você entra no quarto dos outros sem pedir permissão.
— Pois pulou uma parte muito importante, caso contrário não estaria aqui.
— Aonde você estava?
— Fazendo coisas.
— Estava matando alguém?
— Não, fiz isso ontem.
— Estou falando sério...o que você anda fazendo? Isso me preocupa.
— Está preocupada comigo querida?
— Você sabe que sim, nos últimos dias você tenta me dizer algo mas por algum motivo não consegue, você está saindo sem falar nada e eu sinceramente não sei o que esperar de você e do que vem fazendo.
— Tsuki...vamos conversar.
— Ótimo, era o que eu estava esperando.
— Posso me deitar ao seu lado sem receber um chute em minhas partes íntimas, senhorita?
— Tanto faz. — disse revirando os olhos.
Beyond jogou seu corpo sobre a cama ao lado de Tsuki, virando seu rosto para ela.
— Eu sei que está confusa, e deve odiar o que estou fazendo com você...eu entendo que não é justo, e que se preocupa não só comigo mas com o que estou fazendo, mas meus motivos são fortes e precisos. Não adianta eu lhe falar agora, preciso garantir sua segurança, preciso ter certeza que meu plano irá dar certo, depois disso não me importo com o que está por vir, sinceramente parei de me importar a muito tempo.
— Garantir minha segurança? O que você...
— Não faça perguntas, não irei responder...não agora. Só espero que não me odeie no final, por mais insano que seja.
— Você me assusta assim.
— Não tema, logo acabará... — disse passando a mão no rosto da menina — Você sempre foi a primeira a descobrir sobre minhas loucuras.
— Você é tão instável, em qual Beyond devo acreditar?
— No que irá prevalecer.
Continua...
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