Notas iniciais
Boa leitura.

Lost In Paradise

24 – He.

Os passos soaram pesados e, claramente, demonstravam toda irritação que consumia o rapaz de cabelos negros. Não, irritado era um eufemismo, estava no cume de sua ira; seria capaz de cometer uma atrocidade, e se não o fizesse, dever-se-ia a um auto-controle completamente desconhecido por si.

Não deu-se ao trabalho de bater na porta da casa que, em sua infância, fora tão familiar e acolhedora; atrás de si um castanho vinha, imparcial e atrás do mesmo dois homens de terno carregando revolveres nos coldres presos ao cinto da calça. Quatro pares de olhos decaíram sobre si, dois pertencentes aos donos da residência, e os outros dois vinham de um casal que há tempos já desagradava Kyoya.

– Kyo-kun? – chamou, doce, a voz de sua mãe enquanto erguia-se de seu lugar sobre o sofá com uma delicadeza digna de uma rainha. – Aconteceu algo querido? – e então a testa do herdeiro dos Hibari franziu o cenho quando seu olhar cruzou com o de seu pai, este que sequer proclamara algo a respeito da súbita entrada. – Kyoya?

Afastando a surpresa, completamente explicita, o chefe da casa ergueu-se, brusco e de testa franzida, mas tudo o que pretendia jogar na face do disciplinador engasgara-se em sua traquéia e retornara ao fundo de seu estomago quando vira o adolescente de cabelos castanhos junto a um par de homens armados que usavam ternos onde o símbolo da valorosa Vongola Famiglia se estampava em prata.

Ignorando a atenção o moreno caminhou para o andar superior da casa enquanto o silencio sepulcral se instalava pela sala onde o castanho se encontrava. Poucos segundos após um grito fez-se presente e logo em seguida foi possível identificar um corpo — num emaranhado de cabelos escuros e roupas — rolar escada abaixo.

– K-Kyoya-kun? – fora o grito, agudo, que viera dos lábios onde um leve vermelho escapava.

– Izune! – pronunciou a mulher, mãe da dita garota, num berro assustado enquanto já erguia-se para auxiliar a filha; obviamente sendo parada por um dos homens de terno que levava a insígnia de Vongola. – Larga-me!!

E então a figura disciplinadora daquela cidade surgiu ao topo da escada, sequer deu-se ao trabalho de empunhar suas tonfas, tamanha mediocridade não merecia nem mesmo uma surra de si – apesar de que a face avermelhada da garota denunciara os bons tapas que o carnívoro lhe dera.

– K-Kyo--

– Kyoya o que está acontecendo? – interviu a matriarca Hibari, de pé, fitando o filho em busca de respostas.

– Essa vadia... – e aquela era a primeira vez que uma palavra tão baixa atravessava os lábios do prefeito de Nami-Chuu. Tomando uma respiração profunda cortou as próprias falas, sobrepondo-as com uma explicação lógica que, certamente, condenaria a adolescente de cabelos escuros por toda a vida, obviamente que não seria apenas ela a pagar por um ato tão egoísta. – Essa garota, mãe, mandou que matassem minha namorada. – argumentou, logo sendo cortado pelo pai da moça que veio em defesa da mesma.

– Isso tudo por causa de um maldito namoro!? – irritou-se o homem de cabelos negros, Miwa Hintaru, pai de Izune. – Você sabe com quem está se metendo garoto? Acha que sairá impune por humilhar milha filha desta forma!?

E enquanto seus passos já encontravam-se no meio da escada, o moreno parou, seus olhos metálicos cravando-se cruelmente nos raivosos olhos escuros do homem adulto. Cruzou os braços, num ato que apenas o continha para não surrar aquele herbívoro até os ossos, isso tanto por este ter lhe interrompido, quando por ser estúpido o suficiente para não reconhecê-lo.

No cume de sua ira o homem ergueu-se e isso bastou para que o brilho surreal das chamas arroxeadas se mostrassem na pequena peça que dispunha a Kyoya o honroso titulo de Guardião Vongola. Paralisou-se. Desacreditando que aquilo, que aquele garoto era o tão impiedoso, sanguinário e cruel Guardião da Nuvem do Décimo herdeiro da Vongola. O Guardião que tantas vezes, apenas o pronunciar do titulo, fez mafiosos cruéis apenas tremer. E voltando o olhar, a beira do desespero, para o castanho quieto que apenas observava o decorrer dos fatos, fora que o homem reunira as peças. Aquele garoto sério de olhos dourados ameaçadores e aura de completa paz equivoca, era, na verdade, o herdeiro da mais poderosa e influente Famiglia mafiosa de todo o sub-mundo. Aquele menino tinha o mundo nas mãos, e Hibari Kyoya, como seu Guardião, disponibilizava dos mesmos privilégios enquanto estivesse a servir o Don.

Pálido, o homem voltou-se para a própria filha, a beira das lágrimas.

– O que você fez? – rosnou, já tendo uma pequena idéia, mas obviamente não era nem de longe o que tinha acontecido.

– De acordo com meus investigadores. – informou Tsuna, quebrando o silencio cruel, pois se Kyoya fosse o fazer, será apenas para matar o maldito homem. – Miwa Izune organizou o assassinato de Suzuki Adelheid, companheira do meu Guardião...

– Isso já sabemos... – anunciou Mayumi, mãe de Kyoya, fincando a testa. Ela gostava da Suzuki, não apenas pelo fato de que ela namorava seu filho, o domava de uma forma incrível e ao mesmo tempo o deixava livre para realizar todas suas aventuras disciplinadoras; Mayumi gostara de Adel pelo carisma e pela personalidade forte, com a qual a mulher identificou-se de seus tempos de adolescente. – Quero o motivo.

– Por que Adel estava grávida mãe. – fora o prefeito quem anunciara, dando ênfase a frase no passado.

– Estava...? – sussurrou a mulher de olhos arregalados. – Estava...?!? – repetiu, em choque. Foi inevitável e quase incompreensível todas as facetas que cruzaram a face da matriarca Hibari. – Você. Matou. Meu. Neto. – não foi uma pergunta e, se Joseph não houvesse contido sua esposa junto a um dos representantes Vongola que seguiam o pequeno Don, Mayumi certamente teria degolado Izune sem dó.

Para aqueles que achavam que toda personalidade de Kyoya provinha de seu pai rígido, estavam longe de qualquer acerto. Hibari Kyoya certamente herdara a gama por disciplina que seu pai possuía, mas, toda a sede de batalha e carnificina – isso sem contar a força maciça e a paixão avassaladora por duelos contra oponentes fortes – provinham de sua mãe, a fundadora original do grupo de disciplinadores de Namimori. A mulher, agora, obviamente, carregava um titulo de assassina dentro da máfia para o qual sua família fazia parte, era cruel e sanguinária, como o próprio filho.

– Senhora Mayumi, por favor, contenha-se. – pedira Tsunayoshi. Este era, afinal, o chefe da mulher que ansiava agora pela cabeça da adolescente que tirara de si seu primeiro neto e o primogênito de seu filho. – Miwa Izune e qualquer associado a ela receberá a devida punição pelas mãos dos subordinados de Kyoya. – e então um sorriso sádico adornara os lábios suaves do Don. – E eu me refiro àqueles que pertencem a Vongola.

Notas finais
Bom, capitulo anterior recebi apenas 2 comentarios... o que é um tanto triste. Estamos no fim da historia já. Proximo capitulo é o ultimo e ele está completamente diferente do que eu havia planejado para o fim dessa fanfic, mas nao deixou de ficar fofo =o. Jya'ne.