Lost In Paradise
5 05 - She.
Notas iniciais

Lost In Paradise
05 — She.
Suspirou, cansada diante do dia corrido que teve. Por mais uma vez pegara Enma e Tsunayoshi chegando atrasados — e também tentando fugir de si — e mais uma vez os pendurou frente ao prédio do colégio — em uma altura consideravelmente assustadora — fazendo dos mesmos um símbolo da disciplina que deve ser seguida com rigor.
Jogou-se sobre a cama não tardando em erguer as torneadas e longas pernas para que pudesse — de forma sensual e simples — retirar as longas meias e a saia estudantil, não custou muito para que decidisse, enfim, permanecer apenas de roupas íntimas, estava sozinha no quarto afinal.
Após longos minutos relaxando o corpo sobre o colchão macio, a morena decidiu que já era hora de se levantar e ir tomar seu tão merecido banho e, quem sabe, não conseguiria companhia para aquela noite — vulgo Hibari.
Caminhou, suave e silenciosa, para o grande espelho que dispunha ao lado de seu guarda-roupas. Ali podia contemplar cada parte de si, cada detalhe que Kyoya devorava com os olhos sempre que se embolavam em um ninho de prazer e dor inesquecível.
Num movimento simples envolveu a própria cintura, o toque morno de seus dedos longos que lhe causavam desejo, mas mesmo que a excitasse nada a deixaria tão louca quanto o calor gélido das mãos de Hibari, ou mesmo o roçar suave dos lábios deles sob sua pele antes de afundar os dentes em sua carne. Não era doloroso, muito pelo contrário, era instigante.
Delineou a barriga lisa subindo para os seios grandes, cobertos apenas pelo sutiã de renda negro e babados vermelhos. Seus dedos longos subiram ainda mais, não tardando muito a encontrarem o leve inchaço avermelhado da mordida que o moreno lhe dera na madrugada em que ficaram juntos. Mas não era apenas uma mordida, não, havia uma pouco acima da clavícula, outra no pescoço – de ambos os lados – e uma ultima no ombro, quase nas costas. Todas avermelhadas e pouco inchadas.
Todas destacáveis na pele leitosa e branca.
Riu de uma forma que jamais faria em publico. Era engraçado relembrar-se de que há pouco tempo ela sequer cogitava a possibilidade de aproximar de Kyoya, mas lá estava ela rindo consigo mesma enquanto recordava-se que fora Hibari quem tirara seu sofrimento, que a escutara — mesmo sem querer confortá-la — e que a fizera esquecer Julie enquanto, ao mesmo tempo, e mesmo sendo uma mentira deslavada, fazia-a se sentir amada de forma incondicional e única.
Não negava que seu corpo ansiava pelo do moreno, mas negava bravamente as emoções que se tornavam turbulentas devido ao fato de ainda morar na mesma casa que o ex, claro que isso devia-se ao fato de que ambos ainda eram Guardiões de Enma e tal função vinha em primeiro lugar antes de qualquer outra coisa — ao menos sempre foi assim para Adel, e talvez por isso que o relacionamento com o Guardião do Deserto tenha sido tão precário, unilateral e, talvez, um dos motivos para Julie traí-la de forma tão descarada. Logo as imagens daquele fatídico dia lhe abordaram os pensamentos, afastando qualquer vestígio de Hibari Kyoya.
Ainda recordava-se de vê-lo na cama com outra. Lembrava-se dos gemidos da moça que ouviu e das palavras – que mal pode escutar – Julie murmurar para a mulher.
Sentiu-se estúpida por ter dado a ele uma chance, e mais estúpida ainda por não ter o matado naquele momento.
Afastou as más lembranças rapidamente antes de tirar as poucas peças que trajava e afundar o corpo na banheira já cheia.
O silencio brando preencheu o pequeno cômodo enquanto a morena tornava a pensar em algo para fazer longe dali, afinal não era seu dia de trabalho doméstico.
Não custou muito para que uma idéia lhe viesse à mente, algo simples, trivial; mas ao mesmo tempo algo importante que poderia vir a ser uma ótima lembrança num futuro distante.
Erguendo-se da banheira e puxando uma toalha próxima e a envolvendo no próprio corpo, Adel enfim retornou ao quarto no ímpeto de buscar uma vestimenta descente para aquela noite, mas — claro — não sem antes pegar o celular e discar o numero de seu precioso acompanhante.
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