Lost In Paradise
6 06 - He.
Notas iniciais

Lost In Paradise
06 – He.
Naquela noite Kyoya dormiu mais uma vez nos braços de Adelheid, e desta vez o fez em um lugar quase desconhecido para si. E isso foi apenas o prelúdio do incomum, por que naquela noite eles não saciaram apenas os desejos carnais.
Houve palavras, e um contato até mais intimo. Pela primeira vez eles não se envolveram até que o sono os abatesse, pela primeira vez Hibari permitiu-se sentir o carinho que Adel disponibilizava a si e realmente gostara daquilo, se sentir importante e não temido.
Nos singelos atos da Suzuki o moreno viu-se abraçado por algo que cogitou nunca ter. Ele estava sentindo. Ele tinha sentimentos. Em algum canto de si eles eram verdadeiros, e de certa forma isso era assustador, ainda mais quando referiam-se a Adelheid Suzuki.
Mas da mesma forma que podiam se tornar temíveis; eram reconfortantes, preciosos, e tantos outros sentimentos quanto podia identificar.
Na manha seguinte fora o disciplinador quem acordara primeiro sentindo o calor gélido do corpo esbelto contra o seu. Cogitou a possibilidade de ir embora, como sempre fez, mas algo – talvez a bela face adormecida junto a si – o fez mudar de idéia.
Minutos após seu despertar o moreno já podia ver que Adel já começava a acordar. Por alguns milésimos de segundo fora como se seu coração fraquejasse uma batida, como se ele não estivesse preparado para o que quer que acontecesse.
Viu-a abrir os olhos numa calmaria infortuna e assim encará-lo por alguns segundos antes de abrir um sorriso casual.
– Bom dia. — sussurrou a morena com um pequeno sorriso.
– Saia de cima de mim. — pediu Hibari de uma forma que surpreendera até a Suzuki.
– E se eu não quiser? — indagou-a divertida para logo em seguida sentar-se sobre o colo de Kyoya.
– O que pensa que está fazendo? — a irritação era mais que evidente naquelas palavras, mas sua expressão calma, quase divertida, apenas fazia a Suzuki rir.
Ignorando as palavras ásperas a morena curvou-se, pouco ligando para o fato de estar apenas de roupas intimas, e selou seus lábios nos do Kyoya.
Foi duro e frio, no começo, mas logo não tardou para que um simples toque se tornasse mais quente, mais obsessivo.
Naquela manha o casal de disciplinadores tornou a saciar os desejos um do outro. Entre caricias, beijos, mordidas e palavras; eles realmente se expressaram de forma única.
Não deixaram os aposentos do hotel em que se encontravam, não naquele dia. Suas refeições eram feitas em seus aposentos particulares, e pelo tempo que restava Adel e Hibari se envolveram num mundo apenas deles, onde não precisavam manter as aparências, num mundo onde ela era apenas Suzuki Adelheid a mulher cujo coração fora partido, e ele Hibati Kyoya o rapaz que – ainda muito novo – fora deixado de lado pelos pais e pela única jovem paixão que teve.
Naquele dia não haviam feridas abertas, apenas cicatrizes que ansiavam por um tratamento digno, por um amor único e por um cuidado miraculoso. Naquele dia não existia mais ninguém além deles, não havia nada além do mundo deles. Por que, mesmo que não houvesse amor, eles se identificavam e completavam.
E isso era o que bastava. Ao menos por agora.
Ao menos enquanto o céu era o limite.
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