Lost In Paradise
1 Encontros Inesperados.
Dois garotos estavam passando um fim de semana com os amigos, acampando à beira de uma floresta em uma noite qualquer. O vento soprava fracamente, ás vezes se ouvia o som dos galhos e folhas das arvores balançando. Os dois resolveram dar um passeio por ali, conversar sobre algumas coisas que estavam preocupando a ambos. Quando a conversa estava tomando um rumo interessante ouviram um estrondoso barulho. Só ai perceberam que estavam longe demais das barracas e perigosamente perto demais do que quer que fosse.
— O que foi isso? — o primeiro garoto alarmou-se imediatamente.
O outro, porém, parecia mais curioso que assustado.
— Eu não sei, deveríamos ir ver!
— O que? — o outro perguntou pasmo, controlou a voz para não gritar. — Enlouqueceu?
— E se for um disco voador?
— O que você anda bebendo, hein? — retrucou.
— Anda! Não seja covarde! — o primeiro debochou.
Um dos garotos começou a andar entre os arbustos em direção ao som. O outro pensou seriamente em deixá-lo ir sozinho. Era uma ideia absurda. Mas acabou por acompanhar o amigo. Caminharam em meio a escuridão. Um deles – o mais baixo e aparentemente mais assustado – tentava conter a vontade de sair correndo enquanto se aproximavam mais e mais do local. E quando enfim chegaram, estavam boquiabertas. Um cratera se formara ao redor de duas pessoas que estavam inconscientes no chão. Um homem que aparentava ter uns trinta anos, não mais que isso. Ao seu lado, uma garota de cabelos loiros e lisos. Os dois garotos tentaram – inutilmente – criar alguma hipótese sobre como aquela cratera havia se formado ao redor, não de seres de outro mundo, mas daqueles simples seres humanos.
— Vai ver são ETs! — disse o mais alto e estendeu o braço, iria tocar um dos corpos.
— Não, está maluco?! — o outro o deteve. — Não são monstros! São pessoas e quem sabe foram mortas por algum assassino. E se a polícia descobre os corpos e vê as suas digitais?
— Não parecem estar mortos. — virou-se para encarar o amigo. — E eu não conheço nenhum assassino que faça esse buraco.
— Ah! Claro. Você conhece muitos assassinos! — ironizou o mais baixo, em seguida os seus olhos se arregalaram.
— O que? — perguntou, não houve resposta imediatamente.
Na verdade, o mais baixo saiu correndo – pálido como se tivesse visto um fantasma. O outro virou-se e para a sua surpresa, deu de cara com o homem. Em primeiro momento nenhum dos dois se moveu. O homem – quem quer que fosse – parecia confuso, tanto quanto o garoto. Mas não houve um segundo momento. Agilmente, o homem empunhou uma espada e enfiou no pescoço do garoto. O corpo tombou no chão. E o homem ainda o encarava como se não fosse nada. Ouviu passos ao seu redor e ainda em alerta, virou o rosto, encontrando a garota que agora já havia acordado e estava de pé.
— Edwel. — sussurrou a garota.
— Muriel, temos que ir.
— E onde estamos? — ela perguntou olhando ao redor.
— Não sei, mas aqui não é o céu. — respondeu guardando a espada.
— Caímos? — ela franziu a testa. — Eu não lembro como!
Os olhos do homem pareciam ter se acendido em uma luz azul e a garota que esperava uma resposta percebeu que ela havia chegado. Alguns segundos depois ele saiu do seu estado de “transe” e encarou a garota.
— Vamos. Já sei o que temos que fazer.
Os dois passaram pelo corpo do garoto e entraram na escuridão.
~~ SUPERNATURAL ~~
Quatro dias depois em Lebanon, Kansas.
Escola Elemental Abraham Lincoln.
O sinal tocou.
Os sons e as risadas imediatamente surgiram. As crianças começaram a sair de dentro da escola correndo até o portão. Era fim de tarde. O céu estava alaranjado com os raios do sol que já começava a se pôr. O clima estava agradável para a época. Minutos depois do fim do turno, os professores começaram a sair pela porta lateral. E como se soubesse imediatamente que chegava o momento de matar a saudade de sua dona, um labrador amarelo começou a latir e balançar o rabinho ansioso. Seu nome era Brian, estava preso à coleira junto a uma garota ruiva, Chelsea Preston – melhor amiga de Eliza – e como o seu fiel companheiro, Brian já estava impaciente por ver Eliza.
Não demorou para Eliza Connor sair pela porta lateral e caminhar até eles. Ela era uma jovem professora de artes. Tinha cabelos negros, pouco acima dos cotovelos, olhos de um tom escuro. Ela morava naquela cidadezinha há pouco mais de dois anos. Havia se mudado para Lebanon depois da morte dos pais. Antes disso morava em St. Louis, que considerava sua verdadeira casa. Mas decididamente Eliza gostava mais de cidades ao estilo de Lebanon, não tão agitadas.
A morena atravessou a rua e chegou até a amiga e Brian, abaixando-se para alisar seu pelo e fazer carinho.
— E ai, Brian? — depois se pôs de pé. — Como o Brian foi no veterinário?
— Bem. Ele disse que o Brian está bem! Só tem que parar de engolir tudo que vê pela frente... — disse Chelsea, fazendo Eliza rir de leve.
Brian era bagunceiro, de fato.
— Obrigada amiga, nem sei como agradecer. — disse Eliza. — Se eu faltasse para levar o Brian a bruxa ia me comer viva! — referiu-se a diretora, Tereza Turner, ela tinha uma política rígida sobre professores faltarem as aulas.
— Que nada, eu nem tinha nada para fazer! — Chelsea deu de ombros.
Mas logo a atenção de Chelsea foi para a porta e ela fez silencio. Segundos depois Eliza virou-se para ver o que era. E se arrependeu. Do outro lado da calçada estava Josh, um homem de cabelos escuros, alto, de olhos claros. Josh Bennett era o professor de inglês e mais que isso, era o ex namorado de Eliza. Ao lado dele uma mulher loira, Megan, o motivo da separação dos dois. Ou melhor, da traição.
Josh e Eliza se conheceram quando ela se mudou para Lebanon e foi para a faculdade local para terminar os estudos e se formar em magistério. Ele também estava no último ano. E por um ano e meio os dois namoraram. Até Josh conhecer Megan. Até Eliza ver com seus próprios olhos a traição. E agora era extremamente difícil trabalhar no mesmo lugar que ele. Era relembrar dia após dia tudo aquilo.
— Bom... — Chelsea suspirou. — Ela é uma vadia! E ele merece ela!
— Chelsea! — Eliza a repreendeu, virando o rosto.
— Eliza, isso não deve continuar presente na sua vida, na sua cabecinha. — Chelsea a encarou. — Ele fez a escolha dele, escolheu essa loira falsa da Megan... Dane-se, quem perdeu foi ele!
— Eu sei, mas ainda é recente... E é bem pior ter que vê-lo todos os dias. — Eliza cerrou os dentes, tentou evitar lembrar certas coisas.
— O mais digno que ele poderia fazer é ir trabalhar em outro lugar. — disse a ruiva. — E você, deveria agradecer a Deus por estar livre. Durante o tempo em que estavam juntos você fazia tudo que ele queria... Agora que se livrou, respira fundo e pensa no presente. Querendo ou não, o passado é para ser passado.
— E eu garanto que não há chance de eu e o Josh voltarmos.
— Melhor assim. — disse, em seguida abriu um largo sorriso cumplice. — Foram-se os anéis, ficaram os dedos. Animo! E sabe que sempre pode contar comigo. — Chelsea de repente arregalou os olhos e imediatamente olhou em seu relógio de pulso. — Merda.
— O que foi?
— O Chá de Bebê da minha prima. — ela disse, já havia contado a Eliza sobre isso mais cedo. — Estou atrasada!
— Vai lá antes que fique tarde. — Eliza concordou. — Do jeito que você é esquecida, o bebê já vai ter nascido e se formado na faculdade quando lembrar dele.
— Ah, que maldade! — riu-se Chelsea, depois abraçou a amiga. — Se cuida.
— É, eu também já vou para casa.
Ambas seguiram caminhos contrários. Chelsea foi direto a casa se sua tia, há algumas quadras dali, onde a família já estava reunida. Enquanto isso Eliza fez seu caminho de volta para o pequeno apartamento no qual morava. Perdida em seus pensamentos, ela seguia o trajeto que já estava todo decorado. Cada passo era automático. Brian era um cão tranquilo que seguia ao seu lado e raras vezes latia para um gato ou um carrinho de hot dog. Em sua distração, Eliza assustou-se quando o cão começou a latir e avançar em algumas pessoas que desciam do ônibus cuja parada ficava logo em frente ao apartamento. Na verdade ele latia para uma só pessoa – mas isso Eliza ainda não havia. Estava furioso. Ela mal conseguia controlar a coleira. Até que ele se soltou e foi em direção das pessoas. Eliza o seguiu, temia que ele mordesse alguém. Quando a garota finalmente recuperou a coleira e se ergueu, seus olhos encontraram-se com um par de olhos azuis.
— Castiel?
[...]
Bunker dos Homens das Letras.
Sam e Dean haviam chegado no Bunker e, para a surpresa de Kevin, tinham o demônio Crowley em seu porta-malas. Eles tinha um plano também. Logo teriam o nome de cada demônio e poderiam curar de um em um. Talvez isso não fosse de fato colocar um ponto final na existência dos desgraçados, mas era um começo. Kevin não gostou de Crowley ainda estar respirando. Por ele, o demônio já teria pagado por tudo que havia feito. Era uma vingança merecida. Mas em meio a toda a confusão na qual se encontravam, era o único trunfo que os Winchester ainda tinham.
Havia uma estranha calmaria naquele Bunker ao anoitecer. Kevin havia preparado algo para comer e Dean se deliciava. Sam, por outro lado, não havia tocado no lanche. Não desgrudava os olhos dos livros. Procurava alguma coisa sobre os anjos e as chaves do céu entre os antigos arquivos do lugar. Dean observava Sam inquieto. Talvez manter o segredo seria mais difícil do que imaginava. E se Sam não dormisse a partir de agora? Ou não sentisse fome? Sam não era burro, a qualquer hora iria perceber.
— E o Castiel? — foi a pergunta de Kevin que quebrou a linha de pensamentos de Dean imediatamente. — Não deveria ter chegado?
— Talvez o ônibus tenha se atrasado. — Sam comentou sem tirar os olhos dos livros.
— Porque quer saber de Castiel? — Dean indagou ao profeta.
— Essa queda dos anjos, Dean. — disse Kevin. — Vai ser complicado, inclusive para o Castiel. E ele está meio desprotegido de anjos, demônios, sabe-se lá que outras coisas. Mas pelo menos Crowley não é um risco.
— Eu não sei se ele era o pior dos problemas. — Dean disse, em seguida bufando, sua cabeça estava tão cheia de problemas que ele mal conseguia raciocinar. — Cara, depois desse negócio de anjos, demônios ou sei lá o que... — levantou-se impaciente. — Que se dane o que possa estar acontecendo! Eu vou ligar a TV, tomar cerveja e amanhã eu vejo se acho o Castiel...
— Mas Dean... — Kevin começou, mas Dean interrompeu.
— Ele está bem. Eu disse a ele que tomasse cuidado, ok?
Kevin olhou para Sam, mas o caçula não disse nada. Voltou a baixar a cabeça, lendo o livro com atenção. Dean começou a zapear entre os canais. “Algumas pessoas afirmam que a chuva de meteoros é um sinal do apocalipse” dizia uma mulher sentada atrás de uma mesa, em um programa de um canal qualquer.
— As notícias estão quatro anos atrasadas! — comentou mal humorado.
Sam deu-lhe um pequeno sorriso.
Dean continuou seu passeio de canal em canal, até achar uma notícia que, nos tempos atuais, não tinha nada de novo. Claro, fora uma foto do Castiel no canto da tela. “Homem foragido é acusado de matar uma adolescente.” Dizia a repórter. “As câmeras da rodovia do Colorado registraram o momento em que um homem, que ainda não foi identificado, esfaqueia uma jovem que estava desaparecida há dois dias.” Completou.
Nesse momento, tanto Sam quanto Kevin também prestavam atenção na reportagem.
— Fala sério! — resmungou Dean. — Agora vou ter que aturar o Castiel dando uma de Cowboy Fora Da Lei? Que ótimo! O que mais poderia acontecer?
— Olha Dean, a gente vai ter que dar um jeito de achar ele. — Sam se apressou. — O Cas não leva jeito com esse tipo de coisa!
— Ah, jura Sammy? — Dean abriu um sorriso amarelo, depois ficou sério e seco. — O mais engraçado é que nos últimos anos eu tenho ouvido tantas vezes essa frase que já nem faz sentido... A gente prende um lado, algo solta do outro.
— Mas é o que fazemos. — insistiu o caçula. — E até onde eu me lembro, é você que sempre diz isso.
— Agora é diferente! — disse o Winchester desligando a TV.
— Defina “diferente”. — Sam estreitou o olhar.
— Nós estamos no meio de uma confusão, Sammy. — disse Dean. — E para piorar, o Cas mata alguém! Eu disse que ele não podia fazer barulho! Os anjos querem a cabeça dele! E ele praticamente acendeu um sinal de fumaça.
— É, mas de qualquer jeito não podemos ficar parados. — Dean revirou os olhos. — E pelo que foi dito pela repórter, essa garota poderia bem ser um anjo ou um demônio. O Cas já nos ajudou demais. Nesse momento não dá para deixá-lo na mão.
Sam até tinha razão, mas Dean queria esperar um pouco mais. Esperar até ter certeza da situação em que Sam estava. Mas pelo jeito, esperar não era uma alternativa.
[...]
Castiel e Eliza se encaravam sem reação. Era como se o tempo tivesse parado naquele momento. Brian enfurecido latia para o homem, mas parecia não ter atenção de nenhum dos dois. Castiel sentiu uma estranha sensação crescendo dentro de si no exato instante em que colocou seus olhos em Eliza. Uma alegria imensa ao ouvir seu nome no som da voz. E uma ansiedade em ouvi-la novamente.
— Victoria? — ele sentiu que sua vontade de falar desaparecia. — Você... Eu achei que você tivesse morrido!
— Sério? Não conseguia me ver lá decima das nuvens? — ela ironizou um pouco mais irritada do que esperava.
— Miguel me disse que... — ele novamente se deteve. — Eu procurei por você! Eu não quis acreditar, mas...
— Miguel é convincente quando quer. — ela sorriu, sua voz estava mais suave agora e menos irritada. — Castiel, o que faz por aqui?
— É uma longa história. — o ex-anjo se moveu desajeitado.
— Temos algumas longas histórias para contar, não é mesmo? — Castiel balançou sua cabeça positivamente, então Eliza continuou. — Porque não vamos para algum lugar e conversamos?
— Não sei se seria prudente.
— Qual é?! Miguel ainda está na sua cola? — brincou a garota.
— Meu receptáculo não tem uma calda. — Castiel tratou de dizer.
— É modo de falar. — Eliza riu. — Vamos só conversar e relembrar os velhos tempos.
Castiel assentiu aceitando o convite. Brian não gostou muito da ideia, latiu todo o tempo para o ex-anjo enquanto Eliza e seu velho amigo subiam para o apartamento. Para que os dois pudessem conversar, ela deixou Brian na área de serviço do seu apartamento. Castiel parecia confuso. Olhava a garota sem entender. Havia partes da história que ele não sabia. E odiava o fato de não ter procurado mais sobre o que havia acontecido com ela, embora esse sentimento fosse novo.
E essas angustias, antigas.
— Olha, eu não esperava te ver por aqui. — ela se aproximou do amigo trazendo uma bandeja com biscoitos e duas canecas de café, o que fez o estomago de Castiel roncar, fazia algumas horas que ele não colocava nada na boca. — Digo, aqui embaixo. E bem na minha frente.
— Aconteceram muitas coisas desde... Daquilo. — ele disse sério. — O que aconteceu com você?
Eliza ficou em silencio alguns segundos enquanto entregava o café. Era difícil tocar em tal assunto. Já estava morto e enterrado para ela, de uma forma quase literal.
— Você diz... Desde que Miguel e Raphael me condenaram? — Castiel moveu a cabeça em confirmação. — Eu cai. Eu vaguei por quilômetros procurando por ajuda, com sede e com fome. Já tinha esquecido como é caminhar tanto... Mas não posso dizer que tudo foi ruim, foi bom ter sensações de novo. — pausou. — Um casal me encontrou, me deu um nome. Eliza. Minha mãe me disse que sempre quis ter uma filha e colocar nela esse nome, mas ela não podia engravidar. Então aqui estou... Agora essa é a minha vida. Eu fiz faculdade magistério e toquei as coisas da melhor forma possível. Embora algumas coisas ainda sejam difíceis... Quando inacabadas.
— A que se refere?
— Não, nada demais. — ela mudou de assunto, sorriu fracamente. — Mas... Sobre nós eu não posso negar, eu sempre me senti culpada.
— Culpada?
— Pelo que você passou, Castiel. — respondeu. — Não faz tanto tempo assim. Eu sabia o meu lugar e te expus. Você sofreu tanto por minha culpa! Passei tantos dias e noites desejando descobrir o que tinha acontecido e....
— Não foi sua culpa. — ele cortou. — E isso não importa mais. A única coisa que quero é reparar as coisas.
— Coisas? Fala da razão de estar na Terra? Quando desceu?
— Faz algum tempo. — disse ele. — Eu fui ao inferno e....
— O que foi fazer no inferno? — ela arregalou os olhos, sabia que boa parte dos anjos que desciam as profundezas eram corrompidos.
— Fui buscar a casca de Miguel. — explicou calmamente.
— O que isso quer dizer? O que os fanáticos dizem na TV é verdade? É o apocalipse?
— Não, na verdade não é mais necessário se preocupar com isso. — Castiel continuou a explicar. — Já passou.
— Como assim já passou? E Miguel? — ela perguntou. — Lucífer? O que rolou?
— Miguel e Lucífer estão presos, não são mais um problema.
E ele contou resumidamente tudo que aconteceu a respeito do apocalipse. Os selos, a jaula, as cascas. As tentativas e os erros. Tudo que os levou até o dia em que o roteiro foi rasgado e tudo mudou. Ao fim da história, Eliza estava pasma.
— E os anjos? Devem ter ficado desnorteados com isso, com Miguel na jaula e com o fim do grande plano. — ela disse. — Raphael os comanda?
— Raphael está morto. — respondeu fixado em seus olhos. — Eu o matei.
Se ele tivesse coragem o suficiente, teria dito que havia sido por ela. E era verdade que, ao ter a chance de se vingar do arcanjo pelo que havia acontecido, ele o fez por ela sem hesitar. Eliza e Castiel se conheciam há muitos anos. Talvez mais tempo do que os dois podiam se lembrar. Na época, ela se chamava Victoria e não era bem um soldado, nem mesmo um anjo exatamente. Era de uma de uma classe inferior de seres celestiais que se chamavam Discipuli. Eram simples almas. Almas daqueles que não cumpriram sua missão por um motivo qualquer, morrendo cedo ou de uma forma que não estava prevista. Mesmo que bruscamente arrancados do mundo material, essas almas tem força para enfrentar sua própria raiva e decidem ir com os ceifeiros – a maioria das almas nessa situação apenas resistem, se tornando fantasmas. Esses poucos espíritos que conseguem isso são mais puros e chegam ao céu, se tornando Discipulis – se essa for a sua vontade. Basicamente se tratam seres de luz com certas habilidades que recebem ordens dos serafins. E Victoria, junto com alguns outros Discipulis, recebia ordens de Zachariah – mão direita de Miguel.
Miguel e Raphael eram os comandantes supremos do céu, isso após a queda de Lucífer e os desaparecimentos de Gabriel e de Deus. Exigiam dos anjos a obediência total. Eles eram absolutos. E no céu haviam regras. Regras essas que Castiel descumpriu – e isso bem antes de conhecer os Winchester e cair por um ideal que ia contra os desejos do céu. Ele era um soldado da guarnição de Annael. Era um dos melhores. Mas foi naquela época que algo aconteceu com ele pela primeira vez: Castiel sentiu.
Anjos não sentem como os humanos. Principalmente quando estão no céu e são seres de luz. Mas Castiel criou uma conexão estranha com uma das Discipulis de Miguel. E enquanto estava em missões ao lado de Annael, em alguns momentos Castiel olhava a vida humana e seus comportamentos, imaginava como seria. Annael partilhava também de tais pensamentos, por isso decidiu remover sua graça. Castiel não o fez, até porque a razão desses pensamentos iria continuar no céu. Era Victoria. Ela nunca poderia cair, ela não podia tomar decisão nenhuma. Por isso Castiel continuou no céu, ao seu lado.
Se encontravam em algum canto do paraíso e conversavam. Nada ia além. Não existiam sentimentos carnais e sim puros. Mas mesmo isso era proibido. Anjos não devem sentir, era uma regra, não devia ser quebrada.
O segredo chegou a Raphael e Miguel por meio de Zachariah. Naquele momento nada poderia atrapalhar o céu. O plano principal já estava encaminhado. Só esperavam que o primeiro selo fosse rompido. Não podiam perder tempo com bobagens. Victoria foi, de uma forma bem literal, jogada a Terra. Castiel então foi humilhado pelos anjos, Raphael chegou a sugerir sua morte, mas seu irmão tinha planos para ele. Lhe foi dito que Victoria havia sido morta, que Raphael a havia matado. Ele até tentou procurar qualquer coisa, era difícil e dolorido acreditar. Não teve sucesso. Miguel provavelmente impediu que ele a encontrasse na Terra. Logo aquela se tornou só uma história. Logo Castiel teria a sua missão mais importante. E o resto já se sabe.
Já Victoria vagou por alguns dias. Agora ela tinha o antigo corpo – o mesmo no qual ela havia morrido há duzentos anos por conta de anemia violenta – um franzino corpo de uma menina de treze anos. Foi encontrada desmaiada no jardim dos Connor depois de andar por tanto tempo passando sede, fome e frio. Clarisse Connor cuidou dela como se fosse sua filha. Ela e George Connor não tiveram essa sorte. Victoria escondeu quem ela era – ou havia sido – coisa que nunca se perdoou. Odiava mentir, mas como contar a eles que ela havia caído do céu a mando de um arcanjo? Não havia registros dela em parte alguma do país. Então eles ficaram com ela. E ela os amou como se fossem seus pais.
Castiel a reconheceu no momento em que a viu. Ela quase não havia mudado. E Eliza, embora soubesse que Castiel não possuía mais a sua graça assim que pusera os olhos nele, já havia sonhado com ele tantas vezes daquele jeito, naquela casca, que seria impossível não reconhecer.
— Como você perdeu sua graça, Castiel?
Castiel ficou em silencio por um tempo. Aliás, o apartamento estava em silencio total. O cão já havia pegado no sono e não latia mais. Eliza notou de longe que Castiel hesitava.
— Eu conheci Metatron.
— Metatron? O escriba? — Eliza estranhou. — Pensei que estivesse morto.
— Ele estava na Terra.
— E o que ele tem a ver? — ela franziu a testa.
— Ele me disse que poderia concertar os céus. Que só tínhamos que cumprir os testes da palavra de Deus, da tabua dos anjos. Mas foi um feitiço. — pausou. — Era um feitiço e todos os anjos caíram. Ele me tirou a graça. Ele trancou o céu.
— Então a coisa está bem pior do que eu imaginei. Deixa eu adivinhar, você deve estar mais procurado que bolsa de marca em liquidação. — Castiel a encarava sem entender do que exatamente ela se referia. — Sua cabeça está a prêmio!
— Eu suponho que sim.
Eliza suspirou pesadamente.
— É uma nova vida a partir de agora. — disse ela sobre o ex-anjo sem sua graça. — E eu espero que você se saia bem como um homem comum.
— Você tem se virado bem pelo visto.
— Não que isso seja um conforto. — ela disse. — Algumas coisas te encontram. Voltam a te arrastar ao mundo real.
— Do que está falando? — indagou ele. — Anjos?
— Demônios, Castiel. — por um momento ela parecia lembrar de algo distante em meio a suas lembranças. — Eles me acharam. E acharam meus pais. Eles incendiaram toda a minha casa onde vivíamos em St. Louis. Não sobrou nada. Por sorte eu consegui subir ao meu quarto e a janela estava aberta. Um bombeiro me ajudou e eu escapei. Eu acho que foi a pior noite da minha vida.
— Quando isso aconteceu?
— Há pouco mais de dois anos.
— E como pode ter certeza que foram demônios? — ele estreitou o olhar.
— Eles possuíram meus pais minutos antes do fogo começar. Tentaram me atacar, mas eu subi correndo para o meu quarto. — ela explicou, seus olhos encheram de lágrimas e Castiel sentiu seu coração apertar. — Droga! E depois disso me mudei para cá, gosto de cidades pequenas. Fiz amigos e cheguei a me envolver com....
— Com....? — encorajou-a a continuar.
— Meu namorado. — ela disse, ele desviou o olhar. — Ou melhor, meu ex namorado.
— E os demônios, eles... Não voltaram a te procurar?
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Mas eu quis procurá-los. — disse. — Eles mataram meus pais. E me causaram uma dor que...
— Victoria... — Castiel a interrompeu.
— Eliza. — corrigiu prontamente. — Agora é Eliza.
— ... Você pode sentir? — a pergunta de Castiel a fez perder o ar.
— Como... — ela engoliu a seco. — Como um ser humano? É, eu... Eu posso sim. Não mudou muito o que era antes, você sabe, no tempo em que eu morri. Mas agora tudo é mais agitado.
— Mas eu ainda não entendo o que é o que. — ele estreitou o olhar. — Isso é complexo e confuso.
— A humanidade é confusa, mas vale a pena. — ela disse. — Amor, amizade, carinho, até mesmo raiva. Tudo que te faz sentir vivo vale a pena.
— E o que é se sentir vivo?
— É... — ela procurou uma boa resposta, havia uma sensação estranha nela a respeito daquela conversa. — Eu não sei. É diferente para cada um. É quando se gosta do que se está fazendo ou sentindo. Quando te dá alegria, te faz querer sorrir. O motivo é bem diferente para cada pessoa.
— Eu acho que... Entendo. — ele desviou o olhar.
— Bem... — ela limpou a garganta. — Então, você disse que seus amigos Winchester, eles estavam em Lebanon. Vocês já tem alguma ideia de como limpar essa bagunça?
— Eu ainda não falei com eles depois que cheguei. — ele se pôs de pé. — Acho que já tenho que ir.
Eliza impediu sua passagem.
— Hey, aonde vai?
— Ao bunker. — respondeu-a. — Sam e Dean precisam de mim.
— Eu não quero perdê-lo de novo. — ela olhou em seus olhos. — Não quero te deixar sozinho agora. De novo...
— O que quer dizer?
— Eu vou te ajudar, Castiel!
— Não. — ele disse imediatamente, seu rosto estava sério. — Não vai se arriscar. Você não sabe lidar com isso.
— Já cheguei a ver coisas bem piores do que imagina, meu amigo. — ela sorriu. — Eu quero que saiba que não está sozinho. O que tiver que enfrentar, enfrentaremos juntos.
Ela passou por Castiel e parou em frente a porta. O ex anjo encarou-a sem ação. Eliza arqueou a sobrancelha.
— Mas... — Castiel começou.
— Mas nada! E como já não tem mais seus poderes, usaremos a força dos pés. — ela sorriu brincalhona.
[...]
— Então me digam, espertinhos... — começava Dean parando diante do seu irmão mais novo e de Kevin. — Como vamos achar o Castiel? Ele estava no Colorado, pegando um ônibus para cá quando nos falamos pela última vez. Que eu saiba o ônibus já chegou e já partiu e nada do nosso pequeno fugitivo.
— Acho que vamos ter que seguir o caminho que o Castiel fez. — Sam sugeriu. — Ou pode ter feito.
— Claro, quem sabe ele deixou uma trilha de doces pelo caminho. — ironizou Dean.
— Será que dá para relaxar um pouco? Que mal humor! — retrucou o mais novo.
Antes que Dean respondesse, Kevin se meteu.
— Ou quem sabe...
Dean e Sam encararam o profeta, que hesitou.
— Quem sabe o quê?
— Algum feitiço de localização. — explicou Kevin. — Isso existe, não existe?
Dean e Sam se encararam.
— Ok. — Dean relaxou os ombros. — Vamos bancar as irmãs Sanderson agora.
Em poucos minutos já haviam juntado todo o necessário para o feitiço: Um mapa, fogo, algumas ervas e as palavras certas. Assim que Dean terminou de dizer o encanto, Sam encostou a chama da vela no mapa da provável região onde Castiel poderia estar. Não demorou até o fogo tomar conta da maior parte do mapa, restando apenas um pedaço pequeno de papel. Minúsculo na verdade. E para a surpresa, se tratava de Lebanon.
— Isso diminui as possibilidades. — Dean disse com ironia.
— E agora? — perguntou Kevin. — Castiel está na cidade?
— Está. — Sam disse. — A questão é como!?
[...]
Naquela hora da noite a maioria das pessoas já haviam se recolhido para jantar e enfim descansar depois de uma dia corrido. Quase não havia movimento. Lebanon não era a típica cidade que nunca dorme. Castiel e Eliza seguiram em direção ao bunker – Castiel lembrava bem do caminho, havia estado lá um pouco antes de falar com Metatron. Bem perto do bunker dos homens das letras – na verdade logo atrás – passava uma faixa se ligando a rodovia. E estava bem escura graças a algumas lâmpadas apagadas. Os dois já estavam ali quando notaram passos logo atrás.
— Então seus amigos tem um forte?
— Era o bunker dos Homens das Letras. — explicou. — Eles são legados.
— Interessante. — ela disse. — E como sabe que estão lá?
— Quando falei com Dean, eles estavam levando Crowley ao bunker.
— Crowley?
— O Rei do Inferno. — explicou. — Assumiu o poder quando Lucífer caiu. Ele iria ser o demônio curado no último teste para trancar os portões do inferno.
— Acha que ele pode saber o motivo dos demônios terem matado meus pais?
— Talvez sim. Talvez não. Nada acontecia sem passar por Crowley.
— Eu vou ter uma conversinha com ele quando chegarmos lá. — Eliza sorriu cínica.
— Você me assusta.
— Eu mudei, meu amigo. — Eliza suspirou. — Minha alma mudou. Eu cresci, não sou a mesma menininha de antes.
Eles se encararam brevemente.
— E isso é bom?
— Talvez sim. Talvez não. — Eliza riu, o que fez Castiel esboçar um leve sorriso. — Eu quero saber mais sobre seus amigos...
— Sam e Dean?
— É, sei lá... Caçadores!
— Eles são boas pessoas. Acho que poderíamos chamá-los de anjos da guarda. Ambos já salvaram mais pessoas que os próprios anjos. — era difícil dizer aquilo, mas Castiel estava sendo sincero. — Eles salvaram o mundo.
— Eles são heróis. — concluiu Eliza.
— Tecnicamente.
— O que quer dizer?
— Eles... — Castiel procurou as palavras certas. — Tiveram seus momentos de horror e mesmo assim continuaram. Sacrificaram muita coisa. Mas também já cometeram seus erros. Mas acho que não desistiram de ajudar nunca. Só se acontecer um milagre.
— Bem... — ela se deteve quando ouviu sons de passos por entre os galhos do outro lado da rodovia. — Ouviu isso?
— O que? — ele parecia distraído.
— Acho que ouvi algo.
— Tem certeza?
Não houve resposta. Do acostamento saíram duas figuras. Um homem e uma garota. E os dois provavelmente eram anjos, pois traziam espadas angelicais. Edwel e Muriel não erraram. Edwel havia sido avisado que Castiel era o procurado número um, não foi tão difícil rastreá-lo. O que os anjos diriam ao saber que ele havia matado o traidor que era o causador de toda aquela confusão?
Seria adorado, com toda a certeza.
— Olha só, o rato saiu da toca! — disse Edwel em tom irônico.
[...]
— É melhor você ficar, Sammy. — Dean dizia pela terceira vez.
Era hora de andar pela cidade e tentar achar Castiel – vivo ou morto, a segundo até era uma possibilidade visto o sumiço do ex-anjo. Mas Dean achava melhor que o irmão não saísse do bunker. Estava inseguro com uma situação e não haviam passado nem dois dias desde a possessão.
— Eu vou ter que continuar repetindo que eu estou bem? — Sam já estava impaciente com a teimosia de Dean. — O Kevin fica, se o Castiel aparecer ele nos liga, ok?
Dean bufou, subindo a escada e abrindo a porta do bunker. Sam logo atrás. Os irmãos andaram em direção ao Impala estacionado entre as arvores. O Impala deu partida, em pouco tempo já estavam na estrada. Dean estava inquieto, Sam sabia, e isso já estava lhe deixando impaciente.
— Já chega, Dean! Pode parar com isso!
— Isso?
— Esse lance de ficar me controlando, ficar encima de mim como um carrapato.
— Eu sou seu irmão e vou cuidar de você. — Dean disse calmamente.
— Pensei que já havíamos evoluído.
— Sam, eu quero ter certeza que os testes...
— Está tudo bem. — Sam cortou, dizendo as palavras secamente.
Dean fechou a cara.
[...]
Eliza e Castiel engoliram a seco encarando os dois recém chegados. Edwel encarava o “ex” anjo com expressões de fúria. Quase assassinas. Muriel ao seu lado fixava-se nos dois, Eliza e Castiel, já estava pronta para o ataque.
— Castiel. — disse Edwel.
— Irmão...
— Eu não sou seu irmão. — ele cuspiu as palavras com ódio ao interromper Castiel. — Eu não sou irmão de traidores. Por isso fico feliz por ser o primeiro a te achar. Mas não esperava você e Victoria. O bom é que assim terá alguém para assistir sua derrota. — sorriu com o trocadilho.
— Castiel, você caiu muito... Muito fundo agora! — a garota loira se pronunciou, sua voz era mais formal e seu tom mais sério.
— Estão errados! Não é culpa dele! — Eliza meteu-se enfurecida em defesa do amigo, mas Castiel não parecia estar disposto a explicar o que acontecera.
Ele pegou sua espada angelical. Sabia que não teria outro jeito. Tinha que estar pronto para tudo.
— Victoria, você não vê que sua fé cega em Castiel já lhe custou muito? — Edwel disse com desdém. — Castiel é um grande manipulador. Todos sabem que ele trabalhava ao lado de Metatron!
— Eu só tentei consertar tudo que estava quebrado no céu. — Castiel tratou de dizer.
— Você é grande mentiroso. Uma fraude! Sempre soubemos. — Muriel disse com ódio.
— E você foi a causa de tudo, Castiel. — continuou Edwel. — Você é o grande culpado de tudo. O seu ego destruiu o céu! É meio tarde para voltar atrás...
Eliza encarou Castiel em silencio e o viu ficar tenso, mas não disse nada.
[...]
O Impala havia avançado bem pouco na estrada e os faróis logo iluminaram uma cena que fez Dean frear tão bruscamente quanto pode. Logo a frente estava Castiel. E junto a uma garota morena, parecia estar trocando farpas com outras duas pessoas. Em um piscar de olhos a garota loira e o homem partiram para cima de Castiel – e da garota – com espadas angelicais. Castiel tinha a dele, mas era a única para dois anjos. E eram anjos, sem dúvidas.
— Fica! — Dean gritou para Sam ao descer do Impala.
Anjos estavam na jogada. Eles podiam perceber Ezekiel. Perder Sam não era uma das opções.
— O que? — protestou o rapaz. — Enlouqueceu?
— Sam, você acabou de se livrar da morte! — disse de forma superficial, Sam não fazia ideia de que era bem mais literal. — E eu não vou arriscar a sua vida. Você fica aqui.
Sam estava contrariado, mas assentiu. Se Dean precisasse, ele iria ajudar querendo ou não. Dean se aproximou da briga, entrando no meio sem hesitação. Sua intenção era ir ao auxílio do amigo. Castiel se defendia da melhor forma possível, mas sua força agora humana não era páreo para um anjo. A loira que antes distraia a morena com chutes e socos partiu para cima de Dean, impedindo-o de parar Edwel.
Muriel diferiu golpes no Winchester que, com agilidade, se esquivou de alguns. Mas não demorou para um soco no queixo desiquilibrar Dean. O Winchester se recompôs. Mais uma vez Dean voltou a enfrentar Muriel. Castiel já estava bastante machucado, mas se defendia com a espada. Eliza estava caída à beira da estrada com o rosto machucado graças a briga com Muriel.
E nesse momento algo aconteceu. Com um ágil movimento, Dean tomou a espada que a garota loira tinha nas mãos e enfiou-lhe no estomago. E em meio a distração da briga deu-se conta de uma voz fraca proferindo, o mais rápido possível, palavras em latim:
Omni potentas dei potestatum invoco.
Omni potentas dei potestatum invoco.
Aborbe terran.
Hoc angelorum in obsequentum.
Domine expoet.
Domine expoet.
Hodie abba tempere.
Uma luz azul explodiu no lugar. Dean e Castiel protegeram a visão virando o rosto. Sam também evitou olhar em direção. A luz era forte demais. Quando tudo voltou ao normal, o corpo onde estava o anjo estava tombado no chão sem vida. Ao seu lado o corpo da garota possuída pelo anjo que Dean havia matado.
Dean olhou para o amigo e em seguida olhou a garota. Algo nela roubou sua atenção.
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