Lost Blue
41 Capítulo 41 - Festa de boas-vindas
Notas iniciais
Após aquela breve reunião no salão principal, Aquantis e seus amigos seguiram para um andar onde ficavam os quartos de hóspedes. Lá, tomou um banho esfoliante com uma estranha água aromática, contendo pequenos grãos finos e brilhantes cor de rosa.
Olhou-se no espelho por um momento, percebendo que sua aparência nunca tinha sido pior. Parece que os últimos dias tomaram um pedágio sobre ele e talvez a gravidez acrescentasse nisso, embora sua barriga não tinha crescido quase nada ainda.
— Aqua, tudo bem? — Trey apareceu na porta do banheiro, olhando-o com preocupação. Tinha mostrado algo em sua face? Não sabia, mas sorriu para ele.
— Sim. Eu só, acho que já pareci melhor antes. Vou demorar para me acostumar com o fato de que não sou mais um fugitivo.
Seu amado sorriu de boca fechada e se aproximou, abraçando-o com força. Tudo o que Aquantis vestia era uma toalha branca na cintura, enquanto o outro ainda estava com as roupas da viagem. Ele cheirava bem, muito bem, e desejava permanecer naquele abraço para sempre.
— Vim dizer que Sully está te esperando lá fora. Ele quer levá-lo até seus pais para poderem conversar mais.
— Você vai também?
— Gostaria, mas acho que essa é uma conversa importante que precisam ter sem mim e os outros. Vou aproveitar para ver se todos estão bem e conhecer os arredores. — Trey se afastou para tocar seus ombros. Claro que ficou decepcionado de que ele não poderia ir consigo.
— Ainda me sinto… huh, inseguro.
— Por quê?
— É tudo estranho para mim. Novo e… até um pouco bizarro. Não conheço ninguém e… mesmo meus pais parecem desconhecidos.
Trey embalou seu rosto com as mãos, tocando suavemente os dedos em sua pele, os olhos dele fitaram os seus com firmeza, o que o deixou até um pouco desconfortável.
— Olhe, entendo como está se sentindo. No seu lugar, me sentiria da mesma forma, sabe… mas precisa ter em mente que tudo isso é uma coisa boa… aliás, ótima. Você encontrou seus pais e possivelmente uma gama de parentes seus com o mesmo sangue. Vai ser bom conhecê-los e se relacionar. Eles são sua família, isso não é incrível?
Aqua abaixou o olhar e assentiu lentamente.
— Mas para mim… vocês são minha família. Aqueles por quem me importo de verdade, por quem faria tudo para proteger. Eles não…
O sorriso de Trey ficou enorme e ele lhe deu um beijo forte nos lábios, puxando-o de novo para os seus braços.
— Eu amo ouvir isso de você. Saber que considera a mim e aos meus amigos sua família também. Você sabe que eu os considero da mesma maneira, pois você e todos eles são muito importantes para mim. Mas seus pais, ao menos eles e Sully, serão assim para você também com o tempo. Então não se preocupe… procure aproveitar esse tempo que você tem para conhecê-los e depois me conte tudo o que aconteceu, okay?
Mais animado com aquela conversa — como sempre ficava quando Trey o incentivava — sorriu e o beijou docemente, antes de se afastar.
— Eu poderia aproveitar esse momento para tomá-lo aqui mesmo, mas… — Trey respirou fundo e foi em direção a porta. — Tem alguém te esperando.
— Quem sabe mais tarde. — Aqua riu e o assistiu sair antes de correr para se trocar, colocando algumas peças de roupa que Sully tinha conseguido para ele. Consistia em uma túnica que os Blue costumavam usar em dias de calor, feita de algodão e que ia até os joelhos. Era bem confortável, e a calça de seda por baixo também. Não era nada feminino do que se podia esperar, era apenas… diferente. Tinha símbolos dourados de curvas intrincadas em cada extremidade, fazendo contraste contra o azul marinho do tecido. As calças eram cinzas, mas de tamanho ideal. Colocou seus sapatos normais e amarrou, então finalmente saiu do quarto, percebendo que Trey já tinha sumido.
Sully estava lá em frente a janela do corredor, assistindo a visão do espaço, que bem… não tinha nada lá além de estrelas ao longe, muito longe.
— Sully?
— Oh, Aqua. — Ele voltou sua atenção a ele. — Me desculpe, eu estava distraído.
— Tudo bem. Nós vamos… uh… falar com nossos pais.
— Sim. — Mesmo assim ele não se moveu do lugar. — Você tem algo a me dizer, não é?
— Como sabe?
— Coisa de irmão. — O sorriso carinhoso de Sully fez algo aquecer em seu peito.
— Acho que não é uma boa ideia contar aos nossos pais sobre o que passei na Federação. — Ficou ao lado dele na janela, encostado no vidro. Segurou seu olhar, encontrando o questionamento lá. — Não quero que eles se culpem pelo que aconteceu… assim como você.
— Eu?
— Dominic me disse que cada vez que você se aproxima de mim, sente culpa. Não quero que se sinta culpado de nada, pois se há alguém que precisou pagar por tudo o que me aconteceu foi Wenda e ela… não é mais uma preocupação para nós. Aliás, nunca mais será. Infelizmente não posso passar uma borracha por cima do meu passado, mas quero começar um futuro só com sentimentos bons… você entende?
Demorou um pouco para Sully responder. Seu olhar brilhou na sua direção até que um sorriso suave surgisse em seu rosto e ele aquiescesse.
— Entendo completamente, Aqua. E você tem razão… vamos começar uma nova vida aqui, eu você, nossos pais, Trey, Austin e todos os outros. Ah, e vamos reviver Lost Blue!
Aquantis riu baixinho e colocou a mão no ombro do irmão, apertando suavemente.
— Eu gostaria muito disso.
— Então vamos lá, irmãozinho. Vamos falar com nossos pais. — Ele deu um aperto no pulso de Aqua e soltou, então finalmente caminharam pelos corredores. — Pai Cody se superou desta vez. Ainda não creio que ele projetou tudo isso.
— Sim, é incrível. — Exclamou ao ver cada detalhe perfeito em todos os lugares. Não conseguia identificar qualquer semelhança na aparência da nave com qualquer das culturas que tinha conhecido, tanto pessoalmente como em livros. — Ele deve ser mesmo uma pessoa muito inteligente.
— Oh sim, ele é. Muito. Penso que Zack adorará conhecê-lo também.
— Isso é verdade. — Eles riram juntos e entraram no elevador de vidro que subiu vários andares até a ala dos líderes, onde estava situado o quarto de seus pais e as salas de reunião. Soube por Sully que lá também havia um quarto para ambos os irmãos, que era muito incrível e maravilhoso, mas que seu irmão naturalmente recusou porque sabia que Aqua iria querer permanecer com Trey, assim como Sully preferia estar com Austin.
Na sala principal, seus pais os receberam com abraços apertados. Someya, aquele que lhe deu a luz, tinha o abraçado por mais tempo que o normal. Sentiu lágrimas quentes caírem em seu ombro, no entanto, quando ele se afastou, não estava chorando mais. Parecia até… nervoso. Será que também se sentia inseguro?
— Venham, sentem-se por favor. — Ele apontou para as poltronas cor de vinho sobre um tapete grande de mesma cor, com detalhes em dourado. Havia um lustre incrível acima feito com cristais brancos. O estranho era estar sob eles e não fazê-los brilhar.
— Por que não estão brilhando? — Perguntou Sully, adivinhando o que pensava. — Quando são os meus cristais, só de você chegar perto, eles brilham tão forte que podem cegar alguém.
— Depende de para que eles servem, Sully. — Explicou Cody, servindo um chá para ele e seu irmão. — Este cristal não é condutor de energia, ele é muito raro, das profundezas de um vulcão congelado no lado escuro do nosso planeta. Digamos que seus efeitos são diferentes.
— Diferente como? — Sully indagou novamente e Aqua também ficou curioso.
— Ele é um indutor de empatia. Nos faz sentir o mesmo que aquele que está ao nosso lado. Por isso é ideal para nós. — Respondeu Someya. — Quero saber tudo o que aconteceu com vocês enquanto estiveram no espaço, como se encontraram… onde Aquantis esteve…
— Pai… — Aqua engoliu em seco, não sabendo se conseguiria esconder o que sentia, ou ocultar seu passado.
— Tenho algo a dizer primeiro. — Começou Cody. — Nós fomos capazes de identificar como Aquantis foi levado de Lost Blue. — Aqua e Sully se entreolharam com espanto. — A princípio pensamos que fosse um pirata espacial, que por acaso encontrou nosso planeta, ou um viajante pertencente a Federação dos Planetas, que na época nós nem sabíamos que existia… mas era impossível, raro de acontecer, já que estamos longe demais de qualquer civilização, e o que nos separa do resto do universo são buracos negros, criaturas como os guardiões do Ponto Morto e uma gama de tempestades eletromagnéticas. Só um Blue conhece o atalho certo para atravessar o espaço em segurança…
— Isso quer dizer que foi um Blue? — Aqua indagou com espanto.
— Sim. Recebemos a confissão de Adhara Leonis.
Aquantis não fazia ideia de quem era esse, mas Sully pareceu reconhecer.
— Ele era o meu tutor.
— Mas era um rapaz invejoso e ambicioso, filho. — Continuou Cody. Someya estava de cabeça baixa, apenas segurando sua xícara de chá, mas sem beber. — Você não deve se lembrar, pois era muito jovem para entender… Adhara viveu conosco durante algumas semanas, enquanto te dava lições em casa. Mas apesar de ele ser bem tratado por nós, queria mais… queria substituir um de vocês.
— O quê? — Sully estava horrorizado e Aquantis também.
— E por isso ele resolver se livrar de mim. — Aqua falou com pesar.
— Sim. — Someya assumiu a conversa. — Ele teve a pior escolha… ele o levou de Lost Blue até um porto desconhecido, e lá o vendeu para um homem qualquer. Depois disso ele retornou, e ninguém desconfiou disso até as mentiras serem descobertas. Ele tinha ameaçado várias pessoas a não dizerem sobre sua saída e o que tinha feito, mas só fomos descobrir depois que Sully saiu em viagem. — Ele esfregou os olhos com força e Cody acariciou as costas dele, preocupado. — Não acredito que um dos nossos foi capaz de fazer algo tão horrível… se livrar do meu bebê como se fosse lixo. Eu… eu nunca vou perdoar… eu…
— Calma, Someya. — Disse Cody, suavemente. — Adhara sofreu pena máxima pelo que fez.
— O que é…
— Ele foi morto. — Sully disse a Aquantis.
— Oh. — Arregalou os olhos. Um homem tinha sido morto por sua causa… só não fez tanto impacto, porque Aquantis já tinha assassinado muitas pessoas, mesmo que por acidente. Embora, tinha se convencido de que eram todas pessoas más.
— Foi derretido em lava quente durante três dias, até sua morte. — Cody falou com certa dureza em suas palavras. — E mereceu cada segundo disso. Enfim, fazem anos e só estou contando isso a vocês, pois merecem saber. Mas vamos esquecer e pensar no futuro, sim?
— No entanto… — Someya falou. — Digam-nos tudo o que houve com vocês, sem esconder nada. — Seu olhar pousou em Aquantis, que assentiu convencido.
Ele contou sobre tudo o que aconteceu com ele desde que se lembrava. Suas lembranças eram um pouco turvas na infância, e realmente começou a se lembrar desde que já estava na Federação. Tinha dito a Sully que preferia não contar a seus pais… mas por causa da história de Adhara, resolveu não ocultar. E mesmo que seus pais ficaram horrorizados com os detalhes, o escutaram com atenção, sem interrompê-lo.
Em seguida, foi a vez de Sully dizer sobre a viagem, todos os desafios que enfrentou até o momento em que conheceu Morgana e se juntou a nave Imperatriz.
Cody e Someya ficaram sérios e em silêncio quando Sully contou a eles sobre o seu relacionamento com Austin.
— E bem… Aqua também encontrou alguém especial.
Olhou para Sully, voltando a se sentir um pouco inseguro e até envergonhado.
— Eu… tenho um namorado. É Trey.
— O comandante Trey Scarlet? — Cody parecia um pouco surpreso, embora sério.
— Sim. Ele foi quem me salvou em mais de uma ocasião… teve a capacidade de largar toda a sua vida para me levar para longe da Federação. E é graças a ele que nós estamos aqui hoje.
Seus pais ainda estavam em silêncio, apenas o estudando, o que fez suas bochechas se avermelharem e seu olhar cair para suas mãos.
— Ele é uma pessoa maravilhosa… e eu o amo. Então… e… — Engoliu em seco com essa última informação. — Vamos ter um filho.
O silêncio pairou por um tempo, Aquantis prendeu a respiração, não sabendo o que esperar e sem olhar na direção deles. Quando finalmente olhou, seus pais estavam boquiabertos e de olhos arregalados. Someya foi o primeiro a se levantar e abrir os braços.
— Vem… venha cá!
Aquantis não pensou duas vezes em fazer o que ele pediu, abraçando-o e sendo abraçado de volta com força.
— Eu não posso crer em todos os presentes que recebi em um único dia. — Ele riu alto e Cody se juntou ao abraço, chamando Sully para participar também.
— E nós aqui preocupados em como festejar a chegada de vocês... e nos trazem tantos presentes.
Eles consideravam a relação deles e o bebê como presentes? Aqua se sentiu ainda mais conquistado depois disso.
— Porém, teremos que ter uma conversa com seus pares, porque queremos saber suas reais intenções. — Disse Someya quando se afastou, enxugando as lágrimas. — Vocês são nossos filhos, então precisam ter cônjuges que realmente se importem e amem vocês. Nós avaliaremos isso, e sem más. — Disse olhando para Sully que pretendia retrucar, mas ficou quieto.
— Aqua… eu sinto muito por tudo o que aconteceu. — Disse Cody, segurando suas mãos e massageando-as nas suas. — Todos nós passamos por uma fase muito difícil que durou tempo demais… mas é tão bom finalmente estarmos juntos. Vocês pretendem ficar, não é?
— Oh sim. — Respondeu com um sorriso. — Está na hora de eu me estabelecer em algum lugar.
— Isso é bom. Com o bebê a caminho, podemos ajudá-lo.
— E… quanto a Trey e os outros? Eles podem ficar?
Cody pensou por um momento, então sorriu e aquiesceu.
— Claro, se for da vontade deles, terão seu lugar em meio aos Blue. No entanto, não será muito fácil se adaptar. Afinal, eles são humanos.
— Sim. Um deles, Keesa, é um humano de sangue puro.
Seus pais ficaram surpresos e se aproximaram mais dele, curiosos.
— O que isso significa? — Perguntou Someya.
— Hum… eu não sei explicar direito… — Ficou envergonhado. — Você sabe, Sully?
— Sim, sangue puro quer dizer que Keesa faz parte da primeira versão de humanos provindos da Terra, um planeta desabitado há mais de um milênio. Foi a partir do DNA de pessoas como Keesa, que os humanos variáveis foram criados, e depois daí, colonizaram várias galáxias e se fundiram com várias espécies alienígenas. Por isso, Keesa é especial, mas também muito sensível. Ele tem facilidade de adoecer em certos lugares, se não se adaptar direito.
— Hum. — Cody ficou pensativo, voltou a sentar e cruzou os braços. — Pedirei ao meu irmão Clode para verificá-lo. Tenho certeza que ele pode ajudá-lo. — E como Aquantis não estava entendendo, e seu pai provavelmente percebeu isso, disse: — Clode, seu tio, é um especialista em saúde bluniana. Foi por causa dele que garantimos que o oxigênio da nave fosse benéfico para nossa sobrevivência, já que não podemos ficar muito tempo sem ele.
— Hum… pai. — Chamou Sully, incerto. — Aquantis pode. Ele já ficou mais tempo do que o comum sem respirar.
Novamente Aqua foi a fonte da curiosidade de seus pais. Parece que ele era mais anormal do que parecia, no entanto, se seus pais achavam que ele era especial, não recusaria o título.
—*-*-
— Por que nós temos que participar? Não podemos só ficar aqui e descansar a noite inteira? — Indagou Gavrel, de bruços no grande colchão de água. Keesa terminava de se arrumar, colocando seu cabelo no lugar enquanto olhava para o grande e redondo espelho na parede.
— Nós estamos em uma nave estranha, junto a um povo estranho, precisamos nos enturmar… é difícil até para mim dizer isso, mas é com eles que vamos viver, temos que conhecê-los, não é?
— Ah… acho tão desnecessário.
Keesa olhou para a cama, vendo seu comandante… não, seu amante deitado e de olhos fechados. Não parecia ele. Gavrel não fugia das responsabilidades e nem costumava ter preguiça para fazer qualquer coisa. O que estava acontecendo?
— Sei o que está pensando. — Ele disse com a voz embargada de sono, então sentou na cama, balançando um pouco por causa do estranho e confortável colchão de água. — Eu passei tempo demais me escondendo… sendo responsável para proteger as vidas dos meus homens na Margosha. Mostrando um lado meu que não existia. Agora… acho que finalmente posso ser um cara normal, não é? Talvez… estudar alguma coisa, encontrar um emprego, levá-lo a um encontro, sem ter que me preocupar se alguém vai querer nos matar ou levar você de mim.
Keesa sorriu com carinho e se aproximou da cama, inclinando-se para beijá-lo. Um beijo lento e apaixonado, que foi se aprofundando, arrancando um som profundo do peito de Gavrel. O Valius o puxou para cair na cama e o cobriu com seu corpo.
— Gav! Você bagunçou meu cabelo!
— Você fica melhor assim… — Ele grunhiu um som sexy e mordiscou seu queixo. — Que tal se fizermos uma troca? Você me dá o que eu quero e então eu te dou o que você quer?
Keesa gargalhou do olhar sensual de seu ex-comandante, agora era apenas seu noivo. Não era para achar graça na forma como ele agia, mas não podia se segurar. Ele era tão doce às vezes que o fazia ficar bobo.
Puxou-o para mais um beijo, afastando as pernas para se encaixarem melhor. Gavrel estava prestes a tirar suas roupas, quando o comunicador sobre a mesa de cabeceira apitou e a voz de Trey flutuou até eles, paralisando-os.
— Keesa e Gavrel, os líderes supremos de Lost Blue querem muito conhecê-los. Estaremos esperando no salão principal em vinte minutos. E… ah, tomem um banho antes de virem.
Keesa viu o exato momento em que uma veia se levantou na testa de Gavrel.
— Podemos fazer isso em dez minutos não é? — Ele voltou a beijar seu pescoço e ombros. — Não dá tempo de tirar as roupas, então só vou abaixar suas calças. Depois teremos mais dez minutos para o banho. — Ele estava frenético e tudo o que Keesa podia fazer era rir. Claro que também o excitava, só estar perto dele já tinha esse efeito.
—*-*-
Austin estava muito, muito nervoso.
— Tem certeza que eu pareço bem? — Indagou com a voz trêmula para Sully, que apenas ajeitou sua gravata. — Eu raramente uso terno.
— Está parecendo delicioso, mas é só pra mim. — Ele lhe deu um tapinha no peito.
Seu comentário elevou um pouco de seu ego e tirou uma parte de sua insegurança.
— Isso é verdade, é tudo seu. — Sussurrou para ele.
A festa não era muito diferente do que conhecia. Havia música — muito estranha por sinal -, muita gente curiosa ao seu redor, pessoas que falavam demais, gente dançando sem saber dançar e muita comida. Claro que Austin estava apaixonado por essa última parte, porque os petiscos blunianos eram os melhores que já tinha saboreado em toda a sua vida.
— Olha, eu não sei do que isso é feito, mas é maravilhoso. — Disse a Sully conforme mastigava o que parecia ser um pequeno biscoito salgado com um recheio azul e o que parecia uma azeitona doce por cima.
— É melhor que não saiba. — Seu companheiro sorriu com todos os dentes. E antes que perguntasse, Austin ficou cara a cara com o pai de Sully, Cody. Ao lado dele estava Someya e mais um grupo que parecia todos parentes de seu amor.
— Hum… olá. — Disse com um sorriso, engolindo em seco. Era a primeira vez que realmente ficaram cara a cara em um único dia. Cody tinha os cabelos curtos e azuis, com olhos cinzentos. Ele era alto e elegante, seu semblante o lembrava muito a Sully. Já Someya era mais baixo, mais esguio e tinha longos cabelos brancos e olhos verde-água. Ele sim o lembrou a Aquantis.
— Olá, meu futuro genro. — Cody mudou sua expressão séria, para um grandioso sorriso, então o abraçou pelos ombros e o levou de lá. — Sully, faça companhia para o seu pai.
— Okay! — Sully lhe deu um olhar de desculpas, quando Austin silenciosamente pediu socorro.
Cody o levou para uma área menos movimentada do grande salão. A parte boa eram as mesas repletas de comida.
— Vamos nos servir. — Ele disse e Austin finalmente relaxou, fazendo o que fazia de melhor: comer.
— A propósito, senhor. A comida bluniana é a mais incrível que já provei.
Parece que disse a coisa certa, porque Cody pareceu muito satisfeito.
— Fico feliz que ache isso. É o que vai comer a partir de hoje.
— Sim, se o senhor permitir.
— Mas é claro, meu jovem! — Ele riu e deu tapinhas nas costas de Austin. Ele era mais baixo e mais magro se comparado a ele. Por um momento Cody ficou reparando seu corpo e Austin ficou desconfortável. — Por que você é assim tão musculoso? O que fez para ser assim? É da sua espécie?
— Hum, não sei. Gosto de malhar às vezes.
— Hum. Você parece um cara forte, tenho certeza que pode proteger Sully de ameaças.
— Oh sim, eu posso.
— Ótimo.
Eles ficaram em silêncio por um momento, enquanto se serviam em pratos de porcelana.
— Sully é um garoto inteligente e habilidoso. Também responsável… e se preocupa muito com aqueles que ama. Foi por isso que foi atrás de Aquantis. Eu fiquei tão preocupado quando ele se foi… pensei que perderia meus dois filhos…
Austin colocou a mão sobre o ombro dele para confortá-lo.
— Parece um sonho que eles voltaram tão saudáveis graças a você e seus amigos. Não sabem como estou grato por isso, Austin. Tenham certeza que sempre estarei agradecido, por isso quero que tenham uma vida confortável perto de nós.
— Sim, senhor. — O que era esse sentimento tão feliz dentro dele?
— E como está o seu pai?
— Muito bem, ele preferiu ficar no quarto por causa do bebê.
— Sully me contou a história. Fiquei um pouco surpreso. — Ele sorriu e então ambos se sentaram à mesa, comendo lentamente. — Quer dizer que seu pai e o pai de Trey se tornaram um casal. E agora vocês são, tecnicamente, irmãos?
Austin riu, engolindo o que mastigava.
— Não mudou muita coisa. No fundo, nós já éramos irmãos.
Um brilho se acendeu nos olhos do Blue e ele sorriu, assentindo e parando com as perguntas. Eles conversaram sobre outras coisas depois disso, detalhes sobre a diferença cultural entre eles, mas nada referente ao seu relacionamento ou a seus pais.
—*-*-
Enquanto alguns se divertiam, alguns descansavam. Era o caso de Jack, que assistia Kayllon dormir tranquilamente. Seu sono já tinha ido embora há tempos, mas ficar assim, deitado, ao lado de sua nova pequena família, era maravilhoso. O pequeno serzinho, fruto do amor deles, estava adormecido entre os dois. Ele era muito pequeno, muito frágil e muito doce.
Jack foi surpreendido quando os olhos azuis enormes e infantis o fitaram. Parece que o pequeno Nicholla tinha acordado. Ele soltou um pequeno ruído e Jack tocou suavemente sua bochecha.
— Oi, meu doce. — Disse baixinho para não acordar Kayllon. — Finalmente chegamos, agora não precisa mais se preocupar. Ninguém vai machucar você.
— Guh.
— Você é um menino tão lindo. — Inclinou-se para beijar sua bochecha, provocando uma onda de gargalhadas. Ele não esperava isso do recém-nascido, e ficou viciado naquele som. — Lindo, lindo!
— Quem é lindo? — A voz sonolenta de Kayllon chamou sua atenção. Jack o beijou e voltou-se ao bebê, fazendo cócegas nele.
— Vocês dois são. Ele é a sua cara.
Kayllon riu e puxou seu bebê para perto, para que pudesse lhe dar um monte de carinho também.
— Isso me faz lembrar quando estava sozinho cuidando de Trey. Foi uma fase complicada, mas a melhor parte era essa, quando me deitava na cama com ele e dava todo o meu amor.
— Parece que passamos pelo mesmo, não é? Mas agora não estamos mais sozinhos.
— Não. — Sorriu carinhosamente. — Somos uma família de… hum, cinco?
— Acho que é mais do que isso. — Kayllon riu de novo. — E só está crescendo.
— Isso é tão bom!
— É sim! — Eles se beijaram e o bebê arrulhou entre eles, com olhinhos pidões. Era claro que o romance precisava de uma pequena pausa agora para que a nova estrela da família recebesse todos os mimos.
Continua...
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