Lost Blue

42 Capítulo final


Notas iniciais
Olá meus amores! Este é o último capítulo da história. Talvez não seja como estavam pensando que seria, espero não ter deixar algo para trás… mas tomara que gostem! Agradeço do fundo do coração a todos que leram esta história e comentaram, isso significou muito para mim, muito mesmo. Sentirei muitas saudades de Aquantis, de Trey e toda essa turminha pela qual me apaixonei nos últimos anos enquanto escrevia. Logo mais trarei novas histórias e mundos para vocês conhecerem! Espero que me acompanhem nas novas jornadas ♥ Boa leitura!

Um ano depois.

Os últimos meses não foram fáceis para Trey e seus amigos. Quando chegaram a nave-mãe Aquantis, tiveram que se adequar naquele lugar por longos três meses, enquanto estudavam sobre uma forma de trazer Lost Blue de volta e livrá-lo da atmosfera tóxica, para que pudessem viver novamente em terra firme.

Aquantis, apesar dos horrores que passou na Federação todas as vezes em que foi raptado, aceitou ser usado nas experiências, o que deixou Trey muito nervoso. No entanto, como não poderia convencê-lo do contrário, pois sabia da importância que aquele estudo representava, aquietou-se com o seu estresse.

Mais tarde, aquele trabalho gerou bons resultados e os testes começaram. Foi pior para Trey, pois estava preocupado por Aquantis e nada poderia fazer para ajudá-lo, já que seu conhecimento era limitado. Entretanto, ao menos Zack estava contribuindo para as pesquisas, o que lhe deixava um pouco aliviado.

Não é como se suspeitasse de cada Blue naquela nave… mas a confiança era algo que levava tempo para ser construído e fortificado. No entanto, os Blue não deixaram a desejar. Eles eram criaturas muito inteligentes e espertas. Em questão de dias, Lost Blue voltou ao normal e a nave-mãe atracou na órbita para que novos propósitos fossem definidos para ela.

Depois disso, outros desafios vieram. Trey e sua tripulação precisava se adaptar ao ambiente.

Lost Blue não era um planeta comum, havia tantas peculiaridades que nunca tinham visto que era difícil contar. Em todas as suas viagens para lugares diferentes, aquele planeta foi o mais complexo e estranho que conheceu. Parecia uma combinação perfeita entre natureza e tecnologia alienígena.

Não poderia chamar mais de alienígena, porque seria o lugar onde viveria para sempre. Ele era o estrangeiro ali.

Havia ilhas flutuantes com castelos incríveis e cachoeiras invertidas. Montanhas e vales belíssimos, precipícios que levavam a regiões mais baixas e perigosas, havia todas as estações, que duravam menos tempo e se repetiam duas vezes por ano, duas luas invisíveis que só eram possíveis ver à noite e em determinadas horas… e é claro, os cristais que iluminavam o planeta como se fossem sóis.

Não podia definir onde esses cristais estavam, muitas vezes não eram visíveis. Aquantis saía todos os dias por algumas horas para o trabalho que consistia em coletar sua energia para esses cristais. Trey se perguntava como ele era capaz de gerar luz a um planeta inteiro. Como um corpo como o dele era capaz de criar tanta energia? Todas eram questões que não tinham resposta, mas que se contentava em não tê-las, pois estava satisfeito assim.

Quando Aqua retornava, estava cansado como todas as pessoas ficavam ao sair para o trabalho. Tinha ouvido dele que Sully se tornou seu parceiro no trabalho, por que tinha o estranho poder de criar cristais. Eram os mais perfeitos e compatíveis com os poderes de Aquantis e ele não precisava exatamente “fazer coisas” com Austin para que os diamantes se formassem, os cientistas Blue tinham outros métodos mais eficazes e orgânicos que não faziam mal a nenhum de sua espécie.

Enquanto Aquantis tinha se tornado bem-sucedido e também famoso, porque todos os Blue o viam como um herói e o admiravam muito. Ninguém admirava Trey. Por um tempo até recebia olhares não muito amigáveis, mas isso mudou quando um dia Aquantis notou um

— Eu não entendo por que não gostam dos humanos que vieram comigo. Eles são pessoas grupo de senhores fazendo isso. Ele foi até eles, mesmo com a relutância de Trey, e disse:maravilhosas que me ajudaram a atravessar o espaço até Lost Blue. Qual o problema?

— Eles são humanos! — Um idoso que mal se podia ver os olhos, por ter sobrancelhas grisalhas muito espessas, disse. — Podem nos enganar!

— Ah, fique tranquilo, senhor Avilak. — Aqua envolveu os ombros dele como se o homem fosse um velho amigo. Isso pareceu relaxar o idoso. — Posso te garantir que eles são de confiança. Provei isso durante a minha viagem. — E ele se inclinou como se fosse cochichar, mas Trey foi capaz de ouvir tudo. — Eu serei responsável se eles te decepcionarem.

Trey não soube se ficou zangado ou admirado com esse lado de Aquantis. Ele só tinha a capacidade de convencer os idosos, pois os mais jovens não havia necessidade, eles eram curiosos e muito abertos a culturas alheias, o que não foi um problema.

Nos primeiros cinco meses em Lost Blue, Trey tinha vivido no palácio dos líderes supremos de todas as nações do planeta. Era tão grande que ele se perdeu pelo menos uma dezena de vezes e Cody o fez trabalhar para ele para ganhar sua confiança. Foi um trabalho exaustivo e justo o que ele detestava. Sentar em um escritório, digitar páginas e páginas de relatórios enquanto conversava com pessoas de todas as partes do mundo para registrar seus problemas usando um sistema holográfico. Ele tinha que sorrir, parecer simpático e apresentável cada vez que uma ligação surgia. Era exaustivo e muitas vezes ligavam somente para perguntar como era ser um humano variável, o que tinha visto lá fora, o que era a Federação dos Planetas, de que planeta tinha vindo e o que diabos ele fazia ali.

Sorte que depois de cinco meses, foi capaz de finalmente se mudar para uma casa decente. A casa de seus sonhos e dos sonhos de todos os seus amigos. Cody e Someya tinham proporcionado isso com muita relutância, e como era de se esperar, precisou que Aquantis e Sully os convencesse de que era a melhor escolha.

Trey finalmente teve uma promoção para trabalhar como piloto de testes para naves espaciais, enquanto Austin era um mecânico e Zachary um desenvolvedor.

Sua casa ficava em meio a uma floresta com campos verdejantes e grandes árvores, tinha uma estrutura um tanto peculiar. Metade dela era moderna, com grandes paredes de vidro, tetos arredondados, um design elegante e futurista, onde quase tudo era cromado, enquanto a outra metade era mais rústica e aconchegante, com paredes de pedra, lareiras e grandes tapetes felpudos. Era sua parte favorita do lar.

Foi lá onde começou uma nova vida com o homem que amava e com seu pequeno e adorável Symon.

A gravidez de Aquantis não foi tão complicada como esperou que fosse. Quer dizer, ele acordou certas vezes durante a noite reclamando que estava faminto, tinha dias em que seu humor era terrível e reclamava por cada pequena coisinha que o irritava, mas fora isso, não teve enjoos, nem dores, nem mesmo a falta de libido.

Depois que se mudaram, mesmo que precisaram trabalhar por mais um mês, tiveram que passar o restante da gravidez em casa, por ordem superior. Trey tinha o dever de cuidar de todos os caprichos de Aquantis e não foi assim tão ruim.

Sua barriga não cresceu tanto como esperou que crescesse. O bebê nasceu minúsculo e precisou viver o primeiro mês em uma cápsula dentro do Centro Especial Bluniano para Bebês Recém-Nascidos. Trey entrou em desespero quando soube disso, mas se acalmou quando lhe disseram que era normal para todos os Blue. Nesse lugar, as crianças recebiam um tratamento, porque dependendo de seus dons e habilidades, poderiam prejudicar os pais.

Trey não acreditou nisso. Como um bebê poderia machucar seus pais?

E foi só quando Symon deu o seu primeiro espirro, acidentalmente explodindo sua cápsula e enviando um enfermeiro direto para o hospital, que Trey acreditou.

Seu bebê tinha nascido explosivo igual o progenitor.

Claro que ele contou isso com humor para todo mundo, mas a indenização que precisaram pagar ao enfermeiro atingido não foi doce. Sorte que Cody os ajudou.

Enfim, quando Symon foi para casa, era um bebê fofo e não tinha mais riscos de machucar ninguém. Ele era a cara de Aquantis, com os cabelos azuis e a pele branca, no entanto, seus olhos eram dourados como os de Trey. Era uma criança brincalhona e muito curiosa.

Como tinham sonhado no passado, todos os seus amigos viviam bem pertinho um do outro. Como Keesa falava, em uma colônia em Lost Blue. Era uma casa para cada família com capacidade para mais gente quando as famílias crescessem — não é como se a motivação deles fosse a reprodução. E naquele dia, era aniversário de um ano de Nicholla, o mais novo irmãozinho de Trey e Austin, filho de Kayllon e Jack.

Cody e Someya tinham sugerido uma festança no palácio, com direito a convites a todas as crianças da nação, mas era demais para eles e Kayllon era muito tímido, por isso resolveram fazer uma festinha em família na casa deles.

O quintal dos fundos estava todo enfeitado com bexigas, tinham mesas flutuantes com muita comida, outra com um bolo enorme e colorido com a figura de um desenho animado infantil bluniano que Nicholla adorava. E as únicas crianças presentes ali eram Symon e todos os filhos dos primos de Aquantis — pelo menos uns vinte.

— Obrigado por ajudarem com a festa. — Disse Kayllon enquanto observava Jack cuidar das crianças. — Se não fossem por vocês, eu teria desistido.

— Por quê? — Trey perguntou sem entender.

Kayllon coçou atrás do pescoço e olhou envergonhado.

— Sei que já faz tempo que estamos em Lost Blue, mas ainda me sinto… huh, fora de lugar.

— Entendo. É tudo bem diferente, não é?

— Sim. Mas não trocaria isso por nada. Sabe… é bom ver Jack feliz… ver meus filhos se habituando com as coisas do planeta. Aqui é lindo e muito calmo, por isso eu gosto. Só ainda não me acostumei com as pessoas.

Trey assentiu com um sorriso suave para o seu padrasto e também um bom amigo. Estava sendo a mesma coisa para todos eles.

— Fique tranquilo, Kayllon. Tudo vai dar certo, estaremos aqui para tudo o que precisarem, okay?

Ele assentiu com um sorriso.

— Vou cortar o bolo, fiquem perto da mesa para serem os primeiros a pegar.

— Nós vamos.

Eles cantaram parabéns a Nicholla, o que foi a coisa mais estranha para os Blue, porque eles não tinham esse costume, e trocaram presentes.

Mas um detalhe não mudava em lugar nenhum: Festa para criança sempre tinha um bolo gostoso e docinhos maravilhosos.

Foi interessante ver Dominic sentado com uma barriga imensa. Ele estava esperando trigêmeos para o próximo mês e não podia mais diminuir de tamanho para se esconder, por isso estava quase todo o tempo de rosto corado, envergonhado de sua situação.

Zack pairava sobre ele como um corvo, tão protetor e chato como nunca havia sido. As alterações de humor foram todas para ele e Trey perdeu as contas de quantas vezes o viu respirar em sua bombinha de oxigênio.

No entanto, ambos estavam sorridentes na festinha e Trey foi até eles quando viu que Aquantis sentou ao lado de Dominic para conversar.

— Trey, é bom que apareceu! — Disse Zack um pouco mais eufórico que de costume. — Dominic está achando que tem um quarto bebê. — Ele fez menção de pegar a bombinha de ar em seu bolso, mas não pegou. — Eu vou ficar louco! — Disse essa última parte em um sussurro desesperado.

— Ora, mas você mesmo me contou que nos exames só apareciam três bebês.

— Eu disse, mas… é Nic quem está carregando, então… — Ele finalmente pegou a bombinha de ar e respirou nela longamente até guardá-la.

— Está usando isso muito frequentemente. Não acha que pode te fazer mal?

— Ah não. O tio de Aqua colocou um remédio natural aqui que faz um efeito melhor do que antes.

— Se é assim…

Eles se acalmaram por um momento e voltaram a assistir a movimentação. Crianças corriam para todos os lados, o bolo já estava sendo servido, pais conversavam e Trey estava ansioso para ir para casa. Zachary voltou a sugar sua bombinha.

— Pare, Zack. Você está pensando demais!

— O que eu vou fazer, Trey? Quatro bebês? Como vou cuidar de quatro crianças de uma vez?

Trey quase revirou os olhos, mas não fez porque entendia a preocupação de seu amigo.

— Lembra que somos como uma grande família? — Envolveu os ombros dele com um braço. — Então você tem todos nós para te ajudar a cuidar das crianças. Não vai faltar auxílio ou apoio, pois sempre estaremos juntos. — Isso fez Zack relaxar um pouco mais.

— Ei caras. — Austin chegou com um enorme sorriso no rosto. Sully estava ao seu lado, também parecendo de muito bom humor. — Aconteceu alguma coisa?

— Zack acha que terá quadrigêmeos.

— Uau! — Austin e Sully exclamaram ao mesmo tempo.

— Dominic me falou uma vez que os saturnianos sempre tem muitos bebês ao mesmo tempo, mas que eles não nascem todos iguais. — Comentou Sully. — Mas não tem com que se preocupar, Zack. Neste planeta há muitas facilidades de se cuidar de crianças. Há babás androides que são altamente tecnológicas que protegem e ajudam a criança a se desenvolver, equipamentos de proteção de todos os níveis e escolas especializadas que ajudam o bebê a encontrar seu dom desde pequeno, você pode adquirir tudo isso e não pagará quase nada...

Obviamente, Zachary ficou interessado nas falas de Sully e eles começaram um longo bate-papo sobre tecnologia para bebês. Trey foi capaz de respirar sem se preocupar mais e Austin veio todo amistoso para o seu lado, desta vez sendo ele a envolver um braço em seus ombros.

— E aí, como vai a vida de papai? — Perguntou enquanto bebericava um copo com um suco rosa que mudava de cor constantemente para roxo e verde.

— Melhor do que eu pensava. — Olhou para o seu bebê nos braços de Morgana. Ela e Kimm paparicavam o pequeno Symon como se fosse filho delas. — Ele é um bebê doce, quase não chora… come bem, não adoece e faz os ruídos mais fofos. Me lembra muito o Aquantis.

— Vejo que ele será muito mimado. — Austin deu uma risadinha, bebendo mais um pouco. — Essa coisa de criança é muito boa. Quem dera tivesse encontrado isso na minha infância.

Austin e Sully ainda não tinham decidido quando teriam um bebê, pois diziam estar tranquilos no momento e apenas com vontade de mimar os sobrinhos.

— Sua língua deve estar roxa.

E seu amigo fez questão de mostrá-la, que em vez de roxa, estava verde fluorescente. Trey o empurrou.

— Eca, que coisa horrível!

—*-*-

Dois dias depois, Aquantis sentou com Trey ao seu lado segurando Symon na sala de estar da casa de Dominic. O anfitrião estava sendo entrevistado pelo jornalista Blue local, porque como os de sua espécie eram muito curiosos, renderia uma matéria bem interessante.

Era claro que seu amigo estava super corado e encolhido na poltrona, enquanto o jornalista estava sentado a frente dele com uma câmera flutuante em forma de esfera que registrava todos os ângulos.

— Bem, eu tinha muitos irmãos e irmãos que mal posso me lembrar o total... eu tive muitos pais também, afinal os da minha espécie eram poligâmicos… mas não se engane, eu não sou assim. Sou fiel ao meu marido.

Zack estava do outro lado da sala e sorriu orgulhoso com o comentário do saturniano.

— E sobre o casamento de vocês? Quando aconteceu? — Perguntou o jornalista.

— Logo que soubemos dos bebês enquanto estávamos vivendo no palácio. Zack preferiu que fizéssemos uma cerimônia familiar, foi muito bonita.

Symon começou a reclamar e fazer beicinho por ficar parado no mesmo lugar, então Aquantis e Trey foram para fora tomar ar. Era gostoso saber que todos moravam bem pertinho uns dos outros. A casa deles era a vizinha, a de Austin estava do lado oposto. A casa de Morgana e Kimm, que ficava em frente, era a com o design de casa de elfo, e elas tinham um novo cão de duas cabeças chamado Toby e Bias em homenagem ao antigo cão de Morgana que ficou para trás com a vizinha. Ao lado delas estava a casa de Gavrel e Keesa, depois de Kayllon e Jack.

Todos tinham se estabelecido ali, encontrado suas vocações e tinham seu lar perto da família. Era um alívio finalmente ter um lugar para chamar de seu, longe de tudo o que um dia fez mal a eles e poder pisar em terra firme. Embora Aqua sentisse falta da Imperatriz, eles sempre poderiam dar um passeio quando desejassem, pois a nave estava estacionada atrás de sua casa.

No dia seguinte da entrevista de Dominic, Aquantis acordou às pressas pela madrugada com Symon chorando e o comunicador chiando na cabeceira. Trey atendeu sonolento e ficou elétrico no instante em que disseram a ele que o saturniano tinha entrado em trabalho de parto.

— Zack estava chorando, acho que ele pode enfartar se não formos logo até a clínica.

Aquantis precisou embrulhar Symon às pressas e acalmá-lo no caminho, enquanto dirigiam o veículo flutuante até a moderna clínica de seu tio, o Dr. Clode.

Logo que entraram, um androide os direcionou a sala de espera e deu todas as informações iniciais. Dominic estava na sala de cirurgia, pois teve complicações. Encontraram Zachary desmaiado na enfermaria, sendo atendido por dois enfermeiros.

— Eu vou entrar para acalmá-lo, você cuida do Symon. — Trey pediu preocupado. Aquantis só assentiu, um pouco assustado com a situação.

Ele beijou sua bochecha com carinho e lhe deu um pequeno sorriso suave que dizia para não se preocupar antes de entrar.

Aqua voltou para a sala de espera e sentou ao lado de Morgana, que tinha acabado de chegar.

— Onde está Kimm?

— Ela foi buscar café. — Morgana torcia as mãos sobre o colo, nervosa. — Como está o meu filho?

— Sua pressão caiu devido ao nervosismo e está sendo tratado na enfermaria. Mas não se preocupe, Trey ficou com ele.

— Oh… — Ela parecia que ia chorar. A grande e maravilhosa Morgana, que estava sempre sorrindo e sendo amistosa, estava entrando em colapso. Aqua fez a única coisa que sabia que podia distraí-la naquele momento. Colocou o pequeno Symon sugando seu polegar em seu colo. O bebê de olhos dourados e cachos azuis olhou curioso para cima e sorriu sem dentes.

Morgana se derreteu na hora, o ergueu e o girou, brincou com ele de todas as formas possíveis.

Aquantis ficava um pouco apreensivo, porque era um pai de primeira viagem muito protetor, mas por confiar em Morgana com sua vida, respirou profundamente e se deixou pensar.

Sua vida tinha mudado tanto nos últimos dois anos. Escapou de um víbora, fez uma viagem intergalática, descobriu que era poderoso demais, destruiu a víbora, achou os seus pais, encontrou um amor, fez uma família… e a lista só aumentava.

Assistiu Austin e Sully aparecerem e se sentarem perto deles. Ambos já estavam com o uniforme de trabalho porque eram mecânicos de naves espaciais. Eles tinham sorte de trabalhar com a mesma coisa e ficarem juntos o dia todo, embora em mais de uma ocasião os viu discutir.

Em seguida apareceu Gavrel e Keesa. O Margosha tinha se tornado um projetista de naves, por isso trabalhava em casa criando seus projetos para o governo bluniano. Já Keesa virou jardineiro, e não só cuidava da paisagem da pequena comunidade deles no meio da natureza, como também tinha uma carteira de clientes que sempre o chamavam. Ele lhe disse outro dia que estava muito feliz em Lost Blue, porque lá parecia como se fosse seu lar de origem e se sentia útil no que fazia, claro que no começo ele precisou passar por um tratamento para se adaptar ao oxigênio do planeta e os alimentos blunianos.

O traidor, Askell, que tinha sido perdoado… em parte por Gavrel, apareceu logo em seguida e sentou-se perto do ex-comandante. Ele estava vivendo no centro urbano mais próximo, e por incrível que pareça, virou outro homem. Raspou a cabeça, fez um tratamento para se desfazer das tatuagens horríveis e substituí-las por novas. Diminuiu a quantidade de piercings, ficando com apenas um na orelha, e agora usava terno e gravata, tendo se estabelecido como um homem de negócios. Keesa tinha sussurrado para ele outra dia dizendo que Askell trabalhava em uma empresa de dois irmão que eram gêmeos, dos quais tinha se apaixonado. Isso explicava a mudança.

Kayllon e Jack apareceram na sala de espera carregando o pequeno Nicholla. Ambos os pais tiveram a oportunidade de se aposentarem, benefício que foi dado pelo pai de Aquantis, depois de ter pedido com carinho. Ninguém sabia desse seu truque, nem Trey, mas isso serviu para que os pais dele pudessem finalmente ter uma boa vida, depois de todo o sofrimento que passaram.

Logo Trey retornou com um Zack abatido, com profundas olheiras. Aqua pegou de volta Symon quando Morgana foi abraçar seu filho.

Trey sentou-se ao seu lado e se apoiou em seu ombro, mexendo com o bebê Blue.

— Está tudo bem?

— Sim. — Trey beijou seu rosto. — Só preocupado, você sabe.

Oh sim, ele sabia. Sua perna não parava de saltar e Symon estava adorando isso.

Dominic era sensível e pequeno. Saber que ele estava dando a luz a quatro bebês parecia muito absurdo.

Duas horas depois, seu tio finalmente apareceu. Ele se parecia muito com o pai de Aquantis, tinha os cabelos azuis curtos, uma barba bem aparada, mas usava óculos e tinha um jeito mais intelectual. Ele tinha sido muito emocionado em vê-lo pela primeira vez quando retornou a Lost Blue há um ano, Aqua mal se lembrava dele, mas notou que o homem nutria muito carinho por ele.

— Como ele está, doutor? — Perguntou Zachary ao ficar de pé, assim como a maioria dos que estavam ali.

— Ele está ótimo, meu jovem, não precisa se preocupar! Demos um sedativo a ele durante todo o processo e agora dorme tranquilamente. Nasceram quatro bebês, me pergunto porque os exames constavam três… enfim, os bebês estão na ala dos recém-nascidos. Vocês podem vê-los, chamarei um enfermeiro para levá-los até lá.

Os ombros de Zachary caíram de alívio e os da maioria das pessoas ali presentes.

Foi lindo o momento em que Aqua acompanhou seus amigos e viram juntos através do vidro as crianças de Zack e Dominic. Eles eram bebês tão pequeninos, todos tinham um tufo de cabelos pretos na cabeça e ressonavam tranquilamente em uma única cápsula especial. Dois deles dormiam abraçadinhos. Dois meninos e duas meninas.

—*-*-

— Imagine a alegria de Dominic quando acordar e ver seus filhos? — Aquantis comentava para Trey enquanto dirigiam para casa. Tocava os cabelinhos de Symon, enquanto o bebê sugava a chupeta olhando-o com seus enormes olhos dourados. Ele era a coisa mais linda do mundo para ele. Ainda mais do que Trey. — Zachary ficou tão emocionado.

Trey zombou. — Zack? Você viu o estado de Morgana? Não tinha como segurá-la.

Eles riram juntos, isso incluía o bebê que sorriu mesmo com a chupeta.

— Parece que ele está apaixonado.

— Ele quem? — Indagou Aqua.

— Symon, oras! Ele te olha como se fosse o seu sol. — Trey coçou o queixo, que agora continha barba. — E literalmente você é como o sol mesmo.

Eles se olharam por dois segundos até Trey voltar sua atenção para o trânsito.

— Será que ele não está com sono? — Perguntou Trey.

— Ainda não, por quê?

— Como assim por quê? Não é óbvio?

Olhou para ele, vendo seu rosto corar. Então olhou para o bebê e direto para a janela, sentindo-se envergonhado, mas ao mesmo tempo muito feliz.

— Daqui a pouco vai ser a hora da soneca dele e não acordará em pelo menos duas horas. É tempo suficiente para você?

— Com certeza!

No entanto, ao chegarem em casa, loucos para se beijarem e terem um momento só deles, Cody e Someya estavam lá, com roupas floridas de calor, esperando-os.

— Fizemos o almoço! — Someya falou todo alegre e caseiro, mostrando sua caçarola com o que o lembrou muito uma lasanha, mas era azul e verde. No entanto, apesar das cores estranhas, tinha sido sua comida favorita desde que chegou em seu planeta natal.

— I-Isso é ótimo… — Olhou para Trey, que tinha um sorriso todo simpático — falso. Sabia que no fundo ele estava flamejando de raiva. Fazer o quê?

O almoço transcorreu entre risos e conversas interessantes. Someya estava nitidamente feliz que tudo deu certo com Dominic e Zack. Todos os humanos e até mesmo o saturniano, eram considerados em Lost Blue como se tivessem o mesmo sangue de Trey. E se Trey estava casado com Aquantis, simplesmente por terem assumido isso sem precisar de qualquer papel ou aliança para comprovar, eram todos parte da mesma família.

Seus pais prometeram visitar Dominic e Zack no hospital mais tarde, e logo após o almoço, Austin e Sully chegaram acompanhados de todo o resto da família.

Depois de horas de puro entretenimento, Symon cochilou em seus braços.

Era estranho pensar que era pai. Muita coisa mudou nos últimos anos, muita coisa mesmo. Sentia-se mais responsável, mais adulto e mais feliz também. Claro que havia momentos em que ficava estressado, em que discutia com Trey ou que tinha dificuldade em enfrentar desafios, mas não se arrependia de tudo o que tinha conseguido.

Quando finalmente colocou Symon na cama e estava sozinho com Trey na sala, sentou-se no colo de seu amante para beijá-lo profundamente e enredar-se em seu corpo.

— Sabe… — Trey sussurrou contra o seu pescoço, abraçando-o com firmeza. — Eu ainda não tive a chance de dizer isso… estou muito feliz, Aqua, de verdade.

— Hum… por quê?

— Você me deu tudo o que eu sonhava ter. Cheguei a duvidar que meu sonho se realizaria várias vezes durante a longa viagem que tivemos.

— Sério? — Acariciava as costas dele para cima e para baixo sobre a camisa. — Fala sobre termos nossa própria casa em Lost Blue?

— Também. É mais sobre ter o nosso filho… ele é a minha maior alegria, sabe?

— Por isso que em momento nenhum você ficou relutante em ser pai?

Trey deu uma risadinha que terminou com um suspiro.

— Sim. Pensei que talvez não teríamos a compatibilidade, então você não poderia engravidar. Juro que ainda não entendo como foi capaz disso, porque ainda assim eu tomei todos os métodos contraceptivos… e Symon veio. — Ele beijou sua orelha, suas mãos descendo para as coxas. — Eu te amo… tanto que dói.

Oh Trey…

Aquantis o abraçou com força, então se afastou para olhá-lo nos olhos. Segurando para não derramar lágrimas, já que ele era tão bebê chorão.

— Eu também amo você. Também estou feliz com nosso filho, com nosso lar… mesmo com nossos trabalhos. Não me arrependo de nada do que aconteceu…

Trey sorria, seus olhos cheios de carinho. Ele tocou o rosto de Aqua, que fez seu coração derreter.

— E eu faria tudo de novo. Salvaria você e viajaríamos juntos por todo o espaço outra vez se fosse preciso. Porque nós nascemos para ficar juntos, só isso explica quão fácil eu me apaixonei por você.

Aqua o beijou com força. E ali mesmo, na luz baixa e no calor da lareira rústica, eles se amaram várias vezes até adormecerem abraçadinhos e serem acordados no meio da madrugada por um bebê resmungando.

Aqua estava envolvido com um cobertor quando Trey trouxe Symon para a sala. Eles se enrolaram juntos até que o bebê adormeceu outra vez. E era assim, assistindo as duas pessoas mais importantes da sua vida que Aquantis sentia tudo valer a pena e entendia claramente o significado do amor.

Fim.

Notas finais
Obrigada por ler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!