Lost Blue

20 Capítulo 20 - Conciliação


Notas iniciais
Olá meus amores ♥ Mais um capítulo cheio de emoções para vocês. Neste teremos algumas ceninhas bem picantes, então se preparem. Não sei se o título ficou de acordo, mas confesso que fiquei em dúvida. Espero que gostem, foi um delícia escrever! Boa leitura!

Sully olhou ao redor do quarto que assumiria enquanto estivesse na nave Margosha. As paredes eram um tom de cinza escuro, com duas portas, uma provavelmente para o toalete e outra para o closet. Duas camas flutuantes de solteiro que mais pareciam camas de casal estavam uma ao lado da outra na parede oposta, cor de vinho, cobertas por colchas de mesma cor. Assim como na maioria das grandes naves, uma parede era feita de vidro, com as persianas eletrônicas recolhidas para se ter uma visão ampla do espaço.

Embora tudo o que viram da nave-mãe fosse parecido com um fóssil em movimento, o quarto até que era moderno.

Austin empurrou Sully em sua cadeira de rodas até perto da cama e então se sentou à frente dele. Estava sendo paciente como sempre, exceto quando o viu brigar seriamente com o ex-general Jack por causa do pai. Mas Sully pretendia fazê-lo perder essa paciência muito em breve, tinha belos planos para ele.

— Então… você quer que eu fique no mesmo quarto que você? Tudo bem. O que mais precisa conversar comigo? — Perguntou Austin.

— Tenho uma proposta.

— Sim?

— Quero que seja o meu pet. — Disse Sully.

A expressão de Austin mudou de curiosa para alarmada. Ele riu e se levantou, seu tamanho quase empurrando a cadeira de rodas de Sully. Ele passou as mãos pelo cabelo e olhou para ele prestes a dizer algo quando fechou a boca, provavelmente entendendo o olhar afiado em sua direção.

— Você realmente está com raiva de mim para querer algo assim, não é? — Disse pesarosamente.

— Sim. — Sully não hesitou. Seu olhar firme.

— Você poderia simplesmente me pedir para lhe pagar uma multa. — Sugeriu.

— Você não entendeu? Não quero o seu dinheiro. Quero que seja o meu pet. Meu pet sexual.

— O quê?!

Sully lhe deu um sorriso que não era nem um pouco verdadeiro. Austin o tinha humilhado daquela forma, aliás, todos fizeram. Ele não tinha intenções de perdoar Trey ainda, mas Austin iria pagar a tarifa mais alta.

— Você não pode simplesmente… — Austin retrucou, mas Sully o cortou.

— Posso sim. Você fez isso comigo injustamente. Foi você que sugeriu que eu me tornasse seu pet como castigo. Portanto, você será o meu desta noite em diante.

— Mas eu não o machuquei… nem mesmo o toquei sexualmente. Não abusei de você!

— Não importa! Você colocou o maldito título em mim. Colocou até uma coleira em mim e me manteve trancado como o seu animal de estimação.

Se o seus pais descobrissem que algo assim aconteceu com ele, era provável que condenassem Austin e os outros a prisão perpétua.

A expressão no rosto do uraniano parecia tão verdadeira. Sully engoliu em seco por ver a culpa e o remorso tão visíveis. Mas ele não iria desistir agora. Austin realmente parecia levar a proposta em consideração, talvez obter o perdão de Sully fosse importante de alguma forma, Austin poderia simplesmente declinar e se afastar, já que Sully não tinha qualquer forma de obrigá-lo. E bem… seus poderes não eram dos mais úteis também.

— Tudo bem, farei isso. Serei o seu pet, Sully. — Austin suspirou e se agachou na frente dele, olhando-o nos olhos. — Se for a única opção para que me perdoe pelo que fiz a você, farei o que desejar.

Sully segurou-se para não sorrir. Não entendia por que de repente estava tão feliz por isso.

Retirou de seu bolso do moletom a coleira que usou enquanto tinha sido um pet e a estendeu em frente dos olhos do outro.

— Vou usá-la em você. Mas diferente do que fez comigo, não vou prendê-lo neste quarto. Jamais arriscaria isso… — Olhou para suas pernas, sentindo os músculos em torno dos ossos latejar horrivelmente. — Mas você ficará comigo sempre que não estiver trabalhando, entendeu?

Ele assentiu, um pouco de surpresa em seus olhos.

Quando a porta de metal se abriu, Sully rapidamente guardou a coleira de volta no bolso. Três enfermeiros entraram e um médico, todos vestindo um uniforme verde horrível. A aparência deles também não era das melhores. Tinham muitas tatuagens monstruosas e não pareciam muito amigáveis também.

— Você deve ser o Sully. — O doutor disse, mostrando a eles uma seringa bem cheia, uma gota espirrando no fim da agulha. — Vamos consertar esses ossos?

—*-*-

Jack trouxe suas malas e bolsas para o quarto que dividiria com Morgana. Colocou-os sobre a cama próxima da porta e suspirou, cansado. Estava claramente ficando velho, suas costas protestavam apenas pelo pequeno esforço que fez da nave cápsula até ali.

— Tem certeza que vai dividir o quarto comigo? — Morgana indagou retirando sua camisa sem qualquer pudor. Ela usava um top cobrindo os seios, seus músculos muito definidos à mostra. Ela era incrível, embora Jack não sentisse qualquer atração por ela. Mas tinha que admitir, não havia como não admirá-la.

— Sim. Kayllon precisa de algum espaço, me ter sempre por perto pode perturbá-lo. — Disse com certa tristeza. Mas quando lembrou-se de suas palavras no acampamento, um pequeno sorriso puxou seus lábios. — Posso dormir lá algumas noites, soube que também há duas camas.

Morgana deu os ombros e pegou seus halteres de cinco quilos cada e passou a exercitar seus braços musculosos.

Jack viu a necessidade de também se exercitar, estava começando a se sentir um pouco flácido e estava engordando. Ter saído de sua rotina tinha atrapalhado sua vida. Mas admitia que o fez lembrar-se da época em que era comandante da Imperatriz, isso o deixava feliz.

— Quero comprar algo para ele. Você acha que a Margosha estaciona para uma pausa para as compras? — Perguntou com humor.

— Muito dificilmente. — Morgana riu grosseiramente. — Mas eles devem sair com naves cápsula para isso. Pela aparência deste lugar, não me admiraria se eles visitassem planetas pouco confiáveis para comprar qualquer coisa.

— Eu concordo. — Jack riu, levantando-se. — Vou ver Kayllon, volto mais tarde.

Morgana acenou para ele quando deixou o quarto.

O corredor estava bastante silencioso, exceto pelos sons comuns da nave trabalhando, ou os pequenos tufos de vapor saindo das aberturas do emaranhado de canos de metal no teto.

Contou os quartos, chegando ao que considerou ser o que Kayllon decidiu ficar. Bateu na porta de aço, mas não sabia se era possível ser ouvido do lado de dentro. De qualquer forma, girou a alavanca e colocou a cabeça para dentro. Seu rosto inteiro ficou vermelho. Kayllon tinha acabado de deslizar das calças e estava gloriosamente nu, de costas para ele. Ele tinha os fones sem fio e se balançou enquanto trocava as músicas através do aparelho em seu ouvido. Seu traseiro branco era tão redondo… tão…

Jack engoliu duramente. Ele não sabia se deveria sair ou alertar Kayllon de sua presença. Sua indecisão não durou tanto tempo quando Kayllon se virou para ele, sua barriga ainda era uma pequena curva bonita, onde estava o seu filho. Os olhos dele quase saltaram quando o viu e rapidamente pegou o roupão para se cobrir.

— Oh meu Deus, Jack!

— Me desculpe! — Jack virou de costas para ele. — Eu não tinha a intenção, eu juro!

Kayllon riu.

— Pode se virar. — Jack o fez, olhando para ele com cautela. Kayllon tinha posto o roupão, embora suas pernas ainda estivessem de fora. Jack não sabia se poderia pensar normalmente depois do que viu, a imagem ainda brilhava em sua mente tão viva e fresca. Engoliu o desejo de pedir a Kayllon para ficar nu na frente dele. Poderia fazer coisas e…

Não podia agir tão imprudentemente! Embora sempre tenha sido o mais imprudente dos adultos quando a questão era a vida amorosa.

— Eu, hum… bati na porta.

— Eu estava com os fones, desculpe. — Kayllon sorriu, suas bochechas tinham aquela cor rosa que era linda contra sua pele cor de leite. Seus cabelos loiros e curtos estavam um pouco desajeitados, contrastando contra seus olhos azuis gelo e seus lábios avermelhados. — Tão embaraçoso… — Ele riu, mas Jack pegou a mão dele e a trouxe até os lábios. Ele não podia frear esse lado seu.

— Foi a melhor visão que tive em dias. Exceto pelo seu sorriso que sempre me encanta.

Kayllon torceu as sobrancelhas, olhando-o como se ele fosse idiota.

— Meu flerte não funcionou, não é?

Kayllon sorriu para ele timidamente.

— Claro que funcionou.

Ele sorriu, então se inclinou para beijá-lo. Seus lábios se tocaram demoradamente, os de Kayllon estavam quentes, úmidos. Então sua língua rastreou a linha que os separava e imediatamente Kayllon se abriu para ele, enquanto Jack passou a beijá-lo mais profundo, molhado, enroscando-se. Um pequeno gemido deixou a garganta do uraniano e Jack o empurrou suavemente para a cama, cobrindo seu corpo com o dele.

Quando se afastaram, apenas o suficiente para se olharem, Jack traçou com os dedos a pele macia do rosto de Kayllon, sua mandíbula, seu pescoço, vendo o pomo-de-adão se mover quando ele engoliu. Céus.

Jack beijou seus lábios mais uma vez, demorando-se neles, e se afastou com um suspiro. Sua língua traçou um padrão sobre a mandíbula de Kayllon e desceu para seu pescoço, beijando a pele quente. As mãos de Kayllon acariciavam seus ombros e bíceps, ele suspirou em contentamento enquanto Jack lhe amava.

— Deixe-me te fazer sentir bem.

— Okay.

Jack enfiou uma mão no roupão de Kayllon, descobrindo um ombro, então metade de seu peito estava de fora. Ele desceu seus beijos até um mamilo, o beijou e o sugou. Kayllon empurrou em seus lábios, arqueando um pouco, pedindo silenciosamente por mais dos seus carinhos.

Daria tudo o que ele quisesse. Sonhou em ter mais um momento assim desde a noite de bebedeira em que acabaram fazendo pela primeira vez. Estar com ele parecia tão… incrível, tão certo, tão gostoso. Jack sentia isso no coração. Queria beijá-lo, fazer amor com ele e não simplesmente transar.

Kayllon era especial.

Não por ser o pai do melhor amigo de seu filho. Não por ser um amigo de longa data. Não porque era lindo de morrer.

Era porque…

Jack se perdeu quando encontrou os olhos azuis em sua direção. O desejo cru, misturado com os sentimentos que Kayllon tinha por ele, desencadearam uma maré de emoções dentro dele.

Desfez o laço de seu roupão e abriu as abas, revelando a nudez do uraniano, o inchaço no ventre onde seu filho estava começando a crescer, seus mamilos vermelhos e túrgidos, o pênis maior do que se lembrança apontando como uma lança sobre a coxa.

Jack sorriu. Ele poderia fazer tantas coisas com esse corpo. Deixe-me fazer… deixe-me ter essa oportunidade, orou.

Arrastou seus lábios pelo ventre de Kayllon, beijando suavemente sua pele acetinada. Seu peito estava quente enquanto o tocava, os suspiros do outros o agradavam como música. Quando chegou ao seu alvo, Jack tomou a base do pênis nos dedos e o levou aos lábios, beijando a ponta molhada. Pré-sêmen revestiu seus lábios e ele olhou para cima. Os olhos de Kayllon estavam escurecidos, um anel azul muito claro na borda de sua pupila dilatada, seus lábios separados enquanto ele ofegava, seu rosto tão vermelho quanto jamais o havia visto, até suas orelhas. Era adorável.

— Você é lindo, sabia?

Kayllon iria respondê-lo com algum protesto, tinha certeza, mas o fez esquecer disso rapidamente quando o tomou completamente em sua boca, até a garganta. Kayllon não pode segurar o gemido, ele até tentou com as mãos, mas Jack ainda os ouvia. Tão necessitado. Ele riu ao redor do pênis, fazia tempo desde que teve um em sua boca, e o gosto de seu amante era completamente diferente, era… único. Ele amou cada segundo.

Chupou-o firmemente, incentivando Kayllon a abrir mais as pernas, suas mãos alisando o interior das coxas dele e sentindo-o estremecer com seu toque. Sua língua desceu para os testículos e ele os beijou e sugou a pele, descendo sua língua para o períneo.

Kayllon quase saiu da cama da forma como seu corpo arqueou no ar, ele ergueu uma perna, ficando tão exposto. Jack queria muito isso e Kayllon estava sendo tão maravilhoso. Sua língua encontrou a entrada franzida e apertada.

— Jack! — Kayllon gemeu alto de surpresa. Oh, seu bobo, você sabia que eu chegaria até aqui.

Jack tocou com o dedo médio a entrada enquanto lambia, sua língua fazendo pressão, até que conseguiu encaixar a ponta de seu dedo dentro. Pretendia penetrá-lo e levá-lo profundo. Quando pensou que poderia prejudicar o bebê, isso o fez recuar.

— Por que parou? — Kayllon perguntou atordoado. Ele estava uma bagunça na cama, era fascinante. Jack se ergueu sobre ele e o beijou.

— Acha que pode fazer mal ao bebê?

— Eu não sei. — Ele olhou para baixo entre eles, Jack tinha empurrado as calças para baixo, então pegou a ereção dele em sua mão e a acariciou lentamente. Jack reprimiu um gemido de pura necessidade. A mão macia de Kayllon era tão boa.

— Você é gostoso. — Kayllon murmurou olhando para ele. — Olhe só como está duro e molhado. — Ele o masturbou suavemente. — Quero isso na minha boca. — Ele mordeu o lábio inferior, quase ferindo seu lábio.

Jack estremeceu no desejo de suas palavras. Ele não imaginava que Kayllon poderia se soltar na cama, mas isso tinha sido uma surpresa muito satisfatória. Ele se sentou no colchão quando Kayllon veio sobre ele e colocou seu pênis na boca, chupando até o fundo, apenas a quantidade de pressão perfeita.

Por um momento Jack fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, respirando com dificuldade. A boca de Kayllon era tão maravilhosa. Então os abriu, vendo os olhos azuis gelo entreabertos em sua direção, os lábios vermelhos de Kayllon bem ajustados ao seu pau brilhando com saliva.

— Meu Deus… acho melhor parar, senão...

Kayllon o soltou e então subiu sobre ele, sem pressionar o ventre, então eles se beijaram apaixonadamente e Jack o virou para ficar sobre ele, envolveu uma mão em seus membros juntos, movendo-se com firmeza enquanto o beijava cada vez mais profundo, mais quente, mais molhado. Kayllon arrancou-se de sua boca com um gemido carente, seus olhos se vertendo enquanto se contorcia embaixo dele. Jack assistiu com fascínio o momento de seu ápice, quando o calor quente espirrou entre eles. O seu próprio não demorou mais que dois segundos a mais. Ele grunhiu o nome de seu amante enquanto era levado para o abismo de cores e estrelas, uma explosão estelar. Foi incrível.

Ele libertou seus membros e caiu na cama ao lado dele.

— Eu não tinha a intenção de persuadi-lo a fazer isso.

— Nem eu. — Kayllon respondeu com humor. — Mas parece que ver o meu traseiro nu mudou as coisas.

Jack riu alto.

— Com certeza.

Ele se virou para Kayllon, que também ficou frente a ele. Eles sorriram suavemente um para o outro e trocaram carícias suaves.

— Eu realmente me senti feliz quando você disse aquilo para o Austin.

— Que eu gosto de você?

— Sim. — Jack de repente ficou sério. — Se eu soubesse antes…

— Seria diferente?

— Eu não sei. — Tocou seu rosto suavemente. — Mas depois que ouvi aquilo, pensei muito e descobri que sempre me senti solitário. — Admitir isso não foi fácil, nem para si mesmo. Enquanto Trey crescia, ele não pensava em solidão. Seu filho era o seu melhor amigo. Mas quando Trey precisou estudar e em seguida assumir a nave, deixando Jack para trás, foi triste e solitário. Essa era uma das razões por ele raramente ter namorado alguém, e apenas dormido com corpos aleatórios nas noites de festa. Pensando bem, não lhe trazia qualquer orgulho.

Kayllon olhou profundamente para ele como se conseguisse ler através dele.

Jack não soube o que se passava na cabeça do uraniano, mas esqueceu de perguntar quando Kayllon se inclinou para ele e o beijou docemente.

— Fique comigo, Jack. Vamos criar uma família juntos. Eu, você, nosso bebê, e os outros garotos, se eles entenderem.

— Eles vão entender. — Jack o puxou mais perto e puxou as cobertas sobre eles, cobrindo até a cintura. — E sim, esta é a minha resposta.

—*-*-

Aquantis fechou lentamente a porta de metal, saindo para o corredor acarpetado de vermelho com luminárias de bronze a cada três metros. Gavrel e Trey estavam conversando. Bem, não diria que era somente uma conversa, talvez uma discussão fervorosa sobre o trabalho que Aquantis iria exercer, e sinceramente, estava cansado. Sua cabeça estava dolorida.

Aquela certamente foi uma das mais longas noites que já tivera. As horas se arrastaram lentamente e por causa da diferenciação de clima saindo de um planeta para o espaço, meio que afetou os sentidos de Aquantis e o fez um pouco indisposto.

Ele caminhou lentamente pelo corredor, olhando tudo com curiosidade. As paredes pareciam de metal assim como os canos no teto com fissuras onde saía vapor momento ou outro. Faziam um zumbido chato.

Ele encontrou algumas obras de arte mais a frente. Uma escultura de um autômato de dois séculos atrás, quadros que retratavam guerra e monstros. Que horrível.

Aquantis viu uma silhueta mais a frente, alguém de seu tamanho. Isso o fez mais interessado que as terríveis esculturas mórbidas.

Ele caminhou um pouco mais rápido naquela direção e quando o rapaz o viu, se afastou assustado e começou a correr. Aquantis ficou intrigado. Por que ele correu?

Oh não, ele teve que ir atrás. Não pode se segurar, foi simples instinto e um pouco de diversão naquele lugar chato e assustador.

O rapaz parou e quando notou que Aquantis estava vindo em sua direção, voltou a correr, então tropeçou em um degrau caindo de cara no chão.

Aquantis o alcançou, ouvindo seu gemido.

Agachou-se ao lado dele e tocou seu ombro.

— Você está bem?

O rapaz rapidamente se afastou até suas costas atingirem a parede. Ele estava muito ofegante.

— Me-me desculpe, eu sei que não podia sair, mas… — Ele olhou ao redor, então seus olhos arregalados o fitaram com curiosidade. — Achei que fosse um dos piratas. — Ele suspirou. — Quem é você?

— Sou Aquantis. Apenas convidado a ficar por alguns dias. — Percebendo que provavelmente demoraria a passar alguém por ali, Aquantis sentou-se e cruzou as pernas. — E você?

— Hum… — Ele hesitou, timidamente, coçando atrás do pescoço. — Me chamo Keesa, sou o pet do mestre Margosha.

— Marg… ah, você diz o comandante Gavrel? — Ele assentiu. Então Aquantis fixou na palavra pet e seus olhos se arregalaram. — Você é um pet? Mas… — Ele nunca realmente tinha visto um de perto. Austin tinha tornado Sully seu pet apenas por dizer, pois soube que não fez nada de mal a ele, somente colocou uma coleira como castigo. — Ele o maltrata?

Keesa balançou a cabeça rapidamente a frente dele.

— De jeito nenhum. Ele é um bom dono. Nunca me feriu e sempre me trata bem.

— Tem certeza? — Pergunta tola, ele já tinha dito que Gavrel era bom, e parecia tão sincero.

— Sim. Você disse que é um convidado? Acho que… — Ele coçou atrás do pescoço novamente, um gesto que Aquantis percebeu ser de nervosismo. — Não deve ser adequado para alguém da minha classe conversar com um convidado do mestre. Me perdoe.

Aquantis queria revirar os olhos, mas não quis ser mal educado. Ao invés disso, ofereceu um doce sorriso.

— Nada disso. Não vejo motivo para não conversarmos. Não me importa quem você é ou o que é. — Levantou-se e ofereceu a mão. — Além do mais, foi eu que te persegui e insisti para que conversasse comigo. Diga isso se alguém perguntar.

Keesa lhe deu um sorriso tão brilhante e acolhedor.

— Obrigado por ser gentil. — Ele aceitou a mão de Aquantis e se levantou com sua ajuda.

— Onde é o seu quarto? Podemos conversar lá.

— Ah… — Keesa pareceu preocupado. — É o quarto de Gavrel. Se ele souber que o deixei entrar…

— Hum. Então podemos nos esconder no meu quarto. — Aquantis sorriu e o puxou com ele. — Vamos lá, só por pouco tempo.

— Okay.

Aquantis o puxou, mas bateu de cara contra um peito duro de alguém bem mais alto do que ele.

— Askell! — Keesa exclamou feliz, embora Aquantis tremeu dos pés a cabeça com o olhar azedo do homem de moicano verde e com mais piercings no rosto do que Aquantis já tinha visto em toda sua vida. Além das tatuagens muito monstruosas em seus braços e pescoço.

— Vejam só se não é o garoto Blue. — Ele olhou para trás dele. — Oi Keesa, como vão as coisas?

— Aquantis estava me levando até seu quarto para conversarmos.

— Sabe que Gavrel não vai gostar nadinha disso.

Aquantis encolheu os olhos e soltou a mão de Keesa, sentindo-se mais intimidado do que gostaria. Askell o fez lembrar de alguém… mas ele não conseguia se lembrar de quem.

— Eu sei… — Keesa também amuou.

— Mas eu posso falar com ele. Tenho certeza que se for eu, o melhor amigo do chefe, ele vai deixar.

Keesa brilhou e Aquantis sentiu-se esperançoso.

Ele viu Askell sair pelo corredor com aquele jeito de andar muito rebelde para alguém da idade dele e ficou se perguntando quem ele o lembrava. Alguém que lhe dava calafrios. As lembranças ainda estavam borradas, embaçadas em sua mente como se tivessem sido forçadas a isso. Mas então tudo era possível, desde que não se lembrava muito de sua infância ou de suas origens.

— Bem, vamos lá, Keesa. — Ele pegou a mão de seu novo amigo e o puxou consigo até seu quarto, só para se ver perdido. — Não lembro onde fica.

— Deve ser por aqui. — Keesa o puxou, parecendo bastante animado. — O corredor dos hóspedes, fica no andar de cima.

— Você deve conhecer tudo aqui. — Comentou Aquantis.

— Apenas um pouco. Não posso deixar o quarto, mas às vezes Askell e Kimm me levam para dar uma volta e conversar. Eles são legais.

— Hum. — Aquantis não sabia se aprovava ou não esse estilo de vida. Viver preso no quarto do comandante? Isso parecia tão errado. Se em algum momento ele viu Gavrel com bons olhos… não sabia se ainda o via assim.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler Lost Blue ♥ Nos vemos em breve!