Lost Blue

40 Capítulo 40 - Abandonado


Notas iniciais
Olá meus amores, Aqui está o capítulo da semana, tomara que gostem! Boa leitura ♥

Consternado, Sully estava sentado em um canto qualquer, apenas olhando para suas mãos enquanto lágrimas verteram de seus olhos, uma após a outra, trilhando caminhos por sua face e gotejando em seus braços.

Este era o fim. Toda a sua luta, todo o seu trabalho, tudo pelo que acreditava, tinha morrido ali, na visão de Lost Blue, o planeta que antes tinha sido repleto de uma luz benéfica e maravilhosa, sendo capaz de ser visto de longe, era agora uma estrela morta, apagada.

Depois de sua decepção, não tinha mais olhado para o painel principal, não tinha mais falado com ninguém, mesmo que Aquantis e os outros tentassem consolá-lo. Só… não acreditava.

Claro que tinha pensado na possibilidade das coisas darem errado, de chegar tarde demais ao seu planeta natal, mas teve tanta esperança por causa de seus amigos, ainda mais com Aquantis ao seu lado.

— Dói muito… — Disse quando Austin o abraçou de lado, deixando o controle da nave ser assumido por Trey e Gavrel. — Dói demais… — Colocou a mão sobre o coração, apertando sobre as roupas, fechando os olhos com força, tentando fazer aquilo passar. Era uma sensação horrível e estava o destruindo.

— Eu sinto muito, meu amor. — Austin falou baixinho, apertando-o em seu abraço, beijando sua testa. — Sei o quanto é importante para você.

— Meus pais… devem estar mortos. Todos devem estar. Não tem mais luz, como podem viver sem luz…?

— Sully, você não tinha dito que eles estavam se preparando? Não pode perder a esperança. Além do mais, se você vive sem luz, eles podem viver também.

Isso é verdade… Sully olhou em seus olhos e então enxugou suas lágrimas abruptamente.

— Acha que… será?

— Bem, não custa tentar entrar em contato e verificar o que aconteceu. Eles podem ter fugido em naves, antes que o planeta ficasse impróprio para a vida. Seu pai era um homem muito inteligente, você mesmo disse isso. Então vamos confiar que ele deu um jeito nas coisas.

— Mas… — Não entendia por que seu cérebro ainda queria encontrar uma resposta negativa para o que seu amante estava falando. Como os cientistas diziam, o cérebro era viciado em encontrar coisas ruins e se aferrar a elas, ignorando o que havia de bom. Mas ao contrário de sua ignorância, o coração era onde a esperança estava enraizada, onde brotava a expectativa de que Austin estivesse certo.

Seu amante lhe deu aquele sorriso fofo de menino e alisou suas costas. Seu olhar cheio de amor fez Sully mais calmo e sorriu de volta, ainda que um pouco triste.

— Você está certo.

— É isso aí. Agora vamos levantar e ver o que vamos fazer, okay?

Aquiesceu aliviado. Era tão bom ter pessoas que se importavam de verdade com ele.

A nave Imperatriz adentrou a atmosfera de Lost Blue. A escuridão era apenas quebrada pelo brilho das lanternas mais potentes da nave. O planeta era muito peculiar, com ilhas flutuantes, grandes montanhas, construções gigantescas e abismos profundos. Infelizmente não era possível se ver muitos detalhes e cores. Mas uma certeza tinha, estava vazio, completamente abandonado.

Todos pareciam preocupados e ficaram em silêncio enquanto a Imperatriz mapeava as cidades e procurava dicas do que havia acontecido.

— Não seria melhor nós sairmos? — Indagou Trey.

— Não sei se é seguro, comandante. — Respondeu Gavrel, com olhos avaliadores para a tela. — Vocês já pousaram em um planeta abandonado antes, cuja energia foi dizimada?

Trey balançou a cabeça em resposta.

— Em planetas desabitados sim, mas nunca em lugares fora das condições de sobrevivência. Algumas naves não suportam.

— Uma vez entrei com uma nave de fuga em um planeta desconhecido, quando a Margosha precisou fugir de outros piratas espaciais. Nós queríamos encontrar suprimentos e pensamos que podiam achar algo útil nesse lugar, mas era tóxico e radioativo. Quase perdi minha nave.

— Os níveis toxicológicos da nave parecem bons. — Disse Zachary encarando seus painéis. — Mas aqui diz que não é seguro para sair, sem oxigênio e… espere. O que é isso no ar?

Eles olharam bem para a tela, a lanterna se dispersou de melhor forma para que pudessem ver uma espécie de poeira branca flutuar por toda parte.

— Nós temos que sair! — Sully gritou logo quando percebeu o que era. — Tire a Imperatriz já!

Não precisou falar duas vezes, como um Blue, todos sabiam que ele entendia melhor do que qualquer um ali sobre aquele lugar. Tão rápido quanto veio, saiu da atmosfera e orbitou por um tempo, todos respirando mais aliviados.

— Agora explique. — Exigiu Trey.

— Aquilo que vocês viram é a razão pela qual o planeta está vazio. Nós já prevíamos isso há anos. Se meu pai… morresse… e os cristais se apagassem… a composição do ar e dos elementos terrestres se transformariam naquela poeira branca, que é altamente tóxica. Se ela se infiltrar em qualquer que seja das tubulações da imperatriz, ou mesmo nos filtros usados nos trajes de astronauta, morreríamos em questão de minutos.

— Austin, verifique agora todas as tubulações da nave. — Trey ordenou, voltando sua atenção para Sully. — É por isso que todos tiveram que sair às pressas?

— Sim… — Embora Sully ainda desejava acreditar que seus pais estavam vivos, principalmente seu progenitor.

— Nós vamos encontrá-los. — Aqua falou ao seu lado, surpreendendo-o. — O que acha de darmos a volta e irmos até onde está o cemitério?

Sully assentiu, embora não soubesse se faria alguma diferença.

— Vamos lá.

—*-*-

Os olhos de Sully estavam vermelhos depois de ter chorado pelo que foram horas. Aquilo preocupou tanto Aquantis, mas o problema é que não sabia o que fazer ou como ajudar, pois também estava se sentido triste e decepcionado. No entanto, depois de um tempo, seu irmão se acalmou e estava novamente conversando, ajudando e tomando decisões.

Aquantis, embora temendo o pior, tinha esperança de que encontraria sua família. Era como se algo em seu interior lhe dissesse que tudo ficaria bem, que tudo daria certo. Como uma chama que não tinha se apagado, mesmo depois de jogar água sobre ela.

Mas não podia contar isso, pois não tinha certeza se era real. Afinal, ele mal se lembrava de sua família ou de Lost Blue. Não tinha aquele sentimento forte que as pessoas nutriam pela família que os cercava a vida inteira… simplesmente porque ficou tempo demais longe. Não tinha nostalgia ou amor. Por isso que demorou um certo tempo para se aproximar de Sully e finalmente gostar dele, querer estar com ele e conhecê-lo.

Claro que ainda faltava muito mais da aproximação entre eles, que viria com o tempo… afinal não lembrava de sua infância com ele, pois era muito pequeno e não cresceram juntos. Isso dificultou as coisas, e tudo o que podia ser feito era construir suas relações a partir do momento em que se conheceram.

Quando a Imperatriz chegou ao lado que costumava ser o único escuro de Lost Blue, onde havia um continente gelado intitulado “Geleiras Eternas”, onde as pessoas iam antes de morrer para serem congeladas, a situação do ar estava nas mesmas condições do outro lado, e não era seguro para a Imperatriz ir até lá sem se arriscar.

Demorou horas enquanto Zachary tentava encontrar algum sinal de uma nave nas proximidades ou de qualquer ser vivo naquele planeta.

— Tem alguma coisa estranha. — Murmurou Zack enquanto seus dedos viajavam pelos teclados touch.

— O que é? — Perguntou Trey enquanto analisava em uma tela holográfica todas as imagens que a Imperatriz conseguiu a partir de uma sonda enviada para a superfície. — Está tão escuro…

— Eu não sei dizer, estou procurando o que é… meus sinais não captam absolutamente nada. E parece que não há nenhum planeta vizinho em milhões de anos-luz daqui.

— Isso é preocupante. — Respondeu Austin.

Assistindo seus amigos trabalharem, enquanto roía as unhas, pensava em alguma forma de poder ajudar. Imaginou se os cristais de Sully e sua energia podia fazer algo para entrar em contato com seus pais. Tão pensativo, não tinha notado que Zachary tinha parado de trabalhar para olhar em sua direção, com olhos semicerrados, o avaliando.

— O que foi? — Perguntou desconfortável. Trey deu o mesmo olhar incompreendido de Austin.

— É, o que foi, Zack?

— Hum, eu não sei… estou pensando em uma teoria.

— Qual é a ideia, hacker? — Askell indagou, ele estava ao lado de Gavrel, tentando ser tão prestativo como nunca foi antes. — Está pensando em usar o poder de Aquantis e Sully para achar os Blue? Isso me faz lembrar alguns filmes… neles, dependendo da tecnologia alienígena, apenas seres da mesma espécie podem se comunicar… — Ele começou a divagar contando sobre os últimos filmes do tipo que assistiu, por isso uma luz se acendeu na mente de Zachary.

— É isso, Askell! É isso!

— Ah é? — Ele pareceu feliz, passando a mão por seu moicano verde. — Eu disse que era!

Trey cuspiu uma risada, assim como outros, mas Aquantis não tinha entendido nada porque não prestou muita atenção, pensando em quão fofo Dominic parecia em sua forma miniatura no colo do hacker. No entanto, Zachary sanou suas dúvidas com um discurso em seguida.

— É por isso que nossa nave não capta qualquer sinal. Nós somos praticamente de outro mundo, a tecnologia usada por aqui não deve ter nada a ver com a nossa… ou com o que conhecemos. Até mesmo todos os materiais usados na imperatriz são distintos e tudo mais...

— Só por favor, vá direto ao ponto. — Pediu Trey com um suspiro, massageando as têmporas.

— Oh sim, o que eu quero sugerir é que podemos usar a energia de Aquantis, os cristais de Sully, nossa tecnologia e… assim teremos mais chances de entrar em contato com os Blue.

— Zachary, você é um gênio! — Trey exclamou e seus amigos começaram a dizer a mesma coisa. Claro que o hacker ficou com o ego lá em cima e Morgana teve que se aproximar para abraçá-lo e levantá-lo da cadeira.

Aquantis sorriu, mais esperançoso de que aquela ideia tinha chance de dar certo. Sully, no entanto, estava com o rosto ruborizado, cochichando algo com Austin e assentindo.

— Nós voltaremos. — Disse Austin. — E traremos os cristais.

— Ele não pode simplesmente fazer os cristais aqui? — Indagou Aqua baixinho e Trey lhe deu um sorriso e sussurrou em seu ouvido.

— Você ainda não percebeu como esses cristais são feitos?

Balançou a cabeça, franzindo o cenho.

— Da mesma forma em que nós fizemos nosso pequeno Blue aqui. — Tocou o ventre de Aqua, acariciando sutilmente por cima das roupas.

— Não... — Aqua olhou pasmo para ele. — Sério? — Estava de queixo caído.

Trey ainda sorria e anuiu com a cabeça, beijando sua bochecha.

—*-*-

A Imperatriz ficou atracada na órbita de Lost Blue durante dois dias. Não faltavam tentativas de comunicação. Zachary não desistiria, não quando se tratava da missão mais importante que já fizera em todos os anos trabalhando com Trey e Austin. Não queria decepcioná-los.

Usou de todo o seu conhecimento e artimanhas. Conectou a ideia de usar os cristais juntamente com a energia de Aquantis e sua tecnologia, e mesmo assim não estava funcionando. Nem um chiado, nem uma luz.

Onde os Blue estavam?

Configurou várias sondas para mapear a superfície do planeta, a escuridão dificultava o trabalho, sem falar do risco de estarem em uma zona completamente desconhecida para eles. Tudo o que tinha era a palavra de Sully, de que não era perigoso, ao menos nunca tinha sido enquanto o planeta estava vivo.

Porém morto como estava agora…

Dominic, em miniatura, estava deitado em seu colo, tirando um cochilo. Aliás, todos estavam dormindo, depois de dois dias em claro, precisavam do descanso. Mas Zack, apesar de ter olheiras sob os olhos e uma dor de cabeça, não queria descansar. Nem conseguiria, não com a força como seus pensamentos faziam voltas em sua mente.

Era possível que o pai progenitor de Aquantis e Sully tinha falecido?

Os Blue fugiram? Para onde foram?

Sem a luz que regia o planeta, seus habitantes e o grave problema em seu ecossistema, Lost Blue estava com os dias contados. Zack não era versado nos estudos da geofísica para saber quanto tempo ainda restava, mas por isso queria usar de todo o tempo disponível para encontrar uma resposta.

Por um segundo parou para respirar fundo, fechando os olhos e se recostando em sua cadeira. Sua mente a mil, seu foco comprometido. Seu estômago estava em nós, mal tinha conseguido comer algo decente além dos salgadinhos de Austin.

— Zack? — Ouviu baixinho e olhou para Dominic, que tinha se sentado em sua perna, esfregando os olhos. — Estou preocupado com você.

— Por que, meu amor? — Tocou suavemente com os dedos o cabelo longo e preto brilhante de Dominic, vendo-o fechar os olhos como se fosse um gatinho implorando por carinho. Tocou suavemente sua bochecha e pescoço, fazendo-o encolher e rir. Às vezes era engraçado como ele era fofo e fazia seu coração saltar no peito.

— Você não dormiu… precisa descansar. Empurre a cadeira, por favor.

Zack piscou e fez como ele mandou, abrindo espaço. Dominic olhou ao redor e então tomou seu tamanho normal em seu colo. Não pensou duas vezes em puxá-lo para seus braços, apertando-o contra o peito e escondendo o rosto na curva do pescoço de Dominic, sentindo-o estremecer embaixo dele.

— Estou aqui. — Ele acariciou suas costas e beijou sua orelha. Zack se aninhou melhor, sufocando a vontade de chorar.

— Não estou conseguindo, Nic… tentei de tudo… o que adianta todo o meu conhecimento se não serve para nada agora?

— Calma, Zack… você está frustrado e triste… posso sentir daqui. Vai dar tudo certo.

Zack se calou. Não queria ter que xingar um palavrão na frente de Dominic, então tudo o que fez foi continuar a abraçá-lo firmemente. Ele era tão macio, tão quentinho e firme. Era gostoso tê-lo pertinho… sentir seu aroma e saber que ele era seu e de mais ninguém.

Em pensar que antes achava que não teriam nada sério. Mas no final das contas, valia muito a pena estarem juntos.

Quando olhou para as telas holográficas em que esteve trabalhando, se surpreendeu ao ver uma informação que antes não estava ali.

— Dominic. — Chamou o outro que olhou em seu rosto e então para a tela.

— O que foi?

— Parece que tem algo se aproximando de nós.

— Hã? — Dominic pulou de seu colo e os dedos de Zack viajaram nos teclados a procura de respostas.

A porta da sala de comando deslizou aberta e Jack entrou bocejando e girando os ombros.

— Bom dia. Como estão as coisas por aqui?

— Zack achou algo! — Dominic disse rapidamente, prestando atenção no que Zack fazia.

— Ah é mesmo?!

— Jack, venha ver. — O hacker apontou para a tela. — Há um sinal de algo se aproximando de nós. Parece uma espécie de tecnologia alienígena diferente de tudo o que já vimos.

Jack olhou para os cristais presos em uma caixa de vidro e reluzindo suavemente. Aquantis estava roncando na cadeira de Trey, enquanto o comandante cochilava em um dos sofás ao fundo da sala.

— É melhor eu acordar os outros, afinal não sabemos se é uma nave inimiga.

Em questão de segundos a origem do sinal foi revelada quando uma nave branca de forma oval e retorcida, com luzes fortes e azuis pairou a frente da Imperatriz. Zack pegou o comunicador e gritou para todos acordarem e se colocarem em segurança, pois não sabia se seriam atacados ou não.

— Tente estabelecer um contato. — Pediu Trey, se levantando às pressas, ainda meio grogue.

— É a nave dos meus pais! — Sully gritou ao fundo, parecendo tão feliz como nunca antes tinha sido desde que o conheceram. Isso os deixou mais aliviados. Zack tentou chamar a outra nave.

— Pronto!

— Aqui é o comandante Trey Scarlet. Viemos com Sully Vegan. Identifiquem-se por favor.

Sully?! — Uma voz gritou abafada nos comunicadores, com um forte sotaque, como se estivesse adequando-se ao idioma deles. — Sully você voltou!

— Papai!

Sou o comandante Blue Cody Vegan. Meu filho está em segurança?

— Sim, ele está muito bem. Seus filhos estão. — Respondeu Trey, com uma nota de orgulho na voz.

Imagine quão orgulhosos todos estavam naquele momento por finalmente se encontrarem. Zachary também se sentia assim, apesar de não ser um Blue. Mas depois de tudo o que passaram, era bom finalmente respirar com mais tranquilidade.

Eles tinham chegado ao destino. A luta tinha cessado.

— Eu disse que tudo ficaria bem. — Falou Dominic, sendo um espertinho.

Filhos? Sully encontrou Aquantis? — A voz de Cody estava desesperada no comunicador, era possível ouvir sua respiração ruidosa. — Não posso crer nisso! — Ele estava chorando? — Comandante Scarlet, nós poderíamos nos encontrar na nave-mãe Aquantis? Precisamos ter uma longa conversa e aposto que estão cansados da viagem. Por favor, nos sigam.

—*-*-

Deram o meu nome para a maior nave que já tinha visto na vida.

Era mastodôntico, três vezes maior do que foi a nave principal da Federação dos Planetas, Exórdio ou Margosha. Tinha que ser, já que comportava todos os sobreviventes de um planeta inteirinho.

Logo que saiu da Imperatriz para o porto espacial, ficou tão tímido que não sabia o que fazer. Havia uma multidão lá. Tantos sorrisos, gritos e olhares felizes sobre ele que era desconcertante. Incrível como eram diferentes daqueles que conheciam. Seus cabelos tinham cores distintas, como o azul, o rosa-salmão, verde, entre outras. Eles não tinham quatro braços e nem uma cauda esquisita, pareciam humanos comuns, porém, com detalhes distintos que não conseguia descrever ainda.

E na multidão, duas pessoas familiares apareceram. O casal que tinha visto naquela visão há um bom tempo. Seus pais…

Aquantis não soube descrever o que sentiu no momento em que os encontrou. Foi uma mistura entre alívio, dor, felicidade, tristeza e muito mais. Suas pernas tremeram e não foi capaz de sair do lugar, mas eles vieram em sua direção. Sully ficou ao seu lado e seus amigos se afastaram quando seus pais os abraçaram com força e com carinho.

Nem tinha notado as lágrimas caírem ou escutado seus próprios soluços.

Abraçou-os com força, os quatro juntos, finalmente.

Someya, seu pai progenitor que antes esteve doente, parecia tão bem.

— Eu melhorei. — Ele disse entre lágrimas. — Vocês me ajudaram… apareceram nos meus sonhos e eu finalmente fui capaz de me libertar da minha dor. — Ele tinha aquele olhar cheio de amor e carinho. Aquantis nunca pensou que teria tal olhar em sua direção… ainda mais vindo daquele que lhe deu a luz.

Era difícil acreditar que… estava em casa.

— Graças a Sully, fui capaz de criar esta nave. É bem grande, não é? — Disse Cody, sorrindo grandemente e apertando seu ombro. — E para que nossa esperança não fosse destruída, colocamos seu nome nela. Depois que Someya acordou e me contou o que viu em seus sonhos, tivemos ainda mais esperança que voltariam. Mas se passaram meses, tivemos medo que não tivessem conseguido.

— Oh, mas nós conseguimos. — Sully disse emocionado. — Graças a eles, nós conseguimos!

Cody e Someya olharam na direção de Trey e dos demais, que estavam conversando com outros Blue curiosos. Aquantis ficou surpreso pela forma como eles pareciam tímidos com a abordagem extremamente animada, foi engraçado.

— Vejo que precisamos ter uma boa conversa. — Falou Someya, chamando sua atenção. — Há muito que precisamos explicar a vocês e que também precisamos saber. Vamos entrar, por favor.

Por dentro, a nave-mãe parecia ainda mais colossal com sua arquitetura singular, as curvas, as cores que variavam entre branco, azul e dourado, a fonte incrível bem no meio do saguão e os elevadores de vidro que pareciam subir para sempre. Era um lugar bem iluminado por cristais como os de Sully, só que um pouco maiores.

Eles entraram um uma sala muito aconchegante com vários sofás em forma de U. Era um salão grande, com paredes cor de vinho e bandeiras de mesma cor penduradas, cheio de outras pessoas conversando animadamente, mas que logo que os viram ficaram em silêncio, os observando.

Todos os Blue eram assim tão curiosos?

Aquantis tinha certeza que sim.

Sentou com seus pais e Sully, seus amigos sentaram no sofá da frente e alguns em puffs. O chão era acarpetado com uma pluma macia vermelho-escuro e havia janelas do chão ao teto em toda uma parede.

Imediatamente vários Blue bem vestidos com uniformes vieram servi-los com petiscos e bebidas, alguns até oferecendo serviços de massagem nos ombros, das quais Kimm e Morgana se beneficiaram muito.

— É uma bela nave, pai. — Falou Sully. — Não imaginava que faria algo tão grande.

— Foi necessário, filho. — Explicou Cody. — Eram pessoas demais… e como líder supremo eu tinha que salvar a todos. Há outras naves menores que servem como residências, mas a maioria decidiu viver conosco aqui.

— Por que Lost Blue está…? — Aquantis estava tão tímido que não conseguiu perguntar direito, sua voz não saiu de acordo. Someya sorriu para ele e apertou sua mão.

— Por que Lost Blue está abandonado? — Ele suspirou com melancolia. — Quando retornei ao normal, minhas habilidades foram comprometidas… acho que levou muito de minha energia para retornar e já não conseguia fazer os cristais brilharem. Se continuássemos em Lost Blue, ninguém sobreviveria.

— E os cristais daqui, papai? — Indagou Sully.

— Ah, são poucos, os únicos que consigo fazerem brilhar. Eles ajudam a manter as espécies do nosso ecossistema vivas. Levamos uma muda de cada planta conosco, mas infelizmente algumas não sobreviveram.

— Mas agora que Aquantis retornou, poderemos voltar?

— Talvez. — Someya e Cody olharam bem em sua direção, esperançosos, fazendo Aqua encolher os ombros.

— É… talvez…

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ♥