Lost Blue

34 Capítulo 34 - Preparados ou despreparados?


Notas iniciais
Olá meus amores, segue o capítulo da semana, tomara que gostem ♥ Boa leitura!

Zachary Spencer, conhecido como um dos hackers mais eficientes da galáxia de Órus, além de ter uma vasta experiência como enfermeiro, não estava sendo útil quando mais precisavam dele.

Kayllon estava mal, lutando pela sua vida e a do bebê. E agora tinham descoberto que a nave foi sabotada e estavam sendo assistidos por algum inimigo que não fazia ideia quem era.

Zack estava hiperventilando.

— Vamos, respire, amiguinho. — Austin massageava suas costas conforme Zack tentava com todas as forças sugar em sua bombinha de ar, que desta vez não estava funcionando. — Você não está fazendo um som legal, tenta pensar em algo bom. Vamos… você consegue. — Ele estapeou suas costas. Queria reclamar que não estava engasgado, só não conseguia respirar.

Ninguém entendia como se sentia.

Por que ninguém mais estava entrando em pânico? Por que Austin estava preocupado com ele e não com o problema gigantesco em torno deles?

Desde que era criança, Zack sempre sofreu muito estresse. Na escola, os garotos zombavam dele por só ter uma mãe que passava mais tempo na academia do que cuidando dele. Hoje entendia que ela só estava trabalhando sendo uma fisiculturista e campeã nos ringues. No entanto, por causa do bullying e da depressão que enfrentou, acarretou em sequelas como sua facilidade para hiperventilar. Ele usava uma bombinha para asma e ela costumava funcionar…

Trey entrou na ponte de comando com um semblante preocupado que só piorou quando viu sua situação. Austin estava gritando e Zack estava começando a ter sua consciência oscilando quando seu comandante colocou um Dominic pequenino em seu colo.

A visão do pequeno saturniano olhando-o com aqueles enormes olhos negros como ônix enviou uma onda de calma para dentro dele. Não soube dizer como Dominic tinha feito isso… mas estava funcionando. Ele só estava sentado lá e olhando-o preocupado, chamando por ele… lágrimas surgiram e ele começou a chorar, puxando sua camisa com as mãos minúsculas.

Aos poucos a bombinha de ar foi lhe fazendo efeito. Trey trouxe uma máscara de oxigênio da bancada de comando e trocou pela bombinha, aliviando ainda mais o que sentia. Zack se acalmou, acariciando os cabelos de Dominic com os dedos, até cair no sono ali mesmo em sua cadeira.

—*-*-

— Ele vai ficar bem? — Dominic fungou tentando apartar as lágrimas.

— Sim, ele só precisa dormir. — Disse Trey enquanto arrastava a cadeira para fora da sala. Zack era muito pesado para alguém levá-lo no colo.

— Eu só o vi ficar assim uma vez, Trey. — Comentou Austin, os seguindo, preocupado. Ainda assim ele chupava um pirulito.

— Sim, quando a mãe dele comeu um de seus próprios biscoitos e foi parar no hospital. Lembro desse dia.

Chegaram ao quarto de Zack e Trey precisou da ajuda de Austin para colocar o desacordado na cama. Dominic permaneceu pequenino e agarrado a ele todo o tempo.

— Você vai ficar aí? — Trey perguntou.

— Não vou sair do lado dele. — Ele choramingou como uma criança birrenta. — Ele precisa de mim.

Suspirando, Trey concordou. O saturniano poderia ser bem dramático, mas sorriu pela forma em que se importava com seu amigo. Isso o fez se agachar ao lado da cama e tocar a cabeça de Dominic para chamar sua atenção.

— Ele deve ter ficado um bom tempo sem dormir, não é?

— Ah sim, eu dormi sozinho nos últimos dois dias.

— Entendo… — Trey suspirou de novo. — Com a situação de Kayllon e do bebê, ele está muito preocupado e agora com a sabotagem da nave… — Diminuiu o volume de sua voz. — E o fato de estarmos sendo observados pelo inimigo, o estresse dele deve ter aumentado muito. Cuide dele, Dominic, nós vamos resolver esse problema.

Determinado, Dominic assentiu várias vezes.

— Vamos. — Puxou Austin com ele para fora do quarto a tempo de ver Dominic se transformar em sua forma humana.

— Ele vai ficar bem?

— Vai sim. Só precisa de descanso.

— E nós?

— Nós o quê? — Perguntou o comandante.

— Nós vamos ficar bem?

Encarando-o, notou que Austin não sabia o que realmente estava acontecendo na Imperatriz. Puxou-o para um abraço apertado, e claro, seu amigo o abraçou de volta sem pestanejar. Ele era fácil.

— Há traidores na nossa nave. — Sussurrou contra sua orelha e sentiu Austin congelar. — Para ser mais preciso, Askell e os gêmeos. Eles traíram Gavrel e estão prestes a nos entregar para algum inimigo.

— A Federação?

— Não sei, mas não creio que seja. Enfim, sabotaram o compartimento de matéria escura, o que explica porque perdemos quatro meses em segundos. As câmeras e todo o sistema da nave foi hackeado.

E agora estavam sem o seu principal hacker para lhes ajudar.

— Nós temos que fazer isso juntos. — Afastou-se o suficiente para olhar nos olhos de seu amigo que era um pouco mais alto que ele.

Austin assentiu determinado e pareceu até engraçado pelo fato de que estava com um pirulito na boca.

Apesar de toda a confusão e o desespero de Zachary, Trey tinha cartas na manga, e como comandante da Imperatriz, conhecia cada detalhe da nave que seus traidores não conheciam. Sendo assim, estava prestes a se preparar para enfrentar tal situação.

Reuniu-se com seu pai na enfermaria. Jack tinha olheiras visíveis sob os olhos e estava pálido. Não era à toa, já que Kayllon não teve melhora em dois dias.

Foi capaz de conversar com ele baixinho. Qualquer um que os vissem de longe, pensaria que era o filho transmitindo palavras de consolo ao pai, quando na verdade estava explicando a situação a ele e pedindo sua colaboração.

— E Kayllon?

— Keesa vai ser capaz de fazer companhia a ele.

O humano apareceu no mesmo instante em que seu nome foi citado, já que estava esperando no corredor antes.

— Keesa, posso confiar em você para cuidar de Kayllon?

— ... — Ele olhou boquiaberto para o comandante. — Desculpe?

— Perguntei se você pode cuidar de Kayllon?

— Cla-Claro, senhor! — Ele parecia feliz com a proposta, o que foi estranho.

— Há uma lista no tablet que está sobre a mesa com tudo o que precisa ser feito, Zack sempre anota tudo o que faz. Vou levar meu pai, então se precisar de alguma ajuda, não me chame, apenas se for uma emergência, entendeu?

— Não chamar… entendi, senhor!

— Confiamos em você. — Apertou o ombro do humano que olhou determinado para ele.

Parece que faz muito tempo que Keesa recebeu alguma atribuição que não fosse ser um escravo. Mas agora que Trey tecnicamente era seu comandante também, tinha que usá-lo, principalmente em momentos assim.

O mesmo faria com Gavrel. O homem entendia muito sobre piratas e o processo ilegal das coisas, por isso também o usaria.

Jack, como tinha trabalhado para a Federação durante cinco anos, também tinha conhecimentos importantes que poderiam lhes servir.

— Morgana. — Chamou a mulher quando a encontrou na cozinha. — O que aconteceu aqui?

— Ah! Trey! — Ela riu envergonhada pelo estado em que estava a cozinha. O cooktop elétrico antes de aço inox, estava preto feito carvão após algum incêndio ter ocorrido. Farinha e todos os tipos de alimentos que ele mal conseguia descobrir quais eram, estavam espalhados por toda parte, até gotejando do teto sobre a cabeça de Kimm, que estava irreconhecível, como se alguma gosma cor de rosa tivesse explodido bem em seu rosto. Sua expressão era cômica. Austin cuspiu uma gargalhada, mas se desculpou em seguida, tentando se segurar.

Morgana beijou a bochecha de Jack, seu melhor amigo, deixando um rastro de sujeira para trás.

— Eu estava cozinhando… então, parece que o fogão precisa de alguns reparos.

— Posso consertá-lo. — Disse Austin ainda segurando o riso.

— Isso é ótimo, querido!

— Isso quer dizer que não teremos almoço hoje?

— O almoço está pronto. — Disse Kimm, um pouco fanha, espantando a gosma rosa dos olhos. Em seguida apontou para a mesa de jantar repleta com um banquete. — Só a sobremesa que deu errado.

Trey ergueu uma sobrancelha a Morgana que sorriu envergonhada para ele.

— Precisamos falar com vocês… mas acho que antes precisam se limpar. Vou chamar os outros para o almoço.

—*-*-

A Imperatriz continuava atracada no espaço, pois a nave mal respondia aos comandos. Parece que não apenas o compartimento de matéria escura teve problemas, mas também o sistema que mapeava ao redor e indicava onde estavam. Não era possível que estivessem em um lugar que fosse tão longe de qualquer planeta ou estrela, capaz de fazer o sistema não rastrear absolutamente nada.

— Escute, Sully, porque nos deu essas coordenadas? — Perguntou Gavrel, sentado na cadeira onde Austin costumava sentar para pilotar a nave. Sully estava de pé ao lado dele, ajudando-o.

— Parecia ser o mais longe possível da Federação.

— Estamos próximos de Lost Blue?

— Hum… — Ele fez uma careta. — Não exatamente.

O Margosha o olhou estupefato. — Como não?

— Precisaríamos de mais duas dobras até chegar nas proximidades. É um lugar muito remoto, não é fácil chegar.

— A nave que você usou para viajar tinha a tecnologia de dobra?

— Oh sim. Meu pai é quem projeta as naves, ele usou um composto estelar chamado Agnéa. É muito potente, nunca deu um problema.

— Entendo. Os materiais que usam em seu planeta devem ser bem diferentes, pois nunca ouvi falar de “Agnéa”. — E Gavrel sabia… ou soube tudo sobre o que usaram na Margosha antes de ser destruída.

— Se consertarmos o sistema da nave, posso indicar um atalho para onde podemos reabastecer. — Sully apontou para a tela onde mostrava os níveis de armazenamento de combustível e outros componentes muito baixos. — E lá podemos procurar por um médico que ajude Kayllon.

Gavrel anuiu com a cabeça. Se não fosse pelos malditos traidores… fechou os olhos com força, tentando recuperar suas emoções. Já tinha perdido a Margosha e agora perdido também Askell, que antes considerava um amigo.



Uma hora antes.

Logo após o almoço, que à propósito teve um clima estranho na sala de jantar, Gavrel tinha se recolhido para a noite junto com Keesa. Estava cansado após o estresse do dia e ainda de luto pelo que havia acontecido com sua nave.

Era aquele sentimento de incredulidade, como se algum ente querido tivesse morrido tragicamente e lhe custasse acreditar na verdade. Isso acontecia porque ele amou sua nave-mãe, conhecia cada detalhe dela e tinha confiança de que nunca seria destruída.

Sua equipe tinha se esforçado muito para mantê-la intacta, apesar de ela já ter tido séculos perambulando pelo espaço. Tinha modernizado algumas áreas, reconstruído outras, mas o mais importante, mantido a principal estrutura da nave, os detalhes, que era o mais amava sobre a Margosha.

A nave-mãe tinha sido seu lar há muitos anos, muito melhor do que seu planeta natal que foi devastado pela Federação por ser considerado um ninho de seres amaldiçoados.

Aquela maldita rainha…

Sentiu uma mão cobrir seu pulso fechado, aliviando um pouco da pressão. Keesa sentou ao seu lado na cama e apoiou a cabeça em seu ombro.

— Do que está com raiva?

— Lembrando o que a Federação fez.

Antes de conhecer o humano, qualquer um que notasse sua raiva crescente, se afastava de imediato. Exceto Kimm que não deu um segundo olhar e continuava onde estava. Keesa, no entanto, foi o único capaz de se aproximar e não temê-lo.

E a presença daquele que amava, seu calor, seu cheiro, seu toque, tudo foi capaz de acalmá-lo e diluir o que sentia, trazendo-lhe um certo alívio.

Quando um cartão de acesso desbloqueou a porta de seu quarto sem sua autorização, seu alívio se foi, substituído por confusão ao ver Trey e Austin. Eles fingiram estar lá porque “Gavrel os chamou para jogar cartas” o que não fazia sentido nenhum. A única coisa boa sobre isso foi a expressão confusa de Keesa. Era adorável.

Porém, logo que começaram a bater papo sobre tudo, Trey lhe deu um olhar que disse exatamente o que temia. Algo estava errado, por isso a encenação. E foi por causa disso que Gavrel entrou no jogo e fingiu estar feliz.

Trey passou as cartas e deslizou sorrateiramente uma para ele, como se estivesse trapaceando, mas na verdade a carta continha os dizeres escritos em letras miúdas “Traidores. Askell e os gêmeos. Esperando os inimigos chegarem”.

Naquele mesmo instante, a paciência de Gavrel explodiu. E todos os seus sentimentos de revolta e dor retornaram. Trey e Austin tentaram pará-lo, e embora eles fossem fortes, não foram suficientes para detê-lo.

Trey achava que o plano seria estarem preparados por baixo dos panos, mas Gavrel não trabalhava assim, ele preferia usar os punhos.

— É melhor você se conter! — Trey o puxou e o empurrou para cama. — Não estamos na Margosha. A Imperatriz é uma nave muito menor e não tão resistente como sua nave foi! Não podemos entrar em combate assim!

Gavrel zombou, voltando a se levantar e o enfrentando.

— Eu posso não ter a minha própria nave mais, porém são os meus homens que estão nos trazendo problemas. Sou eu quem deve resolvê-lo.

Trey cruzou os braços em frente ao peito, olhando-o duramente.

— E o que vamos fazer se der errado? O que vai acontecer com os demais? Lembre que Keesa não pode lutar, muito menos Kayllon que está naquela cama, porque o maldito do seu “amigo” foi quem provocou isso.

Gavrel começou a rosnar.

— E é por isso que não posso permitir esse absurdo. Eu vou matá-lo eu mesmo!

— Gavrel… você não está pensando. — Austin tentou acalmar a situação. — Ainda não sabemos que inimigos estamos esperando. Nossa situação está péssima, e até que possamos encontrar uma solução, precisamos estar preparados.

E estava prestes a mandar tudo à merda, quando a porta se abriu e Aquantis entrou.

— Bem, vocês já estragaram tudo. — Ele disse com normalidade. — Eu estava vigiando as filmagens.

Trey xingou baixinho e Austin parecia que ia chorar.

Mas Aquantis continuava tranquilo.

— Pode ir Gavrel. Faça exatamente o que sua raiva te manda fazer.

— Aquantis? — Trey indagou ao Blue que apenas piscou para ele.

— Confie em mim.

E Gavrel não perdeu um segundo. Ele colocou Askell contra a parede e fez tudo o que sua raiva pedia. Até que o punk estava sangrando no chão, implorando por sua vida. Os gêmeos, no entanto, foram uma surpresa. Eles não eram meros pets de estimação, mas seus movimentos de batalha simulavam aos que vários piratas espaciais usavam no combate corpo a corpo. Eles tinham armas escondidas também. E dois contra um era injusto, mesmo que fosse capaz de dar conta.

Foi isso o que Jack tinha dito quando se juntou a ele, jogando os pequenos aliens malditos para o chão e os espancando até que não podiam mais se mover. Eles foram amarrados com cordas de aço e presos em uma pequena sala na parte inferior da nave. Sem janelas, apenas com uma porta de aço e alavanca.

Gavrel iria sugar todas as informações de cada um deles, mesmo que para isso fosse obrigado a usar métodos de tortura.

Um sorriso macabro repartiu seu rosto, pois fazia muito tempo desde que teve a chance de usar seu lado sombrio.

—*-*-

Horas mais tarde, eles já se achavam estarem preparados para enfrentar os inimigos, embora não tivessem muita ideia do que aconteceria. Era um plano muito arriscado.

Aquantis olhou para o relógio universal, marcando quatro horas da tarde. Nas janelas o breu permanecia. Todos voltaram a seus afazeres normais, porém sabendo que em breve teriam visitas não muito agradáveis.

Trey conversou com ele, nada feliz com o comando que tinha dado a Gavrel. Aquantis explicou que agora que poderia controlar seus poderes, eles tinham uma chance de atacar o inimigo se ele se entregasse, foi então que Trey ficou furioso e não falou com ele mais, ocupando-se completamente com a ponte de comando.

Aqua nem mesmo se deu ao trabalho de ir até lá. Enquanto o comandante não esfriasse a cabeça, não seria muito proveitosa uma conversa entre eles.

O comunicador soou com um chiado. O aparelho minúsculo estava sobre a mesa de cabeceira e começou a vibrar. Aqua o pegou e colocou em sua orelha.

— Aqua. — Era a voz de Sully. — Zack acordou com uma grande ideia e conseguiu mascarar o vírus da nave. O que faremos agora?

Ótimo! Bombeou o punho no ar.

— Vamos fingir que ainda estamos sem o controle da nave.

— Não seria melhor fugirmos? — Parece que seu irmão estava tão perdido sobre o que fazer como o resto da nave.

— Como e para onde?

— É… não temos como fazer a dobra ainda e os motores de nitro estão com defeito após o vírus danificá-los... Austin está tentando consertá-los neste momento. — Respondeu Sully.

— Bom… e Trey?

— Ele ainda parece zangado. — Sully abaixou a voz, já que estava na ponte de comando.

— Hum…

— Parece que ele quer socar a cara de alguém.

Aquantis sorriu, embora não fosse para sorrir.

— Eu vou até aí.

No segundo em que pisou os pés no corredor, a nave chacoalhou e todas as janelas refletiram uma luz azul fluorescente. Quando estabilizou um pouco, Aquantis disparou até a ponte de comando, encontrando todos já preocupados e Trey gritando ordens. Gavrel tinha tomado o posto de Austin como piloto da nave, Zack fazia seu trabalho e os outros também.

— Trey! — Zack gritou no comunicador, o que foi possível a todos ouvir. — Parece que não é o inimigo que esperávamos!

A janela frontal da nave, que também servia como uma enorme tela, mostrou a imagem de um ser de proporções titânicas que parecia muito a um peixe com enormes mandíbulas repletas de dentições pontiagudas e barbatanas fluorescentes. Às vezes ele se camuflava no escuro, para em seguida acender suas luzes.

Aquantis quase caiu para trás, boquiaberto.

— Merda! — Sully gritou acima do silêncio que se transformou na nave. — É um Escaldanóico!

— Um o quê?! — Todos gritaram em uníssono?

— Que raios é isso? — Indagou Trey horrorizado.

— É chamado também de Guardião do Ponto Morto. — Sully falava rapidamente, mal respirando. — Desligue todas as luzes da nave, deixe só as de emergência.

E Trey repetiu as ordens dele e foi exatamente o que fizeram. O enorme monstro passou a metros da nave, provocando ondulações de gravidade que fizeram a Imperatriz tremer.

— O que faremos? — Perguntou Zack com a voz embargada, prestes a entrar em pânico de novo. Dominic estava em sua forma humana e tentou acalmá-lo, embora seu semblante era de puro terror.

— Temos que torcer para não sermos atingidos por essa coisa. — Sully comentou, andando de lado a outro. — Ou pior… comidos!

— Por que nos trouxe para cá?! — Trey gritou.

— Não tive escolha! Pensei que fosse o ponto mais seguro, passei por aqui quando deixei Lost Blue e não sofri qualquer ataque. Mas essa criatura nos encontrou de alguma forma… Ela rastreia luz, afinal ela é a única capaz de ter luz própria por aqui. Não é possível pular do universo conhecido direto para o desconhecido, mesmo usando qualquer método de teletransporte. É obrigatório passar neste lugar primeiro.

— Por quê? — Trey indagou.

— Porque é assim que funciona!

— Merda. — Trey cobriu o rosto com a mão e grunhiu como um animal. — Pense… pense…

— Poderíamos montar uma distração e sair daqui quando Austin consertar os motores. — Ofereceu Aquantis já esquecendo-se do plano anterior.

— Que distração? — O comandante olhou para ele e ainda parecia zangado. Aqua engoliu em seco.

— O mesmo truque que Sully e eu fizemos para ajudar Keesa. Fazer os cristais reluzirem.

Os olhos de seu irmão de arregalaram, assim como os de Trey.

— De jeito nenhum que você vai fazer esse sacrifício. — Ele se levantou e foi na direção do painel de comando.

— Podemos usar um dos reatores. — Ofereceu Zack. — Mas não sei se geraria luz o suficiente para distrair “a coisa” e ainda ficaríamos sem parte do combustível, o que pode ser arriscado.

— Droga.

Aquantis observou a tela enquanto os outros discutiam algum método de distração para o monstro gigantesco. Eles finalmente tinham o controle da nave após Zack ter mascarado o vírus, menos a forma mais rápida de sair de lá que era através da dobra, ou pelo menos usar os motores de nitro. No entanto, também esperavam pelos inimigos e no momento em que precisassem ligar as luzes da nave, necessárias se pretendiam viajar, o monstro poderia facilmente encontrá-los novamente e seriam o jantar dele.

Pense, Aqua… pense…

Na tela, o Guardião do Ponto Morto desapareceu na escuridão.

— Ele se foi. — Comunicou Gavrel. — Nossos sensores não relatam sua aproximação mais.

O suspiro de Trey foi compartilhado.

E no instante seguinte, uma nave-mãe seguida de um enxame de pequenas naves de combate piratas surgiu para o desespero deles.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler ♥