Lost Angel
1 Amber Eyes
Notas iniciais
Enfim, primeira fic não-SuzuNagu.
Espero que gostem :3
A brisa sobrava fria, como fazia todas as manhãs. Mais um dia que acabara de surgir. Uma nova e bela manhã, tão fresca e comum, monotoma. O vento batia nas arvores e deixava o leve perfume da natureza soprar em meu rosto, me fazendo fechar os olhos.
É uma bela manhã, normal, como todas as outras.
Ou pelo menos, eu queria que fosse.
Algo esta faltando. Algo sempre faltará. Nenhuma manhã será como antes, e o que eu posso fazer sobre isso? Nada, apenas continuar seguindo em frente.
Houve um tempo em que eu me levantava cedo para ir a escola. Com um sorriso animado e esforçado, pronto para mais uma correria do dia-a-dia. Eu amava cada manhã que vinha. Cada brisa que sobrava, cada perfume ou odor de uma nova aventura. Um novo dia. Isso me deixava feliz.
Eu corria até a escola, com um sorriso no rosto. Cumprimentava a todos que passavam por mim. Sempre foi assim. Desde a primeira vez que eu pisei naquele lugar. Tal memória ainda continua fresca em minha mente. Uma lembrança um tanto dolorida, cruel, violenta, porem, ainda assim, especial.
A primeira coisa que eu fiz naquela data foi correr para o clube de futebol. Tudo o que eu mais almejava era jogar na Raimon, era meu sonho, e eu estava prestes a realiza-lo. Foi então que ele apareceu.
Seus cabelos azulados, arrepiados e amarados para cima, davam um contraste perfeito em sua pele tão branca. Seus olhos dourados âmbar olharam fixamente para os meus, me fazendo sentir algo estranho. Eu senti como se eu pudesse me afogar neles e nunca mais voltar. Ele usava roupas grosseiras. Uma jaqueta roxa jogada sobre os ombros, que combinavam com sua calça da mesma cor. Uma camiseta vermelha, que me fazia imaginar o quão quente deveria ser o seu corpo.
Eu simplesmente parei e o olhei, enquanto ele e encarou como se pudesse me bater a qualquer momento. Mas então eu sorri. Como seu sempre fazia. Ele se irritou e me emburrou, passando sobre mim como se eu fosse uma espécie de miserável sem valor, e sumiu de minha vista.
Só então percebi que havia outras pessoas por perto. Me olhavam um pouco abatidas, algumas até machucadas. Havia acabado de ocorrer uma briga naquele lugar.
– Tudo bem?
Uma mulher simpática de cabelos curtos azuis, e grandes óculos estendeu a mão para me ajudar.
Balancei a cabeça e me agarrei a sua mão. A professora Otonashi sorriu sem jeito.
– Eu vim.. o clube de futebol.. – tentei falar.
Todos me olharam, novamente. Otonashi colocou a mão em meu ombro.
– Desculpe, tivemos alguns problemas, poderia voltar depois, então? – pediu ela, gentilmente.
Acenei com a cabeça e sai o mais rápido que pude. Tive muita vontade de perguntar o que havia acontecido, mas preferi me calar e sair. Algo em mim estava incomodado com outra coisa. Uma parte de mim ainda estava perdido em um olhar profundo e amarelo, tão mal e tão quente.
O que eu poderia fazer? Uma criança tão pequena e inocente, – como eu costumava ser – sabia muito pouco sobre coisas assim... como atração ou sentimentos do gênero. Era tudo apenas tão esquisito para mim, e eu apenas parei para pensar no meio do caminho para o auditório, onde eu deveria estar em breve para a cerimônia de abertura do ano letivo.
Coloquei uma mão em meu peito e senti meu coração pulsar de forma frenética e perturbadora. Eu poderia dizer a mim mesmo que era por causa da correria e do pequeno susto que eu havia levado. Mas estava muito claro que não era isso.
“Quem era aquele cara?” Pensei, solitário. “Qual era o problema dele?”.
A imagem daquele rapaz passando por mim, tão grande e superior, vagou pela minha cabeça e me fez esquecer completamente do que eu estava fazendo ali. O clube de futebol, a Raimon.. tudo parecia tão perto de mim, que eu simplesmente não sentia mais a emoção de ter que os alcançar. Mas.. eu estava longe o bastante daquele homem. Para mim, eu pude sentir, não adiantava o quanto eu estendesse a mão, eu jamais o alcançaria.
O barulho do auditório, com o inicio da cerimônia, me despertou. Corri em direção ao som, como se minha vida dependesse disso. Eu odiava me atrasar.
Me enfiei na fileira de alunos, todos tão diferentes uns dos outros. Uma mistura de cores e personalidades que me fazia sentir o quão bonito poderia ser uma escola. Eu era esse tipo de pessoa, adorava ver o lado bom em tudo. Enquanto a maioria devia estar desejando as próximas férias o mais rápido possível, lá estava eu, Matsukaze Tenma, sorrindo para este novo ano e feliz por estar ali, perante tantas pessoas.. tanta gente nova que eu poderia conhecer, aprender com eles e passar bons momentos. Eu era um bobo alegre, muito feliz, confuso, mas feliz.
– Você também é um novato? – perguntou um garotinho, muito baixo, durante a cerimônia.
Ele era simpático, pequeno, e usava uma faixa azul na cabeça.
– Sim! Você também? – perguntei a ele, me animando.
– Sou! Meu nome é Nishizono Shinsuke, e o seu?
– Tenma, Matsukaze Tenma.
– Ah, Tenma-kun, você estava no clube de futebol hoje mais cedo, certo?
Olhei para ele um pouco surpreso.
– Sim, por quê? – perguntei,
– Ouvi dizer que tiveram alguns problemas hoje, e tive a impressão de ter te visto por lá – ele deu um sorriso sem graça.
– Você sabe o que aconteceu?
– Bom, não muito. Parece que um cara apareceu e procurou briga com os membros do clube.
Olhei ao meu redor.
“Só pode ser ele”, pensei, me lembrando do azulado que havia me empurrado mais cedo. Sua expressão rude e mal-humorada, enquanto olhava para mim como se eu fosse uma espécie de bicho. Aquilo fazia meu sangue ferver.
– Você vai entrar no clube de futebol? – tornou a perguntar o outro garoto.
Olhei para ele, sorrindo levemente.
– Sim! E você?
– Eu também!
Foi então que eu e Shinsuke começamos nossa amizade. Parecia algo tão pequeno e frágil, assim como ele, até então. Mas algo que dizia que valia a pena estar ao seu lado. Ele era uma boa pessoa. Simpática, e algo me dizia que era muito forte também.
Para nossa alegria, estávamos na mesma sala também, assim como Sorano Aoi, uma amiga de outra data. Isso era muito bom, pois eu não estaria sozinho durante a aula. Mais tarde corri para a sala do clube, e eles me seguiram.
Quando nos aproximamos, notamos vários e vários membros deixando o clube, bravos e, alguns, tristes.
– Tsc, não tem mais sentido continuar aqui – ouvi um deles dizendo.
– Se já não bastasse aquela porcaria de Quinto Setor, teríamos que aturar um SEED? Poupe-me.. – falou outro.
Parei e os observei sair. Ambos irritados.
– O que será que aconteceu? – perguntou Aoi, logo atrás de mim.
– Será que tem haver com o que aconteceu mais cedo? – perguntou Shinsuke.
Olhei para eles, como se pudesse confortar um pouco de suas curiosidades, e então continuamos nosso caminho.
Antes de abrir a porta para a sala do clube, respirei fundo e vi os dois acenarem positivos para mim.
– COM LICENÇA – quase gritei, ao abrir a porta.
Havia pouca gente. Pareciam estar discutindo algo antes de minha presença. Todos me olharam um pouco impacientes.
Um deles, de boa aparência – cabelos de um tom de vinho, e parecia ter heterocrômica central, pois seus olhos possuíam uma irís marrom escura envolvida por uma coloração dourada – encostado na parede, me fitou.
– Não se tem mais paz por aqui – falou ele, num tom arrogante.
Um outro garoto, ao lado deste – de pele escura, estrutura baixa e cabelos de um tom de verde muito claro, com uma franja tampando um olho – concordou, mal humorado.
Abaixei a cabeça. Aoi e Shinsuke se entreolharam e fizeram o mesmo.
O capitão do time, Shindou Takuto – um rapaz mediano, bonito, de cabelos castanhos ondulados e olhos também castanhos, aparentemente inteligentes – se aproximou de mim, suspirando. Ele parecia preocupado.
Me curvei para ele, fazendo uma espécie de saudação.
– Me desculpe atrapalha-los.. – falei, em tom alto.
– Tudo bem – falou ele – você é aquele garoto de hoje cedo, não é?
Me ergui e olhei para ele, tentando não parecer constrangido.
– Sim! Eu sou Matsukaze Tenma, e queria entrar no clube! – falei, quase num pedido, numa suplica para que ele me aceitasse.
– Hã? Ainda tem gente querendo entrar no clube.. – comentou alguém.
– Nós também! – falaram Aoi e Shinsuke.
O capitão respirou fundo, mas quando abriu a boca para falar alguma coisa, um homem entrou na sala e roubou a atenção de todos.
Um cara alto e moreno, com um olho escondido pelo cabelo, mais velho e de um aspecto um pouco cansado, parou no meio da sala, parecendo indiferente.
– Só restaram vocês? – perguntou ele, olhando para os membros restantes.
– Sim, treinador – respondeu o Capitão, e mais alguns.
– E esses ai? – Kudou olhou para mim e meus companheiros.
– Eles querem entrar no clube – respondeu Shindou.
O treinador nos olhou mais atentamente.
– Ótimo – disse – as coisas não serão fáceis de agora em diante..
Aoi me cutucou. Pude sentir a vontade que ela tinha de sair correndo em seu toque. Olhei para ela de relance, e fingi não perceber.
No fim, acabamos tendo que fazer um pequeno teste para entrar no clube. Não foi fácil, mas passamos, eu e Shinsuke, enquanto Aoi se tornou uma assistente. Eu não vira o rapaz alto azulado o resto daquele dia, mas eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, era inevitável que nos encontrássemos novamente – afinal, estávamos na mesma escola.
Os senpais não falavam muito comigo, de inicio. Tudo que eu sabia, até então, era que o rapaz de olhos âmbar era um calouro como eu, que aparentemente vencera o time do clube sozinho em alguma disputa – e também machucou boa parte do time reserva – fazendo com que um grande numero de membros deixassem o futebol da Raimon. Essa era a razão de que ninguém do clube gostava dele. Sempre que tocavam no assunto, eu podia ver uma parcela de ódio e rancor se soltando em cada palavra dita sobre ele.
O chamavam de SEED. Eu não sabia o que era isso até então.
“Seria um apelido?” Pensava, enquanto caminhava para casa, no final da tarde.
Shinsuke e Aoi estavam comigo, mas eu me sentia sozinho. Era um sentimento que eu quase sempre ignorava. A sensação de estar só, perdido, mesmo que você saiba que há pessoas ao seu redor, é como se... elas não fossem o suficiente para preencher o seu vazio. Era isso que eu estava sentido aquela tarde. Havia um buraco em mim, um pedaço curioso, reservado para alguma coisa. Algo que eu ainda não era capaz de saber o que era.
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