Lost

1 Prólogo


Notas iniciais
¹. Essa história não segue cronologicamente os livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, personagens podem estar vivos (ou não), eu apenas uso o universo aqui descrito. ². Para mim, essa fanfic é um tiro no escuro e a representação quase fiel de 'colocar a mão no fogo', pois a escrevi com carinho e realmente só fui pensar na reação dos leitores ao ler a história e o casal depois que eu a terminei. Espero realmente que gostem!

Os atentos olhos azuis observavam com certo tédio as pessoas ao seu redor. Porém, antes daquilo tudo começar a ficar entediante, ele estava fascinado em poder ter um tempo para si, para observar as pessoas ali presentes, enquanto o porta-voz do reino ditava em voz alta as novas leis impostas.

Loki observou com atenção os cavaleiros vestidos com capas brancas. Estavam sempre em guarda, como se a qualquer momento um humano obtuso fosse saltar diante do Trono de Ferro e tentar decapitar o rei que agora sentava nele. Mas ele conseguia ver com facilidade o temor nos olhos daqueles cavaleiros. Sentia o cheiro de medo vindo deles. E sabia exatamente o motivo de estarem assim.

Sorriu discretamente, enquanto continuava observando as pessoas. Conseguia discernir o rancor e a raiva entre elas também, como se a bandeira que cada grupo sustentava fosse motivo de brigas maiores.

Tudo aquilo era uma grande bobagem. Por que a grande rivalidade entre a casa Baratheon e a casa Lannister? Não conseguia entender ao certo o motivo de Stannis Baratheon ter tanta raiva de Joffrey. O garoto loiro é fruto de um incesto. Sim, aquilo poderia até ser grave, mas ele não passava de um garoto mimado que achava ser um bom rei.

Os Lannister possuíam dinheiro e abusavam disso para ganhar o poder e eliminar quem estava no meio do caminho. Uma casa que havia sido vítima dos planos sórdidos de Tywin Lannister fora a casa pela qual Loki tinha mais simpatia, a casa Stark, localizada em Winterfell.

Ele tinha planos para visitar aquele local, ouvira bastante sobre o norte. Sua curiosidade aumentava a cada conversa que tinha com alguns homens da Fortaleza Vermelha, seus relatos parecendo mais interessantes a cada dia. O lugar era frio em toda época do ano, mas no inverno era quase insuportável. Cada filho de Ned Stark possuía um lobo, apesar de, devido à guerra, alguns estivessem mortos ou desaparecidos.

Loki percebeu que o porta-voz acabara de falar e olhava para ele, como se esperasse por mais ordens. Ele acenou brevemente, dispensando-o com a mão. O homem desceu dois degraus e se postou ao lado de Varys, um conselheiro careca que parecia o mais sábio de toda aquela corja.

Levantou-se, sentindo com um prazer inexplicável o peso da coroa de Westeros sobre a cabeça. O lobo enorme que estava ao seu lado levantou-se também, mas permaneceu ao lado do Trono de Ferro, atento a tudo.

Loki percebeu claramente os olhos dos humanos voltados para a criatura e o brilho do medo voltou em cada orbe dali. Pensou em sorrir, mas consideraria até mesmo falta de respeito. Humanos eram tolos e precisavam acreditar que o rei, apesar de ser superior, confiava em seus súditos, a ponto de achá-los tão bons quanto ele.

— Meus caros amigos... – ele começou. — Vejo que nosso porta-voz já deixou bem claro o rumo que Westeros vai tomar em meu reinado. Quero que saibam que venho em busca de paz, paz entre as Casas desse lugar e entre os povos.

Loki parou estrategicamente de falar, esperando alguém contestá-lo. Mas ninguém ousou fazê-lo. Ele voltou a discursar.

— Quero que saibam também que as leis ditas estarão em vigor a partir de hoje... Não sou um rei de muitas palavras, mas creio que já fiz o melhor que pude por vocês nessas semanas que antecederam meu reinado. Espero que sirvam-se do banquete que preparei e se encantem com os músicos que trouxe. Divirtam-se!

Para os camponeses e povos mais simples, aquilo foi o suficiente. Loki estava acostumado a ver Odin e Thor disponibilizarem banquetes e festas para aquietar o povo de Asgard. Pelo visto, aquela estratégia funcionava em Westeros também.

Porém, percebeu com facilidade que aquele tipo de compra não funcionava com os líderes da casa. Stannis Baratheon e Tywin Lannister olhavam para tudo como se aquilo não fosse real. Loki não estava muito preocupado com a opinião dos sujeitos, visto que dera boa terra a todas as casas mais importantes, bem como o ouro, que era chamado de Dragões de Ouro, ou algo assim. Do que eles reclamavam?

Ah... O Trono de Ferro. Aquela coisa horrenda e desconfortável que valia mais do que qualquer riqueza naquele lugar. Quem ocupava aquele trono, podia ditar leis e mandar em todo o continente, do norte ao sul, do oeste ao leste. E no momento, era Loki quem o ocupava.

E não sairia dele tão cedo. Afinal, tinha a eternidade para desfrutar daquele local, não?

Mesmo que os participantes de famílias reais das casas importantes não concordassem com nada no momento, foram se dispersando, deixando o salão mais espaçado e mais quieto, algo extremamente bem-vindo aos olhos de Loki. Aquele lugar era quente e barulhento em demasia.

Seus olhos azuis fitaram as poucas pessoas que permaneceram ali. Alguns falavam em tons baixos, permanecendo nas sombras como se temessem ser vistos por ele, outras conversavam animadamente, olhando de vez em quando para o lobo que permanecia ao lado, aos pés de Loki.

Mas havia uma pessoa ali que chamara a atenção dele por parecer completamente deslocada de tudo e de todos do lugar, um sentimento que ele tivera por centenas de anos, em Asgard. Ela era um pouco alta pelos padrões femininos, mas era longilínea e por isso o vestido escuro que usava chamava a atenção de homens mais espertos e atentos como ele. Azul escuro, uma cor que caía muito bem nela por ter a pele pálida e cabelos vermelhos como fogo, algo que Loki apreciava muito. Seus olhos claros fitavam todos ao seu redor com visível desinteresse, mas ela permanecia calada e quieta em um canto, como se temesse o que as pessoas fariam ao se mexerem.

Seu nome era Sansa Stark.

Loki não sabia muito sobre a garota, salve seu noivado frustrado e cancelado com o garoto mimado de nome Joffrey. Varys podia saber mais dela, pois era conhecido por saber de tudo e todos ali. Loki perguntaria depois sobre ela ao conselheiro, mas agora estava surpreendentemente cansado.

Cansado daquela política idiota de Casas, cansado de ouvir camponeses, cansado de humanos e de todo o teatro que viviam e proporcionavam.

Ele levantou-se do Trono de Ferro, alguns o fitaram brevemente, mas outros continuavam a deixar o salão caminhando rumo ao banquete. Loki gesticulou para o lobo, descendo os degraus e rumando para um corredor que o levaria até seus aposentos.

— Venha, Fenrir. Precisamos descansar.

O lobo imenso levantou-se, seguindo o Deus da Trapaça como se fosse um cão de guarda. E era.

Mas Loki não precisava disso.