Lost
10 9.

Ainda estava de noite. Sansa estava imersa em um sono profundo e sem sonhos, o corpo relaxado ao lado de si, no colchão fofo de penas de ganso. Ele respirou fundo, piscando vagarosamente os olhos. Mesmo que a janela estivesse fechada, o fogo da lareira havia se apagado e o cômodo estava frio.
O Norte era sempre frio, e isso não o incomodava, na verdade, apreciava a sensação de gelo em sua pele. No entanto, Sansa estava encolhida na cama, de vez em quando respirava fundo e buscava se aninhar automaticamente em seu corpo. Ele sentia cada curva da garota colar em si, e isso estava testando seu controle físico.
A vontade era de acordá-la e tomá-la novamente. Por Asgard, ela o deixara um pouco desnorteado, sua inocência misturada perfeitamente ao corpo delicioso... Ele fechou os olhos, respirando fundo. Com cuidado, saiu da cama, deixando-a só. Depois de se vestir corretamente e jogar um manto quente por cima de sua roupa, procurou um cobertor avulso de pele e jogou por cima da garota, que encolheu e respirou fundo novamente.
Loki andou até a porta do quarto, abrindo-a, saindo dali e fechando-a rapidamente, para impedir a corrente de ar de entrar no quarto. Ao avistar Fenrir andando pelo corredor, chamou a criatura com um assovio discreto. O lobo levantou as duas orelhas e andou até o seu mestre, sentando-se em frente a ele.
— Cuide da porta, não deixe ninguém entrar. Quero que ela descanse até a hora que quiser. – ditou o comando e a besta apenas deitou-se em frente à porta, descansando a cabeça peluda nas patas gigantes e dando um longo suspiro de cansaço. Os bigodes ainda estavam com resquícios de sangue de sua caçada. Alimentado e exausto, Fenrir descansaria por ali até que a noiva de seu mestre resolvesse sair pela porta.
Loki rumou para a torre onde se encontravam os documentos que ditavam as leis do Norte. Com sorte, poderia lê-los até o amanhecer.
[...]
Sansa acordou preguiçosamente. Abriu os olhos, observando que o sol ainda não havia nascido. Pouca claridade entrava pela cortina pesada do quarto. Ela piscou os olhos vagarosamente, seu braço correndo para o lado e buscando o corpo dele, que não estava ali. Um colchão vazio foi o que ela encontrara no dia seguinte à sua primeira vez, mas não se incomodou muito com aquilo. Claro que sentira falta do calor do corpo dele no mesmo segundo, mas sabia que agora era casada com um rei, e reis nunca descansavam a noite inteira.
Casada. Aquela palavra pairou em sua mente por breves minutos, até que decidiu que, se o rei não poderia descansar, a rainha tinha o total direito de repousar do dia e noite exaustivos que tivera anteriormente. Sorriu, fechando os olhos e puxando novamente o cobertor de peles para si, que não estava lá quando eles dormiram, logo após a noite de amor.
Caiu na inconsciência rapidamente.
[...]
Os nortistas não eram tão diferentes dos outros povos que um dia Loki conhecera. Suas leis eram sólidas e simples, e apenas em alguns aspectos diferenciavam das leis impostas pelo Trono de Ferro. Aquilo tirou um peso bastante significativo de seus ombros, mas logo ele percebeu que teria que tomar decisões importantes. Ficaria no norte para comandar aquele pedaço de terra ou voltaria para a Fortaleza Vermelha? Ele era o rei dos Sete Reinos, e agora do Norte também, visto que seu casamento com Sansa Stark, agora Sansa Laufeyson, estava consumado. Mas qual seria a decisão mais inteligente? Loki sabia que, para ter controle de todos ali, teria que voltar o mais cedo possível para a Fortaleza Vermelha. Mas ao passar o tempo que passou nas terras que agora estava, percebeu que ali se sentia mais à vontade com tudo.
Claro que o Trono de Ferro seria ocupado por alguém de sua confiança, com punhos firmes para dar continuidade ao seu trabalho e um toque de submissão para ouvir ordens do verdadeiro rei. Mas ficaria mesmo ali? Naquele lugar, habitado por muitas pessoas, mas afastado do restante dos outros reinos, teria menos visibilidade e influência. Contudo, conseguiria Sansa ficar e exercer o papel de rainha, sem ele ao lado?
Havia ainda uma pergunta estranha, que pairava em sua mente e lhe deixava confuso, porque até então nunca pensara nessa possibilidade, e achava que pensar naquilo era tolice.
Conseguiria ele ficar longe da ruiva os anos necessários para colocar tudo em ordem?
Ela é uma humana – pensou consigo mesmo. Cada ano para ela era importante, e para ele, apenas uma pequena e ínfima parcela de sua vida. Mas Sansa envelheceria rápido, ele precisava fazer nela um herdeiro, ou nada daquilo valeria a pena. Contudo, quando a criança nascesse, seria humana ou deus? Ou Jotun? Ele não queria pensar naquilo. Ao lembrar-se de sua real identidade, uma fúria se apossou de seu corpo e ele jogou o tinteiro na parede, fazendo-o quebrar em pequenos pedaços, cortando o silêncio da sala de estudos. Permaneceu ali, respirando fundo por longos momentos até se acalmar. Demorou a perceber que alguém batia na porta.
— Entre. – ordenou de modo altivo.
Duas pessoas entraram na sala vagarosamente, como se tivessem escutado o ataque de raiva do rei e agora temessem que tal ataque se voltasse para eles. Ao perceber que Loki não faria nada, a aia que estava com uma bandeja em mãos, depositou-a na mesa ao lado, onde continha o desjejum completo de um rei. O outro era o oficial de seu exército, e esperou que a mulher saísse do cômodo para sentar-se em uma poltrona em frente ao seu rei, colocando vários pergaminhos enrolados na mesa.
Loki olhou-o com as sobrancelhas arqueadas, caminhando para a bandeja e pegando uma maçã. Não gostava de comer muito, pois a comida deixava seu raciocínio lento, e pela quantidade de pergaminhos que havia ali, precisaria de seu cérebro trabalhando o mais rápido possível.
— Posso saber o que é isso? – perguntou ao homem.
— Sim, Vossa Graça. – ele respondeu. — Temos relatórios de movimentos Lannisters por todos os reinos. Não estão parados e nem acuados, como achávamos.
Loki achou aquilo no mínimo cômico. Sabia que os Lannisters não estariam tão acuados. Tywin Lannister era um homem de personalidade forte, possuía uma filha com um orgulho do tamanho de Westeros e um neto com a burrice do tamanho de Braavos. Eles nunca deixariam que Loki, herdeiro ilegítimo do Trono de Ferro, ficasse sentado ali, dando ordens que eles deveriam dar.
Ele gesticulou com as mãos e o homem lhe deu o primeiro pergaminho. Loki o abriu, os olhos azuis e astutos correndo rapidamente pelas letras. A testa foi franzindo aos poucos, a expressão se fechando.
— Estão próximos... – concluiu, contrariado. — Muito próximos... O que pretendem fazer tão perto do norte?
— Ainda não sabemos, Vossa Graça. – o oficial respondeu. — Os Lannisters têm influência em todos os reinos... Talvez queiram abranger a influência para o norte. – Ao ver as sobrancelhas arqueadas do rei, acrescentou. — Às vezes procuram pessoas que são contra a sua tomada de poder... Contra o casamento com Lady Sansa.
Aquilo o deixou no mínimo irritado. Ele dispensou o homem, que fez uma cortesia e saiu do cômodo, deixando-o só. Teria que pensar nessa nova informação. Ao ver que estava sozinho, Loki respirou fundo, andando até a bandeja e colocando a maçã pela metade ali, decidindo tomar água ao invés de vinho. O segundo poderia deixar sua mente lenta, e ele não queria isso.
Precisava pensar e tomar decisões. Com os Lannisters tão perto, o apoio que ele tinha dos nortistas poderia estar ameaçado. Precisava arranjar um jeito para concretizar seu poderio ali e Lady Sansa faria parte desse plano, pois precisava do apoio da garota. Mesmo que se sentisse tolo em depender de uma mulher, sabia que ela era a única Stark viva, e herdeira do trono que ele ocupava. Mas, se os leões estavam tão próximos, qual seria seu real alvo? O rei? O apoio dos nortistas? Ou pior, Lady Sansa?
[...]
Sansa acordou, sentindo-se meio zonza pelas horas dormidas em demasia. Espreguiçou-se na cama, sentindo seu corpo um pouco dolorido. Fazia frio, como toda manhã em Winterfell. Arrepiou-se e procurou seu manto pelo quarto, observando as roupas que casara na noite anterior jogadas de qualquer maneira no chão de pedra. Corou ante os pensamentos, mas decidiu ignorar a vergonha alheia e levantar-se para andar pelo castelo pela primeira vez, como rainha daquele lugar. Ao retirar o cobertor, contudo, quase desmaiou. Sabia que sangrava, mas não estava preparada para a grande mancha escura que estava em seu colchão.
Um grito a tirou de seu estado de medo e horror. Sansa saiu da cama, jogando rapidamente a camisola no corpo nu e ignorando o frio que se apoderou de seu corpo quando saiu do aconchego dos cobertores quentes. Ao abrir a porta e sair do quarto para procurar a origem do grito horrendo, tropeçou no que imaginava ser um amontoado de roupas, até ver que estava aos pés de Fenrir, o lobo gigante do seu atual marido. O animal olhava para a aia com atenção, mas parecia calmo. Contudo, o grito da mulher tinha o assustado, e agora ele mostrava minimamente os dentes, o que já era o suficiente para causa pânico em qualquer pessoa.
— Fenrir! – Sansa exclamou, não acreditando em sua ousadia. — FENRIR!
O lobo a olhou com atenção. Então aconteceu. A ligação que aquela besta tinha com o rei parecia ter sido transportada para Sansa e, de alguma maneira, ela sabia que Fenrir estava ali para guardar o seu sono, e que havia se assustado quando a aia tentara entrar no quarto. Os olhos negros do animal a olhavam com atenção, mas ele parecia esperar uma palavra dela.
— Deixe-a entrar, eu preciso dos serviços dela... – disse de forma calma, como se estivesse falando com um filhote de cachorro. — Eu... Vá procurar Loki. Quero ver meu marido.
O lobo guardou os dentes e espreguiçou-se, trotando pelos corredores do castelo. A mulher, pálida como a neve, tremia, fazendo todas as roupas que estavam em seus braços balançarem perigosamente.
— Co-como você fez isso? – a aia perguntou, entrando no quarto para trocar os lençóis e preparar o banho de sua rainha.
— Eu não faço ideia. – Sansa confessou. — Eu apenas fiz.
[...]
Loki estava no pátio, observando os garotos mais jovens começarem a aprender a arte da luta. O campo para aprendizagem era grande e bem equipado. Ele poderia adicionar mais armas ali, mas sabia que os homens estavam fazendo um bom trabalho ao ensinar os garotos a manejarem uma espada. Respirou fundo, pensando que teria de iniciar as aulas com Sansa o mais rápido possível. Quanto mais pensava na proximidade dos Lannisters, e no modo como a garota era praticamente obtusa em relação ao estudo e manejo de uma arma, ficava mais ansioso e inseguro. E isso não era bom.
Uma fungada em sua cintura o fez sair de seus pensamentos e virar-se. Fitou Fenrir, sorrindo para o animal e colocando a mão em seus pelos, correndo os dedos esguios ali vagarosamente. Fenrir aguentaria o frio mais intenso com aquela pelagem.
— O que está fazendo aqui, Fenrir? – perguntou. — Sansa já acordou?
O lobo deu uma cheirada nos pés do seu dono e emitiu um som gutural, cavando um pouco a terra fresca com a unha grande. Loki revirou os olhos.
— No meu primeiro dia oficial como rei, ela quer me ver? Tenho inúmeras coisas para fazer, Fenrir! – sussurrou. Depois respirou fundo e olhou para o animal novamente. — Tudo bem, irei daqui alguns minutos... Vá caçar. Precisa se alimentar para o que está por vir, e eu preciso conversar com minha esposa sobre isso. – Ao ver o olhar questionador do lobo, acrescentou. — Tempos escuros virão, você terá muita carne para devorar, e poderá usar incansavelmente seus dentes.
O animal rosnou ao ver o sorriso malicioso do dono. Fenrir era uma extensão de Loki, parte da alma dele, e a maldade estava incrustada em cada pedaço do lobo, bem como no corpo de seu dono. Porém, Loki tinha algumas qualidades, qualidades difíceis de enxergar e conhecer, pois as escondia para que ninguém pudesse descobri-las. Uma delas, era a preocupação com quem amava verdadeiramente.
Ao ver Fenrir sair pelo pátio, caminhando até o portão principal e em minutos rumando para a floresta, suspirou. Veria Sansa assim que soubesse qual seria o próximo passo a dar. Afinal, precisaria dela para isso.
[...]
— Eu não sei, Vossa Graça. – a aia disse a Sansa. — Já recolhi muitos lençóis de virgens na vida, e nunca vi um assim.
Ela apontou para o lençol onde Lady Sansa havia dormido. O sangue que escorrera para o tecido, indicando a perda de sua virgindade, era comum para toda mulher que deixara de ser donzela. Todavia, a mancha que se instalara no lençol da rainha estava maior do que o normal, e o sangue parecia mais escuro.
— Você sentiu alguma dor? – a aia perguntou.
— Sim... Durante o ato. – Sansa respondeu um pouco envergonhada.
A aia apenas sorriu de forma calma, porém, Sansa percebeu certa atitude nos olhos da mulher, como se agora ela não fosse uma pessoa que viera ali preparar o banho, mas que estava fazendo perguntas, para que tivesse a certeza de que sua rainha não estava adoentada.
— Não digo durante o ato... Todas as mulheres sentem dor nas primeiras vezes. Digo, depois… Você sentiu dor durante a noite?
Sansa pensou com cuidado e depois negou com a cabeça. Não, não sentira. Na verdade, nunca havia dormido tão bem, a sensação de satisfação física, combinada ao aconchego do corpo de seu marido ao lado, dera-lhe as horas mais tranquilas e pesadas de sono experimentada em meses. A aia voltou a sorrir.
— Então acho que não precisa se preocupar. Vou retirar isso e, se me permitir, chamar alguém para trocar o colchão. – Olhou para a mancha escura no lençol. — O sangue deve ter sujado as penas.
A aia começou a retirar o lençol, mas Sansa sentiu-se inquieta com algo. Pegou no braço gorducho da mulher, olhando-a com atenção.
— Por favor... Prometa que não dirá nada a meu marido.
— O que a mulher poderia esconder do rei, Lady Sansa? – A voz de Loki ecoou pelo cômodo e ambas as mulheres sobressaltaram. — Como ousa pedir isso a uma criada?
A aia enrolou o lençol e o apertou no corpo, fazendo uma pequena mesura e deixando o rosto abaixado para fitar o chão.
— Vossa Graça. – a mulher disse. — Fui mandada para preparar o banho de Lady Sansa.
Loki analisou a mulher, percebendo que ela segurava o lençol com uma força incomum. Apontou para o tecido branco.
— O que está entre seus braços? – perguntou.
— Isso? Oh! E o lençol... Da cama...
— Coberto de sangue. – Sansa disse com timidez. — Espero que deixe a criada cuidar da higiene de nossa cama, Vossa Graça.
Os olhos azuis de Sansa fitaram com tensão os olhos do marido, mas Loki semicerrou-os. Ela estava mentindo. Conseguia distinguir a mentira nas orbes claras e no tom das palavras da garota. Conseguia até mesmo farejar a mentira.
Ele se aproximou, olhando para a aia, que esperava a primeira palavra do rei. Seus olhos correram pela cama, e ele percebeu ali uma pequena mancha clara.
— O que realmente está acontecendo aqui?
Ao ver que Loki não sairia dali sem ter a verdade, Sansa respirou fundo e explicou o sangue anormal no lençol, dizendo que se preocupara de forma tola com isso, mas que a aia dissera que não havia nada de incomum e não tinha motivos para preocupações superficiais. Estava pedindo para que a criada não contasse para ele sobre isso para não preocupá-lo com assuntos tolos.
— Tolos? – Loki perguntou. — Estamos discutindo aqui a saúde da minha esposa. – Seus olhos faiscaram e ele voltou-os para a aia. — Sua opinião é pessoal, ou você tem habilidades de curandeirismo? Achei que a Cidadela não aceitava mulheres...
A aia abaixou a cabeça, sentindo-se pisada de alguma forma.
— Não aceitam, Vossa Graça. Minha opinião foi pessoal, mas se achar melhor para sua esposa e rainha, posso procurar um meistre para ajudá-la. – Levantou a cabeça. — Contudo, há uma pessoa no norte que possui mais habilidade com o corpo feminino que qualquer meistre da Cidadela.
Loki ponderou suas duas opções. Não confiava na Cidadela, sabia que os princípios que utilizavam ali para tornar humanos conselheiros eram no mínimo idiotas. Preferia alguém com poder curativo adquirido por experiência. Ele olhou para a aia.
— Prepare o banho da minha esposa e depois mande uma carta para essa pessoa que me disse. Quero-a aqui em poucos dias.
A aia fez uma reverência e saiu, carregando os lençóis. Voltaria mais tarde com água quente e novas aias para trocar o colchão. Ao fechar a porta, Sansa olhou para Loki com certa raiva.
— Você precisava tratá-la assim? – Ao ver o olhar de Loki sobre si, baixou o tom de voz. — Ela só quis ajudar...
— Eu sei. – Ele gesticulou com as mãos de forma impaciente. — Mas nos tempos em que estamos, não podemos confiar em todos.
Sansa teria ficado calada, mas a última frase a deixou no mínimo curiosa. Ao ver a expressão no rosto da ruiva, ele respirou fundo e andou até a cama, sentando-se na parte do colchão onde não estava manchado.
— Precisamos conversar, Lady Sansa. – ele disse de forma calma e direta. — Há quanto tempo não tem notícias dos Lannisters?
[...]
Loki não era o tipo de pessoa que compartilhava pensamentos e preocupações, e nunca havia pensado em compartilhar justamente com a garota que agora era sua esposa. Mas precisava disso. Ao ler os pergaminhos que seu oficial havia lhe entregado na parte da manhã, passara boas horas pensando em qual caminho iria tomar e qual decisão seria a mais prudente, concluindo que o plano arquitetado daria certo, mas para isso precisava do apoio completo de Sansa. Respirou fundo quando terminou de falar, dando todas as informações a ela.
Sansa, que estava dentro de uma tina de água quente, estremeceu.
— Você acha que os Lannisters teriam coragem de atacar o Norte? – ela perguntou.
— Não só acho, tenho certeza. Mas acho que coragem não seria a palavra certa, ousadia, sim. Os leões são covardes. Preciso estudar ataques Lannisters na história de Westeros, mas pelo que andei pesquisando, não creio que invistam em um ataque direto ao Norte, Sansa.
Ela continuou ali, na banheira. Loki percebeu seu rosto tomar uma expressão de preocupação e tristeza, mas havia algo na fisionomia dela que o deixou inquieto: medo. Não gostava de vê-la assim, porque se sentia responsável pela garota, de certa forma. Ele se aproximou da tina de água, colocando a mão espalmada na água e percebendo facilmente que já começava a esfriar. Com magia, deixou a água quente novamente, Sansa percebeu a luz que a mão dele emitia. Engoliu em seco.
— Obrigada... – comentou agradecendo, mas permaneceu quieta, nem mesmo os movimentos da mão dele pela água a faziam mexer os olhos. Loki tocou levemente em sua coxa, fazendo-a finalmente olhá-lo.
— Eu não vou deixar nada acontecer a você, Sansa. Nenhum leão vai tocar em seu corpo. É uma promessa.
Ele correu os olhos pelo corpo dela, sentindo-se tentado a tomá-la ali mesmo, mas o pensamento do sangue em demasia no colchão o fez se conter.
— Por que está me olhando assim, Vossa Graça? – Sansa perguntou, fazendo-o sorrir de forma jocosa. Aquela garota era mais inocente que imaginava.
— Esse, Sansa, é o olhar de um homem desejando sua mulher. Desejo tanto que estou com dor entre as pernas, mas não posso tomá-la até saber o que está acontecendo com seu corpo... O sangue pode ser um alerta, e não quero lhe fazer mal.
Ele se levantou, enxugando a mão no gibão negro e a fitando com diversão quando percebeu o rosto pálido da garota corar devido às palavras.
— Só espero que essa pessoa que irá lhe dar uma posição sobre sua saúde não demore. – Os olhos dele faiscaram. — Ou terei que lhe tomar, quer você queira, ou não.
Sansa queria que ele a tomasse naquele segundo, mas não disse aquele pensamento em voz alta, sentindo-se uma meretriz apenas em pensar nas mãos dele sobre ela, da forma como correram sobre seu corpo na noite anterior. Loki percebeu o desejo nos olhos azuis, mas nada disse.
— Termine o seu banho. Preciso lhe fazer uma proposta.
[...]
Ao deitar-se já de camisola na cama, percebeu que o sol ainda estava forte. Queria sair daquele quarto, mas Loki insistira para que descansasse, pois sentira algumas dores durante o banho e o repouso era o mais adequado, até que a curandeira chegasse. A carta já fora despachada, um oficial entrara no quarto pedindo o selo do rei e fora mandado junto de um cavalo adicional, um dos mais rápidos da corte, a fim de trazer a mulher para Winterfell. O colchão já fora trocado, a sensação de penas de ganso novas era mais do que bem-vinda, e ela suspirou de prazer ao deitar-se. Loki estava sentado ao seu lado, em uma cadeira.
— Sansa, como eu disse minutos atrás, os Lannisters não arriscarão um ataque direto. Acho que estão agindo por um meio mais discreto.
— Qual meio seria esse?
— Acho que estão buscando apoio de nortistas.
Ela ficou incrédula com aquela resposta, mas Loki tratou de deixar clara sua opinião.
— Não estou dizendo que seu povo é traidor, Sansa. Mas seria tolice fechar os olhos para essa possibilidade. Não tenho o apoio total dos nortistas, sempre há aqueles que não concordam com a minha tomada de Winterfell, mesmo com você ao meu lado – ele acrescentou quando a viu abrir a boca para retrucar. — Você é a rainha, Sansa. Por direito. E eu sou seu marido. Invertemos essas posições...
— Mas nós conversamos que seria a decisão mais correta a se tomar. – ela disse. — Não entendo.
Ele se aproximou dela, sentando-se no colchão ao lado da garota. Seus olhos azuis eram indecifráveis.
— Tomamos decisões, mas o povo às vezes não consegue enxergar os reais motivos dessas decisões, Sansa. Porém, quero saber se está disposta a embarcar comigo no plano que tenho. Tenho duas propostas para lhe fazer.
Ela arqueou as sobrancelhas, assentindo de forma tímida. Era sua esposa, e ele seu marido e rei. Mesmo que não concordasse com seus planos, teria que estar ao seu lado, apoiando-o.
— Primeiro, quero levar a ideia das aulas de luta adiante. Você começa assim que a curandeira disser que está com saúde perfeita. Eu serei seu professor. Preciso que esteja apta a se defender, caso necessite. Eu e Fenrir não estaremos ao seu lado sempre...
Ela assentiu, e depois abriu a boca, indignada.
— Sobre Fenrir… Como ousa colocá-lo em minha porta? Eu caí! – ela disse irritada. — Ele quase arrancou a cabeça da aia!
Loki soltou um riso contido.
— Estava pensando apenas no conforto e na privacidade de minha rainha. – Seu olhar transformou-se em algo sombrio. — Fenrir estará sempre guardando sua porta, Sansa. Ele tem ordens para matar assim que alguém toque em você de modo violento.
Ela estremeceu, resignada pela decisão dele. Loki tinha um jeito possessivo de lidar com tudo, e com ela não seria diferente. De qualquer maneira, Sansa estava experimentando tais sentimentos voltados a ela pela primeira vez, e surpreendentemente, estava gostando daquilo tudo.
— Qual a sua outra proposta? – ela perguntou, curiosa.
— Minha outra proposta, Sansa, não é nada de anormal em uma vida de casal... – Ele se aproximou ainda mais dela. — Para que as pessoas nos aceitem integralmente, precisamos dar ao povo um herdeiro.
— Você quer dizer...
— Eu quero dizer que desejo que você tenha um filho meu.
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