Lost
11 10.

A flecha voou tão longe do alvo que Sansa agradeceu mentalmente por praticamente todos os homens que antes estavam ali, agora caminhassem rumo ao castelo para almoçar. Seu rosto ficou quente de vergonha, mas também de raiva. Fazia exatamente três horas que estava ali naquele frio cortante, tentando acertar uma maldita flecha em um alvo consideravelmente perto, e todas pareciam querer contrariá-la, saindo do trajeto que fizera mentalmente antes de soltar a corda do arco.
Uma risada ouvida atrás de si deixou-a ainda mais furiosa. A ruiva virou-se para encarar Loki, que estava parado um pouco atrás, apoiando suas costas largas em uma pilastra com inúmeras marcas de espadas que um dia foram fincadas ali, tirando cada vez mais pedaços da madeira que um dia fora perfeita.
— Sua raiva é quase palpável, Sansa. – ele observou. — Isso está ficando cômico.
Ela jogou o arco no chão, mas a neve do lugar amorteceu a queda, fazendo com que a arma não sofresse com o impacto. Loki olhou para a artilharia com diversão nos olhos, fitando a esposa logo depois. O rosto dela, mesmo com o frio, estava afogueado, como se fosse a qualquer momento pegar uma flecha caída na neve e fincá-la diretamente nos olhos do marido.
— Eu não consigo acertar uma flecha em um alvo com cinco metros de distância! – ela gritou. — Se acontecer uma guerra em Winterfell, serei o alvo mais fácil!
De alguma forma, o modo como ela falara isso deixou Loki inquieto. Ele se desapoiou da pilastra de madeira, andando calmamente em sua direção e olhando-a atento.
— Não seja tola, Sansa. Nunca a deixaria sem proteção... – ele disse em um sussurro, passando a mão delgada sobre o rosto feminino. — De qualquer maneira, é isso que venho tentando lhe dizer desde que estávamos na estrada rumo a Winterfell. – Olhou para os portões da muralha que circulava o castelo, completamente fechados. — Você precisa saber se defender.
Ele se afastou, pegando o arco que ela jogara na neve. Colocou-o novamente nas mãos da garota e pegou uma flecha que estava ali. As pontas não eram tão afiadas como seriam em uma batalha comum, eram flechas para treino e, como Sansa nunca havia usado o arco, ele preferia assim, pois a arma poderia acertar um dos homens que estavam ali, consertando espadas e afiando-as para as próximas aulas de luta. Sansa olhou para o arco como se ele fosse um dragão, mas nada disse.
— Para você saber se defender, precisa, primeiramente, acreditar em si mesma. – ele começou. — Vá para frente do alvo novamente. Irei lhe ensinar.
A garota revirou os olhos, mas ele não viu tal façanha, pois ela estava de costas, caminhando para o alvo. Respirou fundo, pensando o que daria errado agora para que a flecha saísse de perto do alvo. O vento ficaria mais forte? Um dos homens que ainda permaneciam ali espirraria?
Percebeu alguém se aproximando e seu corpo enrijeceu. Loki estava quase colado ao seu corpo e Sansa teve que respirar fundo. Dois dias tinham se passado desde sua lua de mel e ele não a tocara, alegando estar preocupado com sua saúde, dizendo que estava esperando a curandeira. Porém, aquilo não estava fazendo bem para os dois. Cada toque de Loki deixava o corpo dela em eletricidade constante, e quando ele a tinha próxima assim, sentia uma vontade absurda de tomá-la em qualquer lugar, de qualquer jeito, como se ela fosse sua meretriz.
Eles ficaram parados, apenas esperando os dois corpos acostumarem-se à aproximação. Sansa estava tendo sucesso nisso, até sentir a mão esguia contra sua barriga, os dedos espalmados ali. Ele aproximou-se do ouvido dela.
— Respire fundo, Sansa. – sussurrou. — Deixe seu instinto lhe guiar.
— Fica difícil quando você está por perto. – ela falou de modo automático, fazendo-o sorrir.
— Eu sei, para mim não é fácil também. – continuou sussurrando. — Mas concentre-se no treino.
Ele pressionou a barriga dela, subindo levemente a mão.
— Prenda a respiração ao soltar a corda do arco, deixe os olhos abertos e os braços relaxados.
Ele a guiou, e Sansa, como uma boa aluna, fez o que lhe fora mandado. Tentou se concentrar apenas no alvo, seus olhos azuis não piscaram quando ela puxou a corda com a flecha. Prendeu a respiração, deixando os ombros e os braços mais relaxados que das últimas vezes. A corda do arco foi solta, e a flecha voou com uma velocidade significativa, pousando no terceiro círculo do alvo. Sansa sorriu ao ver que finalmente acertara uma flecha, e deu dois pulinhos de satisfação, olhando para Loki, que parecia satisfeito com o resultado. Ela arqueou as sobrancelhas para ele.
— É um bom professor... – ela concluiu. — Acho que nem meu pai conseguiria essa façanha.
Lembrar-se de Ned fez seu peito arder, mas a dor logo abrandou ao ver o sorriso genuíno do marido.
— Posso lhe ensinar muito mais, Sansa. – A malícia voltou à voz dele. — Ainda temos tempo para isso...
Porém, antes que ele pudesse tocá-la nos lábios, um mensageiro corria em sua direção, o rosto afogueado pelo esforço. Loki se aproximou do homem, os olhos atentos a possíveis notícias ruins, mas a que o mensageiro carregava era até mesmo boa. Ele despachou o homem, voltando-se para Sansa.
— A curandeira chegou. Vamos almoçar, Sansa. – Retirou o arco da mão dela, colocando-o em um suporte apropriado. — Quero que a mulher a examine o mais rápido possível.
Sansa fez uma careta.
— Logo agora que eu estava ficando boa?
A risada debochada de Loki deixou-a irritada.
— Boa? Ainda teremos tempo para treinar. De qualquer maneira, você acertou uma flecha em um alvo parado, a cinco metros de distância. – Virou-se para ela, divertido. — Vamos ver como se sairá com alvos que se movem.
[...]
O exame terminou mais rápido do que ela imaginara. Logo a curandeira estava lavando as mãos ossudas e delgadas em uma tigela de madeira com água limpa. Sansa olhou para as mãos da senhora, não acreditando que ela havia enfiado aqueles dedos compridos dentro de si. Já ouvira falar de exames assim, mas achou que se limitavam aos testes feitos em mulheres adúlteras, procurando algum vestígio de infidelidade antes do casamento, ou algum possível rompimento de virgindade. De qualquer maneira, ela não sentiu dor, apenas um leve desconforto.
Loki estava ao lado da cama de Sansa, fora chamado quando a esposa estava devidamente vestida, e parecia esperar as respostas com ansiedade. Olhava para a curandeira de segundo em segundo, mas a idosa parecia estar extremamente calma para alguém que daria uma notícia ruim. Finalmente ela enxugou as mãos em uma toalha limpa que havia ao lado da tina, olhando para o casal. Naquele momento, Loki havia dispensado as aias, querendo privacidade. A velha pigarreou.
— O estado de Lady Sansa é um pouco delicado, mas nada para se preocupar muito. – ela começou. — Eu realmente não sei o motivo do sangramento anormal, mas talvez seja a primeira e última vez que isso ocorra.
— E se eu voltar a sangrar? – Sansa perguntou, fazendo com que a mulher olhasse para Loki e desviasse o olhar para a garota ruiva.
— Terá que cortar as relações com o seu marido. – ela anunciou, voltando a olhar para Loki. — Se não quiser matar sua mulher, Vossa Graça, fique atento a mais sangramentos. O útero dela pode ser delicado, dificultando, assim, a concepção de filhos.
Aquela notícia gelou o sangue de Sansa e Loki percebeu o rosto da garota ficar ainda mais pálido. Temeu que ela fosse desmaiar. A velha, percebendo a reação da ruiva, apenas fez uma reverência, retirando-se do quarto rapidamente, como se quisesse ficar livre dos problemas pessoais de seu rei e rainha, ou como se estivesse fugindo de uma possível fúria da garota, sendo a mensageira da notícia ruim.
Assim que a grande porta se fechou atrás da mulher e a ruiva viu a sombra de Fenrir pela fresta, como se o lobo gigante estivesse do lado de fora guardando o quarto, desabou. O corpo mole sentou-se de qualquer maneira no colchão e as lágrimas correram livremente pelo rosto pálido.
Loki foi ao seu alcance, sentando-se ao lado dela. Contudo, não soube realmente o que falar, apenas deixou-a com suas próprias dores, esperando-a acalmar-se. Sansa não queria chorar do modo como chorava, mas a notícia de que talvez não pudesse ser mãe, e dar um herdeiro para Winterfell, deixou-a abalada de um modo que não sentia desde que soubera da morte de seus parentes.
Depois de algum tempo, quando ela silenciou o pranto, acalmando-se, Loki pousou a mão em sua perna, olhando-a com atenção.
— Sansa...
— Não poderei dar um herdeiro para a terra do meu pai. – ela o interrompeu. — Não poderei lhe dar um herdeiro... Nunca serei mãe.
— Sansa, a velha não pode prever o futuro. Disse que é uma possibilidade, você está se preocupando sem motivos.
Ela calou-se, pensando melhor. Às vezes os deuses seriam bons e curariam o seu delicado ventre, e poderia conceber uma criança. Respirou fundo, tentando recuperar um pouco da calma perdida. Seus olhos azuis fitaram a mão esguia do marido, pousada em sua perna. Os dedos mexeram-se brevemente e ele apertou levemente a carne ali. Sansa desviou os olhos da mão esguia, fitando-o diretamente.
Os olhos azuis dele possuíam um brilho incomum naquele momento, parecia extremamente calmo, contrastando drasticamente com o modo como ela se sentia. Porém, aquela calma estranha dele estava fazendo efeito no corpo dela, e Sansa sentiu-se relaxar à medida que o tempo se passava. Ao perceber isso, Loki sorriu levemente.
— O único modo de saber se você terá um herdeiro, é tentando fazê-lo.
Ela o olhou incrédula. Estava se preocupando com sua incapacidade, e ele pensando naquilo? Não conseguiu acreditar, mas ele parecia estar falando sério.
— Vamos tentar, tudo bem? Se eu te machucar... Você me diz... Mas preciso de você, Sansa. – ele confessou. — Sinto um desejo anormal por você, e estou querendo tocá-la mais intimamente desde que encostei em você no treino de arco.
Ela engoliu em seco, Loki falava tudo tão... Abertamente. Sempre a deixava sem respostas, mas Sansa não precisava delas, nem mesmo de palavras naquele momento. Ele a conduziu através dos toques, deixou-a trêmula e com uma sensação de leveza, quando a empurrou delicadamente para o colchão da cama, fazendo-a deitar-se ali. Suas roupas foram tiradas também com delicadeza, a suavidade dos panos correndo pela pele arrepiada e sendo depositadas no chão de qualquer maneira. Ele retirou a própria vestimenta e ela pegou-se o observando da mesma maneira como fizera na primeira noite. Loki era tão belo...
O moreno foi mais direto naquele momento. Não tocou entre suas pernas com a língua, apenas roçou os lábios finos nos seios delicados e pequenos, mas perfeitos. Sugou-os com prazer e luxúria, até deixá-la gemendo e contorcendo-se debaixo de si, como uma felina. Seus lábios experimentaram cada pedaço de pele feminina, e mesmo que o contato não fosse tão íntimo como o das outras noites, Sansa sentiu-se arrepiar, cada músculo desejando aquele corpo forte e nu que estava por cima de si, cada parte do seu corpo ansiar por cada toque que ele dava em cada parte. Ele passou o dedo levemente pela entrada dela, espalhando sua umidade por ali. Estava pronta... Tão pronta que Loki sentiu-se ainda mais excitado quando ela gemeu ao senti-lo tocá-la ali.
Ao colocar o membro, ele sentiu a tensão dela, mas olhou-a de um modo que fez com que ela relaxasse por completo. De alguma maneira, sentia que ele estava lhe dizendo que estava ali ao lado dela, sempre estaria, ela concebendo um filho ou não, sangrando ou não, sentindo dor ou não.
Penetrou-a vagarosamente, sentindo aquele sexo entumecido e apertado com cada parte do seu membro. Loki fechou os olhos. Sansa era perfeita. Emocionalmente, era tudo o que ele pedira para uma esposa, obediente e submissa. Delicada e forte ao mesmo tempo, pois aguentara muitas tristezas na vida e ainda acreditava na felicidade. Bela... como o pôr do sol em um dia peculiar. Cabelos vermelhos como fogo e lábios rosados como uma flor que desabrocha. A pele pálida como a neve de sua casa natal... Perfeita. Sansa era perfeita.
— Sabe, Sansa... – ele começou a dizer de forma abafada por causa dos movimentos, mesmo que vagarosos, dos corpos. — Para mim, você é um enigma...
Ela não sabia o que responder, o toque estava a deixando sem respostas, e ele parecia até mesmo ofegante igual a ela, parecia forçar-se a falar, ou retrair-se nos movimentos para dizê-lo, o que era uma maldade, julgando que os dois queriam a mesma coisa, mais fricção e contato.
— Consigo lê-la com facilidade, mas sempre pensei em você como uma flor rara no deserto, uma fruta deliciosa em uma árvore já envelhecida. E não consigo entender como a consegui para mim... Como você conseguiu permanecer sem alguém por tanto tempo, em um mundo onde homens são brutais...
Ao ouvir aquilo, o corpo feminino se arrepiou. Loki a desejava e a reverenciava com aquelas palavras, algo que nunca esperaria dele naquele momento tão íntimo, momento que era guiado basicamente por movimentos e toques, e não por palavras.
Mas ele parecia sentir necessidade de falar com ela.
— De onde vim, e em outros reinos, os homens esfaqueariam qualquer um para lhe tocar... Mas você me pertence. Aqui e em qualquer mundo. – Ele aumentou a velocidade do quadril. — Acho que era destinada para mim. Guardada para ser minha.
O membro entrava e saía agora de forma mais brusca e Sansa percebeu que, ao ouvir aquelas palavras, seu corpo agora estava aberto para qualquer movimento dele, bem como um toque mais violento. Não sabia se Loki fizera de propósito para ela se esquecer de que talvez a machucasse novamente, ou se realmente quisera dizer aquilo. A certeza que tinha era que os olhos possuíam sinceridade, e para ela aquilo era o suficiente.
Tão suficiente que sentiu seu corpo ser percorrido pelo arrepio peculiar do prazer carnal completo, seus músculos se retesando de forma automática e suas costas arqueando-se em direção ao corpo forte. As unhas fincaram-se nos ombros largos e ele mostrou os dentes ao senti-las afundar em sua carne, mas nada disse, apenas aumentou o movimento do quadril e buscou seu próprio prazer, derramando sua semente sem se preocupar se aquilo faria nela um filho ou não. No momento, planos de ter herdeiro para conseguir o apoio do norte não valiam de nada. Queria Sansa apenas por querer, por ela ser sua esposa e mulher perfeita. Por ser bela como as estrelas da noite de Asgard. Por ser Sansa Stark.
[...]
Estavam deitados há quase duas horas na cama, apenas sentindo o corpo um do outro. Loki apoiava-se no encosto da cama, que era feito de uma madeira rústica e trabalhada, e ela estava deitada no peito dele, seus dedos acariciando o abdômen de forma aleatória, como se estivesse brincando com a pele e suas nuances de músculos. Não havia sangrado, o que animara ambos, mas caso ela continuasse a tocá-lo ali, Loki teria que tomá-la novamente. A mão estava perigosamente perto de um ponto sensível em seu corpo. Como se ela tivesse lido seu pensamento, retirou-a de súbito, olhando seu próprio dedo e fazendo uma careta.
— O que foi? – ele perguntou.
— O arco... Machuca meus dedos. – Levantou-os para que ele visse, estavam levemente vermelhos. — Vê? Ardem um pouco quando a corda raspa por eles.
Loki pegou a mão dela e tocou levemente os dedos finos com os lábios, beijando-os.
— Não se preocupe. Logo se acostumará.
Ela sorriu e voltou a se aconchegar no peito forte, mas logo ele afastou-a com delicadeza, sentando-se de forma atenta na cama e olhando para a porta.
— O que foi? – foi a vez dela perguntar.
— Fenrir. Está inquieto. – Levantou-se da cama, vestindo com uma rapidez absurda a calça de lã escura. — Alguém se aproxima da porta.
Ele começou a colocar a roupa rapidamente e antes que ela pudesse se cobrir com o cobertor, abriu a porta e saiu, fechando-a logo em seguida. Um rosnado baixo indicou que Loki estava certo e havia alguém próximo à porta, mas era apenas um mensageiro do castelo. Sansa saiu nua da cama, caminhando para a porta e prendendo a respiração para tentar escutar.
— Fenrir, quieto. – A voz do marido foi ouvida de forma autoritária e o lobo parou de rosnar.
— Vossa Graça... – Uma voz desconhecida soou pelo corredor. — Preciso que venha comigo para os portões do limite do castelo agora.
— O que houve?
— Um Lannister... foi avistado. Ele diz que seu nome é Tyrion Lannister, e que deseja falar com o senhor.
[...]
Loki olhava de forma atenta o anão que estava a sua frente. O que aquele pequeno homem havia lhe falado poderia ser de grande utilidade, se fosse real. Por mais que ele soubesse ler expressões faciais e detectar mentiras em lábios traiçoeiros, não poderia confiar em alguém da casa inimiga. Tyrion, mesmo que tivesse passado no teste de observação do rei, poderia estar falando mentiras para desviar sua atenção das reais intenções dos Lannisters.
Estavam calados. Ambos. O anão estava sentado em um banco baixo, os olhos meio tortos pousados em uma pedra solta do assoalho. Parecia doente, seu rosto estava encovado e seus cabelos oleosos, a pele tinha uma leve tonalidade pálida, salpicada de um tom esverdeado, o tom peculiar de pessoas que viajaram longas distâncias com frio e fome. Acostumado a ter sempre ao seu lado mesas fartas e comidas da melhor qualidade, ele agora parecia um objeto solto em um lugar indesejado, um inimigo em uma jaula, esperando seu julgamento.
— E como posso confiar em você? – Loki perguntou. — Afinal, você é filho de Tywin Lannister.
O rei esperou a resposta do anão, mas antes que esse pudesse dizer algo, a porta foi aberta subitamente e uma garota de cabelos ruivos e vestida com roupas verdes escuras entrou na sala do trono, sendo acompanhada de um lobo enorme. Tyrion olhou aquilo tudo com fascínio. Na certa aquele animal não era um dos lobos dos Stark – esse era maior, e parecia mais taciturno e letal. Farejava o ar discretamente, como se procurasse o cheiro de traição. Sansa estava mais bela que a aurora em um dia agradável, mas seu rosto, antes triste e com o toque de medo, agora estava descansado, mas mesmo assim parecia sério.
Tyrion, com todo o seu cansaço e dor no corpo, levantou-se do banco e fez uma pequena reverência.
— Lady Sansa. – Olhou-a com a expressão neutra. — É bom revê-la.
— Tyrion.
Um esboço de sorriso tocou os lábios dela, mas logo os olhos azuis se desviaram do anão para o agora marido. Fenrir permaneceu onde estava, entre o casal, como se estivesse esperando alguma ordem.
— Peço que repense as palavras de Tyrion, Vossa Graça. – Sansa começou. — Apesar de Lannister, foi o único na Fortaleza Vermelha que me deu respaldo quando estava cercada de inimigos.
Loki ficou confuso com tudo aquilo. Como Sansa entrara ali? Na certa Fenrir afugentara os guardas que ele havia postado nas grandes portas. Ele queria a palavra a sós com o anão, e não desejava ser incomodado. Mas, infelizmente, sua esposa tinha outros planos. Estava calma, e parecia esperar a resposta dele. Loki franziu o cenho e olhou do anão para Sansa.
— Ajudou minha esposa, Lannister? – ele perguntou. — E posso saber o motivo gratuito da simpatia?
Tyrion olhava para Fenrir com temor, mas logo deu atenção para o rei. Não queria olhar para Sansa, era quase vergonhosa sua situação. Na Fortaleza Vermelha, era cercado de putas e vinho o dia inteiro, tentava fazer o correto quando conseguia, e isso incluía ajudar a ruiva que agora estava ao seu lado. Contudo, mesmo Lannister, era apenas um anão, odiado pelo seu pai e ignorado por todos. O poder de Joffrey estava crescendo, suas manias e mimos também. Mesmo sendo um garoto estúpido, ocupava o Trono de Ferro, e ninguém poderia passar por cima de suas decisões. Talvez seu avô, que estava preocupado demais com outras coisas.
Ele contou isso tudo a Loki e Sansa permaneceu calada até então. Quando o anão terminou, ela deu um passo à frente e olhou com atenção para ambos.
— Tyrion fala a verdade, Vossa Graça. – ela começou. — Mas oculta o principal. Ajudou-me muito a me livrar das garras de Joffrey. Foi Tyrion que me tirou da vergonha de ser desnudada em público, no salão principal.
Ao ouvir isso, Loki levantou a mão para que ela se calasse. Seus olhos azuis estavam com um brilho de ódio assassino e ele crispou os lábios finos.
— Joffrey a desnudou em público? – perguntou.
Sansa assentiu.
— Joffrey sempre me humilhava, Vossa Graça. Como podia. Eu não tinha voz no momento, e ele se aproveitava disso. Tyrion sempre interferia quando podia.
Loki parou para pensar. Na certa aquele anão não era muito contente por ser um Lannister, visto o modo como falou do pai e do sobrinho. Achava a irmã uma puta e odiava todos que mediam sua inteligência pelo alcance do braço com uma espada do que pelo alcance do cérebro com ideias. O moreno conectou-se com esse tipo de coisa no mesmo momento, lembrando-se de como as pessoas achavam livros perda de tempo, quando se tinham o Deus do Trovão como segurança. Meneou a cabeça, tirando seu irmão dos pensamentos. Foco, Loki. Pensou, decidindo dar uma chance. Chamou um dos guardas que havia fugido quando Fenrir se aproximara, e que agora tinha retornado.
— Arrume um quarto para ele. E deem-no comida. Preciso dele para mais informações. – Olhou para Tyrion. — Minha esposa coloca fé em você, Lannister. Espero que você não a decepcione. Vejo você amanhã, quero saber os planos de seu pai.
Com isso, gesticulou para que Sansa o seguisse. A garota olhou para Tyrion uma última vez, como se estivesse pedindo desculpas pelo pouco que conseguira a ele. O anão apenas gesticulou para ela, agradecendo com esse gesto. Fenrir seguiu o casal real para fora do salão, e logo o Lannister estava sozinho, perguntando-se até quando teria que ficar sentado ali, esperando finalmente por um prato de comida.
Estava faminto.
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