Lost
12 11.

– Três semanas depois –
Sansa acordou no seu horário habitual, pela parte da manhã. Descansada, sentou-se no colchão macio, observando o quarto. Já estava claro, mas o sol não conseguia passar diretamente pela neblina, então o cômodo estava frio, indicando que o inverno estava próximo, e que o branco da neve e do frio começaria a ser constante no norte. Ela espreguiçou-se, passando a mão ao seu lado, no colchão, algo que havia se acostumado a fazer.
Ele não estava lá, em verdade, nunca estava. O rei sempre acordava cedo e saía do quarto antes mesmo do sol nascer, deixando-a sozinha para descansar, ainda no escuro. Loki acostumara-se a fazer isso. Mesmo que, depois de alguns dias de casado, ele ainda estivesse na cama quando Sansa acordava, não se demorava muito, e logo saía para resolver assuntos reais.
Depois da chegada de Tyrion, aquilo piorara rapidamente. Agora era praticamente impossível ter a presença dele em seu quarto, quem dirá encontrá-lo no castelo durante o dia. Sempre resolvendo assuntos importantes, ela nunca o via, talvez rapidamente quando se aproximava dela enquanto Sansa tomava o seu chá no jardim, beijando-a no topo da cabeça, como se estivesse pedindo desculpas pela ausência. No fim do dia, Loki chegava ao quarto tarde da noite, e nesse tempo, ela já estava dormindo.
Mas entendia. Não conseguia ficar com raiva dele. Seu marido havia passado horas com o anão nos dias seguintes à sua chegada, e ela se preocupou em demasia. Mas sua preocupação mostrara-se tola. Logo Tyrion ganhou a confiança, mesmo que ínfima, do rei e agora, sempre que chamado, participava de algumas reuniões onde poderia dar opiniões e coordenar o que era melhor, pois Loki não gostava de admitir, mas Tyrion chegara como um trunfo. Alguém com coração e orgulho partidos poderia ser tornar perigoso para os Lannister, e um troféu para a casa inimiga. No caso, a casa de Loki.
Ela se levantou da cama, percebendo pela primeira vez, em cima de uma pequena mesa, uma caixa embrulhada em papel verde escuro. Sentiu-se atraída por aquele objeto, e ao se aproximar, capturou um bilhete pequeno com as mãos. A letra era fina e inclinada, elegante e ao mesmo tempo de aparência forte, formando um pequeno pedido de desculpas.
Sansa,
Desculpe minha ausência nesses últimos dias. Pretendo encontrá-la acordada hoje à noite. Espere por mim antes de cair no sono, querida. Sinto sua falta...
Loki
Aqueles três pontinhos no final do bilhete fizeram com que Sansa se sentisse ansiosa pelo final do dia no mesmo momento, antes mesmo de ele ter sequer começado. Conhecia o seu rei e marido o suficiente para saber o tipo de saudade que tinha. Loki não era romântico como os príncipes e reis dos contos que ela outrora lera, e que um dia acreditara. Era atencioso na medida certa, e presente quando necessário. Seu carinho era demonstrado de outras formas menos corriqueiras e mais peculiares.
Esse pensamento só se confirmou quando ela finalmente rasgou o papel verde escuro e abriu a caixa, pegando o que parecia uma luva prateada.
Demorou a entender o que era. A luva, quando colocada, caía perfeitamente. Sob medida, fora feita para sua pequena e delicada mão, envolvendo-a, mas sem apertá-la, e ao fechar os dedos em forma de punho, o tecido prateado se esticou minimamente. Abaixo dos dedos, onde a corda do arco normalmente raspava, havia couro branco reforçado.
Ela abriu um sorriso sincero e encantador. A luva era para que treinasse o arco sem que reclamasse dos machucados em seus dedos, durante a noite. No punho, onde se fechava, havia as iniciais de seu nome bordadas, em azul escuro.
Empolgada com o presente, logo se trocou e colocou uma roupa mais confortável, pegando rapidamente o seu manto para bloquear o frio, o qual tinha certeza que estava pairando no jardim do castelo. Abriu a porta no mesmo momento em que ela mesma trançava o cabelo de forma despreocupada, pulando Fenrir e andando pelo corredor. Sabia que o lobo não estava dormindo, e que estava alerta no momento em que ela colocara os pés no chão, isso apenas se confirmou quando, em um súbito, o animal se levantou, acompanhando-a.
— Você precisa ir comigo? – Ela olhava para o lobo, e ele devolvia o olhar como se tivesse a escutando. E estava. — Não quer sair para caçar hoje? Deve estar faminto.
O convite era tentador, mas Fenrir não se afastou em nenhum momento. Ela tomou o seu desjejum na companhia dele, empurrando discretamente lascas grandes de presunto defumado. O lobo comeu tudo vorazmente, mas Sansa sabia que o saudável para ele era carne fresca, e a caça. Contudo, também sabia que eram ordens de Loki, o lobo sempre precisaria estar ao seu lado quando ele não estivesse, e já que o marido agora era ausente durante todos os dias, encontrando-a somente de noite, Fenrir era presença constante ao lado da garota, e isso tornava a ligação dos dois ainda mais intensa.
Fenrir sabia o que Sansa estava falando, entendia-a como entendia o dono. Desde a primeira vez em que ela lhe dirigiu a palavra, no dia seguinte fatídico de suas núpcias, ele lhe ouvira. Naquele dia, ela percebeu que conseguia interpretá-lo e conversar com o animal, como fazia com Lady. Pensar em sua loba lhe deixou uma sensação de aperto no coração, como sempre sentia quando pensava nos seus familiares e pessoas queridas, que já se foram daquele mundo, e antes enchiam a vida dela de felicidade.
— Eu já tive uma loba, sabia? – ela perguntou para Fenrir, que estava deitado, mas levantou os olhos ferinos para observá-la. — Era inteligente e corajosa, mas menor que você.
Sansa levantou da mesa e pegou suas luvas, enfiando-as na pequena bolsa que levava quando ia treinar. Ali também guardava alguns pãezinhos, caso sentisse fome e não quisesse voltar para o castelo.
— Vamos, Fenrir. Hoje estou animada!
[...]
A flecha voou rapidamente, enfiando no saco de areia, que agora estava tão machucado que precisava ser substituído. O tecido havia rasgado por causa dos acertos, e agora, balançando suavemente de um lado para o outro, a areia escorria pela grama úmida da área de treino.
Ela sorriu satisfeita, vendo que sua mira estava bem melhor depois de um mês. Agora conseguia acertar até mesmo objetos que se moviam, mesmo que a velocidade ainda fosse lenta. A flecha enfiava com mais força, indicando que a velocidade também era maior, e que ela puxava a corda corretamente. As luvas estavam ajudando em demasia, pois agora seus dedos não doíam, mesmo que estivesse ali por horas.
Olhou para o céu. Esse já estava alaranjado, e o frio havia piorado, obrigando-a a jogar a capa no corpo novamente. Mesmo com a temperatura baixa, o rosto dela estava afogueado pelo esforço físico.
Procurou alguém ali, e percebeu um homem a fitando. Achou aquilo no mínimo estranho, mas quando ele se aproximou, percebeu que estava esperando que ela pedisse ajuda. Ele apontou para o saco de areia.
— Quer que eu troque seu alvo, Vossa Graça?
Ela sorriu docemente e assentiu com a cabeça.
— Por favor. Consegue colocar um menor? Quero ver se consigo acertar.
O homem sorriu também, tinha apenas três dentes na boca, sendo um amarelado.
— Está treinando bastante. Vejo-a aqui todos os dias até o horário do jantar. – ele disse. — Ficará excelente em breve.
Ela assentiu, mas algo no olhar daquele homem e no modo como dissera a última frase a deixou inquieta. Como sabia seus horários? Ele se aproximou para trocar o alvo da garota e Fenrir levantou a cabeça de súbito, rosnando em advertência em direção ao homem, que parou, temendo o grande animal.
— Fenrir, pare! Ele só quer ajudar! – Sansa disse, mesmo que não estivesse convicta em suas palavras. — Vamos lanchar enquanto ele troca o alvo.
Ela se afastou do local e sentou-se em um pequeno banco que havia ali, retirando as luvas e abrindo a pequena bolsa. A promessa de alimento fez com que Fenrir se afastasse do homem, mas os olhos do animal ainda estavam cravados nele, e Sansa conseguia escutar o lobo rosnar, mesmo que agora levemente. Ela enfiou os dentes em um pãozinho pequeno e logo retirou o recheio de carne de porco, dando para o animal, que comeu o pequeno pedaço vorazmente. Ela suspirou.
— Vou mandar Loki liberar você essa noite. – ela disse. — Está faminto. Quer caçar?
Ela passou a mão no pelo macio do lobo, coçando a orelha dele. Fenrir fechou os olhos e deu uma lambida discreta nas costas da mão dela, o que foi o suficiente para deixar a pele completamente molhada. Apesar disso, Sansa sorriu.
— Será que o rei irá cedo para cama hoje?
Sansa perguntou, soltando a pergunta no ar de forma baixa, mas o lobo captou sua voz facilmente, e logo deitou aos pés dela para lhe dar apoio. Ela achou aquilo no mínimo fofo, e voltou a comer seu pãozinho, sempre retirando a carne e dando a ele.
Voltaria ao treino mais tarde.
[...]
O banho estava deliciosamente quente. Sansa sabia que era um trabalho bem chato fazer com que esquentassem tinas e tinas de água, apenas para ela ter um momento prazeroso de banho quente e perfumado em uma banheira de prata. Ela respirou fundo, pousando a cabeça no contorno da banheira e olhando para o teto de pedra. As velas deixavam o ambiente mais aconchegante, e a lareira acesa orientava a claridade, melhorando a sensação de conforto.
Fenrir havia ficado do lado de fora do banheiro, mas ela sabia que o lobo estava deitado na porta, vigiando alguém que pudesse entrar. Sansa, apesar do ambiente tranquilo e sereno, estava um pouco perturbada. Suas regras ainda não haviam descido, e o atraso era de praticamente uma semana. Não havia sangrado desde o fatídico dia que perdera sua pureza... Mas não era possível...
Tentou não pensar nisso, a curandeira dissera que talvez tivesse dificuldades para conceber um filho, não queria criar expectativas e depois sentir-se decepcionada. O atraso poderia ocorrer em casos de estresse, e ela estava no mínimo estressada com a chegada de Tyrion e as noites dormidas sozinha. Loki compartilhava de sua cama várias vezes durante a semana, tomando o seu corpo sempre quando sentia necessidade, ou quando queria lhe dar prazer, o que era praticamente todo o momento. Porém, tinha que entender que era casada com um rei, e passar todo o seu tempo trancada com ele dentro de um quarto e saciando desejos físicos era utopia.
Respirou fundo. De qualquer maneira, uma semana havia se passado desde que o tivera daquele modo... E Sansa poderia estar mal acostumada, mas sentia um desejo latente e crescente por aquele homem, como se não estar entrelaçada ao corpo dele a deixasse desprotegida e incompleta. Sentiu seu rosto pegar fogo, e soube no mesmo momento que não era por causa da temperatura da água. Sorriu, um pouco tímida com seus próprios pensamentos.
Mas, por que não? Era mulher agora, e poderia ter desejos desse tipo. Que mal faria?
[...]
Ela estava deitada na cama há horas, segurando um livro de aparência antiga, que contava uma história sobre mulheres que foram para guerra, acompanhando seus maridos. Sansa não lia romances há tempos, por mais que esses fossem seus preferidos pouco tempo atrás, agora só conseguia enxergar tolices nas histórias, e mentiras em cada letra e frase. Respirou fundo, os olhos correndo vagarosamente pelas páginas. A lareira estava acesa e ela se aconchegava mais a cada minuto debaixo do cobertor de peles, fazendo com que seu corpo se aquecesse, algo bem vindo no frio de Winterfell.
Sua leitura foi interrompida quando a porta se abriu e um homem alto entrou por ela, fechando-a e trancando-a logo em seguida. Loki aparentava cansaço, seu rosto, sempre fino, parecia mais encovado, mas ela sabia que aquilo era apenas preocupação com o reino e com seus deveres. Sansa sentiu seu corpo estremecer com a presença dele, mas nada disse, apenas fechou o livro e pousou-o no colo, olhando-o com atenção.
— Como foi seu dia? – ela perguntou.
Loki respirou fundo, esticando-se como um felino para espreguiçar-se. Passou as mãos longas no rosto e deu de ombros.
— Cansativo e cheio de problemas, como sempre. – ele reclamou. — Mas nada com que eu não possa lidar.
Ela sorriu ante as palavras dele.
— Acho que deve liberar Fenrir essa noite… Seu lobo anda muito grudado em mim e há tempos não caça. Deve estar faminto.
Como se fosse pego de surpresa, Loki abriu os olhos e voltou para a porta, abrindo-a e enfiando a cabeça para fora do quarto. Ela escutou apenas um sussurro, e um enorme vulto passando pela fresta pôde ser visto antes que o marido fechasse a porta novamente, trancando-a.
— Esqueci-me de Fenrir por alguns segundos. – Ele caminhou em direção a ela, sentando-se na cama. — Tyrion me deu mais informações durante a semana.
Sansa o questionou sobre isso, sempre com cuidado para não parecer intrometida. Por mais que Loki compartilhasse boa parte de assuntos reais, ela sabia que os mais sérios ele mantinha consigo, não dizendo nada, talvez por achar que não era digna de saber, ou talvez por não preocupá-la, já que ela fazia parte dos assuntos que mais tiravam o sono dele. Naquela noite, Loki estava à vontade para contar tudo sobre sua conversa com Tyrion. Dissera que o anão lhe fora de grande utilidade desde que viera para Winterfell.
Moribundo, estava daquela maneira porque fugira do que ele chamara ser uma prisão com confortos. Apesar de não estar realmente por trás das grades, Tyrion era vigiado noite e dia pelos homens de seu pai, pois Tywin Lannister não queria o filho em bordéis e enfiado em confusões. Precisavam ser discretos depois do ocorrido na Fortaleza Vermelha, quando Joffrey perdera o trono para Loki. Tyrion havia fugido com a promessa de nunca mais voltar, e percebera que seu objetivo era o norte assim que rumou pela estrada, mesmo sabendo que as chances de chegar vivo eram praticamente nulas.
“Quero-os mortos. O único que consigo ter algum sentimento naquela corja de falsos é meu irmão, Jaime Lannister.”
Loki dissera as palavras do mesmo modo que Tyrion. Sansa não entendia como uma pessoa podia ter tanto ódio pela família, como alguém poderia querer o próprio sangue morto. Mas seu marido tinha uma opinião completamente inversa à dela, pois vira na aflição de Tyrion um pouco da sua, e lembrou-se da raiva contida que guardava de Odin.
Ele terminou de falar, mas Sansa percebeu no rosto do marido uma preocupação velada, como se as linhas de expressões quisessem desaparecer, mas à medida que o tempo se passava, uma ou outra se deixava ser vista. Ela semicerrou os olhos.
— Tyrion lhe contou algo que está te incomodando?
A pergunta o pegou de surpresa, pois não queria chegar a esse ponto da conversa. Não naquela noite. Queria apenas descansar um pouco a mente e não pensar mais em guerra e brigas mesquinhas de casas daquele lugar, mas Loki percebeu que a garota parecia aflita pela resposta, e entendeu seu sentimento. Ela ficara por dias sozinha, apenas trocando poucas palavras com ele e lhe dando beijos e toques rápidos. Por mais que ele achasse que aquele assunto não era para se compartilhar com a companheira em uma cama, sabia que Sansa tinha direito de ter acesso à verdade. Respirando fundo e começando a retirar suas botas, ele lhe disse o que Tyrion havia lhe contado, o fator principal de seu cansaço.
— O anão me contou os planos do pai. Mesmo que o plano ainda não fosse concreto, o chefe Lannister tem intenções de colocar espiões no norte... – disse, jogando as botas para um canto. — Provavelmente para conseguir informações... Ou para atacar a parte fraca de Winterfell.
Olhou de canto de olho para ela, e Sansa demorou um tempo longo para entender o que ele estava falando. Colocando o livro no criado ao lado, olhou-o quase em desafio.
— Está dizendo que sou a fraqueza de Winterfell?
Loki não respondeu, seus olhos azuis se desviaram da ruiva, e ele começou a retirar sua roupa aos poucos, jogando o gibão no chão perto das botas e ficando apenas com a calça de lã negra.
Sansa não desistiu.
— Então é isso? Eu sou a fraqueza de Winterfell? Dias de preocupações por causa disso? Olha aqui, Loki. – Foi uma das primeiras e únicas vezes que ela o chamou pelo primeiro nome. — Eu não sou tão fraca assim! Estou treinando o arco! E estou boa nisso... Se você tivesse acompanhando tudo, saberia disso. E ainda tem Fenrir, o lobo fica atrás de mim o dia inteiro! Como alguém conseguiria passar por aquele animal? Eu estou farta de pessoas me falarem que sou fraca, e eu vou...
Antes que ela continuasse suas lamentações e extravasasse por completo sua raiva, Loki a calou com um beijo, um beijo extremamente calmo, contrastando de forma absurda com sua impaciência e fúria. Seu corpo retesou diante do toque dele, e ela demorou até demais para amolecer em seus braços, correspondendo ao beijo aos poucos. Depois de algum tempo, ele se afastou, ainda com a garota entre os braços. Olhou-a com atenção, e a ruiva sentiu-se derreter com a intensidade daqueles olhos azuis frios.
— Sansa... Não disse hora nenhuma que você é a fraqueza de Winterfell.
Subitamente, ele se levantou, deixando-a só na cama. Loki andou de um lado para o outro, passando as mãos nos cabelos lisos escuros e pousando uma delas na nuca. Olhou-a novamente.
— Você precisa entender... Quando digo a parte fraca, não estou me referindo a você diretamente...
— Diretamente? – Ela levantou as sobrancelhas.
— Sim... – Ele não sabia como dizer aquilo para ela. — Você é a minha fraqueza, Sansa.
Ele se sentou na cama ao lado dela. Os olhos dela abriram-se um pouco com aquela última frase, não sabia ao certo o que Loki queria dizer com aquilo, mas logo ele tirou o encanto da declaração, acrescentando palavras que apenas um político falaria.
— Preciso de você para ter apoio do Norte e para ter direito à coroa.
Ele se aproximou dela, olhando-a com atenção. Sansa queria acreditar que era a fraqueza dele porque ele nutria reais sentimentos por ela. Sentimentos reais e intensos. Sabia que Loki a respeitava e até gostava dela, mas depois do que havia acabado de ouvir, percebeu que sentia necessidade de algo mais forte, mais palpável.
Ao ver a raiva contida nos traços do rosto da garota, Loki ficou inquieto. Sabia o motivo da raiva, e sabia o que ela realmente queria. Mas infelizmente ainda não poderia dar isso a ela. Com cautela, colocou a mão no queixo delicado, obrigando-a dessa maneira a olhá-lo. Ao perceber que tinha sua atenção, tentou outra abordagem.
— Eu não posso perder você, Sansa. Não agora.
E funcionou. A raiva se dissipou aos poucos e ela voltou à doçura que ele a conhecera, e que no fundo gostava, apesar de não admitir isso a si mesmo. Loki aproximou-se, beijando-a dessa vez sem delicadeza e calma, sentindo a necessidade absurda e o desejo de tocar aquele corpo esguio. As mãos correram pelos braços dela e desceram pelo corpo, até encontrar a barra da camisola de algodão. Retirando-a rapidamente do corpo dela, jogou o pano em cima de suas roupas já no chão.
Foram para os seios, onde ele apertou a carne ali, sentindo-a estremecer ao toque masculino. Ele adorava os seios de Sansa, eram pequenos, mas perfeitos para encaixar em suas mãos, no momento, eles pareciam até mesmo mais cheios, mas ele sabia que era por causa da intensidade do desejo. Tudo aumentava, o anseio para sentir a pele sedosa, a cobiça pela carne, a vontade de penetrá-la sem ao menos deixá-la pronta para ele...
Mas não podia fazer isso, não agora que de certa maneira quebrara os sentimentos da garota. Ele puxou-a para si, obrigando-a com esse gesto a sentar-se em seu colo. Sansa abriu as pernas e sentou-se, pousando as mãos no peito largo e sentindo a excitação do marido através da calça de lã. Respirou fundo para se controlar, mas o sorriso malicioso que ele tinha nos lábios a deixava ainda mais descontrolada.
— Retire minha calça, Sansa. – ele praticamente ordenou.
Sansa nunca havia feito aquilo, normalmente ele que a despia e a colocava na cama, tomando-a ali mesmo, sempre a desejando, tocando-a com os lábios em toda parte... Mas ela nunca ousara tocá-lo, não daquela maneira. Engoliu em seco e decidiu fazer o que Loki mandara. Puxou a calça timidamente para baixo, expondo o membro já excitado. Os olhos azuis fixaram-se ali brevemente, até ela desviá-los para a calça. De alguma forma, a vergonha aumentava quando o fitava assim, tão intimamente.
Depois que ele se livrou da calça e ficou completamente nu, pegou a mão trêmula da garota e direcionou-a para seu membro, olhando-a com objetividade e malícia.
— Toque-me.
Outra ordem. Sansa conseguia discernir com facilidade quando ele pedia algo ou quando mandava algo. A mão dela pegou-o com extrema facilidade e surpreendente desenvoltura, ele começou a fazer os movimentos por ela, mas quando a viu pegar o rumo do modo como queria, deixou a ruiva à vontade para tocá-lo como gostaria. Sansa experimentava pela primeira vez o que ele fizera com ela sempre, dar prazer apenas com a mão, vendo-o fechar a boca e abrir minimamente os lábios finos. Ela sentiu-se extremamente excitada com aquilo, de alguma forma, dar prazer a ele de forma única e até mesmo egoísta, proporcionava um prazer singular.
De repente ele retirou a mão dela em alerta, e ela se assustou. Um sorriso jocoso percorreu os lábios antes entreabertos.
— Vamos com calma, quero seu corpo ainda. – Ele a olhou de cima em baixo. — Quero que você controle os movimentos... Quero vê-la perder o controle de tudo...
Ele gesticulou para que ela se levantasse e se aproximasse, direcionando o membro na entrada feminina. Puxou-a de encontro a si, penetrando-a de uma vez. Sansa mordeu o ombro dele para reprimir um gemido, fazendo soltar uma risada quase maléfica.
— Mova-se, Sansa. – ordenou pela terceira vez. — Do modo como você quiser.
Ela ficou parada por algum tempo, não entendendo de súbito, mas logo seu quadril começou a se mexer, e o membro a tocou daquele modo, um modo que nunca havia tocado. Ela fechou os olhos, pousando novamente as mãos no peito forte e dançando sobre o homem que agora chamava de marido e rei. Loki percebeu que o quadril dela adquiriu velocidade à medida que a penetrava. Sansa mordeu o lábio, estremecendo as pernas, no mesmo momento em que abria a boca e deixava escapar uma arfada de desejo. O corpo pareceu levemente tenso, mas logo se recuperou, e ele percebeu que ela chegara ao seu prazer de uma forma extremamente rápida. Sorriu com essa nova informação, mas logo inverteu a posição, ficando por cima dela. Olhou-a com intensidade absurda, antes de começar a mexer o seu quadril.
A boca dele se abriu minimamente, deixando escapar uma frase em um idioma que Sansa nunca ouvira em boca de nenhuma pessoa. Algo desconhecido até mesmo para aquele mundo, provavelmente o idioma nativo de seu povo ou de onde viera? Não se importou, as palavras tinham beleza e uma entonação que aludia a desejo e sentimento, como se ele estivesse a agradecendo por tudo, de alguma forma. Fechou os olhos, abraçando-o no processo. Foi quando sentiu o corpo dele travar-se ao seu, ele despejou-se dentro dela e logo desabou, beijando o vale dos seios da garota, e mordiscando de leve o colo pálido.
— Estava com saudade de você, Lady Sansa. – O sorriso malicioso voltara. — Sempre estarei, desconfio.
[...]
— Eu achei que você não me deixaria tocá-la essa noite.
Loki deixou no ar, enquanto passava delicadamente os dedos longos pelos cabelos cor de fogo. Sansa franziu o cenho.
— Por quê?
Ele riu diante à pergunta dela, mas respondeu com bom humor.
— Eu nunca a vi furiosa daquela maneira... Você simplesmente mudou. Até mesmo o seu rosto estava diferente... Parecia com Fenrir, prestes a atacar alguém.
Ela pegou aquela informação de surpresa, digerindo-a e juntando com as outras que estavam em sua mente o dia inteiro. Não podia ser... Mas tudo indicava que sim. Sansa sentia seu corpo mais cheio, bem como seus seios... E poderia jurar aos deuses que Loki sentira a diferença também. Sua mudança de humor estava constante e rápida, recusara os bolinhos de maçã que a aia servira depois do jantar. Respirou fundo, não sabia como dizer isso a ele sem deixá-lo louco e até mesmo confuso. Ele provavelmente se sentiria assim, como ela se sentia.
— Loki...
— Diga, minha ruiva.
Sansa engoliu em seco e olhou para um ponto fixo do dossel escuro da cama.
— Eu... eu acho que estou grávida.
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