Lost
13 12.

Ela abriu os olhos, sentindo o ar gelado bater em seu corpo. Percebeu depois de algum tempo que a janela estava aberta, as cortinas voavam ameaçadoramente para dentro do cômodo. Percebeu, também, que seu marido não estava mais ao seu lado na cama, como de costume, e sim em frente à janela, que ela agora entendia que ele mesmo abrira. A luz das estrelas salpicava a pele pálida dele, o peito forte movimentando-se calmamente enquanto ele respirava. Apesar dos olhos azuis estarem focados no céu escuro e sua mente parecer divagar em um assunto importante, Sansa sabia que ele estava longe de estar distraído.
— Loki?
Como o esperado, o rei saiu de seus próprios pensamentos com uma rapidez felina, os olhos azuis fitando-a com atenção.
— O que foi? – ele perguntou. — Está sentindo algo? Quer que eu chame a aia?
Ela sorriu diante da preocupação tola e remexeu-se na cama, sentindo o meio de suas pernas levemente dolorido, por causa das últimas horas que Loki passara ali.
— Não é nada... Mas... está tarde, Loki. Venha para a cama... – Ela tocou gentilmente o colchão. — Disse que tiraria a noite para ficar comigo e descansar, não?
Ele respirou fundo, passando as mãos no rosto. Sansa percebeu os ombros tensos, bem como a postura exausta. Saiu da cama rapidamente, mas ele não viu aquilo, ainda estava de olhos fechados quando ela se aproximou, abraçando-o por trás e pousando o rosto nas costas largas.
— O que você tem? – ela perguntou, e ao encarar o silêncio dele, sentiu um buraco abrir em seu peito. — Foi... foi a notícia que lhe dei?
Ao ouvir a pergunta, Loki gelou, e Sansa percebeu de imediato o corpo dele ficar rígido. Sentiu que era a hora de se afastar, mas quando seus braços caíram para abandonar o corpo dele, Loki voltou a pegar os pulsos dela, obrigando-a a abraçá-lo novamente. Respirou fundo.
— Sim... E não. – respondeu.
Dessa vez foi ela que ficou em silêncio, pousando o rosto nas costas dele e beijando-o levemente ali, incitando-o a continuar. Loki não queria continuar. Ao escutar a notícia que possivelmente seria pai, seu coração parou por um segundo e logo voltou a bater, bombeando sangue rapidamente por todo seu corpo. Virou-se para ela, tentando passar tudo o que estava sentindo através do olhar, mas Sansa queria mais, ela precisava das palavras dele naquele momento, como se a fala fosse algo mais concreto na situação em que estavam.
— E se for verdade? Digo... E se você realmente estiver grávida?
Sansa uniu as sobrancelhas.
— Achei que era o que queria de mim.
Ela não entendeu de imediato a reação precipitada de Loki. Por todo o tempo em que estiveram casados, ele deixara bem claro que, para ter apoio completo do Norte, Sansa teria que dá-lo um herdeiro. Não queria admitir, mas sempre se sentia usada quando ele falava isso, apesar de saber que Loki era um homem político e que estava com um peso nas costas, quando era garota, desejava realmente que quando um homem lhe pedisse um filho, seria pelo desejo primário de gerar uma criança por amor à vida e ao casamento, aos laços sentimentais, e não para usar como desculpa para conquistar território.
E agora, quando ela finalmente dá a notícia que ele esperava desde que pedira um filho, ele estava daquele modo.
Loki conseguia perceber com facilidade a dor na expressão do rosto da garota, como se estivesse machucada com algo, mas acuada demais para demonstrar isso de forma verbal. Contudo, ele lia rostos facilmente, e Sansa estava chateada pela indagação que ele deixara no ar. Na certa, estava pensando que ele não queria a criança...
Já estava na hora de Loki se abdicar de sua proteção própria e dizer algo para acalmar o coração daquela garota. De abrir-se com ela, esquecer-se um pouco suas próprias feridas, para tentar curar as da esposa; de confiar em alguém depois de tanto tempo, depois que perdera Frigga...
Engoliu em seco, tomando coragem por alguns segundos para dizer o que diria no momento.
— Sansa... Não fique chateada... Eu não quis dizer o que disse. Eu quero esse filho. – Ele respirou fundo. — Provavelmente até mais que você.
Ela permaneceu calada, mas as linhas que compunham sua expressão se desanuviaram um pouco, e ele percebeu isso. Achou que era um incentivo para continuar. Pegou as mãos delicadas, apertando-as com as suas fortes.
— Preciso lhe dizer algo... – Ele remexeu-se, incomodado com aquilo tudo. — Sei que vai soar falso e até mesmo forçado. Mas eu menti quando disse o motivo de você ser a parte fraca de Winterfell... Digo...
Ele respirou fundo, afastando-se e começando a andar de um lado para o outro. A janela permanecia aberta e o vento gelado encontrava as costas de Sansa, deixando a pele gelada, mas estava tão concentrada no marido, que não percebeu isso. Logo ele a fitou novamente, como se quisesse terminar aquilo tudo.
— Eu menti, Sansa. Mas agora quero lhe dizer o motivo… Sou uma pessoa que demora a confiar em outra. Isso quando acontece... – Aproximou-se dela. — E confio em você para lhe dizer isso. Você é a parte mais fraca de Winterfell porque representa a minha fraqueza, e não apenas porque você irá me dar um herdeiro. – Os olhos dele foram até o ventre dela, como se pudesse ver seu filho sendo gerado ali. — Você representa minha fraqueza porque... Eu gosto de você a ponto de ficar cego quando está envolvida em algo. – disse em um só fôlego.
Rapidamente percebeu a palidez dela se acentuar um pouco, para logo ser substituída por um leve rubor. Os olhos, que antes tinham uma carga suavemente triste, agora possuíam um brilho incomum de satisfação, como se o que ele lhe dissera fosse um presente pelo dia de seu nome.
— Me preocupo com você, minha ruiva. Penso que se um dia você envolver-se diretamente com essa política louca e violenta que está entranhada nesse mundo... – ele pausou, como se quisesse medir palavras. E queria, pois não podia falar muito. — Não conseguiria vê-la machucada. Apenas a ideia me deixa enlouquecido...
Ele esperou perguntas, esperou um dedo apontado para seu rosto e até mesmo a exigência da verdade, pois aquelas frases saindo dos seus lábios soaram extremamente falsas. Loki se conhecia o suficiente para saber que eram sinceras, porém, tinha quase certeza de que ninguém acreditaria. Felizmente, Sansa tinha um poder estranho de captar a sinceridade nele, e cada palavra que dissera encheu-a de esperança e amor. Nada do que esperava aconteceu, ela o presenteou com um sorriso. O sorriso mais belo que ele um dia já vira.
Sansa o abraçou, um abraço sincero e desejoso, pois no mesmo momento em que seus corpos se tocaram, ela se inclinou na direção dele, beijando os lábios finos. Loki abriu a boca, recebendo a língua dela com ansiedade em tê-la por perto e para si, enroscaram-se um no outro, ela sentindo as mãos dele correndo levemente pelos seus cabelos, ele sentindo os dedos delgados deslizando por suas costas desnudas. Arrepiou-se.
— Sansa... Você está gelada... – Ele interrompeu o beijo, olhando para a janela.
— Esquente-me, então.
Sorriu diante de sua ousadia, não retirando os lábios dos dele. O sorriso dele foi diferente, mais malicioso, seu toque aumentou a pressão, as mãos descendo pela cintura, levantando-a com facilidade. Ela deu um gritinho quando foi içada do chão repentinamente, ele caminhou para a cama, colocando-a no colchão com uma delicadeza surpreendente.
Os olhos dele estavam em fogo, como normalmente ficavam enquanto a despia, mas naquele momento, Sansa conseguia ver um brilho diferente nas orbes azuis, como se ele quisesse lhe dizer algo a mais que as palavras já ditas, mas tivesse medo. Ela não se importava, era o suficiente para uma noite. Saber que seu marido guarda sentimentos era a melhor notícia que poderia ganhar depois da confirmação de sua gravidez.
Seus pensamentos foram interrompidos quando as mãos de Loki encontraram os seus seios, apertando-os com delicadeza, como se quisesse se desculpar de estar aproveitando a carne ali, como se ela estivesse dolorida. Ela sorriu.
— Não doem... Só estão levemente inchados.
Ele fechou os olhos, como se aquilo fosse o aval para fazer o que realmente desejava. O aperto aumentou, o toque triplicou, e logo ele mordiscou um levemente, sugando o mamilo do outro com intensidade. Ela gemeu e fechou os olhos, pousando a mão trêmula no cabelo negro e incitando-o a continuar, o que realmente não era preciso. Loki sentia uma necessidade extrema de experimentar aquele corpo por inteiro, tocando com os lábios e língua cada pedaço de pele, sentindo cada músculo estremecer, provando o gosto da pele pálida e leitosa, mordiscando suas curvas, sorvendo-a no centro, a língua passando por seus pontos sensíveis no mesmo momento em que o dedo a penetrava, mexendo-se ali para deixá-la fora de si.
Ele permaneceu ali, acariciando-a languidamente, até sentir que a garota chegava ao seu limite, o corpo retesando e as costas arqueando-se levemente, enquanto os lábios entreabriam-se e deixavam escapar um gemido de satisfação total. Sorriu, satisfeito com o que fizera, aproximando-se, abrindo um pouco mais as pernas dela.
— Você é linda... – ele deixou escapar. — Nunca vi tanta pureza e sinceridade em alguém...
Ela sorriu, o rosto ficando levemente ruborizado, tanto pelo prazer de senti-lo invadi-la, quanto pelas palavras que dizia ao fazê-lo. O quadril dele tocou o dela, e juntos começaram a se movimentar, sentindo um ao outro, tornando-se um só em corpo e agora, nesse momento peculiar, em alma e sentimento também. Mesmo que o sentimento que Sansa nutria por aquele homem fosse muito mais puro, sincero e até mesmo maior que o dele.
Sansa estava em êxtase, senti-lo reverenciando seu corpo daquela forma tão íntima, deixava-lhe com uma sensação única de ser adorada. As mãos dele viajavam pelo corpo dela, tocando-a em cada parte, lugares que nem mesmo sabia que existiam em seu corpo, pedaços de pele que tomava com a boca e sorvia, como se quisesse sugar a essência dela com a boca. Ela fechou os olhos quando ele aumentou as investidas, e pegou-se puxando-o com as pernas, para que o peso do corpo dele fosse maior em cima de si, e para que o membro a tomasse com mais força e profundidade.
E quando o núcleo dela o apertou e ela chegou ao seu prazer pela segunda vez, graças a ele, Loki sentiu-se perder o controle e gemeu de forma gutural, derramando-se nela e abraçando-a fortemente no processo. O nariz dele foi até o pescoço dela, onde aspirou o perfume daquela garota, no mesmo momento em que beijava o pescoço com delicadeza.
Sansa percebeu que, de certo modo, mesmo que Loki não fosse bom em dizer o que sentia, demostrava isso com toques. Ele fizera algo que ninguém nunca havia feito para ela, além de se sentir desejada e até mesmo adorada, Sansa sentiu pela primeira vez o que realmente era:
Uma rainha.
[...]
— Não quero deixar você. – ele sussurrou no ouvido dela.
Seu corpo estava gelado contra o dela, indicando que havia saído de debaixo dos cobertores enquanto ela ainda dormia. Mas agora ele estava de volta, o peito forte encontrando as costas dela. Estava seminu, e ela não entendeu realmente o que ele havia lhe dito, pois acabara de abrir os olhos, e o sol ainda não havia nascido.
— Por que diz isso? – ela perguntou de forma embargada, remexendo-se na cama.
Os braços dele enlaçaram a cintura fina e ele a puxou ainda mais, abrigando-a de forma protetora em um abraço. Deu um leve beijo no pescoço alvo antes de responder.
— Acabo de saber, por meio de fontes seguras, que há Lannisters em aldeias perto da fronteira do Norte... – ele deixou no ar. — Preciso confrontá-los, tentar descobrir onde o resto da corja está...
Ao ouvir aquilo, o peito de Sansa apertou-se. Não por temer que Loki se enfiasse em uma armadilha ou até mesmo em um confronto, mas por não querer ficar sozinha. A noite anterior e a madrugada foram tão... Reconfortantes. Ter o corpo dele ao lado, ao alcance do toque, escutar as palavras dele e conversar com ele sem se preocupar com nada... Mas, infelizmente, aquilo não era realmente algo corriqueiro, e ela sabia que um dia acabaria, só não estava preparada para que acabasse tão cedo.
Loki sentiu o corpo dela estremecer.
— Não fique assim, Sansa... – ele sussurrou o nome dela, como se estivesse pedindo desculpas. — Prometo voltar rápido... Como disse, não quero deixá-la só.
A mão longa correu da cintura para o ventre da garota, onde ele a pousou e deixou. Sansa sorriu ante o contato tímido, já era a segunda vez que ele fazia aquilo, como se quisesse sentir a criança crescer ali dentro. Mas ambos sabiam que o ventre abrigava algo parecido com uma semente de papoula, de tão pequeno.
— Eu trouxe o seu desjejum... – Ele se afastou dela, fazendo-a sentir falta do corpo dele no mesmo momento. — Gosta de bolinho de limão, não? Pedi para as cozinheiras fazerem um especialmente para você.
Uma bandeja foi depositada a sua frente e ela se sentou, observando o quarto começar a clarear enquanto o sol nascia. Olhou para a janela, e ele percebeu isso.
— Desculpe-me acordá-la tão cedo, mas preciso ir o mais rápido possível. – Ele deu de ombros. — Não queria sair sem me explicar e despedir.
Loki ficou surpreso com suas próprias palavras. Não era o tipo de pessoa que dizia o que estava pensando e sentindo. Na verdade, não era o tipo de pessoa que sentia algo desse tipo, mas Sansa tinha o poder de retirar as palavras de sua boca com facilidade.
Ela começou a comer, fechando os olhos quando mastigou o bolinho de limão. Ele conteve um sorriso, observando-a tomar o seu desjejum. Contudo, logo teriam que se separar... Ele precisava confrontar os Lannisters que estavam nos arredores do Norte. Provavelmente estavam seguindo o plano do leão chefe, e tentando infiltrar-se pelas pequenas aldeias em volta de Winterfell. Seu objetivo era claro: encontraria os homens e retiraria um pedaço de pele para cada pergunta que eles não quisessem responder e...
— Posso lhe fazer uma pergunta antes de ir?
Ela interrompeu seus pensamentos diabólicos, fazendo-o olhá-la e sentar-se na cama. Ele acenou afirmativamente e Sansa terminou de mastigar o bolinho, colocando o talher de prata no prato vazio. Não sabia se era certo perguntar aquilo, parecia algo tão íntimo... Mas aquela pergunta estava tomando sua mente desde a madrugada que passaram juntos.
— O que é Asgard?
Ao escutar a pergunta, o rosto de Loki perdeu a cor, indo para uma palidez anormal até mesmo para ele. Sansa percebeu de imediato que tocara em um ponto que não podia tocar, pois ao mesmo tempo em que ele ficara surpreso, um brilho de raiva correu suas orbes azuis e se instalou nas pequenas linhas de expressão do rosto fino. Ela engoliu em seco, tentando remediar o tropeço.
— Não precisa me responder... Mas é que você murmurou esse nome a noite inteira... – Ela começou a torcer a coberta. — Sei que é algo particular seu, mas gostaria de saber de onde veio... onde nasceu...
— Isso é tolice. Não importa.
Ele fez um gesto com a mão para que ela se calasse e Sansa ficou quieta no mesmo momento, sabendo que passara dos limites. Ela respirou fundo, colocando a bandeja para o lado e voltando a se deitar na cama.
— Vejo você daqui algum tempo, então... – disse rapidamente.
Ele respirou fundo para conter a falta de paciência. Magoara-a, mas não queria lhe dizer sobre seu passado. Não naquele momento, muito menos de onde viera. Aos olhos das pessoas daquele mundo, era um feiticeiro, mas e quando descobrissem que o feiticeiro tinha poderes maiores que a magia? A imortalidade era algo facilmente desejado naquele mundo, e isso poderia corromper até os corações mais bondosos ali. Não... Não era a hora.
Aproximou-se dela, colocando calmamente a mão no ombro sedoso da garota.
— Sansa... Um dia você saberá quem realmente sou. Eu só peço que tenha paciência para esperar.
Ela assentiu vagamente, olhando para o cobertor. Ele depositou um beijo leve na bochecha dela, sentindo-se extremamente estranho quando desejou estar ao lado dela na cama, deitado e jogando conversa fora, e não indo para uma missão de conquista de território.
— Vejo você depois. – Ele sorriu, tentando alegrá-la. — Deixarei Fenrir lhe fazendo companhia.
Andou calmamente pela porta, saindo do quarto. Naquele momento, um lobo enorme entrou no cômodo antes que seu dono fechasse a porta. Caminhou em direção à cama e, pela primeira vez desde que acompanhava Sansa pelo castelo, subiu no colchão de penas de ganso, pousando de forma cautelosa a grande cabeça no seu ventre. O lobo respirou fundo, e ela ficou parada ali por algum tempo, tentando adivinhar o motivo de ele estar agindo daquela maneira.
Parecia que o animal sabia que havia um herdeiro a caminho, o modo cuidadoso como ele pousou a orelha na barriga dela, movendo um pouco a cara peluda para que isso acontecesse lhe dizia isso. E Fenrir infelizmente tinha um instinto animal de proteção, a qual parecia alertá-lo de que ela era agora mais vulnerável que antes, e que se sentia só quando o marido não estava por perto.
A ruiva começou a correr a mão no pelo dele, sentindo-o suspirar, os olhos fechando brevemente. Comparada ao tamanho do lobo, a mão era estranhamente pequena, e quase sumia em seu pelo denso. Mesmo que estivesse imóvel e de olhos fechados, Sansa sabia que estava alerta a tudo. Ele parecia a alma de Loki, tinham uma ligação incomum, e se a alma de Loki queria que ela ficasse na cama e relaxasse, depois das últimas horas tensas ao saber que o marido ia sair, ficaria.
Mas não por muito tempo. Afinal, precisava visitar a biblioteca, precisava saber o que era Asgard.
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